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História Dos Corações Jovens - Capítulo 23


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Capítulo 23 - Ah, sim, Paige


Paige é a mais normal dos já apresentados. Fico até um pouco sem graça aqui, todos tinham tanto para comentar, mas ela era só uma adolescente.  “Por que fazer esta parte sobre ela então?”, se eu responder, qual o ponto de lerem isto aqui? Acho que vou começar dando uma de chato. A fim de contextualizá-los, deixem-me dizer que ela tinha ótimas notas e um espírito dos mais orgulhosos. 

Apesar de novata, desde a primeira semana já puxava conversa sobre variados temas com os professores, que se admiravam com seu entusiasmo. De livros e filmes a notícias e curiosidades sobre as matérias estudadas. Apesar do escândalo do primeiro dia, o diretor já a tratava como uma favorita e os professores se contagiavam com o interesse e a dedicação da aluna. Os outros se inspiravam e se cobravam mais nas aulas e nos estudos. Todos saiam ganhando. Que maravilha, que ser evoluído, esforçado, que benção! E ela era mesmo. 

Não se importava com a sala. Vários colegas, nenhum amigo. Nem se interessava por eles, irrelevantes, tirando um. Vocês sabem de quem eu falo, vamos. É claro, falo de James Handgold, que surgiu como um cavaleiro alado na noite que chorava, que romântico. Não é como se não tivesse curiosidade por ele, então algum motivo havia para mantê-lo longe. Se fazendo de difícil? Bem a cara dela, eu diria. 

James já havia notado, nem um olharzinho recebia. Precisou esperar que os dois estivessem no mesmo grupo da escola do Whatssapp para adicioná-la aos contatos. Todas as tentativas de conversa que ele iniciava eram logo cortadas. Sentiu-se trouxa. “Ora, eu achei que a gente tinha tido algo especial” pensava consigo mesmo, já que seu amigo Sean o ignorava, igual a garota. “Mas tivemos, não tivemos? Não pode ser, você não invade uma escola e observa as estrelas no gramado e depois diz que não houve nada. Não é como se eu esperasse dela amor imediato nem nada do tipo, não que eu reclamaria, porém algum contato ao menos! Sinto-me quase desprezado do jeito que ela me olha, o que eu talvez gostasse se as situações fossem outras...” 

Cansou-se, iria segui-la! Achou uma boa ideia, e isso diz muito sobre a sociedade. Era quarta feira, as aulas acabavam cinco e meia, aula atrasara e só saíram cinco e quarenta e cinco, menos Paige, que ficara até as seis conversando com o professor. Pobre de James, vida de stalker tem suas dificuldades. Não se deixou ser visto em momento algum, permaneceu-se perto da portaria até que ela saísse, pôs-se a segui-la quando havia uma margem de um quarteirão entre eles. Ela seguia os quarteirões abaixo, sem pressa. Ele se achegava aos poucos, como um pervertid- bom, já que o temos como mocinho, deveríamos chamá-lo de... apaixonado? Certo. O nosso apaixonado a perseguia. Ao encontrá-la em um quarteirão antigo e monótono (o que é comum em Andradina), em que o vento do crepúsculo confundia as árvores e as árvores os ouvidos, ele creu ser um momento ideal para surpreendê-la. Já às costas da moça, gritou: 

-Parada! Isto é um sequestro!  

Seu erro foi estar tão perto. Como um reflexo, o torso de Paige se torceu e seu ombro se alavancou e seu pulso correu na bochecha de James, quem teria caído se não tivesse a parede para se apoiar.  

-Quando disse que me bateria enquanto passávamos pela piscina, eu achei que estava brincando! 

-Uh, é você. É claro que eu não estava brincando – e, de novo, o olhar de “Sim, eu acabaria com você, fácil,fácil” - Por que está aqui? Não me diga que estava me seguindo? 

-Nem uma desculpa? Eu moro por aqui, ora. 

-Não, nenhuma. Não ficou sabendo que há um exibicionista à solta? O soco foi merecido. E você não mora por aqui, você sempre vira à esquerda depois do fórum quando terminam as aulas. 

James se sentiu importante visto que ela notara algo tão bobo. 

-É verdade, Paige. Eu não moro por aqui, eu moro aqui. Esta cidade, onde cresci, e passei tantos anos longe, ainda é a minha cidade – quem diria, um ufanista como eu! –, estive precisando me reconectar com ela, conhecer cada canto, ver cada casa, experimentar cada loja, mercado, feira e restaurante, andar por todas as praças, para amá-la ainda mais e poder chamá-la de minha de novo. – O quê? Vai se declarar assim do nada? Que cidade apaixonante, não é? – Desta vez, sem querer, acabei por me esbarrar em você, pensei em dizer um oi, e levei um murro. 

-Eu não sei nem dizer o quanto disso é verdade. É, não é legal da minha parte ser grossa com você depois de te socar.  

-Obrigado por reconhecer. 

-Se estava sendo sério, há um mercadinho logo ali. O mercado Irarrosi. 

-Onde? 

-Terminando essa esquina, vire à direita e... Eu te levo, precisava passar lá também. 

-Ótimo. 

Surpreendentemente perto, foi virar à direita e estavam lá. O mercadinho era pequeno, todo cinza e pouco iluminado. O teto era alto e dos dois caixas (que talvez fossem três) só um havia um atendendo. Alguns clientes passeavam por lá com a naturalidade de estarem em suas próprias casas, o que dava um ar mais aconchegante ao estabelecimento. Puseram-se a percorrer o local dando uma olhada nas prateleiras, nos refrigeradores, uma variedade de produtos e marcas que não se encontravam nos grandes mercados, em geral vagabundos, ainda que interessantes. 

-Está satisfeito? – Perguntou Paige, a encarar a seção de doces. 

-Sim, é um belo lugar este. – Respondeu James, que analisava os preços das bolachas e tentava compará-los com o que se lembrava de ver no mercado, até se aperceber de que aquele encontro estava perto de terminar. – Por que tem me evitado? 

-Porque eu não queria falar com você. 

-Por quê? 

-... 

-Estou sendo um pouco irritante, perdão. Diga-me, aquela noite não foi nada? - Soltou James, incerto de como formular aquela frase e que termos usar. 

-Foi algo.  

Pegou três sucos de uva, um de morango e se foi. Ia ao caixa, mas antes que o alcançasse, uma senhora enfiou na frente seu carrinho de compras, isso deu tempo de James pegar alguns chocolates e encontrá-la na fila. Paige nem o olhou, permaneceu como uma estátua impaciente. 

-Descendo essa rua, no próximo quarteirão, há uma mercearia e uma padaria. Se decidir subir, vai encontrar algumas lojinhas, barzinhos e uma sorveteria boa. – Paige se esforçava para manter um tom frio e distante, se tinha sucesso era outra história. James ficou supreso, Paige se apressou a pagar. 

-Obrigado. 

E ela sumiu novamente. 



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