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História Dormitório 37 - Capítulo 5


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Notas do Autor


Oi clã.
Boa leitura.

Capítulo 5 - O diário de uma paixão e O poderoso chefão


Os olhos de Hoseok cintilaram de orgulho, um sorriso estendeu-se sobre seus lábios opulentos e um suspiro partiu de si. Suspiro este que era terno e leve, como um suspiro apaixonado seria.

 

— Sãos e salvos. Meus bebês estão sãos e salvos. — o Jung passou os braços entorno da caixa repleta de mangás. — E tudo graças a vocês.

 Taehyung girou o secador que prendia entre os dedos, deixando a ponta próxima ao seus lábios para então sobrar a fumacinha que ainda deslizava para fora do objeto, como cowboys fazem com armas em filmes de faroeste.

 

— Eficácia, baby, eficácia. — o Kim apontou o secador para frente — Esse é o secador mais rápido de todo o velho oeste.

  Hoseok e eu rimos. Nós tínhamos passado as última cinco horas secando mangás. Montamos uma espécie de sistema operário: Um retirava o excesso de água com a toalha, o outro secava e o terceiro alinhava as páginas com a capa utilizando uma régua. As páginas dos exemplarem estavam ásperas, estufadas e frágeis, porém, fruto do nosso esforço, secas.

Meu olhar correu pelo dormitório em que estávamos, não era muito diferente do dormitório 37, exceto pelas paredes cor de rosa e os armários de madeira. Haviam também garrafas de água e de cerveja vazias sobre os aparadores, e travesseiros com estampas de waifu espalhadas sobre as duas camas.

 

— Seu colega de quarto também é um otaku declarado, Hobi? — indaguei, observando alguns mangás hentais sob os travesseiros.

 — Eu não tenho colega de quarto.

 — Não?

 — Não. Na teoria, eu divido o dormitório com o Japan, mas o cara passa mais tempo no dormitório do irmão dele do que no nosso, na verdade, eu acho que tem dois meses que ele não vem aqui. — Hoseok alcançou a tampa da caixa, antes de empurra-la para debaixo da cama outra vez — Acho que eles fazem cosplay de Cersei e Jamie Lannister versão gay.

 Taehyung começou a rir alto, e eu forcei um sorriso, pois não fazia ideia de onde vinha aquela referência. Entretanto, o modo maldoso com qual Hobi pronunciou a brincadeira, me deu a leve impressão de tratar-se de uma insinuação a incesto.

Eu levantei do assoalho frio e peguei minha mochila e pastas sobre a cama alheia.

 

— Onde você está indo? — o Jung conjecturou.

 —  Para o meu dormitório, eu preciso estar lá antes que o sino de recolher toque.

 — Eu também irei. — Taehyung ficou de pé.

Hobi nos entreolhou, primeiro com um semblante confuso e depois sua expressão desfez-se, mantendo somente os olhos estreitados. Analisando-nos.

 

— ‘Tá, legal... — murmurou, continha um tom de desconfiança em sua entonação baixa.

 — Vemos você depois, hyung. — o Kim disse-lhe, e após puxou a porta atrás de si.

 

  Eu ameacei a dar o primeiro passo, para seguir o corredor na direção que levava as escadas, no entanto, Taehyung escorregou com as botas no piso polido e jogou-se na minha frente, impedindo-me de passar.  Dei um passo para trás, graças ao susto gerado pela aproximação repentina. O  sorriso potencialmente diabólico brilhando no canto dos lábios do mais velho sucumbiu, dando lugar a uma expressão preocupada.

 

— Eu assustei você?

 — Não, fora apenas um pequeno susto. — expliquei-o.

 — Desculpe-me, não era a minha intenção. — o outro falou com delicadeza, eu perdi-me momentaneamente em seu sorriso afável. Sentindo uma espécie de agitação na boca do meu estômago, causada por seu sorriso.

 — Tudo bem.

 Taehyung sorriu um pouco mais, deixando que a fileira de dentes brancos e retos se alinhasse em um retângulo sob seus lábios úmidos. A consequência fora imediata em meu estômago, que gelou-se mais.

 

— Eu quero lhe fazer um convite.

 — Convite?

 — É uma surpresa, não posso lhe contar o que é, mas você tem que vir comigo.

 — Eu não posso, preciso ir para o dormitório. O sino está prestes a tocar. — eu mau fechei os lábios e o barulho estridente do toque de recolher ressonou entre as paredes finas do corredor. — Eu preciso ir... — tentei me movimentar, entrando, o Kim não deu único passo, continuando a ser uma barreira que atrapalhava a minha passagem.

 — Em tese, você já está quebrando as regras agora, pois está fora do dormitório. E se já está fazendo algo errado, por que não fazer do jeito certo? — o outro perguntou em um tom de brincadeira. Brincadeira maliciosa. Eu vinquei a testa e comprimi os lábios, para que Taehyung entendesse que eu não apreciava daquele tipo de piada. O sorriso gatuno do mais velho morreu tão rápido quanto surgiu. — Tudo bem, tudo bem, eu já entendi. Fazer as coisas das maneiras certas é importante para você. Eu admiro isso, embora eu ache um pouquinho entediante, e com pouquinho quero dizer completamente, um desperdiço de energia também, chato...

 — Você deveria ter parado na parte em que disse que concordava comigo. — o interrompi.

 — Certo, o que quero dizer é compreendo e também respeito suas vontades. E por isso eu não te colocaria em uma situação em que houvesse qualquer chance de você ser pego e acabar sendo punido. Eu cuidei de tudo, ninguém nos pegará fora do dormitório, eu estou preparando isso desde aquele meu ataque na segunda-feira, é minha forma de pedir desculpas adequadamente.

 — Eu te disse que não precisa pedir desculpas. — repeti com sinceridade, não era realmente necessário um pedido de desculpas. Eu o compreendi.

 — Sim, mas eu quero fazer isso, e também quero fazer algo legal para você, então você pode vir comigo essa noite? — Taehyung, de modo lento, aproximou-se um pouco mais. Eu senti o calor de seu corpo invadir meu espaço pessoal e aquecer minha pele, estando tão perto eu sentia a combinação de perfumes jazendo de si entorpecer meus sentidos levemente. O olhar dele estava fincado no meu. As orbes escuras e brilhantes o levaram para o cerne da minha mente, coagindo-me a ceder as suas vontades. —  Somente essa. Por favor, vem comigo. — insistiu com a voz profunda e grave que pareceu massagear meus tímpanos.

 — Essa será minha única exceção. — ditei em um quase sussurro, minha atenção estava focada no mover de seus lábios abrindo espaço para um sorriso vitorioso.

 — Isso é um sim?

  Eu dei ombros, meu corpo reagindo a minha derrota. O mais velho não era do tipo para quem se dizia “não”, eu tinha consciência disto, mas ainda assim, Taehyung estava exercendo mais poder sobre mim do que poderia imaginar, tampouco entender. Eu queria tanto agradar o Kim, deixá-lo contente e alegre, mesmo que isto custasse fazer algumas exceções para a moral e os bons costumes, cujo quais eu prezava tanto.

 

— Venha.

   Eu o segui pelo corredor, em seguida através das escadas e para fora do prédio. O vento estava forte e frio na quietude do pátio. Eu procurei com os olhos por algum monitor ou segurança, porém, não encontrei nada além das mesinhas e os postes. Infelizmente, isso não diminuiu o medo fluindo em mim. Tentei ignorar essa sensação. Nós cruzamos o pátio em silêncio, trocando olhares vez ou outra, não era um silêncio incômodo, era o tipo de silêncio que pode existir perfeitamente entre duas pessoas que estão confortáveis com a presença uma da outra.

  O Kim parou de caminhar em frente do ginásio e enfiou a mão dominante dentro do bolso do macacão, retirando de lá um molho de chaves. O mais velho passou os dedos entre as mesmas e segurou a maior, separando-a das restantes, para logo após a encaixar na fechadura.

 

— Por que você tem uma chave que abre o ginásio? — questionei, perplexo, enquanto o outro empurrava com o ombro as pesadas portas duplas de metal.

 — O Doug me emprestou. — o nome Doug soou familiar. Eu havia ouvido em algum momento anterior e em algum lugar próximo. Onde? Agitei a cabeça para os lados, aquelas não eram as questões importantes ali.

 — Um dos monitores? — indaguei. — Por que ele fez isso?

 — Todas as vezes que você se perguntar como eu faço as coisas acontecerem ao meu favor nesse reformatório, lembre-se da corrupção da qual lhe falei.  — Taehyung gesticulou para dentro do ginásio e eu dei alguns passos, adentrando o local. — É muita corrupção.

 Eu suspirei.

 

— Tudo bem, por que estamos aqui? — conjeturei, piscando forte para acostumar minha visão com as fortes luzes vindas dos refletores de LED nos extremos do ginásio, localizados especificamente acima da última linha das arquibancadas de madeira. — Você quer jogar bola, por acaso?

 — Não, nós estamos aqui porque é o único local de Blackwood que possuí uma cabine de projeção. — o Kim flexionou os dedos atrás da nuca e sorriu com os cantos dos lábios, quando meu olhar confuso pairou sobre si. Pareceu-me que aquilo era o mais próximo que Kim Taehyung poderia chegar de estar tímido. Fora absurdamente amável e fez-me sorrir. — Não tem poltronas confortáveis, ou uma telona e o 3D está fora de cogitação, mas podemos fingir que é uma sala de cinema.

 O sorriso em meus lábios dobrou de tamanho.

 

— Uma sala de cinema, huh? — eu estava tentando ocultar, pelo menos, disfarçar a felicidade súbita em minha voz. —  Quais os filmes em cartaz? — perguntei em tom de humor.

 — Um amor para recordar, O diário de uma paixão e Querido John.

Fiquei boquiaberto. De maneira literal, minha boca abriu-se formando um “o”, devido a surpresa.

 

— Você é fã do Nicholas Sparks?

 — Quem é Nicholas Sparks? — Taehyung questionou, arqueando a sobrancelha e tombando a cabeça ligeiramente para o lado.

 — O autor de todos os livros que basearam os filmes em cartaz essa noite. — contei-lhe.

 — Eu não sabia. — explicou, ao começar a avançar para o interior do ambiente, através da lateral da quadra no centro do ginásio.

 — Por que você escolheu esses filmes?

 — Estavam no site... — a voz do Kim morreu no ar abruptamente. Eu vi seus ombros largos se retraírem atrás da camada grossa do macacão. Isso despertou minha curiosidade.

 — Site? — perguntei, acelerando meus passos e dando a volta em seu corpo, desta forma passando a andar de ré em sua frente. — Qual site?

 — Um site aí.

 — Diz o nome do site.

 — Não.

 Eu parei de andar e cruzei os braços sobre o tórax. Taehyung respirou fundo, interrompendo seus próprios passos. Eu levantei uma sobrancelha e fitei o mais velho, silenciosamente. Eu estava apenas dando uma pequena demonstração de quão teimoso e insistente eu poderia ser. O Kim não precisou de mais que isso, para compreender que eu não iria desistir, ele confessou o nome do site de uma vez, sem parar para respirar :

 

— Oguiaparaidiotasnãoromânticos.com

 — Você está brincando comigo?

 — Eu gostaria de estar.  — eu ri. Não, gargalhei, a ponto de me curvar para frente e lágrimas finas escorrerem nas laterais dos meus olhos. Minha risada escandalosa ecoou dentro do ginásio. — Por que você está rindo? Por que está rindo, gatinho?

 — Porque é engraçado ver o cara que deve curtir, sei lá, O poderoso chefão, Pulp fiction, os Bons companheiros...

 — Desculpe te interromper, mas, por que todo os filmes que você está citando são de máfias, altamente violentos e sangrentos? É assim que você me vê? Como um sanguinário? Propício a futuro assassino? Eu sou o cara mau? — E lá se foi todo o meu humor, escorrendo para um lapso do passado junto daquela conjetura. E por culpa minha.

 — Não, não, não é nada disso. Você não percebeu que todos os filmes são conceituados? Anteporias. De diretores renomados, nomeados ao Óscar e tudo mais. Antigos. — expliquei-o, de um modo exasperado, gesticulando exageradamente, enquanto eu tentava desfazer o mau entendido. — Eu não sei, eu sempre relaciono os seus gostos a clássicos. Porque eu te vejo assim, alguém que tem a sofisticação da década de 70 e a rebeldia dos anos 80. — eu apertei os dedos das mãos uns contra os outros, sentindo a porra do nervosismo esfriando-os. Um corte em minha garganta, era com o que ar comprimindo-se lá dentro se parecia. Meus olhos encontraram as pontas das minhas botas sujas. — Você não parece estar vivendo em seu próprio tempo, Taehyung, e isso é impressionante.

 — Eu estou vivendo em meu próprio tempo, no tempo em que eu quero estar, porque eu estou aqui, agora, com você e eu não estou indo mais à lugar algum. — suas palavras fizeram-me olhar para si. Era  fascinante ver um cara que poderia ser descrito, sob a base de seus arquétipos e estereótipos, como “durão”, desenvolvendo-se em alguém doce, delicado e gentil. Partilhando sua gentileza comigo. Eu não era merecedor. No entanto, eu me sentia tão bem, de uma forma como jamais senti-me antes, em nenhum momento de minha vida. Eu adorava aquela sensação crescente dentro de mim, e adorava ainda mais por ser Taehyung o responsável por ela.

 — E eu quero estar aqui com você, mesmo que seja para ver um romance água com açúcar.

 Taehyung começou a rir.

 

— As opções são ruins?

 — Não, e por isso, qualquer uma delas será satisfatória.

 — Eu irei fingir que acredito, enquanto coloco o filme, sente-se em algum lugar, eu volto em breve.

 — Está bem.

 Taehyung subiu a escadaria entre os pavilhões da arquibancada, rumo a cabine de projeção. Eu me sentei no chão, com as costas apoiadas no último degrau da escada, parecia mais confortável do que os acentos sem encostos da arquibancada. Depositei minha mochila e pastas em uma pilha de canto. Prendi minha respiração quando ouvi um barulho, instantaneamente seguido de uma escuridão total dentro do ginásio. “Tudo bem, Taehyung somente desligou os refletores.” E fora o que aconteceu de fato, instantes depois um clarão fora projetado na parede do outro lado do local, acima da cesta de basquete. Eu respirei fundo, tentando me livrar da tensão desnecessária que meu corpo formou.

  Cruzei minhas pernas e levantei meu olhar para as cenas passando na projeção na parede branca, os créditos iniciais do filme tomaram as formas da superfície lisa, fazendo o som da peça de piano da primeira cena de “O diário de uma paixão”, ressonar, um tanto quanto mais algo que deveria. Eu ouvi a porta da cabine sendo fechada e meio minutos depois, Taehyung estava sentando-se ao meu lado.

 

— Desculpa não ter pipoca, mas tem refrigerante. — o Kim estendeu-me uma das duas latinhas de Coca-Cola que trouxera consigo. — Refrigerante em temperatura ambiente. Eu sinto muito. Sinto mesmo.

 — Está tudo bem.  — garanti ao outro, com um sorriso sincero. — E não me importo com a Coca. Ela é boa de qualquer forma. Me dê aqui.

 O mais velho me passou uma das latas e eu a abri imediatamente, levei a borda aos lábios, tomado um gole longo. Eu depositei a lata de refrigerante no pequeno vão das minhas pernas, e virei meu rosto, para que o Kim visse o sorriso autêntico e satisfeito moldado nos cantos  da minha boca.

 

— Sabe, eu fiquei pensando sobre isso, se tivéssemos nos conhecido em outro lugar, lá fora, como qualquer pessoa normal. Eu te levaria mesmo em um cinema, em um primeiro encontro, depois, é claro, de passar muito tempo tentando chamar a sua atenção, pois você é do tipo difícil, gatinho. — o mais velho soltou uma risada fraca e eu o acompanhei, minha risada cessou primeiro, eu estava mais interessado em ficar atento à todo movimento no rosto do Kim. — Eu poderia te buscar em casa, nós ouviríamos Bon Jovi, Queen, The beatles ou qualquer outra banda que me ajudasse a te impressionar, dentro do carro. No cinema, eu te compraria um combo de pipoca com refrigerante e doces. Passaria o braço sobre o encosto da sua poltrona, apenas para que você se acostumasse com a minha presença, e após, enquanto dividíssemos o balde de pipoca eu iria fingir querer pegar uma, no mesmo momento em que você fizesse e assim poderia pegar em sua mão sutilmente, sem assusta-lo. Eu iria te levar para jantar quando o filme acabasse, talvez iríamos para um boliche, ou qualquer lugar desses bem piegas que o site recomendou, porque eu não sei explicar, mas você me desperta vontade de viver todas essas experiências ridiculamente clichês, como ir ao cinema, sair para jantar, e meu orgulho está indo para o lixo agora, eu até me imaginei te levando em um parque de diversões. Infelizmente, eu não posso fazer nada disso e eu sinto muito. — eu observei o jogo de luz lançado do projetor dançar sobre sua face com sombras que poderiam ir de avermelhadas à azuladas e até rosadas, dependendo da cena sendo exibida. Taehyung ficava lindo sob qualquer luz, não importava, tudo lhe caia perfeitamente. No meu ponto de vista, era o Kim a sétima arte que eu gostaria de assistir. Eu desejava vê-lo em todas as suas versões, com um sorriso triste como o de agora ou um sorriso ladino, nunca seria entediante para mim, pois eu tinha tanto para aprender sobre ele, e isso poderia ocupar todo o meu tempo, eu não me importava, porque ver o Taehyung sendo o Taehyung parecia mais interessante do que qualquer filme.

  Eu estiquei minha mão sobre a coxa e alcancei sua mão esquerda, vagarosamente, com as pontas dos dígitos, a trouxe para junto da minha. Eu almejava provar com o ato, o quanto eu desejava todas aquelas coisas que o mais velho mencionou. O Kim finalizou o movimento, correndo com os dedos de maneira suave entre os meus.

 

— Sua mão está gelada, está sempre gelada. — sussurrou, ao mirar nossos dedos com lentidão alinharem-se um nos outros, formando um emaranhado de dígitos, anéis e suor frio. Era estranho e bonito. Taehyung depositou a outra mão sobre a minha, criando uma espécie de concha, e então, puxou cuidadosa e carinhosamente a minha mão em direção ao seus lábios, soprando um pouco de ar quente dentro da concha que criou. Todo o nervosismo e constrangimento, pareceu dissipar-se dos meus sentidos diante aquele gesto suave e terno. Era primeira vez que eu senti-me completamente confortável com o toque de alguém, e também era a primeira vez que este mesmo toque serviu-me como calmante, aliviando a tensão sobre os meus músculos. O sorriso desenhando-se sobre os meus lábios fora um reflexo natural ao meu estado ameno. — Era assim que minha mãe aquecia as minhas mãos quando eu era pequeno. Está funcionando com você?

 — Está sim. — logo em seguida da minha réplica, o mais velho soprou outra vez sobre os meus dedos, trazendo uma sensação de cócegas que me fez rir. — Esta fazendo cócegas, pare. — pedi entre risos.

 — Irei parar somente porque estão quentes o suficiente. — Taehyung mediu o espaço entre os nossos corpos, com o olhar. — Eu posso me aproximar mais? — questionou.

 — Pode.

 O outro arrastou o corpo, deixando o ombro escorar no meu. Eu olhei de relance para o filme, no entanto, no segundo consequente minha atenção retornou ao Kim.

 

— Se estivéssemos em um cinema de verdade, nós seríamos convidados a nos retirar.

 — Por que?

 — Porque estou mais a fim de conversar com você do que de assistir o filme, mas não teria coragem de desperdiçar o dinheiro dos ingressos, saindo da sala, então conversaria dentro da sala mesmo.

 Taehyung libertou uma risada.

 

— Sendo esta a minha sala de cinema, você pode conversar o quanto quiser.

 — Isso me dá direto a fazer qualquer pergunta? — indaguei.

 — Sem restrições. — o outro garantiu com um sorriso.

 — O que significa “the shadow like me”? — fiz a pergunta que rondava a minha mente desde a manhã em que o conheci.

 O semblante de Taehyung perdeu os rastros de animação.

 

— Quando as pessoas me perguntam, eu digo que é a letra de uma música que gosto, isso simplifica tudo e não gera mais perguntas a respeito, mas não é a verdade.

 — Qual é a verdade? — ousei questionar.

 — Durante toda minha vida, eu meu senti distante e diferente do restante da minha família, como se eu não fizesse parte daquele clã. Eu recordo-me da minha primeira aula de ciências, onde eu ouvi sobre o sistema solar, então eu pensei “É assim que os Kim funcionam, o centro do nosso sistema solar são os negócios da família, o nosso sol. O vovô é mercúrio, a mamãe é vênus, o papai a terra, o Nanjoon marte, o Seokjin Júpiter, a tia Soohun Saturno, o Yoongi Urano, Jimin Netuno, e eu, bom, eu sou plutão, sequer sou um planeta de verdade nesse sistema.” Eu me sinto assim, não faço parte dos Kim, não me encaixo ali, sou apenas alguma coisa relacionada a eles. Quando eu fui fazer a minha primeira tatuagem, Yoongi disse-me para fazer uma que representasse algo que eu não teria a coragem de dizer em voz alta, mas que eu gostaria de expor. Eu não achei que seria poético tatuar “ The Pluto like me.” — Taehyung sorriu, um sorriso nostálgico e sôfrego. — “The shadow like me”, soou mais adequada e, no fim, cumpre a mesma metáfora; eu sou a sombra dos meus irmãos, o reflexo escuro dos Kim.

 — Eu sinto muito. — falei, enquanto apertava meus dedos entre os seus com um pouco mais força, na tentativa de passá-lo a sensação de estar sendo confortado.

 — Está tudo bem. — o Kim levou nossas mãos unidas aos seus lábios e beijou o dorso da minha, devagarzinho. Se houvesse uma competição de trouxas, eu iria ganhar o primeiro lugar por nocaute. Meu coração estava palpitando rápido e alto, e eu me sentia derretendo, sorrindo dos pés a cabeça e tudo por um simples selar na mão. “O maior trouxa de todos os tempos”, deveria se a frase escrita na faixa que eu ganharia do comitê dos trouxas.

 — Quer saber de uma coisa ridícula sobre mim?

 — Sempre. — o Kim rebateu entre risos.

 — Plutão era o meu planeta favorito. Quando pequeno, eu imaginava que era o local perfeito para o pé grande se esconder, eu tinha uma obsessão pelo pé grande e não me pergunte a razão, porque era todo feito de gelo. Quando sei lá quem da academia científica decidiu que Plutão não era mais um planeta, eu chorei. Chorei mesmo. — eu inclinei meu corpo um pouco mais rumo ao corpo do outro, como se estivesse prestes a relevar meu maior segredo, sussurrei: — Se eu soubesse que ia ganhar um plutão somente para mim, alguns anos depois, não teria sofrido tanto.

 — Eu não vim com nenhum pé grande, infelizmente. — Taehyung disse-me com um sorriso que levava uma luz linda aos seus olhos escuros. O mais velho também inclinou-se para frente, deixando o rosto a centímetros do meu, ele fora mais ousado, quando de maneira vagarosa, encostou a testa na minha.

 Eu dei de ombros.

 

— Nada é perfeito.

   Nós rimos em uníssono, no entanto, o riso fora esvaziando-se a medida que nossa troca de olhares se intensificavam. Taehyung roçou o nariz no meu, meus lábios entreabriam-se com a aceleração parcial da minha respiração.  O mais velho segurou meu queixo entre o indicador e o dedão, o local em que ele tocava formigou. O calor também fez-se presente, correndo por meio de nossos corpos. Meu olhar concentrou-se em seus lábios, pareciam macios e doces. Eu não podia parar de fita-los. Tê-lo tão próximo era golpe baixo, eu me senti somente um adolescente hormonal, traído por seus próprios instintos.

 

— Eu posso te beijar, gatinho? — o Kim pediu em tom de voz baixo e delicado.

  Eu o respondi apertando a boca contra dele. Não fora mais que isso, um selinho longo, apenas o tocar dos lábios, nada de línguas enroscando-se uma na outra com selvageria, embora essa possibilidade fosse tentadora. O sutil contato fora o suficiente para fazer meu coração acelerar-se agressivamente e pontinhos colorido estourarem como confeites em minha mente. Seus lábios eram mais macios que premeditados, e as misturas de gostos em sua boca eram deliciosas. Taehyung deslizou a ponta da língua sobre meu lábio inferior e isto me fez arfar e arrepiar, eu entendi o que o mais velho desejava iniciar com aquele movimento, e isto fora o responsável pelo o meu súbito afastamento.

 

— Podemos ir mais devagar? — pedi após separar nossas bocas, porém, sem recuar com o restante do meu corpo. — Eu nunca fiz isso com um garoto, e tudo isso é muito novo para mim, eu nem tive tempo de pensar sobre o que significa, então eu preciso realmente ir devagar.

 — Tudo bem. — Taehyung selou a ponta do meu nariz, antes de proclamar em tom de humor: —  Eu espero você sair do armário.

 — Ei, eu muito provavelmente sou bissexual, o que significa que eu fico com uma perna dentro do armário e outra fora. — ambos começamos a rir alto. — Você quer tentar ver o filme agora? Não quero desperdiçar o seu esforço, você pesquisou em site e tudo. —  o mais velho concordou, enquanto passava o dedão no meu lábio inferior.

 Eu deitei minha cabeça em seu ombro e Taehyung passou o braço livre ao redor da minha cintura, e nós ficamos assim não somente pelo restante do filme, mas pela noite inteirinha.

 

 

                         

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— Batman ou Superman?

 — Batman.

 — Lennon ou McCartney ?

 — Lennon.

 — Sasuke ou Naruto?

 — Eu não faço ideia de quem sejam esses. — Taehyung exclamou, ao escorregar os dedão do pé acima do meu. Nós estávamos deitados um de frente para o outro, em minha cama, compartilhando o fone que tocava “Start Me Up, The Rolling Stones”, embora não prestássemos atenção na música, pois estávamos mais interessados em conversar e ficar brincando de encostar nossos pés um contra o outro.  — São cantores japoneses?

 — Não. São personagens de Naruto, tanto do anime, quanto do mangá.

 O Kim sorriu, ao apertar as bochechas amassadas contra o travesseiro macio. Os olhos castanho escuro brilhando de divertimento.

 

— Aparentemente o Hobi não é o único otaku por aqui. — zombou.

 — Não enche, eu assistia vez ou outra.

 — Você está mentindo.

 — Não estou. — cruzei meus braços atrás da minha cabeça e encarei o teto de gesso branco, simplesmente para esconder minhas bochechas ruborizadas.

 — Está sim, quando você mente, você desvia o olhar, como se tivesse vergonha da mentira. — o mais velho apoiou os cotovelos no colchão e ergueu o corpo, adentrando o meu campo de visão. Os fios desgrenhados caiam por sua testa e têmporas. Eu adorava aquele cabelo, o aroma misto das fragrâncias, as formas onduladas com quais desciam até sua nuca, o tom intenso de negrume. Minha mente, totalmente fora do meu controle e expectativa, imaginou como seria puxar os fios sedosos entre os meus dedos em um momento de prazer, era mais fácil fantasiar isso com Taehyung fitando-me daquele ângulo. “Que porra de pensamento é esse, Jungkook?” — Eu acho fofo, gatinho. Você está com fome? — conjecturou, ao sentar-se na cama.

 — Um pouco.

 — Vamos comprar algo na máquina de lanches.

 — Qual máquina de lanches?

 — A que fica no hall de entrada do prédio um.

— Eu nunca prestei atenção. — eu sentei-me também. — Nós podemos usá-la?

 — Eu posso. — Taehyung pronunciou com um ar de superioridade.

 — Exibicionista. — empurrei-o levemente pelos ombros.

 — Você espera eu tomar banho primeiro? — o Kim pediu, pulando para o chão. — Serei rápido.

 — Sim, sem problemas.

 — Você pode vir comigo se quiser. — Taehyung convidou com um sorriso que ultrapassava as segundas intenções.

 — Taehyung! — proferi, envergonhado, ao pegar o travesseiro atrás das minhas costas e jogar nele.

 — Estou brincando. — disse, desviando do ataque e seguindo para dentro do banheiro.

   Voltei a me deitar, tamborilando as pontas dos dedos sobre minha barriga. Um sorriso rasgava meu rosto. Eu era um idiota que não conseguia parar de sorrir, não há palavras pra descrever a razão, tudo o que sei é que eu estava nas alturas. Aceso por dentro, como em uma queima de fogos. Sentindo que eu poderia dançar em frente ao espelho e cantar alto no chuveiro. Conquistar o mundo.

 É claro que minha mente estava tentando sabotar meu raro estado de felicidade, trazendo pensamentos como: “Taehyung é um cara. Você é realmente capaz de iniciar algo com águem do mesmo sexo? Você por acaso gosta da ideia de transar com outro garoto? Provavelmente é o seu que vai entrar na reta.” Ou, então, coisas como “Você acha que isso pode dar certo? Vocês estão em um reformatório, não em um acampamento de verão, coisas boas não acontecem aqui, é estupidez acreditar que vocês serão exceção à regra. Você deveria ficar longe dele, sabe que essa é a lógica racional, Taehyung é problema, até o cheiro que ele exalava é de problema na certa. Quanto tempo irá levar para que o Kim se canse do brinquedo novo?” E eu estava orgulhoso de mim, porque eu estava fazendo um ótimo trabalho em ignorar cada um daqueles pensamentos que tentavam trazer uma nuvem cinza sobre o meu estado de espírito, que poderia ser comparado a um dia ensolarado.

 Eu sabia que precisaria lidar com cada uma daquelas questões em algum momento, e sendo honesto, provavelmente não teria forças para solucionar nenhuma. No entanto, agora, por egoísmo em seu estado mais puro, eu desejava simplesmente terminar minha quinta-feira em companhia de Taehyung, e a sexta, sábado e todos os outros dias até que não fossem mais possível ignorar minhas incertezas.

   Eu peguei o Ipod e troquei a playlist, dando play no álbum “Lost Highway, Bon Jovi”. Fechei os olhos, aproveitando a primeira música. Era bom estar ali, apenas ali, ouvindo música, com uma boa sensação dentro do meu coração, esforçando-me para superar a minha mente. Eu não lembro da última vez em que senti-me assim.

 

— Gatinho? — ouvi Taehyung gritar em plenos pulmões, arranquei os fones do ouvido e olhei assustado para o mais velho. — Eu te chamei três vezes, posso pegar um dos seus uniformes emprestados? Os meus estão todos sujos. Gatinho? Gatinho? Jungkook, você está bem?

 Era a perdição da inocência humana, não, era a perdição definitiva da heterossexualidade do Jungkook, era assim que eu poderia descrever facilmente Taehyung trajando somente uma toalha após sair do banho. Os resquícios da água sobre a pele dourada formavam um contraste bonito. Eu acompanhei uma gota cair de sua clavícula sobressaltada, rolar entre o vão de sua caixa torácica definida, descer por sua barriga lisa e ser absorvida pela borda da tolha entorno do quadril largo. Fora inevitável olhar um pouco mais para baixo...

 

— Estou te sacando. Você  está pensando em fazer algo malvado comigo, gatinho. — o mais velho indagou retoricamente,  sem se dar ao trabalho de disfarçar o tom de voz malicioso, quando notou do que tratava-se meu silêncio e olhar.

 — O que? Não! — eu engoli em seco, eu estava prendendo meu lábio inferior entre os dentes com tamanha força, que senti a região arder. O sangue começou a correr para um lugar indevido do meu corpo.  Eu fiquei de pé, eu precisava sair daquele quarto repentinamente quente como o inferno. — Eu vou convidar o Hobi para ir conosco. Pode pegar o que quiser. — ditei, e quase me xinguei por perceber a entonação alterada da minha voz.

 — Espera, eu vou com você... — gritou, no mesmo instante em que eu corri para fora do dormitório 37.

 Eu atravessei o corredor com passos rápidos e subi as escadas, pulando os degraus de três em três. Caralho, quando foi que Taehyung ficou tão gostoso? Eu nunca havia notado seu corpo e quão atraente era. Será que era toda aquele lance de colocar um pé para fora do armário em ação? Porque antes eu o achava um cara bonito, e agora eu o achava um puta gostoso. Realmente, como eu não percebi antes? Kim Taehyung praticamente continha uma placa com uma seta neon amarela piscante, sobre sua testa, dizendo: Corpo gostoso para um caralho logo abaixo. Abri a porta do dormitório de Hoseok com o ombro.

 

— Você já viu o Taehyung nu? — questionei ofegando, enquanto parava sob os pés da cama onde o Jung estava deitado com o rosto escondido atrás de um mangá.

 — Nunca tive o prazer. — replicou, sem dar-se ao trabalho de olhar para mim, somente trocando a página de seu exemplar.

 — Você deveria ir lá ver e me dizer se também sente vontade de dançar Macarena encima do corpo dele. — falei exasperado, enfiando as mãos no alto do meu cabelo, eu estava ficando fora de mim.

 — Você viu o Tae nu e sentiu vontade de dançar Macarena encima dele? — Hoseok questionou, erguendo os olhos brevemente acima da borda da capa do mangá.

 — Sim, mas não fora completamente nu, ele estava com a toalha. — gritei.

 — Essa é uma vontade tão específica.

 — Hobi, eu acabei de dizer que quero me esfregar em outro cara, você não tem nada a dizer sobre isso?

  Hoseok suspirou por trás das páginas.

 

— A única coisa que eu poderia dizer é que talvez você não seja tão hétero quanto pensa que é, mas se depois do lance da Macarena, você não percebeu sozinho, nem desenhar resolveria.

 — Você não se importa com isso?

 — Com o que?

 — Com eu estar virando gay.

 — Ninguém vira gay, Jungkook. E a questão aqui não é como eu me sinto sobre isto, e sim como você se sente. — o mais velho colocou o exemplar de One piece de lado e olhou diretamente para mim. — Isso está te assustando? Por isso você está quase tendo uma crise de pânico?

 — Esta assustando-me, não estar assustado. — confessei, deixando o peso do meu corpo ceder no colchão, ao me sentar. — Não era para eu estar surtando e gritando: “Deus porque permites que eu sintas vontades de cometer atos abomináveis contra a natureza humana?”

 Hobi começou a rir.

 

— Se você fosse um monge católico da idade média, talvez fizesse sentindo gritar algo desse tipo, mas você é um cara comum do século vinte e um, que sabe que Deus não tem nada relacionado a sexualidade das pessoas. E, talvez, não estar surtando seja uma prova de tão natural quanto isso seja.

 — Como você pode ser assim? — questionei, meu olhar confuso procurava por qualquer sinal em seu rosto que pudesse explicar como Jung Hoseok conseguia ser tão legal e condescendente. — Um cara hétero com a mente tão aberta?

 — Os meus pais são gays, eu sou adotado, a maior dos meus amigos também são. Tudo o que supostamente deveria ser questões delicadas, para mim sempre foram partes naturais do meu cotidiano. — o Jung deu de ombros e sorriu. — Mas aí, o Taehyung? O que está rolando? É um paixão platônica, ou a simples vontade de dançar encima dele?

 — Eu não sei exatamente o que é, mas não é platônico, é recíproco. — contei-lhe com um suspiro. Eu não parava de bater o a sola do sapato contra o chão, era um dos sinais da minha ansiedade se manifestando.

 — O Tae quer dançar Macarena em você também? — zombou entre risos.

 — Isso, pode me zoar, eu não ligo. Taehyung diz que gosta de mim, sabe se lá o porque, porém, gosta e eu gosto dele também. — eu mirei as pontas dos meu all-star, não havia intimidade suficiente que impediria minha insegurança, ao dizer: —  O que você diria se eu dissesse que eu acho que faço bem mais do que apenas gostar dele?

 — Eu diria, com todo o meu histórico de relacionamentos mau sucedidos e coração quebrado, para você ir fundo nesse seu novo sentimento. Se apaixonar é uma droga, mas você vai adorar. — o outro começou a rir e eu o acompanhei, balançando a cabeça para os lados em negativo. — Falando sério, não pensa demais sobre isso, não questione o fato de ser um garoto, tampouco o teor de seus sentimentos, aproveita, segue suas vontades. Se resultar em um coração partido, que seja, é estupidez se reprimir por medo de sofrer. É também perda tempo, um tempo que poderia ser gasto de um jeito mais gostoso. — Hoseok concluiu maliciosamente.

 — Obrigado, Hobi.

 — Não é necessário agradecer. — o Jung sentou-se na cama, encarando-me com uma careta.

 — O que foi?

 — É por isso que Taehyung realmente deu um pé na bunda do Jimin? Por você?

 — Meu deus, Jimin! — Meus olhos ficaram arregalados, meu queixou tombou  e eu fiquei de pé quando o boneco heman asiático materializou-se em minha mente. — Jimin? Ele vai tentar acabar comigo, não vai? Vai tentar colar chiclete no meu cabelo ou coisa do tipo para se vingar?

 — Isso, chiclete, é essa arma que o filho de um mafioso usaria para uma vingança, um chiclete. — o mais velho pronunciou com escárnio.

 — JIMIN VAI ESTOURAR OS MEUS MIOLOS.

 — O Jimin não vai estourar seus miolos, o Taehyung só precisa ter a decência de falar com ele.

 — Eu devo ter a decência de falar com quem? — Taehyung perguntou, ao passar pela porta que eu tinha deixado aberta.

 — Com o Jimin. — Hoseok rebateu.

 — Sobre?

 — Sobre isso. — o Jung explicou, apontando o dedo para mim e em seguida para o Kim.

 — Não tem o que dizer, embora isso não seja da conta de Jimin ou de qualquer outra pessoa, porque ele já sabe. — eu e Hoseok olhamos para Taehyung, surpresos. — Eu nunca faria algo que pudesse machuca-lo, então eu o contei sobre como eu estava me sentindo em relação a você, gatinho, antes de sequer tomar qualquer iniciativa. Não há nada para se preocupar.

 — Olha só Jungkook, seu cabelo estará livre de chicletes, e sua cabeça, de balas.

 Eu estava prestes a replicar a piada macabra de Hoseok, entretanto, o Kim pronunciou-se primeiro:

 

— Eu terminei com o meu rolo, você deveria fazer o mesmo com seu, gatinho.

 — Eu não tenho um rolo... — o mais velho arqueou uma sobrancelha e guiou o olhar para o Jung. — Ah... Hoseok. Eu não posso terminar meu falso rolo, o Hobi precisa de mim, tem um cara dando ideia errada nele.

 — Não tem não, eu descobri quem era e acabei com isso.

 — Quem era? — conjeturei. Curioso.

 — A única pessoa que teria caneta cor de rosa com cheirinho de morango e uma mente mais pervertida que um site pornô...

 — Park Jimin  — Taehyung completou. Os mais velhos riram. — Bom, então não há desculpas, vocês dois estão oficialmente separados, adeus, Hosoek. Pode chamar o próximo, gatinho, na verdade não precisa, o próximo já está aqui. Sou eu.

  Eu revirei os olhos, contudo, não contive minha risada.

 

— Isso foi ridículo, Tae. — Hoseok resmungou. — E JK, amar é deixar livre, eu deixo você livre, pode seguir por sua estrada e eu segurei pela minha, se o destino nos quiser juntos, nossos caminhos  se cruzarão outra vez.

 — Esse é o pior término de namoro falso que eu já vi. — fora a vez do Kim resmungar.

 — Fica quieto na sua, você já está levando meu homem embora.

 — Ele nunca foi seu homem.

 — Já deu. — pedi, entre risos. — Já deu. Muito obrigado por ter me ajudado, Hobi. Você quer ir lanchar com a gente? Eu posso te pagar uma soda, como uma forma de agradecimento.

 — Não, eu quero terminar esse volume aqui antes da publicação do outro, vocês podem ir sozinhos e aproveitem.

 — Muito obrigado. — agradeci outra vez.

  Do lado de fora do quarto de Hosek, antes mesmo de dar o primeiro passo, eu e Taehyung nos viramos um para o outro e indagamos em uníssono:

 

— Eu posso segurar sua mão?

Nós rimos da ação piegas de falar em conjunto. Eu entendi o braço e peguei em sua mão, nós andamos, deste modo, com as mãos entrelaçadas até a portaria do prédio um. Taehyung sugeriu que apenas ele entrasse e eu concordei, pois não gostava da perspectiva de invadir um lugar que estava restrito somente às pessoas credenciadas.

   Eu sentei-me no banco de madeira mais afastado no jardim de Blackwood, os acentos ficavam virados para o conjunto de prédios. Parecia um lugar comum, se não se soubesse do que realmente se tratava. Eu encarei o gramado verde e bem cuidado, permeado por canteiros de flores coloridas, e após, para o céu sem nuvens. Era uma agradável fim de tarde.

 

— Você não irá acreditar, colocaram cornettos na máquina. — o Kim exclamou extasiado, ao correr com dois sorvete em mão, e barras de cereais e pacotes de batatinhas na outra. Ri da cena, porque o mais velho sempre tornava-se infantil quando tratava-se de doces. — CORNERTTOS.

 — Eu percebi. — murmurei, o vendo sentar com as pernas uma de cada lado do banco sem encosto, pondo os pacotes no espaço vago entre nós.

 — Você quer o de baunilha ou o de morango?

 — Tanto faz.

 — Fica com o de baunilha, é menos doce.

 — Obrigado.

  Eu peguei o sorvete, e ao contrário do mais velho, que livrou-se da embalagem do seu em segundos, eu lentamente desfiz a embalagem de papel. Sobremesas, sejam elas quais fossem, não costumavam agradar o meu paladar. Levei o sorvete a boca e mordi um pequeno pedaço, sentindo o gelo e o doce  tomar conta da minha cavidade bucal, para a minha surpresa, não fora ruim, o doce era sútil, o que me fez dar a próxima mordida com um pouco mais de entusiasmo.

 

— Está bom?

 — Está sim, melhor que o esperado. — eu levantei um pouco a casca do cornetto, em um sinal de oferenda: — Você quer experimentar?

 — Quero. — Taehyung curvou o corpo para frente, eu pensei que na intenção de morder um pedaço do sorvete, mas ao em vez disso ele sussurrou: — Eu posso experimentar daqui? — indagou, laçando um olhar intenso rumo aos meus lábios úmidos e apenas com isso eu já pude sentir seu beijo e o quanto eu o desejava.

 — Pode.

  O outro pressionou a boca contra a minha suave e gentilmente, eu sabia que os toques amenos eram uma precaução, para não me assustar.  Eu abri um pouco a minha cavidade bucal, deixando a língua alheia tocar a minha devagar, era um início de beijo desajustado. Temeroso. E para a minha maior supresa, a maior fonte de tensão era provinda de Taehyung.

 

— Você pode me beijar, não precisava se preocupar. — falei, enquanto depositava minha mão livre sobre sua bochecha macia.

 — Está certo disso?

 — Certo, eu não estou, mas quero tentar. Me beija.

 O Kim pressionou a boca na minha novamente, porém, desta vez, de um modo seguro, guiando o ritmo do beijo, mantendo-o lento e profundo, movendo a cabeça vez ou outras desfrutar dos melhores ângulos. Não que sobre a minha perspectiva aquilo fosse de fato preciso, apenas sua boca com gosto de sorvete de morango e cigarro estava sendo necessário para fazer os pelos de meu braço arrepiarem. Enrosquei meus dedos trêmulos entre os fios do mais velho com força, puxando-o para mim.

  O sangue estava fluindo rápido em minhas veias, deixando-me em um estado semelhante ao de um pico de adrenalina. Não da maneira ruim cujo qual eu estava habituado. Era uma novidade. Tudo releva-se uma novidade quando se tratava de Taehyung.

  Eu não consegui conter um gemido fraco, ao sentir uma das mãos grandes do meu colega de quarto prender-se ao redor de minha cintura, colocando a quantidade perfeita de pressão no ato. O Kim capturou meu o lábio inferior, chupando a região devagar, anteriormente de mordiscá-lo e retomar o beijo de maneira mais intensa. Nossas bocas estavam mais urgentes agora que haviam experimentando o sabor e a textura uma da outra, sem a presença do temor. Não era mais um beijo inseguro, como o primeiro fora, agora nós sabíamos do potencial e queríamos usufruir do máximo disso. Fora a vez de Taehyung arfar quando sentiu-me mordiscar a ponta de sua língua, após massagear o músculo com o meu.

 

— Isso é muito bom. — o Kim disse com a voz bem baixinha, ao esfregar o nariz no meu, de olhos ainda fechados.

 — O beijo ou o sorvete? — questionei, após uma risada curta e leve.

 — Ambos, mas eu preciso experimentar de novo para ter certeza de qual o melhor. — então Taehyung o fez, aquela e inúmeras outras vezes até os nossos sorvetes derreterem.


Notas Finais


Capítulo betado por : @helneko

Bora interagir ❤️😈
https://twitter.com/SayraSantos_?s=09 @SayraSantos_

Beijinhos, até o próximo.


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