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História Duas Vidas - Capítulo 12


Escrita por:


Notas do Autor


Olá de novo! Espero que esteja tudo bem com vocês! ♡
Vamos ler mais um?
Estou ficando sem criatividade para os nomes dos capítulos, esse ai é um trecho da música que ouvi escrevendo esse, Bruises - Lewis Capaldi.
Espero que gostem e desculpem qualquer erro que tenha me passado.
Boa leitura!

Capítulo 12 - And if only I could hold you


Mais alguns dias se passaram, tentei evitar ficar muito com Emma, mesmo ela tendo me pedido para não me afastar dela. Não consigo controlar o que estou sentindo agora, as vezes é como se ela me chamasse e eu sentisse algo me puxar de dentro para fora, e a distância dói.

Muitas vezes penso nela e ela aparece como quem não quer nada carregando um documento qualquer para eu assinar, ela deve pedir a Ruby para deixa-la levar. Outras vezes penso em mandar uma mensagem e ela manda alguns segundos antes... Como se estivéssemos ligadas, agora mais que nunca.

O sábado amanheceu tranquilo e eu estava me preparando para passa-lo em casa e tranquila com Henry, talvez vendo tv. Peguei uma xicara de café e caminhei pela casa, parei em frente a janela do meu escritório e pensei em talvez começar a montar um jardim em uma área vazia bem a vista. Bem, não que eu tenha aptidão para jardinagem. Então o som do meu celular me faz voltar a terra.

- Mary? Aconteceu alguma coisa? – Eu não esperava que ela ligasse tão cedo.

- Precisa acontecer algo? – Ela soa desafiadora e ri logo em seguida. – Eu te liguei para te chamar para irmos ao shopping!

- Mary, eu não...

- Não aceito não como resposta! – Ouço-a rir. – É por uma boa causa! – Ela suspira. – Vamos, vai ser legal!

- Ok, Mary... – Suspiro cansada. – Vou deixar Henry na minha mãe e te encontro lá em...

-Na praça de alimentação em uma hora! – Ela soa muito animada. – Vai ser divertido, eu prometo!

Nos despedimos brevemente e ela encerrou a ligação. Parei ainda olhando pela janela por mais uns minutos visualizando o pedaço vazio onde poderia ser o jardim.

- É, nada de jardim hoje...

Levantei Henry da cama e lhe dei o café da manhã, liguei para minha mãe e pedi para que ficasse com ele por algumas horas, as vezes me sinto abusando, mas se eu arrumar uma babá tenho certeza que ela iria se sentir triste ou pior, vir aqui e por a babá para fora à vassouradas!

Me arrumei sem animo algum, deixei Henry com minha mãe e fui rumo ao shopping, na verdade pensei o caminho todo em qual desculpa eu poderia dar para voltar para casa mais cedo. Talvez se eu inventasse uma diarréia, ninguém quer ter que lidar com isso. Morro de vergonha, porém vai ser em casa.

Chego ao local combinado e entro com o olho fixo no celular, sigo para a praça de alimentação ao encontro de Mary, mas na verdade o que vejo é uma Emma impaciente e agitada olhando para os lados o tempo todo. Caminho até ela lentamente.

- Oi, Emma? – Paro ao lado dela. – Onde está sua mãe?

- Ah... Oi? – Ela me olha confusa. – Eu estou esperando ela aqui, ainda não chegou. – Ela endireita o corpo. – Ela te chamou também?

- Sim, disse que não ia aceitar um não e que seria divertido... – Levanto uma sobrancelha. – Espero que ela esteja certa.

- Ela está tramando algo, só não sei o que é. – Emma resmunga. – E duvido muito que seja divertido.

- Bem eu...

- Olá! – Mary chega falando alto e toda animada. – Que bom que vieram!

- Pelo que vi, mãe... – Emma se levanta e a abraça. – Você não nos deu muitas opções.

- Ah, pare de drama! – Mary caminha até mim e me abraça forte. – Vamos ter um dia das garotas!

- Ah não, mãe, não! – Emma soa manhosa o que chega a ser engraçado. – Regina, socorro?

- Eu não tive opções também, Emma. – Digo sorrindo para a cara de desgosto dela.

- Ah, andem! Parem com isso e vamos! – Ela pega Emma pelo pulso e sai puxando. – Tenho uma surpresa para você!

Emma me olha com cara de “socorro pelo amor de Deus” e que me tira um riso suave. Eu as sigo enquanto Mary fala sem parar sobre coisas corriqueiras, compras e uma possível viagem. Ela reclamou de estar com fome e então paramos em uma pequena loja onde comemos um petisco com sabor estranho e logo depois subimos um lance de escada até pararmos dessa vez em frente uma loja pomposa.

- Noivas e companhia? – Eu resmungo mais para mim mesma enquanto olho para uma perplexa Emma ao meu lado.

- Tantandan! – Mary para na entrada de braços abertos e com um enorme sorriso. – Vamos comprar o vestido de noiva de Emma! – Ela vem em direção a Emma. – Surpresa !

- Mãe, eu não... É que eu... – Ela estava quase estática enquanto tentava focar em que falar. – Eu não que...

- Não precisa ficar envergonhada, meu amor! – Mary a pega pelo braço novamente e a puxa para dentro. – É um presente meu!

Eu suspiro fundo antes de entrar na loja atrás das duas, na minha mente um único pensamento: “Vamos, vai ser legal! Ela disse...”

Começamos uma saga atrás de vestidos que Mary achasse que ficariam bem em Emma, ela por sua vez nada dizia, mas a cara demonstra total falta de vontade de estar ali. Posso dizer que somos duas, eu ainda estou pesquisando por desculpas boas...

“Emma, o que você quer de presente de aniversário?”

“Eu não sei... Eu não quero fazer aniversário.”

“E por que isso? Aconteceu algo?”

“Minha amiga disse que a gente cresce e tem que casar.”

“Bem, não é bem assim. Mas o que tem de errado em casar?”

“Eu não quero casar com um menino...”

“Bem, você vai se casar com um homem, pois eles também crescem.”

“Eu não quero! Quero me casar com você, igual a gente falava antes!”

Ela saiu correndo de perto, não quis mais falar sobre isso comigo, mesmo que eu tentasse perguntar sobre o assunto...

Mary encontrou um vestido que pareceu bom aos seus olhos, fez Emma subir em uma pequeno relevo como um degrau redondo no chão frente a um espelho para ajustes, a pobre nada dizia, mas eu sabia que ela estava descontente e havia algo que me puxava para ela, eu não queria estar aqui, assim como não queria sair e deixar Emma também. 

E enquanto isso Mary ajeita, Mary resmunga, Mary faz trocar de vestido, Mary não gosta da pedraria, Mary me pergunta se achei muito extravagante e Mary decide que falta um véu... Por fim ela sai a procura do véu perfeito junto com a vendedora barra costureira, me deixando a sós com Emma.

- Emma? – Chamo-a para tirar o foco que ela tem de si mesma no espelho. – Você está linda...

- Obrigada... – Ela soa entristecida.

- Mas não parece feliz. – Limpo a garganta. – O que houve?

- Regina, eu... – Ela suspira. – Eu não gosto de vestidos, eu não quero usar um desses. – Ela bufa. – Eu pareço um cupcake!

- É, parece um pouco... – Sorri enquanto pego uma faixa que fazia parte do vestido e passo em torno da cintura dela. – Mas ainda assim está linda. – Por que não diz para Mary que não quer um vestido? – Digo dando mais uma volta na faixa.

-Eu disse... – Ela suspira. – Mas ela disse que pelo menos uma coisa habitual eu ia fazer. – Ajeito mais a faixa e outro suspiro. – Ela faz questão do vestido.

Levanto o olhar e só então noto que estou próxima demais de Emma, o cheiro de canela que vinha dela me invadindo e seu olhar fixo ao meu. Ela sorri e toca meu ombro suavemente com uma das mãos, abaixando o olhar para minhas mãos ainda em sua cintura.

- Regina, eu não sou de ferro, sabe? – Ela murmura me fazendo corar.

- Des... Desculpe, Emma! – Me viro rapidamente sentindo meu rosto cora.

Me afasto um pouco mais procurando por alguma coisa que eu pudesse dizer para mudar o assunto, mas sinto uma espécie de puxão vindo de dentro do meu peito, olho para trás e vejo Emma segurando o dela no mesmo lugar...

- Você está bem? – Ela me pergunta com a expressão preocupada.

- Sim, eu estou. Eu... – Suspiro me sentindo confusa. – Eu apenas estou com muitas coisas confusas na cabeça.

Me viro novamente de costas para ela e sigo para dentro do provador na intenção de fingir procurar algo e me manter afastada dela, mas sem sucesso.

- Regina... – Sinto as mãos de Emma nos meus ombros me impedindo de virar. – Eu, eu sinto muito... – Ela suspira e eu sinto o seu corpo mais próximo ao meu, ela recosta sua testa contra a parte de trás da minha cabeça e sussurra. – As coisas poderiam ser mais fáceis, eu sei. Poderíamos ter apenas uma amizade e estaria tudo bem, mas eu não consigo. – Fecho meus olhos em silêncio. – Eu não quero mais me mantar longe, não quero mais fingir que quero me casar com alguém que não amo... – Ela suspira e sinto lágrimas me escapando. – Mas você não me quer como eu te quero, eu sei que é egoísmo meu, mas não posso viver assim tão perto e tão distante. Mas eu juro que vou fazer de tudo para me manter firme como sua amiga. – Ela sorri com amargura. – Eu só preciso dizer isso mais uma vez... – Ela se aperta contra mim. – Eu amo você e nada mudou desde que eu disse isso a primeira vez, nada vai mudar nos próximos dez anos ou em cem anos mais.

- Emma... – Abro meus olhos e vejo nosso reflexo no espelho e me sinto quebrada com cada palavra dela. – Não é certo, não com Ashley, não comigo e não com você... Não é certo.

- Eu sei... – Ela desliza as mãos ao longo dos meus braços e entrelaça suas mãos as minhas. Sinto muito por isso. – Ela deixa um beijo suave em meus cabelos e se afasta lentamente.

Ouço Mary chamando-a um pouco mais a frente e me fecho no provador para que ela não veja meu estado perturbado, me recosto conta uma das paredes e deixo a dor sair aos poucos.

- Vai ser divertido, ela disse... – Murmuro para as paredes.

Sigo dentro do provador por alguns minutos mais, aproveito o espelho e retoco minha maquiagem, suspiro fundo antes de abrir a porta e sair. Dei de cara com Emma vestida de noiva e tão linda que eu poderia olha-la para o resto da vida sem me cansar.

- Regina, olha isso? – Mary me puxa para perto. – Ela não está maravilhosa?

- Está sim... – Digo sentindo o peito apertar.

- Bom, agora falta as alianças! – Mary soa cada vez mais eufórica. – Acredita que tem me ia de um mês para o casamento e ela não tem alianças? Nem mesmo deu uma de noivado para Ashley!

Eu me recuso a passar por isso! Se é alguma punição do destino, eu digo que está passando dos meus limites! Eu me recuso a isso terminantemente! Mas não pude abrir a boca, pois Emma se adiantou.

- Não! – Ela olha Mary seriamente. – Eu deixei você escolher essa fantasia de cupcake, e vai ser só isso! Das alianças cuido eu e apenas eu!

Mary a olha com cara de poucos amigos, um olhar fulminante e com toda certeza de quem tem muito para dizer, mas não ali, não naquele lugar. A tensão entre as duas deixando a todos desconfortáveis e então Emma se dirige para o provador e se fecha lá, aparentemente para tirar o vestido e ir embora.

Então eu decido me aproveitar para sair também, antes que Mary ache outra coisa idiota para fazermos.

- Mary, querida... – Levo minha mão ao seu ombro. – Eu sinto muito, mas preciso ir. Tenho que pegar o Henry com minha mãe.

Ela apenas sorri sem graça e me abraça suavemente, sem dizer nada. Eu me afasto dela e saio a passos rápidos para longe dali, mas ainda olho para ver Emma sair do provador com um olhar infeliz.

Peguei Henry na minha mãe e voltei logo para casa antes que ela notasse minha expressão de tristeza, a sensação de ser puxada para Emma só aumentava a cada minuto e eu me sentia em desespero. O olhar infeliz dela não me saía da mente. Eu só queria chegar em casa e deixar esse dia horrível terminar.

“Regina, é verdade que quando a gente cresce esquece de quando era criança?”

“Não, acho que não. A gente lembra de muita coisa...”

“Eu não quero esquecer de você.”

“Você não vai... Quem te disse isso?”

“Uma moça que foi visitar a escola. Disse que eu ia esquecer, mas a minha alma não ia.”

“Que mulher maluca! Vou falar com a escola para que isso não aconteça mais!”

“Ela disse que era pra eu dizer pra você que não vai mais acontecer e que ela vai te ajudar.”

“Hein? Deve ser uma drogada, Emma! Não chegue mais perto dela!”

“Tá bom... Mas ela não é ruim, eu sei por que gostava dela quando eu era maior.”

“Emma?”

Ela saiu correndo atrás do gato que havia passado perto da gente pelo quintal e o assunto apenas morreu.

O domingo parecia que ia ser melhor apesar de eu não me sentir bem, estou enjoada e com dores pelo corpo, deve ter sido algo que comi ontem. Saí da cama sem a menor vontade para fazer o café da manhã de Henry, ele como sempre estava eufórico e cheio de energia logo cedo.

- Mãe, a gente pode ir ao parque? – Ele soa animado. – Talvez Emma esteja lá! – Ele se senta a mesa e sorri. – Eu quero muito jogar bola com ela de novo! Ela é tão legal! – Ele me olha de novamente. – Podemos ir?

- Hoje não querido... – Abraço meu próprio corpo sentindo frio. – Eu não me sinto bem hoje.

Ele apenas fica em silêncio me olhando curioso e com um ar preocupado. Ele se levanta e me abraça apertado, se soltando em seguida para me olhar nos olhos.

- Você tá quente, mamãe... – Ele me puxa para baixo e coloca sua testa na minha. – Acho que você precisa de um médico.

- Eu vou ficar bem, Henry. – Afago sua cabeça. – Só preciso descansar e...

Sinto minha visão ficando turva, meu corpo enfraquecer e tombar. Eu estava prestes a desmaiar... Me apoio na mesa e tento chegar até a sala, Henry começa a me chamar com um pouco de medo em seu tom. Quando chego ao sofá sinto que não posso mais ficar em pé e agradeço a Deus por ter chego a tempo.

- Henry, pega meu celular e liga para alguém, por favor... – Digo com muito esforço. – Faça como a mamãe te ensinou.

Eu mal consigo enxergar, mas vejo ele conseguir destravar a tela e discar em cima do primeiro nome que ele viu, provavelmente minha mãe. Fecho os olhos e consigo ouvi-lo falar com alguém.

- Alô? – Ele suspira nervoso. – Não é a minha mãe, sou eu o Henry... Não, ela não tá bem, ela quase caiu... Ela tá quente. – Ele funga. – Eu não sei o que fazer, me ajuda? – Henry faz silêncio por uns segundos. – Eu prometo, vou esperar bem aqui!

Ele coloca o aparelho sobre a mesinha de centro e se senta no chão ao meu lado, me estendendo a mão e segurando-a entre as suas pequeninas. Eu apenas sorri e fechei novamente os olhos, esperando que minha mãe chegue logo e ajude a cuidar dele.

- Ela já vai chegar mamãe, ela vai me ajudar a cuidar de você. – Ele deita a cabeça no meu peito. – Por isso que eu gosto muito dela...

Eu não consegui pensar em algo para responder, apenas fechei os olhos e tentei não apagar sem sucesso. Eu não sei por quanto tempo fiquei inconsciente, mas Henry ainda estava sentado ao meu lado, e logo a campainha tocou...

Henry se levanta rápido e sai correndo até a porta, ele não espera um segundo toque antes de abrir e se agarrar a outra pessoa que eu não consigo ver nitidamente, mas pelo arfar o aperto dele foi forte.

- Ela está aqui, vem! – O tom dele é desesperado.

- Tudo bem garoto! Só não me puxa assim senão vou cair em cima de você... – A voz de Emma me faz abrir os olhos assustada. – Vem aqui! – Ela o puxa para seu colo.

- Você demorou... – Ele se abraça a ela escondendo seu rosto em seu pescoço.

- Hey, me desculpa? – Ela o afaga e o vem trazendo até perto de mim. – Eu tive que descobrir seu endereço antes de vir, achar Ruby em um sábado é um pouco difícil... – Ela sorri e o coloca de volta ao chão. – Agora me deixa ver a mamãe?

Ele apenas acena e ela se aproxima e se abaixa ao meu lado, coloca a mão suavemente sobre minha testa e seu olhar preocupado busca o meu, ela tenta sorrir sem muito sucesso.

- Oi... – Sua voz é um sussurro. – Você vai ficar bem.

- Co...mo você chegou aqui? – Levo minha mão até a dela e seguro com força. – Achei que Henry havia ligado para minha mãe... Desculpe.

- Hey? Nada de desculpas. – Ela sorri. – Ele ligou pra mim, eu não poderia deixar de vir, ele é meu amigo.

- Eu liguei pra ela porque ela é muito legal e eu não sei quem é Belle... – Ele faz uma careta. – São os nomes que estão lá em cima...

- Belle, é? – Emma me olha desconfiada. – Uma amiguinha hein...

- Emma... – Uso um tom de advertência que faz Henry rir.

- Levou bronca! – Ele se senta no chão olhando-a e rindo.

- Tá bom, levei mesmo! – Ela ri suavemente e volta a me olhar sério. – Vou ligar para o médico da família, se ele não vier aqui... – Ela suspira e se aproxima mais do meu rosto. – Eu vou levar você para o hospital e sem reclamações. – Ela beija minha testa e se levanta lentamente.

Eu fecho os olhos novamente e não vejo mais nada. Em pequenos flashs de lucidez eu pude ver um homem alto de cabelos claros andando pela minha sala, me dando uma injeção, outra vez aferindo minha pressão e tirando sangue...

Não conseguia ouvir o que eles falavam, não compreendia nada, tenho apenas esses pequenos momentos que na verdade nem sei se são reais. Emma falava com Henry, brincava com ele, colocou uma manta sobre mim e me deixou descansar.

Abri meus olhos e já estava escuro, a casa em silêncio e não sei como eu havia chego a minha cama, ainda com as roupas que usava pela manhã e coberta até a cintura. Ao meu lado uma jarra de água e um bilhete “estamos na cozinha, não se levante.”

- Claro, agora eu sou uma criança... – Resmungo para mim mesma.

“Regina, você sonha?”

“Claro, todo mundo sonha, querida.”

“Todo mundo sonha com quando era outra pessoa?”

“Como assim, querida?”

“Eu sonho que eu era um menino e brincava com minha mãe quando ela era bebê.”

“Emma...”

“Sonho que ela chora e eu pego ela no colo... E sonho com você!”

“Comigo? E é bom? Sonhar comigo é bom?”

“Sim, você sempre está feliz. E sempre sorri pra mim.”

Eu apenas sorri e me mantive em silêncio olhando-a brincar distraída com seus brinquedos.

Me levanto lentamente e sinto um frio me invadir, saio meio cambaleante para fora do quarto, desço as escadas mais devagar que o usual e quando chego quase no fim consigo ouvir os risos e conversas de Henry e Emma.

- Você não pode ganhar todas as vezes, garoto! – Sua risada é sonora. – Ok, desisto de jogar com você!

- Eu sou bom jogando uno! – Henry soa alegre. – Emma, minha mãe vai ficar bem?

- Claro que sim! – Seu tom é suave. – Ela teve uma Intoxicação, já tomou remédios e o Dr. Whale vai fazer exames. – Ouço-a sorrir. – Mas ele disse que amanhã ela vai estar melhor.

- Você vai ficar com a gente? – Henry soa manhoso. – Eu gosto de você, ela também gosta, eu juro!

- É? Eu gosto muito de você! – Ela suspira. – De sua mãe também... – Ela limpa a garganta. – Bom, vamos ver como ela está?

- Ela está acordada... – Digo terminando de descer as escadas. – E agradeço por você ter ficado com Henry.

- Mamãe! – Ele corre em minha direção e me abraça. – Você acordou! Emma me deu pizza! – Ele olha para cima. – Mas me fez tomar um banho também, eu não gostei!

- Pizza, é? – Olhei para ela que olhou de volta culpada. – Pelo menos tomou banho. E aposto que já é hora de dormir...

- Ele pediu para ver você antes, não conseguia se acalmar. – Ela caminha na direção dele e afaga seus cabelos. – Não posso culpa-lo, e por isso deixei ele ficar até tão tarde.

- Tarde? – Olho o relógio na parede da cozinha que marcava vinte e três horas. – Deus, eu dormi o dia todo?!

- Você tomou remédios fortes e soro... – Ela respira fundo. – Whale quis te levar para o hospital, mas eu convenci ele a te tratar aqui, já que ele ia te medicar e fazer vir pra casa de novo. – Ela sorri. – Sorte que somos amigos.

- Obrigada, Emma. – Sorri de volta. – Agradeço muito pelo seu esforço.

- Não foi esforço. – Ela me olha fixamente. – Eu não tive nenhum trabalho.

- Mentira, você teve que levar a mamãe no colo pela escada! – Henry interrompe fazendo Emma corar. – Você ficou até suada!

- Henry... – Chamo a atenção dele fazendo-o se calar. – Então foi assim que cheguei ao me quarto?

- Bem eu... É que... – Emma bufa e desvia o olhar. – Eu achei desconfortável deixar você no sofá.

- Não precisava fazer isso, você poderia se machucar. – Eu sorri sinceramente para ela antes de me concentrar em Henry. – Querido, vamos para a cama? Eu estou bem agora.

Ele apenas assente positivamente com o olhar desanimado, se vira para Emma e a abraça por alguns segundos, ela o aperta e solta logo em seguida. Quando tento dar um passo o frio toma meu corpo ainda fraco que estremece e me faz pisar em falso, Emma se apressa e me segura suavemente, me levantando e ajudando a subir. Eu pensei em reclamar, mas não estou em condições para isso, deixo-a segurar meu braço e cintura e ir me guiando escadas acima até o quarto de Henry. O deixo na cama fazendo seu ritual do boa noite junto a Emma.

Ela me leva para meu quarto e me ajuda a chegar na cama.

- Obrigada de novo, Emma. – Suspiro cansada. – Você não precisava fazer nada disso, e eu agradeço muito.

- Eu não precisava, mas quis. – Ela para de frente para mim. – Eu gosto do garoto, Regina e ele me pediu ajuda. – Ela suspira. – E eu jamais deixaria você num momento assim... Acho que você sabe o motivo.

- Emma... – Eu desvio o olhar ao perceber o quão perto ela está. – Acho que você deveria ir pra casa...

- Eu sei... – Ela passa o braço por minha cintura me dando estabilidade para não cair e isso a deixa mais próxima. – Eu realmente sei que devo, só não sei se quero... – Meu olhar encontra o dela e sua respiração quase se misturando a minha, o calor do seu corpo passando pelo meu.

- Emma...

Ela acaba com a distância quase inexistente entre nossos lábios, me dando um beijo terno e carinhoso, calmo e tão suave. Eu levo minhas mãos até seus ombros, mas não tenho forças físicas para afasta-la e não tenho mais força mental para recusar, eu quero isso.

O calor dela é tão forte que eu não sinto mais frio, seu braço me aperta um pouco mais contra seu corpo e sua outra mão segura com suavidade o meu rosto. Por fim ela afasta seus lábios dos meus e encosta sua testa na minha.

- Me perdoa... – Ela murmura.

- Eu nunca serei a outra, Emma. – Eu sussurro de volta. – É melhor você ir...

Ela se afasta lentamente e sinto o frio me tomar mais uma vez, me sento sobre a cama e a vejo sair do meu quarto sem dizer mais nenhuma palavra.


Notas Finais


E ai, ficou bom?
Deixe um comentário se puder!
Até o próximo :)


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