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História Duskwood - Sombras do Passado - Capítulo 1


Escrita por: Riezan

Notas do Autor


Todos os acontecimentos seguem a história do jogo Duskwood. Caso alguém se interesse pelo jogo, procure por "Duskwood" no Playstore. Porém, tentarei fazer de uma forma que dê para entender, caso não tenha interesse no jogo. Farei o possível para explicar todos os eventos ocorridos anteriormente.

Eu sei que estou com duas histórias para continuar, mas eu não me aguento, necessito fazer algo sobre o jogo antes que eu surte. 😩

A personagem central seria a S/N. Aqui a S/N se chamará Halisan.

Para quem gosta do jogo, sintam-se representadas. E haverá muito "achismo" e vaaaaarias viagens doidas aqui. Então, por favor, lembrem-se que não temos muito conhecimento sobre o que está acontecendo, visto que ainda tudo está envolto de um mistério absurdo.

Faz anos que não escrevo nada em primeira pessoa, então tenham paciência comigo.

Espero que gostem, pois se depender de mim terá bastante mistério e ação. (assim a gente espera, né).

Boa leitura.

Capítulo 1 - Capítulo Um - Marcados


Fanfic / Fanfiction Duskwood - Sombras do Passado - Capítulo 1 - Capítulo Um - Marcados

Observava o quadro diante de mim já fazia algum tempo. De fato, não o via de verdade. Meus pensamentos estavam longe, muito longe. Há dias eu não conseguia me concentrar em nada além do que acontecia no meu celular. Eu, logo eu, que detestava redes sociais, tendo-as apenas para poder manter contato com alguns poucos amigos que tinha e para trabalho. Agora não conseguia mais largá-lo, olhando toda hora para a tela do celular, na ânsia de ter alguma notícia, alguma novidade.

Há cerca de dez dias atrás eu recebi a mensagem que mudaria minha vida. Thomas, como se chama o rapaz que havia me chamado inicialmente, disse que jamais esqueceria meu número e o que ele lhe trouxe a sua vida. Mas ele só não tinha ideia do que aquele "olá" causou em minha vida. E de como virou tudo de cabeça para baixo.

Confesso que na primeira vez que conversei com ele e seus amigos realmente achei que havia alguma pegadinha ou brincadeira de algum amigo. Mas, com o passar dos minutos, com tudo que eu lia, percebi ali que realmente não era brincadeira.

Ainda mais quando eu comecei a receber mensagens de conversas de outras pessoas em meu celular, as quais eu não deveria ter acesso. E quando ele surgiu, tudo aquilo se tornou mais caótico e confuso.

E, devo dizer, excitante.

Nunca havia vivido nada parecido na minha pacata vida. E eu não sabia me decidir se tudo aquilo era uma total loucura ou uma mudança que eu tanto pedia.

Fechei os olhos e suspirei, frustrada. Novamente olho para o quadro à minha frente, vendo o que estava pintando já fazia algumas horas.

O Homem Sem Rosto.

Uma lenda alemã, muito antiga, que faz parte do folclore de um pequeno vilarejo chamado Duskwood, que ficava ao sul da Alemanha. Rodeado de florestas e um gigantesco lago, o local é cheio de lendas e histórias para assustar crianças.

Mas, ao que tudo indica, uma das lendas tornou-se realidade. 

Uma garota, Hannah Donfort, desapareceu. E outra, ao que tudo indica, está ligada a Hanna, fora encontrada morta diante de um memorial de uma outra mulher, falecida há mais de dez anos atrás. 

E qual ligação há entre essas três mulheres? Isso é o que tento descobrir desde então.

Mais uma vez fecho os olhos e mais uma vez eu suspiro. Uma dor de cabeça começou a se formar entre meus olhos e sabia que iria piorar. Eu também sabia que seria mais uma noite sem dormir.

Me ergo da cadeira, olhando o meu ateliê, sabendo que não conseguiria fazer nada produtivo enquanto eu não colocasse meus pensamentos em ordem. Eu sabia o que faria.

Peguei meu celular e fui até meu notebook. O abri, conectando meu telefone a ele, passando tudo que eu tinha do caso para o computador. Em minutos imprimi várias e várias páginas, observando o que havia em mãos. Pegando as folhas, voltei para meu ateliê, empurrando minhas bancadas que usava para guardar meus desenhos, pinturas, tintas e lápis. Puxei um painel, o deixando diante da parede.

— Preciso começar do início. — murmurei para mim mesma, empurrando os meus desenhos e deixando as folhas sobre uma das bancadas. Folheei elas, até pegar uma imagem de Hannah — Hannah Donfort — colei a foto dela no topo do painel, escrevendo seu nome com uma caneta preta — Desapareceu cerca de duas semanas atrás. Após dois dias, ela ou alguém que está com seu celular, enviou uma mensagem de texto contendo apenas meu número de celular. Segundo Thomas, após receber a mensagem, ele tentou ligar para ela, o celular tocou, mas ela não atendeu. E logo em seguida a mensagem com meu número simplesmente desapareceu do celular.

Olho as anotações que fazia, acenando de leve e então continuei. Peguei a foto do personagem "V" do filme "V de Vingança" e então colo ao lado. Escrevo "Hacker ‒ Jake" e observo.

Ah, se ele não era uma incógnita, um mistério tão grande quanto o desaparecimento de Hannah. Jake, como se chamava o hacker que praticamente invadiu meu celular, dando acesso a diversas conversas pessoais dos amigos de Hannah, assim como o acesso aos arquivos guardados em nuvem da garota, havia se tornado uma âncora naquela situação em que havia me metido. Ele acreditava piamente que eu era a "chave" para descobrir o que estava acontecendo.

— Jake. — murmuro o seu nome, observando a foto, ainda imaginando como ele seria — Chamado de "Hacker" pelos amigos de Hannah, ele afirma ter visto o sequestro da garota. Adicionou a todos em um grupo de conversa e avisou que ela estava em perigo. — respiro fundo, sentindo aquele frio estranho na boca do estômago toda vez que pensava ou falava com ele — Após conversar com Thomas e seus amigos, pude ver algumas conversas privadas entre eles. Logo em seguida ele se apresentou a mim, deixando claro que era alguém que não se devia provocar. Me disse que eu o ajudaria a encontrar pistas que pudessem levar até Hannah. Conforme a gente conversava, pude descobrir coisas sobre ele, como seu nome, bem como ser alguém procurado por pessoas poderosas, que o perseguia devido a coisas que ele fez por ser extremamente habilidoso com computadores, digamos assim. Sei que quem quer que esteja atrás dele tem muito dinheiro investido em sua caçada. E que quase acabou me colocando na rota deles quando Lilly Donfort, irmã de Hannah, postou um vídeo sobre nós, nos acusando de sermos os sequestradores de Hannah e assassinos da outra garota. — só de pensar, a raiva me subia pelo corpo.

Lilly não gostou nada de os seus amigos terem confiado em mim, me fazendo parte do grupo que buscava por Hannah. Ela acreditava piamente que eu e Jake estávamos por trás do sumiço da irmã. Isso só mudou quando ela descobriu as reais intenções de Jake.

Jake é, na realidade, meio irmão de Hannah e Lilly por parte de pai. Um caso extraconjugal que aconteceu antes das duas garotas nascerem, que resultou em seu nascimento. Quando o rapaz deu provas — uma fotografia de sua mãe e do pai dos três — do que ele afirmava, ela acabou se convencendo de que nós dois só queríamos ajudar. Com isso, acabou por apagar o vídeo e tentar ajudá-lo, pois ao expor o seu nome e o que ele fazia da vida, colocou na sua rota os caras que tanto o queriam. A medida que ela achou para ajudá-lo quase fez com que eu me tornasse um alvo, pois a ajudei, expondo vídeos de diversas pessoas pelo mundo, que se diziam ser o Jake.

Mas acabei sendo salva por ele, que temendo que exatamente isso pudesse acontecer, já havia uma carta na manga.

Sacudi a cabeça, voltando a me focar no que estava montando.

— Com o acesso que Jake havia conseguido na nuvem de Hannah, pudemos montar uma cronologia de seus passos antes do seu desaparecimento. — murmurei, pregando algumas folhas no painel — Como a pulseira de esmeraldas que ela havia comprado na loja de penhores. E com as iniciais "JH" chegamos ao nome de Jennifer Hanson. A garota do memorial. Ela fora encontrada morta no meio da floresta dez anos atrás. Nunca foi encontrado o seu assassino. Os policiais da época chegaram a conclusão que sua morte foi um acidente. Os ferimentos que haviam em seu corpo eram de atropelamento. Segundo a polícia, eles acreditavam que a garota foi atropelada e que o motorista a enterrou na mata temendo que a encontrassem. O que tem haver Hannah e a garota assassinada dias atrás com essa Jennifer?!

Peguei a foto de Amy, a garota assassinada dias atrás e colei no painel.

— Sabemos que através do registro de chamadas de Hannah ela estava em contato com Amy. Ficaram quase dez minutos no telefone no dia do desaparecimento de Hannah. Mas Amy foi encontrada morta cerca de três dias depois disso. Tanto Hannah quanto Amy estavam pesquisando uma antiga lenda de Duskwood. A Lenda do Homem sem Rosto. Segundo a lenda, um garoto que tinha parte do rosto desfigurado foi atraído para a floresta onde três garotos o prenderam em uma árvore e o deixaram ali. Ao retornarem para a aldeia, contaram aos seus pais o que fizeram. Desesperado, o pai do menino foi para a mata com outros aldeões e encontraram apenas sangue e penas de corvo. Após isso, na primeira lua nova do ano, apareceu a marca do corvo, um desenho de um corvo feito com sangue na porta dos pecadores. Tanto os garotos quanto toda a sua família desapareceram. — pego a imagem de um corvo talhado em uma árvore e colo no painel — Essa imagem estava nos arquivos de Hannah. Havia também uma pesquisa de Amy em um site sobre lendas e histórias de terror, no qual ela pedia mais informações sobre a lenda. 

Observo em silêncio o painel que ganha vida com todas as imagens e anotações que faço.

— Aparentemente elas acreditavam nessa lenda. Hannah sentia-se culpada por algo que aconteceu no passado. Segundo suas anotações, ela tinha contato com a família de Jennifer e sentia-se mal toda vez que ouvia Iris, mãe de Jennifer, contar a história. E que ambas tinham os mesmos tons de olhos. Verde esmeralda. — concluo, olhando a imagem da pulseira. Hannah era depressiva e ninguém nunca soube disso. Ela tomava antidepressivos e tinha visitas frequentes a um psiquiatra. Em uma das últimas idas a ele, ela afirmava que estava sendo seguida. O homem sem rosto a perseguia. Mas ele não acreditava no que ela dizia. Jake e Hannah não se conheciam pessoalmente, mas conversavam no passado através de emails. Por algum motivo, que Lilly acredita ser porque Hannah estava apaixonada pelo Jake, eles se afastaram. Após alguns anos sem contato, Hannah decide procurar por Jake, pedindo ajuda. Ela manda um email a ele. E foi desta forma, quando ele ligou através de uma chamada de vídeo para saber o que estava acontecendo, que viu Hannah ser pega.

Suspiro fundo, sentindo a mente desanuviar.

Olho para o quadro que hoje mais cedo eu havia pintado. A imagem de um homem mascarado, me encarando.

— E chegamos ao Homem sem rosto. Aquele que está por trás do sumiço de Hannah e o assassinato de Amy. Ele vem ligando para mim desde que eu entrei na jogada, me ameaçando e ameaçando aquelas pessoas que buscam a verdade e tornaram-se meus amigos. A cada momento que nos aproximamos da verdade, mais agressiva ficam as suas ações. 

Pego a imagem de Jessy, colocando abaixo.

— Foi atacada no meio da rua por um indivíduo mascarado. Ele fez questão de se mostrar para mim, pois eu estava em uma ligação de vídeo com ela no momento do ataque.

Olho a foto de Cleo, colocando ao lado de Jessy.

— Ele ligou para mim e mostrou Cleo enquanto ela corria, usando da ameaça para me coagir. 

Ao lado da foto de Cleo, colei a de Dan.

— O velho Dan tem certeza absoluta que o grave acidente de carro que sofrera depois sair do restaurante, após beber whisky até quase cair não, foi um acidente. Ele acredita piamente que cortaram os seus freios.

Olho a foto seguinte e sinto um aperto gigantesco no peito. Colo a imagem de Richy no painel, o observando por alguns minutos. Lembrar do que ocorrera a ele me fazia pensar se realmente deveria seguir adiante com tudo aquilo. A cada novo ataque aquele monstro estava ficando mais perigoso. O último poderia ter vitimado mais uma pessoa. Richy, o dono de uma das mecânicas mais antigas de Duskwood, estava desaparecido. Após ouvir gritos de uma garota no meio da floresta, a qual ele tinha certeza de ser Hannah, correu para a mata, mantendo o celular ligado em uma chamada de vídeo comigo.

Respiro fundo, lembrando de como ele havia caído no chão, de como seus olhos suplicavam por ajuda enquanto se afogava no próprio sangue. Desta vez o homem sem rosto não se mostrou como antes. Apenas fiquei ali, gritando desesperada, totalmente inútil, enquanto via Richy perder a consciência afundando-se em seu sangue.

Thomas havia corrido no mesmo instante para a mata, ao mesmo tempo que Lilly chamava pela polícia.

Tudo que haviam encontrado eram diversas penas e o seu boné cheio de sangue.

— Não posso esquecer que, após Richy ir até a floresta e me contar sobre um desafio infantil, ele encontrou a porta de sua oficina desenhada com o que parecia ser sangue. Um corvo havia sido desenhado. 

Pego a foto de Phil, irmão de Jessy e colo ao lado.

— Phil foi preso. A polícia acredita que ele possa estar relacionado com a morte de Amy. Foi encontrado uma caixa de fósforo com o logo do Bar Aurora o qual Phil é proprietário. Richy sentiu-se ameaçado por ele dias antes de desaparecer. E fora ele quem penhorou a pulseira de Jennifer. — observo o quadro, agora quase completo, e suspiro — Não acredito que Phil seja o assassino. Jessy disse que ele havia lhe dito que alguém havia testemunhado contra ele. Mas preciso saber o que ele tem haver com a Hannah e Amy. Creio que Hannah queria falar com ele sobre a pulseira antes de desaparecer. Por isso ele estava em seu registro de chamadas e também por querer ir até seu apartamento dias antes de desaparecer.

Olho as últimas fotos que havia impresso. Aquelas foram tiradas naquele dia e eu ainda estava tentando lidar com tudo que havia acontecido.

Após conseguirmos o endereço de onde o pai de Jennifer morava, após a sua morte, Thomas e Jessy foram até lá para ver se o homem ainda morava no local. Eu deveria ter seguido minha intuição.

Colo-as no fim do painel, ainda lembrando do que havia acontecido. Eles quase foram pegos pelo homem sem rosto. Encontraram o covil da serpente, onde ele mantinha painéis e mais painéis com as fotos de cada um deles. Velas acesas, penas de corvos para todos os lados.

O meu medo de que meus amigos fossem mortos ao ver aquele monstro entrar no local…

Thomas havia feito uma vídeo chamada, onde ele mostrou e registrou tudo que havia sido encontrado ali. Assim como aquele homem, que entrara no local, quase os pegando. Os dois conseguiram fugir por um triz. Lilly chamou a polícia, mas, como imaginávamos, ao chegarem não encontraram ele.

E o fato dele me ligar logo em seguida e fazer uma última ameaça só me deixou mais desesperada do que já estava.

A sua voz ainda ecoava em minha mente. A confirmação de que ele havia assassinado Richy, a ameaça de matar um por um dos meus amigos e então vir atrás de mim se repetia inúmeras vezes…

Após o ocorrido, desliguei o celular, desliguei qualquer tipo de contato com qualquer um. Sabia que eles deveriam estar preocupados, mas precisava de um momento só pra mim, para tentar limpar minha mente.

E por falar nisso…

— Olá, Halisan. — me virei rapidamente ao ouvir a voz grossa de um homem, sentindo o meu corpo tremer inteiro. Mas, para meu alívio e surpresa, não era ninguém menos do que Jake — Não faça mais isso, você preocupou a todos nós. Principalmente a mim.

Ver a imagem do "V" ali já era familiar. Mas a voz… era a primeira vez que Jake ligava para mim sem usar um modificador de voz.

Eu me mantive em silêncio, ainda assimilando aquilo. Quantas vezes imaginei ouvir o som da voz dele sem ter algo a modificando? E se era como eu havia imaginado?

Não, era muito melhor.

— Halisan?

— Como você ligou meu computador?! — perguntei, me sentindo uma tola. Sabia bem que ele conseguia fazer muita coisa com as habilidades que tinha.

— Não é difícil. Iria ser seu celular, mas percebi pelo seu IP que o computador estava em modo de espera. Então foi fácil.

Eu nada disse, era estranho ele responder prontamente minhas perguntas.

— Você fez tudo isso?! — ele perguntou, me trazendo de volta. Eu sabia que ele estava se referindo ao que havia montado pouco antes dele ligar. Apenas acenei, sem nada dizer — Você está bem?

— Estou lidando com isso. — respondi — Como estão os outros? E Jessy e Thomas?

— Estão na casa de Thomas. — ele respondeu — Jéssica preferiu não ficar na casa que está com a marca do Corvo.

Eu conseguia entender ela.

Me virei, olhando o painel e notando que havia esquecido desse detalhe. Jessy havia sido marcada, assim como Richy.

— É bom que não a deixem sozinha. — murmurei, sentindo-me vazia naquele momento.

— Eu ouvi a gravação, Halisan. — eu estremeci quando ele falou.

— Não me surpreende. — comentei, tentando ser indiferente.

— Ele não irá tocar em você. 

— E se tocar nos outros?! — perguntei, sentindo minhas mãos tremerem — Você tinha certeza absoluta de que eram ameaças vazias. E agora perdemos o Richy. É minha culpa ele ter morrido!

— Não sabemos se ele morreu, Halisan.

— Havia muito sangue lá! — exclamei, percebendo que estava elevando a voz cada vez mais — Como ele sobreviveria sem ajuda imediata?!

— Halisan…

— O Homem sem Rosto jurou que mataria um por um e então viria atrás de mim. — sussurrei, me aproximando do notebook — Eu não estou preocupada comigo. Estou preocupada com meus amigos! Eu não irei esperar ele matar mais um, Jake.

— O que você quer dizer com isso?!

Eu nada disse, me virando, voltando a encarar o painel diante de mim. Não queria que ele visse a expressão sombria que sabia estar no meu rosto.

— Não. — ouvi o som de sua voz tornar-se áspero, enquanto ele compreendia o que tinha em mente — Não, eu te proíbo de vir para cá!

Eu acabei por rir, em meio a raiva, ao ouvir suas palavras.

— Você nem está aqui pra conseguir me impedir disso, Jake. — rosnei, me voltando para a tela do note — E mesmo que estivesse, não irá me impedir de fazer o certo.

— Se você for para Duskwood acabará se tornando o alvo principal dele, Halisan!

— Se isso tirar o foco dele dos outros eu não me importo.

— Mas eu me importo! — Jake gritou, enfurecido.

Estava em choque. Por alguns instantes eu permaneci em silêncio, absorvendo a resposta carregada de raiva do hacker. Ele já havia mostrado que se preocupava comigo, mas nunca o vi furioso daquela forma, não comigo.

— Ele levou a Hannah. — murmurei, após alguns instantes de total silêncio — Vai esperar ele levar sua outra irmã?! 

O silêncio novamente reinou no local.

— Eu já te disse — a voz dele saía de forma sussurrada. Eu sentia o quanto estava sendo difícil dele dizer aquilo, diferentemente das outras vezes que ele apenas digitou — Você se tornou aquilo com que mais me importo. Eu irei fazer de tudo para proteger a todos, mas se você estiver aqui eu irei me desestabilizar, Halisan. Você é meu único ponto fraco.

Eu solucei, sentindo a garganta apertar. Mas nada disse, as palavras dele me deixaram abalada. 

— Por favor, eu te imploro. Não venha para Duskwood.

Olhei de esguelha para a tela do note. Em silêncio eu me aproximei do computador e lentamente abaixei a tampa dele. Não suportava mais aquilo. E eu sabia que acabaria cedendo se continuasse a falar com Jake.

Olhei o meu ateliê, não segurando as lágrimas que agora escorriam pelo meu rosto. Sem pensar muito no que fazia, apenas lancei o quadro ainda não terminado do Homem Sem Rosto no chão, pisando em cima até o arrebentar totalmente. Por alguns minutos eu continuei a pisar, chorando e xingando alto, enquanto liberava toda a minha fúria. Estava totalmente sozinha, me sentia dessa forma, em todos os sentidos. Enquanto eles tinham uns aos outros, eu estava a milhas de distância, em outro país, sem saber, de fato, o que fazer.

Assim como Jake.

Olhei para meu celular quando voltei a me acalmar, tremendo ao pensar no homem que havia se aberto para mim há minutos atrás.

Ele também estava sozinho. E o pior de tudo, uma de suas irmãs estava desaparecida e a outra estava com a sombra de um lunático sobre si. E, mesmo com todo o risco que pairava sobre sua cabeça por ser um homem caçado por pessoas perigosas e sem escrúpulos, ele ainda estava tentando ajudar da forma que podia.

Limpei meu rosto, me sentindo mal ao pensar em como estava agindo de forma egoísta em pensar daquela forma.

Em silêncio eu segui para o banheiro, decidida a tomar um banho e tentar descansar. O dia seguinte seria um novo dia e então eu poderia pensar no que fazer para ajudar os demais.

O problema era que em teoria tudo era mais fácil que a prática.

Dormir estava se tornando um desafio para mim. E foi mais uma noite rolando na cama, enquanto pensava em alguma forma de ajudar a todos, tentando manter o pensamento de sair da Itália fora dos meus planos.

O que mudou totalmente quando eu me levantei na manhã seguinte.

Ao ligar o celular eu notei as inúmeras chamadas perdidas, bem como a tentativa de falarem comigo no bate papo.

Não demorei nem sequer um instante para discar o número de Jessy, que prontamente me atendeu.

— O que aconteceu?! — perguntei, sentindo a voz tremer ao imaginar um novo ataque.

— Olhe as fotos no grupo, Halisan.

Coloquei no viva-voz enquanto acessava o aplicativo de conversa. As imagens me fizeram tremer e  eu senti um buraco na boca do estômago.

As portas da casa de Thomas, Cleo, Lilly. Até mesmo a porta do quarto de Dan no hospital. Cada uma delas pintadas com o que parecia ser sangue. O desenho do corvo era nítido em cada uma delas.

— Como ele fez isso sem ninguém ver?! — eu sussurrei.

— Não fazemos ideia. Esse cara parece um fantasma. — ela respondeu.

— E tem mais. — ouvi a voz de Thomas no fundo.

— Acho melhor não dizer nada…

Eu nem esperei Cleo terminar, já estava rosnando.

— O que mais?! — perguntei.

— Ele deixou uma foto em cada uma das portas.

A foto que me enviaram me trouxe um arrepio na espinha. Era meu nome escrito no memorial de Jennifer. E o símbolo do corvo logo abaixo.

Eu havia sido marcada, assim como eles.

— Eu falo com vocês mais tarde.

— O que você fará?! — perguntou Jessy.

— O que eu deveria ter feito desde o início. Estou indo para Duskwood.

Não esperei a resposta, desligando a ligação. Se antes eu me segurava por conta das súplicas de Jake, agora nada mais importava. Esse desgraçado acabaria com a gente se nada fosse feito. E eu não ficaria parada vendo as pessoas que aprendi a gostar serem vítimas de um monstro. Jamais.


Notas Finais


Colocarei aqui duas playlist. Uma que eu criei e outra que algumas meninas do face fizeram. Roubei algumas músicas, pois a playlist é maravilhosa.

A minha: https://open.spotify.com/playlist/2RhSMpGWtFXOfr3uQrF01Z?si=5a035cdc813b4d81

A delas: https://open.spotify.com/playlist/1DWehAH7HrHauhtbDali1s?si=27631c28c6ac47bf

Se houver dúvida, me gritem. Espero que gostem. Comentem, isso estimula o autor a continuar. Logo volto com atualização de outras histórias. Obrigada e até mais!


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