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História Dreamcatcher - InSomnia - Capítulo 23


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Notas do Autor


Escrevo outras histórias, se quiserem ler :D

Capítulo 23 - Lullaby


Fanfic / Fanfiction Dreamcatcher - InSomnia - Capítulo 23 - Lullaby

Lullaby

 

 

 

Gahyeon P.O.V

 

 

 

“nuneul tteuji malgo nal bwayo

haru jongil nae gyeoteman itge haejulge

kkaeneun sungan sarajyeobeoril

naneun neoye nuneul baraboneun ge dain geol

 

nega eomneun shigan sogeseo

nan tteonabeorigo shipeo

ijeobeorin gieok sogeman

namainneunde

 

Lullaby oneureun gaji ma

i noraereul bulleojulge

achimi balkawado gyeote isseojweo (Everyday)

i jarieseo maeil gidaryeotjiman

naeildo geureol jashini naneun eomneun georyo”

 

- Dreamcatcher 

 

 

 

 

 - Excuse me...

 

 Nós sete entramos nesse lugar, e agora me sinto culpada. Esse lugar não é lá muito convencional.

 

 

 Há uma mesa de madeira escura, parece chocolate amargo, e está apoiando vários objetos, sendo o centro um dispositivo estranho, um relógio que toca uma música suave, mas sinistra, e me arrepio inteira. 

 

 

 Nos espalhamos mais, e observamos aquelas coisas, está casa está entupida dessas papagaiadas. Há um crânio humano com pinturas no topo, que me faz pular para trás, chocada. Logo abaixo, pois há uma pequena elevação sustentada por hastes de metal, um livro que parece conter magias, ou algo nesse formato. A capa é azul escura e cheia de detalhes brancos, além de ser selado por correntes e um cadeado em forma de caveira. Na parede, há algumas cartas, recados, bilhetes e páginas de livros, e um apanhador de sonhos, com penas em tons de branco, cinza e azul, ao lado de um espelho de moldura dourada.

 

 

 - Isso aqui está uma zona. Parece que aquele urso entrou aqui. - Comento, após minha análise. - E eu acho que esse espelho está torto. 

 

 

 - Tem uma cabeça de cervo pendurada aqui, você está preocupada com a posição desse troço? - Ainda não sei o nome dela, mas vejo que será difícil de lidar.

 

 

 

Narrador P.O.V

 

 

 

 

 Soobin e Woohee estavam esperando em seu banco branco. Era confortável, mas o ar estava ficando congelante, estava quase nevando ali, devido à agitação e nervosismo da mais velha.

 

 

 - Sabe, eu não trouxe um casaco. - Diz Woohee, esfregando suas mãos em seu corpo, na tentativa de se aquecer. Bufa, frustrada. - Por que não “invadimos”, logo de uma vez?! - Fez sinal de aspas, afinal, tecnicamente, ninguém morava ali.

 

 

 - Não faz parte do plano. Passamos horas planejando isso. Além do mais, vou derreter, literalmente, se entrar lá. E você já fez o bastante, vão matar todas elas graças àquele controle de Viki.

 

 

 - E aquele livro. - Dá um sorriso, orgulhosa com a alfinetada.

 

 

 - Superem. Tivemos de modificar a página, as instruções estavam ali, iria ficar explícito a sequência de fatores. As imagens são mais indecifráveis, como peças de um enigma.

 

 

 - Tinha que estar certa uma vez na vida. - Recebe um olhar confuso. - Dami vai matar todas, principalmente com aquele livro. Ainda bem que o fechamos. - Dá uma pausa, ao notar umas certas árvores. - Cara, você vai congelar a floresta inteira.

 

 

 - Não exagera.

 

 

 - O tronco está LITERALMENTE congelado. E os galhos. E há gelo ao red...

 

 

 - Captei. - Desfaz o efeito aos seus poderes. Pareciam tatuagens de cristal e gelo. Reação natural.

 

 

 

 

 A esse ponto, Ayoung já estava fazendo sua expedição pela “Tree Tower”. Também conhecida como “Black Tower”. O “tic tac” era um alarme. Se vira. Viki está preparada. Ela também.

 

 

 

 

Dami P.O.V

 

 

 

 

 - Hey, se liga.

 - Oi?

 

 

 - Alguém aqui tem obsessão por espelhos. - Tem um pequeno espelho retangular apoiado na mesa.

 

 

 - Isso não estava aqui antes. - Handong encara o objeto confusa.

 

 

 - Virou filme de terror.

 

 

 - Está acabando sua paciência?

 

 

 - Pois claro, aqui não tem nada que preste. - Me aproximo do meu anão gigante, meu Zangado favorito. Sorrio com o apelido, daria um ótimo filme. Ou um dorama. Fico na ponta dos pés, rodeio seu pescoço com os braços. 

 

 

 - Tem certeza? - Nossos olhares são tão apaixonados, sinto um calor, um calor bom, e não vem das inúmeras velas, que tem cera e parafina infinitas, aparentemente. Si-yeon fica com a face rubra.

 

 

 - Disse “nada”. Não “ninguém”. Logo você, deveria saber coreano. - Me dá um selinho, que me faz sorrir boba.

 

 

 - Olha, sei que o ambiente é muito romântico e tals, ma...

 SuA já iria completar a frase, mas dá um grito. O clima é cortado e nos viramos, curiosas. BoRa se afasta da mesa, e some. Você não leu errado.

 

 

 - Tá de brincadeira. Saeng! - JiU chama pela irmã mais nova, então me lembro que ela pode se encolher. Tipo um avestruz escondendo a cabeça num buraco no chão, assustado. E com razão.

 

 

 Uma mão sai do espelho, e agarra o livro que está na mesa. Ninguém tenta impedir, por que deveríamos, e todas nós afastamos. O livro e a mão somem, e nos entreolhamos, confusas. 

 

 

 - Não são goblins?

 

 

 - Não convivemos no mundo mágico, nosso pai era humano. Não vem ao caso. Além disso, isso não é comum. É magia negra, esses objetos são usados para esse fim. A mão não tem nada demais, mas se pegou aquele livro...

 

 

 - Estamos em perigo?

 

 

 - Acho que estamos desde que entramos naquela bolha. - Dá um sorriso, tentando nos passar conforto, mas suas feições radiam preocupação.

 

 

 - Vou atrás dela. Fiquem aqui.

 

 

 Digo, e atrás de BoRa. Acharia engraçado, se não fosse o fato de que poderia pisá-la a qualquer passo dado. Fico olhando para meus próprios pés, enquanto a chamo.

 

 

 - BoRa!! Qual é!! Já foi embora, volta aqui!! Você vê filme de terror!! Por que faz isso se tem medo?! - “Deve ser porque não é real”, me auto respondo. A realidade é mais sinistra do que “O Chamado”. Qualquer produção cinematográfica ou filmografia, e olha que estudo dublagem e cinema.

 

 

 Me afasto um pouco da cabana, mas consigo vê-la daqui. Avisto uma silhueta estranha, e pela primeira vez, agradeço as dezenas de velas. Avisto um par de pés, pequenos, mas inconfundíveis. Sorrio, aliviada, não é hoje que seremos ot6.

 

 

 - SuA! Agora sim, você parece a Alice. Agora que fui ent...

 

 

 Passo lentamente, na intenção de não assustá-la, mas é o oposto. Reflexos são uma parada aclamada aqui, aparentemente. SuA está sentado num toco de árvore, mas está envolta por braços, aparentemente feitos de galhos, mas alguns estão saindo do solo. São... mortos?!

 

 

 - Aguenta aí, eu...

 

 

 Pauso quando percebo que, apesar da expressão assustada, não tenta se desvencilhar. Apenas toca um fino tronco, mas não se apoia ou se puxa.

 

 

 

 

 “Ela tem medo de não ter movimentos. Tem paralisia do sono, nunca ficaria tão pacífica nessa situação. Te conheço há anos.

 

 Você não é assim.”

 

 

 

 

 Me afasto, franzindo a testa, agora percebo melhor. A observo com mais concentração, seu vestido parece o de uma boneca. Branco, com fita preta.

 

 

 - Como fez isso?! Isso não é engraçado, sabe. - Roubo sua fala, mas não reage. Está estranha. 

 

 

 Minha respiração está frenética, tenho uma tarefa, tento me acalmar, mas não funciona. Está idêntica à uma delas. SuA pode gostar de pegadinhas, ter um humor irônica, sarcástico e único. Mas tem empatia, tem consideração, compreensão. Sabe que tenho fobia de bonecas assustadoras. A luz da Lua mostra que também possui maquiagem. E penteado. Meus olhos lacrimejam, meu corpo treme, mal me sustento em minhas pernas.

 

 - Não é ela. Essa não é você. Quem é você?! O que fez com a minha amiga?! - Pergunto, derramando algumas lágrimas. Não sei qual medo é maior: o dessa boneca “realista” em tamanho real, ou o da ideia que me assombra. Não pode ser. - V-Você... matou e-ela?!

 

 

 Mordo meus lábios nervosa, o timbre é idêntico, mas nunca ouvi uma voz com tanta malícia, tanta maldade. Tão sombria.

 

 

 - Não seja tola. Não faria isso. Por enquanto. - Como se fosse óbvio.

 

 

 Seu sorriso me dá arrepios, e um sobressalto. Começo a me afastar, dou meia volta, mas minhas forças se esgotam. Caio de joelhos, tento encará-la, perguntar o que raios fez comigo, correr, ou ao menos me levantar, gritar por ajuda, mas tombo de lado. Meu corpo inteiro formiga, não sinto nada, não ouço, e minha visão se escurece. Perco todos meus sentidos. Desmaio.

 

 

 

 

Yoohyeon P.O.V

 

 

 

 

 - De novo não, que saco. 

 

 

 

 Si-yeon rói as unhas, nervosa, andando de um lado para o outro, em círculos. Se é que eles têm cantos. Dou um riso soprado, uma sensação de deja vu me invade. Parece que foi há décadas. Mas minha unnie me chama a atenção, o barulho fica mais alto, parece que quer cavar um buraco, quebrar essa madeira com a força desnecessária que aplica no andar.

 

 

 - Sabe...

 

 

 - Não use essa palavra. - Rebate, agressiva. Ela é mau humorada, “rabugenta como um velhinho”, mas... bato os pés, irritada, quando percebo.

 

 

 - Ainda não voltaram. - Sou consumida pelo mesmo sentimento que ela deve estar sentindo. 

 

 

 Deve ser pior, afinal, SuA e Dami sumiram. Se fosse Min-ji, estaria da mesma forma. Não se passou tanto tempo, mas levando em conta os perigos que corremos, pode parecer imbecilidade, mas os segundos viram minutos, estes que viram horas.

 

 

 - Gente, melhor procurarmos elas.

 

 

 - Melhor não, temos que confiar nelas.

 

 - Ela luta kendo, não é uma deusa. - Quase fico sem ar. Esse ambiente, a fumaça, tudo está me sufocando. Faço um aegyo, brava.

 

 

 - Elas têm poderes. Dami pode curá-las, SuA consegue fugir, é rápida, pode ser invisível a olhos despreparados, e Yoobin não precisa da última parte, se a verem, pode derrubar quem quer que seja.

 

 

 - Isso não é sinopse de série, de jogo. Isso é vida real!! Elas estão correndo risco, tem seres mágicos nesse lugar, logo você deveria saber disso!! Já esqueceu que se não fosse esse poder que mencionou, SuA poderia estar morta por perda de sangue?!

 

 

 - Como bem falou, conheço esse lugar. Mas SuA é medrosa, conheço minha irmã. Não deve estar longe, assim como Yoobin. Ela é estratégica.

 

 

 - Justamente por ser sua irmã!! Ela é sua única família, sua irmã mais nova, e consegue ficar tranquila?! Ela se assusta fácil, mas não é covarde. Se afastaria, enfrentaria qualquer um para nos defender.

 

 

 - Acha que não sei disso? Acha que não me preocupo com ela? Com Dami? - A esse ponto, estamos rodeadas pelas outras, se preparando para apartar qualquer briga, confronto físico. Que bom. Porque é iminente. Mas nenhuma de nós queremos. - Mas não quero perder vocês, podemos ser o que sobrou de nós. Mas sei que não somos. Tenho que acreditar que não. SuA e Dami são lutadoras, sabem se defender. - Sua tranquilidade me faz chorar. Está encostada na porta, de braços cruzados. Não vai me deixar sair. Geralmente, sou a que dá risada de tudo. Mas não tem como achar isso engraçado. Não há um bom ponto.

 

 

 - Desculpa se BoRa e Yoobin não valem nada pra você, mas pra mim valem tudo. Estaria na rua, se não fosse por elas. Elas me amam como irmãs, e a consideração é recíproca. - Minha voz está embargada, não tento impedir as pérolas de tristeza, como diria minha velha amiga, de rolar por meu rosto.

 

 

 - Retire o que disse. - Engulo os lábios, não me arrependo de minhas palavras. Me estende a mão. - Engula suas palavras, ao invés disso. A casa é minha. 

 

 

 - Sei disso. Sou grata a você por isso. - Minha fala é pausada. Dou ênfase a cada sílaba, letra. - Mas se acharmos os corpos delas andando por aqui, se recebermos a notícia de que não sobreviveram... - Paro um pouco, tentando me acalmar, tentando não soluçar. Ao menos minha fala deve ser consistente. Mais que os argumentos. - Nunca vou te perdoar.

 

 

 Arregala os olhos. É a primeira vez que não se mostra indiferente sob estresse. Seus olhos também lacrimejam, mas não larga sua postura. Sua boca está entreaberta, mas não estou em capacidade de ouvir nada. Me afasto, virando de costas, me sento, encostando-me perto, abaixo do espelho.

 

 

 Não choro por tristeza, ou frustração, mas por raiva. Não, por decepção. Nem eu consigo entender. JiU está sendo superprotetora. Sei que não sabe o que fazer, e não sei lidar com isso. Nenhuma de nós sabe. 

 

 

 Minhas amigas estão lá fora, posso perdê-las a qualquer momento. Por que a gente veio aqui?! Por que tínhamos que ser trazidas por um maluco, que comanda pessoas de índole questionável?! Estou chorando tanto que minha visão está turva, está tão quente aqui que parece que as gotas vão se evaporar. Estou suando, tanto de calor quanto de nervosismo. Não queria ter brigado com ela, e se ela me odiasse?! Será que ela está com raiva de mim?! Disse que não é de guardar rancor uma vez, mas nunca brigamos nesse nível. Deve me ver como uma maluca agora. Uma garota chorona. Não vou precisar de monstros ou animais selvagens para perder a pessoa que eu amo. E de brinde, os mencionados vão acabar com Yoobin e BoRa.

 

 

 Seco minhas lágrimas com a manga da blusa de manga comprida, a encharcando. Depois arregaço as mangas de tecido cinza escuro. Foi Min-ji que me deu. Balanço a cabeça, vou ignorar esses pensamentos, mandá-los embora. Me levanto, curiosa para ler as inscrições. Me levanto, primeiro vou na prateleira.

 

 

 Sinto um par de mãos me interrompendo. Deve ser uma das meninas. Espera. Mal desencostei da parede. Como fez isso?Num flash, sou puxada para trás e... atravesso a parede?!!

 

 

 Contínuas rajadas de vento empurrando livros voando pra cima são minha próxima visão. Excuse me, what the f...?! 

 

 

 Esse lugar, espaço, sei lá a nomenclatura correta, é feito de alucinógenos, tenho certeza. É o Big Bang. Por que que tudo é preto e branco?! Peraí... eu estou sem cores!!! Where the f am I?!! Há algumas luzes verdes, roxas, rosas, como uma aurora boreal bugada, picotada.

 

 

 

“YOOHYEON!”

 

 

 

Dami P.O.V

 

 

 

 Abria meus olhos, e a luz faz meu olhos arderem. Minha cabeça está latejando, eu não estou de ressaca, bebida não é natural. 

 

 

 Peraí. Luz?! Não era noite?!

 

 

 Me levanto com pressa, me desequilibro um pouco, balanço um pouco os braços para me estabilizar, mas consigo ficar de pé. Faço uma massagem no pescoço, estou com câimbra. Olho ao redor. Eu voltei?!

 

 

 Estou em casa. 

 

 

 Sinto lágrimas quentes escorrendo por meu rosto. Começo a correr por todos os cômodos, volto à sala e me jogo no sofá. Pego uma almofada e a aperto, sentindo seu cheiro de poeira, nem me importo mais. Falei pra...

 

 

 SuA limpar...

 

 

 Um minuto...

 

 

 Procuro meu celular, mas lembro que tínhamos deixado todos no hospital. Tento abrir a porta, mas alguém destranca a fechadura antes de mim, deve ser uma delas.

 

 

 - JiU? SuA? Si-yeon? Como vim parar aqui, como saímos daq...

 

 

 

 

 Volto a chorar. Não é possível. Devo estar vendo coisas, estou sonhando. Não pode ser.

 

 

 - Hey, como vai minha irmãzinha?

 

 

 A voz aveludada dele é inconfundível. Corro até ele e me lanço em seus braços, começo a chorar compulsivamente, deixando sua camisa encharcada. Eu lembro dessa camisa.

 

 Nossa mãe deu à ele.

 

 

 - C-Como voc... - Mal consigo falar, estou soluçando muito.

 

 

 - Shh... estou aqui. - Sinto suas mãos suaves de artista amador acariciarem meus cabelos. - Não estou morto. - Conclui com seu sorriso besta. Começo a sorrir, mas esse adjetivo me funciona como uma palavra-chave. 

 

 

 - Hey, cadê Handong e as outras?

 

 - Quem é Handong?

 

 

 - Verdade, não conheceu ela. Nem Gahyeon. Mas vai gostar delas, conhecemos elas na... espera, como saímos de lá? - Congelo. - Ou eu fui a única?! 

 

 - Se acalma, não tem com o que se preocupar.

 

 - Você viu elas? Onde estão? - Mal consigo me fazer entender, gaguejo tanto que não sei como consegue me entender.

 

 

 - Não.

 

 - Ao menos sabe o que aconteceu?

 

 - Sim.

 

 

 - Pode me dar respostas um pouco mais complexas? Meu cérebro de amêndoa aguenta. - Rio de nervoso. 

 

 

 Meu oppa nunca foi de respostas evasivas. Ele estudou leitura de comportamento no exército, leu muito sobre linguagem corporal, e me ensinou muito do que sabia. 

 

 

 “Nunca aceite ‘sim’ ou ‘não’, ao menos que seja acompanhada de um pedido romântico, um nome ou cargo. Respostas evasivas, que não respondem de forma precisa, ou que são outra pergunta, geralmente são sinais de mentira.”

 

 

 Mas ele nunca mentiria dessa forma, se me alertou sobre isso no passado, certo?

 

 

 - As garotas estão bem. Yoohyeon está na faculdade, e mandou você se cuidar. Gahyeon está no ensino médio. Handong está na academia de dança, e Si-yeon e as irmãs estão no hospital. - Furo no roteiro, não conheceu as duas.

 

 

 Gelo pela milionésima vez hoje. Tento não transparecer, mas a lembrança da imitação da BoRa me vem à cabeça. Parecia com ela... Era exatamente igual...  Mesmo sua voz... Seu tamanho...

 

 

 Ela me apagou.

 

 

 Examino cada pedacinho do meu irmão. A voz é idêntica. A aparência é idêntica.

 

 

 Mas conheço ele desde que nasci. Por mais que eu queira que seja mentira, chego à conclusão inevitável. 

 

 

 - Você não é real.

 

 

 Lê meu rosto, meus olhos esbugalhados como minha alma, dá seu familiar sorriso lateral e me abraça. Ele me tem entre seus braços. O sósia do meu irmão. Tentou me enganar. Usou o único parente de uma órfã. Tento me soltar, mas até seu cheiro é o mesmo. Seu perfume amadeirado me entorpece, o abraço de volta. Fecho os olhos, seu jeito de falar é igual. Será que estou enganada?

 

 

 - Não abra seus olhos. - “Mas olhe para mim”, penso risonha, afinal, parece não querer que eu pense em nada, nada além dele. Acreditar nessa doce mentira dói menos do que ter que partir. Começo a chorar novamente, e o empurro com força, conseguindo me desvencilhar.

 

 

 - Isso tudo é o meu subconsciente. Fruto da minha imaginação. Você estava no naufrágio... V-Você...

 

 

 - Todos os dias, eu vou fazer você ficar do meu lado. Vou desaparecer no momento em que você acordar. - Isso é chantagem emocional. Esse nível é baixo, é nojento. “Não posso te perder de novo.”

 

 - Olhar nos seus olhos é tudo pra mim.

 

 Me sinto fraca. Patética. Não consigo me desprender das memórias, dos momentos felizes que tivemos juntos. Eles criaram uma armadilha, e estão me manipulando como sua bonequinha voodoo.

 

 

 - Sinto o mesmo. Não sente saudade dos nossos passeios? Dos nossos cinemas? Das janelas no calendário que tentava abrir? Das nossas tentativas de fazer bolo, e como BoRa nos zoava, mas mesmo assim tentava fazer com que compreendêssemos a receita?

 

 

 Claro que me lembro, não tive amnésia. Não há uma lacuna sequer. Dando patada no meu falecido irmão. Eles foram muito além. Pegaram todas as pessoas que mais amo, e estão usando contra mim.

 

 

 - Eu quero deixar este momento. Porque você não está aqui. Você apenas permanece em memórias esquecidas.

 

 

 - Não estão esquecidas, você sabe disso, e não deveriam estar. Eu faria de tudo para te ter de volta, para ter elas de volta. 

 

 

 Estou presa. Sei que deveria lutar... mas se morrer, pelo menos estarei ao lado dele. 

 

 

 Do nada, uma voz doce começa a cantar, aparentemente, uma canção de ninar. É uma voz feminina. Não consigo identificar quem é, ou de onde vem, mas vejo que meu oppa fica muito irritado com ela. Seu rosto se contorce em raiva.

 

 

 Então tudo se desfaz, como se tudo fosse parte de um filme antigo, e o rolo está queimando. Fico ilhada num mar negro. Estou desacordada novamente.

 

 Resmungo quase de forma inaudível, quase não me escuto. Ótimo, outra dimensão desconhecida? Abro os olhos com mais facilidade do que esperava, porque pesam muito, e vejo... BoRa! Ela está... chorando? 

 

 

 Percebo que estou deitada em seu colo, e ela está sentada na grama. Viro um pouco a cabeça e consigo ver a luz da cabana daqui. Me sento rapidamente e me jogo encima da minha melhor amiga, a abraçando, ela não corresponde, parece que está petrificada.

 

 - Onde você estava? Eu...

 

 - Está maluca? - Nossa, é assim que me recebe? Mas logo me sinto envolvida por seus braços, suas mãozinhas me apertam com uma força que não sabia que tinha. Meu rosto chega a doer, devido ao meu enorme sorriso. Nosso abraço se desfaz e eu saio de cima dela, me levantando, sendo acompanhada pela mesma.

 

 - O que aconteceu?

 

 - Só sei que me assustei com aquela mão, saí correndo, e quando achei seguro, voltei ao tamanho normal. Mas quando achei a orla da luz, você estava caída aqui. Seu pulso devia estar tão fraco que nem senti. Estava gelada. Pálida, seus lábios roxos. Achei que...

 

 

 - Não vão se livrar de mim tão cedo. Vocês três vão ser minhas médicas até morrermos. - Recebo um tapinha, mas sei que está feliz por eu estar viva. Assim como eu por ela. - Vem, elas estão preocupadas com você.

 

 

 - Veio por minha causa? 

 - Por que a surpresa?

 - Por nada. Obrigada.

 - Sabe...

 - Não roupa minha fala.

 - Ia falar que consegue ser fofa quando quer.

 - Por sorte, não quero.

 - Acabou de ser.

 - Vamos logo?

 

 Rimos por nossa discussão super madura, e corremos até a casinha.

 

 

 

Yoohyeon P.O.V

 

 

 

 - Aigo!!!

 

 

 Finalmente caio em algum lugar. Não sei como não quebrei nenhum osso. Me levanto, dolorida, passando as mãos pelo corpo para tirar a poeira, e me deparo com a mesma sala.

 

 - Não é possível. Não há ninguém aqui. 

 

 - Olá.

 

 Me viro num pulo. Correção: tem alguém aqui. Saudades da solidão.

 

 - Meu cérebro virou slime por causa da turbulência toda, ou...

 

 - Está falando com um vampiro? Pois também sou metade goblin. Você conhece duas assim, certo? Deixa eu ver... - Coça o queixo, pensativo. - Min-ji e BoRa Kim, se não me falha a memória.

 

 - C-Como sabe disso? Quem é você?! - Me afasto, assustada.

 

 - Podemos tornar as coisas mais fáceis se nos dermos bem.

 

 - Responde as perguntas. - Ouço seu suspiro.

 

 - Okay. Bom, o que posso dizer sobre mim... - Tamborila os dedos na parede, reflexivo. É um peixinho dourado. - Bom, sou metade vampiro, metade goblin, mas isso já sabe. Ah, e alguma de vocês deve estar com um pequeno dispositivo, cheio de símbolos, como um quebra-cabeças. - Então me dá um clique. A voz dele não me é estranha. Já a ouvi anteriormente.

 

 

 - Foi você...?!

 

 

 - Prazer, nuvem falante. Mas pode me chamar de Apolo, ou Myung-Dae, se preferir. Minha profissão é ser um Shadow Hunter. E você? - Se encosta na porta, displicente, com as mãos nos bolsos. Olho para seus pés e vejo alguns tecidos e o que deduzo ser uma máscara.

 

 

 - Bom... - Deveria mesmo passar essas informações a estranhos? Mas cedo a meu lado irracional. - Sou Yoohyeon. Sou uma humana. - Ri soprado nessa parte. Há pouco tempo, éramos maioria. - Controlo o ar. - Começo a listar, e o último item lhe chama a atenção. Ele desencosta e vem em minha direção a passos largos e pesados. Me afasto, mas ele me encurrala na mesa.

 

 

 - Use.

 

 - Como?

 

 - Seu poder. Agora.

 

 

 Ele se afasta, me dando espaço para experimentar meus poderes. Tento sentir as partículas de ar ao meu redor, respiro fundo, quando solto o ar, dou um sopro tão forte que os papéis colados na parede se desprendem, e Myung tem que se segurar na beirada da mesa.

 

 

 - Isso foi esplêndido! Podemos sair daqui!

 

 - Pode me explicar?!

 

 

 - Oh, claro! - Parece enérgico com a possibilidade de uma fuga. - Este lugar está sendo vigiado por Jiyul. Ela tem poderes de teletransporte, e tirou o espelho. - Aponta para a parede próxima de mim, e percebo que o espelho em que “cai” de fato desapareceu. - Ele não sumiu à toa. Ele é o portal para o mundo comum. Por uma fração de segundo, não se encontram. Acabam de levar nosso caminho pra casa. Estamos no Mundo dos Espelhos agora. Ele não deveria ser acessível, mas está, através daquele livro com uma caveira como cadeado. - A imagem me vem nítida à cabeça, e afirmo com a cabeça, para que continuasse. 

 

 

 - Também possuo poderes, mas ela roubou meu anel.

 

 

 - Como? Não fala coisa com coisa. - Tapo minha boca quando percebo que falei em voz alta. 

 

 

 - Verdade, esqueci que não é do mundo mágico. É o seguinte. - Por que isso parece um filme de fantasia?

 

 

 - No mundo mágico, todas as criaturas possuem poderes, que têm relação com suas espécies. Por exemplo, todo lobisomem pode se transformar em um lobo, toda fada tem asas para voar e todo goblin pode assumir aquela aparência amigável de filmes. Há também os poderes individuais, mas alguns ainda são influenciados por seu sangue. Goblins costumam ter poderes relacionados à natureza, vampiros podem ter poderes psíquicos, lobos super velocidade ou força, e assim por diante. Mas eu. - Aponta para si mesmo. - Não sou normal. Sou um mestiço.

 

 

 - Mestiços são normais. - Estranho sua definição.

 

 

 - Como poderia saber?!! - Se altera e ameaça dar um soco na mesa, mas consegue se controlar, no ímpeto de continuar sua aula. - Enfim, não vem ao caso. 

 

 

 - Fato é que minha mãe possuía um poder raro. A manipulação de energia. Meu pai, um renomado historiador e caçador de relíquias, permitiu que herdasse sua televisão e velocidade acima da média, como toda nossa raça. Porém, repare que não crio energia. Eu possuo um anel que produz centelhas, mas Jiyul o roubou. Enquanto ela possui teletransporte, Viki possui o controle sobre espelhos. Combinaram seus poderes, e se ela nos vir fazendo qualquer coisa. - Aponta para o espelho que assustou SuA. - Vai nos matar.

 

 

 - Por que ela não está nesse espelho, nos vigiando agora? Aliás, como sabe que não está nos ouvindo?

 

 

 - Nos subestimam. Esse espelho é como uma câmera de segurança, imagem, mas sem som. Quando as nuvens encobrirem a Lua, a magia feita acaba, e não poderemos voltar. Temos que chamar a atenção delas. Ela vêm, você as atinge com uma rajada de vento, recuperamos meu anel e o espelho e voltamos ao nosso mundo. Para que tragam tudo, vamos desafiá-las. O orgulho vai falar mais alto.

 

 

 Compreendi o plano, mas estou raciocinando suas minúcias. Vai dar certo. Dou um pulinho e grito “fighting!”, com o punho erguido. O mesmo faz uma expressão séria e pega uma caneta e papel. Já vi que tem o humor da Si-yeon, mas sinto falta dela. Não se preocupa, vovó rabugenta, vou te encontrar rapidinho. 

 

 

 “Tragam o espelho e anel. Só uma dupla sairá viva. Será que têm coragem?”

 

 

 Um tanto quanto mortífero, mas desconheço outra alternativa. Quando acaba de escrever, ele coloca o papel no espelho. Alguns segundos depois, sinto a presença de pessoas novas no recinto. Salto num sobressalto, ele já está na pose de luta. Meus olhos miram o espelho, através de sua cópia em miniatura, ele não pode quebrar. 

 

 

 “Você fica com o anel.” - Sussurro, acenando com a cabeça, mas ele capta a mensagem. Acho que nem precisava.

 

 Logo descubro quem é quem. Uma está com o espelho, outra está usando um anel simples de madeira escura como carvão. Mas isso é o de menos. Não posso lutar contra elas. Como...

 

 

 - Elas não são suas amigas. Suas amigas estão no nosso mundo, e se não as derrotarmos, não poderemos salvá-las. Suas entes queridas vão perecer. - Num estalo, a que se parece com Gahyeon, Jiyul, está me enforcando.

 

 

 Agarro seu punho, tentando me liberar, mas ela é dona de uma força descomunal.

 

 - Talvez sua maknae seja a próxima.

 

 Apolo me incentiva a lutar, e funciona. Assumo uma pose de determinação e uso meu vento para jogar a sósia da Gahyeon contra a parede oposta. A sósia da Dami some, e sinto que está atrás de mim. Deve ter saído do mino espelho. 

 

 

 - Eu cuido do portal, recupera o anel! E lembre-se: ela não é Yoobin!

 

 

 É difícil enfrentar alguém exatamente igual a ela, mas minhas irmãs nunca me machucariam, nunca me fariam mal. Tento manter ambas presas, mas não consigo controlar o poder que da ventania, papéis voando para todo o lado, não posso suportar. Quando minhas forças estão se esgotando, ouço um grito.

 

 - Para! Já consegui! 

 

 Paro e me vejo ofegante, mal tenho tempo e ouço a voz masculina novamente.

 

 - Pega!

 

 Não sei como, mas consigo pegar o espelho, segurando-o por sua moldura dourada.

 

 - O que faço com isso?!

 

 - Coloca no chão! - Me olha como se fosse uma criança perguntando o porquê o céu é azul.

 

 - O quê?!!

 

 - Faz o que estou mandando!!!

 

 Sem pensar três vezes, o coloco no chão.

 

 

 - Se abaixa!

 

 

 Me jogo, cobrindo minha cabeça, e sinto as ondas de choque eletrocutando nossas inimigas. Me jogo rente ao chão quando ele vem correndo em minha direção. 

 

 

 - Me segue!!!

 

 

 Escorrego pelo chão e cai dentro do espelho, como se fosse um lago. Fico confusa, mas antes que possa ser atacada, coloco minha mão, braço e logo meu corpo inteiro ali, mergulhando de cabeça no desconhecido.

 

 

 Sinto sua mão sobrenatural e fria entrelaçando seus dedos na minha.

 

 

 - Se segura, e não me solta!

 

 

 - Um complementa o outro, não acha? - SuA estaria orgulhosa agora. 

 

 

 Logo sinto um baque, e bato a minha cabeça. Me sento, meu cabelo está todo bagunçado, e começo a massagear meu couro cabeludo, isso vai formar um galo depois.

 

 

 - Qual a necessidade de...

 

 

 Logo sinto alguém me abraçando, olho melhor e percebo que estou naquela casinha. Afasto um pouco a pessoa e percebo que é a JiU. Ela é tão fofa, tão bonita, mesmo chorando, e com narizinho enrugado. Está tentando enxugar o rosto. 

 

 

 - D-Desc...

 

 

 Começo a secar as lágrimas e acariciar seu rosto. Amo esse sorriso, esse lábios, a pele branquinha como neve, essas bochechas avermelhadas, tão macias, e agora, quentinhas, cada detalhe desse rosto de anjo. A abraço e sussurro em seu ouvido:

 

 

 - Nunca vou te abandonar, eonnie. 

 

 - Nem eu.

 

 

 Nossas peles estão arrepiadas com o contato, e me afasto, a empurrando delicadamente, como se fosse de porcelana, uma bonequinha bibelô, como se fosse quebrar a qualquer hora. Ela faz um aegyo chateada, por que tão fofa? Aperto suas bochechas, e recebo uma risada gostosa em troca, parece um bebê. Meu neném. “Sou melosa mesmo, só pra você”.

 

 

 Me levanto de vez, e ela me acompanha, ambas nos recompondo, quem dera estivéssemos sozinhas aqui. Se tirar os itens de bruxaria ou algo assim, até que seria um encontro romântico, como nos livros que Yoobin lê de vez em quando. 

 

 

 Mal concluo minha viagem, e, como se a invocasse, ouvimos o ranger da porta. 

 

 

 

SuA P.O.V

 

 

 

 Abro a porta e encaro o interior, Dami sai de trás de mim me empurrando. Lhe lanço um olhar mortal, mas alguém me interrompe com um abraço.

 

 

 - Está me sufocando...

 

 

 Minha irmã me solta e vejo que seu rosto perfeitamente esculpido está cheio de lágrimas. Dou uma risada e a abraço rapidamente. 

 

 - Desculpa ter fugido, eu...

 

 - Estávamos preocupadas. Todas nós. Estão bem, se machucaram? - Começa a me examinar, e logo passa para Yoobin. Ela realmente é como nossa mãe.

 

 - Essa aí ficou presa num sonho triste de nostalgia, fora isso, tudo sobre controle. - Em outra situação, estaria morta.

 

 - E ela cantou pra mim...

 

 - Você ouviu uma “Lullaby”? Estava sonhando, poderia ser qualquer uma.

 

 - Tipo a tua sósia?

 

 - Minha...

 

 Um ruído me corta, me viro em sua direção e vejo um desconhecido. Me aproximo, o encarando curiosa. Este se afasta até se encostar em uma das estantes, como se fosse venenosa.

 

 

 - Quem ou que é você?

 

 

 - Primeiramente, boa noite! - Tira um chapéu imaginário. Esse é dos meus. - Segundamente, uma longa história. Se quiserem ouvir a resenha, acho que o temos tempo. Não tanto quanto pensam, mas o suficiente.

 

 

 - Enrolado. Mas okay, fique à vontade. - Respondo por todas e me sento, encostando na parede e abraçando meus joelhos.

 

 

 Todas se entreolham, e JiU confirma com a cabeça. Não tenho credibilidade. Todas se sentam, formando um arco em frente à mesa, e ao nosso amiguinho.

 

 

 - Bem... - Esfrega as mãos, nervoso, procurando as palavras certas, por onde começar. Isso vai demorar. Mas minha agenda está livre. Sua pose parece o Sherlock Holmes.

 

 

 Enquanto espero, vejo Gahyeon se deitando, o olhando de cabeça para baixo. Não sei a idade dela ou de Handong, mas acho que achamos nossa maknae. Dami, com seu posto roubado, não que se importe, se deita no colo de Siyeon, e Yoohyeon e Min-ji entrelaçam as mãos, se apoiando uma na outra. Ótimo. Estou de vela. Um candelabro. Um incêndio. Mil velas, eclipso as que estão nessa sala. Faço um aegyo, entediada. Me assusto quando sinto alguém deitando em meu ombro. Olho para baixo e vejo a chinesa, Handong. Penso em tirá-la dali, pois mal a conheço. Mas me sinto estranhamente bem, e mais estranhamente nervosa perto dela. E não do jeito normal, em relação à uma desconhecida. É confortável. Não consigo formular uma resposta, nem conseguiria, o cara estranho fala antes.

 

 

 - Yoohyeon já me conhece. - Yoohyeon não parece muito surpresa, mas tenho o efeito contrário. Me ajeito, com cuidado para não derrubar minha companheira. Companheira? Minhas bochechas se esquentam com meu vocabulário. - Mas mesmo você tem que saber alguns pontos extras.

 

 

 - Meu nome é Kang Myung-Dae, mas podem me chamar de Apolo, meu nome grego, ou o que preferirem. Sou metade vampiro, metade goblin, vampiros são imortais, exceto se forem gravemente feridos, portanto, minha idade é indefinida. Posso manipular energia e sou veloz, como todo vampiro. E aconteceu o seguinte:

 

 

 

Flashback ON

 

 

 

 O vampiro chega e tira sua máscara e luvas, quaisquer extensões de roupa eram um atentado contra a vida nesse local, exceto é claro, para criaturas de fogo. 

 

 

 Depois de um tempo lendo o livro, um outro, fino e roxo, com o título, “Moore”, talhado em escrita curva e banhada a ouro, lhe chama a atenção. Parece que está sendo o observado, e os olhos vem dali. Se vira rapidamente.

 

 

 Okay, não quis dizer literalmente. Se bem que usou o plural, e o olho humano, de traços negros como a noite, parece ter sido desenhado. E pior. 

 

 

 Parece vivo.

 

 

 Olha ao redor, ao sentir a intuição se ampliar. Toda a casa tem olhos. Toda a estrutura, desde a parede, do chão até o teto. Derruba o livro que tinha em mãos com a descoberta. Se xingou mentalmente, havia caído como um rato numa ratoeira. Mas o ditado é diferente.

 

 

 “A curiosidade matou o gato.”

 

 

 A luz das raras luminárias começam a falhar, no ímpeto de descobrir o que está havendo, depara seu olhar com o de seu reflexo. Se aproxima, cauteloso, sente uma vibração estranha a cada centímetro. Por um segundo, a sósia de Kim Min-ji, Ayoung, substitui sua imagem, mas logo some, assim como as luzes que acendem e apagam. Volta à mesa sério, pensativo.

 

 

 Enquanto isso, certas garotas bebiam uma poção de invisibilidade. Começam a bagunçar o humilde local, e, como uma indireta, uma alfinetada, derrubam o apanhador de sonhos. Como um robô, Myung vai até o artesanato e o recolhe. 

 

 

 Mas logo é obrigado a soltá-lo, quando se sente ser empurrado para o bizarro mundo dos espelhos. Para brincar consigo, como seu bonequinho, sua marionete, parceiro de ventrículo, colocaram um espelho idêntico, mas com bordas prateadas no ambiente. O bateu, confuso, olhava para ele querendo voltar para casa, mas percebe que o trocaram.

 

 Durante sua epifania, de que estava preso em uma outra e não tão distante dimensão, certas garotas vestiam seus trajes, que lhes cabiam como um uniforme. Todos iguais, como parte uma seita. A primeira parte estava concluída. Saíram, pendurando gravetos semelhantes aos da obra “A Bruxa de Blair”, e se posicionaram.

 

 

 

Flashback OFF

Narrador P.O.V

 

 

 

No presente, na floresta escura, que se mistura num brilho transitante entre o prateado e esverdeado, sete garotas saem do local onde falharam com seu plano, com seu mestre. Se preparam para o que vier. Algumas levam tochas atrás, e vão caminhando com o livro trancado e recuperado sendo carregado por uma delas, em sua capa. Sua percepção se extinguiu, no que diz respeito ao importante objeto. E o deixa cair ao passar por uma certa árvore.


Notas Finais


As notas são interessantes ;)


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