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História Dualidade - Capítulo 1


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Notas do Autor


Olá a todxs.

Dedico essa fic a todo mundo, assim como eu, torciam para que a Mirajane e o Laxus terminassem juntos.

Espero que possam aproveitar a leitura.

Até mais <3

Capítulo 1 - Capítulo Único


Laxus Dreyar estava cansado. A última missão tinha retirado toda a sua energia e a única coisa que ele queria agora era o conforto de seu lar para um bom e merecido descanso. Cumprira com o objetivo solicitado, afinal.

 

Caminhando por Magnólia, sua cidade natal, ele se dirigia à sua guilda em passos calmos aproveitando a leve brisa do outono naquela madrugada, que soprava tocando seu rosto e bagunçando seus cabelos loiros. Fechou os olhos por breves segundos para contemplar aquela sensação gostosa. Sentia-se em paz.

 

Por muitos anos viveu uma vida imbuído em rancores, ganâncias e ignorâncias, esteve cego e incapaz de vislumbrar a sorte que tinha por ter companheiros tão valiosos ao seu lado na guilda: seus amigos, e também, sua família. Mas agora era diferente. Agora, ele era diferente e estava determinado a nunca mais virar as costas às pessoas importantes na sua vida. O garoto rebelde e problemático deu espaço a um homem seguro, maduro e preparado para lidar com seus problemas de frente, como tinha que ser, e como já estava sendo nos últimos tempos.

 

Só que ainda havia um impasse que ele não sabia como resolver…

 

Ela.

 

Mirajane Strauss era muito mais do que uma amiga de infância, era a pessoa que conhecia todas as suas faces, manias, gostos e desgostos. Foram criados juntos na guilda e desde sempre pareciam possuir um elo que os conectava mais do que com os outros. Ela parecia ter o dom de ver através dele, de enxergar sua alma, e talvez seja por isso que nunca conseguira esconder nada dela. 

 

Fosse o fato de que ela também havia mudado muito desde que era criança assumindo uma natureza tranquila e simplesmente amável, fosse a forma como ela sempre o tratou com carinho mesmo quando ele não tinha razão, fosse a fé inabalável que ela tinha nele, mais do que qualquer outra pessoa… Tudo nela o fazia sentir o que era realmente gostar de alguém. O problema era que ele não sabia como lidar com seus sentimentos, e não poderia correr o risco de fazer besteira. Não com ela.

 

Respirou fundo antes de entrar na guilda, que se encontrava silenciosa devido ao horário. Essa era uma das razões pelas quais sempre chegava de suas missões no meio da noite. Exausto, não tinha a menor paciência para lidar com Natsu, Gray e todo o alvoroço que os dois criavam a torto e a direito em plena luz do dia.

 

Alguns poucos membros se encontravam conversando em algumas das mesas e o cumprimentavam quando ele passava por eles. Dirigiu-se ao bar para se servir de alguma bebida antes de se retirar para um dos dormitórios, mas assim que entrou na parte interna do balcão deparou-se com ninguém menos que Mirajane, sentada no chão e recostada em um dos armários dormindo tão serenamente quanto era possível. Ela geralmente não trabalhava na guilda nos turnos noturnos, mas curiosamente, ela sempre estava lá quando ele chegava de algum trabalho. Hoje, no entanto, pareceu ser vencida pelo cansaço.

 

Com toda a calma e delicadeza que ele se esforçou muito naquele momento para ter, tomou-a em seus braços acomodando sua cabeça em seu tronco e foi em direção ao corredor que dava aos dormitórios. Com o movimento, no entanto, ela pareceu despertar um pouco.

 

- Laxus, é você? - perguntou em um sussurro abrindo lentamente os olhos, ainda embriagada pelo sono e cansaço aparente. - Você demorou dessa vez.

 

- Descanse, Mira. - disse suave, tentando ignorar o quanto o perfume de lavanda de seus cabelos eram inebriantes e mexiam com seus sentidos. - Amanhã nós conversamos.

 

- Tudo bem. - murmurou ela parecendo se acomodar melhor em seu colo, antes de cair novamente em sono profundo. - Bem vindo de volta.

 

Por um momento, sentiu seu coração errar algumas batidas e um leve rubor esquentou seu rosto enquanto tentou conter um sorriso que ameaçava aparecer. Alcançou um dos quartos e entrou colocando-a na cama com cuidado e cobrindo seu corpo com um lençol macio. 

 

Antes de sair a apagar a luz, olhou-a uma última vez. Quem a via daquele jeito tão angelical nunca imaginaria a força demoníaca que habitava dentro dela. Mirajane era, definitivamente, o ponto de equilíbrio entre luz e escuridão.

 

O ponto de equilíbrio dele.


 

***

 

Alguns dias se passaram e Laxus já se encontrava pronto para encarar mais um trabalho. No segundo andar da guilda, ele analisava o quadro de missões categorizadas, especificamente, para magos de seu calibre e procurava, dentre os pedidos, algo que captasse seu interesse.

 

- Laxus. - chamou alguém se aproximando e parando próximo a ele. Olhou para o lado e deparou-se com Erza, outra maga nível S, como ele. - O mestre deseja falar com você.

 

- Tsc.

 

Resmungou uma resposta e andou até as escadas em direção ao térreo onde a grande maioria dos membros da guilda se encontrava. Em um canto, junto a Mirajane, estava Makarov, seu avô e mestre da guilda. O que o velhote queria dessa vez?

 

- Tenho um trabalho para você. - falou Makarov assim que ele chegou mais perto cruzando os braços. Conhecia o neto o bastante para saber que Laxus não gostava de enrolação. - Recebi uma carta de um antigo conhecido alegando sobre uma magia sombria que anda rondando um vilarejo nas fronteiras de Fiore. - explicou com um semblante sério. - Preciso que investigue e resolva o problema o mais rápido possível.

 

- Não demorarei. - disse por fim com certo descaso.

 

- Certamente. - concordou o mestre sorrindo satisfeito. - Por isso quero que leve Mirajane com você.

 

- O quê? - indagou completamente surpreso, olhando Mirajane em seguida que parecia um pouco sem graça com a reação dele.

 

- Magia das trevas é meio que minha especialidade… - comentou ela com um sorriso doce.

 

- Eu acredito que não vou precisar da sua ajuda. - se viu dizendo e acabou soando mais ríspido do que gostaria. Droga.

 

A missão seria em um lugar muito distante, um dos extremos do país, logo, levaria um pouco de tempo até chegar lá. Em outras circunstâncias, ele teria ficado mais do que feliz em passar todo esse tempo na companhia dela, mas estar com ela 24 horas por dia era ter que encarar seus sentimentos 24 horas por dia. E ele ainda não sabia o que fazer em relação a isso. Viu o sorriso dela murchar com o que ele disse, e antes que ele pudesse dizer algo para consertar a impressão que causou, ela foi mais ágil.

 

- Acha que não sou forte o bastante para acompanhá-lo? - perguntou ela com frieza, e ele se sentiu um pouco desnorteado tentando entender como raios ela tinha chegado a essa conclusão. - Não sou boa o suficiente para você?

 

Em seus olhos azuis penetrantes, ele notou algo diferente. Parecia que ela queria dizer algo a mais com aquelas palavras, como uma mensagem subliminar, oculta, criptografada e direcionada somente para ele. Um certo nervosismo tomou conta de seu corpo, como uma leve descarga elétrica percorrendo sua pele tendo como única e exclusiva origem, o olhar de Mirajane, tão ambíguo, encontrando-se com o seu.

 

- Eu não disse isso. - foi o que conseguiu proferir mediante a pressão exercida pelo silêncio dela, aguardando uma resposta sua.

 

- Nem precisa. - acusou ela saindo de perto, em passos firmes e pesados indo em direção ao bar.

 

Como ela tinha ficado tão irritada por nada, foi o que ele ficou intrigado para saber. Sentiu pena das canecas que ela colocava com força sobre o balcão preenchendo-as em seguida com a cerveja do barril. Certo, ele poderia ter uma parcela de culpa, mas somente porque foi um mal entendido. Ela era uma das magas mais fortes que ele conhecia, nunca duvidou de sua capacidade em nenhum momento. 

 

Ouviu um riso baixo ao seu lado e percebeu Makarov com uma expressão engraçada no rosto. Ele parecia estar se divertindo com alguma coisa, o que deixou Laxus estressado; já não bastasse não entender o que se passava na cabeça de Mirajane, ainda tinha seu avô bancando o maluco. Revirou os olhos e resolveu sair da guilda para caminhar um pouco e espairecer as ideias.


 

***


 

No final da tarde, resolveu retornar à guilda e se preparar para o tal trabalho que Makarov lhe designou. Se tivesse sorte, encontraria com Mirajane antes de partir para esclarecer o ocorrido. Não se sentiria bem em sair sabendo que ela estava chateada com ele.

 

Para sua infelicidade, não a encontrou e muito menos a Makarov. Bufou impaciente e subiu ao pavimento superior indo em direção ao quadro de tarefas. Franziu o cenho.

 

- Erza, sabe onde está o pedido da missão sobre a magia sombria? - perguntou à ruiva que estava sentada em um banco distraída escrevendo alguma coisa.

 

- A do vilarejo na fronteira? - questionou ela tendo a confirmação dele. Ela pareceu pensar. - Ah. O mestre deixou com a Mira mais cedo antes de sair para uma reunião do Conselho. Ela disse que ia entregar a você.

 

- E você sabe onde ela está?

 

- Agora que você falou, faz algumas horas que não a vejo. - comentou Erza descontraída, até lançar um olhar um tanto quanto malicioso para ele. - E como estão as coisas entre vocês, hein?

 

- Hum? - indagou ele constrangido, fora pego desprevenido com aquela pergunta.

 

- Ora, eu vejo a forma como vocês se olham. - falou ela dando de ombros, mas ainda com aquele maldito sorriso bobo no rosto. - Na verdade, acho que todo mundo vê, menos vocês dois.

 

- Sua carta para o Jellal ainda não ficou pronta, não? Falta assinar ali, logo embaixo do "Com amor,". - disse ele apontando para o papel e ela imediatamente ficou com o rosto tão vermelho quanto a cor dos seus cabelos. Ele sorriu vitorioso e ela fez uma feição emburrada, ainda que corada.

 

- Ao menos eu não estou mais fugindo dos meus sentimentos. - alegou assinando seu nome e dobrando a folha ao meio. Levantou-se e antes de descer as escadas com a carta em mãos, virou o rosto para ele. - Deveria experimentar.

 

Quem poderia imaginar que depois de tantos anos estaria recebendo conselhos assim de Erza? Ela não tinha o direito de ser intrometida daquele jeito na sua vida, supondo coisas entre ele e Mirajane. E até onde ele sabia não estava fugindo dos seus sentimentos… Certo?

 

Levou uma das mãos à nuca tentando afastar todo o incômodo que estava sentindo. Talvez ele estivesse mesmo fugindo, no fim das contas. Balançou a cabeça para afastar esses pensamentos, não era hora de devanear sobre isso, precisava se concentrar, tinha um trabalho a fazer.

 

Não demorou muito tempo para Laxus entender o que tinha acontecido, só o bastante para perceber que Mirajane não estava em lugar nenhum. Ele deveria ter imaginado assim que notou a ausência dela quando retornou à guilda. Mirajane tinha ido ao vilarejo sozinha para fazer a missão, é claro. Ele tinha ferido seu orgulho e queria provar que, assim como ele dissera que não precisava dela, ela também não precisaria dele. Petulante como sempre foi. Decidiu não ir atrás dela, sabia que ela poderia solucionar o problema muito bem sozinha e se ele aparecesse por lá, só mostraria para ela o quanto ele não acreditava na sua força, magoando-a outra vez. 

 

Indiscutivelmente, era o que ele menos queria.


 

***

 

Já passava de quinze dias desde que Mirajane saíra, e Laxus estava começando a ficar inquieto. Não havia pego nenhum outro trabalho nesse tempo, estava decidido a aguardar a volta dela para pedir desculpas e resolver as coisas entre eles. Só não esperava que ela fosse demorar tanto. Todos os membros da guilda sentiam a falta dela, era como se Mirajane fosse parte vital da Fairy Tail e, sem ela ali, parecia que havia algo errado, incompleto. Se não bastasse essa sensação desconfortável, ainda tinha Erza que não perdia uma oportunidade de provocá-lo com um sorriso sacana nos lábios e com a irritante pergunta: “Não vai pegar nenhum trabalho hoje de novo, Laxus?”. Ela parecia saber que ele esperava por ela.

 

Em uma manhã, no entanto, ele concluiu que já havia esperado o suficiente. E se algo grave tivesse acontecido? E se ela estivesse com problemas? Makarov tinha solicitado os dois para a tarefa, e talvez as coisas não fossem tão simples como ele estava imaginando. Sem mais delongas, pegou suas coisas e partiu ao alvorecer. 

 

Foram dois dias de viagem até chegar ao seu destino final e durante o trajeto a cada vez que chegava mais perto, mais ansioso ficava. Quando chegou ao vilarejo estava anoitecendo e nuvens se formavam anunciando a vinda de uma tempestade. Andou pelas vielas do lugares na tentativa de sentir a presença da magia negra, mas não notou nada incomum. Por um lado ficou mais tranquilo, isso significava que Mirajane tinha tido sucesso. Por outro, ficou a se perguntar onde ela poderia estar.

 

Adentrou um bar em uma esquina, um dos poucos estabelecimentos comerciais na vila, como notou em sua breve caminhada. Tomou posse de uma mesa e iniciou um diálogo com uma atendente, alguém deveria saber do paradeiro dela.

 

- Está se referindo à senhorita Mirajane, da Fairy Tail? - indagou a moça assim que ele lhe questionou sobre a companheira de guilda. - Ela foi tão incrível, seremos eternamente gratos por ela ter se livrado daquele demônio para nós.

 

- Sabe para onde ela foi depois?

 

- Ah, a senhorita ainda está se recuperando. - disse a atendente abaixando um pouco o olhar, ficando visivelmente chateada. - Foi uma batalha muito dura e ela precisa de repouso por conta de todos os ferimentos. Mas sei que logo ela vai estar bem novamente. - e virou-se para ele demonstrando otimismo. - Ela está hospedada na casa do nosso curandeiro. Quer que eu te leve até lá?

 

- Sim, por favor. - disse sentindo um grande incômodo pesar em seu peito.

 

Não conseguiu raciocinar muito bem enquanto seguia a moça pelo vilarejo sendo atingido pelos pingos de chuva que começavam a cair. Mirajane estava gravemente ferida. Poderia ter sido ele se não tivesse sido tão insolente, e não precisaria ser nenhum dos dois se ambos tivessem deixado seu orgulho de lado e ido juntos, como deveria ter sido desde o início.

 

Adentrou na residência do curandeiro e o mesmo pareceu feliz em recebê-lo quando disse que era da Fairy Tail e que estava ali por Mirajane. O senhor o levou até o quarto onde ela repousava e se predispôs a atender qualquer pedido que fosse necessário. Bateu levemente na porta e a abriu, deparando-se com uma expressão de surpresa dela, que estava sentada na cama, enfaixada, machucada e vulnerável. Sentiu um pouco de ar lhe faltar.

 

- O outro ficou muito pior. - justificou-se corada e nitidamente ainda chateada com ele pela forma como evitou encará-lo.

 

- Sei disso. - confirmou ele com um sorriso ladino fechando a porta atrás de si e se aproximando dela. Ela pareceu recuar um pouco ao ver que ele chegou muito perto sentando-se na beirada da cama ao seu lado, mas relaxou quando Laxus segurou em sua mão com carinho. - Nunca duvidei de você. Desculpe se fui um idiota.

 

Vê-la daquele jeito doía e de um jeito que ele ainda não sabia como fazer parar. Sentia-se culpado. Se não tivesse sido tão covarde em encarar seus sentimentos por ela, ela não estaria daquele jeito. Estaria em casa, com ele e com todos os outros que aguardavam ansiosamente o seu retorno. Não iria mais fugir. Não iria mais conter todo aquele turbilhão de sensações que percorriam seu corpo toda vez que ela estava por perto, tão fortes e intensas quantos os relâmpagos que começavam a iluminar aquela noite chuvosa.

 

- Tudo bem, eu tamb-

 

Não deixou ela terminar de falar, puxou-a para si e tomou seus doces lábios em um beijo delicado. Com uma mão, tocou seu rosto acariciando-o com brandura e calmamente se afastou um pouco dela, permitindo-se se perder na imensidão de seus olhos azuis, agora mais brilhantes do que nunca.

 

- Você é perfeita para mim. - sussurrou, como em uma resposta à pergunta que ela o havia feito àquele outro dia e ele não soubera responder direito.

 

Mirajane, que até então ainda estava extasiada pelo beijo que ele lhe dera, sorriu verdadeiramente com aquela singela confissão e o puxou pela gola da camisa envolvendo-o em um novo beijo, um mais vigoroso, mais profundo, urgente. Nem em seus melhores sonhos Laxus poderia imaginar que teria tamanha recíproca da parte dela.

 

Mas Mirajane era assim. Era branco e também preto. Dia e noite. Inocência e malícia. Um anjo e um demônio. E era simplesmente fascinante provar toda aquela dualidade que pertencia exclusivamente a ela.

 

Assim como o seu coração.

 


Notas Finais


Obrigada!

Beijos.


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