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História Duologia Império de Cinzas - Capítulo 3


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Notas do Autor


Oi, Oi, Docinhos Azuis!
Como está esse domingo de quarentena? Espero que mais feliz com essa atualização de A Coroa de Prata!
Vamos acompanhar mais um pouco dessa história?
Vejo vocês nas notas finais...

Capítulo 3 - Capítulo 1


Fanfic / Fanfiction Duologia Império de Cinzas - Capítulo 3 - Capítulo 1

Quando somos crianças sempre sonhamos em ser adolescentes e, quando finalmente somos adolescentes, sonhamos em ser adultos. A questão é que sempre queremos ser mais do que somos. Sempre desejamos ser mais. E, talvez, isso não seja preciso.

 

A verdade é que eu não queria ser rainha.

Quero dizer, não tão de repente, não da forma como eu fui. Sabia que em algum momento assumiria o trono por ser a única filha dos reis, claro, e sempre desejei assumi-lo. Por muito tempo de minha vida, sonhei com o dia que usaria a Coroa.

Mas fora cedo demais. Repentino demais. Meus pais haviam me deixado quando eu tinha 17 anos e então fui obrigada a assumir o trono russo sozinha.

A maioridade no reino era com essa idade, então ninguém contestou nada relacionado a isso na ocasião. Aliás, provavelmente a maioridade no reino passou a ser 17 anos porque alguém ameaçou a monarquia em algum momento e tiveram que dar a um adolescente a responsabilidade de cuidar de um reino inteiro.

Tudo para a manutenção da dinastia Korona e do sangue dos Romanov. Grande sorte a minha.

Minha história de vida pode ser resumida por isso: assumi o trono da Rússia e tudo virou de cabeça para baixo. Nada mais fora igual depois disso.

Ninguém confiava que uma menina de 17 anos saberia governar um reino inteiro, sem nenhuma instrução prévia e específica.

Mas não se enganem com isso.

Era incrível que essa fosse a justificativa dos parlamentares, visto que eu estudei toda uma vida unicamente para assumir o trono. Foram horas dentro da biblioteca do castelo estudando a arte de governar e de guerrear. Anos.

Estudei história, filosofia, táticas de guerra, tudo. Era incrivelmente triste sentir-se descartada somente por não ter a idade considerada suficiente para eles quando eu tinha tanto conhecimento.

Ser mulher era ainda mais complicado. Muita coisa mudou ao longo dos anos — e as mulheres tiveram força para fazer essas mudanças — mas o trono ainda era um lugar quase que exclusivamente masculino na maioria dos países.

Havia a rainha do Reino Inglês, claro, mas a tradição inglesa passava pela linhagem feminina. A Rússia não era específica em relação a essa tradição, portanto, seria até mesmo aceitável que, se eu tivesse um irmão, ele assumisse o trono no meu lugar.

O fato é que assumir o trono era algo meramente simbólico. Manter a dinastia intacta era o que era essencial. Então, na verdade, tudo isso de não me querer sozinha cuidando do reino era um preconceito enorme, visto que homens já haviam assumido o trono quando tinham menos do que 17 no nosso reino para que não houvesse um rompimento da linhagem.

Era uma busca de interesses. Não vou negar que eu havia, primeiramente, aceitado o Parlamento como uma opção. Veja bem, minha vida estava uma bagunça e não sabia se aguentaria toda a pressão de governar.

Porém, depois de pensar muito sobre, comecei a me questionar se caso um homem de 17 anos perdesse os pais e estivesse na linha de sucessão, alguém teria proposto um Parlamento.

A resposta, mais do que óbvia, é não.

Não que eu estivesse pronta para assumir o trono, por favor, eu estava apavorada. Mas hoje vejo que eles nem ao menos me deixaram tentar. Poderia ter dado tudo errado, mas eu teria tentado.

O fato é, decidiram que eu não estava pronta e eu aceitei que não estava pronta.

Vamos esclarecer aqui: talvez eu fosse muito ingênua com os meus 17 anos.

Eu aceitei tudo que me disseram. Aceitei ser enviada a pequena colônia russa de Pervyy, distante de todo o reino. Aceitei mudar o governo, surgindo o Parlamento Russo e a monarquia submetida a ele. Aceitei.

Eu não tinha muita escolha e talvez uma pequena parte de mim não quisesse ter escolha. Eu era nova demais e amedrontada demais. Não tinha força para me contrapor nem que eu quisesse.

E a verdade é, que num primeiro momento, eu não pensei em me impor. Talvez não entenda agora, mas o fato é que aceitei os conselhos de uma pessoa errada e criei o mecanismo que não me permitia ir contra ao Parlamento e cavei a minha própria sepultura.

Eu era ingênua. Acreditei que isso seria o melhor.

Se eu fizesse alguma coisa errada, eles poderiam tirar o trono de minhas mãos, mesmo que fosse um deslize. Uma menina de 17 anos sem orientação? Eles desejariam que eu cometesse algum erro. De certa forma, tive que aceitar o meu destino.

Dançar conforme a música, talvez?

Mas enfim, poderiam ter tirado o trono das minhas mãos, certo? Certo. E eu nunca faria isso com o nome de nossa família, nossa dinastia. Honraria meus pais sendo a melhor rainha que me permitissem ser.

O fato é que me levaram para a colônia de Pervyy, no antigo território australiano. Os ministros reformaram em meses o castelo de verão real, semelhante ao de Moscou, a capital do reino russo.

O mundo foi seguindo.

Assumi o trono e, pelo que eu achava ser a primeira vez, tive a sensação de colocar a Coroa de Prata em minha cabeça. É uma sensação única. Talvez conte para vocês a lenda delas mais tarde, se for necessário.

O tempo passou e cada vez mais parecia que eu era uma mera figura. Eu não me sentia rainha. Como poderia me sentir rainha cada vez mais confinada naquele castelo?

O pior ainda estava por vir.

O ministro informou-me que grande parte da população se revoltava com o meu governo, o que você deve concordar que é uma grande ironia. Eu nem sequer me sentia rainha trancada naquele castelo, quanto mais era responsável pelo gerenciamento do governo russo.

As pessoas começaram a exigir que uma nova dinastia assumisse o trono. De uma maneira geral, o castelo tornou-se uma fortaleza útil. Porém, eu me sentia cada vez mais em uma prisão, sem saída, sem liberdade.

De lá eu não governava quase nada. O Parlamento Russo assumiu grande parte do governo, como já mencionei.

Instalou-se na Rússia uma Monarquia Parlamentarista, modelo muito utilizado na história mundial. Esse governo fazia com que as minhas ordens fossem mínimas.

Eu era ingênua. Já mencionei isso? Ingênua e submissa ao patriarcado, devo dizer. E me envergonho disso. Decidi que não devia me meter em nada, que eles podiam tomar as decisões por mim.

Que se formasse um parlamento, que eu me submetesse a ele, eu não tinha forças para lutar pelo meu direito de governar. Eu estava destruída, havia perdido tudo. Achava que uma rainha quebrada não poderia cuidar de todo um povo.

Não tenho orgulho dessa parte de minha história. Abandonei meu reino. Eu não acreditava em mim mesma, como poderia fazer algo para mudar a Rússia?

Minha vida mudou muito. E, felizmente, ainda mudaria muito. A Rússia inteira estaria prestes a mudar quando sua rainha decidisse deixar de ser tão ingênua, quando submetesse os homens que insistiam em governá-la.

A Rainha da Rússia entenderia que sentir a dor pela perda de seus pais não lhe tornava fraca, e sim apenas humana.

O mundo muda quando as mulheres se engrandecem. E eu tentaria ser uma delas.

Eu sou Natasha Sofia de Korona I. A Rainha da Rússia. E essa é a minha história.

 

**

 

Aquele era um dia como todos os outros.

Por um minuto pensei em me aproximar da grande janela prateada que ocupava boa parte da parede verticalmente e iluminava todo o meu quarto. Às vezes, era até mesmo difícil dormir um pouco mais quando as luzes insistiam em ocupar o seu lugar de direito. Caminhando até lá, poderia observar parte do meu reino, pelo menos a parte que eu podia.

Decidi que de nada adiantaria apenas observar. Da janela do meu quarto não poderia ver muita coisa da colônia, apenas a grama verde do castelo que se estendia até os muros longe de mim.

Assim seguiam-se os dias.

Eu levantava da poltrona, ia até a minha estante recheada dos mais variados livros e escolhia um para me acompanhar no dia.

Minha escolha dependia de minhas necessidades e do meu humor. Havia dias que uma boa literatura grega era minha companheira, outros em que a tática de guerra era escolhida.

Normalmente, levava minha mão a um de meus livros mais fiéis naqueles tempos de isolamento, uma fantasia muito especial para mim. Queria sempre tentar fugir um pouco da realidade que me rodeava.

Já o havia lido tantas vezes e o manuseara tanto que havia certa aparência de velho nele. Mas para mim, era justamente aquela aparência antiga e o seu cheiro de folhas velhas, que denunciavam os anos de vida daquele exemplar, que me traziam a maior segurança.

Ler era a minha fuga.

Aliás, pode parecer fácil para qualquer um que eu me sentisse feliz. Com roupas de seda e outros tecidos finos, um quarto enorme e luxuoso, coisas que muitos desejariam ter e que para mim era uma obrigação manter.

Não quero parecer mal-agradecida. Eu tinha muitos bens materiais e o conforto que muitos não podem ter. Mas o que mais me fazia falta nenhum tesouro real poderia comprar. A liberdade e o poder de me sentir rainha.

— Rainha Natasha — eu ouvi uma batida na porta. — Desculpe acordá-la, mas a senhora tem uma reunião muito importante hoje.

— Elissa, entre — eu respondi com uma voz monótona.

Observei aquela linda menina ultrapassar as duas portas, que diferente das janelas, recebiam um tom de azul-escuro que se destacava em relação ao restante de meu quarto. As paredes do meu quarto eram claras, quase brancas, diferente dos meus aposentos no Castelo de Moscou, onde elas eram azuis.

Elissa entrara como um furacão esvoaçante em meu quarto. Os cabelos loiros lisos presos em um coque rígido e organizado. Olhos verdes brilhantes que carregavam vários vestidos nas mãos.

E alguém que simplesmente trazia um ar doce e alegre àquele quarto. Que me trouxe alegria naqueles anos que passamos em Pervyy.

— Não há com o que se preocupar, Elissa, eu já havia acordado — observei a jovem prestar-me uma reverência. — Eu já lhe disse que não deveria mais usar esse uniforme. Por mim todos aqui usavam as roupas que quisessem. Incluindo a mim mesma nessa sentença.

O uniforme consistia em um vestido preto até o joelho e babados em torno do pescoço, em variadas cores. Elissa trazia os de cor vermelha naquele dia, mas já tinha visto ela com outras cores. E, é claro, o Brasão da Monarquia Russa bordado no peito.

Quem em sã consciência desenhava um uniforme tão fora de sua época como aquele?

— Desculpe, majestade — seu tom divertido ao me chamar de "majestade" revelava o nosso segredo. — A senhora Kira ordenou que usássemos o uniforme hoje. Segundo ela, a Rainha Nadejda pedia para que em certas ocasiões o palácio usasse esses uniformes, como já deve ter ouvido milhares de vezes. E hoje temos o conselho e, segundo ela, é sempre bom mantermos a tradição.

Normalmente, os criados e os funcionários do castelo não usavam nenhum uniforme específico, à exceção dos guardas. Eles usavam roupas escuras, na maioria das vezes pretas, com um broche da dinastia que caracterizava seu serviço à realeza.

Sempre via Elissa com vestidos elegantes pretos, confortáveis e simples. Eu nunca usava preto, achava obscuro demais para mim, portanto era difícil encontrar em meu guarda-roupa uma peça escura. Somente em situações de luto eu usava uma peça mais contida.

— Kira lhe disse isso? Vou ter que conversar sobre essas difíceis decisões mais uma vez. Minha amada mãe não sabia muito bem sobre a moda atual, pelo que podemos perceber. Bom, nesse caso nem eu, já que não saio de meu castelo para acompanhar os movimentos da moda. Mas agora dizer que o conselho é um grande acontecimento no castelo é um tremendo exagero.

— Desculpe, Natasha, são ordens — Elissa riu. — Acho que deveria fazer um Conselho de Guerra para resolver esse assunto tão importante para a convivência no castelo — eu ri.

— Não necessito de mais conselhos por hoje, Elissa — eu disse e soltei um suspiro.

Ela era a minha criada mais fiel. Era uma verdadeira amiga para mim. E infelizmente amigas eu tinha poucas. Uma rainha é sempre temida e as amizades que nos cercam muitas vezes são forçadas.

Mas aquela menina era tão jovem, e por incrível que pareça tão desastrada, que logo conseguiu conquistar a minha verdadeira amizade.

Tínhamos um acordo. Ela não me chamava de "senhora", "alteza", "majestade" ou qualquer outro vocativo semelhante quando estávamos sozinhas e eu tentava ser menos formal do que eu havia sido ensinada. Ela era minha melhor amiga, não necessitava de formalidades.

Quando tinha a possibilidade de alguém escutar, ela mudava o tratamento e eu me adequava aos meus ensinamentos. Às vezes, ela ainda me chamava desses vocativos quando estávamos sozinhas. Mas alguns costumes aparentemente não podiam ser completamente evitados.

— E eu a ouvi me chamando de majestade quando adentrou o quarto. Já discutimos acerca dessas formalidades — eu disse brincando.

— Claro que já discutimos, mas a senhorita cisma em usar palavras totalmente estranhas em minha presença. Quem além da senhora fala esputar ao invés de cuspir? — eu ri.

Às vezes, o meu vocabulário me traía. Fazia um ano que havia começado a ensinar Elissa algumas coisas. Queria que um dia ela se tornasse a minha conselheira. Mas alguns anos lendo literaturas complicadas e exóticas me renderam um vocabulário extenso.

— Mas me desculpe, às vezes me esqueço de que sou sua melhor amiga — ela piscou para mim. Dirigi a ela um sorriso. — E eu achei que alguém poderia escutar nossa confidente amizade, ainda mais com os ministros passeando pelo castelo.

Naquele dia haveria mais um conselho, que reunia o Primeiro-Ministro Dimitri, a rainha, no caso eu mesma, além dos outros ministros das colônias. Eles informavam o que estava acontecendo na Rússia, visto que eu não podia sair do castelo.

— Sabe informar que horas Dimitri e os outros ministros irão chegar? — perguntei.

— Dentro de uma hora. Ele informou que será breve, não são muitos assuntos que ele tem a tratar.

— E quando ele não é breve em suas palavras, não é verdade? E o que devo fazer quanto a esses vestidos que você trouxe?

— São para você escolher para hoje. Os desenhos são para você olhar e decidir qual você quer que eu costure para a festa de recepção dos soberanos francos.

— Esqueci-me completamente da chegada dos soberanos, isso é inaceitável. Eu devo preparar o castelo ainda e eu não cultuo amores por festas de recepção — disse massageando minha cabeça e pressentindo a dor chegando. — Deixe-me ver esses vestidos então.

Elissa arrumou rapidamente a minha cama, com espaço suficiente para quatro pessoas do meu tamanho, o que eu considerava um exagero, agora forrada com lençóis de seda prateados. Ela colocou sobre a cama dois vestidos e dois desenhos. Os vestidos eram de cores claras e leves, além de serem simples, sem deixarem de ser lindos.

Um deles era feito totalmente de veludo. Era cheio de pedras, por toda a sua estrutura. Avaliei o vestido por um minuto e pensei no quanto seria desconfortável usá-lo, pois veludo costuma ser um tecido pesado. Era realmente lindo, mas eu queria estar leve para a conversa pesada que eu teria com o Ministro Dimitri.

O outro, por sua vez, parecia extremamente leve. Era feito de cetim rosa, bem claro. Possuía uma pequena alça, feita apenas para segurar o vestido, não para enfeitá-lo. As pedras pequenas e simples cobriam apenas o tronco do vestido.

— Escolho o de cetim, Elissa, parece ser o mais leve. Sabe que de fatigante já basta o Dimitri. Contudo, devo dizer que é um trabalho riquíssimo, os dois vestidos, foi você quem o desenhou?

— Não, eu apenas o costurei. Tive uma ajuda de Yeva. Ela me deu o desenho original e eu apenas acrescentei alguns detalhes.

— Yeva, a estilista oficial da rainha — ironizei. — Você faz desenhos incríveis, Elissa. Vestidos ainda mais lindos do que ela. Gostaria que você fosse a minha estilista.

— Não sirvo para fazer desenhos e vestidos o dia inteiro, majestade — ela fez uma careta.

Eu ri. Também não conseguiria fazer coisas assim o dia todo, eu tinha um fraco pela aventura. Mas pensava que qualquer coisa seria melhor que estar ali, fazendo nada emocionante ou interessante o dia inteiro.

— Mas esses desenhos são seus, suponho?

— São sim, eu desenhei os vestidos da recepção. Yeva concordou que eram muito bonitos e deixou que utilizasse os modelos.

— Sinto-me grata ouvindo isso — eu disse animada. — Já pode preparar meu banho, Elissa. Eu irei escolher o modelo do vestido e já irei tomá-lo.

— Irei agora mesmo, majestade.

Revirei os olhos com o tratamento formal e ela soltou uma gargalhada enquanto se dirigia ao banheiro.

Ela já trabalhava comigo desde os meus 15 anos, no início apenas como dama de companhia, mas aos poucos transformou-se em minha criada também. Aos meus 20 anos, Elissa continuava comigo firme e forte. Ela disse que estaria comigo sempre, se eu assim desejasse.

E ela só tinha 18 anos, um pouco mais de dois anos mais nova do que eu. Era mais forte do que eu talvez jamais fosse.

Passei a observar os desenhos dela, que eram impecáveis. Havia um em especial que era verde-escuro. Era lindo pelo que podia ver, com vários detalhes em renda preta.

As luvas de camurça eram negras e a sua capa também. Achei um pouco sombrio, mas me deixaria com uma postura poderosa, o que eu gostaria muito.

Tinha 20 anos, não era mais a adolescente que assumiu o trono. Tinha que deixar a imagem de inexperiente ir embora.

Observei o outro, que era mais jovial. Ele era vermelho e de veludo. Possuía várias camadas de pano, pelo que observava pelo desenho, mas aparentava ter um corte reto. Os detalhes agora eram brancos assim como a capa. As luvas, porém, eram vermelhas.

Preferi realmente usar o verde. Eu me sentiria mais forte e corajosa com ele. Me faria ter coragem também. Nunca apreciei recepções, me deixavam nervosa.

Caminhei em direção ao banheiro igualmente branco de minha suíte e ultrapassei a porta azul escura que a fechava.

A banheira localizada no centro do cômodo já estava pronta. Elissa estava de costas para mim, arrumando alguns recipientes, provavelmente para o meu cabelo, em cima de uma pequena pia de um mármore claro com um armário de portas prateadas ao lado da banheira. Lá habitavam todos os produtos de beleza que Elissa usava comigo. Minha mãe sempre dizia que a pele de uma princesa deveria ser sempre impecável.

— Obrigada — eu disse. Ela virou-se rapidamente e deixou alguns potes caírem no chão sem querer. — Desculpa-me Elissa, não foi minha intenção lhe apavorar.

Ela me encarou por uns segundos e começamos a rir descontroladamente. Demorou um bom tempo até que conseguíssemos parar. Eu falei, ela era totalmente desastrada, mas eu a amava.

Elissa me ajudou a me despir e entrei na banheira. Não podia negar que era incrivelmente relaxante. Senti que ela soltara os meus cabelos e os massageava.

Eu tinha cabelos ruivos com um tom bem forte, quase artificial, como eram os cabelos da minha mãe. Eu sempre gostei do meu cabelo ondulado, eles combinavam com meu rosto. Os meus olhos cor de mel, que meu pai sempre dizia que eram idênticos aos da vovó, eram emoldurados pela minha pele muito branca.

Eu também tinha algumas sardas em minhas bochechas, que Elissa costumava dizer que me deixavam charmosa. Ela me achava bonita — a típica princesa dos contos de fada, segundo ela — e acho que Elissa era a pessoa que poderia ser mais sincera quanto a elogios.

Além disso, não gostava de recebê-los de qualquer forma. Tinha ciência da minha beleza, afinal, meus pais eram magníficos. Mas queria ser reconhecida não apenas por ela.

— Escolhi o verde, Elissa. É uma peça lindíssima.

— Imaginei que o escolheria, é um modelo que lhe dá a aparência de força. Algo que reflete o que a senhora tem. E que combinará com a sua coroa, obviamente.

— Quero sentir-me forte em frente a eles. Eles sempre me olham como se eu fosse uma garotinha frágil que perdeu os pais e está ali sem saber o que faz. Quero me sentir bonita Elissa, pelo menos dessa vez.

— Natasha, você tem uma beleza extraordinária. E sabe que sempre lhe digo a verdade — ela segurou minhas mãos e senti a sinceridade dela. — A senhora é a princesa dos contos de fada de qualquer criança.

— Obrigada, Elissa. Não sei o que faria sem a sua companhia.

— Leria o tempo inteiro e conversaria consigo mesma. O que não é realmente saudável.

— Você é impossível — eu lhe disse.

Ela riu e eu lhe acompanhei.

Às vezes, diante de algumas coisas, você deveria apenas sorrir. É a melhor saída.

Afinal, apenas sorrindo conseguiria arranjar ânimo para enfrentar, mais uma vez, o Ministro Dimitri.

 

LEIAM AS NOTAS FINAIS!!

 


Notas Finais


E aí, Docinhos, gostaram do capítulo?
Hoje vocês conheceram as minhas meninas, Natasha e Elissa. O que acharam delas? Adoraria que vocês me contassem aí embaixo o que vocês acharam!
Espero que estejam gostando e que estejam curiosos!
Ah, nunca tarde para lembrar, LAVEM AS MÃOS E FIQUEM EM CASA! A Duologia Império de Cinzas é atualizada toda quinta e domingo, se gostarem de Hiccstrid ou de Percabeth, há várias fanfics no meu perfil, OCUPEM SEU TEMPO! Vejam séries, leiam a duologia da SevenB, O herdeiro de Galshyntov (sempre hora de exaltar as amigas) e FIQUEM EM CASA!
QUARENTENA NÃO É FÉRIAS! ELA SALVA VIDAS, NÃO SÓ A SUA, MAS DE SEUS AVÓS, TIOS, PAIS! Pelo amor de Deus, gente, Espanha e Itália estão sucumbindo, não podemos deixar o mesmo acontecer aqui! Esse é o meu apelo a vocês hoje.

Então até quinta-feira no próximo capítulo, Docinhos, se cuidem!
Mil beijos da Temp 💙💙💙💙


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