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História Drowning in Love - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Capítulo 3


     Hinata sabia que era um ímã de confusões, desde bem pequeno. Talvez fosse pela sua agitação, aquele defeito de agir e depois pensar, aquele instinto de fazer qualquer coisa sem pensar em consequências, fosse o que tivesse de ser, Hinata sempre arranjava algo que resultava em problemas. Atsumu era prova disso, já que Hinata não o conheceu em circunstâncias muito boas e nem fazia ideia de como havia conseguido se envolver com ele, ele era um dos piores na faculdade, pelo menos ele era assim antes de Hinata abandonar seu curso.

— Você está me ouvindo? — Kageyama perguntou, tirando Hinata de seus pensamentos distantes.

— Estou. — Respondeu de forma arrastada. — Não pense como se eu estivesse perseguindo você, eu não gosto de um alfa qualquer. Estou aqui porquê preciso desse emprego e nem faço questão alguma de ter algum contato com você.

Um silêncio breve pairou pela sala, sendo interrompido pelas batidas leves na porta de vidro, Kageyama encarou Suga, com a expressão meio surpresa do outro lado da porta. Ele a abriu devagar, segurando nas mãos algumas pastas e um notebook, aparentemente pesados.

— Houve algum problema? — Ele perguntou, colocando as coisas que segurava sobre a mesa de Hinata.

— Não. — Hinata e Kageyama responderam no mesmo tempo, se entreolharam, e voltaram a se sentar em seus lugares.

Kōshi encarou Kageyama, com um olhar suspeito, uma vez que sabia que Kageyama não conseguia se dar bem com ninguém. Sugawara já havia perdido a conta de quantos assistentes havia contratado para Kageyama, uns extremamente bons e responsáveis, outros nem tanto, e nem um sequer havia suportado o jeito grosseiro e exigente de Tobio.

Suga voltou-se para Hinata, sentado com os olhos baixos.

— Eu trouxe algumas coisas para você. São alguns documentos, boletos, tem muitos papéis aí, gostaria que você os organizasse para mim, tenho tido muito trabalho lá em cima, não me sobra tempo para nada.

— Claro! — Hinata respondeu entusiasmado, chegando sua cadeira um pouco mais próximo à mesa.

— E, Kageyama, se precisar de algo, você pode pedir à ele, tenho certeza de que ele se sairá bem.

Hinata não estava se saindo mal. Seu primeiro dia também não fora ruim, fora o pequeno incidente com Tobio, foi até bom porquê Kenma o buscou depois, trouxe um outro suéter caso Hinata sentisse frio, e o levou para jantar em seu restaurante favorito em forma de comemoração, e Hinata gostava demais quando Kenma se demonstrava atencioso assim.

Os próximos dias também foram normais, embora Hinata e Kageyama não proferissem uma palavra um ao outro, sequer quando Kageyama fazia questão de ser arrogante e dar inúmeras tarefas para Hinata fazer, sem contar das vezes que ele simplesmente pedia para Hinata levantar-se de seu lugar e ir pegar café ou chá para ele, mesmo o ruivo estando tão atarefado, naquele escritório na maioria do tempo apenas se ouvia o som baixo das buzinas dos carros na rua abaixo. Shouyou não havia pensado no tanto que um assistente trabalhava, mas talvez fosse realmente assim, afinal, assistentes fazem o que os outros superiores mandam, mas sabia que talvez Kageyama estivesse exagerando, mas se segurou muito para manter-se concentrado e não fazer nenhuma reclamação, ele era bom o suficiente para fazer todas aquelas coisas e não desistiria tão fácil.

Hinata constantemente ponderava sobre Kageyama, fosse no trabalho, ou em casa, pensava no seu silêncio grosseiro, imaginava se ele talvez pensasse se era mais importante que as outras pessoas, talvez egocêntrico, Hinata não sabia ao certo sobre aquela personalidade estranha, nunca havia defrontado uma personalidade assim. Kageyama era ainda mais estranho quando se encontrava reclamando em sussurros enquanto tomava uma xícara cheia de café forte sem açúcar e fixava seus olhos na tela clara do computador, e embora Hinata não se importasse, gostaria de saber o que o incomodava tanto.

Constantemente Shouyou se perdia em seus pensamentos, e Kageyama fazia questão de lembrar-lhe seu lugar dando a ele o dobro de tarefas e um olhar um tanto desafiador, talvez Tobio fosse mesmo um narcisista.

— Eu terminei de fazer as ligações que você pediu, Kageyama. — Hinata o avisou, com a voz lenta e arrastada por conta do cansaço que lhe controlava.

O relógio redondo minimalista pendurado na parede marcava exatas sete e quinze da noite, e sabia que ainda havia muita coisa a fazer, e embora o dinheiro recebido pelas horas extras que fazia fosse bom, talvez não valesse o suficiente pelo seu descanso. Seus olhos estavam pesados e cansados, e, de pouco a pouco, Hinata deixava o cansaço prevalecer e calmamente fechava seus olhos, perdendo a consciência e dormindo em intervalos de três em três minutos. Hinata observou Kageyama se levantar e ir até sua mesa recolher os papéis bagunçados ali presentes, enquanto ainda coçava os olhos tentando manter-se acordado. Minutos depois, Hinata acordou com um toque levemente gélido em sua bochecha.

— Dormindo na minha frente, eu deveria te dar uma bronca ou algo do tipo? — Disse Kageyama, encostando a latinha de refrigerante no rosto levemente corado de Hinata.

— Não me culpe, já é tarde, eu fiz muitas coisas hoje. — Hinata o respondeu ainda sonolento, pegou o refrigerante e o colocou em cima da mesa vazia. — Cadê as coisas que estavam aqui?

— Eu peguei, você pode ir embora.

— Não vou antes de terminar, não quero ter o dobro de coisas para fazer amanhã.

Hinata abriu a latinha de refrigerante e tomou um gole da bebida.

— Obrigada. — Ele disse a Kageyama. — Me devolva as coisas.

— Não, vá logo, antes que eu mude de ideia e desconte do seu salário por você dormir em serviço.

Hinata respirou fundo e assentiu, embora quisesse terminar de fazer coisas, não queria bater de frente com Kageyama, ele era do tipo que não brincava com o que dizia. “Vou me trocar e descer”.

Kageyama esperava pacientemente Hinata do lado de fora do banheiro masculino, não costumava ficar ali até tão tarde, geralmente era Kōshi quem saía por último e ativava a segurança do prédio, mas em dias muito cheios ele era sempre o último a sair, e mesmo que nunca fosse admitir isso, contemplava em sua mente o quanto era agradável ter uma companhia naquele lugar vazio e silencioso, ainda que fosse um incômodo um que sua companhia fosse Hinata Shouyou. Tobio podia citar as mais diversas falhas do garoto, e não conseguia entender o motivo de Sugawara tê-lo escolhido, já que ele fazia mais confusões do que resolvia coisas, sem contar o fato de que Kageyama já havia transado com ele antes e isso deixava as coisas muito esquisitas entre eles, mas Kageyama sabia que Hinata era uma pessoa boa que dava o seu melhor, mas mesmo assim não tinha a mínima chance de pegar leve com ele.

Um dos maiores problemas de Kageyama com Hinata era o seu cheiro, aquele cheiro constante e adocicado, malditos fossem esses feromônios que faziam sua cabeça doer, apesar de ser um cheiro agradável, e claro, ele era um ômega, era meio óbvio ser agradável.

— Vamos?

Hinata ajeitava sua bolsa transversal de couro no ombro, mantendo os olhos baixos por um tempo. Os passos pelo corredor ecoavam, Kageyama e Hinata chegaram até o elevador.

Kageyama sentia-se desconfortável com Hinata tão próximo, de longe, Hinata já possuía um cheiro agradável, e de perto, era muito mais intenso. O cheiro adocicado de seu corpo junto com o aroma delicado do perfume que estava usando quase fazia Kageyama perder a cabeça. “Por que está tão intenso?”, Kageyama se perguntou, torcendo para as portas do elevador se abrirem logo.

A porta do elevador se abriu e Kageyama esperou Hinata ficar uns passos à frente para manter uma certa distância. Kageyama ativou a segurança do prédio e saiu junto a Hinata.

— Então, até amanhã, Kageyama. — Disse Hinata, se aproximou e deu dois tapinhas leves no ombro de Kageyama.

— Até. 

Hinata seguiu seu caminho pela calçada e Kageyama seguiu para o estacionamento, suas mãos estavam sobre o rosto, impedindo daquele cheiro intenso de Hinata viesse a invadir seu nariz, e Kageyama sabia que o ruivo não tinha culpa nem noção dos feromônios que expelia, mas, pensava no que caralhos Hinata Shouyou tinha para ter um cheiro tão bom e irresistível.



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