História Draculea: A Ascensão dos Vampiros - Capítulo 34


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Autoritarismo, Drácula, Europa, Imigração, Isla, Terrorismo, Vampiro, Vampiros
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Hentai, Luta, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 34 - Capítulo XXXIII: Abismos mais profundos


Capítulo XXXIII

"Abismos mais profundos"

O grande portão de ferro do armazém estava fechado – e também parecia não ser usado há muito tempo. Adams logo definiu a entrada lateral, a mesma aberta pelo soldado com o carrinho, como a única viável, embora não estivesse certo sobre ser a mais segura.

O agente temeu que o leitor da porta não aceitasse o cartão magnético, dado seu estado velho e desgastado. A luz verde acesa na tranca, assim como o pesado som desta sendo removida, aliviaram-no, no entanto – principalmente por poupá-lo de passar mais tempo exposto no pátio resolvendo o problema. As marcas de rodas no chão, assim como o batente riscado da porta, indicavam ser mesmo utilizada com frequência. Ernest gastou um último instante certificando-se não ser seguido, para só então avançar.

A primeira constatação sobre o interior do galpão foi estar dividido em camadas. A mais externa, sem fonte alguma de luz, constituía estreito corredor retangular ligando uma ponta a outra do prédio, algumas caixas e latões empilhados preenchendo o espaço abafado. Contornava a outra camada, central, espécie de caixa gigante de onde provinha claridade através de enormes paredes translúcidas estendendo-se do teto ao solo, nenhuma abertura disponível para se espreitar o que havia do outro lado; somente sombras disformes projetadas sobre as divisórias. O revestimento lembrava tecido, embora Adams não tivesse certeza – dando ao casulo aspecto de tenda de campanha, como um hospital montado às pressas num campo de batalha. Ao meio-vampiro, há anos travando sua própria guerra, não deveria ser visão aterradora, mas sentia receio genuíno do que encontraria ao adentrá-la.

Já se preparava para cortar caminho através da camada usando a espada, quando avistou uma porta. Cinza e de plástico, tão artificial quanto o resto da estrutura. Girou a maçaneta e entrou sorrateiro, a diferença climática entre os ambientes se anunciando tão logo o ar frio colidiu com seu rosto.

Os sentidos de Adams embaralharam-se, adaptando-se lentamente ao local. A temperatura remetia mesmo a um frigorífico, a sensação gélida apenas um pouco mais amena do que se poderia esperar. As fortes lâmpadas brancas acima de sua cabeça, responsáveis pelo brilho opaco do lado de fora e tão intenso ali dentro, ofuscaram sua visão noturna. O cheiro de desinfetante reforçava a semelhança com um hospital, ainda mais pelo piso límpido e esterilizado. Os ouvidos detectaram o contínuo ronco de maquinário trabalhando, emitido por geradores sob seus pés. Por fim, sua percepção vampírica notou esparsos sinais de vida espalhados por todo o recinto. Centenas de corações pulsando vagarosos, a totalidade mal correspondendo à frequência de um único ser vivo em plenas condições. Mentes desligadas do mundo ao seu redor, consciências encapsuladas pela névoa...

Ao ordenar as impressões e ter um panorama completo do lugar, Ernest arrependeu-se, desejando jamais se ver defronte a tamanha insanidade.

A sala tinha quatro níveis erguidos em plataformas de metal, o acesso a cada um possível através de seções de escadas. Acompanhavam fileiras de tanques de vidro dispostos uns sobre os outros, o aspecto transparente mostrando estarem preenchidos de líquido esverdeado – e figuras humanas, nuas, nele mergulhadas num estado de animação suspensa.

Adams aproximou-se de algumas das câmaras cilíndricas. Eram dezenas só ao nível do chão, e o galpão devia contabilizar cerca de quatrocentas a quinhentas. A mais próxima de si continha um rapaz na casa dos vinte anos, cabelos negros e pele morena. Flutuando na substância do tanque, tinha uma máscara de oxigênio acoplada ao rosto e diversos tubos conectados por agulhas ao corpo. Enquanto aqueles às suas costas injetavam um composto bege em determinadas veias – o que Ernest compreendeu ser uma mistura básica de nutrientes – outros presos à parte frontal retiravam sangue continuamente das artérias principais, o composto vermelho serpenteando pelas voltas das mangueiras até preencher reservatórios na base de cada uma das câmaras, bolsões vazios podendo ser vistos enchendo-se gota a gota.

Ele checou os demais indivíduos próximos. Aparência similar ao primeiro, característica dos Orientes Próximo e Médio, alguns africanos. Tanque a tanque, o padrão de extração de sangue se repetia, e o meio-vampiro não precisava ser um especialista para compreender serem sírios, afegãos, iraquianos, paquistaneses, nigerianos... Imigrantes ali cultivados feito gado, inesgotável reserva de alimento a vampiros.

Havia crianças. Não poucas.

O olhar de Adams se perdeu na infinidade de câmaras, a emoção mais aflorada do que gostaria nos pulsos trêmulos e passos trôpegos, antes de notar a bancada com computador no centro do local. A máquina estava ligada, monitorando em tempo real a condição dos prisioneiros entubados. Curvou-se diante do monitor. Não possuía acesso de segurança o bastante para operar plenamente o sistema, esbarrando em diversas exigências de senha. A tela de login contendo um mapa da Romênia, entretanto, estarreceu-o. Havia a opção de o usuário conectar-se a outras instalações, indicadas por círculos. E, concluindo ser provável conterem o mesmo que aquela, Ernest constatou existirem quinze delas distribuídas pelo país.

Os campos de refugiados, relatos sobre imigrantes desaparecidos. Subitamente, a questão dos muçulmanos entrando pelas fronteiras europeias deixara de ser um problema. Bem, ali se encontrava a solução de Bogdan Craciun e sua laia. O centro do quebra-cabeça estava montado, mas formava a imagem do mais puro mal que Adams cogitara um dia encarar. Se aquilo não tornava o ex-primeiro-ministro romeno o pior dos vampiros, não podia sequer imaginar a alternativa.

Na verdade, tornava-o o próprio Drácula.

Fazia terrível sentido. O Livro de Profecias dos Vampiros. A maneira como estabelecia um ritual de sangue necessário para o grande levante que levaria os amaldiçoados ao poder na Terra. Regras estabelecidas por Drácula em pessoa, religiosamente reproduzidas por seus seguidores. Estados Unidos, vinte e cinco anos atrás. Baltazar Dracul assaltara diversos bancos de sangue para conseguir material suficiente ao plano. Já banhava seus seguidores em rubro quando Adams os surpreendera, encerrando-lhes as intenções ao erradicar suas sobrevidas e decapitar o líder.

Agora Drácula cumpria os próprios presságios. E, sendo o maior dos vampiros, nada mais condizente que trabalhar com a maior quantidade de sangue ritualístico já conseguida. Arrancada de refugiados.

Zonzo, tomado de horror e fúria num mal-estar quase tão intenso quanto o sentido na igreja profanada em Londres, Ernest não ouviu o engatilhar da submetralhadora na plataforma acima de si, só notando a ameaça quando a mira laser da arma pairou sobre seu peito.

As mãos instintivamente se moveram, uma em direção à Desert Eagle no coldre à cintura e a outra à Katana às costas. Não pretendia mais fazer distinção alguma entre humanos e vampiros naquele antro, enviando todos para o encontro eterno à danação. Outros feixes vermelhos, todavia, uniram-se ao primeiro – soldados nos trajes da ShashkaCorp surgindo por todas as passarelas da sala, o meio-vampiro tornado alvo comum de suas armas.

Os punhos recuaram. Adams girou ao redor, compreendendo a natureza da armadilha. Tudo ficou ainda mais claro quando, dos fundos do galpão, passos de coturnos ecoaram pelo piso cristalino.

Deixando de ser mero vulto ao permitir-se banhar pela claridade do ambiente, Mara Petrenko aproximou-se de Ernest demoradamente, o rifle erguido por ambos os braços e apontado à sua cabeça enquanto mantinha um semi-sorriso irônico congelado nos lábios.

Deteve-se a poucos metros de distância, sem descuidar da mira.

– Descansar!

Ao seu comando, todos os outros combatentes abaixaram os canos.

Um dos olhos castanhos da vampira estava mais exposto que o outro atrás da luneta, crivando-o de superioridade mais que qualquer bala a ser disparada. O silêncio entre ambos durou quase um minuto, Adams mantendo-se inerte, rosto contraído numa expressão desafiadora, antes de afirmar:

– Sempre soube. A questão era quando. Logo que encontrei seus parceiros mercenários perambulando pela base, confirmar sua fidelidade ao grupo tornou-se questão de tempo.

– Tempo, tempo... – Mara soltou um risinho. – Não faz bom uso dele, meninão. Talvez esse seja exatamente seu problema: muito pensamento e pouca ação. Jamais deixou de ser o garoto que assistia aos filmes pornôs escondido. Entenda: assistir não é fazer. Ontem à noite, bem... estaria mentindo se não dissesse que esperava mais.

Um combatente retardatário só naquele momento destravou seu fuzil, num clique que atraiu novamente a atenção de Adams ao alto de uma plataforma. Os soldados permaneciam com as armas abaixadas, mas a tensão era nítida em seus braços e rostos. Ao mínimo sinal de Mara, atirariam de uma só vez. Felizmente, a vampira parecia disposta a estender bastante a conversa:

– Então suspeitava de qual lado eu estava... Presumiu também minha posição de comando? Tenente-coronel Petrenko, que a patente fique registrada em seu cérebro pelo pouco tempo que lhe resta. Ah, homens... Sempre subestimando as mulheres!

– Nunca a subestimei... – Ernest murmurou entredentes. – Podemos resolver tudo aqui, de mãos limpas. Sem arrependimentos.

Ela o fitou por um longo instante. Adams sentiu hesitação no brilho de seu olhar. Julgou que os dedos até cederiam sob o rifle.

– Terei de recusar o convite, meninão – replicou por fim, recuperando a firmeza. – Há um plano maior. E mantê-lo vivo, por mais que seja patético, faz parte dele. É bom que não tente gracinhas. Se meus homens não o alvejarem primeiro, posso atravessar seu coração com um tiro desta belezinha mesmo a dois metros de distância.

Um novo conjunto de passos se uniu aos presentes, vindo da mesma direção da qual Mara surgira. Seu mero eco parecia mais insidioso e perverso do que quaisquer outros até ali.

– Ninguém vai atirar em ninguém, por favor – a voz era altiva, terrivelmente reconhecível. – Há risco de acertarem os tanques. Não é porque estamos vivendo uma época de abundância que desperdiçaremos comida, concordam?

Baltazar Dracul revelou-se pisando largo até eles, os olhos vidrados em Adams numa insinuação de frenesi enquanto sua careca lampejava sob as lâmpadas e arrastava a comprida capa negra pelo chão.

Detendo-se ao lado de Petrenko, envolveu-a pela nuca e puxou sua face para si, os dois trocando beijo demorado e ardente. O corpo da vampira relaxou, deixando de apontar o rifle a Ernest por diversos segundos. Sabia, entretanto, não ser hora de reagir. Além de acabar retalhado por centenas de projéteis se cometesse uma ousadia, o caçador se via disposto a ouvi-los falar – por mais odioso que aquilo fosse.

– Então está colaborando com tudo isso? – Adams dirigiu-se a Mara, apontando com o queixo para as câmaras. – Ora, que pergunta... Você e seus mercenários colocaram essas pessoas aqui pessoalmente!

– Não são pessoas, meninão, e sim escória – ela respondeu firme, o tom transbordando rancor. – Muçulmanos. Crianças julgadas indefesas somente para crescerem e se tornarem os mesmos fanáticos que produziram a sociedade que as fez emigrarem. Lixo como aqueles que mataram meu filho. Eles precisam ser controlados. Detidos. Impedidos de tocar e corromper a verdadeira civilização atravessando nossas fronteiras.

– Se os considera tão sujos, não deveria estar bebendo seu sangue...

– Sangue é sangue – Dracul interveio. – Os mortais variam em graus de imundície, mas têm em comum a primordial função de nos alimentar. O Mestre, com a nossa ajuda, só está elevando isso ao próximo nível. E quem diria que, depois de tantos projetos, idas e vindas, acabaria voltando para junto daquela que me transformou.

Baltazar e Mara trocaram um olhar cúmplice, abrindo sorrisos e unindo-se em novo beijo logo depois.

Uma vampira convertida durante a Segunda Guerra Mundial. Outro que, pelos atos e desprezo recebido da nobreza imortal, só poderia ter aparecido na segunda metade do século XX. Nem por mera sugestão o encaixe de datas teria antes feito sentido em sua mente. A criadora do mal que, recém-introduzido ao submundo, Adams tanto se esforçara em extirpar. Os assassinatos cometidos por Baltazar arrancando os corações de suas vítimas. As casas noturnas escravizando mulheres, tornando-as dependentes de sangue. Um turbilhão de eventos zuniu na memória de Ernest, aterrorizando-o ao revelar que, abaixo das profundezas de crueldade já vastamente conhecidas, existia andar por completo inexplorado.

Teve vontade de ajoelhar-se e vomitar.

Conteve-se. O peso do corpo se alternou de uma perna a outra, procurando recuperar o foco da visão embaçada e perdida entre os tanques contendo as pessoas drenadas. O casal de vampiros já havia se soltado. Mandar tudo ao inferno e morrer tentando cortar a cabeça de Baltazar de um jeito que não pudesse recosturá-la tornou-se impulso mais difícil de extinguir que a tontura.

Não, tinha de escutar mais.

– O que viu nesse cara? – tornou a inquirir Petrenko. – Usou-o de substituto ao seu filho antes de criar coragem para se reaproximar dele?

Dracul urrou, mas muito mais de satisfação, a adrenalina do combate, do que raiva. Praticamente fundindo-se ao próprio ar, converteu-se em borrão; ao rematerializar-se, estava sobre Adams, atacando com um soco.

O punho atingiu-lhe em cheio o peito, na região antes ferida pela faca.

A dor propagou-se dentro de Ernest como as chamas de uma explosão. Grunhiu, contraindo o cenho. Realizou incrível esforço para continuar de pé. As palavras do vampiro o cobriam de saliva:

– Acho que está na hora de você devolver as minhas roupas, roubadas do meu apartamento em Londres! Oh, sinto uma ponta de vergonha em nosso caçador, por ter se vestido com os pertences de seu pior inimigo?

Baltazar completou dando-lhe um pontapé no estômago, dano agravado pelos espasmos que ainda partiam do tórax. Adams dobrou-se. Cuspiu sangue aos pés do algoz. A mão direita envolveu o cabo da Katana na bainha...

Apenas para o punhal surgir nos dedos do oponente, a lâmina estendida agora a poucos centímetros de sua garganta.

O meio-vampiro congelou. Suor descia-lhe da testa. O olhar migrou até Mara, assistindo à luta com o semblante tomado de satisfação. Depois pousou sobre as implacáveis íris de Dracul, dominadas por brilho vermelho.

– Sei que mal pode reter sua curiosidade... – este insinuou num sussurro. – De onde veio esta faca, afinal? Por que ela consegue cortá-lo feito manteiga, e os furos não se fecham milagrosamente como todo o resto nesse seu organismo sagrado?

O metal já estava encostado à pele do agente.

– Bem, levei um tempo para conseguir um brinquedo tão formidável quanto essa sua espada! – o vampiro emendou. – Acho justo guardar o segredo por mais algum tempo, não?

O punhal subitamente deslizou na horizontal, afastando-se de seu pescoço, porém girando mais rápido que poderia acompanhar e abrindo feito um raio a superfície de sua bochecha, sangue começando a escorrer pela fenda conforme a terrível sensação de ardência se espalhava por todo o rosto, próxima de paralisá-lo.

Cobrindo o ferimento com uma mão, um olho fechado sob os óculos devido aos tremores que se espalhavam por sua cabeça como veneno, Adams uniu resolução para confrontá-los:

– Seu "Mestre" é tão ridículo que nem se presta a sujar as mãos resolvendo problemas...

– Numa coisa não o enganei, meninão: esta base realmente é controlada por Craciun – Petrenko esclareceu. – Porém não está aqui, e isso é parte do plano dele. Longe de o criticarmos. Na ausência do Mestre, acabamos tendo espaço para fazer avançar nosso próprio plano.

A mente de Ernest latejava. Descobrira, todavia, uma fissura; e cabia explorá-la conforme conseguisse:

– É estranho ouvir isso de quem serve de peão orquestrando atentados para atribui-los a fundamentalistas...

– Venho estudando-o desde que me recuperei de nossa batalha na América, "Templário" – Baltazar zombou. – Como deve saber, sempre fui um leitor ávido. A espada samurai que brilhou tão intensa antes de me decapitar. Sua ancestralidade. Como ela o protegeu do vampirismo. Mistérios envolvendo reencarnação. Mara se dispôs a coletar informações, ficar íntima até que desembuchasse... Tão previsível!

Dracul fez uma pausa, caminhando ao redor de Adams, antes de prosseguir:

– Temos nosso compromisso com o Mestre. Porém acreditamos estarmos perto de algo que ele muito quer, e até hoje procurou no lugar errado. Além de estar em Londres com a ordem de explodir aquela igreja e jogar a culpa nos kebabs, fui recuperar um corpo. Ah, amores do passado, você deve ter aprendido a valorizar isso! O Mestre usou o alquimista russo que Mara raptou para reanimar o cadáver. Como já pensávamos, sem sucesso.

– Ciclo de reencarnação – Petrenko acrescentou. – Não é possível devolver uma alma ao seu corpo morto se ela já houver reencarnado.

– E como bem compreendeu após anos e anos desbravando o submundo, caro Ernest... – Baltazar desta vez soou cúmplice ao próprio Adams, algo em si horripilante. – Não são muitas as almas dotadas do privilégio, ou maldição, de reencarnar.

Mesmo tão atordoado e dolorido, o meio-vampiro acompanhava perfeitamente o raciocínio do adversário, temendo como poucas vezes em vida onde pretendia chegar.

– Se tivermos a portadora atual da alma tão estimada pelo Mestre, teremos o Mestre – Dracul concluiu. – Achou mesmo que eu me reduziria a um lacaio? Tanto tempo tentando realizar por mim mesmo a profecia, para agora ceder aos caprichos de um ancião? É frustrante pensar como bens valiosos nos escapam pelos vãos dos dedos ao longo da existência, mas você nos ajudará a compensarmos. Sei que conhece o paradeiro dela. Se tivermos sorte, acabará atraindo-a até nós. E, pelos mil infernos, como estou ansioso em revê-la...

Ernest estremeceu, as pontadas no peito e à face impedindo-o de reagir como deveria. Considerando-o inofensivo, Baltazar meramente se afastou, reunindo-se a Mara enquanto lhe fazia um gesto. Condescendente, a vampira removeu o pente de munição de seu rifle. Entregou-o à cria. Dracul desencaixou o projétil à ponta do cartucho. Um dos dardos do composto alquímico preparado por Ivanov.

– É triste saber que não poderemos matá-lo... ainda! – o vampiro declarou. – Mas não há nada impedindo que o torturemos. Isso o amolecerá para que diga onde ela está. Quem sabe até não gere uma visão que apresse as coisas, por serem ligados um ao outro como são. Meu punhal está louco para esfolá-lo vivo. No entanto, antes disso... – e, com toda força, cravou a ponta do dardo no centro de seu tórax. – Deixemos que sua mente enfraqueça!

Os pulmões de Adams ficaram completamente sem ar. A visão turvou-se em definitivo, tudo tornado opaco e uma crescente sombra impedindo que suas pupilas captassem ou amplificassem a luz.

– Durma com a Nocnitsa! – foi a última coisa que ouviu Baltazar dizer.

O cérebro perdeu controle sobre os membros. Os braços e pernas tornaram-se fluídos feito líquido, tombando sob o resto do corpo ao mesmo tempo em que os pensamentos se tornavam uma mistura indefinível. Ernest veio ao chão, mas este se abriu para tragá-lo, as lajotas do piso criando mãos de compridas garras para dilacerarem sua carne e, ao terminar, retalhando-lhe a consciência.

No momento em que as unhas envolveram seu crânio, dando um grito sufocado antes de poder se propagar pelas cordas vocais, Adams mergulhou num mundo de trevas e suplício.



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