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História Dramione - Désir Et Amour - Capítulo 4


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Notas do Autor


Olá queridas. Aqui está, como prometido, mais um capítulo para vocês... Espero que curtam a leitura.

Capítulo 4 - Capítulo quatro


Fanfic / Fanfiction Dramione - Désir Et Amour - Capítulo 4 - Capítulo quatro

Horácio Slughorn estava de muito bom humor naquela manhã. O senhor troncudo e barrigudo, sorria para os alunos que entravam e se acomodavam em seus respectivos lugares. Estava mais que convencido que a aula de hoje seria esplêndida, aproveitaria para observar aqueles que demonstrassem inclinação ao sucesso, pois gostaria de aumentar sua coleção de prediletos.

Distribuiu para cada dupla um pequeno a médio caldeirão.

Se divertiu ao ver as sobrancelhas arqueadas dos aprendizes, que olhavam curiosos os utensílios em cima de cada mesa.

Isso vai ser divertido.

- Bom dia a todos! Bem vindos! Sejam todos bem vindos! - disse animadamente.

Os olhou por alguns instantes, preenchendo o ambiente com suspense.

- Eu aposto um Sicle que estão se perguntando o que são todas essas coisas. – afirmou ao levantar os braços e apontar para as mesas.

- Vamos preparar alguma poção professor? – perguntou Pansy sorridente.

- Bom... – disse Horácio com as mãos para trás, querendo se demorar no assunto.

- É a do amor? – perguntou a garota da Lufa-Lufa.

Rony se sentiu enjoado.

- Tomara que não. – interveio ele nervoso, arrancando risinhos de seus colegas. – Tomara a Merlin que não.

- Não senhorita, não é a poção do amor. – respondeu Horácio. Lançou um olhar repreensivo para Harry e Rony. – Acredito que já tivemos problemas demais com ela, não é?

Harry e Rony apenas encararam o chão. Enquanto que uma parcela significativa da sala ainda ria.

- Então o que é professor? – indagou Draco impaciente.

Hermione revirou os olhos.

- Hoje vamos, vamos não. Vocês irão. – se corrigiu apontando para a classe. – Vocês vão preparar a poção de Wiggenweld.

Alguns se entreolhavam, como se não fizessem ideia do que ele estava falando, já outros pareciam compreender perfeitamente, dentre eles, claro, Hermione.

Draco se amaldiçoou por não saber nada sobre essa poção. Olhou para o lado e pôde ver Granger sorrir.

Claro.

Irritante.

Na certa ela já sabia o que era.

- Alguém sabe o que é ou o que faz? – perguntou Horácio.

Hermione levantou o braço.

Céus, que garota!

- Sim senhorita Granger.

- A poção de Wiggenweld é uma poção curativa senhor, ela tem o poder de despertar alguém que esteja em estado de sono magicamente induzido. – disse ela. Hesitou ao continuar. – Há um conto.

Horácio fez que ela continuasse.

- Dizem que um príncipe usou esta poção uma vez para acordar uma princesa que tomou a Poção do Morto-Vivo, dada por uma feiticeira chamada Letícia Somnolens. O príncipe primeiramente colocou um pouco de poção entre os lábios da princesa e depois a beijou.

Draco pensou que nunca tinha ouvido tamanho drama em toda sua vida.

- Brilhante! – afirmou Slughorn que ainda fitava Hermione.

- Com certeza. – zombou o loiro. – Dez pontos pra Grifinória. – disse, arrancando risos da turma.

- É isso que vamos fazer hoje professor? – perguntou Simas.

- Sim. – fez uma pausa esperando que fizessem silêncio para prosseguir. -  Primeiramente, os dividirei em pares, também mostrarei o passo a passo de tal receita. A dupla que conseguir fazer a que eu considerar perfeita, ganhará dois frascos de Veritaserum. *A pessoa que ingere tal poção entra em estado de transe hipnótico e responde, com a mais pura verdade, todas as perguntas que lhe fizerem.

Hermione não estava nem um pouco surpresa com a proposta do professor, afinal de contas, ele sempre se mostrou inclinado a gostar desse tipo de aula. A julgar pelo modo como ele os desafiou a preparar Sorte Liquida no sexto ano.

Ela estava confiante de que iria vencer dessa vez.

Percebendo que o professor havia finalizado sua fala e estava de costas, começou uma movimentação dentro da sala, todos escolhendo sua dupla.

Hermione pensou em fazer dupla com Luna. Mas, a amiga já estava ao lado de Neville. Olhou para os lados a fim de procurar alguém. Foi quando avistou Malfoy a olhando profundamente.

- O que estão fazendo? – indagou Horácio.

- Escolhendo nossos pares senhor. – explicou Dino.

- Não, não, não. – objetou ele. – Os pares devem pertencer a mesma casa. – fitou Luna e Neville. – Vamos senhorita Lovegood, escolha alguém da Corvinal.

Então, como um leve descontentamento, escolheram seus pares.

Hermione, por sua vez, estava anotando mentalmente a receita, ela a tinha lido em algum livro dias atrás. Acontece que, por conta disso, mal percebeu que ficara sem par.

Olhou ao redor e viu uma mesa vazia, foi até ela e se sentou. Seria até melhor fazer tudo sozinha, sem ninguém para atrapalhar.

Cormac McLaggen irrompera correndo para dentro da sala.

- Ora, ora, ora... – disse Slughorn.

- Me desculpe professor, tive treino ontem e dormi demais. – explicou o jovem esbaforido.

Slughorn fez uma careta, mas com um leve aceno de cabeça o permitiu entrar.

- Vamos rapaz. Entre.

- Obrigado.

- Escolha um par... Ali. Ali. – disse apontando na direção de Hermione. – Com a senhorita Granger.

Droga! Este foi o pensamento de Hermione, que olhou na direção de Harry e Rony, pedindo internamente que um dos dois a olhassem de volta e notassem o desespero em seu olhar. Mas, ambos estavam muito concentrados em rir de algo.

Então, com um sorriso sedutor e que Hermione julgou ser desrespeitoso, McLaggen se sentou ao lado dela.

- Bom dia. – sussurrou ele.

Perto demais. Perto demais.

Ao ver isso, Draco fitou Potter e Weasley com ódio. Imbecis. Os idiotas estavam tão focados neles mesmos que nem notaram o olhar de Granger.

Não que isso fosse da conta dele, claro.

Ela que se vire.

Olhou mais uma vez e pôde ver Mclaggen tentar tocá-la no rosto.

Draco se moveu logo em seguida na direção dos dois.

Quando se aproximou, viu que havia do outro lado da mesa de Cormac e Hermione, uma dupla de Sonserinos.

- Mova-se. – disparou ele para o garoto. – Eu vou ficar aqui.

O rapaz apenas o fitou e saiu furtivo de cabeça baixa, se posicionando no lugar que antes, pertencia a Malfoy.

Cormac revirou os olhos ao ver as feições do loiro, que sorriu presunçoso na direção dele.

Hermione apenas o olhava curiosa. Afinal, ele já havia escolhido sua dupla com Pansy do outro lado da sala.

- Draco? – sussurrou a garota em questão. – Sente-se aqui. – o chamou.

Malfoy a olhou e fez que não com a cabeça.

Pansy se limitou a encarar Hermione e virar bruscamente.

- O que está fazendo Malfoy? – perguntou Cormac irritado.

Draco o olhou como se fosse um inseto.

- Não dirija a palavra a mim McLaggen.

Antes que pudesse responder, foram interrompidos por Slughorn, que deu início a aula.

- Bom. – começou ele entusiasmado. – A Poção de Wiggenweld é muito fácil de ser preparada. Mas antes, vamos falar um pouco sobre ela.

Draco fitou Hermione e Cormac antes de se virar para poder olhar o professor.

- Ela tem o poder de restaurar as forças de uma pessoa que está demasiadamente fraca, por estar doente, por ter se machucado ou simplesmente por estar muito cansada. – continuou Horácio fazendo uma dramática pausa. – Sua cor é verde e é de fácil manuseio. Ela pode ser encontrada em grandes quantidades na Ala Hospitalar. Essa poção também pode ser eficiente contra venenos de cobras e plantas venenosas. Contudo, atenção! Ela não é eficiente contra poções que sirvam como veneno. Ela também serve para revigorar uma pessoa que foi atacada, assim como a poção de cura simples.

Hermione anotava tudo, sempre pontuando as partes que julgava serem importantes.

- Quer ajuda? – sussurrou Cormac em seu ouvido.

O que chamou a atenção de Draco, que estava agora, a imaginar como seria socá-lo na cara.

- Não. – respondeu Hermione sem nem o olhar.

- Agora, como vocês podem ver. – continuou Slughorn. – Em cima de suas mesas estão os seguintes ingredientes: Uma casca de Wiggentree, um muco de Verme Gosmento, um Ditamno e por fim, mas não menos importante, uma Moly.

Todos os quatro utensílios estavam distribuídos para cada dupla, que os olhava com estranho interesse.

- Olhem para mim. – pediu o professor. – Prestem atenção. Porque agora eu direi o passo a passo do modo de preparo, e não o repetirei novamente.

Horácio fitou os olhos de cada dupla antes de prosseguir.

Hermione se preparou para transcrever tudo.

- Antes de tudo, deve-se esmagar a Moly com o cabo de uma faca. Feito isso, deve-se cortar o Ditamno em pequenas fatias, assim como a casca de Wiggentree. Adicionem ao caldeirão o Muco com a Moly amassada e o Ditamno. Mexam até a solução ferver, e adicionem a casca de Wiggentree. Mexendo sempre no sentido horário até atingir a coloração indicada. Vocês têm uma hora.

Os alunos o olhavam em expectativa.

- O que estão esperando? Comecem.

Dito isso todos começaram com seus afazeres, cada qual na sua mesa. Hermione começou pela Moly, enquanto Cormac cruzava os braços e observava a cena.

Draco, vendo que seu par começara a esmagar a Moly, começou a cortar o Ditamno.

- Cormac, será que não pode preparar o Ditamno? – indagou Granger enquanto ainda amassava a Moly.

- Não sou bom com poções Hermione, sinto muito. – desconversou ele despreocupado.

Draco levantou a sobrancelha ao ouvi-lo chamá-la pelo primeiro nome.

- Quanta incompetência... – sussurrou o loiro.

McLaggen o encarou.

- O que disse?

Malfoy parou o que estava fazendo e o olhou pela primeira vez.

- Será que nessa sua cabeça só existe Quadribol?

Cormac sorriu, passando a língua pelos lábios antes de olhar para Hermione.

- Não... Claro que não. Há outras coisas aqui dentro. – disse ao bater na cabeça.

Draco retorceu a boca e se concentrou no maldito Ditamno, o cortando com um pouco mais de força que o necessário, o que ocasionou um enorme barulho na sala.

- Algum problema Sr. Malfoy? – perguntou Horácio.

- O que acontece se um membro da dupla não ajudar?

- Perderá pontos e caso o parceiro ganhe, não levará a Veritaserum. – explicou o professora ao se aproximar. – Por quê? Não o estão ajudando?

Draco olhou para Cormac com diversão antes de responder.

- Não a mim. – disse ao cortar mais um pedaço de Ditamno. – Mas, bem aqui a minha frente, posso ver que a Srta... – ele pigarreou um pouco, envergonhado em prosseguir. – Srta. Granger está fazendo tudo sozinha, sem a participação do Sr. McLaggen.

Todos dentro da sala estavam com os cenhos franzidos, assim como o professor Horácio. Os primeiros devido ao peculiar fato de Draco Malfoy estar de certa maneira “ajudando” novamente Hermione Granger, já o segundo apenas se mostrava preocupado.

- Srta. Granger? – chamou Slughorn.

Hermione o fitou.

- Está fazendo tudo sozinha?

- Bem... – ela olhou de Cormac para Draco e de Draco para Cormac. – Na verdade senhor, apenas gostaria de sua permissão para realizar a tarefa sozinha.

Horácio Slughorn podia ser um homem velho, mas não era nem nunca fora um homem burro. Compreendeu perfeitamente a posição da garota a sua frente, que não queria trazer problemas para si. Então, apenas consentiu e direcionou McLaggen para fazer um trio com Dino e Simas.

Draco sorriu presunçoso ao ver a cara amarrada de Cormac ao passar por ele. Quando encarou a frente de si pôde ver Hermione o repreender com o olhar. Ele apenas deu de ombros.

Os minutos se passaram, a hora do almoço se aproximava, a sala estava ficando quente, alguns inclusive já tinham começado a transpirar de leve, alguns sons de risada aqui e ali, mas, foi quando sem querer esbarraram as mãos que Hermione se sentiu envolvida. Como se antes, mesmo com todas essas situações a cercando, ela não estivesse ligada emocionalmente ao ambiente, não até agora.

Hermione esticou seu braço para poder pegar a colher de pau a sua frente, contudo, Draco fez o mesmo. Ao mesmo tempo. Ocasionando assim, um pequeno, mas, significativo, choque de eletricidade em ambos. Que ao constatarem o que havia acontecido, se encararam por um segundo os dois, antes de desviarem o olhar um do outro.

- Pode usar. – disse Hermione. – Eu pego outra.

E foi o que ele fez.

Hermione não tinha a intenção, na real, nem foi algo planejado. Todavia, ela estava a uns dez minutos mexendo sua poção, o que claro, a fazia ter que observar o entorno de si. Viu alguns colegas que ainda estavam no começo da receita, outros que nem haviam começado, outros que nem se empenhavam, outros que apenas encaravam o parceiro sem saber qual próximo passo dar e outros como ela, mexendo e mexendo aquele liquido, esperando que a tal coloração esverdeada surgisse.

Foi então que ela começou a reparar na dupla a sua frente, a garota já estava no passo três, enquanto Malfoy a auxiliava. O loiro parecia demonstrar um comportamento um tanto submisso, revelando assim, que talvez, não tivesse ainda tanto conhecimento sobre aquela poção.

Hermione reparou em suas mãos, cumpridas e grandes. Malfoy tinhas veias pulsantes. Em um dos dedos, um anel dourado grande, ele tinha os olhos semicerrados, concentrado. Eram características assim que o diferenciavam de um garoto para um homem, ela pensou. A figura a sua frente fazia um enorme contraste com o menino que ele fora anos atrás. Seu cabelo estava bem cortado, em um penteado digno de sua personalidade. Mas, algo estava diferente.

Seus olhos?

Pele?

Ou quem sabe aquele sorriso presunçoso que só ele sabia dar?

Ela não tinha certeza, apenas se deu conta de que, se não fosse as circunstâncias que o cercavam, Malfoy seria o tipo de homem que a atrairia...

Como? Balançou a cabeça em negativa.

Só podia estar ficando louca.

O garoto a sua frente, se tivesse a capacidade de ouvir seus pensamentos, zombaria dela na mesma hora. Sem hesitar.

Uma gota de suor escorreu por seu pescoço. Hermione se pegou olhando, absorta para ele. Se perguntando como seria seu cheiro.

Acontece que ela realmente estava curiosa sobre esse fato. Então, em um movimento rápido e discreto, ela aproximou, só um pouco a cabeça. Fechou os olhos e inspirou fortemente.

E sentiu.

Malfoy tinha um cheiro de hortelã amadeirado, que misturado com seu suor... Bem, ela adorou.

Era bom, era diferente. Tão distinto. Lembrou-se do cheiro de Rony, que um dia também a atraíra. Hoje, o de Malfoy parecia ser o melhor que ela já sentira em um homem.

Ao abrir os olhos notou que ele a olhava. Quis desviar, mas, não o fez. Ele estava tão concentrado analisando cada parte do rosto dela. Isso, ela percebeu, pois, os olhos dele iam e vinham, sem parar, em vários cantos de seu rosto.

Draco estava centrado e focado no que tinha que fazer, mas, sabe quando se sente que alguém está te observando?

Pois então, foi exatamente isso que aconteceu. Ele sentiu que os olhos de alguém estavam sob ele. Ao procurar, pôde vê-la. Mas, ela não o estava fitando. Granger tinha os olhos fechados, enquanto parecia buscar por alguma essência. Draco se perguntou qual seria.

Se isso estivesse acontecendo a alguns dias atrás, com certeza ele zombaria com gosto dela. Contudo, e muito estranhamente, ele notou que não sentia vontade de fazê-lo.

Reparou nela apenas. Granger, ele tinha que admitir, era uma mulher muito bonita. Seus traços eram finos e expressivos, como tudo nela, pensou. Sua boca, apesar de pequena, lhe pareceu apetitosa, e ele se perguntou qual sabor ela teria. Suas bochechas estavam, devido ao calor da sala de poções, rosadas, o que só a deixava mais bonita. Seus longos cachos contornavam perfeitamente seu rosto, que por si só era extremamente delicado.

Então ela abriu os olhos. Os arregalando assim que notou que ele a observava.

Draco só podia estar enlouquecendo. Pois não desviou seu olhar, apenas ficaram assim por alguns instantes.

Começou a se amaldiçoar internamente por se deixar levar por conta dos atributos da garota, ele tinha que entender que ela era uma sangue ruim. Não poderia vê-la de nenhuma outra forma.

Hermione franziu o cenho, como se lê-se os pensamentos dele.

Todavia, ambos ficaram assim.

Até que um estrondo preencheu todo o ambiente. Bem ali, do outro lado da sala. Simas Finnigan havia explodido seu caldeirão.

 

..............................

 

Isso!

Ela conseguiu! Conseguiu fazer a Wiggenweld perfeita, levando dois frascos de Veritaserum.

Não podia estar mais feliz. Disse para si mesma que ganharia e ganhou.

Hermione foi ovacionada por toda Grifinória, Lufa-Lufa e Corvinal, apenas a Sonserina a olhava por cima.

Mas ela não estava nem aí. Havia levado a melhor afinal.

Começou a caminhar na direção da porta, seus amigos já estavam um pouco adiantados, de modo que ela era a última.

Estava tão longe em pensamentos que não viu a madeira falhada ao chão. De modo que tropeçou.

Como que por reflexo, Draco a segurou pelo antebraço, a impedindo de cair.

De novo.

- Olhe por onde anda Granger. – sussurrou ele entredentes. – Por Merlin! Eu vou ter que ficar te ajudando o tempo todo?

Hermione se soltou dele com raiva.

- Ninguém pediu a sua ajuda.

- Como sempre. E como sempre você caiu e eu tive que te ajudar!

- Pois não me ajude! – berrou ela. – Me deixe quebrar a cara no chão! Aposto que não vai se importar mesmo!

Draco riu em ironia.

- Vou me lembrar disso da próxima vez. – disparou ele ao passar por ela e andar até a porta.

Hermione o seguiu e o impediu de prosseguir ao segurar um pedaço de sua capa.

- Não vai ter próxima vez! Ou você me acha tonta o suficiente pra ficar caindo por aí?!

Draco se virou com raiva.

- Acho! – gritou. – Claro que acho! É o que você vem fazendo de melhor! – sua voz era um sussurro agora. – E pare de falar comigo como se fossemos próximos.

Dessa vez quem riu foi Hermione.

- Não se preocupe. Doninha. – disse levantando a mão. – Você é a última pessoa de quem eu gostaria de ficar próxima. Aliás, é você quem vive aparecendo. – acusou Hermione.

Draco ficou vermelho de raiva na mesma hora.

- Me desculpe se entendi errado! Não sabia que o queria por perto! – ironizou ele. –

- Do que está falando? – indagou ela confusa.

- Não se faça de idiota Granger. McLaggen.

- E o que tem haver Cormac com essa conversa?

- Cormac... – repetiu ele sem acreditar que ela o chamava pelo primeiro nome. - Tem a ver que você está bravinha por eu tê-lo afastado.

- Você está louco?

- Eu não sabia que era tão difícil ler as expressões de uma tonta! É isso! – continuou ele. – Quando eu te vi com aquela cara de cachorro que caiu da mudança achei que ele estava passando dos limites. Mas, vejo que por você, tudo bem.

Hermione apenas o fitou por longos instantes.

Então, quer dizer que, Malfoy achava que ela gostava das investidas exageradas de Cormac?

Isso não fazia sentido nenhum. Na verdade, nada que vinha acontecendo fazia sentido.

Por que Malfoy a estava olhando na plataforma aquele dia?

Por que ele pareceu triste ao vê-la coçando sua cicatriz?

Por que ele a ajudou quando torceu o pé?

Por que ele pareceu gostar de provocá-la naquele dia na biblioteca?

E por fim, por que raios ele a vinha “salvado” mais de uma vez das insinuações de Cormac McLaggen?

Quando se deu conta do que queria perguntar, foi que ela notou Draco andando em direção a porta.

- Por que me ajudou?

Isso pareceu chamar a atenção do loiro.

- O que? – indagou sem se virar.

- Você me ouviu. Por que me ajudou? – repetiu ela se aproximando dele. – Não só das primeiras vezes, mas agora. Por quê?

- Não seja idiota Granger. – disse ele saindo. Hermione o impediu, pegando-o pela mão.

- Draco?

Era a primeira vez que ela falava seu primeiro nome. Draco estremeceu ao senti-la apertar sua mão.

- Por que me ajudou?

Ela o apertou mais e Draco fechou os olhos.

Não era possível!

Ele estava atraído pela sangue ruim.

Merlin!

Se não fosse o chão sob seus pés, Draco Malfoy teria desabado.

Sim! Ele estava atraído por ela. O modo como seu corpo correspondeu ao seu toque, bem... Era incomum.

Fora tudo o que ele vinha fazendo desde então.

Mas que merda!

Ele literalmente se preocupou e a ajudou mais de uma vez. E quando foi confrontado por seu pai ele tentou desconversar, pois não sabia que resposta dar.

E o que foi aquilo no Salão Principal?

Meu Deus, ele só faltou carregá-la no colo até a mesa para que não ferisse ainda mais o tornozelo.

- Draco?

Em um impulso, ele acordou do transe. Mesmo querendo ouvi-la sussurrar seu nome mais uma vez, ele foi firme. Desvencilhou sua mão da dela e saiu furtivo dali.

Precisava de ar.

 

...........................

 

Já se passava de duas da tarde, próxima aula?

Defesa contra as artes das trevas.

A maioria dos alunos ficou muito feliz em saber quem seria seu novo professor. O antes participante da Ordem da Fênix e trabalhador do Ministério da Magia, Kingsley Shacklebolt.

O homem de alta estatura, pele negra e olhar sincero, também estava mais que lisonjeado com o convite de McGonagall para lecionar em Hogwarts.

Lá estava ele, com suas vestes e chapéu azuis, braços para trás e feição humorada, aguardando que todos se acomodassem no lugar que achassem conveniente. Não era daquelas pessoas que queriam tudo do jeito delas para forçar os estudantes a ficar onde não preferissem. Cumprimentou alguns que já conhecia muito bem como Harry, Rony, Hermione, Neville, Luna e afins com um leve levantar de cabeça.

Esperou que estivessem acomodados antes de prosseguir.

- Boa tarde a todos. Me chamo Kingsley Shacklebolt e sou seu novo professor de Defesa contra as artes das trevas. Alguns de vocês já me conhecem. – disse olhando a turma em questão. – Outros, não. – olhou para o restante da sala. – Para esses eu digo. Sou muito bonzinho. – concluiu ele arrancando pequenas risadas.

- Professor? – chamou Luna.

- Sim?

- Vamos duelar?

A pergunta era mais que pertinente. Pois havia um grande degrau no meio da sala que ia de ponta a ponta de forma circular. Do tipo que são usados nesse tipo de coisa.

- Sim. – respondeu Kingsley. – Mas. Já adianto que está proibido o uso de feitiços que sejam fortes o suficiente para, um, ferir gravemente, dois, torturar e o terceiro e mais óbvio, matar. Somente feitiços defensivos e de azaração. – deu uma olhada firme na sala antes de prosseguir. – Entendido?

Silêncio.

Como não obteve resposta ele repetiu a pergunta.

- Entendido?

Ouvindo um uníssono “sim” de toda a classe logo a seguir.

- Professor? – chamou Rony. – Não acha que isso é um pouco demais para a primeira aula?

- Sinceramente? – indagou Kingsley.

Rony assentiu.

- Não. Não acho. Todos aqui presentes ou a grande maioria deles lutou bravamente antes. Mas, infelizmente, não tive a chance de ver a todos em ação, de modo que, o farei agora. – retrucou ele. – Isso claro, com alguns de vocês.

Draco estava adorando tudo isso. Esse era o tipo de aula em que ele se divertia e muito. Deu uma olhada para Blásio, que sorriu de volta ao constatar o sorriso maléfico do outro.

- Duelo é o seu jeito de manusear a varinha. – disse Kingsley dando início a aula. - Duelo é o seu conhecimento principalmente na área de "Feitiços". Mas, duelo não é só uma lutinha, o duelo consiste em superar seu oponente através das artes mágicas. Para alguns, vencer os duelos petrificando, estuporando, deixando impedido, congelando, amarrando ou qualquer outra forma, é unicamente fazê-lo chegar ao fim. Para os grandes estudiosos e entendedores de duelos, é a arte mágica empregada por um dos lados que importa e não a simples e evidente derrota do duelista. A diferença entre um bom duelo e um mal duelo não está entre um feitiço de ataque e um feitiço de defesa, está na expressão e emoção que os duelistas se envolvem, assim, dando tudo de si para vencer seu oponente.

Hermione, apesar de gostar desse tipo de aula, não estava disposta a duelar com ninguém. Então, procurava prestar atenção a tudo, pedindo internamente que não fosse umas das escolhas de Shacklebolt.

- Alguém sabe dizer qual é a primeira regra de um duelo?

- Granger sabe. – ironizou Draco no mesmo momento em que Hermione levantou a mão.

A garota o olhou e revirou os olhos. Ele riu.

- Diga Hermione. – autorizou Kingsley.

- A primeira regra que deve se ter em mente antes de um duelo é, preste atenção em sua varinha, em seus movimentos e principalmente nos movimentos do inimigo, pois você pode se defender ou até atacá-lo em um momento de distração.

- Excelente Srta. Dez pontos para Grifinória! – exclamou o professor.

Hermione sorria contente para Harry e Rony que comemoravam junto com ela.

- Segunda Regra. – continuou Kingsley. -  Conhecimento. Você precisa ter conhecimento na área de feitiços, pois um feitiço bom será bem útil. Conhecimento sobre o lugar em que você está também é importante, pois pode se defender e lhe permite criar armadilhas. Conhecimento sobre seu oponente também pode ser muito valioso, pois ao saber algum ponto fraco você pode explorá-lo.

Draco mal podia esperar para começar com isso. Com sorte seu oponente seria McLaggen... Ou Potter... Ou Weasley.

Ah, tantas opções. Mas com certeza a primeira era a que mais lhe era apetitosa.

- A primeira casa escolhida é a Grifinória, que será representada pelo Sr. Cormac McLaggen. – revelou o professor. – E como foi o escolhido, tem o direito de escolher com que casa gostaria de duelar. 

Na mente de Draco só se passava uma coisa. “Sonserina! Sonserina! Diz Sonserina.”

Já os Grifinórios se mostravam preocupados. Cormac não era um grande exemplo de duelista. O rapaz só pensava em Quadribol.

Cormac subiu o extenso degrau e se posicionou. Com um sorriso no rosto e com uma confiança ridícula, ele sussurrou sua escolha para Kingsley, sorrindo na direção de Malfoy ao terminar.

- O Sr. McLaggen escolheu a casa Sonserina. – revelou ele.

Kingsley encarou os estudantes com suas vestes verdes antes de perguntar.

- Algum voluntário?

Um garoto rechonchudo tentou levantar a mão, mas Malfoy o impediu.

- Eu professor. – disse o loiro. – Sou voluntário.

- Pois bem. Venha Sr. Malfoy.

Draco retorceu a boca em um leve sorriso e o lançou na direção de Cormac, que mantinha quase essa mesma expressão em seu rosto. Seria divertido afinal.

Seria muito. Muito. Muito divertido.

- Tomem seus lugares. – ordenou Kingsley.

Cormac e Draco caminharam na direção um do outro, enquanto o primeiro sorria, o segundo se mantinha firme, pois pretendia sorrir bastante depois.

Levantaram suas varinhas, viraram de costas e deram cinco passos.

- Um, dois...

Draco não pensava em nada além de atacar.

- Três! – gritou o professor, indicando que o início do duelo começara.

- Experlliarmus! * Desarma o adversário. Contudo, só possui esse efeito se o lampejo atingir a mão armada. Do contrário, só impacta. – gritou Cormac.

Draco sorriu, pois já previa isso.

- Commoror Virga! *Feitiço de defesa contra desarmamento. – devolveu Draco, fazendo com que uma fumaça esbranquiçada rodeasse sua mão. – Kadabrus! *Um relâmpago sai da varinha na direção do alvo, para impactá-lo para trás.

Cormac foi atirado para longe, caindo com tudo no chão, ocasionando um grande estrondo na sala.

Kingsley correu para socorrê-lo, contudo, o rapaz dispensou sua ajuda. E muito bruscamente se levantou, olhando na direção das pernas de Malfoy.

- Desequilibrium!

O feitiço atingiu Draco, que cambaleante não pôde se sustentar em pé. Todavia, mirou sua varinha na direção do oponente.

- Scarlatum!

O contra feitiço atingiu Cormac, que sacolejando foi jogado ainda com mais força contra a parede.

O rapaz gemia de dor.

Malfoy, mesmo ainda sob o efeito do Desequilibrium, sorria.

O outro arriscou lançar algo contra ele, esticando sua mão.

- Experlliarmus! – gritou Draco, desarmando assim, seu oponente.

Por Merlin! Isso foi fácil.

Kingsley direcionou Cormac para a enfermaria. O rapaz antes de sair lançou um olhar raivoso na direção de Malfoy, que se limitou a dar de ombros e retorcer os lábios.

Ainda um pouco cambaleante e um tanto descabelado, o loiro desceu do grande degrau. Recebeu as parabenizações de Pansy que o olhava como se ele fosse o próprio Jesus e de Blásio, que parecia saber exatamente do que tudo aquilo se tratava. Mas foi Hermione que chamou sua atenção. Não ela em si, mas, o que ela disse.

- Vocês está bem Malfoy? – perguntou ela em um sussurro.

Draco a encarou.

Era... Curioso, esse tipo de coisa, principalmente para ele. Normalmente não se preocupavam. Os próprios amigos não perguntaram nada sobre ele estar se sentindo bem, e nem ninguém na verdade.

Só ela.

- Estou. – respondeu ele desviando o olhar.

- Tem certeza? – insistiu Hermione.

Draco passou a mão pelo nariz, um gesto que fazia quando não sabia como agir.

- Já disse que sim Granger.

- Bom, vamos continuar com nossa aula. – disparou Kingsley ao irromper pela porta. – Agora é a vez da Sonserina. Sr. Draco Malfoy deve escolher alguém da própria casa para dar continuidade ao duelo.

Pansy o cutucou.

- Me escolha. – pediu ela.

- Pansy Parkinson Sr. – disse o loiro.

Pansy subiu radiante e se posicionou ao lado do professor.

Antes que o professor pudesse falar algo a garota murmurou.

- Eu escolho a Grifinória.

- Certo. – disse Kingsley. – Alguém se voluntaria?

Ninguém levantou a mão.

- Vá você Hermione. – sussurrou Rony.

- É, vai Hermione. – sussurrou Harry.

Acontece que mais grifinórios os ouviram, de modo que, todos agora a cutucavam e pediam para que ela fosse.

- Sim, Hermione. Você é boa. Vai representar bem a Grifinória. – sussurrou Neville.

Ela não queria, claro. Mas acabou indo mesmo assim.

Pansy estampava o mais largo e presunçoso sorriso em sua direção.

Por dentro, Hermione bufou. Que garota chata.

Blásio se aproximou de Draco.

- Aposto que Pansy vence a sangue ruim.

O loiro queria se matar por estar torcendo pela cacheada.

- Claro que sim. – disse ele.

- Em suas posições. – disse Kingsley.

Ambas caminharam de encontro a outra. Hermione firme e focada, enquanto Pansy tinha um leve sorriso nos lábios.

Draco reparou na primeira e na forma como ela se movia. Gostando do que via.

Bonita.

- Um, dois... Três! – gritou o professor.

Hermione arqueou as sobrancelhas ao ver sua adversária mirar a varinha na direção de uma cadeira.

- Depulso! – gritou Pansy, atirando o objeto com toda a força em Hermione.

Draco se empertigou preocupado. Blásio notou e lançou um olhar repreensivo para ele, que o ignorou.

A cacheada foi pega de surpresa, de modo que, foi incapaz de pensar em algum feitiço defensivo assim, rapidamente. Se jogando ao lado e agachando, fazendo com que a cadeira atingisse a parede atrás de si.

Pansy agora mirava em um enorme castiçal de bronze.

- Depulso! – disparou ela, atirando novamente o objeto na direção de Hermione.

A outra parecia ter entendido o jogo da oponente. E já tinha o contra feitiço perfeito em mente.

- Protego Horriblis! – gritou Hermione, fazendo com que uma barreira incolor se instalasse a sua frente, repelindo assim o feitiço de Pansy contra ela mesma.

Pansy não contava com isso.

O castiçal atingiu seu abdômen, fazendo com que a morena caísse no chão.

Hermione poderia ter aproveitado da oportunidade e a atacado novamente. Todavia, ela não era assim. Este era um duelo amigável, ou deveria ser. Então aguardou Pansy se levantar.

Draco queria gritar e dizer que essa era a chance de Granger vencer.

Por que ela não está atacando? Deixou de ser sabe tudo para ser burra?

- Srta. Parkinson? Tudo bem? Quer continuar? – perguntou Kingsley.

A morena se levantou e com raiva encarou Hermione. Fitou seu rosto por longos segundos, antes de desviar para seu antebraço.

Draco sabia o que aquilo significava.

A cicatriz.

Droga.

- Estou bem. Vou continuar. – respondeu Pansy.

- Experlliarm...

- Eletricus! *Faz com que o alvo seja atingido por um choque, cuja intensidade vai aumentando.

O feitiço atingiu em cheio o antebraço de Hermione. Mais precisamente sua cicatriz.

A cacheada a tocou na mesma hora. A dor era insuportável e gradativa.

- Srta. Granger? – indagou Kingsley se aproximando dela.

Mas Hermione não pôde se conter.

A dor era muita.

Como se mil facas a estivessem cortando novamente no mesmo lugar.

Gritou. Gritou com tudo o que tinha. Lágrimas escorriam em seu rosto. Pois a dor era semelhante à da tortura orquestrada por Belatriz.

Por uma fração de longos segundos se sentiu dentro da mansão dos Malfoy novamente. Ela simplesmente era incapaz de não gritar.

 


Notas Finais


Me contem o que acharam e quais são suas expectativas para o próximo capítulo...
Beijooos


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