História Drácula - Capítulo 18


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Categorias Elle Fanning, One Direction
Personagens Elle Fanning, Harry Styles
Tags Emma, Harry, Harry Drácula, Louis Demon, Sete Monstros
Visualizações 212
Palavras 10.568
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Hentai, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


E aí minhas bbs?
QUEM TÁ PRONTO PRO FINAL DE DRÁCULA, CARALEO?
Eu sei, eu demorei mais do que prometi, mas aqui está o capítulo que eu mais estava esperando postar. Sério, vocês não sabem a euforia que eu estou sentindo!

OBS: Esse capítulo alterna, poucas vezes, entre um passado recente e o presente, então talvez possa haver alguma confusão. Cheguem até o final, meus amores!
VALE MUITO A PENA!
(I never believed in happy endings)

Capítulo 18 - Final: O HaLLOWEEN.


O HALLOWEEN

PARTE UM:

O PlanO.

 

TUDO ERA CAOS E DESTRUIÇÃO.

Estavam espalhados por todos os lados, matando por todos os lados... Os aldeões não podiam correr, pois o exército de mortos de Funeralia estava surgindo de todos os lugares, em um número cada vez maior.

Eles estavam posicionados estrategicamente; cada qual ficava onde o brilho das estrelas aumentava ainda mais seu poder: Funeralia e Animalia estavam no solo. Funeralia gargalhava enquanto fazia sangue jorrar do céu, enquanto Animalia rodopiava em espirais e matava dezenas de aldeões desesperados com um simples toque se seus espinhos maciços.

Luno matava qualquer um que ousasse passar pelos portões da vila, com um simples estalar de dedos, junto de Cortiço – que os atacava com suas poderosas bolas de fogo – e Zumbia, que conseguia criar criaturas feitas de sua própria sombra, canibais. Alusa apenas espetava crianças e crianças com suas finas agulhas, enquanto a chuva de sangue banhava a todos.

E Louis estava acima de tudo e todos, dançando com Cisne Negro em seus braços. No fundo de minha mente, eu ainda conseguia escutar o zumbido da valsa dos monstros soando pelo ar:

Cuidado por onde pisa... Você pode cair.

E caímos.

Não havíamos previsto tamanho ataque, nem tanta destruição, mas agora que tudo está acontecendo diante de meus olhos... é tudo real. O gosto de minhas lágrimas é real, meus cortes sangrentos são reais... Olho para minhas mãos sem pele. É tudo real.

Tudo.

Tudo se passa por meus olhos em câmera lenta.

Toda a morte, a carnificina.

Não há como reverter nada... Nem mesmo quando Harry é esfaqueado por Animalia e cai no chão, de joelhos.

Nós tínhamos um plano.

 

. . .

5 horas antes:

Estar nos braços de Harry, enquanto sinto a brisa gelada da noite massageando minha pele durante nosso voo, é uma das melhores coisas que já fui capaz de sentir. Isso, junto da lembrança de tê-lo sussurrando um “eu te amo” quando ultrapassamos a igreja da vila... – não estamos nas ruínas, mas se eu apertar a visão, consigo enxergar a trilha que leva até os destroços da antiga vila.

A verdade é que não faço ideia de para onde estamos indo e estou sendo apenas guiada por Harry. Depois de sua revelação que fez meu coração acelerar, não falou ou comentou mais nada. Ele sabe para onde estamos indo. E ele sabe que eu sei de suas conversas antigas com minha avó... De seu passado com ela, sobre minha guarda e tudo.

Agora eu sei de tudo.

E, para ser sincera, a sensação não é a melhor de todas.

Ainda posso sentir e ouvir minha coluna estralando quando Animalia me apunhalou no peito, há poucas horas atrás, e a memória faz com que meu corpo se arrepie por inteiro, mas eu engulo meu medo e me esforço para oferecer toda a minha força. Ainda mais quando olho para Harry... Para sua feição fechada e preocupada. É por ele que eu tenho que me manter forte.

E por eu mesma.

— Ainda falta muito para chegarmos? – pergunto, me apertando ainda mais contra seu corpo rígido.

— Não. – responde rispidamente, mas me acolhe ainda mais contra ele.

Essa é, sem dúvidas, uma das melhores coisas que já fui capaz de sentir. E quando fecho os olhos, a sensação apenas intensifica e me toma a respiração, me arrancando um sorriso besta, porém breve, dos lábios, pois assim que lembro do por que de estarmos indo em direção a casa de minha avó – a mulher que não vejo a tantos anos – os calafrios retornam com toda força.

Atravessamos as nuvens, que acabam revelando um lugar completamente novo. Abaixo de nós, há apenas uma casinha rodeada de árvores mortas e caídas, e ao redor há um grande muro feito de chamas violentas e gigantes, feitas para proteger uma grande fortaleza.

De dentro da casinha, uma senhora aparece e acena em nossa direção.

— Chegamos. – Harry fala baixinho, dando início a um pouso leve e lento.

Quando pousamos, ele demora mais um pouco para me colocar no chão, e assim que o faz, sinto algo estranho tomar meu corpo. Algo que surge de dentro, me consumindo. Quando percebo, já estou em meus joelhos, gritando meus pulmões para fora. Olho brevemente para frente e vejo a senhora com o punho cerrado em minha direção, cantando uma música que faz minha mente borbulhar em agonia.

— Basta, Clarissa. Não consegue lembrar de sua neta? – Harry se posiciona na minha frente, desconcentrando-a à ponto de cassar seu feitiço de dor.

— Esse monstro não é minha neta! – ela grita, tremendo.

Seu capuz cai, revelando seus cabelos grisalhos e pele rugosa. Mesmo por trás de todo esse manto de idade, ainda consigo enxergá-la no ápice de sua vida, com seus cabelos loiros brilhantes e pele leitosa e macia. Ela está diferente agora... Mais sombria e, com certeza, menos receptiva.

— Vó... – tusso gotas de sangue no barro escuro. — Sou eu... Emma!

— Impossível! – ela volta a gritar. — O que fez com ela, Drácula?

— Nada, Clarissa! – ele grita, abrindo os braços em pura indignação.

Suas asas se recolhem assim que ele se ajoelha e me ajuda a levantar.

— Essa não é minha Emma. Não consigo enxergar sua alma pura, como antes. – Clarissa volta a falar, dessa vez dando alguns passos em minha direção.

— Faz muito tempo que você não a vê, bruxa. – o conde volta a falar, desviando o olhar para o chão.

E o motivo de nosso distanciamento é ele. Talvez seja por isso que ele aparente estar tão envergonhado.

Clarissa se aproxima um pouco mais e começa a me analisar, desde a ponta dos pés até os fios de cabelo. Com um suspiro, ela segura uma pequena mexa de meu cabelo e cheira profundamente, fechando os olhos. Quando os abre, eles estão mais brilhantes e vivos, enquanto um pequeno sorriso surge em seus lábios rachados.

— O que fizeram com você, minha bela Emma? – pergunta baixinho, quase pesarosa, depois me dá as costas e nos pede para segui-la.

Com ambas as sobrancelhas arqueadas, olho para Harry esperando qualquer resposta para tal gesto, mas ele apenas da de ombros e pede para eu acatar a ordem de Clarissa.

Assim que atravessamos o muro de fogo, uma outra atmosfera nos envolve; diferente daquele cenário acabado, há um vasto campo de rosas extremamente vermelhas, de caule verde vívido. Há um pequeno riacho também, mas o que mais me impressiona é a grande casa diante de meus olhos, de tijolos acinzentados e perfeitamente polidos. Ela parece brilhar, e com um estalar de dedos de minha avó, seus grandes portões se abrem automaticamente.

Faz muito tempo, mas ainda consigo lembrar de como era nossa casa, e a decoração é idêntica. As mesmas plantas espalhadas por todos os cantos, os mesmos retratos e espelhos enormes. Mas... Há algo diferente; bem no meio da sala há uma mesinha com uma bola de cristal em seu topo, brilhando violenta – e parece se agitar ainda mais quando sente nossa presença.

— Faz muito tempo que não nos vemos, não é? – ela ri baixinho, se sentando diante da mesa.

Ela acaricia a bola de cristal e nos olha avidamente, nos analisando. Harry bufa e se senta no primeiro sofá que encontra, porém fico paralisada sobre seu olhar, atenta demais para sequer conseguir piscar os olhos.

— Finalmente, nos reencontramos. – respondo por fim, olhando para minhas mãos. — Você... – quase engasgo, mas por mais que o medo esteja alojado por todo o meu corpo, tenho que perguntar...

— Nem pense! – ela bate com o punho na mesa, me assustando. — Não irei me meter nas confusões de Harry.

— Você sempre pensa o pior de mim, Clarissa! – Harry levanta com um grito, tentando avançar sobre ela.

Assim que percebo que ele irá realmente atacá-la, arregalo os olhos e fecho o punho em sua direção; imediatamente, seu corpo se prende ao chão e ele não consegue mais se mover nem um centímetro.

— Vejo que andou treinando seus poderes. – Clarissa gargalha, me observando atentamente.

— Me larga, pirralha! – Harry volta a gritar, rosnando com os olhos negros. Ele está realmente furioso.

Decido ignorá-lo, ainda o mantendo subordinado ao meu poder.

— Você precisa nos ajudar. – falo para ela, suplicando. — Louis é forte demais, e eles estão em maior número!

— Eles quem? – pergunta, franzindo o cenho. — Em que confusão você se meteu de novo, Harry?

— Filha da... – Harry começa, mas para assim que eu o lanço um olhar nada aprovador.

Afinal, é de minha avó que estamos tratando.

E eu não a vejo há anos.

... Por que a sensação é de que ela é uma completa desconhecida?

— Dessa vez... – rendido, ele suspira. — Dessa vez é muito maior.

— Não me diga que... – ela começa, mas sua voz parece desaparecer à medida em que seus olhos se arregalam.

— E ele fez a cabeça dos monstros, Clarissa. – o conde volta a falar, suspirando quando eu o solto de meu feitiço.

Ele fica um pouco atrás de mim e coloca as mãos em meus quadris, me puxando para perto de seu corpo. Sinto minhas bochechas esquentarem, e fico mais envergonhada ainda quando vejo minha avó nos analisando atentamente. Ela murmura algo desconexo, faz uma careta e depois cruza os braços, olhando fixamente para Harry.

— Eu sabia que isso iria acontecer. – diz.

Não sei se ela está falando sobre a Guerra com a Lua, ou sobre eu e Harry – sobre... Nós.

É engraçado falar isso: ... Nós.

— Então por que está tão surpresa? – ele questiona, cheirando brevemente meus cabelos.

Tudo bem, isso me provoca arrepios deliciosos.

— Não é surpresa por isso. Estou furiosa! – ela rebate.

Harry dá de ombros, com as mãos firmes em mim. Estamos tão próximos, que consigo sentir seu corpo rígido contra o meu, e isso está despertando algo em mim... Algo quente.

— Sua opinião não me importa porra nenhuma, então cuida da sua vida.

Sinto que essa discussão pode levar dias para cessar, então me pronuncio para tomar a atenção de ambos.

— Precisamos de ajuda. – falo tremendo. — Estamos lidando com alguém extremamente perigoso, que não mede esforços para ter o que quer... E ele quer o mundo, Clarissa!

Sinto meu corpo inteiro queimando em ódio, assim que memórias de todos os ataques começam a invadir minha mente. Desde a chuva de corvos, o ataque de fogo, a ilusão de Alusa e Cortiço, a tempestade de sangue e, por fim, minha morte pelos espinhos de Animalia, o monstro que eu mais odeio.

Depois de Louis, claro.

— Não me diga que esse “ele” é quem eu estou pensando que é... – ela fecha os olhos com força, cerrando os punhos em cima da mesa.

Sua bola de cristal começa a brilhar em um escarlate intenso, degradando para um branco pálido lentamente.

— Louis voltou mais forte dessa vez. – ele a responde, respirando lentamente. — Ainda me pergunto como não consegui reconhecê-lo no baile...

O Baile, a noite em que Louis me chamou para dançar. A noite em que conversamos, em que ele esteve perto demais de mim – a noite em que ele poderia ter me matado facilmente. Me pergunto, também, por que ele não fez. Eu estava na sua frente, e ele só precisava estalar os dedos para me ter, facilmente, morta diante dele.

“Naquele tempo, Harry ainda não a amava”, a voz de Clarissa soa novamente em minha mente, cantada melodicamente.

Olho para ela, mas ela parece absorta demais em seus próprios pensamentos para poder ter falado comigo agora, então minha confusão só aumenta ainda mais.

— Não entendo como poderei ajudá-los, não há esse ponto.

— Me explique o por quê do cordão, Clarissa. Por que você o me deu? – questiono, engolindo em seco.

— E por que você não está o usando? – ela ergue as sobrancelhas.

— Me responda... Por favor.

Com um suspiro, ela segura a bola de cristal com as duas mãos e começa a sussurrar palavras desconhecidas, garranchadas. Elas doem em meus ouvidos, mas não parecem afetar Harry de forma alguma.

— Se acalme... – escuto-o sussurrando contra meu ouvido, seguido de suas mãos me trazendo ainda mais para seu corpo.

— Eu não sou uma feiticeira, Emma... – ela começa, com a voz ligeiramente mais grossa e imponente. — Me tornei uma bruxa há séculos. Já era uma bruxa quando a maldição foi criada. Eu vi a explosão das estrelas no céu... Vi, também, o fogo consumindo a vila por completo.

Ela faz uma pausa, e com uma careta, continua.

— Tenho muitos poderes, e pude ver o futuro diante de meus olhos. Você não demoraria a nascer... Nunca demorou. Você já nasceu tantas vezes, minha pobre Emma, e o mais lamentável é que você não tem noção da maldição que carrega consigo.

— Eu... – começo a suar frio. O que ela está falando. — Não estou entendendo, vó...

Harry está completamente calado atrás de mim, e quando o olho momentaneamente, percebo que sua surpresa não é diferente da minha.

De repente, imagens começam a se formar dentro da bola de cristal. Mulheres de todas as cores e tamanhos diferentes, de cabelos diferentes, olhos diferentes. Todas distintas, mas algo as ligava: uma pequena correntinha com um pingente de lua em volta de seus pescoços.

— São você, Emma. – ela sussurra, finalmente abrindo os olhos. — Todas essas mulheres foram você. São suas cascas... Sua maldição.

— Harry... – sussurro seu nome, aterrorizada, mas ele não fala nada.

Seu silencio me causa mais pânico ainda.

— Você está fadada a uma eternidade de esquecimento. Sua maldição e viver e esquecer que viveu, minha pobre neta. E isso está muito além de todos nós. Muito além de Louis e seus monstros. É uma lei do universo, e infelizmente você foi a escolhida.

— Mas... – tento falar algo, mas minha mente está enevoada em pura confusão.

— Quando me tornei bruxa, um dos quatro criadores me deu a simples tarefa de cuidar de você... Em todos os seus nascimentos da lua, eu teria de estar presenciando. Eu sou sua guardiã, não sua avó, pequena feiticeira.

— Isso só pode ser um engano... – começo a negar, apertando as mãos de Harry com força. — Harry, diga para ela. Eu sou a Emma, a feiticeira, não uma casca! Isso... Isso não pode estar acontecendo.

— Aceite seu fardo, feiticeira. – ela murmura. — Quem você acha que fala com você em sua mente?

— Não... – lágrimas começam a escorrer de meus olhos assim que me afasto de Harry. — Isso é mentira!

— Você pode acabar com tudo isso, Emma. – Harry fala, finalmente. Seu olhar é vago e opaco, e ele não parece estar concentrado em apenas uma coisa. — Você pode acabar com tudo isso.

— Exatamente. – Clarissa fala, levantando por final.

— Acabar com o quê? – grito, fechando as mãos em punhos.

As paredes começam a tremer, assim como todo o chão ao nosso redor. Tento me acalmar, mas minhas mãos estão em chamas negras, assim como todo o meu corpo, e as luzes começam a falhar, assim como tudo parece estar sofrendo o efeito de minha ira. É revigorante.

Sinto o olhar de ambos sobre mim.

Clarisse tosse, olhando ao redor, depois se foca em mim com um pequeno sorriso.

— Se você se concentrar... – ela começa. — Pode acabar com tudo.

. . .

Funeralia tem seu exército armado em todas as direções. Mortos-vivos banhados em sangue viscoso, dançando enquanto devoram as entranhas de qualquer pessoa que conseguem capturar. Cortiço espalhou fogo por todos os lados, e as chamas consomem a vila cada vez mais, enquanto Alusa arranha suas finas agulhas nas paredes do grande castelo, matando as pessoas pela violência do som que produz.

Zumbia está em vários lugares ao mesmo tempo, em formas diferentes. Suas habilidades, assim como as dos outros, são inimagináveis, e ele está usando todas as cartas que tem em manga.

Luno não para de olhar em nossa direção. Para ser mais específica; não para de olhar na direção do corpo caído de Harry, onde derramo minhas lágrimas ácidas de dor a agonia.

— Não! – ele grita de longe, e começa a correr em nossa direção.

Mas Animalia é mais rápida e atravessa seus dois braços espinhentos em seu peito, o suspendendo do chão. Grito, vendo seus olhos arregalados vidrados em nossa direção, enquanto seu sangue escorre de sua boca escancarada de pavor. Ela gargalha estridentemente e joga seu corpo desfalecido no chão como se fosse nada.

— Meu Deus! – grito, e uso qualquer resquício de minha magia para tentar trazê-lo para perto de mim, para perto de nós.

Com muito esforço, consigo levitar seu corpo mole até atravessá-lo por minhas barreiras de proteção. Segundos depois, ele está ao meu lado, respirando com uma dificuldade audível.

— Deixe-me... Deixe-me tocá-lo! – ele pede desesperado, chorando e cuspindo sangue.

Rapidamente, coloco sua mão sobre o peito sem vida de Harry, escutando-o suspirar ao agarrar a blusa molhada de sangue do Conde.

— Eu o amo, Emma... – Luno chora ainda mais. — Ele está morto!

— Sinto muito, Luno. – soluço. — Eu o amo também, eu o amo muito...!

Minha mente está nublada e meu corpo inteiro queima enquanto tento manter os escudos ao redor do máximo de pessoas que consigo. E Animalia tenta quebra-lo de todas as formas, junto de todos os outros monstros.

— Emma, nos proteja! – ouço o grito de Cortiço em minha mente. — Proteja a meus irmãos!

Luno tosse mais uma vez e fecha os olhos por completo, e sei que ele está morto quando toco em seu pulso e não sinto completamente nada. Olho para Harry também e dou um beijo casto em seus lábios manchados de sangue, chorando meu coração para fora.

— Emma, você tem que fazer algo! – Clarissa está ao meu lado, gritando. — Você precisa fazer algo!

— Me deixa em paz! Eu não quero fazer mais nada! – grito, apertando o corpo morto de meu Harry contra mim, tentando sentir seu cheiro mais uma vez.

Por que?

Por que ele não está olhando para mim?

Por que seus olhos de esmeraldas não brilham como antes?

Diga que me ama, Harry!

Por favor...

— Ou me leve com você... – sussurro, me deixando consumir pelas lágrimas fúnebres.

. . .

4 Horas Antes:

Clarissa insistiu em vestir Harry com algo mais apropriado, já que o mesmo se encontrava com apenas uma calça em fiapos, descalço e com o torso completamente nu. Por um lado, apreciei seu gesto de bondade... Mas por outro, odiei ter a visão espetacular de Harry quase nu diante de mim retirada.

Estamos saindo da casa da bruxa – com a promessa de que ela nos encontrará no mais tardar – quando Harry me empurra contra uma árvore qualquer e cola nossos corpos com urgência.

— Eu preciso de você, Emma. – é tudo o que diz antes de agarrar minha nuca e me capturar em um beijo que me tira o fôlego.

Tudo o que posso fazer é correspondê-lo da melhor forma que posso, com a mesma emoção e intensidade. E seus lábios são macios como seda contra os meus, assim como sua língua, que me hipnotiza e me arranca um gemido arrastado e tímido demais para tal ocasião. Ele ri e coloca meus braços sobre seus ombros com sua mão livre, depois a posiciona sobre qualquer lugar de minha cintura, dedilhando minha pele por completo.

— Eu te amo, Emma. – ele sussurra, capturando meu lábio inferior entre seus dentes logo em seguida. — Eu te amo muito!

— Harry... – sussurro. — Eu te amo tanto... – soluço um gemido assim que sinto suas mãos gentis em meus seios.

A atmosfera está mudando drasticamente, e não me importo nem um pouco. Aperto os cachos macios de Harry entre meus dedos e recebo um rosnado como resposta.

— Você gosta de me tentar, não é? – ele questiona, mordendo o lábio.

— Do que está falando? – sussurro minha pergunta, mas depois sorrio com minhas bochechas quentes de ansiedade e antecipação.

— Quer me beijar, minha feiticeira? – sua voz é grave e me provoca arrepios.

Não o respondo com palavras, apenas concordo e o puxo pela nuca, tomando seus lábios nos meus em outro beijo avassalador, que me tira toda a concentração. Agarro o tecido de sua blusa com força, mas ele apanha minhas mãos e as coloca acima de minha cabeça, começando a lamber a pele sensível de meu pescoço.

— Ah... – sussurro, sentindo meu corpo inteiro tremer. — Harry...

— Sh... – murmura, mordendo levemente minha orelha. — Me deixe fazer meu trabalho.

Concordo automaticamente, dando-o mais liberdade para fazer o que deseja comigo. E ele o faz, me colocando deitada na grama para ficar entre minhas pernas.

— Você me deixa completamente... Completamente louco, Emma.

Sua revelação me deixa quente, em êxtase, e eu o puxo para mais perto, apenas para beijá-lo avidamente, descendo minhas mãos ansiosas para o tecido macio de sua blusa. Minha maior vontade é tirá-la, mas eu apenas espero seus próximos passos, suspirando em antecipação.

Ele para e me olha fixamente, e o brilho de seus olhos mesclado ao pôr-do-sol brilhante é a melhor coisa que já fui capaz de presenciar, ainda mais quando ele me lança um sorriso genuíno, que parece brilhar mais que o próprio sol. Ele me tira o fôlego, mordendo o lábio, ofegante.

— Me diga o que quer fazer, Emma... – ele diz baixinho, respirando contra minha pele.

Suas mãos serpenteiam pelo vestido que Clarissa me vestiu, e isso me tira a concentração. Porém, eu mordo o lábio e o encaro fixamente antes de deizer:

— Me beije, Harry. – é quase uma ordem.

Que ele acata com veemência.

E me tira o fôlego.

E me faz livre, mais uma vez.

Até o anoitecer.

Agora estou deitada contra o peito de Harry, e não faço ideia de quantas horas se passaram. Meus olhos fechados denunciam meu cansaço, mas minha calma afirma meu prazer. Harry é um louco... De todas as maneiras. E não posso acreditar que posso beijá-lo a hora que eu sentir vontade, sem medo de sua rejeição, sem medo de seus ataques de fúria e ódio, por que ele é meu Harry, ele se ofereceu a mim, se entregou. E isso é mais do que jamais fui capaz de, sequer, imaginar.

Dedilho fracamente a pele de seu peito nu, raspando minhas unhas longas por seu pescoço até chegar em suas bochechas avermelhadas. Talvez ele também esteja de olhos fechados, mas me permitirei ter o benefício da dúvida, dessa vez. Estamos, ambos, em silêncio a tempos, apenas ouvindo o barulho da natureza ao nosso redor, e do farfalhar das arvores contra as ondas de vento.

A sensação é maravilhosa.

Mas depois de um tempo, minha curiosidade me força a acordar de meu transe.

— Harry? – chamo-o, pegando sua mãos entre as minhas.

— Hm? – ele resmunga, e posso sentir sua respiração calma contra os fios de meu cabelo.

— Estou tendo um mal pressentimento sobre hoje. Algo está muito errado.

Seu silêncio repentino é ensurdecedor, mas depois de um tempo seu corpo se acalma e ele me responde num murmúrio.

— Daqui a pouco será noite de Halloween, Emma.

Ondas de calafrio me atacam violentamente, enquanto prendo minha respiração e fecho os olhos com força. Halloween; a noite que mais ouvi falar por muito tempo. A noite das fantasias, da feira e dos doces. A noite dos monstros. A noite em que o portal se abre.

A noite da Lua.

— Nós vamos passar por isso. – volta a falar, mas não consigo captar nenhum traço de certeza em sua voz. — Vamos conseguir.

— Mas... – engulo em seco. — E se não conseguirmos?

Sua respiração falha quando ele me faz encará-lo.

Seus olhos estão brilhando em puro desespero.

— Não temos essa opção. Temos que acabar com isso, Emma!

Concordo lentamente, provando do mesmo gosto ácido do desespero. E não há nada pior do que isso: sofrer por antecipação, tentando prever algo tão mutável. Mas.... mas há algo que tenho certeza: a morte é garantida.

— Você lembra do plano, não lembra? – já perdi a conta de quantas vezes ouvi tal pergunta.

Engulo em seco mais uma vez, concordando.

— Não posso esquecer.

. . .

3 Horas Antes:

Desenho um grande círculo diante da velha igreja, nas ruínas da antiga vila. As regras são simples: o circulo deve ser feito com meu próprio sangue. Assim que o termino, desenho o símbolo que tenho em memória do pequeno pingente de Luno, grande o suficiente para aprisioná-lo dentro. E no final, pego um único fio de cabelo de Harry, para chamar sua atenção mais rápido. Sei que qualquer coisa que envolva Harry é capaz de atrair o Animador.

“Cante minha música, feiticeira. Só assim saberei que está precisando de mim”, foram suas últimas palavras antes de me trazer de volta para a vida, só depois...

É dele que eu preciso.

Fecho os olhos e sussurro sua melodia, com o pulso ensanguentado e pulsante. E o círculo começa a brilhar em tons roxos, púrpuros e extremamente vivos, até que seu corpo vai criando forma. E eu era capaz de sentir cada vez mais sua presença, pois todo o ambiente havia mudado, graças as suas alucinações.

Agora não estávamos mais nas ruínas; estávamos em uma grande colina uivante, onde podia-se sentir o doce toque suave das nuvens na pele, e o cantar melancólico das estrelas no céu tingido de azul escuro. A noite nunca me pareceu tão bela, e assim que ele surgiu por completo, em seu terno de linhas, com seu pequeno violino em mãos, pude sorrir genuinamente, mesmo banhada em pura preocupação.

— Enfim, nos vemos novamente, minha doce feiticeira. – ele me cumprimenta, mesmo incapaz de sair de seu círculo. Seus olhos brilham ainda mais quando ele olha para trás de mim, onde Harry está. — Olá, Conde.

— Olá, Luno. – ele o responde quase que automaticamente, com uma tosse fraca.

— Como senti saudades de vocês! – Luno sorri mais ainda, com sua máscara reluzente escondendo seu rosto bonito.

Retribuo seu sorriso e me movo para liberá-lo de seu circulo – prisão –, mas ele nega bruscamente e pede para que eu pare imediatamente.

— Se você o fizer, Louis será capaz de me encontrar. Depois que vocês fugiram, o nível de desconfiança de Lua para comigo e meus irmãos ficou cada vez mais agravante.

Seu semblante é triste e... Aterrorizado.

— Cortiço ainda está desacordado depois que Louis terminou de dá-lo sua lição.

— Lição? – ergo as sobrancelhas, nervosa.

— Por tê-los deixado fugir. Olhe, também fui punido.

Ele desabotoa seu paletó e se vira, revelando suas costas marcadas por vergões roxos e cortes profundos. Suas costas estão acabadas, e só posso imaginar o tamanho da dor que Luno não sentiu enquanto Louis o atacava por algo que não pôde controlar.

Antes que eu fale alguma coisa, Harry se adianta e anda até ele para examinar os hematomas mais de perto. Quase consigo ouvir a transição de sua respiração fraca para algo mais pesado e tenso. Ele toca um dos arranhões marcados por sangue com a ponta do indicador, depois se afasta e rosna, mas não fala nada.

Sei que Harry gosta de Luno, e isso me deixa mais furiosa ainda com Louis. Ele não tem o direito de maltratar ninguém.

— Nós vamos acabar com tudo isso, Luno, eu prometo. Mas... Vamos precisar de sua ajuda.

Ele veste o paletó novamente e me lança um pequeno sorriso.

— Como, exatamente?

Revelo-o nosso plano por completo, de etapa em etapa, até ambos estarmos sentados no chão, debatendo sobre mais maneiras de fazê-lo funcionar.

— Animalia e Funeralia não irão ajudar. Não adianta pedir ajuda a elas. – ele fala, após um tempo.

— Animalia... Humpf! – Harry resmunga, de braços cruzados atrás de mim. — Eu quero aquela vadia morta.

— Harry! – Luno o repreende, mas ele apenas rosna e vira o rosto para o lado oposto, se concentrando em suas unhas negras e afiadas. — Você já a amou, não lembra?

— Há muito tempo atrás. Hoje não a reconheço. – ele responde simples, chutando uma pedra para longe.

— Ela se deixou consumir. – murmuro e recebo um pequeno aceno de Luno, confirmando.

— Muitos de nós já sucumbiram a loucura diversas vezes, feiticeira. – ele diz baixinho, perdido em pensamentos. — Não concorda, Harry?

O conde deixa de olhar suas unhas para olhar brevemente para Luno, o encarando mortalmente. Talvez eu esteja no meio de uma guerra silenciosa, mas não estamos aqui para brigar. Não quero perder a parceria do Animador à essa hora do jogo, então olho para Harry com minha cara mais brava de todas e me animo ao vê-lo concordar rápido, voltando a ficar absorto em seus próprios pensamentos.

— Temos poucas horas até o início do Halloween, pequena Emma. Não temos tanto tempo assim.

Olho brevemente para Harry, lembrando de seu olhar desesperado em minha direção, e depois volto a olhar para Luno, suspirando minha pequena resposta.

— Temos que vencer. Louis ganhar não é uma opção.

Um pequeno sorriso se forma em seus lábios enquanto ele se levanta e bate a poeira de seu terno perfeitamente engomado.

— Tudo bem, então. Farei minha parte.

Não sou capaz de conter uma fraca lágrima de euforia e alívio ao ouvir suas palavras, manejando a cabeça em concordância.

— Contamos com você, Animador. – sussurro.

— Até o Halloween, feiticeira.

Então eu risco o círculo, quebrando o feitiço, e com um único olhar em minha direção e de Harry, ele toca uma nota em seu violino e desaparece como uma nuvem de fumaça púrpura.

Isso tem que dar certo.

. . .

O HALLOWEEN

PARTE DOIS:

A ArmadilhA.

 

TUDO ESTAVA DANDO ERRADO.

Eu não tenho mais forças para lutar. Minha alma está acabada, despedaçada, sem vida. Meu coração jaz inerte, preso entre os dedos gelados de Harry, o amor de minha vida. O amor que fora tomado de mim. E ele está aqui, com a cabeça em meu colo, com o rosto em minhas mãos.... Mas ele não consegue me olhar... ele não pode mais me olhar. Harry não está mais aqui;

Apenas seu corpo maltratado e perfurado pela luta que começamos e não soubemos como terminar.

No início, não era para nada ocorrer assim; nós tínhamos um plano arquitetado e estruturado por três mentes desesperadas, mas agora tudo o que temos... Tudo o que eu tenho é meu conde morto em meus braços, a vila consumida por fogo, sangue e destruição, Luno sem vida ao meu lado e meu coração esmagado no chão.

Não era para nada ter acontecido assim...

Nós tínhamos um plano.

. . .

2 Horas Antes:

CLARISSA APARECE assim que Luno vai embora. Parecia até que estava esperando que nossa conversa acabasse para que, finalmente, pudesse aparecer.

— Então Cisne Negro está com o seu colar... – é a primeira coisa que diz, despejando vários livros na grande mesa de pedras que fica bem no meio da grande igreja em ruínas em que estamos escondidos.

— Sim, porra, não escutou da primeira vez? – Harry explode, andando de um lado para o outro, inquieto.

— Estressado como o inferno, hein? – ela estala o dedo, trazendo uma cadeira próxima a ela. — Você tem que descansar, Emma. Invocar seis monstros de uma vez só não será fácil.

— Já descansei.

Não, não descansei.

— Estou pronta. – volto a falar.

Estou mentindo, não estou pronta.

— Você sabe que, sem seu cordão, não terá como ampliar seu poderes por muito tempo, não é?

— S-Sim... – gaguejo, engolindo em seco. — Faça o que disse que vai fazer.

— Você também sabe que, mesmo eu lançando sobre você um feitiço de resistência, sua mágica não durará por muito tempo, não é, feiticeira? – ela volta a perguntar, abrindo o livro mais grosso que trouxe.

— Sim.

Olho para Harry, mas ele está muito ocupado em seu próprio mundo, analisando tudo e todas as coisas com seus olhos de esmeraldas vívidos.

— Harry? – chamo-o, vendo-o piscar ligeiro em minha direção. — No que está pensando?

— Nada. – ele é rápido em responder, me dando as costas novamente.

Estranho.

— Está pronta, Emma? – Clarissa me toma a atenção, colocando a mão sobre meu ombro. — Está pronta para convocar seis demônios?

Começo a tremer ainda mais, me dando conta de que isso vai acontecer de verdade. Em poucos minutos, terei os seis monstros de Louis na palma de minhas mãos, em minha armadilha. Espero que Luno esteja fazendo sua parte. Assim que ele estiver a feito, sentirei um pequeno desconforto na ponta de meus dedos, e assim saberei que estará na minha hora de agir.

X

— Você só pode estar brincando, Luno. – ouço Cortiço suspirando atrás de mim, sendo seguido pelos outros.

Sinto as palmas de minhas mãos suando, enquanto os olhos de todos estão focados apenas em mim... Enquanto Louis está se preparando para a noite de Halloween com Cisne Negro, sua dama da noite. Aproveitei seu momento de distração para arrancar meus irmãos do castelo, prometendo levá-los para um campo secreto que acabei por descobrir durante uma de minhas várias pesquisas pela área. Agora agradeço pelos meus dias de tédio.

Fecho os olhos com força, tentando manter a ilusão que estou os transmitindo. Estamos passando por uma área coberta de rochas, mas o que eles veem são campos floridos e brilhantes.

— Zumbia está maravilhado. – ouço a voz de meu irmão falando.

Zumbia, entre todos os outros, é o mais novo e o mais sensível.

Acalme-se meu irmão... Logo, logo, tudo estará acabado.

— Para onde estamos indo, Animador? – Animalia pergunta, espetando o solo por onde saltita.

— Não posso mais fazer nenhuma surpresa? – ergo as sobrancelhas, fazendo um biquinho. — Daqui a pouco vocês não vão querer nem que eu toque mais meu violino.

Sinto minha pele se rasgando e solto um leve chiado, olhando para Alusa, depois para meu pulso.

“Nunca pare de tocar seu violino, Luno” é o que está escrito, e eu apenas o retribuo com um sorriso.

— Já estamos chegando? – Funeralia pergunta, brincando de quebrar os próprios dedos.

Olho para o além, tentando encontrar qualquer rastro do castelo, e assim que não o vejo, percebo que já estamos longe o suficiente. Dou um breve sinal para Aluna, que começa a riscar as próprias agulhas, produzindo um pequeno som estridente.

— Ai, idiota! – reclama Animalia. — Para com esse barulho!

Não importa. Minha mensagem foi entregue.

Assim que percebo que nenhuma de minhas irmãs estão dispostas a ficar presentes, sinto a atmosfera mudar, e somos transportados, todos ao mesmo tempo, para as ruínas da antiga vila. Fomos invocados pela feiticeira. O plano está funcionando.

Assim que tudo para de girar, analiso todo o ambiente; desde as paredes acabadas da grande igreja, o chão rachado, o logo nos tijolos, até os grandes círculos em volta de cada um de nós, com o desenho de nossos símbolos pintados em sangue.

À nossa frente, Emma está cantando um feitiço poderoso, com seus olhos negros brilhantes fitando cada um de nós, enquanto chamas negras e violentas escapam da palma de suas mãos.

Durante minutos, sei que cada um de nós não se atreve a falar nada. Todos estamos receosos de sofrer da fúria da feiticeira, além de surpresos pela sua forma e postura imponente. Desvio o olhar rapidamente para minhas duas irmãs e as vejo boquiabertas, trêmulas e encolhidas em seus círculos.

Logo atrás de Emma, Harry também nos olha avidamente, de braços cruzados ao lado de uma senhora que Emma me revelou se chamar Clarissa, sua guardiã.

— Rendam-se a mim, monstros! – Emma grita assim que termina sua melodia.

Além de sua voz natural, há uma mais grossa a complementando, dando-a um duplo timbre horripilante.

Pensei que seria fácil, mas Animalia solta uma gargalhada irônica e tenta sair do círculo, acabando por sofrer uma queimadura violenta, seguida de um grande choque por todo o seu corpo. Conheço bem a sensação.

— Irmã! – grita Funeralia, comovendo todos os outros irmãos, menos a mim.

— Você ousa me contrariar? – a feiticeira pergunta, e as chamas em suas mãos se tornam mais intensas. — Sua monstra!

Emma fecha o punho e Animalia começa a flutuar e sufocar ao mesmo tempo, levando as mãos ao próprio pescoço em busca de libertação. Abro a boca, surpreso pela violência na qual Emma está tratando, ainda mais quando ela começa a cantar outro encanto e tiras da pele de minha irmã começam a ser removidas, rasgadas, enquanto suas mãos ficam imóveis. Ela está imobilizada.

Funeralia começa a rir e saltitar, parecendo apreciar o espetáculo, mas Cortiço começa a gritar para que Emma pare com o atentado, mesmo ela não o dando ouvidos.

Por fim, Harry descruza os braços e intervêm.

— Emma, pare.

— Humpf! – é tudo o que ela diz, mas afrouxa o punho.

Animalia cai no chão com um estrondo, tremendo, banhada em seu próprio sangue.

— Faz de novo! – Funeralia grita, batendo palmas.

— Calada! – Emma grita.

E a força de sua voz parece levar nossas vozes para longe.

Drácula se põe ao seu lado, e com as mãos nos bolsos, ele começa a falar:

— Nós podemos acabar com Louis, irmãos.

— Impossível! – Zumbia grita, olhando para mim desesperado.

Escute-o, meu pequeno irmão.

— Emma pode acabar com a maldição, acreditem em mim.

— Humpf! – Animalia exclama, de joelhos. — Ela é fraca demais, uma inútil.

Emma estala os dedos e Animalia grita, vendo sua mão esquerda se partir ao meio.

— Emma! – grito horrorizado.

Ela me lança um breve olhar, mas depois volta a se concentrar nos demais. Isso foi apenas um aviso para ficarmos calados, e quando olho para meus irmãos, vejo-os tremendo, horrorizados.

— Sei que Louis está planejando um ataque à Bevencourt hoje, assim que o relógio da igreja badalar à meia-noite. Sei que vocês o ajudarão, e é aí que vocês irão nos ajudar...

— Nunca ajudaríamos vocês! – Funeralia cospe sangue e faz uma careta, e percebo que Emma está com o indicador em sua direção.

— Vocês irão nos ajudar, pois iremos libertá-los.

— Isso não é possível! – Zumbia está prestes a chorar, e minha maior vontade e pegá-lo em meus braços como sempre faço em seus momentos de tristeza.

Mas estou preso no feitiço da feiticeira.

Sinto as barreiras de meu circulo fraquejarem brevemente, e quando olho para Emma, vejo sangue preto e viscoso escorrendo de seu nariz. Oh, não... Ela vai fraquejar mais rápido do que esperávamos. Quando olho para meus irmãos – irmãs, principalmente – vejo um pequeno sorriso se formar nos lábios sangrentos de Animalia.

Ela percebeu que Emma está começando a ficar fraca.

Todos percebemos.

Clarissa começa a folhear vários livros ao mesmo tempo, e sei que está desesperada para ajudar Emma.

Por favor, Harry! Apresse-se!

— É possível, Zumbia. Ela pode, finalmente, nos libertar.

— Chega de maldição? – Cortiço pergunta baixinho, tímido e amedrontado.

— Sem mortes? – pergunto, por fim.

Ele me olha, e o brilho em seus olhos verdes me fazer arrepiar por completo.

— Sem mais mortes! – afirma, com os punhos cerrados.

Posso perceber que Zumbia, Alusa e Cortiço estão começando a ceder, enquanto se olham entre si com os olhos brilhantes de lágrimas. Nunca, depois que nos acostumamos as nossas formas monstruosas... Nunca os vi tão frágeis como estão agora.

— Eu acredito em você, Drácula. – falo, com um sorriso gentil e aliviado.

Não... As paredes que nos prendem estão começando a tremer e desaparecer.

Olho para Emma e vejo as chamas em suas mãos  falhando, sumindo e reaparecendo fracamente.

Oh, não.

— Eu... – Cortiço gagueja. — Eu acredito em você, Drácula.

— Zumbia... – meu irmãozinho bate palmas, fungando. — Eu também!

Alusa bate as agulhas no chão e começa a dar pulinhos alegres, e eu não poderia estar mais feliz.

— Bobagem! – Funeralia e Animalia gritam ao mesmo tempo.

— Você não é forte o suficiente, feiticeira. – Funeralia toma a fala.

— Não é! – Animalia grita.

E é aí que Emma perde as forças e as barreiras de nossos círculos se desfazem. Harry também percebe e abre suas grandes asas, envolvendo o corpo frágil de Emma em um abraço. Assim que minhas irmãos gritam e tentam atacá-los, sou mais rápido e as faço alucinar; agora, estão cegas. Zumbia também não pensa duas vezes, e assim que percebe nossa situação catastrófica, cria um grande portal e nos transporta para o mais longe possível, deixando Clarissa, Harry e Emma para trás.

Oh, não.

Nós tínhamos um plano.

X

Harry me coloca deitada ao seu lado, com minha cabeça em seu colo e meu rosto em suas mãos.

— Você exigiu demais de si, Emma... – ele lamenta.

— Eu estava conseguindo... – soluço, com a visão embaçada.

Sinto que meu corpo está esgotado.

— Você precisa descansar, feiticeira! – Clarissa fala, fechando seu grande livro sobre a mesa.

— Mas... – tento falar algo, porém Harry nega e comanda a mesma coisa, no final falando a coisa que eu mais temia estar se aproximando.

— O Halloween está próximo.

Clarissa está tremendo ao meu lado.

— Estamos diante do fim do mundo? – escuto-a falar, mas apago.

. . .

O HALLOWEEN

PARTE TRÊS:

O FinaL.

 

E foi quando você menos percebeu,

Tudo estava perdido,

Tudo havia acabado,

Você percebeu?

. . .

NÃO HÁ MAIS SENTIDO EM ACABAR COM ISSO.

A ajuda que precisamos de Luno, não conseguimos a tempo. E agora, sinto que meus poderes estão começando a falhar novamente. Sinto também algo escorrer até meus lábios, e quando levo a ponta de meus dedos até a região, percebo que meu nariz está sangrando.

Temos pouco tempo.

— Emma! – Clarissa grita. — Não desista.

Ela está chorando.

— Eu... – soluço, agarrando a mão de Harry. — Eu não consigo!

— Você... – de repente ouço uma voz rouca sussurrando próximo a mim.

Não pode ser...

Não estou ficando louca!

— Você consegue. – e sinto seu fraco aperto. — Acabe com a maldição.

— Harry? – soluço, desesperada. — Como... ?

— É preciso mais do que um simples espinho pra me matar, minha Emma.

Fecho os olhos com força.

É preciso mais do que seis monstros e Louis para acabar comigo.

Eu tenho meu plano.

. . .

Uma Hora Antes:

Acordo com Clarissa gritando por meu nome, desesperada. Harry está com suas asas de fora, me olhando com o cenho franzido e os lábios crispados. Ele está preocupado, isso não se pode negar.

— O que está acontecendo? – questiono, esfregando os olhos.

— Você precisa ver com seus próprios olhos.

Ela me ajuda a levantar lentamente, mas está apressada e eufórica. Olho para Harry em busca de respostas, mas ele apenas desvia o olhar e abre caminho para que Clarissa me guie até as portas da igreja, que abrem assim que ela estala o dedo.

E então eu entendo.

O céu... O céu está completamente vermelho, enquanto a lua brilha em tons escarlate, imponente. Há árvores caindo pela força do vento, e as ruínas desmoronando mais ainda. O cenário é apocalíptico, e fica pior ainda quando sinto uma gota molhar minha pele, e quando tento enxuga-la, percebo ser sangue.

A chuva de sangue.

— Eles estão começando. – murmuro.

— Mas a feira ainda não começou!

— Ainda não é meia-noite! – Clarissa exclama.

— Cada monstro vai se apresentar conforme o tempo for passando. Luno e Funeralia foram os primeiros. Luno às 22:50 e Funeralia às 23:00. Eles devem ser pontuais, e só podem levar dez minutos para se apresentar. – Harry nos chama a atenção, andando em nossa direção.

— Como... – engasgo, pasma. — Como você sabe de tudo isso?

— Não é a primeira vez que vejo-os iniciando uma carnificina, Emma... – fala baixinho, porém consigo escutá-lo.

— Meu Deus... – Clarissa sussurra. — Estamos presenciando o fim do mundo.

— Não... – interrompo-a, tonta. — Isso não vai acontecer... Nós vamos acabar com a maldição antes que algo pior aconteça.

— Temos que nos apressar, então... – Harry torna a falar, batendo suas asas.

Assim que saímos da igreja em ruínas, poucos segundos depois ela desmorona pela força do vento. Assustada, eu me agarro no braço de Clarissa, que grita por meu nome. Ela confiou em mim para protegê-la... Pela primeira vez, alguém confiou em mim o bastante para me entregar a própria vida...

Isso me faz sentir orgulho de mim mesma.

E minha fúria cresce ainda mais.

— Vamos, temos que chegar ao centro da vila!

 

X

— Eles o quê? – Louis estava furioso.

Animalia havia o contado tudo o que havia acontecido, e agora Lua andava de um lado para outro no grande salão do castelo de Drácula, bravo por ter deixado que algo assim acontecesse sem sua permissão ou supervisão.

— Mas que porra! – torna a gritar novamente.

— Eu sei, meu Louis. – Cisne Negro massageia seu ombro, tentando consolá-lo.

Funeralia está lá fora, fazendo sua apresentação. Fui o primeiro, mas não usei meus poderes como castigo. Na verdade, Louis me espancou e me expôs para todos os aldeões – presos por uma grande muralha de fogo – como uma grande atração esfolada viva.

Estou suando frio, jogado no canto da sala enquanto tento me recuperar.

Cortiço será o próximo a se apresentar, e Louis fez questão de remover toda a sua pele como castigo. Ele se apresentará sentindo uma dor insana, além de física.

Zumbia também sofreu sua pena, e enquanto Alusa teve sua cabeça decepada e costurada várias vezes, meu irmão mais novo teve suas mãos e pés cortados por Louis, com apenas sum serrote, depois costuradas com as agulhas de Alusa, que chorava ouvindo os gritos de dor do irmão.

E Louis ria de tudo.

E Animalia dançava.

Enquanto Funeralia se furava para beber de seu próprio sangue.

Consumidas pela loucura. Consumidas por Louis.

— Zumbia, consegue encontrá-los? – Louis pergunta, segurando Zumbia pelo queixo.

Diga que não, irmão. – sussurro em sua mente.

— Não... N-Não consigo, Lua. – ele responde.

Furioso, Louis o acerta o soco no rosto, jogando-o no chão como um pedaço de lixo.

— Zumb... – murmuro, com minha voz rouca de dor.

— INÚTIL! – Louis grita, com o rosto vermelho de raiva.

Animalia rodopia pelo salão, gargalhando.

— Cortiço! – Lua chama.

— Sim, senhor? – meu irmão aparece, em carne viva.

Percebo que está tremendo de dor e medo.

— Sua vez de se apresentar.

Os portões se abrem, e Funeralia aparece saltitante, banhada de sangue.

E então, Cortiço sai e começa sua apresentação macabra.

X

Um forte trovão soa e faz o chão tremer. Durante um tempo, Harry nos levou, enquanto voava pelo céu escarlate, mas quando a chuva começou, suas asas ficaram pesadas demais. Fazia horas que ele não se alimentava, então estava fraco demais para aguentar a pressão. E então tivemos que continuar o trajeto até a vila correndo.

Minhas pernas estavam queimando, e Clarissa não parava de escorregar nas poças de sangue.

Estávamos quase chegando. Na verdade, eu já podia até enxergar as luzes intensas da feira de Halloween, até que outro barulho cortou o céu.

Grasnados.

Corvos.

A chuva de corvos.

— Cuidado, se protejam! – Harry grita assim que olhamos para o céu e avistamos centenas... Milhares de corvos voando em nossa direção.

— Não... – grito. — Não dessa vez!

Paro de correr e me viro em direção a eles, fechando as mãos em punhos. Não vou deixar que mais um ataque aconteça; não agora que tenho total consciência sobre meus poderes. Eu sei o que sou capaz de fazer... E eu posso acabar com esses corvos...

Com um estalo de dedos.

Assim que o faço, todos começam a explodir em uma chuva de sangue preto e amargo. Um por um, e não tiveram nem a chance de se aproximarem muito.

Não tenho muito tempo para me orgulhar, pois assim que o ultimo corvo morre, a chuva aumenta e outro barulho começa a se aproximar audivelmente. O barulho de água.

Muita água.

— Uma enchente? – ouço a voz confusa de Clarissa.

E então eu vejo.

Sangue.

Muito sangue; ondas de sangue. Vindo em nossa direção.

— Corram... – ouço Harry sussurrar. — CORRAM!

Começamos a correr, desesperados, mas as ondas nos pegam e nos carregam violentamente pelo caminho lamacento. Grito, agarrando a gola da camisa de Harry, sentindo-o agarrar meu corpo contra o dele. Sinto que estamos por um fio da morte, então Clarissa começa a melodiar um feitiço, um poderosos feitiço que faz com que as ondas diminuam, até sumirem de vez. O sumiço é lento, mas quando nos livramos de todo o sangue por completo, já estamos diante das barracas da feira do Halloween, e bem no centro, de frente para o Castelo, Cortiço flutua.

Está fazendo sua apresentação.

X

— Está ansiosa, meu amor? – Louis questiona, segurando Cisne Negro com um sorriso maldoso nos lábios.

— Muito... Muito, minha lua!

Faço uma careta, me arrastando para longe.

Não posso fazer nada; estou muito debilitado.

Antes que eu consiga me arrastar completamente para fora do grande salão, escuto Louis falar, lentamente, porém animado como o inferno:

Está pronta para conhecer meu sétimo monstro?

Sétimo monstro?

X

20 Minutos Antes:

Animalia está rodopiando por todos os cantos, e durante apenas cinco minutos de sua apresentação, já foi capaz de matar vários aldeões. Harry, furioso, tentou pará-la, mas durante a apresentação de Alusa, fomos surpreendidos pelo exército de Funeralia, nos agarrando e nos prendendo em um só lugar.

Tentamos lutar contra eles, mas eram muitos, e acabamos cedendo à pressão.

Agora somos apenas a audiência da bailarina sanguinária. E ela parece estar adorando.

Dez minutos antes:

Assim que Zumbia começa, percebo horrorizada que ele não possui mais mãos e nem pés. Harry também percebe, e é à partir daí que ele tenta se livrar dos milhares de braços que estão nos segurando ao mesmo tempo. Clarissa grita um feitiço que faz com que os mortos-vivos se desmanchem ao nosso redor, virando poças de pele e ossos derretidos.

Começamos a correr antes mesmo que mais do exercito consigam nos capturar.

Cinco Minutos antes:

Assim que chegamos diante do castelo, com apenas o barulho de um trovão, os seis monstros aparecem com um “CABUM” ensurdecedor. Louis e Cisne Negro estão mais acima, de mãos dadas, nos olhando de longe.

— Cidadãos de Bevencourt! – Louis cumprimenta, abrindo os braços.

MEIA NOITE

— Bem-vindos ao meu Halloween.

. . .

E foi quando você menos percebeu,

Tudo estava perdido,

Tudo havia acabado,

Você percebeu?

. . .

Antes:

“TUDO ERA CAOS E DESTRUIÇÃO.

Estavam espalhados por todos os lados, matando por todos os lados... Os aldeões não podiam correr, pois o exército de mortos de Funeralia estava surgindo de todos os lugares, em um número cada vez maior.

Eles estavam posicionados estrategicamente; cada qual ficava onde o brilho das estrelas aumentava ainda mais seu poder: Funeralia e Animalia estavam no solo. Funeralia gargalhava enquanto fazia sangue jorrar do céu, enquanto Animalia rodopiava em espirais e matava dezenas de aldeões desesperados com um simples toque se seus espinhos maciços.

Luno matava qualquer um que ousasse passar pelos portões da vila, com um simples estalar de dedos, junto de Cortiço – que os atacava com suas poderosas bolas de fogo – e Zumbia, que conseguia criar criaturas feitas de sua própria sombra, canibais. Alusa apenas espetava crianças e crianças com suas finas agulhas, enquanto a chuva de sangue banhava a todos.

E Louis estava acima de tudo e todos, dançando com Cisne Negro em seus braços. No fundo de minha mente, eu ainda conseguia escutar o zumbido da valsa dos monstros soando pelo ar:

Cuidado por onde pisa... Você pode cair.

E caímos.

Não havíamos previsto tamanho ataque, nem tanta destruição, mas agora que tudo está acontecendo diante de meus olhos... é tudo real. O gosto de minhas lágrimas é real, meus cortes sangrentos são reais... Olho para minhas mãos sem pele. É tudo real.

Tudo.

Tudo se passa por meus olhos em câmera lenta.

Toda a morte, a carnificina.

Não há como reverter nada... Nem mesmo quando Harry é esfaqueado por Animalia e cai no chão, de joelhos”.

Agora:

Levanto com os punhos cerrados, observando todo pandemônio em câmera lenta. As crianças morrendo, os adultos sendo torturados, e Louis dançando acima de tudo e todos. Harry está respirando com dificuldade no chão, pois, por mais que o veneno de Animalia não tenha sido o suficiente para levar sua vida... Foi o bastante para enfraquecê-lo.

Não há mais nada que eu consiga enxergar, além de Louis e Cisne Negro dançando enquanto o sangue de inocentes é jorrado em vão.

— Faça algo, Emma. Salve a nós. – foi a última coisa que consegui escutar Clarissa suplicar.

No segundo seguinte, minha destra estava apontada em direção aos dois monstros dançando, cerrada em punho. Quando percebo, meu corpo está consumido por chamas negras, queimando minha roupa, queimando minha pele, meus cabelos, meus olhos... Minha alma.

Estou tomada pelas trevas.

E o sentimento é maravilhoso.

Com um estalar de dedos, faço toda a carnificina congelar no tempo, e arrasto meus alvos para o chão com força extrema, quase os enterrando no chão lamacento de sangue. Assim que Louis levanta, com a mão na cabeça, e me olha, seus olhos se arregalam e sua boca se escancara, assim como Cisne Negro parece amedrontada.

Bom.

Eu aprecio o pavor.

Grito em fúria e os jogo contra os muros gigantes do castelo, que cedem e quebram assim que eles se chocam. Sorrio, sentindo o fogo consumindo meu coração. Olho para os lados, vendo Harry me olhar assustado e surpreso, assim como Clarissa, que pisca várias vezes, cética do que vê.

— Como... Você não é uma feiticeira! – Clarissa exclama, limpando o sangue de seu rosto. — Muito menos uma bruxa... Você é uma...

— Emma! – escuto a voz mais calma e conhecida de minha vida.

Sinto meu corpo esquentar ao ouvi-la.

Norah.

— Emma, me salve! – sorrio, sentindo corpo inteiro virar gelativa ao ver minha melhor amiga correndo em minha direção.

Mas há algo diferente.

Assim que ela se aproxima mais, percebo seus chifres e suas escamas, e seu longo rabo feito de espinhos. O que aconteceu com Norah?

— Me salve! – ela volta a gritar. —... Morra!

Tenho tempo apenas de desviar do golpe mortal de seu rabo espinhento.

— Norah? – pergunto, cética.

— Então você lembra de mim? – ela gargalha, piscando seus olhos vermelhos.

— Vejo que conheceu meu sétimo e mais querido monstro, Emma! – Louis surge dos entulhos, limpando a poeira de seu terno amassado e sangrento.

Ele está fraco, posso perceber.

— O monstro que a observou durante sua vida inteira! – ele gargalha.

— Não pode ser... – ouço Harry falar, e percebo que somente nós estamos alheios ao meu feitiço de congelamento.

— Como você acha que eu ficava sabendo de seu crescimento? De seus poderes...? – ergueu as sobrancelhas. — Conheça Bravia, meu corvo mensageiro.

— Isso não pode ser verdade...

— Acredite, sua inútil. – Norah volta a falar... Bravia volta a falar, gargalhando.

Sinto meus poderes começarem a perder forças.

E a carnificina volta a acontecer.

As pessoas voltam a morrer.

E não consigo fazer nada para mudar.

“Quebre a maldição...” ouço uma voz no fundo de minha mente. “Não desista, suprema...”, a voz é suave e melódica. Faz com que meu corpo volte a esquentar. “Quebre a maldição... Liberte todas nós. Se liberte...”.

“SE LIBERTE”.

Grito, sendo consumida pelas chamas por inteiro. O poder é tão forte que causa uma explosão ao meu redor. Estou cega... Cega de ódio, de frustração por terem mentido para mim durante toda a minha vida.

Todos os monstros param o ataque para me olhar. Sou a atração principal dessa vez.

— Chega! – grito. — Chega de sangue! Você! – aponto para Bravia, vendo seus olhos se arregalarem ainda mais. — Você não merece viver...

Com um estalo de dedos, Bravia explode em uma chuva de sangue escuro. E antes que sua alma consiga escapar, crio uma cratera e a soterro. Prendo-a em um lugar de onde não será capaz, nunca, de escapar.

Ao me ver fazer isso, Animalia começa a correr desesperada para longe, porém eu grito seu nome e fecho os punhos, arrastando-a em minha direção. Ela ainda tenta evitar, ficando seus espinhos maciços no barro sangrento, mas eu grito e quebro seus braços, fazendo um rastro de seu próprio sangue até mim.

— Você não merece viver! – grito, e com um estalo de dedos, seu corpo começa a inchar, e a inchar, até que ela não consegue mais gritar e explode em um milhão de espinhos.

Diferente de Bravia, não capturo sua alma pura, e ela voa desesperada pelo céu, até sumir.

— Não! – Funeralia grita assim que eu a vejo. — Não faça isso, Emma, por favor!

— Agora você me chama de Emma? – cerro os punhos e começo a arrastá-la até mim.

Assim que ela está perto o suficiente, agarro-a pelos cabelos, sussurrando em seu ouvido.

— Me chame de Suprema. – e então estalo os dedos, fazendo com que seu corpo derreta em uma poça gosmenta da sangue.

Sua alma voa para longe, desaparecendo por trás das nuvens.

Olho para todos os meninos.

— Vocês estão livres, meus meninos. – dito, e com um pequeno feitiço, suas peles começam a descascar, até sobrar apenas os ossos em pilhas no barro.

Não há mortes violentas para quem só tratou a suprema bem. Eu os quero bem.

Olho para Luno e suspiro, sentindo o vento balançar meus cabelos em chamas.

— Pobre infeliz... – sussurro. — Desprenda-se desse corpo inútil, seja livre, meu Luno.

Como se estivesse esperando minhas palavras, seu corpo começa a brilhar e sua alma se liberta, brilhante e animada pelo céu. Ela gira ao meu redor, como se eu fosse seu eixo, e depois parte como uma bala em direção ao além.

“Não esqueça de nosso acordo, Emma. Sinto muito...”, ouço sua voz e apenas concordo.

Sorrio, finalmente feliz por ter conseguido libertá-los.

Um por um.

— Quanto a vocês... – fixo meu olhar em Louis e Cisne Negro, que estão encolhidos um contra o outro. — Acho que você tem algo meu...

Olho para Cisne Negro e estendo a mão, quebrando meu colar em seu pescoço para trazê-lo até mim. Assim que o tenho em mãos, lanço-a um sorriso maldoso e sussurro minha maldição, vendo sua pele começar a cair.

— Não... – ela grita. — Não!

— Eu posso montar e desmontar você, sua miserável! – murmuro entredentes.

Estalo os dedos e faço seus cabelos e mascara caírem no chão, revelando a bruxa do mal que ela é. Sua pele enrugada é pálida e sem vida, macabra. E quando as penas de seu vestido se desfazem, revelando vários corvos que tentam voar, mas eu os capturo e os enforco com um sorriso quente. Segundos depois, ela derrete, sobrando apenas sua mascara de renda jogada no chão.

— Você brincou demais com todos, Louis... – começo a caminhar em sua direção, vendo-o dar passos assustados para trás. — Brincou comigo... Com Harry... Com os monstros! – grito. — Acabou! Você está acabado!

— Será se estou? – ergue as sobrancelhas, com um sorriso de escárnio em minha direção. — Você ainda não percebeu, não foi?

De repente, fico confusa.

— Você não percebeu! – ele começa a rir copiosamente, colocando a mão na barriga. — Eu não vou morrer... Não importa quantas vezes você me mate...

— Por que não? – grito com os punhos cerrados.

“Por que Harry continuará vivo...”, de repente, escuto várias vozes falando em minha mente ao mesmo tempo.

Minhas eu’s do passado.

“Você não entende, Emma? Harry começou tudo...”

“É por ele que tudo vai terminar...”

— Não... – murmuro, sentindo minha força desaparecer conforme vou me dando conta... — Não...

— Você terá que matar quem tudo começou! – Louis ri mais ainda. — Irônico, não?

— Não, não, não... – caio em meus joelhos, ao lado de Harry.

— Emma... – Harry começa, com os olhos brilhantes.

— Não, Harry. Não começa! – grito, pondo as mãos em seu peito.

Sua respiração está tão fraca...

Isso não pode estar acontecendo...

— Mate-o, Emma. E tudo acaba! – Louis grita, desafiando.

— Harry... – soluço. — Eu não posso...

“Não cometa o mesmo erro que nós cometemos, Emma...”, as vozes voltam a soar em minha mente. “Também não tivemos coragem de matar a quem amávamos”.

— Por favor, não... – suplico, deitando minha cabeça contra o peito de Harry.

Sinto suas carícias e soluço mais ainda, derramando minhas lágrimas contra sua pele.

— Isso não é sua culpa, minha Emma... – Harry sussurra, beijando minha testa com dificuldade. — Eu não ficarei bravo...

— Harry! – imploro. — Não me diga para fazer isso!

— Você não tem coragem, sua inútil. – Louis volta a gritar, gargalhando.

— Você é a mulher mais forte que já conheci, Emma. Eu só gostaria de ter dito que a amava mais cedo...

Por favor... Eu te imploro, Harry. Não me peça para fazer isso... Por favor. – soluço, desesperada,

Agarro seus cabelos macios e choro ainda mais quando ele envolve meu corpo em seus braços, me puxando para um abraço desajeitado. O abraço que só ele sabe dar.

E que eu amo.

— Me mate, Emma.

Não...

— Acabe com tudo isso...

Não...

— V-Você não tem coragem... – novamente, Louis fala, mas dessa vez não está rindo, nem debochando.

Ele está preocupado.

Preocupado que eu vá fazer o que vou fazer agora.

O que eu vou fazer.

— Emma... Por favor, acabe com meu sofrimento.

Harry também começa a chorar, copiosamente, desesperado.

— Eu já sofri tanto... Por favor! Me mate, eu te imploro!

— NÃO! – Louis grita, começando a correr em nossa direção.

Sem fôlego, as vozes retornam para minha mente.

“Faça o que ele suplica, Suprema. Use o pingente...”

Olho para o pingente em minhas mãos meladas de sangue, vendo a ponta afiada e reluzente que ele possui. Não... Isso não pode estar acontecendo.

— Eu te amo, Emma. Nunca se esqueça disso.

E então ele fecha os olhos.

E eu também.

 

X Não se esqueça de nosso acordo, Emma. Sinto muito... X

Na noite em que Animalia matou Emma:

Poderei trazê-la de volta a vida, mas você terá que ter um motivo, Emma. Uma meta... – Luno fala assim que termina de tocar seu violino mais uma vez. Você terá três dias... Depois disso, seu tempo irá acabar e não poderei fazer nada por você. Você atravessará o véu, mesmo sendo obrigada. Sinto muito...

Engulo minhas lágrimas, de joelhos na grama fresca da noite.

Eu tenho uma meta, Luno.

Entendo... – suspira.

Ele se agacha e põe a mão em meu ombro.

Você irá contar para ele?

Depois de um longo silêncio, nego e fecho os olhos com força.

Não.

Como eu poderia contar para ele que, no final, a pessoa que estava segurando seu coração... A pessoa que o impedia de sentir os batimentos acelerados de seu próprio coração... Era eu mesma?

Me leve de volta, Luno. Eu tenho minha meta.

Ele concorda, fazendo uma careta.

Boa sorte, Suprema.

X

Matá-lo não foi tão difícil quando imaginei... Eu já estava morrendo por dentro. Minhas horas estavam acabando. Mas só consegui fechar meus olhos quando ele suspirou “finalmente...” entre lágrimas, “finalmente consigo sentir meu coração”.

Era tudo o que eu precisava ouvir.

Eu havia feito tudo o que podia.

E no final.

Libertei a mim e o amor de minha vida.

Da maldição que nos consumia.

Quando morri, não senti dor alguma;

Eu senti orgulho.

 

Fim.


Notas Finais


E aí pessoais!!!
FINALMENTE HEIN?
Gostaria de me desculpar por ter abandonado essa história há um tempo atrás. Mas, por isso, eu já me desculpei.
Escrever Drácula foi um sonho, pois foi através dela que eu desenvolvi minha escrita, meu vocabulário e minha imaginação. Eu nunca escrevi uma história desse porte, então é um sonho realizado estar terminando ela hoje, agora, e estar entregando-a para vocês! Eu estou muito orgulhoso do final que Drácula teve.
E, sim, a morte de Harry foi planejada há muito tempo. Na verdade, eu queria mesmo era matar a Emma, mas desisti por queria deixa-la forte, desenvolvê-la e mostrar que nem sempre é a mulher que precisa morrer. Eu queria um final impactante, e eu consegui. Demorei um tempão elaborando SÓ O FINAL, e acabei conseguindo essa maravilha. Quem não gostou, eu realmente sinto muito, mas foi assim que eu imaginei a história desde o começo.

Algumas curiosidades:
° No começo, quem iria morrer era a Emma;
° Iria ter mais um monstro, chamado Súcubo. Ele iria tomar a forma de Emma, enganar Harry e matá-lo;
° O final foi inspirado, também, pelo final de Cisne Negro (o filme);
° Harry não é um dos sete monstros (mas isso vocês já sabem), o sétimo monstro sempre foi a Norah (ela estava sempre por perto, sempre observando Emma e contando tudo para Louis... Quem esperava por essa, hein?);
° Era para Luno ser uma Criança no começo, mas depois resolve personificá-lo como o homem mais lindo do mundo. (COMO VOCÊS IMAGINARAM ELE?)

Eu fiz amigos incríveis através de Drácula, e estou muito, muito, muito feliz por isso!
Estou orgulhoso de mim e de vocês, minhas flores. Vocês são incríveis.
E esse foi o melhor capítulo que já escrevi!
Beijos!
Bem-Vindos ao final de Drácula.
[mordidinhas fofinhas]


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