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História Dr. Pepper - Capítulo 15


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Notas do Autor


fazem um ano, dez meses e vinte e quatro dias
no total, 695 dias
mas para minha felicidade e indiferença do povo, voltei finalmente com essa história
e eu não faço ideia se alguem ainda vai querer ler na real, mas se valhe de algo: ela está terminada, e eu vou me comprometer de postar os capitulos pelo menos um a cada dois dias até o fim (que não é tão longe assim).
é isso, nao sei mais...
enfim

Capítulo 15 - My answer is you


Fanfic / Fanfiction Dr. Pepper - Capítulo 15 - My answer is you

Chanyeol me leva até o segundo andar, e nós percorremos um curto corredor que possui no final uma parede de vidro do teto ao chão exibindo a vista do lado de fora da casa, coberta apenas por uma cortina fina e bege. Em uma porta à esquerda, ele diz “esse é meu quarto” e todos os meus músculos parecem se tencionar antes que ele a abra.

Onde eu vim me meter?

O quarto é enorme, como se fosse verdadeiramente o quarto de um príncipe. Há um armário enorme e branco do lado esquerdo, exibindo uma das suas portas de correr espelhada. Na parede ao lado da porta, percebo, há uma grande TV de no mínimo 45 polegadas exibindo logo a baixo duas pequenas estantes de livros muito bem organizados.

Do lado direito, o vento entra pelas portas abertas de uma sacada que tento ignorar.

Ele vai para lá sozinho, e eu fico. Vejo-o se sentar em uma das cadeiras que estão posicionadas ali e de repente pega um violão que estava escondido no meio do breu da noite. Ele me chama para sentar na cadeira ao lado da sua, mas me recuso e sento na ponta da cama de casal, virado para ele, profundamente esperando que ele entenda.

– Você tem mesmo medo de altura, não é?

Comprimo os lábios.

– Às vezes fica pior.

Para minha surpresa, ele apenas dá de ombros e sorri, aceitando ficar ali sentado na sacada sentindo o vento frio da cidade, enquanto eu fico aqui, aquecido e iluminado. Ele começa a dedilhar o violão em suas mãos, devagar.

Quando ele começa a cantar eu me sinto um idiota completo. Não um idiota ruim, mas um idiota completamente bobo que faria de tudo por esse cara enorme de voz doce. Fico olhando encantado para ele, para suas mãos grandes dedilhando as cordas, e sinto uma paz interior tão grande que é como se eu me transportasse para um lugar completamente diferente de Seul.

Tenho uma vontade infantil de me deitar na cama dele e me esconder nos travesseiros assim que ouço o primeiro verso, porque sei exatamente o que essa música significa, de tanto que passa por ai nas rádios. Parece que ficou mais famosa por causa de um Dorama que começou faz um tempo, mas ela não é tão nova.

“Eu posso ser forte, posso estar sorrindo

Mas há momentos em que estou só

Pode parecer que não tenho nenhum tipo de preocupação,

Mas tenho muito a falar...

No primeiro momento em que te vi, me senti tão atraído

Eu nem dei importância para meus pensamentos,

Eu só comecei a falar

 A resposta é você

A minha resposta é você

 Lhe mostrei o meu tudo

Porque você é meu tudo

Não importa quanto eu pense...

É você.”

Ele dedilha mais um pouco as cordas, de forma lenta e suave, como se não se preocupasse com o dia de amanhã e de uma forma que também me convence a não me preocupar com mais nada. Só de fantasiar com a possibilidade de passar a noite aqui  vendo ele tocar violão para mim meu coração ameaça sair pela boca. 

Gosto como ao levantar os olhos, que pousam certinho nos meus, ele me faz sentir tão sortudo. Tão sortudo por ser importante para ele.

Gosto do fato de que não desvia.

Uma escala anuncia o final da música e ele se levanta da cadeira e apóia o violão nela enquanto eu imediatamente me ergo e bato palmas, completamente impressionado e apaixonado, como um adolescente vendo um show particular de uma banda da qual foi fã de carteirinha por anos a fio.

– Foi lindo, você foi ótimo! – digo, enquanto me lanço em seus braços e deixo um beijo em seus lábios – Você canta tão bem, sabia disso?

Ele balança a cabeça de um lado para o outro. Pura modéstia.

– Estou abismado que você ficou até o final.

Dou um sobressalto.

– Do que você está falando? Achava que eu ia sair daqui enquanto você cantava? Para mim?

– Como se eu estivesse cantando para você, né, Baekhyun.

Reviro os olhos.

– Engraçadinho, agora assim vou sair, tchauzinho.... – faço a encenação de sair

Mas ele logo me puxa pelo braço.

– Pera, pera aí... Brincadeira – ele diz, e deixo que pouse minha cabeça em seu peito enquanto eu rio – O que eu estava falando... É que achava que você não conseguiria ficar olhando para mim, lá... Por causa da sacada. Não sei, é que você diz que as vezes fica mais nervoso.

Tiro a cabeça de seu peito para direcionar meus olhos aos seus e, com um toque singelo, seguro seu rosto, acariciando a pele morna que ali repousa e, de repente, fico muito lisonjeado por ter alguém que lembre o que eu falo e que respeite meu medo bobo. Sei que não deveria parecer mais do que a obrigação, mas, para mim, que já pisei e cuspi nesse medo tantas vezes, parece.

– Eu totalmente me esqueci que você estava em uma sacada enquanto você cantava – digo, sinceramente – Obrigado.

Ele ri e se lança para me beijar novamente. Dizem que é exatamente isso um inicio de namoro, beijos e mais beijos que não acabam mais. Sinceramente, eu mesmo não quero que acabem.

Ele se afasta, e de repente pega a minha mão com a sua e a aperta.

– Queria te mostrar uma coisinha.

Uma das portas do armário é aberta, revelando um tipo de estante na qual repousam alguns papeis, desodorante, perfume, e outras tralhas. À frente de tudo isso, bem no canto direito do compartimento, há uma pequena foto de um garotinho de dois ou três anos que eu nunca, jamais, poderia confundir com qualquer outro, já que as orelhinhas salientes e o sorriso sapeca o entregam. É uma foto de uma perspectiva de cima e quem quer que tenha tirado estava segurando a mão pequena do bebê, claramente em uma de suas primeiras caminhadas da vida.

– Deus... – com um olhar peço permissão para pegar o porta-retrato nas mãos, a qual ele me dá com o maior prazer. – Você era tão fofo...

– Essa é a única foto que eu tenho com meu pai. Sempre pedi mais, mas... Eles nunca me deram. As vezes diziam que tinham destruído tudo, ou que tinham perdido – diz ele, dando de ombros, levando um tempo para esconder lá dentro de si sua frustração. – Eu queria te mostrar.

– Você era muito, muito fofo – digo, sorrindo bobo – Só um segundo...

E, literalmente em um segundo, tiro o meu celular do bolso e coloco na câmera traseira.

– Ah, não – ele começa a rir – Você é impossível!

Mas não se opõe e deixa que eu tire uma foto perfeita de outra foto perfeita. Coloco o porta-retrato de volta ao guarda-roupa e olho um pouco para a foto que tirei, completamente alegre por poder guardar ela com carinho no meu bolso.

– Ei, eu estava pensando... – ele diz olhando para o chão, o vejo voltar para sua cama, devagar.

– Sim?

– Será que você poderia me contar uma história sobre você? Qualquer coisa. Infância, adolescência, faculdade... – ele pede, todo tímido – Acho que eu mereço depois de tudo isso... Não?

Eu sorrio de lado pensando, e tendo certeza, que é claro que ele merece. Ele se abriu muito falando sobre seus pais, me deixando vir aqui, me mostrando essa pequena foto do meu pequeno Chanyeol (hoje, tão alto quanto um arranha-céu), o que me faz aceitar, dentro de mim, que talvez esse seja o momento de contar o que aconteceu.

Porque você tem tanto medo de altura, Baekhyun? Porque um apartamento no primeiro andar? Porque cortinas fechadas no trabalho? Porque você é tão crianção?

Fico com medo de que ele pense, dentro de si, essa última parte. Mas também sei que não estou contando só por causa disso.

Estou contando porque quero contar para ele.

– Bom... A história que você merece é uma um pouco dramática, meio deprimente... – começo a avisar – Tudo bem pra você?

– Dramático e deprimente – ele assente com a cabeça, admirando as palavras – Soa como se pudesse ser um dos meus livros favoritos.

Solto uma risada nervosa.

Em meio instante, ele percebe minha movimentação em direção a cama e se senta direito para me deixar deitar a cabeça em seu colo. Peço cafuné, e ele faz.

Começo a contar esperando muito que eu não me sinta um estupendo idiota quando acabar.

– Eu conheci um garoto quando era criança, o nome dele era Kim Taehyung...

 

...

 

Eu e Kyungsoo sentados em silencio na minha sala de estar. Nenhum som. Nem a televisão está ligada, nem o vento sopra na janela. Apenas eu e meu melhor amigo. Ele está sentado de um lado do sofá, e eu no outro, desviando de seu olhar.

– Ok, Baekhyun, estamos sentados aqui há cinco minutos sem fazer nada. Porque raios me chamou?

Continuo calado. As palavras até parecem vergonhosas na minha cabeça. Saem comprometedoras demais, parecem me expor ao ridículo.

– Eu falei pra ele.

– Falou o que?

– Sobre Kim Taehyung.

O choque que se segue na feição de Kyungsoo é memorável. É um estado tão grande de confusão e de surpresa que até eu me sinto afetado. Seu queixo caído.

– Baekhyun – diz por fim. – Você falou sobre Kim Taehyung pra ele? Com todas as partes?

– Todas as partes.

– Caralho – ele leva a mão aos cabelos castanhos. – Você nunca contou isso para ninguém. Ninguém sabia disso além de mim e sua família. Você não contou nem pra Yooa.

– Eu estive pensando e talvez... Talvez eu possa mudar isso agora – limpo a garganta, tentando ganhar confiança. – Acho que eu consigo falar com Yooa e tal. Não tem porque eu ter tanta vergonha.

Ele incrivelmente sorri para mim, o que é esquisito, eu não esperava por isso. Ele dá melhor sorriso tênue que Kyungsoo consegue dar (ele não é muito de sorrir), o que só me faz presumir que falei algo muito estúpido ou bom.

– Tô feliz que você descobriu isso. É o que tenho esperado todos esses anos. – ele suspira, e encosta no sofá, de uma forma tão relaxada que também me tranquiliza um pouco. – Isso não te faz quebrado, sabe. Não te faz esquisito, ou menos capaz e normal do que os outros. Você teve uma adolescência difícil, é verdade, e ainda lida um pouco com todo esse trauma, também é verdade, mas 99% do tempo, Baekhyun, você é uma pessoa tão normal quanto qualquer outra. Vai por mim.

Eu suspiro. Deus do céu.

É tão gratificante ouvir isso, tanto que meus próprios pulmões parecem ganhar mais espaço; ainda me sinto tenso, ainda angustiado, pois há tanto tempo que eu não falo sobre esse assunto que eu nem me lembro mais como é que se tira um peso desses de cima de mim. Meu avô me ajudou muito e me guiou na beira da insanidade, mas, incrivelmente, mesmo assim, consegui trancar todo esse peso dentro de mim. E nunca consegui entender, ainda não consigo, que a culpa não foi minha.

Lá no fundo, eu ainda acho que é.

Mas agora, com Kyungsoo do meu lado, tento enfrentar esse pensamento com mais coragem.

– Sinto que poderia ter feito mais – digo com ódio de mim e minhas lagrimas caem, mas eu permaneço estático. – Desde lá, eu sinto que poderia ter feito mais.

Meu amigo acaricia meu rosto e me inclina para apoiar minha cabeça em seu peito. Ele me faz encontrar uma certa paz ali, e deixo-me confiar nele sem medo. Sem qualquer tipo de medo.

– Você fez tudo o que você pôde com aquela idade – ele diz, bem perto de mim – O que mais você poderia ter feito? Você saiu arrasado daquele dia, não conseguia sequer se manter de pé direito. Anos de terapia... Você sentiu aquilo com tudo, sabe? Acho que você já fez o bastante.

Balanço a cabeça.

– Nunca foi útil.

– Você salvou a vida daquele garoto, Baekhyun. Como isso não foi útil?

Silêncio. Começo a fungar de repente.

– Me pergunto se... Se ele ainda está vivo.

E choro mais ainda, começo a soluçar de verdade, não suportando o pensamento, a ideia, de que aquele garoto que conheci, mesmo que há tanto tempo atrás, tenha se perdido. E eu não fui capaz de fazer nada. Se eu tivesse me recuperado mais cedo, se eu tivesse me esforçado mais para enxergar, eu teria percebido que, quanto mais rápido procurasse por ele, por onde quer que ele estivesse, mais fácil eu poderia achá-lo.

Conforme o tempo passa, os rastros que as pessoas vão deixando são mais difíceis de encontrar, elas vão se esvaindo se não se procura por elas, deixando apenas a memória.

Eu poderia ter ajudado. Poderia ter sido mais do que esse pedaço de papel enfermo e inútil que eu fui.

– Você pode descobrir – diz Kyungsoo depois de um tempo. – Sabe, se você quiser mesmo, podemos procurar por ele. Eu te ajudo.

Assinto com a cabeça, me animando com a ideia.

– Mas... E se eu não gostar do que eu descobrir?

– Você vai ter que ir aceitando essa possibilidade.

Fico em silencio, e começo a esfregar a mão em meu roto, espalhando as lágrimas pela pele. Não consigo aceitar essa possibilidade, eu bem sei disso. Não sei o que eu faria com a minha vida se eu descobrisse que esse garoto se foi um, dois, ou mesmo nove anos depois do que aconteceu. Eu não vou conseguir me perdoar por ter ficado todo esse tempo desatento, não vou conseguir me conformar que, por um momento que seja, eu poderia ter falado com ele mais uma vez.

– Só quando você estiver pronto... – Kyungsoo diz.

Engulo em seco.

– Eu não estou.

Não faria diferença mesmo que eu estivesse. Como eu acharia esse garoto depois de todo esse tempo? Vai ser difícil agora e, com toda a certeza, vai ser difícil depois.

– Tudo bem... – ele afaga meu ombro. – Esperaremos até você estar, ok? Eu e você. Eu estou sendo paciente, está vendo? Você também tem que ser. Você vai estar pronto naturalmente, é só ter paciência... Agora, vem, vamos levantar desse sofá. Vamos comer Kimchi.

 

...

 

– Mas porque mesmo você não pode visitar o seu avô hoje? – Chanyeol me pergunta, sentado num banquinho á bancada da minha cozinha, mordendo a maçã em sua mão.

Despreocupado.

O que é totalmente o oposto de mim, que não paro de cozinhar desde que acordei. E eu nem gosto tanto de cozinhar, mas já saíram dois bolos, um ensopado, uma salada... E muitos, muitos biscoitos mesmo. Acabo de trazer mais uma leva à bancada quando Chanyeol morde novamente a maçã. Ele olha pros biscoitos quentes com interesse.

– A enfermeira disse que ele estava se sentindo cansado e ela preferia que eu não fosse  hoje.

– Cansado – o de cabelos vermelhos murmura, com a maçã na boca.

– Sim, cansado. Eu fiquei preocupado, mais ela disse que pode ser apenas o novo remédio que ela tem dado e que não era para eu me preocupar. Mas ainda assim...

– É por isso que você cozinhou tanto hoje? – Chanyeol ri olhando para a nova leva de biscoitos. – Isso te ajuda a se acalmar?

– Me ajuda a sentir que eu tenho um pouco de controle, sim. – afirmo, enquanto o observo tentar pegar um dos biscoitos ferventes e jogando ele de volta na bandeja, por reflexo. – Eu acabei de tirar do forno, idiota, você queria que estivessem frios?

– Pensei que já podia pegar...

– Deixa esfriar... – bufo, com um riso. – Sabe, acho que é a primeira vez que eu faço algo pra você desde que você veio aqui da primeira vez. É um absurdo, já que quando eu fui para a sua casa... você até cantou para mim.

Ele ri, em seguida tateando um pouco a mão no peito, até achar um pequeno objeto do tamanho de um polegar e tirá-lo de dentro da blusa.

– Não se sinta tão mal por isso – ele responde.

É um ursinho que eu fiz. Ele é rosa, e é bem pequeno. É uma das pequeníssimas esculturas que eu faço, quais eu nunca dou muito valor. Ele provavelmente achou esse onde todas as outras estão: em um pote enorme no meu quarto. São todas miúdas, por isso não dou muita importância para elas quando estão feitas.

 Também provavelmente por isso que nem senti falta quando ele o pegou.

O ursinho está amarrado em um barbante, preso ao pescoço de Chanyeol.

– Você é um ladrão nato – digo. – Desde quando está com esse negócio amarrado aí?

– Não sou um ladrão! Só queria ter algo pra lembrar de você quando estivesse longe... Você nem sentiu falta! Estou com ele desde... a nossa primeira vez.

Solto uma risada.

– Você é muito gay, Chanyeol.

– Eu sei... – ele sorri todo orgulhoso antes que seu celular comece a toca. Ele pede licença, mas atende na minha frente mesmo assim. – Oi, Jongin.

Desta forma, volto para as minhas besteiras, enquanto ele conversa. Estava fazendo um bolo de chocolate e cereja antes dos biscoitos ficarem prontos, e por isso continuo mexendo a massa mais um pouco, até conseguir uma consistência melhor. Ela está... quase boa.

– Não, Jongin, é claro que eu não deixei no quartinho... – diz Chanyeol, ainda na ligação. – Se você procurar mais um pouquinho, vai achar essa merda.

Rio da forma como ele fala, mas fico calado, preocupado apenas em mexer a massa do meu bolo.

– Pelo amor de Deus, eu realmente tenho que cuidar de tudo por você? – continua, sarcástico. – Você precisa mesmo de um namorado, Jongin... O terno está no meu guarda-roupa, como eu falei umas, o que?, TREZENTAS VEZES PRA VOCÊ.

Não me seguro e rio mais ainda, precisando colocar a vasilha da minha massa em cima da bancada por não aguentar a risada. Isso porque é impossível para mim não olhar para ele agora e ver um garoto fofo e tolo gritando ao telefone, por mais irritado que tente parecer.

Chanyeol fica ouvindo um pouco, e ele acaba percebendo o quanto eu estou rindo, e ri para mim também, abanando a cabeça levemente. Ele fica concordando com alguns “uhum” no telefone, até poder falar de novo.

– Sim, estou aqui com ele – ele responde, olhando para mim. – Um dia vocês vão se conhecer e tal, mas infelizmente não hoje porque, creio eu... você está atrasado, não?

Ele ri em seguida, provavelmente com a resposta ignorante e merecida que recebeu, e então desliga, se virando para mim.

– Kim Jongin – ele começa a falar. – Meu melhor amigo desde que eu tinha dezessete, dezoito, anos. Quase meu irmão agora. Ele é militar, mas o seu emprego o deixa bem livre, subiu o bastante para não ter que ir para a fronteira. Ele é muito mimado, muito mesmo, e parece uma criancinha quando tem vídeo-games na mão. Como já dito, vocês devem se conhecer em algum momento.

Ele acaba o discurso, garantindo esse final como se fosse uma promessa que tem certeza de que irá cumprir, com um pequeno sorriso no rosto. Parece ser importante para ele.

– Ele estava atrasado para algo importante? – pergunto, alternando o olhar entre ele e a massa do meu futuro bolo.

– Sim, é uma reunião de trabalho. Ele queria um terno meu emprestado. Ele é tão “foda-se” para tantas coisas... Só se importa em como vai se sair. Como se a vida fosse fácil que nem um vídeo-game.

Franzo as sobrancelhas quando uma rápida ideia me ocorre.

Uma ideia boba.

– Você disse que ele precisava de um namorado, né?

– Sim. – Chanyeol concorda, dando de ombros. – Ele não é muito romântico, tem bastante desprezo por essas coisas, então nunca se interessou muito por relacionamentos. Quer dizer, ele já tentou algumas vezes, mas nunca duraram mais que dias. Fora que essa pessoa teria que ser bem discreta, devido ao trabalho de Jongin, e teria que aturar ficar sem ele por dias a fio, já que essa peste é mais ocupada que o presidente.

Ele ri com a última frase, como se fosse uma piada que apenas ele entendesse.

Continuo pensando em minha ideia, olhando para os vários pratos de porcelana guardados em meu armário, olhando para meu forno e depois para Chanyeol todo bem vestido com sua blusa branca e o barbante de ursinho pendurado pelo pescoço.

– O que foi? – ele pergunta, depois que eu fico calado por um tempo.

– Só não me diga que ele é hetero...

– Não, não. Bi desde que o conheço por gente.

Inclino a cabeça, com um sorrisinho.

– Conheço uma pessoa bem adequada para esse cargo.

 

...

 

Eu sabia que ninguém iria gostar da ideia desde o início.

Nem Chanyeol, que na minha cara riu com muita vontade quando eu o apresentei à ideia, muito menos Kyungsoo, quando eu o ligasse e o convidasse para jantar.

É por isso que eu ignorei totalmente as piadas de Chanyeol, e não falei nada sobre nenhum “encontro duplo” quando liguei para Kyungsoo e o disse para jantar comigo, já que “eu estava cozinhando e gostaria de sua presença”. O que não era mentira.

Claro, ele estranhou que eu não tivesse convidado Yooa, mas aceitou mesmo assim. Afinal: era comida, e ainda por cima era a minha comida, e ele nunca recusava nenhuma das duas.

Implorei para Chanyeol ligar para seu amigo e convidá-lo para o jantar, depois que estivesse terminada a tal reunião. De primeira, ele negou, mas... Como há de ser, depois que ele pensou melhor e depois de alguns beijinhos, ele concordou.

Agora, era só dar um jeito de organizar a casa e a cozinha, que estavam ambas uma zona. Para isso, fiz Chanyeol ficar responsável pela casa: varrer o chão e os tapetes; tirar bagunça de cima do sofá e o meu computador e meus papéis da mesa.

Ele se colocou ao trabalho. De bom gosto, até.

A cozinha ficou comigo, obviamente, então em menos de duas horas já estava tudo mais arrumado para a chegada dos dois. Eu estou apenas terminando o Mak-pa, um prato que Kyungsoo adora que eu faça, quando Chanyeol sai todo perfumado do meu quarto. Detalhe: com o meu perfume. 

– Pronto? – pergunto para ele, que claramente já está arrumado com uma camisa vermelha tirada do meu guarda-roupa (que por acaso fica um pouco grande em mim, mas perfeita para ele), e o cabelo penteado. Ele assente com a cabeça. – Muito bem, eu só vou servir o Mak-pa e já vou trocar de roupa.

– Qual dos dois vai chegar primeiro? – ele pergunta, desconfiado. – Você pensou nisso?

– Na verdade, não. Vai ser obra do destino mesmo. O que chegar por ultimo que vai ter que lidar com a surpresa de um claro encontro duplo. Ou talvez não vá estar tão claro assim. Vamos ver.

Vejo Chanyeol assentir com a cabeça, e dá para ver claramente que ele está nervoso com a ideia. Ele provavelmente acha que isso é loucura, não dei corda para seu papo de “Jongin é muito enjoado, ele não vai gostar disso”. Afinal de contas, esse tal Jongin aceitou convite, então no mínimo ele está interessado em me conhecer.

De brinde, vai conhecer também Do Kyungsoo, uma pessoa aparentemente tão enjoada quanto ele. Birrento, ainda por cima.

Estou pensando nisso, quando de repente a campainha toca, o que me tira da concentração dos meus pensamentos e me traz à assustadora realidade de que alguém acabou de chegar.

– Chanyeol, vai ver quem é pelo olho mágico. Se for o Kyungsoo, deixa entrar, se for seu amigo, peça pra ele esperar...

Ele faz o que eu peço e olha pelo olho mágico, ele ri sozinho.

– É o Jongin.

– Porra! Diz para ele esperar! – digo, colocando os Mak-pas – panquecas de carnes e verduras – em uma bandeja mais decorativa.

Chanyeol faz o que eu peço e abre uma pequena fresta na porta para falar com seu amigo. Não tenho tempo de prestar bermuda que vejo e uma blusa preta, e saio correndo do quarto.

Coloco o prato com Mak-pa na mesa que, graças a Chanyeol, já está arrumada para o jantar. Estou louco organizando todas as informações na minha cabeça: mesa, roupa, bancada...

– Cabelo... – diz Chanyeol, interrompendo meus pensamentos e se direcionando até mim. Ele passa a mão pelos fios de maneira desajeitada, o deixando menos desajeitados. Pelo menos, assim eu espero. – Pronto.

Suspiro, olhando ao redor uma última vez para ver se está tudo bem.

Assinto com a cabeça, decidindo que é a hora de abrir a porta. Direciono-me até ela com passos largos, por pura ansiedade, e quando chego, olho ao olho mágico uma ultima vez.

– Puta que pariu.

– Que foi??? – Chanyeol pergunta,atrás de mim, ansioso pra ver também.

Viro-me para ele, incrédulo, mas já lançando a mão na maçaneta.

– Kyungsoo também está lá fora.

Depois que Chanyeol abre um sorriso enorme, parecendo estar se divertindo muito, pisco os dois olhos por um tempo, tentando ver como vou sair dessa situação em míseros segundos e sem pensar em nada finalmente abro a porta, sorrindo.

– Oiii!


Notas Finais


back by (un)popular demand


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