História Dusk Till Down (hiatus) - Capítulo 3


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Categorias The Walking Dead
Personagens Aaron, Carl Grimes, Carol Peletier, Daryl Dixon, Enid, Gabriel Stokes, Maggie Greene, Michonne, Negan, Personagens Originais, Rick Grimes, Rosita Espinosa, Tara Chambler
Tags Natasha Sparks, Rick Grimes, Romance, The Walking Dead, Zumbis
Visualizações 106
Palavras 5.363
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Policial, Romance e Novela, Survival, Suspense
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Então gente, CHEGUEI, antes de tudo, quero dizer, para se situarem melhor, esse capítulo se passa mais ou menos na época do inicio da terceira temporada, só que na visão da Nath e da sua família. O capítulo está bem grandinho e no começo não tem muita ação, mas isso é bem importante para que entendam mais sobre a Natasha e os outros.

Aviso de Gatinho: Pessoas que são sensíveis a cenas de morte e abuso explícito, aconselho que não leiam o capítulo, mas caso queiram assim mesmo, continuem por sua conta e risco.

• Daniel Gillies como Mark Sparks.

Boa leitura a todos!

Capítulo 3 - Peste negra.


Fanfic / Fanfiction Dusk Till Down (hiatus) - Capítulo 3 - Peste negra.

Estou acordando em cinzas e pó. Limpo minha testa e transpiro minha ferrugem. Estou respirando as substâncias químicas. Estou invadindo, tomando forma. E então conferindo o ônibus da prisão. É isso, o apocalipse.

[ RADIOACTIVE - Imagine Dragons ]

Peste Negra.

NEW ORLEANS, LUISIANA.

Inicio do Apocalipse, seis anos atrás.

  Natasha Sparks observava a pequena Maisie enquanto a mesma brincava com suas bonecas no tapete da sala, a garotinha havia acabado de completar cinco anos de idade, e apesar de ser a mais nova da família, já era quase tão esperta quanto os outros.

  O filho mais velho jogava em seu tablet, sentando ao lado da irmã, enquanto Alicia lia o livro que havia ganhado de sua avó paterna na última semana. A televisão permanecia ligada enquanto a mais velha esperava sua novela favorita começar.

  Natasha estava de folga naquele dia, e por mais que gostasse de acompanhar as crianças na neo natal e na pediatria, era bom passar um tempo em casa com seus três filhos.

  — Nós interrompemos nossa programação para um aviso do estado. — A voz da repórter soou. Natasha aumentou o volume da televisão, e desta vez, passou a prestar mais atenção. — Cientista anunciaram um vírus mortal que está afetando os moradores da Luisiana, ainda não sabem se é ebola, peste negra, ou uma nova epidemia desconhecida. Ainda não foi descoberto a origem do vírus, mas os sintomas são febre alta, alucinação, pupilas dilatadas e perda de consciência. O governo anunciou que todos devem permanecer em quarentena, fiquem em suas casas e evitem o contato com outras pessoas. E, em hipótese alguma, saiam da cidade.

  A morena mordeu os lábios, Natasha se levantou e andou até a janela de sua casa, o sol já estava se pondo, e ela podia ver o trânsito forte, as buzinas soavam incessantemente. Era quarta feira e aquele movimento não era muito comum, olhou em seu celular para ver se havia alguma mensagem de Mark, e se sentiu um pouco mais aliviada em lembrar que ele poderia estar em alguma cirurgia, sem tempo para olhar o telefone.

  — Mãe? Está tudo bem? — Alicia perguntou. Natasha se sentou na beira do sofá, e pegou o controle da televisão.

  — Está sim, Ali, não se preocupe. — A morena sorriu.

  Maisie observou a grande janela que transpassava a luz laranja do sol ao entardecer, as buzinas altas a deixavam um pouco confusa, mas logo voltou a prestar atenção em suas bonecas e ursinhos coloridos. Natasha respirou fundo, mudando os canais rapidamente, todos exibiam o noticiários de emergência, finalmente, parou em um.

  — O governo ainda investiga se foi um golpe terrorista, uma experiência mal feita, ou uma mutação genética evoluída de doenças de animais.

 — Os cidadãos estão evacuando as cidades, os supermercados estão cheios e a situação de caos está aumentando.

 — As cidades de Los Angeles, Atlanta, Chicago, San Diego, Nashville e Portland já entraram em estado de lei marcial.

  A Sparks acariciou os cabelos negros de Liam, ainda se impressionava em como seu filho mais velho era tão parecido com o pai. A mulher prensou os lábios, ouvindo o som da porta sendo aberta rapidamente, os três homens entraram em disparada na casa, Maisie correu para os braços do pai, e Natasha respirou aliviada aos ver seu marido, seu cunhado, e seu melhor amigo, todos bem.

  — O que está acontecendo? — Nath sussurrou, chegando perto de Niklaus e Bellamy.

  Mark se encontrava dando atenção para os três filhos, que apesar de terem um pai presente, ainda sim, em certos dias, ele ficava bastante ocupado com seu trabalho.

  — Ainda não sabemos, mas temos que sair da cidade. — O loiro respondeu em um tom baixo. 

  — Pode ir pegando as coisas, eu vou verificar o carro. — A morena assentiu, Bellamy se direcionou a porta dos fundos, e entrou na garagem.

  Natasha respirou fundo e tentou entender o que acontecia, a televisão ainda passava instruções, e algumas vezes diziam que a situação estava ficando crítica em outros estados do país.

  — Crianças. — Chamou, parando na frente dos dois filhos mais velhos, ajoelhando no tapete macio. — Nós vamos ter que fazer uma viagem agora, porque não pegam suas coisas e colocam em uma mochila? Só peguem o necessário, está bem? 

  Os dois assentiram, Mark encarou a esposa, e expressava um olhar preocupado. Acariciou o cabelo da filha, e se levantou, desta vez, se sentando no sofá agora vazio.

  — O que está acontecendo? — Repetiu a pergunta. Niklaus se sentou no outro sofá, olhando para o irmão. — Nunca vi algo assim.

  — Ainda não sabem o que é, mas sabem que é perigoso e está matando as pessoas. — Mark disse, abaixando a cabeça.

  — New Orleans vai entrar em lei marcial, vão bombardear tudo, igual com Atlanta e Los Angeles, temos que sair da cidade o quanto antes. — Klaus completou.

  — Está bem, vou arrumar as coisas da Maisie. — Natasha suspirou. 

  — Nós vamos ficar bem. — O mais velho pegou em sua mão. — Eu sei que vamos. — Afirmou. A mulher deu um pequeno selinho em Mark, e se dirigiu ao quarto das crianças. 

  A porta branca possuía as letras 'A' e 'L', quando Maisie nasceu, o pequeno quarto onde Alicia dormia se tornou o cantinho da menor, já que o quarto de Liam era grande o suficiente para caber até as três crianças.

  — Está tudo bem aqui? — A morena perguntou, ao abrir a porta do quarto.

  — Liam quer levar o coala dele, e eu disse que isso não é necessário, estamos levando uma mochila, não vamos ficar muito tempo fora. — Alicia disse, segurando sua mochila roxa de listras cor-de-rosa na mão.

  — Filha, nós não sabemos quanto tempo vamos ficar fora. — A mulher mordeu os lábios, se sentando a cama macia da garota. — Se Liam se sente bem com o Kenny ele deve levá-lo. — Disse.

  — Para onde nós vamos? — Ela perguntou. Liam se jogou em cima de sua cama, deixando sua mochila cair no chão.

  — Eu... eu ainda não sei, Ali, nós vamos ver isso depois. — Sorriu, tentando tranquizar a filha, por mais que ela mesma não estivesse tranquila. — Eu e o papai não sabemos o que está acontecendo ainda, mas temos que ir embora antes que algo aconteça, entende? Nós vamos ficar bem. 

  A mais nova assentiou e abraçou a mãe, apesar de não demonstrar muitos sentimentos, Alicia sentia que algo estava errado, e isso a preocupava.

  — Vai ficar tudo bem, Licia, eu vou proteger você. — Liam disse, saindo de sua cama e se sentando ao lado da irmã mais nova. — Eu prometo.

  Natasha sorriu, observando a janela, o dia já estava praticamente no fim, e pelo que havia entendido, saíram de casa assim que a noite caísse.

  — Tenho que arrumar as coisas da Maisie, papai e tio Klaus estam esperando vocês lá embaixo. 

  As duas crianças saíram do quarto, e Nath se sentiu mais segura em saber que os dois estavam com seu marido e seu cunhado, pois apesar de estarem em casa, a preocupação de Natasha a deixava incrivelmente apreensiva. Pode-se dizer que a família Sparks sempre foi muito unida, Niklaus poderia ser um filho bastardo, mas ainda sim, sempre foi muito aceito por seu irmão, que, mesmo quando crianças, era o tipo de irmão mais velho protetor, como Liam se tornou ao longo os anos.

  Natasha e Niklaus estudavam juntos quando mais novos, e foi assim que conheceu seu marido, o irmão mais velho que defendia o irmão mais novo. De certa forma, foi assim que Nath conheceu Bellamy também, o mais velho fôra melhor amigo de Mark desde que se conhece por gente, desde então, os quatro nunca mais se desgrudaram. 

  Natasha encarou a porta cheia de desenhos coloridos e a fechou. Andou pelo pequeno corredor e colocou a mochila repleta de borboletas em cima da mesa de vidro, cruzou os braços inquieta e olhou para Bellamy, o mesmo arrumava lanternas, baterias, nlatados, munições e armas dentro de algumas enormes bolsas, enquanto Niklaus juntava alguns galões de gasolina de seu carro e do de Bellamy, juntamente com os que Mark deixava de reserva na garagem.

  — Seria bom se não deixassem armas perto das crianças, elas não precisam ver isso. — A morena sussurrou.

  O maxilar da morena travou, tinha medo de que algo ruim acontecesse, por mais que já soubesse que algo não muito já acontecia há um tempo. Observou os postes de luz acesos do lado de fora, e em cerca de poucos segundos, o breu total se instalou, juntamente com a noite escura que pairava sobre New Orleans.

  — Mamãe? — A voz suave da pequena Maisie soou pela casa.

  — Está tudo bem, filha, logo a luz vai voltar. — Ela disse, tentando tranquilizar a filha mais nova.

  Niklaus acendeu uma lanterna, a colocando em cima da mesa, refletindo a luz no teto, e iluminando a pequena sala que se completava com parte da cozinha. 

  — Acho melhor irmos colocando as coisas dentro do carro. — Mark disse, se levantando. — Fiquem todos com a Mamãe, vamos sair logo. — As crianças assentiram.

  Maisie se abraçou com o corpo do irmão mais velho, Liam e Alicia permaneciam com suas mochilas em suas costas, e a filha do meio se dirigiu até a mesa, pegando a mochila da pequena May.

  Os homens andavam entre a garagem e a casa, carregando tudo o que seria preciso para a viagem. Natasha andou até as três crianças, Liam não parecia muito preocupado, e Maisie era nova demais para entender o que estava acontecendo, já Alicia, apesar de ter apenas nove anos de idade, já sabia que algo estava acontecendo, e isso a deixava com medo.

  — Prestem atenção no que a mamãe vai dizer. — A mulher se ajoelhou na frente dos filhos. — Nós vamos fazer uma viagem, nós não sabemos para onde ainda, mas... — O som de janelas quebrando assustou os quatro, o som vinha do lado de fora da casa, acompanhando de buzinas e gritos. Nath respirou fundo, tentando voltar a calma. — Mas eu prometo que nós vamos ficar bem, eu, vocês, o papai, o tio Klaus e o tio Bellamy, vamos ficar juntos, e nenhum de nós vai se machucar. Okay? Nós temos que ir agora. — Ela se levantou.

  Natasha pegou Maisie no colo, e seguiu os filhos até a porta dos fundos, pegando a lanterna de cima da mesa, e conduzindo a luz. Ouvia o som do pequeno caos se formando na ruas, colocou as três crianças no banco de trás, e se sentou no banco da frente ao lado de seu marido.

  — O que a gente vai fazer agora? — Natasha perguntou, se virando para ele.

  — Tentar sobreviver.

FILADÉLFIA, PENSILVÂNIA.

Dois anos após o inicio do Apocalipse.

  Mato, árvores, e mais mato. Essa paisagem se tornava tediosa, já que há tempos o pequeno grupo de pessoas não via outra coisa. Os enlatados e os medicamentos estavam acabando, o que significava mais um dia de caminhada pela estrada até a cidade dominada pelos mortos, Mark sempre evitou as cidades, se viver na floresta já era perigoso, viver em uma concentração de mortos era dez vezes mais.

  Natasha sentia os fios soltos tocando em seu rosto sujo por uma mistura de sangue, terra e suor. A arma acoplada em seu coldre parecia ser mais pesada do que realmente era, Alicia arrastava seu tênis all star surrado pela terra repleta de galhos e folhas das árvores que insistiam em cair, Liam usava seu machado para tirar os galhos e folhas que impediam seu caminho, enquanto Maisie observava as borboletas e os passarinhos que via pela extensão floresta. 

  Mark e Bellamy guiavam o grupo, enquanto Niklaus ajudava a mais nova integrante do grupo a carregar as malas repletas de inúmeras armas, Jessyca Mikaelson estava na casa de seu avô, o homem era do exército e colecionava armas em porão, a loira vivia com Callie Kepner, uma médica cirurgiã que um mês antes de passar a fazer parte do grupo dos Sparks, corria incessantemente dos mortos até ser acolhida por Jessyca. 

  O vento frio batia nas copas das árvores, fazendo um barulho continuo, seu corpo arrepiado fazia Natasha ter vontade de vestir seu casado cinza escuro, mas estava cansada demais para isso. O céu onde brilhava o sol, agora estava sendo aos poucos cobertos pelas nuvens acinzentadas, certamente, uma chuva estava por vir.

    A cada passo, os gemidos irritantes do andarilho ficavam mais alto, Natasha se perguntava se realmente era apenas um, ou haviam mais, apesar de ter quase certeza de que não era uma horda enorme, ainda sim, todos estavam cansados demais para gastarem suas últimas forças matando os errantes. 

  Finalmente, os olhos escuros de Mark avistaram uma casa não muito distante, as árvores a recobriam e as paredes brancas possuíam manchas de sangue. O homem ergueu a espada que segurava em suas mãos, cortante metade da cabeça do andarilho que andava arrastado pelo chão. 

  Bellamy ergueu se rifle, entrando atrás de Mark, que segurava uma lanterna. Jessyca e Callie ficaram ao lado de fora com Alicia e Maisie, enquanto Niklaus, Liam e Natasha entraram dentro da casa. O mais novo correu para a cozinha, encontrando apenas alguns enlatados e barras de cereal, juntamente com meia garrafa d'água. Natasha e Niklaus subiram as escadas, vasculhando os quartos, haviam roupas masculinas e algumas armas em cima da cama de casal de um dos quartos, Nath respirou fundo, apenas olhando para Klaus, que assentiu e se dirigiu para fora do quarto.

  — Temos que ir. — Natasha disse.

  Mark ajudava o filho a guardar as coisas que encontraram, algumas bandagens, comida e até algumas munições. 

  — Encontramos comida, Nath, podemos passar a noite aqui. — Bellamy sugeriu, se jogando no sofá sujo não muito confortável.

  — Tem gente aqui. — Klaus completou, o que fez o irmão respirar fundo e concordar.

  — Como assim? — A loira indagou, se sentando no apoio de braço da poltrona.

  — Encontramos as coisas deles lá em cima. — Respondeu a loira. — Da última vez que encontramos um grupo, não foi algo muito bom. — Ela olhou para o marido.

  — Está bem, nós vamos. — Ele a olhou.

  Por mais que não quisesse, Mark sabia que continuar ali era perigoso, da última vez que encontraram um grupo na estrada, eles quase mataram Liam, o que em troca custou toda a comida e medicamentos que tinham. 

  — Estou cansada. — Maisie resmungou. Callie lhe ajeitava seu rabo de cavalo, enquanto a mesma observava a casa velha e suja.

  — Todos estamos. — Alicia rebateu, revirando os olhos. 

  Liam abriu uma das latas de carne seca, Natasha sabia o quão errado era pegar algo de outra pessoa, apesar de estarem sempre pegando tudo o que encontram pela frente, é diferente quando se sabe que tal coisa já é de alguém. O moreno levou a colher até a boca da irmã mais nova, que se sentou ao seu lado, Alicia fez o mesmo. Todos ali sabiam que tinham de ir embora, mas partia o coração não só de Natasha e Mark, mas também de Niklaus e Bellamy, que viram as três crianças crescerem, com fome, sede e lutando contra o cansaço.

  — Será que a gente pode ir? — Jessyica indagou. — As pessoas podem voltar e...

  — Temos que pegar as bombinhas da Maisie na cidade, aproveitar e procurar um lugar para passarmos a noite. — Lembrou Natasha, olhando para o mais velho dos Sparks.

  O grupo saiu da casa, Alicia batia os pés e seguia o pai e o tio pela floresta, Bellamy pegou a mala de armas, e começou a andar ao lado da amiga. Já fazia tempo que o grupo andava apenas pela floresta, há tempos Maisie já não precisava de suas bombinhas, mas quando seus pequenos ataques de asma passaram a acontecer novamente durante a noite, as bombinhas que tinham não duraram muito. Geralmente, apenas Niklaus, Bellamy e Mark iam a cidade atrás do que precisavam, mas sem um lugar para ficar, separar o grupo não é exatamente uma boa escolha. 

  A morena observava o céu, praticamente dominado pelas nuvens cinzentas, sentindo o vento gelado batendo em seu corpo. A Sparks nunca imaginou que um dia viveria assim, lutando todos os dias para sobreviver, sem saber se iria dormir e acordar no outro dia, de certa forma, quando tudo começou, Natasha se sentiu, verdadeiramente, livre pela primeira vez. A morena franziu o cenho, sentia como se mais alguém ali, ignorou seu pensamento, e se focou na caminhada.

  — Você está estranha. — O moreno comentou, Natasha apenas ignorou e continuou a andar. — Ash, eu te conheço desde que me conheço por gente, sei quando tem algo errado acontecendo.

 — Não é nada, Bellamy, não temos mais muitas horas de luz do dia e se não encontrarmos um lugar para ficar isso vai ser um problema. Nada fora do normal. — A morena respondeu.

 — Nós vamos conseguir, sempre conseguimos. — Callie interferiu a conversa, e Natasha sorriu sem mostrar os dentes para a ruiva.  

  Natasha se lembrava de quando eram mais novos, Bellamy sempre a fazia se sentir melhor quando eram mais novos. Por mais que não parecesse, Nath era o que chamavam de Garota Problema, acompanhava Niklaus em todas seus planos para fugir da escola ou pregar peças em alunos ou em professores. Mark, por outro lado, sempre foi um aluno de boas notas, que por ser o irmão mais velho, sempre tirava Klaus de seus problemas, já que Bellamy fazia o favor de incentivar as travessuras do mais novo.

  Longos minutos se passaram, e finalmente, Natasha passou a ver as estradas, já avistava um posto de gasolina logo a frente, juntamente com uma loja de conveniência, um mini-mercado e uma farmácia. Podia ver a estrada de comércio em um estado deplorável, totalmente devastada e destruída. Podia observar alguns andarilhos que se arrastavam pelo asfalto, mas, com certeza, nada que não pudessem resolver. 

  — Vamos nos separar. — Mark disse. — Procurem e peguem tudo o que possamos usar, eu e Natasha vamos pegar medicamentos. — O moreno concluiu.

  — Vou ver se algum desses carros está funcionando, aproveito e pego gasolina dos outros. — Avisou Bellamy, Niklaus assentiu e passou a andar junto a Callie em direção aos comércios. 

  Natasha respirou fundo, seguindo junto ao marido para a farmácia, o homem quebrou tentou abrir a porta, falhando logo em seguida. A mulher colocou sua mochila no chão e retirou seu rifle que antes estava em volta de seu pescoço, batendo com o mesmo no vidro, o som dos estilhaços se partindo e caindo no chão fez a morena sorrir desafiadora para o marido, que mordeu os lábios.

  A morena seguiu para dentro do lugar, Mark usou usa espada para cortar a cabeça do errante que saiu de trás de uma das estantes de remédio, fazendo que sangue podre respingasse no chão.

  Natasha andou até o lugar onde ficavam as bombinhas de asma que Maisie precisava. Encheu sua mochila com todas as que encontrou, e se sentiu aliviada com aquilo, as crises de Maisie poderiam não ser das piores, mas era um desespero ver a filha de tal jeito e não poder fazer nada, como aconteceu na noite passada.

  O corpo da morena se arrepiou quando os braços grandes e fortes abraçaram sua cintura por trás, Natasha sorriu e se virou para o marido, que tinha um sorriso divertido no rosto. O mais velho colocou os lábios dos dois, em um beijo de saudade e de desejo, Nath retribuiu o ato, sentindo seus pés saindo do chão, sendo logo colocada em cima do balcão de atendimento.

  Mark se encaixou perfeitamente nas pernas semi-abertas da esposa, a mulher massageou os cabelos negros e lisos do homem, que, de fato, se assemelhavam muito aos de Liam. Seus corpos gritavam por saudade, e apesar de estarem cansados, não queriam parar. Natasha sentiu as mãos pesadas do Sparks na barra de sua blusa de alça cinza, os olhos do mesmo brilhavam pela luxúria e pelo desejo de senti-la.

  Natasha quebrou o último beijo assim que ouviu o tiro alto soar pelo lugar, sabia que não era nenhum dos de seu grupo, e isso a deixava apreensiva. Um breve grito ecoou pelos ouvidos dos dois, o mesmo logo sendo reconhecido por ser de Alicia. Mark correu em direção ao som, Nath saiu da farmácia, vendo Mark correndo em direção ao bar, juntamente com Niklaus e Bellamy.

  A Sparks sentiu suas pernas bambearem brevemente, os tiros que davam dentro do bar, juntamente com as garrafas de vidro sendo quebradas e os gritos apavorados chamavam a atenção dos andarilhos a procura de carne humana para se alimentar. Os olhos da morena percorreram pela grande estrada suja e deserta, podia ver a enorme e assombrosa horda de andarilhos que caminhava em cunjunto até ali, seus olhos se arregalaram levemente, e ela correu em direção ao caos que se instalava no pequeno comércio de bebidas.

  Natasha andou até a parte de do lugar, entrou pela porta dos fundos e se escondeu atrás do balcão. Ouvia o choro de Alicia e isso a doía no findo de seu coração. Nath se atreveu a olhar o que acontecia, vendo um dos homens com suas armas apontadas, uma para a cabeça de Niklaus, e outra para a de Mark, que mantinha Maisie abraçada ao seu corpo, olhando apenas para seu corpo. No momento, Bellamy se encontrava no chão, seu sangue escorria pela ferida em sua barriga, seu rosto pálido e sua respiração ofegante deixavam Natasha apreensiva. O homem ruivo e alto segurava uma faca no pescoço de Jessyca, enquanto mantinha seu pé nas costas da ruiva, e prensando de barriga para baixo do chão, já o outro mais velho, segurava Liam, fazendo o mesmo observar e presenciar, definitivamente, uma das piores cenas que alguém poderia presenciar.

  O sangue de Natasha ferveu assim que viu o homem de aproximadamente trinta e cinco anos em cima de Alicia, a garota chutava o homem, que gargalhava do desespero da mais nova, Nath olhou furiosa para Mark, que engoliu em seco e piscou para a esposa.  Os gritos de Alicia se misturaram com a sequência de tiros que Natasha começou, derrubando o homem que possuía os irmãos Sparks na mira. Klaus foi o primeiro e avançar no homem que atacava Alicia, enquanto Mark usou sua espada para cortar o pescoço do ruivo, Nath explodiu a cabeça do outro que segurava Liam, que logo recebeu a irmã mais nova aos prantos em seus braços. 

  Niklaus deixou o último homem nas mãos que Mark, que fez questão de socar seu rosto até o mesmo ficar quase desacordado. Callie correu em direção a Bellamy, tentando parar o sangramento do mesmo. Maisie, correu em direção a loira e abraçou a mesma, não a deixando olhar seu pai, seu tio, e sua mãe, torturarem o homem a sua frente

  Natasha andou até o homem, Niklaus o segurou, e apesar de Mark quer fazer aquilo com as próprias mãos, achou justo que a mulher o fizesse.

  — Isso, é por tocar na minha filha. — A morena cravou sua faca no peito do mesmo. Seus olhos gritavam por misericórdia, e seu rosto ensanguentado agora acompanhava o sangue que escorria por sua boca. — E isso, é por ousar mexer com a minha família. — Cerrou os olhos, puxando o facão para cima, até sua garganta.

  O sangue espirrou em sua pescoço, até mesmo em um pouco de seu rosto, a mulher olhou para a filha, cujo Liam tentava acalmar. Olhou pela janela do lugar, vendo os mortos que caminhavam até ali.

  — Bellamy arrumou o carro? — Ela perguntou rapidamente.

  — Arrumou, uma caminhonete. — Jessyca confirmou.

  — Ótimo. Niklaus, pega o Bellamy, Mark dirige, eu e Callie vamos fazer o que podemos com ele. — Disse.

  A morena saiu do lugar, os mortos estavam chegando, e eles precisavam sair dali o mais rápido possível. Mark entrou na parte da frente, juntamente com Niklaus, que deixou Bellamy aos cuidados de Natasha na parte de trás. Maisie segurava sua mochila, enquanto Alicia tentava controlar seu choro. Liam e Jessyca se mantinham de pé na pequena caçamba*, atirando nos errantes que se aproximavam do carro. 

  — Eu tenho linha e agulha na minha mochila, pega para mim. — A ruiva disse.

  — Vai costurar ele com seu kit de costura de roupa? — Ela perguntou, um pouco indignada. Natasha abriu a mochila de Callie, pegando o que a mesma havia pedido, entrando a ela.

  — É a melhor chance que ele tem. — A Kepner respondeu.

  O carro se movimentava rapidamente, o que complicava um pouco mais o trabalho da ruiva, Natasha olhou para filha, que mantinha seus olhos concentrados na pulseira de pingentes coloridos que seu pai havia lhe dado quando mais nova. De fato, Natasha não sabia ao certo o que dizer, e talvez, se dissesse algo, poderia piorar a situação.

  Se sentia culpada por saber que haviam homens os seguindo, ou, pelo menos, por achar que haviam e, obviamente, ela estava certa. O esfaqueamento de Bellamy, a tentativa de estupro de Alicia, tudo era culpa dela, ou pelo menos, ela achava que era.

  Mordeu seus lábios, olhando para suas mãos ensanguentadas pelo sangue de Bellamy e do homem que nem ao menos se importou em perguntar o nome.

  Estava tão distraída, que nem mesmo as gotas de chuva gelada que caiam sobre eles a despertavam, o veículo em movimento agora se encontrava parado, a estrada de terra percorrida os levou até um enorme túnel escuro e misterioso. Mark saiu do carro, tocando no ombro de Natasha.

  — Vocês ficam aqui, vamos ver o que tem do outro lado. — O moreno disse.

  — Tem certeza disso? — Jess indagou.

  — Sim. — Natasha respondeu, em um tom baixo. — Fica aqui com, Niklaus vai te ajudar com o perímetro, Liam fica com a Ali, e Callie tenta terminar o que começou com Bellamy. — Ela olhou para a ruiva. — Não deixa o meu amigo morrer.

  Callie assentiu, Natasha pulou para fora do carro, sentindo as finas gostas de chuva engrossarem um pouco, assim como a quantidade em que caiam. A morena respirou fundo, seguindo a luz da lanterna que Mark usava para iluminar o caminho do túnel.

  Seus olhos percorriam o lugar úmido e escuro, ouvia alguns grunhidos e logo viu apenas a parte de cima do andarilho esparramado no chão, usou seu pé para esmagar seu crânio, e sentiu o cérebro podre se desfazer no piso sujo. O túnel era extenso, e apesar de saber que deveriam tomar cuidado, estavam sem muito tempo para isso, haviam apenas alguns minutos de luz do dia, a chuva ficaria mais forte em pouco tempo e Bellamy precisava de um lugar para ficar.

  Natasha correu, sendo seguida pelo mais velho, pelo grande túnel, o mesmo possuía dois outros caminhos, um que provavelmente era fechado, levando em conta que não havia luz alguma no final, o outro, possuía uma grade e a mulher podia ver a água que corria por ali, virou a sua direita, subindo uma espécie de escada, o túnel levava para uma parte da floresta, Mark cuidou dos dois andarilhos que estavam ali, enquanto Nath observou a enorme casa de carvalho escuro, o terreno era incrivelmente grande. A mulher passou pela suas árvores, pisando no campo extenso, olhando para a casa em perfeito estado, apesar do Apocalipse, a pessoa que morava ali provavelmente havia ido embora quando tudo começou.

  — Conseguimos. — Ela comemorou, virando para trás. — Nós realmente conseguimos. — A morena pulou nos braços no homem, escondendo o rosto em seu pescoço.

  — É, nós conseguimos. 

• • •

  Natasha andava pelo corredor da enorme casa, a noite já havia chegado e tudo o que a mulher ouvia eram as gotas de chuva batendo nas diversas janelas de vidro. Caminhou até o quarto em que as crianças estavam, vendo Mark cobrir a filha mais nova, que se encontrava deitada em uma das camas do lugar.

  — Mamãe, conta uma história? — Ela indagou, assim que viu a morena.

  Natasha fechou a porta atrás de si, e se sentou ao pé da cama da garotinha.

 — Que história você ver ouvir? — A voz calma do homem perguntou.

  — A da menina da fruta diferente. — Maisie respondeu.

  — Está bem. — Natasha comprimiu os lábios. — Diz a lenda que muitos e muitos anos atrás, na Floresta Amazônica, onde hoje existe a cidade de Belém, existia uma nação indígena muito populosa. Com o passar dos tempos, o grupo foi ficando tão grande que os alimentos, mesmo sendo fartos na região, começaram a faltar. — Iniciou. — Foi então que o cacique Itaki, grande líder da tribo, teve que tomar uma decisão muito cruel. Para que não faltasse alimento aos mais velhos, Itaki resolveu que, a partir daquele dia, as crianças que nascessem seriam sacrificadas. E assim foi até que a filha do cacique, uma jovem chamada Iaçã, teve que sacrificar sua linda filhinha recém-nascida.

  — Desesperada, Iaçã chorava todas as noites de saudades da filhinha que não pôde criar.  Depois de ficar vários dias enclausurada em sua maloca, Iaçã pediu ao deus Tupã para mostrar a seu pai uma forma de alimentar seu povo sem ter de sacrificar os pequeninos.  Sensibilizado com a dor de Iaçã, o deus indígena decidiu mostrar outro caminho ao cacique Itaki. — Mark continuou, Natasha esboçou um pequeno sorriso sem mostrar os dentes, enquanto olhava para o marido. — Em uma noite de lua cheia, Iaçã ouviu do lado de fora de sua oca o gungunar de uma criança. Ao olhar, viu que lá estava sua linda filhinha, sorridente, ao lado de uma palmeira. Iaçã correu rumo à palmeira e abraçou a filha que, misteriosamente, desapareceu no abraço da mãe. Inconsolável, Iaçã chorou a noite inteira, até desfalecer. — Ele encenou. 

  — No dia seguinte, o corpo de Iaçã foi encontrado abraçado ao tronco da palmeira. No rosto, a moça triste trazia um semblante sereno, até mesmo feliz. Seus olhos negros fitavam o alto da palmeira, que estava salpicada de pequenos frutos escuros. 

  — Interpretando a cena como uma bendição de Tupã, Itaki mandou apanhar os frutos. Com eles, foi possível fazer um forte e nutritivo suco avermelhado que dava para alimentar todo o povo de Itaki. Em homenagem à filha, Itaki deu à palmeira generosa o nome de Açaí, que significa Iaçã invertido.  Desde aqueles tempos, lá pras bandas da Amazônia, a farturenta palmeira do Açaí alimenta o povo de Itaki e todos os povos indígenas da região.

  O casal observou a filha mais nova, que dormia tranquilamente na cama macia que já não era comum há algum tempo. Alicia permanecia de olhos abertos encarando a lua cheiaque brilhava no alto céu pela enorme janela de vidro do quarto, seus olhos estavam vermelhos, e Nath podia ver as lágrimas solitárias que escorriam pelo seu rosto, e apesar de querer lhe confortar, a mulher sabia mais do que ninguém que ela se sentia melhor se ficasse sozinha, pelo menos, por enquanto. Já Liam, encarava o teto, enquanto imaginava se tudo aquilo era real mesmo, coisas boas, como encontrar um lugar bom e realmente seguro não aconteciam mais com tanta frequência quanto antes.

  — Nós vamos ficar bem, não vamos? — Liam indagou, bocejando logo em seguida pelo cansaço acumulado de semanas.

  — Vamos sim, nós vamos criar a nova ordem mundial. — Mark respondeu, acariciando os cabelos do filho.

  Natasha o olhou confusa, o moreno nunca havia dito algo como aquilo, e pensava que após os acontecimentos de hoje, alguns pensamentos de Mark poderiam ter mudado, e isso, de certa forma, a preocupava um pouco. Os irmãos Sparks podem ser pessoas boas, de corações bons, mas quando se juntam para o mal, definitivamente são capazes de qualquer coisa.

  — A ordem mundial dos Sparks. Nenhum de nós vai morrer, nunca mais, sabem porquê? Porque os vivos vão ficar todos do mesmo lado.


Notas Finais


Espero que tenham gostado, e não se esqueçam de comentar!

*Aqui na minha cidade as pessoas chamam a parte de trás da caminhonete de caçamba, mas não sei se esse é o nome certo mesmo.

giu.


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