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História DRAGÕES: O príncipe e a caçadora - Capítulo 9


Escrita por:


Notas do Autor


*Boa noite amores e amoras, demorei, mas apareci.
**Pessoinhas, estou muito feliz com vocês, já estamos com 100 favoritos em menos de 10 capítulos, vocês arrasam, muito obrigada!

***Desculpem os erros (vou revisar só amanhã ) e boa leitura!

Capítulo 9 - Despedidas


Soluço acordou feliz naquela manhã, não se importou em acordar antes de o sol nascer, ou com o trabalho pesado na forja, não se importou com os olhares reprovadores que recebia durante o dia, ou com os comentários maldosos que escutava sobre si, nem a mágoa que sentia de seu pai pelo comentário na noite anterior o importava.

Só havia uma coisa naquele momento que importava para Soluço, o motivo de ele ter ido dormir e ter acordado com um sorriso no rosto, o motivo de ele ter passado o dia todo cantarolando feliz, o motivo de o fazer sonhar acordado e sentir que alguém realmente se importava com ele, o motivo que fazia seu coração acelerar e um sorriso bobo surgir em seu rosto toda vez que a via.

- Astrid – ele suspirou ao ver a garota entrando na ferraria.

- Oi Soluço – ela abaixou o olhar envergonhada.

Depois do beijo dos dois, eles voltaram para casa e não conversaram sobre o assunto, ambos estavam envergonhados demais para isso.

- Astrid, o que te traz a minha humilde ferraria? Estava com saudade de mim? – Bocão foi para abraçá-la, mas ela se desvencilhou dele, não queria ganhar um abraço sufocante de alguém sujo e suado.

- Na verdade eu vim buscar o Soluço – ela falou encarando o chão.

- Eu? – Soluço abriu um sorriso involuntário.

- Sim, o chefe pediu para buscar você.

- Meu pai – Soluço franziu o cenho confuso – para quê?

- Não sei, mas ele parecia sério.

- E quando ele não está? – Soluço bufou e se virou para Bocão – Eu posso ir?

- Deve, se o chefe mandou a gente obedece, e acho até bom, você está insuportável hoje com essa felicidade toda – Bocão deu um tapa nas costas do garoto que o fez quase cair no chão.

- Felicidade? – a loira perguntou curiosa.

- Sim, esse garoto passou o dia todo sorrindo e cantarolando, deve ter acontecido alguma coisa muito boa ontem à noite.

Astrid olhou para Soluço que estava com o rosto vermelho e olhava para o chão.

- Mas ele não quis me falar o motivo, você sabe o que aconteceu? – o loiro começou a arrumar um dente de metal em sua boca com o gancho.

- N-não, n-não f-faço a menor ideia – Astrid tentou não ficar nervosa.

- É melhor irmos, não é bom deixar o grande Stoico esperando – Soluço retirou seu avental e o pendurou em um gancho que ficava na parede – tchau Bocão.

- Tchau, e vê se amanhã fica um pouco mais triste, essa sua felicidade é irritante – o loiro empurrou os garotos literalmente para fora da ferraria enquanto resmungava mais algumas palavras que Soluço e Astrid não fizeram questão de entender.

- Então você está feliz? – Astrid perguntou após caminharem alguns metros.

- Sim – ele abriu um sorriso tímido.

- Eu posso saber o motivo? – Astrid imaginava qual era a resposta, mas queria ouvir da boca de Soluço.

- Você não sabe? – Soluço parou de andar, e segurou o braço de Astrid a obrigando a parar também, ele encarou os olhos azuis turquesa e se aproximou dela.

Astrid balançou a cabeça negativamente enquanto retribuía o olhar dele.

- Você é o motivo – Soluço colocou uma mão no rosto dela e a outra em sua cintura.

Astrid estranhou o comportamento, afinal eles estavam no meio da rua, qualquer pessoa da ilha poderia ver, mas sentir o toque de Soluço era algo tão bom que ela decidiu ignorar esse detalhe.

Os dois aproximaram seus rostos e instintivamente fecharam seus olhos enquanto entreabriam a boca.

- SAI DA FRENTE – um grito chamou a atenção dos dois fazendo-os se assustarem.

Eles olharam em direção ao grito e viram um iaque correndo na direção deles. Rapidamente Soluço saiu do caminho puxando Astrid consigo. O iaque passou por eles e continuou correndo, os dois se olharam surpresos e abriram a boca para falar algo, foi quando passaram por eles um garoto e uma garota, ambos com tranças loiras no cabelo, eles corriam com tochas acesas nas mãos.

- Gêmeos – os dois falaram em uníssono enquanto balançavam a cabeça em sinal de reprovação.

- É melhor irmos – Soluço abriu um sorriso sem graça e estendeu a mão para Astrid.

Mesmo tímida, a loira segurou a mão dele e ambos foram para casa de mãos dadas, ignorando os olhares e comentários de alguns berkianos que encontravam pelo caminho.

*

*

- Não, você ficou louco? – Valka gritava com o marido – É perigoso.

- Você não me disse que eu devia passar mais tempo com ele, que eu deveria ensinar o ofício da ilha? Então, essa é uma ótima oportunidade – Stoico se jogou em sua cadeira e colocou a mão na cabeça, odiava discutir com Valka.

- Não acho uma boa ideia – Valka o encarou firme, precisava fazer o marido mudar de ideia.

Stoico abriu a boca para contestar, mas desistiu ao ver a porta sendo aberta e Soluço e Astrid entrarem na casa.

- Ainda bem que chegaram, preciso falar com você Soluço – Stoico encarou o filho.

- Oi pai – Soluço disse meio sem graça, ainda não havia conversado com o pai depois do episódio com o barril de hidromel no snoggletog.

- Soluço, como você está? Trabalhou muito hoje? – Valka foi até o filho e o abraçou.

- Estou bem mãe, até que a ferraria estava tranquila – Soluço sorriu para Valka, ela sempre demonstrava carinho de alguma forma.

- Nós vamos viajar – Stoico falou de repente interrompendo o momento de mãe e filho.

- O quê? – Soluço arregalou os olhos – Quem? Para onde? Por quê?

- Eu, você, o Gosmento e o Magnus, vamos para a ilha Esmagadura, precisamos fortalecer nossa aliança com eles.

- Ainda não está decidido que você vai – Valka disse meiga para o filho, mas lançou um olhar severo em direção ao marido.

- Está sim – Stoico disse firme – partimos amanhã ao raiar do sol.

Stoico subiu as escadas e foi para seu quarto, ao ouvir a porta ser batida com força, Valka suspirou, sabia que seria uma discussão em vão, quando Stoico colocava algo na cabeça não tinha quem o tirasse.

- Você não precisa ir se não quiser – Valka se curvou mantendo seu olhar na altura do filho.

- Eu quero, é a primeira vez que meu pai vai me levar para algo assim, eu sempre quis que isso acontecesse – Soluço abriu um sorriso largo, mas o fechou ao perceber a expressão séria de sua mãe – a senhora não quer que eu vá?

- Não é isso, eu só estou com uma sensação ruim.

- Isso é porque eu nunca fiquei longe de Berk, a senhora não está acostumada, mas não vai acontecer nada.

- Você tem razão – Valka forçou um sorriso e deu um beijo no rosto de Soluço – vou colher algumas hortaliças para o jantar, você deve estar com fome.

Valka pegou uma cesta em cima da mesa e saiu pela porta da cozinha que dava para a horta.

- Aonde fica essa ilha? – Astrid se pronunciou pela primeira vez desde que haviam chegado em casa.

- Fica ao norte, alguns dias daqui – Soluço deu de ombros.

- Dias? – ela arregalou um pouco os olhos e logo fez uma expressão triste – Você vai ficar dias longe de Berk.

- Sim, eu nem acredito, meu pai vai me levar em uma viagem política, isso é incrível – Soluço falou empolgado sem perceber a expressão da amiga.

- É sim, eu vou ajudar a tia Valka – Astrid rapidamente se virou e saiu da casa apressada.

Soluço não entendeu o que tinha dado nela, mas estava feliz demais para se preocupar com isso, ele iria viajar com o pai, sempre quis que isso acontecesse. Quando Stoico viajava, Soluço sempre o pedia para levá-lo consigo, mas o pai sempre negava, dizia que ele era muito novo, ou muito fraco, ou que seria uma vergonha para ele apresentar uma espinha de peixe como filho, então sempre quem ia nas viagens com ele era seu tio e seu primo mais velho, que ele odiava com todas as forças.

Mas agora ia ser diferente, ele iria nessa viagem e iria se esforçar ao máximo para não envergonhar o pai, iria fazer com que Stoico sentisse orgulho dele.

*

*

Astrid ajudou Valka no jantar e pela primeira vez em muito tempo os quatro jantaram juntos, mas diferente da maioria dos jantares dos vikings, aquele foi um jantar silencioso. Stoico não falou nada, pois sabia que qualquer palavra que dissesse seria motivo para Valka iniciar uma discussão. Vallka estava irritada demais para conversar. Soluço estava empolgado demais imaginando como seria a viagem e Astrid estava triste.

Depois do jantar, Stoico saiu, disse que precisava acertar alguns detalhes da viagem com Gosmento, Valka foi arrumar a cozinha e Astrid subiu para o seu quarto, minutos depois ela ouviu batidas na porta.

Rapidamente passou os dedos em seu olhos, não estava chorando, mas sabia que seus olhos estavam marejados e não queria correr o risco de ter algum vestígio de lágrimas em seus olhos que poderia ser percebido por Soluço.

Ela se levantou da cama, foi até a porta e a abriu, já sabia quem era, então assim que abriu a porta se virou e voltou a se sentar na cama.

- Aconteceu algum coisa? – Soluço foi até ela e se sentou ao seu lado.

- Não.

- Aconteceu sim, você está calada e estranha.

- Ah você percebeu – ela comentou sarcástica só para si mesmo.

- O quê? – Soluço franziu o cenho.

- Nada, eu só estou cansada – ela suspirou.

- Eu te conheço, você está mentindo – ele segurou a mão dela – Asty, nós somos amigos, nós contamos tudo um para o outro, o que quer que tenha acontecido, você pode me contar.

- Não é nada Soluço.

- Me fala Asty, por acaso é pelo que aconteceu ontem?

- O que aconteceu ontem? – Astrid o olhou pela primeira vez desde que eles haviam começado a conversa.

Soluço fitou o chão, ele passou uma das mãos no pescoço, estava visivelmente nervoso.

- O-o b-beijo?

- Espera, você acha que eu estou assim por causa do beijo? – Astrid perguntou surpresa.

- Você pode me falar se não tiver gostado, ou se

- Não – Astrid o interrompeu – não é por causa do beijo.

- Então é pelo que? Me fala Astrid, você sabe que eu odeio te ver triste.

Astrid olhou para o chão e respirou fundo tomando coragem para contar como se sentia.

- Eu não quero que você viaje – ela disse rápido e com a voz baixa, se Soluço não estivesse tão próximo dela, não teria escutado.

- Por quê?

- Você vai ficar dias, talvez até meses, a gente não sabe quanto tempo vai demorar o assunto que o chefe tem para tratar e se você gostar de lá e não quiser voltar, ou sei lá, o chefe disse que vai fortalecer a aliança e se esse fortalecimento for através de um casamento, isso é muito comum, casarem os herdeiros de duas ilhas para fazerem uma aliança – ela falava rápido e sem parar – mas você está feliz então eu deveria estar feliz, mas eu não estou e eu sei que isso é egoísmo e eu sou uma péssima amiga, mas eu não quero ficar esse tempo todo longe de você.

Astrid escondeu o rosto entre as mãos, estava com muita vergonha, não era acostumada a falar sobre seus sentimentos e não sabia qual seria a reação de Soluço.

Soluço abriu um leve sorriso e segurou as mãos dela retirando de sobre o rosto.

- Eu também não quero ficar longe de você, e se eu pudesse, eu não ficava, mas você sabe que é importante, eu sempre quis isso, eu vou viajar com o meu pai pela primeira vez na vida.

- Eu sei, e é por isso que é egoísmo da minha parte – os olhos dela voltaram a se encherem de lágrimas.

- Não é, no seu lugar eu faria a mesma coisa – Soluço colocou uma mecha de cabelo dela que estava solta da trança atrás da orelha e encarou os olhos azuis que ele era apaixonado – eu não vou demorar, você vai ver, quando menos você perceber eu já vou estar de volta.

- É bom mesmo – ela abriu um leve sorriso – e nem pense em fazer algum acordo de casamento com nenhuma herdeira da ilha.

- Você se esqueceu que temos um contrato de sangue? A única mulher com quem irei me casar será Astrid Hofferson, eu prometo.

- Me desculpa, eu fui uma boba.

- Claro que não – ele passou a mão no rosto dela o acariciando – me promete uma coisa?

- O quê?

- Que sempre vamos falar para o outro como estamos nos sentindo, que não vamos esconder nada um do outro, não vamos ter segredos entre a gente.

- Prometo, mas só se você prometer também.

- Eu prometo, agora acho melhor eu ir dormir, amanhã terei que acordar cedo.

- E se eu for? – Astrid gritou empolgada.

- Se você for dormir? – Soluço franziu a sobrancelha, não entendia a empolgação da garota em dormir.

- Não, se eu for com vocês na viagem?

- Não sei se meu pai concordaria.

- Eu posso pedir para ele, vou fazer isso agora.

Astrid saiu correndo de seu quarto, mas em menos de um minuto retornou.

- Ele não está em casa – ela abriu um sorriso sem graça.

- Eu ia te falar, mas você saiu correndo tão empolgada, isso tudo é por que você não consegue ficar longe de mim? – ele abriu um sorriso convencido.

- Está se achando demais Strondus – Astrid deu um soco no ombro dele o fazendo se encolher com a dor – eu quero ir para conhecer outra ilha além de Berk, não tem nada a ver com você.

- Não foi isso que pareceu, como você disse mesmo? – Soluço adotou uma expressão pensativa – Ah sim, você disse, eu não quero ficar esse tempo todo longe de você.

- Quer saber? Vai embora, sai do meu quarto e vai para Esmagadura, eu não vou mais com você – Astrid cruzou os braços irritada.

- Está brava?

- Não, eu só quero que você saia daqui.

- E se eu pedir desculpas? Você tira essa expressão emburrada do rosto?

- Eu não estou emburrada – ela fez bico.

- Está sim.

- Não estou, agora dá para sair do meu quarto?

- Está bem – Soluço ergueu as mãos em sinal de rendição – mas só quando você abrir um sorriso.

- Isso não vai acontecer – ela disse ríspida.

- Ah não? Nem se eu mesmo fizer você sorrir?

Soluço abriu um sorriso travesso e se aproximou de Astrid.

- O que você vai fazer? – ela recuou alguns passos, mas teve que parar ao encostar na parede.

- Te fazer sorrir – Soluço começou um ataque de cócegas em Astrid que tentou se desvencilhar dele, mas não conseguiu.

Astrid começou a gargalhar, ela tentava empurrar Soluço, mas além de ele ser mais forte que ela, ela estava fraca por causa das cócegas.

- Por favor para – Astrid implorou pela décima vez, seus olhos lacrimejavam de tanto rir.

- Só porque você pediu por favor – Soluço parou as cócegas.

Ele começou a observá-la, ela puxava o ar com força, estava ofegante, suas bochechas estavam vermelhas e havia lágrimas em seus olhos, sua rouoa estava amaçada, sua trança estava bagunçada, o kransen estava torto e ela mantinha um sorriso no rosto.

- Você é linda.

Astrid olhou para Soluço que continuava a encarando, parecia hipnotizado por ela, ao se dar conta do que ele tinha falado, ela corou, odiava receber elogios, nunca sabia o que fazer.

- Obrigada – ela disse sem graça enquanto abaixava o olhar.

Soluço segurou o queixo dela o erguendo, a obrigando a olhar novamente para ele.

- É a garota mais linda de todo o arquipélago, a garota mais linda que eu já vi.

O coração de Astrid acelerou, ela sentiu algo estranho em seu estômago e começou a ficar muito nervosa, não entendia porque se sentia assim, tudo bem que ela tinha percebido a pouco tempo que o que sentia por Soluço era mais que amizade, mas ela o conhecia a vida toda, era seu melhor amigo, não fazia sentido ela se sentir tão nervosa por causa do olhar dele.

Soluço se aproximou dela e eles selaram seus lábios em um beijo calmo e apaixonante, mas um pigarreio chamou a atenção dos dois os fazendo se afastarem e olharem em direção a porta assustados.

- M-mãe? O-o q-que a s-senhora f-faz a-aqui? – Soluço a encarava com os olhos arregalados, sentiu seu rosto ficar vermelho e suas mãos suarem.

- Eu ouvi gritos, vim ver se estava tudo bem – Valka observava os dois garotos, era notável o quanto estavam envergonhados com a situação – está tudo bem?

- S-sim, estávamos só brincando – Astrid respondeu sem olhar para Valka.

- É melhor você ir dormir Soluço, amanhã você acorda cedo e a Astrid também precisa descansar.

Valka puxou Soluço pelo braço o levando em direção a porta.

- Tia – Astrid chamou fazendo Valka parar e olhar para ela – a senhora acha que o chefe me deixa ir à viagem também?

- Você quer ir?

- A senhora sabe que o Soluço não consegue viver sem mim, estou preocupada em como ele irá sobreviver esses dias longe de mim – Astrid adotou uma postura inocente.

Soluço fez uma expressão indignada e começou a gesticular fingindo estar bravo. Valka o olhou e começou a rir, ela caminhou até Astrid que também ria de Soluço.

- Eu sei, também me preocupo com ele, mas sabe com quem eu também me preocupo? Comigo, eu também não consigo sobreviver sem você Astrid.

- O que a senhora quer dizer? – Astrid a olhava confusa.

- Eu não queria que nenhum dos dois saíssem de Berk, mas Stoico é estoico, e colocou na cabeça que levará Soluço, já vai ser difícil ficar esses dias sem ele, não me faça ficar sem você também.

- A senhora não quer que eu vá?

- Não é isso, mas seria bom ter uma companhia, não quero ficar nessa casa sozinha e podemos fazer coisas de garotas – Valka sorriu animada – o que me diz?

Astrid olhou para Soluço e ele assentiu, a loira abriu um leve sorriso para a tia e a abraçou.

- Está bem, eu fico com a senhora, acho que o Soluço consegue sobreviver sem mim por uns dias.

- Sim, e sem contar que se você ficar, ele dará um jeito de voltar mais rápido, sabe como ele é dependente da sua companhia.

- Eu estou aqui sabiam? – Soluço cruzou os braços em frente ao peito.

- Ele fica tão grudado em você, que até quando ele não está é como se estivesse, sinto como se eu tivesse acabado de escutar a voz dele, isso não é estranho? – Valka desfez o abraço.

- Eu me sinto da mesma forma – as duas começaram a rir.

- Já percebi que não faço falta aqui, quer saber, vou para Esmagadura e vou ficar por lá, e vocês vão ter que passar o resto da vida de vocês sem mim – ele fez bico.

- Mas é muito dramático – Astrid revirou os olhos.

- Sabe o que acaba com o drama Astrid? – Valka perguntou enquanto caminhava para perto de Soluço.

- O quê?

- Risos e você sabe como conseguimos risos?

- Eu tenho uma ótima ideia – Astrid sorriu sádica – é hora da vingança.

Ela andou em direção a Soluço que quando percebeu o que iria acontecer tentou sair do quarto, mas foi impedido pela mãe que começou um ataque de cócegas, logo Astrid se juntou a ela, fazendo Soluço sorrir, como nunca tinha sorriso antes.

*

*

Soluço acordou antes de o sol raiar, havia separado algumas roupas na noite anterior, então precisava apenas se arrumar e tomar café, e é claro, se despedir das mulheres que ele tanto amava.

Quando terminou de se arrumar, ele foi para a cozinha, Valka esquentava um pouco de leite de iaque.

- Bom dia meu amor – Valka saiu de perto da panela onde estava o leite e foi até Soluço o apertando em um abraço.

- Bom dia mãe, onde está o meu pai?

- Já saiu, disse que tinha que resolver algumas coisas antes da viagem, disse que é para você estar no porto em uma hora – ela o levou até uma cadeira e voltou para perto da panela.

Valka colocou um pouco do leite em uma caneca e entregou para Soluço, ela colocou na mesa alguns bolos e pães.

- Se alimente bem, não quero você doente durante a viagem.

- A senhora fez tudo isso sozinha? Ninguém a ajudou? – Soluço perguntou como se não fosse nada demais.

- Vá direto ao ponto e pergunte logo sobre ela.

- Aonde ela está?

Valka balançou a cabeça levemente enquanto ria.

- Acho que ainda está dormindo, não se preocupe, ela acorda para se despedir.

Soluço abriu um leve sorriso e começou a comer. Valka se sentou em uma cadeira de frente para o filho e o encarou.

- Você gosta muito dela, certo?

- Sim, quer dizer, ela é minha melhor amiga.

- Pelo que eu vi ontem, vocês são mais do que amigos – Valka arqueou uma sobrancelha.

- Mãe, a senhora viu errado, o que aconteceu foi que

- Não precisa explicar – Valka o interrompeu – eu já tive a sua idade, sei como essas coisas são, e além do mais, vocês estão prometidos um ao outro – ela segurou uma das mãos dele – mas me conta, como foi?

- Como foi o que?

- O beijo, o que mais seria?

- Eu não vou falar sobre isso com a senhora – Soluço tirou sua mão da de Valka e voltou a comer.

- Não sei para que essa vergonha toda – Valka sorriu – mas pelo menos me diga, você já falou que gosta dela, já a pediu em casamento?

- Precisa? – Soluço a olhou assustado – Mas já temos um contrato.

- Soluço, ela precisa saber que você não quer se casar com ela apenas por causa do contrato.

- Eu já falei isso para ela, ontem, mas não a pedi em casamento, eu deveria?

- Seria bom, eu tinha um contrato de casamento com seu pai e mesmo sabendo que ele passou a gostar de mim, eu senti falta de um pedido, eu sei que não é costume dos vikings, afinal são os pais que fazem os contratos e vikings não são românticos, mas a Astrid passou por muita coisa, acho que seria bom você fazer o pedido e mostrar para ela que realmente gosta dela, o quanto ela é importante para você.

- Mas só iremos nos casar daqui sete anos.

- Não estou falando que você precisa fazer agora, mas é bom deixar a Astrid ciente dos seus sentimentos.

- E como eu faço isso?

- Você pode fazer uma surpresa, usa a criatividade que você tem.

- Eu vou pensar em algo na viagem, assim que voltar farei uma surpresa e farei o pedido – ele sorriu largo.

- Ótimo, agora termina de comer logo, que daqui a pouco você tem que ir.

*

*

Astrid abriu os olhos devagar, ela bocejou e se sentou na cama, olhou pela fresta da janela do quarto e percebeu que ainda estava escuro. Resmungou por ter acordado tão cedo e voltou a se deitar, fechou os olhos e se cobriu com a coberta de pele de iaque, após seis segundos ela abriu os olhos novamente e pulou da cama, vestiu-se rapidamente, fez uma trança bagunçada e saiu correndo do quarto.

- Soluço, Soluço – ela começou a gritar, desceu as escadas e percebeu que a casa estava vazia – não acredito que você foi sem se despedir, eu vou te matar quando você voltar.

- Vai matar quem? – uma voz rouca chamou sua atenção.

- Soluço – ela sorriu e correu até ele o abraçando.

- Você não pensou mesmo que eu ia viajar sem me despedir da minha loirinha, ou pensou?

Astrid desfez o abraço e encarou Soluço.

- Sua loirinha?

- Sim – ele deu de ombros – você é loira e é minha.

- Quem disse que eu sou sua?

- Eu, mas não se preocupa, eu sou seu também.

Astrid corou e baixou o olhar envergonhada.

- Você me acompanha até o porto?

- Sim, mas deixa eu pelo menos lavar o rosto.

*

*

- Por que a espinha de peixe falante vai e eu não? – Melequento resmungava com o irmão sobre a viagem.

- Porque ele é o filho do Stoico e futuro chefe de Berk, ele tem muito mais direito de ir do que você – Magnus repreendeu o irmão.

- Isso é injusto.

- Injusto é em plena madrugada eu ter que ouvir suas reclamações sem sentido – Magnus bufou – se comporta e cuida da mamãe, voltamos em alguns dias.

- Está bem – Melequento cruzou os braços e saiu emburrado.

- Pensei que tinha desistido da viagem – Bocão comentou ao ver Soluço chegando com Astrid.

- Não, eu só demorei porque tinha que esperar uma certa pessoa dorminhoca – Soluço sorriu e logo recebeu um soco de Astrid – se tem algo que não vou sentir falta é dos seus socos.

- Você vai sentir falta de tudo o que me diz respeito viu – ela falou autoritária.

- PARTIMOS EM CINCO MINUTOS – Gosmento gritou de dentro do navio.

- Não vai trocar minha ferraria por outra, e volta logo, tem muitos machados e espadas para vocês forjar – Bocão se aproximou dele e o esmagou em um abraço.

- Eu não consigo respirar – Soluço tentou empurrar Bocão que o abraçava cada vez mais forte, depois de um tempo o loiro o soltou.

- Eu vou sentir tanto a sua falta, por quê? Por quê? – Bocão começou a chorar e saiu de perto.

- Como é dramático – Soluço revirou os olhos.

- Ele tem razão, vai ser difícil sem você aqui meu filho – foi a vez de Valka o abraçar – toma cuidado, não brigue com ninguém, não faça nada que te coloque em risco e por favor, volte em segurança.

- Eu vou ficar bem mãe.

- Acho bom mesmo, ah meu menino, cada segundo sem você vai parecer uma eternidade, eu te amo tanto – Valka começou a chorar.

Ela se separou de Soluço e deu um beijo na testa dele.

- Eu também te amo.

- Vou me despedir do seu pai.

Valka foi em direção ao navio aonde Stoico arrumava algumas coisas, deixando Soluço e Astrid sozinhos.

- Me diz que você não vai fazer drama também – ele olhou para ela.

- Não se preocupa, os Hoffersons não são dramáticos – ela sorriu, mas logo adotou uma expressão séria – promete que vai voltar?

- Prometo – ele segurou na mão dela – promete que vai ficar bem?

- Só quando você voltar – ela sorriu – então já sabe, se quiser que eu fique bem, volte.

- Eu vou voltar, eu prometo, não sei por que essa preocupação toda.

- Eu também não sei, mas estou preocupada – ela abaixou o olhar.

- Lembra quando observávamos as estrelas na clareira?

- Sim, você sempre me falava das constelações.

- Lembra da constelação águia?

- Sim.

- Lembra da estrela que representa a cabeça da águia?

- Sim, mas aonde você quer chegar? – ela o encarou confusa.

- Ela se chama En som flyr, significa aquele que voa, ela é uma das estrelas mais brilhantes no céu.

- Por que a aula sobre estrelas agora? – Astrid estava começando a se irritar.

- Porque todas as noites que eu estiver fora eu quero que você olhe para ela, porque eu vou fazer a mesma coisa, independentemente de onde eu esteja, assim, vamos olhar para a mesma estrela, vai ser um sinal que sempre estaremos juntos.

- SOLUÇO – o grito de Stoico ecoou pelo lugar – ESTÁ NA HORA.

- Eu tenho que ir, se cuida.

- Você também – Astrid abriu um leve sorriso e deu um soco no ombro de Soluço.

- Por que você fez isso? – ele massageou o local dolorido.

- Isso é para você se lembrar de voltar. E isso, é para você querer voltar – ela roubou um beijo dele que logo foi retribuído, quando faltou o ar eles se afastaram sorrindo.

Soluço entrou no navio, e se apoiou no casco olhando em direção à Astrid que estava ao lado de sua mãe e de Bocão, os três acenavam para ele. Soluço acenou de volta sorrindo, Berk podia não gostar dele e o considerá-lo uma vergonha, mas aquelas três pessoas faziam tudo valer a pena.

*

*

Soluço estava sentado no chão do convés do navio, fazia algumas horas que havia anoitecido, seu pai e seu tio estavam no leme do navio discutindo qual era o caminho certo, Stoico havia deixado Gosmento comandando a embarcação por alguns minutos, o que foi tempo bastante para Gosmento se perder e sair da rota.

Soluço ignorava os gritos dos dois homens, ele estava concentrado olhando para o céu, havia identificado a estrela En som flyr, e ficava imaginando se Astrid também estava olhando para ela de Berk.

- Com certeza as estrelas estão mais interessantes do que aqueles dois – Magnus se aproximou de Soluço e se sentou ao lado dele.

- Por que eles têm que gritar tanto? – Soluço desviou o olhar do céu para o primo.

- Porque são vikings, é a única forma de se comunicar que eles conhecem.

- Nós também somos vikings e não somos assim.

- Somos uma exceção – Magnus riu – mas me diga, em que você estava pensando tão concentrado no céu?

- Nada – Soluço deu de ombros.

- Aposto que era em uma certa loirinha.

- O quê? N-não, eu não estava pensando em nada – ele começou a mexer as mãos nervoso.

- Você pode me contar, sei que você gosta dela – Magnus deu uma leve cotovelada no braço de Soluço – ela também gosta de você, e eu vi o beijo de vocês no porto, o que está acontecendo entre vocês?

- Somos amigos.

- Apenas amigos? – Magnus arqueou a sobrancelha – Para mim isso tem outro nome, isso ainda vai dar em casamento.

- De qualquer jeito isso ia acontecer – Soluço comentou apenas para si.

- O quê?

- Nada, será que eles decidiram a rota? – Soluço mudou de assunto.

- Espero que sim, mas é melhor conferirmos – Magnus se levantou sendo seguido por Soluço.

Os dois foram até o leme, aonde Stoico ainda brigava com o cunhado.

- Eu falei, temos que ir para o sul – Stoico puxou o leme em sua direção.

- Não, temos que ir para o norte – foi a vez de Gosmento puxar o leme.

Os dois colocaram as mãos no leme tentando controlá-lo, Magnus pegou o mapa tentando identificar aonde estavam, Soluço ia ajudá-lo, mas mudou de ideia ao ouvir algo no mar.

- Vocês ouviram isso? – Soluço perguntou enquanto encarava o horizonte.

Devido aos gritos dos homens brigando pelo controle do navio, ninguém escutou a pergunta de Soluço.

Soluço ouviu o barulho mais forte e perto, ele caminhou alguns passos se aproximando do casco do navio e encarou a água a sua frente.

- Tem algo na água – ele viu algo se movendo dentro do mar – gente tem algo na água.

- ACHEI – Magnus gritou chamando a atenção do pai e do tio, ele mostrou um ponto no mapa para os dois – estamos aqui, ou seja, temos que ir para o sul para chegarmos em Esmagadura.

- Eu disse – Stoico comemorou e empurrou Gosmento para longe do leme.

Stoico olhou para frente e viu Soluço apoiado no casco do navio olhando para o mar.

- Soluço, o que você faz aí?

- Tem alguma coisa na água – Soluço se virou para o pai.

- Claro que tem, no mar tem peixes – Gosmento bufou – você deve ter visto algum e se assustou garoto.

- Não, é muito maior que um peixe, na verdade parecia um dragão.

- Um dragão? – Stoico começou a gargalhar – Os dragões marinhos foram extintos, não fale besteira.

- Mas é sério pai, eu vi, tenho certeza – Soluço se apoiou novamente no casco e se inclinou para olhar melhor para a água.

- Soluço, saia agora daí e venha para cá – Stoico disse autoritário.

Soluço suspirou e ia se virar para obedecer o pai, foi quando viu novamente algo na água e parecia estar mais perto, ele abriu a boca para avisá-los, mas não deu tempo, algo atingiu o navio com força, o que fez a embarcação se inclinar para o lado fazendo Soluço cair no mar.


Notas Finais


*Espero que tenham gostado.

**Sobre a estrela, ela faz parte mesmo da constelação águia, mas o nome dela é Altair, o significado é o mesmo que está na fic, eu só peguei o significado e traduzi para o norueguês, achei melhor assim.
***Por favor não me matem, mas eu avisei que a partir desse capítulo as coisas ficariam mais tensas, e eu tinha dado diversos sinais (inclusive na sinopse da fic) que algo assim iria acontecer.

****Tentem controlar a ansiedade de vocês até o próximo capítulo, que já aviso, não sei quando conseguirei postar.
*****Um abraço apertado e até a próxima!


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