História Duas almas e uma casa - Capítulo 24


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Anjos, Bruxa, Demonios, Espíritos, Romance, Romance Sobrenatural, Sobrenatural
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Palavras 4.157
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção, Hentai, Luta, Misticismo, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá!
Trago mais um capítulo...
Boa leitura!

Capítulo 24 - Pesadelo


Fanfic / Fanfiction Duas almas e uma casa - Capítulo 24 - Pesadelo

Precisava encontrar o Sr.Callahan às 21:00. Por algum motivo eu estava nervoso. À pedido de Oliver, já havia avisado Lorena que iria encontrá-lo lá embaixo. Ela logo se dispôs a me acompanhar, como imaginei, mas logo dispensei dizendo que o Sr.Callahan pediu pra conversar comigo à sós. Ela levantou uma sobrancelha, que me deixou sem saber se estava confusa, desconfiada ou surpresa, mas logo concordou. Oliver tinha ficado calado observando ela à todo tempo. Parecia sem saber o que fazer quando ela se virou novamente para a TV e ficou na dela.

Depois de pegar os envelopes e passar pela sala sem nem receber o olhar de Lorena como de costume, abri a porta e saí. Já estava quase dando o horário. Podia sentir um arrepio na nuca, o que mostrava que Oliver estava vindo logo atrás de mim. Apertei o botão do elevador e olhei pra ele.

- Está tudo bem? - Perguntei.

- Comigo sim... mas com Lorena nem um pouco.

- Por que diz isso?

-Ela está brava. - Encarou o chão. - Muito brava...

- Mesmo? Lorena me parece uma mulher bem calada, então não sei dizer.

- Ela não é calada. Esse é o problema. - Suspirei ao ouví-lo. 

Já estávamos descendo no elevador quando enfim chegamos no térreo. Saí e fui até a portaria. Olhei ao redor procurando Callahan e o vi no canto do hall. Tinha chegado bem na hora. Estava sentado em um dos sofás e estava falando no celular. Quando me viu, logo desligou e se levantou. Estava bem vestido num traje social, e seu cabelo preto grisalho estava bem penteado. Abriu um largo sorriso quando me viu. Tinha uma expressão gentil e sincera no rosto. Olhei de soslaio para Oliver e o vi colocar as mãos no bolso da jaqueta de couro enquanto desviava o olhar do pai.

- Filho! - Se aproximou me puxando pra um abraço apertado e logo me soltou dando batidinhas no meu ombro. - Desculpa, esqueci que ainda está se recuperando. - Soltou uma risada larga e me analisou com seus olhos âmbar.

- Não se preocupe com isso. - Respondi sorrindo fraco. Logo vi seus olhos se moverem para minhas mãos.

- Essas devem ser as provas... - Apontou.

- Sim. - Levantei a mão e entreguei pra ele. Callahan logo voltou para se sentar no sofá. Parecia cansado quando se sentou e soltou o ar dos pulmões. Abriu os envelopes e levou um tempinho para analisar bem o conteúdo dentro deles.

- Isso me parece sério. - Colocou de volta e olhou pra mim. - Até agora, é só disso que se lembrou?

- Sim.

- Bom, de qualquer forma isso é ótimo. Pro primeiro dia já é muita coisa. - Organizou os envelopes na sua mão. - Vou ligar para o meu advogado e mais algumas pessoas de confiança logo que eu sair daqui. Fica tranquilo filho. - Pela primeira vez, ouvi um suspiro de alívio vindo de Oliver.

- Agradeço velho... - Ele sussurrou.

- Eu preciso ir agora, mas... - Se levantou e se aproximou colocando a mão no meu ombro. - Faltam poucos dias para o natal e amanhã eu entro de férias, quero jantar com você um dia desses. Preciso falar sobre algo.

- Ah...Tudo bem. - Nos encaramos. O que será que quer me falar?

- Certo, eu te ligo. Manda um abraço para Lorena. Boa noite filho.

- Boa noite. - Acenou se afastando.

Eu e Oliver logo voltamos pro elevador. Calados. Havia um senhor junto conosco dessa vez.

- Tem alguma noção do que seu pai queira falar? - Perguntei para Oliver.

- Perdão? - O senhor se virou pra mim e eu arregalei os olhos. Por um momento tinha me esquecido que Oliver era só um espírito.

- Oh, desculpe, só estava pensando alto. - Respondi e o velho sorriu saindo no andar dele. Oliver gargalhou.

- Respondendo sua pergunta, não, não faço ideia. - Falou.

Quando chegamos e eu abri a porta do apartamento, senti um cheiro delicioso vindo da cozinha. Oliver tinha desaparecido do meu lado e quando eu vi, já estava ao lado de Lorena no fogão.

- Você foi rápido. Pensei que poderia terminar o jantar antes de você voltar. - Olhou pra mim, apesar de estar séria.

- Não conversamos muita coisa, ele precisava ir logo. Te mandou um abraço. - Me aproximei do balcão e me sentei.

- E era importante? - Ela meio que sussurrou se virando novamente para o fogão. Olhei para Oliver com um olhar de socorro, mas ele devolveu outro igual.

- Ah, ele só me pediu umas coisas dele que estavam aqui. - Inventei qualquer coisa e vi Oliver levar a mão na testa.

- Dele? Mas ele nunca deixou nada aqui. - Desviei o olhar. - Oliver... Se é algo que eu não deva saber, é só dizer. Não precisa mentir.

- Desculpa.

- Você andou estranho. Se lembrou de alguma coisa? - Olhou pra mim novamente.

- Não. Ainda não. - Ela suspirou e se aproximou enquanto a panela estava no fogão. Pegou nas minhas mãos e olhou pra mim com os olhos marejados, o que me fez ter calafrios na nuca quando vi Oliver se arrepiando de raiva na minha frente.

- Olha, saiba que não precisa esconder nada de mim Oliver. Eu te amo e estou aqui para o que você precisar.

- Eu sei, obrigado. - Se eu fosse Oliver, diria eu te amo também, mas claramente não posso dizer isso.

- Já chega, já pode tirar suas mãos. - Oliver falou pra mim tentando colocar a sua mão nas costas dela. De modo possessivo. Mas não precisei fazer isso, ela logo se afastou com um sorriso triste no rosto e voltou para o fogão.

- Estou fazendo ensopado de carne. Seu preferido. - Franzi o cenho confuso. Mas como ela sabe? Olhei para Oliver, que sorria que nem bobo. Será que...

- Eu pude saber logo pelo cheiro. - Ele sussurrou pra ela. - Obrigado meu amor.

- Uau, sério? Obrigado. - Falei, já que ela não conseguia ouvir os agradecimentos do verdadeiro Oliver.

Então temos o mesmo gosto...


Eliza

Faltavam mais poucos dias pro natal. Minha mãe não parava de falar o quanto estava ansiosa pra ver todo mundo reunido. Tínhamos acabado de almoçar e eu estava ajudando ela junto com meu pai a tirar a mesa e lavar os pratos. Meu pai como sempre, só ouvia, na maior parte do tempo.

- E o tio Pedro, confirmou que virá? - Perguntei.

- Ainda não, pelo jeito houve alguns problemas por lá que ele precisa resolver antes de dar uma resposta.

- Entendi.

Quando terminei de guardar as coisas, ouvi meu celular tocando. Olhei e vi o nome de Antonny na tela. Desde quando vim pra cá, ele não tinha dado sinal de vida, e nem imaginaria que iria me ligar.

- Alô?... Antonny?! 

- Olá gracinha. Como vai?

- Vou bem, e você? Ta tudo bem por aí? - Falei animada. Quando percebi, vi dois pares de olhos atentos em mim. Principalmente meu pai que estava com uma sobrancelha erguida e uma cara de como se dissesse "com quem você está falando?". Dei um sorriso amarelo e acenei subindo a escada.

- Estou ótimo. Vi sua mensagem de que iria pra Columbus passar o feriado com seus pais. Espero que tenha um ótimo natal.

- Obrigada, pra você também. Como está Nora? Têm planos pra esse natal?

- Ela está bem. Disse mais cedo que estava com saudades suas. - Entrei no quarto rindo. - Bom, eu e ela passaremos a ceia e o natal juntos. Afinal somos só nós. - Ouvir isso me deixou um pouco triste. Queria passar o natal com eles também... Afinal, me ajudaram tanto...

- Entendo... - Suspirei e sentei na cama. - Antonny... Se você quiser, poderia vir pra Columbus junto com Nora passar o natal aqui em casa. Claro que minha mãe chamou a família e mais algumas pessoas... - Rimos. - Mas vocês seriam mais que bem vindos aqui. Há espaço pra todo mundo e seria maravilhoso passar o natal com vocês, já que os considero parte da família...

- É muita consideração da sua parte Eliza. - Suspirou. - Se eu disser isso pra minha mãe, tenho certeza que ela vai querer ir te ver e conhecer sua família. Mas, bem...

- E qual é o problema? - Perguntei já que ele tinha demorado pra responder. - Minha mãe diz que natal não é natal se não há muita gente reunida... Então, não acha que quanto mais gente melhor? - Ouvi ele rir.

- Pode ser...

- Então vão vir!? 

- Eu vou ver com a dona Nora, te mando uma mensagem depois, pode ser?

- Claro...

- Bom, então até mais Eliza.

- Até mais Antonny. - Ouvi ele desligar e levantei voltando lá pra baixo. Meus pais estavam conversando tranquilamente quando de repente pararam e olharam pra mim.

- O que foi? - Perguntei. Talvez esperam que eu diga algo?

- Ah nada... - Ela me olhou de soslaio. - É o novo namorado? - Minha mãe sorriu. Bem direta ela.

- Namorado? Pff... - Encarei meu pai. - Não. Ele é um amigo muito importante que fiz em Athens. Ele e Nora, a mãe dele, me ajudaram muito. - Esclareci. - Convidei eles pra vir passar o natal. Espero que não se importem. Já que são só eles, fiquei triste de saber que iam passar o natal sozinhos. - Olhei minha mãe e vi os olhos dela brilharem. - Quer dizer, ainda não decidiram, mas só quero deixar avisado.

- Não, tudo bem! Seria ótimo conhecê-los. Não é? - Ela olhou pro meu pai e ele confirmou com a cabeça. Meu pai, mesmo tentando esconder, têm um complexo com a filha. E pra piorar, sou a filha única. Tudo que envolve outros caras, ele entra em choque. Mesmo eu dizendo qualquer coisa para tentar acalmá-lo. Não o culpo por isso. Até porque já foi um milagre ele ter aceitado eu ir morar sozinha.

- Ok. - Foi só isso que consegui concluir.


Akira

Eu estava impressionado com o talento que Lorena tinha na cozinha. Claro que era a primeira vez depois de três anos que eu comia ensopado de carne novamente, isso deve ter ajudado no sabor. Mas estava delicioso. Uma pena que Oliver não possa provar. Em vez disso, ele estava tentando tocar nas coisas. Estava tentando pegar um saleiro em cima do balcão, mas falhava miseravelmente. Eu lembro do sentimento de frustração quando isso acontecia comigo. Era enlouquecedor.

Eu já estava no meu segundo prato. Lorena havia terminado de jantar e tinha ido tomar banho.

- Ahhh Merda!! - Ele gritou e eu tive que revirar os olhos. Levantei e levei meu prato até a pia. Oliver estava irritado e eu não podia fazer nada.

- Oliver, você tem um computador ou um notebook? - Ele me olhou por um instante e logo voltou a olhar o saleiro.

- Lorena tem um. Ela deixa ali em cima, perto da TV, por quê? - Olhei pra onde ele tinha apontado e vi a ponta prateada do aparelho em cima da estante.

- Só preciso me atualizar das coisas... - Menti. Não queria que Oliver soubesse ainda o que eu pretendia fazer. Na verdade eu nem gostaria que ele soubesse. Mas Oliver não é idiota. Ele já sabe que eu não quero ficar aqui. Só não sei se ele vai concordar em simplesmente deixar as coisas como estão, o que duvido muito. Na verdade nem eu pretendo deixar as coisas como estão. Não posso simplesmente acordar em um corpo e ignorar a vida que Oliver construiu. Ignorando os sentimentos e as pessoas que conviviam com ele. Ainda estou pensando no que eu vou fazer sobre isso, mas espero que Oliver vá para a luz logo e me deixe livre por aqui. Seria bem melhor não ficar ouvindo ele enchendo linguiça. Mas isso provavelmente não vai acontecer até que ele veja que está tudo acertado por aqui.

- Ahhh... - Ele resmungou novamente e tentou dar um soco no saleiro. - Desisto por agora. - Olhou ao redor e ficou um tempo em silêncio. - Bom... Vou ali ver um negócio. - Vi ele passar pelo balcão e se afastar da cozinha até dasaparecer pelo corredor.

"Ver um negócio"... Claro que vai ver um negócio... Sei bem 'quem' é.

Ri e lavei a louça. Logo depois fui até a sala e olhei pra estante perto da TV. Vi o notebook bem onde Oliver tinha dito e o peguei. Fui até a poltrona e me sentei ligando o aparelho. Fiquei aliviado quando não precisei colocar senha. Na área de trabalho, havia o papel de parede dos dois numa praia. Estavam abraçados e pareciam bem felizes naquele lugar. Suspirei pesado e tentei desviar a atenção da foto. Abri o navegador e comecei a pesquisar sobre passagens aéreas. 

Uma saudade dolorosa bateu no meu peito ao lembrar de Eliza. Não via a hora de vê-la, beijar aqueles lábios e fazê-la minha novamente. E assim como Oliver está aqui com Lorena mesmo depois da morte, tenho alguém para quem voltar também. Mesmo que as coisas estejam extremamente bagunçadas agora.

Ouvi a porta do banheiro se abrindo e logo vi a figura de um Oliver possesso surgir na sala.

- Tampa a porra dos olhos, ou sei lá, mas não olha pra ela. - Franzi o cenho confuso, mas logo pude entender quando vi Lorena surgindo do lado dele de toalha. Uma toalha minúscula, tenho que admitir. - Caralho! Akira! Olha pra outro lugar! - Respirei fundo e voltei a olhar para a tela do computador. Quando que ele vai entender que eu não tenho o mínimo de interesse em Lorena?

- Ah, você está aí meu am- Ela travou no meio da frase. Posso imaginar como Oliver deve estar se sentindo. Se fosse com Eliza, eu sentiria o mesmo. - Não vi você na cozinha, me perguntei o que estaria fazendo. - Falou. Graças à Deus ela permaneceu onde estava, pois não sei o que faria com um Oliver demoníaco do meu lado.

- Porra Lorena, vá se vestir! - Oliver quase gritou, mas claro que ela não podia ouví-lo. - Ele não sou eu cacete! Ahh... - Ele coçou a cabeça agoniado olhando ela de cima a baixo.

- Só estava me atualizando... Espero que não se importe de eu pegar o notebook. - Falei pra ela, ainda olhando pra tela do aparelho, mas mesmo assim podia ver sua silhueta logo mais a frente.

- Sem problema... Vou colocar uma roupa. - Vi ela sair e ouvi um "Graças à Deus" de Oliver.

- Cara, relaxa... - Falei baixo. - Eu não vou fazer nada.

- Ótimo... - Ele cruzou os braços ainda olhando pra onde ela tinha ido. - Mas o problema é que ela pode... Já que pensa que sou eu.

- Só fica tranquilo. Desse jeito você nunca vai para a luz... - Falei de maneira irônica, porém no fundo, eu estava falando sério.

- Ir para a luz? - Mostrou um sorriso sinico. - Eu estou começando a desejar isso... - Olhei pra ele um pouco surpreso.

- Espera... Sério?

- É. Quer dizer... - Olhou pra mim. - Ficar, só está me deixando mais frustrado. Eu realmente amo tudo isso aqui... - Olhou ao redor. - Mas eu não estou mais nesse lugar, junto à Lorena. - Sua voz estava baixa, porém firme. - Estive pensando, que você é minha única cartada que poderá resolver tudo isso. - Olhou pra mim e vi seus olhos parando no notebook no meu colo. - Eu sei que você está procurando passagens na internet, seja lá pra onde for. Eu sou um policial, eu sei quando as pessoas estão querendo fugir. Eu não quero você aqui, tanto quanto você. - Riu enquanto eu o encarava perplexo. - Mas eu realmente preciso da sua ajuda com Lorena. Ela vai ficar arrasada se souber disso. Precisa contar pra ela a verdade, ou fazer alguma coisa. - Me encarou, como se esperasse alguma resposta. - E depois disso... Bom, pode ir embora.

Suspirei derrotado e fechei o notebook colocando no mesmo lugar de antes.

- Você venceu. - Olhei pra ele. - Mas não há só Lorena... Tem seu pai também. - Cruzei os braços. - Eu percebi que o relacionamento de vocês não é tão bom assim quanto parece. Tem certeza que quer deixar como está? Porque se eu fosse você... Quer dizer... Se eu tivesse essa chance novamente, eu resolveria o que quer que fosse com o meu pai... Conversando.

- Por quê?

- Porque eu não tive oportunidade de fazer isso com o meu. Já que ele deu um tiro na minha cabeça.

- Seu pai deu um tiro na sua cabeça?! - Sua feição se fechou em espanto. - Um pai não faria isso...

- Acho que é possível. - Ri.

- Ah, lá vem ela. E a propósito, lamento pelo que aconteceu. - Vi ele se mover desconfortável e percebi que eu fiz o mesmo. Fingi estar olhando as fotos das prateleiras novamente.

- Hum, e aí, se sente bem? - Falou e eu olhei pra ela. Estava com um pijama de moletom. Parecia pronta pra ir dormir.

- Estou ótimo, obrigado. E o jantar estava delicioso. - Ela abriu um sorriso.

- Que bom. - Ela desviou o olhar e por um momento, seus olhos pararam na direção de Oliver.

- Lorena? - Ele disse com os olhos arregalados. Se aproximou e balançou a mão na frente do rosto dela.

- Bom, então eu já vou pro quarto. - Olhou pra mim novamente ignorando ele completamente. Como eu imaginava. - Tem certeza que vai dormir no quarto de hospedes?

- Tenho.

- Ok... - Suspirou e saiu.

Depois de tomar um banho e ir pro quarto, vi minhas roupas em cima da cama. Lorena deve ter colocado ali antes de ir dormir.

Me vesti e deitei soltando o ar dos meus pulmões. Dos meus novos pulmões devo dizer. Finalmente estava sozinho. Oliver deve estar assombrando Lorena. Olhei pra janela e peguei o celular. Se eu tivesse me importado em decorar o número de Eliza quando ainda estava com ela, agora eu poderia estar ligando pra ela. Seria incrível poder ouvir sua voz agora. Porém, como eu poderia ter imaginado voltar a usar um celular se nem sequer imaginei respirar novamente...

Larguei o celular no criado mudo e virei para o lado. Esse corpo era novo pra mim, então podia sentir o cansaço novamente. Já estava quase pegando no sono quando senti um peso no colção ao meu lado. Senti uma mãozinha percorrer minhas costas e em seguida encostar suavemente a cabeça. Logo olhei e vi Lorena próxima de mim. Estava pronto pra me afastar quando ela me apertou.

- Não acredito que vou dizer isso, mas... Eu estava com medo de ficar sozinha lá no quarto... Eu estive com uma sensação ruim o tempo todo. - Senti um arrepio correr pelo meu corpo e vi Oliver aparecendo no quarto também. Ah entendi...

- Lorena... - Tentei falar.

- Por favor, deixa eu ficar aqui. Não é como se nunca tivéssemos dormido juntos... - Sussurrou e eu olhei para Oliver. Pela primeira vez não vi a feição mortal dele, e sim um olhar de pesar e angústia. Ah Lorena... O problema não é você ficar aqui, o problema é o que o verdadeiro Oliver vai achar disso.

- Tudo bem, mas não toca nela e tenta se manter afastado. - Ouvi Oliver dizer, e num piscar de olhos ele sumiu do quarto.

- Você pode ficar, mas durma logo. E não me aperte desse jeito. - Murmurei e me ajeitei novamente. Logo senti ela tirar sua mão da minha costela e se aquietar também.

- Ok, tudo bem. - Respondeu.

Depois disso, enfim consegui dormir.


Eliza

Eu estava olhando a neve cair pela janela do meu quarto. Estava nevando bastante e o frio persistia ainda mais já que era noite, então me enrolei na coberta. Não estava conseguindo dormir por algum motivo e isso estava me incomodando mais do que gostaria. Vir pra cá têm me ajudado muito, mas ainda assim, algo parece errado. Já faz mais de uma semana que esse vazio vem me assolando e eu não sei o que está acontecendo ou como resolver.

Toquei o anel no meu dedo e fechei os olhos.

Pensei que vir ver minha família resolveria o problema, mas... Bom... Espero que Antonny e Nora aceitem vir pro natal. Acho que eles podem acabar me ajudando e me fazendo companhia. Depois daquela noite horrorosa, foram os únicos que conversaram comigo sobre. Talvez seja só isso... Um trauma de demônios ou algo assim.

Respirei fundo e tentei tirar aquela noite da minha cabeça. Não quero me lembrar daquela coisa... daquele demônio. Mas a voz que ele tinha... Era tão familiar...

Depois de passar um tempão pensando e pensando, consegui cair no sono. Eu estava descendo a escada da minha casa. Era noite e as luzes não queriam acender. Odiava apagões e meu corpo se moveu sozinho em direção da porta dos fundos. Saí e me deparei com um dia ensolarado. Franzi o cenho e olhei ao redor.

O quê? Mas...

Me sentei na varanda e olhei para o lado. Tinha uma figura borrada. Era como se tentássemos enxergar algo debaixo d'água, mas eu sabia que estava sentado ao meu lado. O sol batia nessa figura, o que dificultava ainda mais a visão, porém, era nostálgico e belíssimo. Não sabia quem era, mas não me importava de estar ali. Esfreguei meus olhos tentando arrumar a visão borrada, mas quando os abri novamente, não estava mais ali. Estava sentada no escuro. Engoli em seco quando percebi onde estava. Levantei correndo e tentei puxar a maçaneta atrás de mim, mas a porta não abria.

- Não... - Murmurei. - De novo não! - Bati na porta. - Alguém! Socorro!!!

- Estou aqui... - Ouvi uma voz atrás de mim e um arrepio subiu pelo meu corpo. Eu estava apavorada.

- Não!! - Gritei tentando afastar o que quer que fosse aquilo, mas não conseguia sentir nada. - Sai!! - Gritei mais ainda.

- Sou eu meu amor... - Parei bruscamente quando ouvi aquela voz nostálgica e doce que eu tanto gostava no meio daquela escuridão. - Eliza!

Abri meus olhos e levantei da cama assustada. Minha mãe estava do meu lado e me olhava apavorada. Estava segurando meu ombros e eu estava tremendo. Meu rosto estava molhado de lágrimas e eu encarava ela com a mesma feição.

- Meu amor... Está tudo bem. - Me abraçou. - Já passou... Foi só um pesadelo.

- Mãe... - Sussurrei.

- Eu estava passando pelo corredor quando ouvi você gritar. - Acariciou minhas costas. - Já passou. - Olhou pra mim e limpou meu rosto. - Isso tem acontecido a muito tempo?

- Não.

- O que houve?! - De repente meu pai apareceu no quarto. Olhei pra ele e arregalei meus olhos quando vi um revólver nas suas mãos.

- Andrew!! Guarda isso! Foi só um pesadelo! - Ela apertou minhas mãos e ele olhou pra mim se aproximando.

- Anjo, tudo bem?

- T-Tudo sim pai. - Respirei fundo tentando me recuperar do pesadelo e sorri. - Eu devo ter feito um vexame...

- Pensei que estavam invadindo a casa. - Ele guardou a arma na cintura olhando mais uma vez ao redor. Dei risada e puxei ele pra mais perto.

- Obrigada pai. - Abracei ele também. Acho que estou um pouco sentimental. - Obrigada mãe. - Olhei pra ela e beijei sua bochecha. - Desculpa por ter assustado vocês. - Senti meus olhos marejarem. Estava prestes a chorar de novo. - Ah meu Deus... - Limpei meus olhos e gargalhei. - Não sabia que tinha uma arma pai! - Ele acariciou minha cabeça. Estava me sentindo uma criancinha novamente, e não vou negar que senti falta disso.

- Comprei ela quando você começou a namorar. - Olhei pra ele e gargalhei.

- Isso é sério? - Perguntei e vi minha mãe confirmar. - Pai!

- Bom, de qualquer forma, está tudo bem agora? - Minha mãe perguntou ainda com um olhar preocupado.

- Está sim. Podem voltar a dormir. - Olhei pra janela. Provavelmente ainda era madrugada.

- Ok. - Ela levantou dando um beijo na minha cabeça e saiu do quarto com o meu pai.

Que loucura...

Deitei novamente e suspirei. Nunca tive pesadelos tão intensos como esse antes... E aquela figura sentada ao meu lado sob o sol... Não consigo me lembrar o porquê de ser tão familiar pra mim. Mesmo que eu tente, não consigo me lembrar.

Virei para o lado e acabei esmagando o travesseiro. Pela primeira vez eu estava sentindo raiva dessa frustração.


Notas Finais


Eae?
Se Lorena soubesse com quem ela estava deitada... Kkkkkk
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Espero que vocês tenham gostado!
Até o próximo!


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