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História Dunamis - Capítulo 5


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Notas do Autor


E depois de um longo inverno... eu retorno.
Eu realmente preciso me desculpar por todos esses meses de hiatus. E eu duvido que esta história ainda tenha leitores... kkkkk
Eu imagino todo mundo me xingando kkkkk
Enfim, eu não sei porque demorei tanto para escrever esse capítulo, mas eu estava realmente travada. Porém, de ontem para hoje a inspiração finalmente veio.
Agora chega de enrolação. Boa leitura!

Capítulo 5 - Página Cinco


Fanfic / Fanfiction Dunamis - Capítulo 5 - Página Cinco

— Por que eles estão aqui, Deimos?... Por que ele está aqui?

Rei encarava o corvo em seu antebraço, esperando dele uma resposta que sabia que não viria. A única coisa que o pássaro fazia era granjear, bater as asas e abrir o bico para receber os petiscos que a miko dava para ele com a mão.

Deixara seu avô sozinho com aquelas três pessoas, alegando ir buscar mais tinta, mas o que aconteceu foi que ela fugiu. Ainda tentava entender quais as razões que a levaram a escapar desta forma, no entanto, havia desistido de entender, pois começava a temer a verdade.

Phobos, em seu ombro, levantou voo e pousou num galho baixo de árvore e ficou lá coçando as penas. Rei distraiu-se observando o corvo. Tanto ele quanto o outro eram criaturas belas. Ela os queria tanto que os mimava além da conta.

Em seguida, foi a vez de Deimos levantar voo. Foi repousar próximo do outro corvo. Rei desviou os olhos dos animais e alisou a roupa no local onde Deimos estava. Pensava num meio de voltar para o seu quarto sem correr o perigo de ser vista pelo avô antes dos visitantes partirem. Talvez se ela desse a volta na casa pelo bosque, poderia escalar a treliça até seu quarto e...

Espere um momento! Escalar a treliça? No que ela estava pensando, afinal? Tudo isso para escapar de um garoto idiota que gostava de lhe provocar? Rei indignou-se contra si própria, o esforço realmente não valia a pena. Antes permanecer ali até que os visitantes tenham partido e ela pudesse voltar pelo mesmo caminho que veio.

Sim. Era isso mesmo que iria fazer.

— Ah, você está aí! Finalmente te encontrei, menina! — disse a voz do seu avô.

Rei fechou os olhos, ainda de costas para ele, lamentando ter sido achada. Deveria ter escalado a treliça.

— Pensei que estivesse em seu quarto, mas estava vazio.

Ou não.

— Eu estava aqui — respondeu Rei. — Deimos e Phobos acabaram me distraindo.

— Eu sei que gosta muito dos seus bichinhos, filha, mas você me abandonou com os visitantes.

— Desculpe-me, vovô... Isso não vai se repetir.

Rei se sentiu culpada pelo que fez. Tinha deixado seu avô sozinho por puro egoísmo. Não podia ter feito isso. Ela era uma miko, tinha responsabilidades. E esse comportamento era totalmente repreensível.

Ikki não era ninguém relevante para ela. Deixasse para se incomodar com ele quando não estivesse vestindo suas roupas de sacerdotisa.

— Onde estão os ramos de sakaki que você foi buscar? — o avô mudou de assunto, no seu jeito agitado de sempre. — Oh, Rei, os visitantes nos esperam!

— Eu não fui buscar ramos de sakaki — disse Rei —, fui pegar tinta para os bilhetes.

— Não, não, não! Tinta eles já têm lá. Faltam as folhas, vá buscar as folhas! Rápido, rápido! — E saiu correndo.

Rei riu, balançando a cabeça.

Ela não tinha escolha a não ser cumprir seu dever.

Minutos depois, ela havia reunido toda a coragem que tinha e entrado no pátio, caminhando de cabeça erguida e com uma expressão séria até o grupo reunido ali. No caminho vinha pensando que não combinava com ela aquele comportamento de antes. Não era ela de verdade aquela garota estúpida que fugiu do pátio por estar nervosa. Por isso estava determinada a agir de maneira totalmente diferente.

Aproximou-se do grupo ignorando os olhares dirigidos para ela. Amarrou os ramos de sakaki nas tiras de papel e entregou a cada um dos três homens. Começando por Shaka, que moveu levemente a cabeça para ela em sinal de agradecimento, depois para Shun, e por último para Ikki.

Ao contrário da primeira vez, Rei se sentiu impelida a olhar diretamente para o seu rosto. Talvez fosse a sua confiança reafirmada. Para sua surpresa, foi Ikki quem desviou rapidamente os olhos para o papel que ela lhe entregava. Teria ficado desconfortável com sua presença e atitude? Rei ficou satisfeita. Se Ikki estava incomodado, então ela estava feliz.

Conduziu o trio até à arvore onde deveriam amarrar os pedidos, depois de feitos. Shaka dizia alguma coisa da qual apenas Shun parecia estar ouvindo com atenção. Enquanto o avô estava cuidando da cerimônia, Rei o auxiliava, mas com a atenção em Ikki. Não foram poucas as vezes em que seus olhos se encontraram.

Rei não conseguia parar de pensar no quanto os olhos dele eram impressionantes. E teria se espantado se ao menos desconfiasse que a recíproca é verdadeira.

— O que foi que você desejou, irmão? — Shun perguntou enquanto voltavam para a entrada do templo.

Shaka vinha logo atrás, acompanhado do avô de Rei e ela seguia o grupo um pouco mais afastada.

— Acho que isso é para ser um segredo — respondeu Ikki.

— Você acha? Ah, eu queria muito saber o que você pediu.

— Eu não vou dizer, Shun, não insista.

— Acho que vou perguntar à Rei, ela deve saber — disse, voltando a cabeça para trás.

— Deixe-a em paz! — resmungou Ikki, baixo apenas para o irmão ouvir.

— Você não quer que eu pergunte a ela se posso saber o que você pediu ou não quer que eu fale com ela? — perguntou.

— Por que diabos eu ia querer que você não fale com alguém? — rebateu. — Eu não importo.

Hm...

— Quer parar com isso? Eu odeio!

— Odeia que eu murmure ou que te provoque por causa da Rei?

Ikki parou e virou-se bruscamente para Shun. Já tinha perdido a paciência e gritou, chamando a atenção de todos:

— As duas coisas!

Agora todos estavam olhando para ele, incluindo, é claro, a própria Rei. Ele não podia estar mais irritado com isso. E ainda tinha que tolerar o sorrisinho de vitória na cara de Shun. Ele jurou, bem ali naquele templo, que se não fosse seu irmão, quebraria a cara dele com o maior prazer.

— Algum problema, Ikki? — indagou Shaka.

— Nenhum — redarguiu. — Vou esperar vocês lá embaixo.

E sem esperar por resposta, ele se virou e desceu os degraus de pedra numa rapidez impressionante. Shaka questionou Shun com um olhar. O que significava aquilo? Shun deu de ombros e sorriu.

— Foi muito agradável — disse Shun ao ancião. Olhou para Rei e sorriu. — E foi muito bom vê-la, Rei. Te vejo por aí?

Ela demorou a entender a interrogação no final da frase e não respondeu. Até que se deu conta que ele esperava por uma resposta e assentiu.

— É claro...

— Então, até qualquer dia!

Seguiu pelo caminho do irmão mais velho, mas descia as escadas calmamente, assobiando uma música da moda. Shaka também se despediu e acompanhou Shun.

Ikki os esperava na calçada da rua. Quando Shaka e Shun chegaram à base dos degraus, conversando algo que ele não se atentou do que se tratava, ele olhou para cima. No alto da escada, Rei estava parada, sozinha, olhando para baixo. Era alto demais para ele saber se ela olhava apenas para ele ou para o grupo inteiro. Ainda assim, era como se pudesse sentir o seu olhar queimando-o. Desviou os olhos para a rua, mas não resistiu a vontade de olhar de novo. Porém, o lugar já estava vazio.

— Ikki, o Shaka disse que nós devemos ir nos despedir dele no aeroporto — disse Shun.

Ikki anuiu com um sorriso pequeno.

Decidido a deixar a bela miko de lado, ele acompanhava os dois pela rua. Respondia às perguntas de Shaka e participava da conversa, até implicava com o irmão mais novo vez ou outra, fazendo Shaka ou sorrir ou repreendê-los.

Quando a conversa acabou por falta de assunto e eles continuaram pelo caminho, Shun parou subitamente, examinando os bolsos.

— Oh, não... — resmungou ele, com uma cara preocupada.

— O que foi? — perguntou Ikki.

— Não estou encontrando meu medalhão.

— Algum problema? — indagou Shaka, que ia mais adiante e percebeu que os rapazes tinham parado.

— Sim, eu não encontro meu medalhão em lugar nenhum — respondeu Shun, examinando os bolsos pela quarta vez seguida. — Oh não, eu preciso achá-lo.

— Não veio sem ele? — perguntou Ikki.

— É claro que não, sempre ando com ele.

— Esse medalhão era importante? — Shaka quis saber.

— Sim, era da minha mãe. É a única coisa que eu tenho dela.

— Acredita que pode ter sido roubado? — perguntou Shaka com cuidado.

— Não acho possível, eu estava com ele no templo e... — Arregalou os olhos. — Eu devo ter esquecido lá.

— Você esqueceu seu medalhão no templo? — perguntou Ikki, descrente.

— Só pode ter sido lá, foi o último lugar onde estive.

— Me explica, por favor, como o medalhão da mamãe que fica o tempo inteiro pendurado no seu pescoço se perdeu no templo?

— É que às vezes eu tiro e guardo no bolso, para ficar segurando... — respondeu meio envergonhado. — Devo ter deixado no banheiro quando eu fui. Ikki, você pode ir pegar para mim, por favor, por favor, por favor?

Então Ikki entendeu. Era tão óbvio que duvidava até que Shaka não tenha entendido as intenções de Shun. Apostava o salário da semana que aquele medalhão continuava pendurado no pescoço de Shun, escondido por baixo da camisa. Ele nunca tirava do pescoço, só para tomar banho e dormir – e ainda tinha vezes que dormia com o medalhão porque esquecia de tirar.

— Você quer que eu volte e suba todas aquelas escadas de novo para pegar o seu medalhão? É isso que eu estou ouvindo? — Ikki era a visão da indignação.

— Ah, Ikki, minha perna está doendo. Eu não aguentaria subir tudo de novo. Você é mais forte. — Tentou dar um soquinho amigável no ombro dele, mas a cara que Ikki estava fazendo o fez considerar, e não era uma boa ideia.

— Você. É. Impossível!

— Eu vou indo na frente com o Shaka. Te encontro em casa, então! — E saiu andando, sem mais nem menos.

Ikki quis matá-lo.

Shaka alternava o olhar entre um e outro. Havia algo estranho se passando entre os dois irmãos. E o pior de tudo, é que Ikki tinha a impressão de que Shaka sabia. Ele sempre parecia saber de tudo.

Por que ele não falava nada? Estava ali lhe encarando com cara de tacho.

Ikki sentia seu rosto rubro só de raiva. Shun ia lhe pagar por isso.

— Sendo assim — disse Shaka finalmente —, creio que só nos veremos então no aeroporto.

— É, eu acho... — Bufou.

— Agora vá falar com a moça — disse, virando-se para partir.

— O que? Como você...

— Shun não foi muito sutil — Shaka parou de andar, mas não se virou —, e você não é discreto. Passou metade do tempo olhando para ela e a outra metade fingindo que não estava olhando.

Ikki passou as mãos pelos cabelos, num gesto ansioso.

— Quer saber, que se dane! — Deu-lhe as costas e correu de volta para o templo.

 

***

 

Rei sentou-se sob uma árvore. Suas costas descansavam encostadas no tronco e ela olhava para cima, para os seus corvos nos galhos. Deimos limpava as penas e Phobos estava encolhido, descansando. O primeiro abriu as asas e pulou para outro galho, depois decidiu voar até outra árvore.

Ela fechou os olhos e a imagem de Ikki logo apareceu em sua mente. Não conseguia parar de pensar nele e isso estava deixando-a maluca.

Pôs a mão em seu peito. Por que seu coração batia tão forte? Por que...

— Rei?

Virou a cabeça e viu seu avô. Ele estava parado a alguns metros de distância e parecia tão agitado quanto sempre.

— Oi, vovô, precisa de mim? — perguntou.

— Não, não! É outra coisa.

— O que, então?

— Tem uma pessoa aqui para vê-la.

— A Mina? — Ela deveria encontrar-se com Minako mais tarde. Elas iam se encontrar com as outras para irem ao cinema.

— Mina? Não, menina! É um rapaz.

Rei ficou de pé o mais rápido que pôde e acabou batendo a cabeça em um galho mais baixo.

— Ai!

— Um dos que saíram daqui agora há pouco. Eu acho que ele esqueceu alguma coisa. Ajude-o, sim? Estou cheio de coisas para fazer. — Saiu correndo e agitando os braços. — Cheio de coisas!

O coração de Rei bateu ainda mais forte. Poderia ser tanto Ikki quanto Shun, mas ela só pensava no irmão mais velho. Por que Ikki tinha voltado? Ela se sentia apavorada, mas deveria fazer alguma coisa. Ela odiava que ele a deixasse tão nervosa.

Se ele tivesse voltado apenas para insultá-la de algum jeito, ela o expulsaria a pontapés e o empurraria escada abaixo.

Pôs-se a andar em direção ao pátio, mas antes de sair do seu pequeno jardim, Ikki apareceu na porta. Rei quedou-se, com a respiração suspensa.

Um pavio foi aceso no coração deles.

No mesmo instante, sentiram algo novo florescer.

“Faça alguma coisa!”, disse Rei a si mesma, parada como uma estátua na frente dele.

“Diga alguma coisa!”, ordenou Ikki a si mesmo em seus pensamentos. Tinha as mãos nos bolsos, tentando aparentar suavidade.

— Eu...

— Eu...

Disseram ao mesmo tempo.

— Você primeiro — disse Ikki.

— Não, pode falar — Rei retrucou.

— Ok... — Ikki apertou os lábios enquanto pensava. Rei suspirou. — Eu não sou bom fazendo isso...

Rei quis muito perguntar o quê, mas impressionantemente conseguiu ficar calada. Temia que se falasse alguma coisa faria Ikki desistir de dizer o que pretendia. Fitou-lhe em expectativa.

Ikki perdeu o fôlego.

Seus cabelos balançavam com a brisa e seu rosto estava tão perto que ele podia ver cada um dos pequenos detalhes, cada poro e sinal e imaginar o quão macia deve ser a sua pele. Pelos céus, ela é linda!

— Eu... — ele começou. Pensou em como devia estar parecendo um idiota. Praguejou-se por isso. Precisava recompor a postura. — Eu te devo um pedido de desculpas.

— Oh!... Eu... Não sei o que dizer. — Rei lutou contra a vontade de abaixar a cabeça e olhar para o chão. Mas ainda assim, não conseguiu olhar para ele diretamente. Desviou os olhos para o outro lado.

— Eu agi como um completo imbecil com você desde que nos conhecemos. — Rei mirou-o, muito atenta ao que ele dizia. — Eu sinto muito. Sou um desastre como ser humano.

Rei riu então. E Ikki achou que deveria ficar com raiva disso, mas achou completamente gracioso.

— Bem, eu... — Era difícil demais dizer isso. Mas se ele tinha conseguido, ela também podia. — Também tenho que me desculpar.

Parecia que o bolo que havia se formado em sua garganta finalmente desceu. Era como tirar um peso dos ombros.

— Não tem que se desculpar também. Você só agiu em resposta à maneira como te tratei. Eu mereci.

— Eu sei, você é o ser irritante que eu já vi na minha vida, mas...

Uma risada curta e grave saiu de sua boca e Rei parou para encará-lo com as sobrancelhas arqueadas.

— Você está rindo?

— Pelo menos você é divertida, tenho que admitir, e tem personalidade.

— Essa foi a forma mais estranha de alguém me elogiar, eu acho.

— Eu não gosto de fazer o que todo mundo faz — respondeu Ikki.

— Isso dá para notar. Você é um pouco óbvio — Rei retrucou.

— Agora você me ofendeu.

Rei deu de ombros, com um sorriso divertido. Ikki cruzou os braços balançando a cabeça. Ela não será nada fácil de lidar, mas ele está curioso o bastante para tentar.

Ela estava familiarizada com a sensação de sentir-se atraída por um garoto. Não era uma novidade. Então por que estava encarando aquele cara daquele jeito como uma idiota?! Não o detestava? Então o que teria mudado?

Ele, por sua vez, estava intrigado com a garota que estranhamente o encarava e não desviada os olhos, mas não externaria isso. A verdade é que Ikki também estava atraído por ela... Toda aquela fúria no olhar só a tornava mais encantadora.

 

***

 

Existem poucas coisas mais barulhentas e caóticas que adolescentes reunidas conversando umas com as outras. Todas falam ao mesmo tempo e tem sempre alguém com a sensação de que está falando sozinha sem ninguém de fato te escutando.

Rei era quem tinha essa impressão naquele momento. Ela nem estava falando muito esse dia, e quando falava, era para reclamar de Ikki.

Eles haviam brigado de novo e estavam fazendo guerra de silêncio. Mas depois de um ano, seus amigos já estavam acostumados com isso. Eles sempre brigavam, já tinham terminado duas vezes, porém, todo mundo sabia que era questão de tempo até um ir atrás do outro e fazerem as pazes.

Eles não faziam o casal mais romântico, ou grudento, não viviam declarando amor eterno um para o outro, mas havia sim carinho e afeto. E intensidade. Essa é, quem sabe, a palavra que resume e define o que é a relação dos dois. E não seria uma relação intensa se as discussões também não fossem.

E enquanto suas amigas tagarelavam coisas banais do cotidiano, Rei já começava a sentir falta de seu namorado. O leonino podia até mesmo ser, como ela gostava de falar, a pessoa mais irritante da face da Terra, mas ela o amava. Era louca e completamente apaixonada por ele. Era recíproco. Ikki não era de demonstrar ou de falar, mas bastava ver a forma como ele olhava para ela.

— Ei! Eeeei! — Rei acordou para a realidade com Serena balançando as mãos na frente do seu rosto. — Reeeei, acorda!

— Mas o que significa isso, Serena?! — indagou Rei.

— Você estava no mundo da lua, olhando pela janela que nem uma boboca...

— Boboca é você, garota tonta!

— Vai me insultar agora?

— Foi você que começou!

— Será que vocês podem — Lita bateu seu copo de milkshake contra a mesa com raiva —, ficar um dia inteiro sem discutir?

— Conseguiria se a Serena não se empenhasse tanto em me irritar — Rei respondeu.

— Eu hein! Mas que mal humor! — Serena disse. — Eu estava preocupada e é assim que me agradece?

— Você está estranha mesmo, Rei — comentou Amy. — Aconteceu alguma coisa.

Rei não respondeu de imediato, e quando ia abrir a boca para falar, Serena foi mais rápida:

— Ela e o Ikki estão brigados de novo.

— Serena!

— Eu menti, por acaso?

— De novo isso? — Lita perguntou.

— Nossa, qual foi o recorde de dias que ficaram brigados? — Mina indagou.

— Uma semana e dois dias — Amy respondeu.

— Caramba! — Serena exclamou. — Eu não aguento ficar mais de 24h brigada com o Darien.

— Estão há quantos dias sem se falarem?

— Dois dias — Serena que respondeu, de novo.

— Serena! — Rei gritou, e foi completamente ignorada.

— O pior é que eu não consigo nem fazer uma projeção, porque é sempre diferente o número de dias de guerra de silêncio — Amy falou. — Às vezes mais, às vezes menos.

— Qual foi o menor tempo até agora? — Mina perguntou.

— Três dias.

— Amiga, ainda dá tempo de você estabelecer um novo recorde! — disse Mina para Rei.

— Querem parar de falar da minha vida? — Rei gritou de novo, levantando.

A lanchonete favorita delas nunca pareceu tão quente.

Geralmente, Rei adorava se encontrar com as amigas ali. Era o lugar favorito delas. Mas era tão irritante quando começavam a falar do seu relacionamento como se fizessem parte dele. Se bem que ela fazia o mesmo com Serena e Darien e Mina e Shun... Mas isso é outra história.

Eram só quatro horas da tarde e ela já estava ficando estressada.

— Você vai falar com ele dessa vez? — perguntou Lita.

— Não, foi ela da última vez. Agora é a vez do Ikki — respondeu Serena, outra vez, por Rei.

Rei revirou os olhos. Ela se perguntou como seria se passasse cola no cabelo de Serena de madrugada. Claro que não faria isso, mas gostava de imaginar.

— Eu não sabia que isso era uma espécie de jogo — disse Amy.

— Ok, chega! — Rei vociferou. — Vocês vão parar de falar disso agora.

— Mas...

— Não, Serena! Eu disse chega!

— Mas...

— Você também, Amy?! — Lita levantou o dedo e fez menção de falar. — Não, Lita!

— Mas eu só ia dizer...

— Não quero saber!

— Rei, escuta.

— Posso ter um segundo de paz, por favor?

— Está bem! — Lita levantou as mãos em sinal de rendição. — Eu não vou mais dizer que o Ikki está lá fora na calçada.

— O que?! — Rei gritou e imediatamente olhou pela grande janela de vidro ao lado da mesa delas.

Ikki estava mesmo lá fora. Estava parado na calçada, com as mãos nos bolsos de uma jaqueta. Olhava para ela, como se estivesse parado ali apenas aguardando o momento em que ela o visse.

Rei mal conseguia acreditar. Ele tinha ido atrás dela? Ele não parecia estar com raiva. E Rei se deu conta de que também não estava com raiva. Na verdade estava feliz que ele foi até ali.

— Eu vou lá fora ver o que esse idiota quer — Rei disse. Levantou-se e saiu.

— Dois dias! — sussurrou Mina quando Rei saiu.

— É o novo recorde — respondeu Lita.

Serena aproximou-se do vidro até estar com o rosto praticamente colado a ele, e ficou espiando os dois.

— Rei está de braços cruzados e o Ikki está falando alguma coisa.

— Serena, sai daí! — disse Amy.

— Agora a Rei está falando alguma coisa.

Mina correu e juntou-se à amiga.

— Rei descruzou os braços e está dizendo alguma coisa — Mina falou.

— Meninas, é feio espiar! — Amy disse. — Rei ficaria chateada.

— O Ikki pegou a mão dela! — Serena falou, então Lita levantou-se e foi também observar.

— Gente, vocês perderam a noção?

— Ele vai...? — Lita disse.

— O que? — Amy perguntou.

— No meio da rua? — Mina indagou, incrédula.

— O que, gente?

— Não vai, olha lá, ela se afastou — Serena disse.

— Ela está com vergonha! — Mina riu.

— Gente, o que está acontecendo?

— Abaixa! — Lita gritou e puxou as outras duas. — Quase nos viram.

— Viu que eles olharam de um lado para o outro? — Mina perguntou às outras.

— O que foi? — perguntava Amy, sem resposta.

— Será que ele vai...? — Serena perguntou e então se levantou para espiar. — Estão se beijando!

Então todas se apressaram para espiar. Incluindo Amy que correu para ver ao menos os últimos instantes do beijo. Mas foi rápido. Porém, o suficiente.

Paz firmada. Os pombinhos estavam bem um com o outro novamente e todas elas suspiraram de emoção.

Do outro lado, na calçada, Rei pegou as quatro amigas espiando-a com seu namorado e gritou com todas. Ikki segurou-se para não rir da rapidez com que todas se agacharam para se esconderem do flagra.


FIM.


Notas Finais


Obrigada a cada um que leu e acompanhou. Muito obrigada pelos favoritos e comentários e mais uma vez me desculpem por ter demorado tanto para postar o final dessa fic. É simples e clichêzinha, os personagens são muito jovens, mas eu acho tão fofinha ♥

Beijos de luz e se cuidem!


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