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História Dos Corações Jovens - Capítulo 38


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Capítulo 38 - Casacos não nos aquecem dentro de casas frias - Paige


Era segunda de manhã. Tive um pesadelo. Acordei 4:30h, meu quarto congelava, ouvia a chuva do lado de fora, era agradável, mas não compensava meu tremor. Peguei outra coberta, queria aproveitar minhas últimas horas de sono. Não foi o bastante, meu corpo continuava gelado. 

Levantei-me em busca de um casaco, abri o guarda-roupa e vesti o primeiro que achei. Vendo-me de pé, resolvi aproveitar e ir ao banheiro, onde eu possa ter dado uma cochilada no vaso. Acordei alguns minutos depois, com barulhos no portão, devia ser meu pai, apressei-me e voltei ao meu quarto. Ouvi a porta de casa se abrir com ruídos, os passos desleixados a adentrarem, estava bêbado. Os barulhos pararam, um arrasto de cadeiras e o silêncio.  

Por que o silêncio, pai? Por que estamos sempre em silêncio? Por que nossa casa é tão, mas tão silenciosa? E por que, quando não é silenciosa, é infeliz? Por que eu não abri a porta e corri e lhe abracei e chorei e me desculpei e lhe apertei e ri e pedi carinho e implorei por atenção? Por que estávamos assim? Por que nós não éramos pai e filha? Por que era tudo silêncio?  

Por que não grita no meio da madrugada? Por que não me atrapalha e me preocupa? É sequer por mim o seu silêncio ou é pelos vizinhos? Por que eles precisam importar? Por que não bate à minha porta e me acorda e se desculpa e me abraça e chora e me aperta e diz onde que erramos e ri e pede carinho e implora por atenção e eu lhe perdoo? Por que estávamos assim? Porque nós não éramos pai e filha. Porque era tudo silêncio. 

De repente ouvi o toque de seu celular, que foi breve e seguido por sua voz rouca e baixa. 

-Alô. - Ele disse. 

É estranho, era a primeira vez que desejava que fosse uma mulher no telefone, não queria uma substituta de mamãe, mas se ela trouxesse um quê de alegria e paz e sorrisos para a casa, eu não reclamaria.  

-Sim, irei pagar. 

Que fosse uma garota de programa, que fosse um amor surgido da prostituição, que fosse uma relação só por interesse monetário, que fosse qualquer uma que iluminasse só um pouco a nossa casa. 

-Certo, irei amanhã. 

Que ele fosse amanhã buscá-la para me apresentar e depois pedi-la em casamento, que fosse para pedir minha bênção. Que fosse. 

E adoráveis fossem minhas fantasias, doía-me saber que era alguém do bar dizendo que ele esquecera de pagar. Eu compreendia minha posição, não era meu papel me intrometer, eu tinha com o que me preocupar. Eu não sabia o que me acontecia e por que chorava, estava acostumada. Naquela noite, voltei a dormir com frio. E não senti o calor pelo resto do dia. 


Notas Finais


Não é bem meu papel como autor... mas esse é o meu capítulo favorito até aqui e um dos que mais gostei escrever.


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