História Draculea: A Ascensão dos Vampiros - Capítulo 41


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Autoritarismo, Drácula, Europa, Imigração, Isla, Terrorismo, Vampiro, Vampiros
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Palavras 3.343
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Hentai, Luta, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 41 - Capítulo XL: Exército de um novo tipo


Capítulo XL

"Exército de um novo tipo"

McCooey contou as estacas presas à cintura pela quinta vez, os cabelos loiros espetados fazendo-o parecer um ouriço à luz e a silhueta de uma árvore espinhosa à sombra. A espingarda repousava balançando sobre os joelhos, e mais um pouco decerto a desarmaria para verificar se os balaços no interior dos cartuchos eram mesmo de prata.

– Nervoso? – a jovem sentada diante dele no helicóptero levantou uma sobrancelha, tom altivo.

Ele negou com a cabeça, embora qualquer um naquela aeronave falhasse em reproduzir a mesma calma que a tenente Iris Kimemia, até o mais experiente deles. Fato era: McCooey estava na Liga há mais tempo que ela. Era herdeiro dos Troubles, crescendo entre gangues nacionalistas ou separatistas em Belfast, até que vampiros surgiram na jogada. Fora salvo de um ataque num pub por dois caçadores. Desde então, eliminar sugadores de sangue se tornara quase um esporte.

Mas, considerando o que Iris passara, vivera em três anos o que McCooey não teria enfrentado em trinta.

As histórias circulavam tímidas pelos corredores da sede em Londres, até por que Kimemia não era lá uma pessoa muito aberta. Filha de imigrantes quenianos, vivia com a família nos subúrbios da capital, habitando um daqueles complexos de apartamentos que um dia teriam intimidado Mac se meramente passasse pela entrada – sim, ele já fora esse tipo de sujeito. Falta de dinheiro, empregos que pagavam mal. Xenofobia. Fora a época do Brexit, e os anos seguintes não se mostraram nada fáceis a eles.

Principalmente depois que Iris testemunhou uma chacina orquestrada por vampiros, passando a ser perseguida por eles.

Os pais foram assassinados em emboscadas tentando intimidá-la. Quando procurou a polícia, ninguém a levou a sério. Felizmente, a Liga tinha contatos por toda parte, e as chacotas nas delegacias sobre a "garota que via demônios" chegaram aos ouvidos certos. Recrutaram-na. Tornaram-na uma caçadora, e ela eliminou um a um os malditos que a ameaçavam. Sem antes, claro, fazerem uma última vítima: seu irmão mais novo. Transformado em vampiro, sugou o sangue de metade do condomínio num surto só interrompido quando a própria Iris enterrou uma estaca em seu coração.

Desde então, todos ao seu redor descobriram não ser sábio irritá-la. Muito menos duvidar de sua capacidade ao lidar com amaldiçoados. Parcamente iluminada pelos lampejos atravessando vez ou outra o helicóptero, seus cabelos crespos, pele negra e mãos terminando de carregar um par de pistolas calibre 40 compunham figura de beleza ímpar, mas mundo íntimo difícil de adentrar. Talvez McCooey um dia conseguisse, se viesse a ser o homem mais sortudo do universo. E, ao contrário da crença comum, os trevos de três folhas de sua terra não contribuiriam para isso.

A noroeste, as luzes da base surgiram após uma colina.

O grupo de sete aeronaves AW159 Wildcats da Real Marinha diminuiu a altitude, surgindo na escuridão da madrugada como corujas metálicas ansiando por um banquete de roedores. A noite vinha sendo uma loucura, desde a convocação apressada na central, o jato até o porta-aviões HMS Queen Elizabeth, parte da frota do Mediterrâneo, até a rápida instrução dada por Jack Cromwell em pessoa no navio, o mesmo participando da operação com a equipe e viajando num dos outros helicópteros. Algo grande, com o mínimo possível de nomes citados. A ironia: usar recursos supostamente subordinados à Aliança numa missão contra a própria Aliança – o resto da Europa ignorando que, quando requisitado pela Liga, qualquer equipamento terrestre, marítimo ou aéreo das forças britânicas estava à sua disposição. Por palavra do próprio rei.

Uma ode à Liga Cromwell, que livrou a Grã-Bretanha dos vampiros! "Urra!", Mac repetiria se ainda fosse um recruta recém-admitido. No momento, só temia como trinta e cinco deles dariam conta de todo um exército misto de humanos e sanguessugas. "Vocês são batalhões de um homem só", Jack vivia se gabando. Bem, aquela seria a prova. E já se preparava para segurar-se ao assento quando os fogos de artifício começassem.

A metralhadora instalada na lateral do transporte fez as honras, logo que o operador abriu fogo contra os inimigos em terra. O trovejar da arma riscou um clarão na noite. Disparos de revide passaram a estalar na lataria do helicóptero por toda parte, tal qual chovesse chumbo. Quando já preparava um rasante sobre as instalações, um sopro flamejante indicou um míssil lançado contra os alvos, uma torre de guarda explodindo em chamas logo depois, tornando-se portão de entrada ao campo de batalha em que pousariam.

– Senhoras e senhores, inserção em dez! – o piloto informou erguendo uma mão. – Temos uma área quente, aqui. Eu diria fervendo.

Todos se arquearam, armas no colo. As mãos puxaram às cabeças os capacetes dotados de visor de calor, que também funcionava como visão noturna. Tão logo ativados, o interior da aeronave tornou-se um mundo azulado – e os borrões vermelho-esverdeados de sangue quente representando cada ser humano indicavam não terem espiões no esquadrão. Se um vampiro infiltrado na Liga só acabasse revelado daquela maneira, McCooey decerto explodiria o próprio helicóptero em desgosto. Ainda não era o dia.

A aeronave aproximou-se do chão, o tiroteio se intensificando. Incêndios se multiplicavam, os demais Wildcats abrindo rombos no perímetro de defesa com seus foguetes. Pela abertura da metralhadora, o norte-irlandês viu o colega derrubar toda uma fileira de indivíduos em tom anil quando atirou com a arma em leque. Era munição convencional: logo se levantariam. Deixa que faltava para partirem.

Mac engatilhou a escopeta. O vento das hélices fustigou-o ao colocar metade do corpo para fora do helicóptero, acompanhando a equipe pela saída oposta à metralhadora. Quando ia saltar, sentiu uma mão em seu ombro esquerdo. Era a tenente.

– Não vá errar os tiros. Prata é cara!

Ele acenou incomodado. Não se surpreenderia caso Kimemia derretesse os vampiros apenas com o olhar.

Pulou, os coturnos aterrissando num dos pátios da base.

A caçada começara.

X – X – X

Adams e Rosemary chegaram correndo à porta fechada levando ao bloco de celas. Não a abriram, ao invés disso encostando-se cada um a uma lateral. A percepção vampírica de ambos ouvira passos acelerando do outro lado. Apesar do corpo estropiado, Ernest conseguia acompanhar razoavelmente a aliada.

– Como você ficou tão boa nisto? – ele se atentava às palavras. – Quero dizer... Só pode ter recebido treinamento!

A porta foi chutada pelo outro lado, dois soldados avançando apressados através da abertura. Sua visão periférica agiu tarde demais. Quando se detiveram notando o perigo à espreita, o primeiro teve o tórax trespassado pela Katana de Ernest, a lâmina entrando pelas costas e brotando por entre as vértebras num gêiser de sangue. O segundo foi agarrado num mata-leão por Rose, tentando inutilmente vencer sua força sobrenatural até ter o pescoço torcido e quebrado.

Ela se virou a Adams.

– Julius Ashford não mantém apenas um refúgio para vampiros. É um culto milenarista.

O meio-vampiro alternou-se entre espiar através da entrada e fitá-la sem entender. Nenhum sinal de mais guardas, então tinham algum tempo. Rosemary continuou:

– Quando o encontrou e perguntou por mim, não notou que ele já sabia de sua chegada? A maioria dos vampiros naquele lugar é de videntes. Tal como eu. Julius os reúne há séculos, procurando obter previsões perfeitas do futuro do mundo. Uma contramedida às profecias de Drácula, para que possa haver uma resistência organizada quando elas estiverem prestes a se cumprir. Claro, nada poderíamos fazer de mãos vazias. Julius nos treinou. Ofereceu armas e equipamento.

Ernest suspirou. Então devia haver estandes de tiro e depósitos de munição escondidos por toda a propriedade na Virgínia, algo que realmente traria problemas com o FBI. Mas ele não era um agente comum, e tinha de reconhecer que o disfarce fora inteligente. Vampiros vindo à América no Mayflower, em pleno século XVII, enquanto a Inglaterra era dominada pelos Stuarts, secretamente um séquito de sugadores. A divergência era muito óbvia para não ter percebido. Imortais dissidentes migrando junto com os puritanos, dando origem a uma milícia antiextremista. Uma história secreta se desenvolvendo entrelaçada ao próprio passado dos EUA. Aquilo seria fascinante de conhecer melhor, ainda que impossível àquele momento.

– E quem te treinou? – Adams já girava para passar pela porta. – Veteranos do Afeganistão?

Ela prosseguiu atrás dele, os dois logo ficando lado a lado.

– Acreditaria se dissesse que um capitão da Batalha de Yorktown, durante a Guerra de Independência, ensinou-me a atirar granadas?

Percorreram novo corredor. As lâmpadas de alerta e o sangue sobre as roupas já eram tantos que julgavam suas próprias visões se tornando vermelhas. Pararam. Num tranco dado pelo lado oposto, a porta ao final foi empurrada na direção deles.

Rose já tinha uma pistola 9mm pronta em seu punho quando o mercenário surgiu e foi mortalmente alvejado com três tiros, subindo-lhe do peito à cabeça. O corpo, escorado a uma parede, nem havia terminado de cair quando a dupla o empurrou, chegando à carceragem.

– Como me encontrou? – a dúvida repentinamente assolou o agente.

A parceira não respondeu, somente caminhando pelo bloco como se não o tivesse ouvido. A mente do caçador rodopiou, a urgência do momento e a imensa quantidade de informações dificultando que as assimilasse completamente – tampouco percebendo, ainda que possuísse certa suspeita, como a presença de Rosemary ali fazia pouco ou nenhum sentido.

Ivanov recebeu-os com uma expressão bastante assustada, encolhendo-se dentro da cela.

– Ela é vampira, mas nossa aliada – Ernest apontou a Rose, detendo-se diante das grades. – A base está sofrendo um ataque. Vamos aproveitar e dar o fora daqui!

Enquanto Adams pensava em disparar contra a tranca eletrônica do cárcere, ou no mínimo tentar rompê-la ao meio com a espada, Rosemary adiantou-se e, apanhando do cinto um cartão magnético contendo um brasão militar, inseriu-o no leitor da porta, destrancando-a num estalo.

A vampira adentrou a cela primeiro, levando Sasha a recuar.

– Já falei, ela está nos ajudando! – o meio-vampiro insistiu.

O alquimista estacou, olhando-os bastante incerto. Braços e pernas tremiam. Os lábios murmuraram estranhamente antes de formarem palavras:

– Natalya. Minha pequena Natasha. Não irei a lugar algum sem ela. Temos de encontrá-la!

X – X – X

Os dois últimos defensores em torno do alojamento, humanos, tombaram com rajadas de munição comum, McCooey e Kimemia deixando o abrigo atrás de uma mureta junto ao restante do grupo de seu helicóptero, a alvenaria agora cravada de balas. O norte-irlandês olhou para os cadáveres dos soldados romenos. A Liga não se defrontava com mortais todos os dias, mas eles estavam lutando junto a vampiros. Por mais que não se revelassem servos psíquicos, a ordem de Jack fora clara: limpar a base de quaisquer forças hostis.

O rapaz a seguir vistoriou as redondezas. Focos vermelhos se moviam mais distantes uns de encontro aos outros, indicando a luta entre invasores e guardas. Sinais maiores de calor provinham dos incêndios se espalhando. À frente deles, o pequeno prédio era um todo azul opaco e perigoso.

Iris posicionou-se junto à porta. Patterson acompanhou-a, tomando o lado oposto. Mac viu-se mais atrás com Moss e o novato. Qual era mesmo o nome dele? Eddington? Mostrara-se um atirador bem decente até o momento, embora quisesse agradar o tempo todo. Não era lá postura muito prudente quando se lidava com monstros mortos-vivos. De todo modo, o trio preparou-se diante da entrada.

Kimemia inseriu num painel o cartão de acesso obtido de um dos inimigos derrubados. Tão logo a porta se abriu, Patterson atirou para dentro uma granada. Todos haviam colocado máscaras de gás que cobriam a parte inferior do rosto, as quais, em conjunto com os visores, faziam-nos mais ainda parecer um exército saído de um filme de ficção científica. Apenas o recruta se esquecera de acoplar o equipamento, o que conseguiu fazer a tempo. Não evitou um voltar apreensivo de Iris em sua direção. Sorte ele não ter conseguido encarar os olhos dela.

O artefato rolou para dentro do alojamento, o esguicho de gás logo preenchendo o interior com a névoa amarelada do vapor de alho. Kimemia moveu o braço, dando a ordem para prosseguirem.

Nos visores, o composto despressurizava-se de dentro da granada em jatos esverdeados, tornando-se espessa cortina da mesma cor capaz de acabar com a camuflagem dos sanguessugas. Mac ergueu a espingarda, mirando-a ao redor através do primeiro ambiente do dormitório. Excluindo os sons de fora, a quietude dominava o local, sua respiração através do filtro da máscara constituindo a trilha sonora.

Esta se transformou em rock pauleira quando uma figura toda azul saltou de trás de um armário, correndo até ele com os caninos expostos. Sem perder o controle, o caçador aguardou que se aproximasse o suficiente para puxar o gatilho da escopeta.

Recebendo os projéteis de prata, a cabeça do vampiro estourou, a boina que antes a cobria lançada longe, miolos e sangue ensopando o traje de McCooey.

– Você está bem? – Patterson virou-se assustado.

Sim, apesar da sujeira – mas uma sequência de grunhidos às costas dos dois indicou que alguém não estava.

Eddington já se encontrava no chão, outro vampiro em cima de si, dominando-o com a força avantajada conforme tentava cravar os dentes em sua garganta. Lutava para se libertar, aos chutes e socos, até o ponto da criatura travar-lhe por completo os braços. Gritou, tendo a morte como certa.

Mac pulou sobre o agressor, retirando-o de cima do novato. O morto-vivo rolou, parando com o peito voltado para cima. Foi a oportunidade para o caçador puxar uma estaca da cintura e afundá-la em seu coração antes de haver chance de contra-ataque.

O norte-irlandês ficou sentado alguns segundos no chão, esbaforido, a troca de ar em sua máscara atropelada. Embaraçado, o próprio Eddington reergueu-se e o ajudou a se levantar.

– Desculpe...

– Mais atenção, recruta! – McCooey repreendeu-o. – Na próxima posso não estar por perto para evitar que vire pacotinho de Kool-Aid!

Kimemia já se encontrava mais à frente, adentrando um corredor praticamente ignorando-os. As entradas dos dormitórios se enfileiravam de ambos os lados. Os outros quatro integrantes aceleraram para acompanhá-la, refletindo sobre a árdua tarefa de inspecionar cômodo por cômodo. Ou talvez os vampiros simplesmente viessem até eles. A julgar pelo susto há pouco, era mais provável.

– Eles estão entocados aqui... – Moss comentou em voz baixa, ressaltando o sotaque galês. – A questão é: por quê?

OK, um destacamento da Liga era sem dúvida uma força a ser considerada, e até o momento aparentavam dar conta de dominar a base, mesmo sendo minoria. Os vampiros, porém, podiam contar com os humanos que os apoiavam e organizar formidável resistência. Não era simples explicar a razão de vários sugadores terem recuado para dentro dos alojamentos. Ou ao menos para aquele.

A porta de um dos quartos estourou, uma silhueta azulada já anunciada do outro lado. Tendo atrás de si beliches em desordem com colchões virados, lençóis e travesseiros espalhados pelo piso, um sanguessuga fardado desatou a correr na direção do grupo. Iris foi a primeira visada, conseguindo pegar seu spray de água benta pendurado ao colete e pressioná-lo com vontade contra o inimigo. Cobrindo o rosto atingido com as mãos, cambaleou de costas a uma parede, descuido suficiente para ter o tórax atravessado por uma estaca da caçadora.

Patterson tomou a liderança e entrou no dormitório.

– Vocês deviam ver isto... – seu tom não era dos melhores.

Pelo menos dez corpos de humanos jaziam pelo lugar. Alguns semienrolados à roupa de cama, outros completamente expostos, todos em vestes de dormir, indicavam terem sido mortos durante o sono. A quantidade de sangue cobrindo o chão era tão grande que por pouco não compunha um tipo repulsivo e pegajoso de carpete. Escorrera das artérias e veias destroçadas nos pescoços das vítimas, muitas tendo também buracos espalhados por outras partes de seus cadáveres, num padrão similar ao ataque de um animal selvagem.

– Nosso amigo ali fez toda essa bagunça? – Moss inquiriu, indicando o vampiro recém-derrubado pela tenente.

– Quem sabe? – Mac fungou. – Imagine alguém tendo como companheiro de armas um sanduíche. É questão de tempo até querer devorá-lo.

– Não, os guardas vampiros parecem melhor treinados e contidos – Iris ponderou. – Ainda não encontramos a coisa que dilacerou estes homens. Mas seja o que for, permanece neste alojamento.

Ouviram passos no corredor.

Eddington saiu primeiro, apontando sua espingarda de estacas e bradando alto o bastante para meia base ouvir:

– Vocês, parados aí!

McCooey não conteve um sorriso por baixo da máscara. O novato era divertido demais para seu próprio bem.

Por sorte, ou habilidade, Kimemia e Patterson foram ainda mais rápidos. Os dois vultos esguios se esvaíam pelo final do corredor. Driblando o recruta estático no meio do caminho, que pouco podia fazer com uma arma de curto alcance, levaram as mãos às cinturas. Os rosários de contas de metal pareciam cordas presas às suas coxas, cada um contendo três pontas com cruzes em sua extensão, que serviam como contrapesos. Desenrolaram os cordões, começando a girá-los.

Poucos membros da Liga mostravam-se exímios no laço, os terços compondo peso difícil de sustentar, e ainda mais arremessar, por braços destreinados. Felizmente, a dupla de caçadores estava entre os melhores. Lançaram os rosários quase simultaneamente, rodopiando no ar até os alvos. Envolveram de modo perfeito as pernas dos fugitivos, os crucifixos enganchando-se às calças e, em diversas voltas, emaranhando as contas o bastante para tropeçarem e caírem – bem diante da porta que pretendiam atravessar.

Moss e McCooey cuidaram da abordagem. Eram sanguessugas pertencentes à ShashkaCorp, a tal firma militar privada. Suas armas de fogo também tinham caído. Debatiam-se, balançando as pernas imobilizadas feito sereias fora d'água, até serem virados para cima aos chutes e terem canos encostados aos seus queixos.

– E então, o que estão escondendo aqui? – o norte-irlandês esbravejou.

– Protegê-la! – um deles replicou. – A comandante mandou protegê-la!

Kimemia ergueu um olhar receoso à porta fechada, mãos na cintura. Aproximou-se e testou a maçaneta. Trancada.

Não se importando com a postura assustada de Eddington, decerto chocado com o que considerava ser brutalidade, Moss esmurrou o vampiro aos seus pés até uma pequena chave escapar dos compartimentos de seu colete.

A tenente abaixou-se para apanhá-la, depois fez um sinal com a cabeça.

Os crânios dos dois mortos-vivos foram pulverizados com disparos das escopetas.

– Bem... – Iris suspirou, destrancando a fechadura enquanto o novato, relutante, reunia-se a eles. – Vamos averiguar.

X – X – X

A tropa se dividiu em duas filas para que caminhasse entre elas. O comprido corredor, mais parecido com um túnel marcado por arcos de concreto ao longo de sua extensão, terminava numa porta dupla ao lado de um painel com botões. Tratava-se do elevador conduzindo à superfície.

Parando diante dele, o homem de terno voltou-se para trás. Tinha todos os olhares dos soldados sobre si, sem sequer piscarem. Apesar do imprevisto da invasão, sentia-se sereno e confortável. Não havia nada como poder controlar aquelas mentes sem nem empregar seus poderes.

Mas, considerando a situação extrema, um incentivo a mais se mostrava fundamental.

Acionou o interruptor para chamar o transporte. Teria um minuto ou dois. Esperava que seus dons teatrais permanecessem os mesmos diante de seu cansaço.

Retraiu uma das mangas do paletó. Erguendo o braço, deixou-o bem visível a todos os combatentes. Com o indicador da outra mão, raspou a unha contra a pele, pouco abaixo do pulso. Sangue correu imediatamente, pingando sobre a roupa até o solo. Pôde jurar que os guardas mais próximos chegaram a acompanhar o fluir de cada gota.

– Este é meu sangue, fonte de vida eterna! – Drácula exclamou. – Quem dele beber jamais terá de se preocupar com dores, doenças, envelhecimento. Poderá conquistar a morte.

Os comandados seguiam atentos. Conseguia captar sua ganância, seus mais torpes anseios, todos centralizados no líquido que caía.

– Estou disposto a reparti-lo com vocês – continuou. – Esta mesma noite, tornar-se-ão imortais. Meus filhos. Peço apenas uma coisa em troca. Dentro de instantes, meus inimigos atravessarão aquela porta – apontou ao lado contrário da passagem. – Não deixem que prossigam, sequer cheguem perto do elevador. Se esse mal for eliminado aqui, no subsolo, garanto que serão recompensados de forma inigualável.

O elevador chegou emitindo uma campainha, suas portas se abrindo atrás do vampiro. Entrou. Sem precisar emitir mais ordens, os soldados se viraram para o fundo do corredor, os rifles, metralhadoras, espingardas e pistolas mais que preparados.

Drácula acenou satisfeito.

As portas se fecharam e sua subida começou.



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