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História Duologia - O Herdeiro de Galshyntov - Capítulo 34


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Notas do Autor


Bom dia minha galerinha linda!

Como eu estava com saudade de vcs! Já tem um tempinho, né?

Me perdoem pela demora, vamos lá?

Capítulo 34 - 5 - Despedidas


Fanfic / Fanfiction Duologia - O Herdeiro de Galshyntov - Capítulo 34 - 5 - Despedidas

A madrugada estava agitada na pequena cabana que as duas mulheres moravam. Vozes se entrelaçavam em confusão, riam juntos, às vezes gritavam um com o outro, como qualquer família que se apertava em pequenos cômodos. Todos seus amigos passariam a noite para ajudá-las com os preparativos da viagem.

Uma carroça simples de madeira estava estacionada na lateral da singela casa. Os homens carregavam os baús como os poucos pertences das nobres. As crianças queriam ajudar, mas mais atrapalhavam do que qualquer coisa, arrancando risos dos adultos.

Yona e Aryh iriam voltar para Otis, terra natal da nobre, na manhã seguinte. Onde teriam todo o conforto que mereciam. A ordem de Mestre Eudes era de encontrá-lo além das imediações de Eryeth, para não levantar suspeitas.

Ao final da noite, Lorean colocava a criança adormecida no colchão improvisado de lençóis. Com seus amigos dormindo na casa, tiveram que adaptar para melhor acomodar a todos.

Yona sentou ao seu lado, apoiou a cabeça em seu ombro, fazendo um cafuné nos fios castanhos da criança. Não trocaram palavras, elas não eram necessárias, ambas sabiam o que a outra gostaria de dizer. Essa pequena família que se formara, permaneceria unida, mesmo que a distância as separassem.

***

Os olhos verdes se abriram antes mesmo do primeiro raio do sol entrar pela janela. Lorean se virou na cama, esfregando o rosto com as mãos. Olhou para o lado e um lindo sorriso brotou em seus lábios. Estava acompanhada das suas "irmãs" e de suas crianças, todos em um emaranhado de corpos, em um aconchego gostoso de família. Soltou uma leve risada anasalada olhando Denver com o pé na cara da mãe.

Sorriu e tirou uma mecha castanha do pequeno rosto de sua afilhada. Seu coração doeu ao lembrar que não estaria mais com ela no final daquela tarde. Fez um carinho em suas bochechas rosadas e se levantou, vestindo um robe por cima de suas vestes.

Saiu do quarto o mais silenciosa que conseguiu. Viu Evan deitado de qualquer jeito nas almofadas que lhe serviram de colchão, ele estava de boca aberta e seu ronco era alto. Riu da imagem do amigo, coitada de Alba, pensou ela.

Foi até a varanda e encontrou Conrad olhando o horizonte. Percebendo a sua presença, a chamou com a mão para lhe fazer companhia.

— Não conseguiu dormir? — Perguntou ela sentando na mureta de madeira que ele se encontrava.

— Nem um pouco…

— Deveria descansar. Fará uma viagem longa e cansativa. Ainda há tempo de tirar um cochilo.

Ele abriu um sorriso fraco

— Toda vez que fecho os olhos, vejo imagens daquele dia. Nunca vou conseguir esquecer do rosto dos homens que nos encurralaram, Lorean. Lembro nitidamente da alegria nas vozes deles, como se fossemos coelhos presos em uma armadilha.

— Não precisa se preocupar, Conrad. Nada irá acontecer nessa viagem. Ninguém, além de nós, sabe que Yona e Aryh estão vivas.

— Eu sei… Você vai ficar bem, sozinha?

Ela lhe tocou a mão.

— Vou, Conrad. Sei me cuidar e não estarei sozinha.

— Eu sei, mas viver aqui, isolada do reinado, sem um homem para lhe proteger… Desculpa, acabei de falar a frase mais estúpida do ano.

Lorean riu com o amigo. O silêncio agradável caindo sobre eles, viram a matiz alaranjada começar a pigmentar o horizonte de Eryeth.

— Ficarei em Otis com elas, Lorean. — Quebrou a quietude, fazendo-a o olhar.

— Como assim?

— Não voltarei com a caravana. Prefiro ficar por perto, caso algo aconteça. Depois do ataque, me sinto responsável por vocês. Como sei que, ao meu lado, tem uma bela guerreira, protegerei as outras duas que ainda não tem aptidão para se defenderem sozinhas.

— Quando Aryh crescer ela vai te dar uma surra. — Pontuou rindo, lembrando das peripécias da afilhada, que a enchia de orgulho e deixava a mãe em pânico.

— Com toda certeza! Com a madrinha que tem e do jeito que adora brincar de luta, ela saberá se defender muito bem. Mas, por ora, serei necessário.

— Isso me alivia muito, Conrad. Saber que estará ao lado delas.

— Sempre.

Ele a abraçou pelos ombros e a puxou para se apoiar nele. Observando em silêncio o sol nascer.

***

Carregava o peso da menina em seu colo. Sua afilhada não se desgrudava dela desde que acordou. Fazia um carinho nas costas pequenas, sentindo o cheiro doce e familiar.

Dois jegues franzinos carregavam a carroça a ritmo lento. As mulheres e crianças estavam acomodadas no veículo junto aos pertences. Evan e Conrad caminhavam tranquilos ao lado dos animais.

O clima era de despedida. Todos calados e cabisbaixos. Yona, então, começou a cantarolar uma música animada, tentando aliviar o clima do percurso. Logo, Conrad entrou na primeira estrofe, forçando a voz e todos o acompanharam.

Riram das palhaçadas do moreno que logo começou a sapatear de forma atrapalhada. Evan batia palmas junto das crianças, que riram alegres. As mulheres faziam um coral e assim o longo trajeto acabou se encurtando.

Chegaram ao descampado, local previamente combinado. Mestre Eudes já estava a postos com sua trupe de cavaleiros que viajariam com eles. O grande ruivo, com apenas um aceno de cabeça, fez o seus fiéis escudeiros os ajudarem a transferir os baús da carroça para a carruagem.

Todos ajudavam a arrumar os preparativos, quando Lorean sentiu ser puxada pela saia. Olhou para baixo e viu os olhinhos castanhos.

— Dinha… — A voz fina de Aryh a chamou. Era muito difícil a chamar de madrinha e acabou virando seu apelido.

— Oi meu amor. — Disse se ajoelhando na relva para encará-la melhor.

— "Pu" que não podemos ficar juntos? — Perguntou chorosa.

Lorean fez um carinho na cabecinha dela.

— A Dinha já te explicou… É por pouco tempo, minha flor. Você agora irá conhecer toda a sua família: seu vovô, sua vovó e todas as suas tias!

— Eu achei que vocês "elam" a minha família. — Respondeu dengosa.

O coração de Lorean se apertou com o comentário inocente da criança. Abraçou o corpinho apertado, para esconder as lágrimas que se formaram nos cantos dos olhos. Beijou a cabecinha castanha e abriu um sorriso confiante para a menina.

— A Dinha promete que vai te visitar o mais rápido que puder! Você confia em mim?

Viu Aryh concordar com a cabeça. Deu um beijo em sua testa e apontou para Evan.

— Tio Evan está te chamando para ver os cavalos dos cavaleiros! Não é legal? Corre lá!

A garotinha começou a correr em direção aos animais, mas parou no meio do caminho. Voltou e se jogou nos braços da madrinha que a recebeu com carinho. Lorean logo a liberou para ver o majestoso animal.

Yona apareceu ao seu lado e as duas ficaram observando o amigo que distraia as crianças. Alba estava um pouco afastada chorando no peito do irmão, ele acabara de lhe contar que não voltaria tão cedo.

— Você está jogando baixo, Yona.

— Do que estás falando? — olhou confusa para a amiga.

— Falando para Aryh me pedir para não nos separarmos.

Yona abriu um lindo sorriso e cruzou os braços satisfeita, olhando para a filha.

— A cada dia que passa, me encho ainda mais de orgulho da minha menina. Isso partiu dela, Lorean. Nunca comentei nada com a pequena.

A voz forte de mestre Eudes conquistou a campina.

— Todos à postos! Sairemos em cinco!

Os olhos azuis de Yona encararam a irmã de consideração. Ela tentava não expressar as emoções da partida, mas falhava miseravelmente.

— Acredito que isso seja um adeus. — Declarou a nobre, seu corpo tremia de leve.

— É apenas um até logo, Yona.

Lorean a puxou para um abraço apertado. Sentiu o corpo da amiga tremer, assim que os soluços chegaram. Ela mesma não conseguiu segurar e deixou algumas lágrimas escaparem. Estava se separando da sua família, mas era para um bem maior.

— Logo estaremos todos juntos, Yona. Lutando por um país melhor.

— Eu sei…

— Eu te prometo que não demorará muito. Mestre Eudes deve conversar com o seu pai para nos dar apoio. Você nem vai perceber a minha ausência.

— Eu nem sei como lhe agradecer por esses anos. Você é a minha irmã, mesmo não partilhando o mesmo sangue. Muito obrigada por tudo, farei o que for possível para ajudá-los. Te amo.

— Eu também te amo, somos uma família, pequena, estranha, mas uma família.

— Lorean… — Yona se soltou do abraço e encarou os olhos verdes da amiga, num último lapso de esperança. — Venha conosco…

Lorean suspirou cansada.

— Yona, já conversamos sobre isso!

— Pelo menos me deixe…

— Não! — A interrompeu firmemente. — Não vou discutir agora, você sabe a minha opinião. Eryeth precisa de mim agora.

— Mas…

— Você quer realmente brigar agora, Yona?

— Não… Desculpa, mas eu não me perdoaria se não tentasse pela última vez.

— Eu sei… — Disse abrindo um sorriso torto para a amiga — És muito teimosa!

Yona fez uma careta incrédula.

— Eu sou teimosa? Pelo amor de Deus! Nunca conheci ninguém mais cabeça-dura que você!

As duas riram e voltaram a se abraçar. Yona começou a dar várias instruções para Lorean, sobre a casa, para encontrar elas em Otis, quem procurar…

— E por último. Não entre em muitas confusões e, por favor, não morra!

A morena riu e a apertou com mais força.

— Prometo!

— E não esqueça de dar comida para os gansos! Adoras esquecer dos pobres coitados!

— Isso eu já não prometo! — Respondeu caindo na gargalhada pelo tapa desajeitado que a nobre lhe dera.

— Lo… Fique calma quando o encontrar — Yona a segurou com mais força, percebendo que a morena começou a ficar incomodada. — Converse com ele como adultos. Não vá fazendo Lorenzices, o escute, sei que ele tem uma boa razão.

E mais uma vez o vozeirão de Mestre Eudes conquistou a campina, anunciando a partida. Yona gritou pela filha que veio correndo em sua direção, sendo acompanhada dos outros. Os últimos abraços e beijos foram dados e as nobres entraram na carruagem.

Yona se sentou com a filha no colo. A menina estava chorosa assim como a mãe. Lorean esticou o corpo para dentro do veículo e entregou uma caixinha de madeira nas mãos pequeninas. A garotinha abriu e o cheiro de baunilha conquistou o pequeno espaço. Aryh sorriu abertamente e pegou um dos bolinhos, dando uma bela mordida.

— Boa viagem, minha pequena Madeleine. — Deu um último beijo na testa da criança, fazendo em seguida o sinal da cruz. Deu outro beijo estalado na bochecha da amiga. — Amo vocês.

— Também a amamos. — Respondeu Yona. — Se cuidem, pelo amor de Deus!

Lorean deu uma última olhada nas duas e fechou a porta. Os cavalos começaram a andar lentamente. A morena se encaminhou para Conrad, que já estava em cima do animal.

— Se algo acontecer…

— …. Com as suas meninas, você me mata, eu sei Lorean. Mas se algo acontecer com elas eu já estarei morto há muito tempo. Fique tranquila.

— Se cuide, meu amigo. Obrigada por tudo.

— Vocês podem parar com essa melancolia? Logo estaremos todos juntos, como nos velhos tempos. E, quando soltarem o nosso Teranzinho, dê uns belos sopapos nele por mim.

Conrad bateu com os calcanhares na barriga do animal e saiu trotando para o lado da carruagem. E assim, Lorean viu sua pequena família sumir no horizonte.

***

O som da chicotada cortou o descampado. O grito saiu da garganta do escravo. Craster fechou com tanta força as mãos que sentiu o sangue nas unhas. Respirou fundo tentando se conter.

Ficar ali, sem reação, sem poder protegê-lo, apenas assistir ao show que o Varik estava dando em cima de Selik. Esse não era ele, o Craster de antes não deixaria seu amigo sofrer. O Craster de antes tomaria a iniciativa de ataque, o protegeria a todo custo. Porém, o Craster de antes não existia mais. Ali, ele era Teran, se comportava como um homem fraco e incapaz.

Mais um ataque foi dado nas costas do moreno, Craster ouviu quando a pele rasgara. Varik o atacou mais três vezes até o escravo não ter mais forças para se manter em pé. Selik caiu de joelhos na terra, desacordado, sendo sustentado pelas mãos presas no tronco de madeira.

O capataz sorriu em triunfo, puxou o chicote e limpou o sangue com a mão. O som do líquido caindo na terra fez Teran tremer.

— Leve-o. — Varik ordenou.

Teran se ajoelhou ao lado do amigo, desamarrando-lhe as mãos. Era melhor ficar desacordado, não merecia sentir a dor em seu corpo. O sustentou colocando-o em suas costas, para não o machucar ainda mais.

Sabia que tinha que levá-lo sozinho. Nenhum escravo poderia ajudá-lo. Caminhou pé ante pé, xingava as correntes em seus tornozelos, queria chegar rápido a cela para poder limpar as feridas abertas. O verão era a pior época para serem açoitados, as moscas zanzavam em volta do sangue fresco.

Ao decorrer do caminho se deparou com pequenas flores alaranjadas, grande amiga deles, nesses últimos anos. Se agachou o mais suave que conseguiu e as catou, junto com algumas camomilas. Elas eram ótimas para aliviar a dor.

Chegando na fria cela deitou Selik, com a ajuda de outros homens, nos trapos mais limpos que tinham. A dor unia as pessoas, todos ali já estiveram na mesma situação que o moreno. Um dos homens encheu um pote com água e começou a limpar os ferimentos. Outro pegou uma agulha e a esterilizou no fogo, começando a costurar os lanhos abertos. Craster amassou as flores em uma cumbuca e passou delicadamente nos cortes, agora fechados. Cobriu as costas do amigo com uma camisa rasgada, sentou ao seu lado e tentou descansar.

***

Acordou com Selik gemendo de dor. Ele já estava desperto e se mexia, Teran se descolou da parede e o impediu de tirar o pano que cobria suas costas.

— Calma… — tentou usar o seu melhor tom de voz — Fazendo movimentos bruscos, você pode acabar tirando os pontos.

Teran sentiu a temperatura do amigo, agradeceu baixinho por estar normalizada.

— Água… — Selik pediu com uma voz cansada.

O loiro se levantou e colocou o líquido em um pote mais raso, dando para o moreno beber.

— Quando que isso vai acabar, Teran? — Perguntou. — Eu não aguento mais.

— Um dia vai acabar…

— Como sabes disso? Como manter a minha fé? Estamos há quase quatro anos presos que nem animais! Ao final, nossos corpos estarão em covas rasas.

Selik começou a tossir, seu corpo se contorceu de dor e lágrimas finas lhe marcaram o rosto. Teran segurou o amigo, tentando passar um conforto a ele.

— Descanse… Você precisa se fortalecer, logo estarão trazendo a comida.

O moreno assentiu e apoiou a cabeça no amontoado de trapos que lhe servia como travesseiro.

— Eu sei que iremos sair daqui, pois já me falaram, Selik. — Craster abriu um sorriso encorajador, buscando os olhos negros. — Certa vez, fiz uma viagem e, no meio do percurso, encontrei uma mulher. Ela era estranha, toda tatuada, podemos dizer que era vidente. Ultimamente, venho lembrado muito do nosso encontro, prevejo que a hora de sair desse inferno estará próxima. Na ocasião, ela disse que eu passaria por um momento de sofrimento profundo.

Selik o observava interessado.

— Aguenta firme, meu amigo. Acredito nas palavras dela. — Ele começou a recitar as premonições de Agami. — “Acredite em você, não duvide, tenha esperança. Na hora do caos, lembre de quem você foi. Vai passar, confie em mim. ”. Por isso que marco as pedras todas as noites, por isso escolhi o nome Teran, sei que irá acabar o nosso sofrimento. E, tenho para mim, que será logo.

— Espero que esteja certo, Craster. — Ele disse o seu nome em um sussurro e fechou os olhos. Caindo em um sono inquieto.

Craster sorriu fracamente e jogou a cabeça para trás. Olhou pela minúscula janela da cela, observando o céu escuro e poucas estrelas a brilhar. Uma saudade lhe arrebatou o peito, quando lembrava do último discurso dela.

— Sei que a senhora está me olhando e me dará forças para continuar sozinho. Você confiou em mim, agora é a minha vez. Eu não perderei as esperanças. Por você, mãe.

***

Noll varria a sala do novo Duque de Eryeth, o lorde Umbern. Seus ouvidos estavam atentos a qualquer barulho. Andou até a escrivaninha da sala, tirou de dentro de suas vestes a chave que vinha trabalhando há dias.

Mestre Eudes o ensinou a fazer uma chave mestra. Havia dias que o tentava abrir a gaveta, sem a menor eficiência.

Parou um pouco, tentando escutar algum som. Tudo estava quieto. Colocou a chave na fechadura.

— Por favor! Por favor! — Suplicava o menino baixinho.

Ouviu o clique da tranca. Sorriu satisfeito e conseguiu abrir a gaveta cheia de cartas.


Notas Finais


Esse capítulo é de transição, sei que não é o que vcs mereciam depois de tanto tempo. Desculpa, mas minha vida estava realmente de cabeça para baixo. E ainda está...

Me diga o que acharam da despedida. Do Craster com o Selik! Aryh finalmente falou nesse cap, mesmo que ela tenha ido embora! hahahaha

Bjocas

E até a próxima!


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