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História Duas rainhas e um rei - Capítulo 1


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Notas do Autor


Sempre imaginei o Shikamaru e a Mirai jogando shougi juntos. Embora aquela novel dele tenha me decepcionado, achei linda a cena em que a Mirai o tem como seu sensei. Nada me tira da cabeça que o Shiakamaru a ajudou em sua criação. Também sempre quis vê-la com a Temari. Seria a coisa mais linda.

Fiquei sabendo do time skip em Boruto. Kishimoto, eu exijo mais filhos pra eles pra compensar os anos de sofrimento nesse fandom.

Boa boa leitura!

Capítulo 1 - Duas rainhas e um rei


 

- O cavalo não é a peça mais forte. Mas por sua mobilidade ela passa por cima das outras atacando o oponente do time adversário. - explicou ao mover a peça de madeira por cima das outras que compunham o tabuleiro.

A criança acompanhava atentamente a explicação junto ao movimento das peças como se fosse a coisa mais incrível do mundo. Os cabelos negros junto aos grandes olhos vermelhos contrastavam com sua pele esbranquiçada, que no corpo, estava coberta por um vestidinho rosa com estampa de raposas.

O olhar atento que mantinha ao observar Shikamaru empolgado durante sua explicação, provocava anseio em Mirai em vencer aquele jogo que nem ao menos sabia a pronúncia correta de seu nome. 

Da mesma forma que costumava passar a o tempo com Shikaku e Asuma, estavam assentados no quintal do clã Nara ao redor da mesa de shougi sobre o chão. Recebendo a brisa leve do vento e os raios de sol enfraquecidos da tarde, o Nara explicava cautelosamente as regras do jogo à criança, assim como seu sensei havia lhe ensinado um dia.

- Cavalo, tio? - perguntou Mirai curiosamente depositando explorando a peça com o dedo. - E esse aqui? - apontou para outra no tabuleiro.

- Esse é o peão. - disse Shikamaru tranquilamente, segurando-a em suas mãos. - Sua função no jogo é se sacrificar para permitir que os outros avancem até o território inimigo. 

- Eu gosto do cavalo. São bichinhos bonitos. - confessou inocentemente.

- Seu pai dizia que eu era o cavalo. - as palavras com um tom de emotividade escaparam dos lábios do moreno. Aquela frase o remeteu ao passado por alguns instantes onde a lembrança que antes era dolorosa, agora, havia se convertido em uma memória única que deveria ser guardada e propaganda por ele.

- Eu sou quem, tio? - questionou a criança com seu tom de voz pueril.

- Você é a rainha, Mirai. - respondeu mostrando a peça à criança sentada à sua frente.-  Todas as peças estão aqui pra proteger a rainha.

- A rainha? - perguntou surpresa arregalando os olhos. Esboçou um grande sorriso ao pensar que era uma rainha, afinal, era uma posição de respeito! Em sua mente pueril, formou-se imagens de todos os desenhos de princesas e rainhas os quais assistia junto a sua mãe. Não demorou muito para imaginar como uma grande coroa de brilhantes ficaria em sua cabeça.

- Sim. A rainha mais linda da Vila. - acrescentou Shikamaru sorrindo ao notar a expressão satisfatória da criança.

Ela de fato era uma rainha: aos olhos de Asuma que tentou protegê-la até os últimos momentos de sua vida, e consequentemente, dele, que prometeu ao seu antigo sensei que a protegeria de todo mal do mundo.

- Você está me saindo um conquistador barato chamando todas as meninas da Vila de rainhas. - a voz firme ecoou no quintal tirando a concentração dos dois.

Temari sorriu divertida ao escutar a conversa de Shikamaru e da menina. Rumou até o moreno e o beijou levemente nos lábios. Em seguida, se dirigiu até a criança para abraçá-la carinhosamente. Sentou-se defronte ao tabuleiro, lugar que Mirai ocupava, fazendo-a se sentar em seu colo.

- Eu sou a rainha, tia Temari. - contou Mirai empolgada.

- Eu ouvi. Ninguém melhor que você merece esse título, meu amor. 

- O tio disse que você é uma princesa.... É verdade, tia? - perguntou fascinada pela possibilidade de conhecer uma princesa de verdade.

- Acho que sim... - confessou humildemente, pois nunca gostou quando se referia a ela por essa denominação. Ainda sim, não ousaria tirar o sorriso e o brilho no olhar de Mirai.

- Ser uma princesa é legal? -  Mirai saltou do colo da Kunoichi por pura empolgação. Seus olhos brilhavam como chamas, pois ela conhecia uma princesa e não via a hora de contar aos amiguinhos na academia.

- Não é não tão bom... - confessou sinceramente como um desabafo ao pensar na quantidade de assuntos burocráticos que resolvia ao longo do dia. Logo, recebeu do Nara um olhar de advertência como quem quisesse dizer: "não estraga o conto de fadas da menina". - Não é bom porque dá trabalho limpar o palácio. - mentiu sorridente tentando desfazer a confissão feita. - Mas é legal cuidar das pessoas, vestir roupas bonitas e beijar um sapo de vez em quando. - lançou divertida um beijo em direção ao Nara para insinuar que ele era o sapo que ela falava. 

- Tia, tia... - chamou imperativa a criança querendo ainda mais a atenção de Temari, mexendo-se constantemente em seu colo. - A kaa-chan disse que vou ter um priminho importado…É verdade?

O casal riu baixinho. Temari lançou ao marido um olhar dócil, e em seguida, abriu um largo sorriso como sempre fazia ao lembrar que estava carregando uma parte de seu amor com Shikamaru. Ele, por sua vez, levou as mãos a cabeça e sorriu levemente feliz e covardemente. Será que agora seria a temida hora em que Mirai perguntaria de onde vinham os bebês?

 Havia descoberto a gravidez da esposa há quatro semanas atrás, e logicamente, a barriga avantajada ainda era imperceptível à primeira vista. Contudo, era incrível as mesmas reações que ele esbanjava quando mencionavam a criança que estava por vir: o coração ficava quentinho, o entusiasmo imperava em seu semblante e exibia o mesmo sorriso embasbacado de quem provavelmente seria um pai babão.

- Hai, Mirai. Você terá um priminho importado. - respondeu Temari divertida.

- Você vai poder brincar de ninja com ele, Mirai. - estimulou Shikamaru.

- Mas onde ele tá agora? Quero brincar com ele agora! - quis saber a menina curiosa.

- Ele está aqui. - respondeu calmamente Temari levando as mãos da menina a sua barriga. Sem pensar, a criança encostou sua face sobre a  barriga da kunochi tentando ouvir algum som que denunciasse o priminho de Suna.

- Ele é muito pequeno, Mirai. Não vai conseguir falar com ele agora. - explicou Shikamaru.

A menina levantou-se decepcionada do colo de Temari encarando o tabuleiro à sua frente.

- Ele vai ser quem no jogo, tio? - perguntou curiosa brincando com um detalhe de raposa em seu vestido rosa.

- Ele será o rei. O meu rei. - respondeu Shikamaru enfático entrando em um devaneio que lhe conduziu a formação do rosto de Asuma em sua mente.

 

Inesperadamente, uma rajada de vento estremeceu o ambiente importunando a tranquilidade da família. Um homem flutuando no ar, provavelmente conduzido pelo vento, se aproximava dos shinobis já posicionados posição de batalha.

O ninja alto e de cabelos castanhos sorria maleficamente encarando Shikamaru e Temari.  Quando pousou ao chão, posicionou-se como se estivesse em batalha alertando aos que estavam ali que um possível combate aconteceria.

- Mirai, pra dentro! - ordenou Shikamaru a criança que se afastou em passos desesperados adentrando a casa. Posicionou a kunai em seu rosto no intuito de se proteger de um possível ataque, já que a primeira vista não lembrava do rosto do homem à sua frente.- Você! - dirigiu-se a Temari. - Entra também!

- Eu não vou deixar você aqui! - vociferou a loira retirando seu leque de suas costas.

Shikamaru sabia que não adiantaria insistir com a kunoichi mais cruel que já havia conhecido. Logo, se posicionou na frente dela para que nada viesse a ocorrer a ela e ao bebê.

- Vocês vão ficar discutindo mesmo? - perguntou o inimigo irônico. - Logo quando eu vim aqui de tão longe para acabar com vocês?

- Quem é você? - gritou Temari violentamente.

- Vocês realmente não se lembram?

Shikamaru o mirou fixamente de cima abaixo. Como resposta a sua pergunta, se lembrou que esse mesmo shinobi já havia dado muito trabalho à ele e Temari algum tempo atrás. Ele foi caçado por contrabandear ervas medicinais raras de Konoha para outras aldeias em troca de dinheiro. Muitos habitantes que necessitavam dessas ervas tiveram que realizar seus tratamentos em outras Vilas devido ao egoísmo desse shinobi. Portanto, Shikamaru e Temari fizeram uma investigação sob ordens do Hokague e conseguiram capturar o maldito e aprisioná-lo na prisão mais rigorosa de toda Konoha. Lembrando-se desse episódio, o Nara se questionou o que esse homem fazia em sua casa oferecendo perigo a todos que estavam ali.

 

- Você é o Komarui. - constatou Shikamaru aparentemente tranquilo. - Temari, ele usa rajadas de ventos produzidas por suas mãos.

- Isso mesmo. Não podia esperar outra coisa do gênio de Konoha... - provocou Komarui. - A vila sentirá falta de um gênio desse.

- Você não deveria estar preso? - quis saber o Nara.

- Escapei essa tarde da prisão. - confessou vitorioso. - Essa Vila precisa de uma segurança mais forte. Não se fazem mais jounins como antes.  - riu debochadamente.

 

- Antes de chegar notei uma movimentação nas ruas da Vila, mas não prestei muito atenção no que estava acontecendo. - inferiu Temari encarando ferozmente o inimigo. - Era esse idiota que saiu da prisão.

- Sim, princesa. Fui eu quem causou toda essa comoção nas ruas da Vila.

- E o que você quer? - perguntou Temari preparada pra qualquer ataque repentino.

- Quero vingança! Eu não merecia ir pra prisão! Passei os piores dias da minha vida lá. Não me alimentava, vi meus amigos morrendo aos poucos e não tive mais notícias da minha família. - confessou agoniado. Era notório o ódio em seu olhar em direção ao casal à sua frente. - Vocês tiraram a minha vida! Agora vão me pagar!

O homem levantou as mãos rapidamente a fim de lançar seu jutsu antes que Shikamaru e Temari pudessem atacar. Outra grande rajada de vento foi lançada em direção do casal e devido a força feroz do elemento, seus corpos foram jogados bruscamente ao chão.

O ninja riu ao observar que seu ataque teve êxito. Shikamaru levantou-se sentindo suas pernas trêmulas, e ainda assim, rumou desesperadamente em direção ao corpo de Temari ao chão. A kunoichi parecida desacordada, o que não era normal para alguém que possuía tanto chakra e habilidade de batalha. Em seguida, o moreno notou a mão dela sobre a barriga e deduziu o improviso da construção de uma barreira de chakra sobre sua barriga a fim de proteger o bebê. Diante a esse cenário, Shikamaru praguejou furiosamente desejando acabar com o homem à sua frente, afinal, sua mulher e filhos haviam sido atingido por esse maldito e essa situação não permaneceria catastrófica como estava sendo.

Posicionou-se de frente encarando o homem à sua frente. 

- A Princesa da Areia se machucou? - perguntou Komarui irônico. - Isso porque quis proteger esse bebê idiota! Depositou tanto chakra para fazer um escudo em sua barriga e agora está aí! - gritou sem entender como alguém se sacrificava assim para outra pessoa que mal conhecia.

- CALA A BOCA! - gritou Shikamaru exasperado almejando destruir cada parte daquele homem. Como resposta inconsciente e imediata de seu instinto, Shikamaru avançou em direção a Komarui carregando apenas uma kunai para sua defesa.

Sem muito esforço, Komarui balançou uma de suas mãos, fazendo o corpo do manipulador de sombras cair ao chão. A cena foi retratada aos olhos do inimigo em câmera lenta para que se aproveitasse o objetivo concretizado. Ele gargalhava vitorioso experimentando a incrível a sensação de vingança. Esperou incansáveis dias ao ver os ninjas que lhe puseram naquela cadeia suja mortos por suas mãos. Como bônus, ainda conseguiu matar a criança que viria ao mundo.

A vingança foi concretizada. Não havia sensação melhor  no mundo.

Rumou até os corpos de Shikamaru e Temari imóveis no chão. Sorriu satisfeito ao notar os olhos fechados e a imobilidade de seus corpos.

- Hahahaha eu finalmente consegui... Vocês pensaram que eu apodreceria naquela prisão? Agora posso fazer o dinheiro que sempre quis... - o anúncio triunfante foi interrompido devido a um aperto incômodo em suas pernas.

O homem sentiu uma sensação de aperto invadir todo seu corpo. Imediatamente, notou uma linha preta subindo por suas pernas em direção ao pescoço o que ocasionava a mobilização de seu corpo. Conforme Komarui tentava se mover inutilmente, a sombra o dominou alcançando seu pescoço. Paralelamente a isso, o inimigo assistiu o Nara se levantar do chão, aproximando-se lentamente carregando em seu rosto um sorriso triunfante.

Kage Kubi Shibari no jutsu.

- Co- como? - o homem questionou sem entender, pois minutos atrás  havia atingido o manipulador de sombras e seu corpo aparentava não ter mais vida.

- Você não presta muita atenção nas coisas, né? Assim que você se apresentou, lembrei de você e de seu jutsu de merda e alertei a Temari. - explicou Shikamaru tranquilamente.

O Nara observou a loira se levantar tranquilamente do chão. Deixou, ainda que cuidadosamente, o homem preso em sua sombra e rumou em direção à esposa, depositando suas mãos sobre a barriga dela no intuito de saber o estado do bebê.

- Você tá bem? - perguntou preocupado fazendo a mulher se apoiar em seu ombro.

- Hai, Shikamaru. - respondeu Temari atordoada.

Shikamaru voltou a se dirigir ao homem observando a conclusão de seu jutsu de enforcamento. 

- Enquanto você falava e explicava sua história triste, eu estava economizando meu chakra pra usá-lo agora. Temari usou uma grande quantidade de chakra dela para proteger a criança e  quando você me acertou, usei metade do meu chakra para fazer um escudo e fingi que estava morto. - explicou próximo ao ninja preso em suas sombras. - E você caiu direitinho abaixando a guarda!

- Seu... - o homem ameaçou xingá-lo com toda força que lhe restava. Era inútil se livrar da sombra que o enforcava.

- Cala a sua boca e morra em paz! Nosso erro não foi ter te matado antes. - vociferou Shikamaru como nunca tinha feito antes. Não poderia imaginar que um homem desse quase pôs a vida de seu filho, Temari e Mirai em risco. Nunca se perdoaria se algo acontecesse a seus reis. - Você não entende o motivo que fez Temari dar todo o seu chakra por essa criança idiota, como você disse... Foi por amor. Assim como a mãe dela fez pelo Kazekage e Asuma fez por Kurenai e Mirai! E assim como eu farei por eles! 

Ao pronunciar as palavras em um desabafo, Shikamaru fechou seu punho fazendo as linhas de sombra do pescoço do inimigo se estreitarem, sinalizando a conclusão de seu jutsu. Um grito agonizante ecoou no local. Em seguida, o corpo de Komarui caiu ao chão aos pés do moreno.

Shikamaru e Temari observaram o corpo ao chão. Aliviado, ele abraçou a esposa tranquilo por ela e seu filho estarem a salvo.

- Tio, Shika! Tia, Temari! - os gritos desesperados de Mirai fizeram seus corpos se separarem. 

A criança corria exasperada em direção a Shikamaru e Temari tendo nos dois a segurança que buscava. Sua face corada e os olhos lacrimejantes denunciavam que Mirai havia chorado. Shikamaru a recebeu em seus braços, e quando ela se sentiu aquecida pelo colo dele, enterrou sua cabeça nos ombros do manipulador de sombras no intuito buscar a proteção pelo episódio finalizado.

 

- Não fica assim, Mirai. - pediu Temari passando carinhosamente suas mãos sobre os cabelos negros da menina a fim de transmiti-la tranquilidade.

 

- Mirai, estamos aqui. Nada vai acontecer com você enquanto eu estiver aqui. Calma. - reforçou com tamanha afetuosidade que os olhos de Temari transbordava emoção diante da cena. Ele passava as mãos sobre as costas da criança coberta pelo vestido transmitindo todo seu carinho e proteção.

Ao analisar a cena, Temari sorriu depositando a mão sobre sua barriga. Evidente que ele será um ótimo otou-san.

- Tia, Temari... - chamou a menina enxugando a lágrima em sua face. - Eu quero um leque igual ao seu. - pediu inocentemente despertando um sorriso no rosto da kunoichi de Suna.

- Claro, meu amor. Vou ordenar que façam um maior e mais bonito. - prometeu à criança fazendo-a abrir um largo sorriso de empolgação. - Também vou te ensinar a manipular o futton. - acrescentou ao se lembrar que Asuma também manipulava o elemento e suas habilidades poderiam ser úteis à criança.

Chamados exaltados interromperam o momento de afeto. Gritavam repetidamente o nome da criança seguido de uma ordem a qual não agradou muito a pequena.

 

- Mirai, já tá na hora do lanche. - alertou Shikamaru depositando a menina no chão.

- Eu não quero comer! - protestou cruzando os braços e fazendo bico. - Eu quero jogar! Quero brincar com o priminho também!

- O priminho é muito pequeno, Mirai. - disse Temari encarando sua barriga  - Mas olha: deixo você conversar com ele depois do lanches.

- Quero agora!

- Mirai... - chamou Shikamaru enquanto se abaixava ficando da mesma altura que a criança. - Você não é a rainha? Rainhas precisam ser fortes? Pra ser forte, você precisa se alimentar bem! Vamos lá.... O lanche é aqueles sanduíches que você adora. A kaa-chan os comprou só porque eu disse que você viria. 

A menina avaliou mentalmente se valeria a pena trocar momentos de diversão por comida. Foi vencida ao pensar nos deliciosos sanduíches preparados por Yoshino.  Em seguida, rumou lentamente à porta que dava acesso a casa, porém antes que adentrasse ao cômodo, rumou até a mesa onde estava localizado o tabuleiro de shougi e manuseou algumas peças.

 

- Vocês me esperam aí! Eu vou voltar! - alertou às peças imóveis e não esperou uma resposta. Adentrou a casa eufórica gritando o nome de Yoshino ansiando por seus sanduíches favoritos.

- Ela fica linda quando está brava. - constatou Temari acompanhando a criança com o olhar até cruzar a porta. 

- Conheço alguém que fica mais linda ainda quando está assim. 

Shikamaru encostou seus lábios sobre os da loira. Era confortante senti-la em sua boca e brincar com suas madeixas loira durante o beijo. Minutos atrás, um maldito qualquer poderia tê-la arrancado de sua vida junto a seu filho e ele nunca se perdoaria caso um episódio como esse viesse ocorrer. No mais, permaneceria beijando-a o resto do dia, ali mesmo, sentindo o tempo se estender tão lento como o ritmo de seu beijo.

- Eu não perdoaria se algo acontecesse a vocês. - confessou, depositando suas mãos sobre a barriga de Temari. Embora estivesse pequena, através de seu toque o Nara desejava passar todo seu calor e proteção o que o visivelmente o deixava emotivo.

Segurou a mão de Temari e juntos rumaram à casa para se juntar a Mirai. No caminho, o tabuleiro de shogi chamou atenção da Sabaku que o encarou fixadamente. Após analisá-lo, arregalou os olhos incrédula não acreditando no que estava vendo.

- Shikamaru... - ela o chamou apontando para o tabuleiro sobre a mesa.

- Nani?

O Nara o mirou atentamente e notou que as peças estavam modificadas diferente do que havia deixado antes de começar a batalha. O jogo que antes não havia sido concluído, através da atual disposição das peças, tinha tomado outro resultado. 

Mas como?

Imediatamente, como resposta a sua pergunta, a figura de Mirai manuseando o tabuleiro antes de entrar para o lanche se formou em sua mente. Ele sorriu satisfeito.

 

- Shikamaru... Ela venceu. - constatou Temari incrédula, visto que ninguém que já havia jogado uma partida de shogi com Shikamaru havia vencido, tampouco Asuma que foi quem lhe apresentou ao jogo.

- Eu sei. - sorriu satisfeito. - Ela entendeu o jogo dinheirinho. Mais rápido que eu.

Com o sorriso no rosto, Shikamaru inferiu que a pequena Sarutobi havia entendido perfeitamente a analogia entre o shougi e Konoha e o quanto de estratégias se pode levar de uma partida para uma batalha. Provavelmente assistiu a batalha real pela janela percebendo o que deve ser feito para proteger o rei.

 Quando Asuma lhe apresentou  o jogo, inicialmente não entendeu a questão do rei, afinal, metáforas sempre foram problemáticas, logo, sempre tentou evitá-las. Embora que Asuma nunca tivesse ganho em uma partida, Mirai finalmente conseguiu vingá-lo e ele permitiu sentir-se tranquilo, já que aparentemente estava sendo um bom sensei para a criança, assim como a Asuma foi para ele.

Quando jogava com seu sensei acreditava que construir uma família seria algo extremamente problemático. Discutir sobre a decoração da casa, comprar comida ou trocar fraldas era tarefas que lhe invadiam a mente quando este tema era mencionado em algum almoço de família idiota ou alguma reunião com sua antiga equipe. Contudo, atualmente, ele sentia que não havia nada mais gratificante do que zelar pela proteção de Temari, Mirai e de seu filho que estava pra nascer. Não o conhecia, mas já o amava em uma intensidade indescritível. Todos os seus dias se baseavam em idealizar a mãozinha pequena e frágil dele em sua mente e imaginar o cheirinho de talco que ele teria. Ele já era o rei de sua vida. 

 


Notas Finais


Se ainda existe alguém aqui que leu a fic, deixa um comentário. Só estimula mais os escritores.

Beijos *-*


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