História Drop of water - Capítulo 11


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Categorias O Assassino: O Primeiro Alvo (American Assassin), Teen Wolf
Personagens Allison Argent, Deputy Director Irene Kennedy, Lydia Martin, Mitch Rapp, Scott McCall
Tags Cia, Mapp, Martinski, O Assassino, Scallison, Stydia
Visualizações 147
Palavras 2.179
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Famí­lia, Luta, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, leitores! Sou tipo de autora que some e volta do nada rsrs
Desculpa pela demora, eu sei que sempre faço isso... tive diversos motivos que me atrapalharam de atualizar, mas aqui estou!
Faz um tempinho que terminei um capítulo enorme dessa fic, mas demorei para corrigir e acabei decidindo dividir em duas partes. Então, o próximo capítulo já está pronto e posso adiantar que é maior do que esse.
Amo vocês, espero que não desistam das minhas fics.
Boa leitura!

Capítulo 11 - Basic Instinct


Você fica lindo quando sorri. Você fica lindo quando sorri. Você fica lindo quando sorri. Você fica lindo quando sorri.

 A maldita frase dita por Lydia girava sem parar na mente de Mitch. Por mais que ele se esforçasse durante o treino, fazendo questão de ficar sozinho para não ser atormentado pela presença de alguém, ele ainda assim não conseguia calar a voz da mulher ressoando repitas vezes em seus ouvidos.

Katrina sempre amou o sorriso de Mitch. Ele não conseguia lembrar de nenhum dia do namoro entre eles em que a mulher que amava não tivesse elogiado a maneira como ele sorria. Talvez por isso, quando ela morreu ele perdeu de imediato a capacidade de sorrir.

Após passar o primeiro ano sem ela, Rapp reconquistou a capacidade de retorcer os lábios em raras ocasiões, mas tinha consciência de que nem chegava perto dos sorrisos que costumava ter dentro de si e que transbordavam através de sua boca.

Então, depois de tanto tempo, Lydia veio com aquele maldito elogio ao seu sorriso. Por um motivo que ele não conseguia entender por completo, a fala da Martin o fez sentir ódio, frustração, vergonha e principalmente, saudades. Saudades de Katrina e de quem ele costumava ser quando estava com ela.

Mitch se esgotou durante todo o dia, tentando calar os próprios pensamentos, tentando não dar valor ao elogio de Lydia. Lutou contra si mesmo sem obter nenhum sucesso, levando o corpo a exaustão, mas permanecendo com os gritos mudos de sua mente.

Parou quando não suportou mais, os pulmões ardiam ao buscar por ar, os músculos das pernas e do abdômen explodiam com uma dor insuportável e a fraqueza fez com que começasse a perder o equilíbrio.

Piscou os olhos, atordoado com as manchas surgindo em sua visão precária e precisou encostar na parede em busca de algum descanso. Sua respiração estava alta e sofrida, o corpo todo encharcado de suor, o cabelo grudava pelo rosto e os braços já não tinham mais força para se erguer.

— Porra, que merda! Eu devia ter comido alguma coisa.

Com os joelhos fracos se recusando a se manterem erguidos, Mitch foi obrigado a abaixar devagar, ainda escorado na parede para não desabar de uma vez. Com muita dificuldade e fazendo uma careta de dor, conseguiu sentar e buscou conforto para a cabeça dolorida na parede atrás de si.

Depois de alguns minutos atordoantes, Mitch continuou lutando para respirar melhor e percebeu que não tinha forças para se erguer do chão. Não queria voltar para casa e trocar a solidão agradável daquela sala para a solidão opressora de seu pequeno apartamento, onde tudo o fazia lembrar de uma época em que na mesma cama em que tinha pesadelos horríveis, antes Katrina dormia ao seu lado.

Nos melhores dias, Mitch conseguia lidar com seu luto, com seus pensamentos. Conseguia focar no esforço físico e ter o mínimo de descanso no sono atribulado, mas nos piores dias, dias como aquele que estava vivendo, algo do cotidiano servia como gatilho para explodir dentro de si uma dor incontrolável junto com um caos de sentimentos e sensações que matavam sua sanidade e o sufocava dentro do próprio corpo.

Infelizmente, naquele dia, o elogio de Lydia tinha servido como o gatilho para toda aquela dor.

Mitch queria alcançar o silêncio completo de seus pensamentos. A agonia subia por sua garganta como fogo, alcançava sua cabeça e piorava a dor que sentia. Por isso, mesmo com os braços exaustos, levou as mãos à cabeça, puxando os fios compridos na tentativa de obrigar que o corpo voltasse a funcionar.

Enquanto estava perdido no inferno pessoal, a porta da sala foi aberta por Lydia. Antes de perceber o estado do rapaz, ela começou a falar com seu habitual tom de felicidade:

— Eu estava procurado você por toda parte! Já estou me preparando para ir embora e a Irene... — Então, ela finalmente o olhou com maior atenção. — Mitch? Meu Deus! Está tudo bem?

Ela nem pensou, sentou no chão ao lado de Mitch e apoiou as pequenas mãos sobre os joelhos masculinos, tocando bem de leve. Com a expressão preocupada, ela o analisou antes de voltar a falar.

Mitch estava suado demais, pálido, parecia não conseguir respirar e estar fora da realidade, os olhos perdidos em direção ao teto, movendo a cabeça em claro desconforto para os lados como se buscasse uma solução invisível. Ele soltou o cabelo e deixou as mãos caírem sobre o chão, assim Lydia viu como os braços dele tremiam.

— Mitch... — Sussurrou o nome dele sem saber o fazer e uma das mãos escorregou até a dele. Entrelaçou seus dedos e o Rapp continuou sem reagir, ainda tremendo, ainda em silêncio completo. — Consegue me dizer seu endereço? Vou levar você para casa.

Ele negou com a cabeça algumas vezes e não conseguiu responder por alguns minutos. Lydia esperou em silêncio, sem chamar ninguém para ajudar, nem demonstrando algum sinal de impaciência. Continuou ajoelhada a sua frente, o rosto repleto de preocupação e quando ele pareceu demorar demais para reagir, começou a fazer um carinho sutil em sua mão.

— Vamos, Mitch — Ela incentivou baixo e se inclinou sobre ele, envolvendo os ombros suados para ajudá-lo a ficar de pé. Com alguma dificuldade devido ao peso dele, Lydia foi capaz de fazê-lo levantar, sempre mantendo contato com o corpo trêmulo e quente.

— N-não precisa me levar — Respondeu com a voz fraca, se sentindo prestes a desmaiar, a visão ainda repleta de borrões.

— Olha para mim — A voz assertiva e dura chamou atenção de Mitch, fazendo com que ele a obedecesse por instinto. — Se não falar o seu endereço, vou levar você para minha casa, porque eu não vou deixar você tentar dirigir nesse estado. Está entendendo, Mitch? Não está nem conseguindo ficar em pé!

Ele fez uma cara emburrada, ainda zonzo e distante da realidade. Lydia revirou os olhos de modo teatral e com cuidado, o arrastou para frente, o ajudando a andar meio cambaleante.

— E o seu amigo? — Rapp perguntou sem querer ceder, piscando várias vezes para tentar enxergar melhor.

— Scott saiu mais cedo e eu ia encontrar com ele depois, mas a prioridade agora é você. — Ela explicou arfando por ter que sustentar boa parte do peso dele. — Não vale a pena tentar fazer com que eu mude de ideia. — Acrescentou pouco depois, teimosa.

Mitch não estava em condições de discutir, por isso, acabou concordando em silêncio e foi guiado até o carro de Lydia. O automóvel era de um vermelho chamativo e assim que ele entrou, sentando sobre o banco confortável, foi invadido pela fragrância de perfume que dominava o interior do carro.

— Você almoçou, Mitch? — Ela perguntou ao assumir o lugar do motorista, ligando o carro. Ele negou com a cabeça e ela soltou um palavrão. — Você treina até oito horas da noite igual um maluco sem nem ter comido? É claro que está passando mal!

Ele encolheu os ombros doloridos, sem coragem de dizer que o desconforto físico era o que menos o incomodava. Lydia suspirou e antes de começar a dirigir, entregou a Mitch uma garrafa com água. Ele aceitou de bom grado e bebeu todo o conteúdo com pressa, se sentindo imediatamente mais desperto.

Lydia dirigiu com calma, a testa ainda franzida de preocupação. Toda vez que parava em um sinal fechado, aproveitava a oportunidade para encarar Mitch, tentando analisar o estado dele. Rapp se apoiou no vidro da janela do carro e ficou de olhos fechados, ainda assim, falou o endereço em voz baixa.

Quando ela estacionou o carro em frente a um prédio antigo, Mitch murmurou um “obrigado” rabugento e fez menção de sair do automóvel.

— O que você acha que está fazendo?

— Indo para casa?! — A voz dele soou debochada. Não queria irritá-la ou soar ingrato, mas o mau humor o consumia em resposta a toda situação desconfortável.

Lydia bufou, algo que não parecia combinar com seu jeito sempre tão feliz e animado. Mitch saiu do carro e para sua surpresa, Lydia saiu logo em seguida e foi até a porta do prédio, os braços cruzados na frente do peito.

— Eu não preciso de babá, Martin. Posso muito bem entrar sozinho em casa. — Mais lucido depois de ter bebido a água e ter se acalmado dentro do carro, ele conseguiu formular frases completas. — Já estou me sentindo melhor. — Tentou se corrigir com a frase mais mansa.

A mulher não respondeu, só o encarou dos pés à cabeça, o analisando criticamente. Mitch xingou, depois não disse mais nada. Pegou a chave no bolso da calça e ao tentar abrir a porta do prédio, não conseguiu, percebendo com desgosto que as mãos ainda tremiam.

Ao ver o esforço de Rapp, Lydia se comoveu e tirou a chave das mãos dele com delicadeza. Suspirou, abriu a porta e antes que ele negasse, segurou uma de suas mãos, o dando segurança para subir os poucos degraus na entrada do prédio. Eles foram em silêncio até um pequeno elevador e Mitch apertou o botão do sexto andar.

Ao pararem em frente ao apartamento dele, mais uma vez foi Lydia que precisou destrancar a porta. Apesar das dores e do emocional abalado, Mitch ainda corou quando entraram, se envergonhando ao se dar conta de que a parceira de trabalho estava vendo seu apartamento.

Lydia olhou rápido para a sala. Tinha poucos móveis em tons escuros e quase nenhum objeto de decoração. Tudo monótono, mas extremamente limpo, só uma camisa azul escuro estava esquecida em cima do sofá em contraste com a arrumação. A casa era tão diferente da de Lydia, pareceu tão deprimente na visão dela, que em outra situação teria sido capaz de rir.  

— Descansa um pouco que eu vou ver algo para você comer, tudo bem? — Sua voz voltou a assumir o conhecido tom doce, gentil.

— Lydia, você não precisa...

— Eu quero fazer isso, Mitch e não vai conseguir me convencer a deixar você sozinho.

Ele a encarou nos olhos e por fim, desistiu. Cambaleou com alguma dificuldade até o sofá e sentou, tentando ignorar o constrangimento e a sensação desagradável de exposição. A única pessoa que já tinha ido até aquele apartamento, foi Allison e mesmo assim, poucas vezes. Não gostava de receber visitas.

Fechou os olhos desejando expulsar aqueles sentimentos. Pelo menos, parte do seu tormento interno tinha se acalmado, Lydia tinha sido uma distração capaz de tomar espaço em sua cabeça, o que fez com que pensasse um pouco menos em Katrina. O cansaço acabou fazendo com que ele caísse no sono.

Lydia abriu a geladeira de Mitch e mexeu em cada armário e gaveta da cozinha, até por fim achar o suficiente para cozinhar. Por quase não ter opção e querendo diminuir o claro mal-estar dele, ela acabou fazendo uma sopa.

Quando a sopa já estava quase pronta, foi até a sala para espiar como ele estava. Viu Mitch dormindo em uma posição desconfortável, sentado com a coluna meio torta, a cabeça inclinada para um ângulo estranho. O mais incomodo da cena era a expressão de tormento mesmo durante o sono que deveria acalmá-lo. Suspirou se sentindo impotente e o observou por um longo tempo, se perguntando se ele estava tendo mais um pesadelo com a noiva morta.

Quando terminou de cozinhar, serviu bastante sopa para Mitch e um pouco para si. Lembrou de cancelar a saída com Scott por mensagem e disse que depois explicaria o motivo. Ela estava morta de saudades do melhor amigo, mas não ia conseguir sair com ele depois de ter encontrado Mitch no chão, em completo pânico e sem ninguém para ajudá-lo.

Apoiou os pratos com sopas na mesa de centro e sem saber ao certo como acordar Mitch, levou uma mão ao cabelo suado. Ele tinha um cheiro tão bom de perfume masculino, que ela não dava a mínima importância para o suor. Fez carinho no cabelo bonito e comprido, bagunçando e arrumando de novo em uma tentativa delicada de acordá-lo.

Quando por fim ele acordou, Lydia observava com atenção as pintinhas do rosto a sua frente, a pele pálida, os lábios finos. Era assustador como ele era bonito.

Ele acordou assustado, estremecendo, os olhos arregalados pelo contato íntimo. Por instinto, fugiu do toque dela e Lydia respeitou, deixando as mãos caírem ao lado do corpo. Ela abriu um pequeno sorriso, meio constrangida.

— Pessoas doentes sempre comem sopa, então eu fiz. — Ela murmurou baixo, mostrando as sopas dispostas sobre a mesa.

— Eu não estou doente.

— Estava tendo um treco emocional e treinou durante todo o dia sem comer nada — Ela respondeu com uma expressão engraçada, o humor habitual já recuperado a fazendo abrir um sorriso mais amplo. — Você tem razão, seu problema não é doença, é estupidez.

Ele fez uma careta e quase sorriu, quase. Seus lábios pareciam secos demais e se recusaram a sorrir da maneira certa. Ela o encarou com intensidade o suficiente para constrangê-lo.

Sonolento, dando piscadas longas demais, e só quando ele terminou de comer, agradeceu em voz baixa:

— Obrigado, Lydia. — Havia uma doçura incomum na voz na grave que fez com que a mulher abrisse um de seus lindos sorrisos.


Notas Finais


Gostaram?? Confesso que estou bem animada porque acabou os capítulos introdutórios e o desenrolar da fic vai acontecer de fato.
Para quem segue a playlist no spotify,lá está com várias músicas novas! Fui adicionando as que pretendendo usar nos capítulos e quando eu for escrevendo, vou colocar na ordem que aparecer na fic.
Não vou demorar para postar o próximo, afinal já está pronto. O que vocês acham que vai acontecer??
Espero de verdade que tenham gostado e quero agradecer a Érika que foi maravilhosa ao dar as ideias que tornaram possível escrever esses capítulos.
Beijinhos!


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