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História Duque de Valhala - Capítulo 2


Escrita por: DRuh19 e ProjetoMiraculous

Notas do Autor


Sem muito o que falar, espero que gostem!

Bjs de luz

Capítulo 2 - Um passado não tão distante


Fanfic / Fanfiction Duque de Valhala - Capítulo 2 - Um passado não tão distante

 

Paris, 1434

Guardian,1434
          Um ano antes;

 

A Guerra dos Cem Anos estava instaurada e o período era péssimo para a população, que estava em descontentamento com a burguesia e a monarquia. A coroa francesa não tinha um  sucessor masculino direto, o que causou um embate fervoroso entre França e Inglaterra pelo trono, desse modo, levando devastação pelas terras europeias.

Paris estava sob o domínio do exército anglo-borguinhão, enquanto as tropas francesas de Carlos VII, junto de Joana D’Arc, caminhavam para tomar a cidade. A burguesia se via em caos e os camponeses não tinham mais como se esconder, principalmente pela destruição dos ducados e principados.

Nesse contexto, muitos fugiram, morreram e se viram em plena desgraça, mas uma população em específico não tinha interesse na guerra que os humanos criaram, sendo inútil para os que viviam de uma maneira mais simples; pelo menos era assim que eram vistos.

O local era mais afastado de Paris, deixando os olhos curiosos sempre longe; não gostavam da curiosidade dos homens. Como sempre, o lugar estava lotado e com as mais diversas iguarias do mundo invisível aos humanos. 

Os passos apressados da figura envolta em preto fazia os demais darem espaço, nunca era visto por ali, achava os leilões fúteis e contra a total falta de senso de se vender seres vivos.

Abriu a porta de madeira de uma das salas e se viu na escuridão, apenas o palco improvisado tinha uma luz. As velas eram dispensadas por ali, fadas e o princípio básico de magia eram muito melhor para se enxergar. Sentou em um dos lugares vagos e sentiu os olhares em seu rosto, dando um sorriso doce, porém, mentiroso, queria ir para casa logo, Nathalie já devia estar lhe esperando.

— O próximo item é um dos mais esperados! Sua raridade supera a dos elfos da noite, mas não se enganem pelo tamanho, ela é muito perigosa se usada incorretamente — o homem ao palco dizia com um sorriso. — Vamos começar com o lance de quinhentos Draktar!

— Mil. — Remexeu-se incomodado e suspirou, era sua deixa.

A maioria presente voltou os olhos para o loiro, que continuava com os dele no palco. Gastaria uma boa quantia essa noite e sabia disso, ninguém deixa um Miraculous passar.

— Dois mil — alguém proferiu.

— Dois e duzentos — disse outra pessoa.

— Cem mil! — gritou e ergueu o braço, fazendo o locutor pedir por mais.

— Cem mil e duzentos. — Ouviu furioso.

Do palco, a luz das fadas não deixava os olhos azuis  de Marinette enxergarem muito, apenas ouviu atenta os lances. Não ligava em ser comprada — afinal — fora a própria que se candidatou a isso, só queria um lar e estava cansada de tentar, era sua última alternativa.

— Cem mil e quinhentos! —  Assustou-se com o grito.

— Quinhentos mil! — alguém bufou.

Manteve os olhos baixos e apertou as mãos pelo frio que fazia naquela noite. Não tinha noção de quanto era um único Draktar, mas tinha noção de que estava sendo disputada por pelo menos três pessoas. Engoliu com dificuldade pela falta de água e ouviu os passos pesados se aproximarem.

— Peço para que não se aproxime do item! — o locutor dizia atônito.

— Um milhão! — disse em pé. — Alguém mais? — Adrien se estressou com os lances, sabia que nem todos podiam passar dessa quantia.

O som do martelo foi ouvido por todos e o sorriso no rosto do loiro era bem visto pela garota no palco, não estava confortável com aquilo. Não conseguia esboçar uma reação diante dele, então apenas seguiu os passos da fada, que a guiava para fora dos olhares curiosos.

Foi levada para uma sala, a qual permanecia com a luz de velas dessa vez. O comprador já estava por lá e parecia assinar algum documento, o mesmo que Marinette teria assinado horas antes de se colocar à venda. Ouviu os dois conversarem e manteve os olhos no chão, não sabia se estaria realmente em uma família, mas era melhor do que continuar nas ruas de Paris e ser maltratada pelos outros.

— Ótimo, foi uma boa compra — um deles falava feliz.

— É uma boa quantia para o seu bolso — suspirou. — Tudo feito, posso ir?

— Claro, à vontade, Duque de Valhalla.

Marinette ouviu uma das portas serem batidas, apenas os dois estavam na sala agora e suas mãos estavam atadas pelas correntes. Ouviu os passos pesados de novo e logo a voz dele se fez presente, parecia reconfortante.

— Marinette Dupain-Cheng é um nome bonito — falou em um sorriso. —  Não precisa disso —  Passou as mãos sobre as correntes, que sumiram em um único toque. —  Você sabe falar? — Olhou-a de lado, parecia cansada.

— Sim —  Finalmente o encarou.

— Quantos anos você tem? —  Girou os dedos e fez um copo d'água para ela. — Parece estar com sede.

Os olhos azuis se espantaram pelo copo, já tinha entendido que estava cercada de criaturas mágicas — conseguia vê-las muito bem — mas não estava esperando por isso. Aceitou a água e virou o copo com vontade, não comia ou bebia há algumas horas.

— Obrigada —  ela respondeu baixo. —  Tenho vinte e um anos.

— Me chamo Adrien Agreste, Marinette. —  Girou as mãos de novo, mudando a cor de seus olhos. —  A partir de hoje você será minha aprendiz como uma maga, ou bruxa, como quiser chamar.

— Aprendiz? — Olhou o chão, vendo o círculo verde que surgia. 

— Espero que goste da sua nova casa, a Nathalie está empolgada para te conhecer.

Adrien terminou o círculo e logo apareceram dentro de uma casa vagamente escura e silenciosa, que rapidamente mudou-se para barulhenta e bem iluminada. A fada parecia nervosa e tinha as mãos apertadas em uma luz estonteante.

— Adrien Agreste! Tire os pés da mobília! Eu já falei isso um milhão de vezes!

— Acho que calculei mal a rota, de novo. — Meneou com a cabeça.

— Não é a primeira vez que peço para usar as carruagens para longas distâncias como essa. — Mexeu os dedos em nervosismo.

— Perdão, Nathalie, eu pensei que seria mais rápido para nossa convidada, que está visivelmente cansada para andar ou esperar os cavalos. — Desceu da mesa de centro e entendeu a mão para Marinette, que relutou um pouco antes de aceitar.

— Oh, eu mal notei sua presença atrás dele, querida. — A fada sorriu alegre. — Você é tão pequena e magrinha. —  Foi até ela e apertou seus ombros. — Deve estar com fome, qual o seu nome? Eu me chamo Nathalie, sou a governanta da família Agreste.

— Marinette — respondeu assustada com a aproximação repentina.

— Está sufocando ela. — O mais velho conseguia perceber o medo que o corpo da garota emanava.

— Claro, claro, sempre falo muito, desculpe por isso —  A governanta tirou as mãos dela. — Vou preparar um banho antes de servir o almoço.

— Seria bom. — Adrien sorriu e passou pelo corredor, deixando a garota sozinha.

— Venha cá — Nathalie pediu, assim mostrando a banheira cheia. — Deixei roupas limpas em cima do biombo, caso precise de mim é só chamar. Vou mostrar seu quarto depois.

Marinette não teve tempo de responder, a mulher já tinha sumido e a porta estava fechada; deixando o vapor da água quente ao lado de dentro. Tirou a roupa e se afundou na banheira, sentindo os músculos finalmente relaxarem depois de tanto tormento. Tinha gostado da recepção feita pela fada, parecia realmente querida ali, mesmo que subitamente.

Esfregou o corpo com as próprias mãos e olhou pela janela, o céu estava nublado e pequenos seres voavam mais acima, fazendo a curiosidade de Marinette se aflorar. Sempre via esse tipo de coisa em Paris e até foi tida como louca por ser a única a enxergar, mas parecia que ali, naquele lugar ainda estranho, o número dessas criaturas era maior.

Terminou o banho e vestiu as peças escolhidas por Nathalie, secando os cabelos com a toalha. Olhou no espelho e se viu muito melhor, não sentia-se suja e apenas alguns cortes adornavam sua pele pelas noites mal dormidas em meio à guerra. Abriu a porta e trouxe a toalha junto, passando pelos cabelos ainda molhados, e ouvindo a fada dirigir-lhe a palavra.

— Melhor assim, não? —  A fada perguntou feliz. — Azul combina com você.

— Obrigada. — Sorriu.

— Venha, vou lhe mostrar o quarto. —  Saiu andando e ouviu os passos apressados da mais nova. — Aqui! Eu deixei algumas coisas prontas, toda mulher deve ter ao menos uma escova de cabelo e alguns perfumes.

— Isso tudo é meu? — Marinette olhou em volta.

— Claro, tudinho — confirmou e pegou a escova, passando pelos cabelos estranhamente azulados. — Vai gostar daqui, o Adrien é um ótimo professor. — Nathalie não ouviu resposta, teve apenas o concordar de cabeça dela. — Pronto! Vamos comer, você deve estar faminta.

Seguiram para o corredor e entraram no cômodo central, vendo o loiro com um livro em mãos, parecia estar falando em latim, o que deixava Marinette sem entender.

— Chega de leitura hoje, hora de comer. — Nathalie fechou o livro e o tirou de sua posse.

— Eu estava lendo algo importante. — Viu seu grimório nas mãos dela. 

— Atente-se em comer, Vossa Graça. — Brincou com a formalidade e terminou de servir a mesa.

— Claro, claro — riu. — À vontade, Marinette. — Adrien apontou o lugar.

— Obrigada. — Olhou em volta. — Ah, Adrien… — chamou baixo.

— Sim? — Percebeu a timidez.

— Aqui não é Paris, é?

— Você percebeu rápido — concordou. — Estamos em Guardian, posso explicar depois! por agora, coma, vai precisar. — Sorriu de novo.

— Claro... — Viu todas as coisas postas sobre, pareciam deliciosas.

— Desse jeito vai assustá-la! — Nathalie repreendeu o mais novo.

— Para usar magia precisamos estar bem alimentados. Não falei nada demais, falei, Marinette? — riu da governanta.

A azulada não sabia se realmente podia responder, estava sentindo-se levemente intimidada pelo falatório entre os dois e sabia como os homens sempre tinham a última palavra, sendo sempre a correta.

— Marinette? — Adrien percebeu o corpo dela tremer. — Ei!? — Colocou a mão sobre a cabeça dela, vendo o rosto assustado se virar para o seu. — Pode responder quando falamos com você.

— Somos sua família. —  Nathalie serviu-lhe o prato. — O Duque de Valhalla não pede formalidade — falou em deboche.

— Hoje você acordou pronta para me alfinetar. —  Ele pegou uma das taças. 

— Adoro isso — A fada riu junto dele.

— Marinette, não espere uma ordem minha ou da Nathalie, pois não terá, você é parte da minha família agora! Sinta-se em casa — Alcançou os talheres e lhe entregou. — Bem-vinda ao Ducado de Valhalla. 

— Quem está sendo formal agora? — A governanta sentou-se à mesa.

 Marinette riu com os dois, aquela família, apesar de vagamente peculiar, lhe trouxe sensação de alívio, a primeira em anos.

Família...

 

[...]

 

Guardian,1435
             Presente;

 

— Adrien Agreste! — Nathalie o chamou assim que ouviu a porta do banheiro se fechar. — Sabe que não pode aparecer com uma mulher no centro!

— É o aniversário dela, eu só quero comprar um presente — suspirou.

— Andar com ela pelo Ducado é uma coisa, mas pelo centro do reino? Você é um duque solteiro! Não pode ser visto desse jeito!

— A Marinette conhece todos os costumes pífios, assim como eu, só vamos caminhar e achar um presente. — Arrumou a gola chata de sua roupa. —  E além do mais, se me virem com ela, pelo menos achariam que finalmente estou noivo e me deixariam em paz.

— Acha que ninguém sabe do leilão de um ano atrás? Perceberão que ela é um Miraculous. — Bateu a mão contra a saia do vestido.

— Não me importo com o que acham, tenho direito de caminhar com quem eu quiser, inclusive com minha aprendiz.

— Vai ganhar uma dor de cabeça por causa disso, preste atenção no que eu digo! E os bailes? A Guerra em Paris está cada vez menor, logo Guardian requisitá-lo-á para aqueles bailes horríveis.

— Sei disso, por isso é bom a Marinette ser vista. — Adrien permanecia calmo. — Posso levá-la aos bailes comigo, não vou precisar dançar com pessoas tediosas e sem um pingo de intelecto.

— Ah! Você é igual ao seu pai! Teimoso.

— Você gosta disso em mim, Nathalie. — Sorriu e passou pela porta, ouvindo Marinette dizer estar pronta. — É só uma volta.

— Use a carruagem pelo menos, não quero bagunça com seus teleportes — pediu brava. — E, Marinette, não deixe esse cabeça dura fazer nada de errado, vou te preparar um bolo para comemorarmos de noite —  Abraçou a garota. — Vinte e dois aninhos.

— Está ficando velha. — Adrien brincou.

— Como se você fosse muito novo com seus vinte e sete anos, Vossa Graça —  debochou a aprendiz.

— Eu falo que vou te comprar um presente e você debocha de mim? — fez drama.

— Vão logo os dois, voltem antes de escurecer! — Nathalie pediu e os viu sair, pressentia algo ruim.

 



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