História E - Tododeku - Capítulo 1


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Notas do Autor


Olá :), bem vindos ao primeiro capítulo de E! Na verdade era para ser só E, mas o Spirit é chato e disse que o título estava bem curto, quase que taquei a minha cabeça no teclado para ele ver o que é bom, porém relevem.

Esse capítulo vai focar bastante no Todoroki e a relação familiar dele com o Touya (ele vai ser importante mais pra frente 👀), Fuyumi e Natsuo, além do Enji e a Rei. Só esclarecendo que ele só se da bem com a Fuyumi e (um pouco, aos olhos dos outros) a mãe dele, então esperem bastante brigas, intrigas e palavrões nesse capítulo :).
Deixarei uma lista de músicas que você pode ouvir durante o capítulo!

Bem, tomem água, se cuidem, se estiverem com intrigas internas, liguem para o 188 e boa leitura.

🎵 Música(s) recomendada(s):
Hatsune Miku - Rolling Girl PV (English Subs)
melaine martinez - hit the road jack
【Kagamine Rin】Karma【Legendado】
神山 羊 - YELLOW

⛑ Aviso de palavras de baixo escalão e abuso emocional e físico. ⛑

Capítulo 1 - I - Olhos Gelados do Herdeiro do Fogo


Fanfic / Fanfiction E - Tododeku - Capítulo 1 - I - Olhos Gelados do Herdeiro do Fogo

I - Olhos Gelados do Herdeiro do Fogo

hollyyyO, autora

chuva não cessava a nenhum momento, e por mais que a casa fosse luxuosa e aconchegante, a desorganização nela parecia ser pior que o barulho alto dos trovões; coisas jogadas em salas vazias, brinquedos que um dia os filhos do proprietário brincaram... tudo se encontrava espalhado pela mansão sem um pingo de preocupação. E, enquanto a chuva batia no vidro da grande janela depositada na parede principal, — onde ficava quadros caríssimos, como o quadro ”Alaskan Waterfall” de Bob Ross, uma cópia da Mona Lisa, junto de uma coleção de fotos de Enji Todoroki, proprietário da mansão, e suas conquistas; a família Todoroki mais uma vez permanecia calada, cada um com seus pensamentos. Mas faltava um que estava atrasado para a reunião em família. 

Não era surpresa, já que Enji sabia da rebeldia de seu caçula e sabia que o mesmo não se apresentaria muito cedo apenas para o irritar. Estava assim há mais ou menos três anos, desde que Shoto, o filho mais novo da linhagem e futuro herdeiro das empresas, havia se formado e autoproclamou “independente” dos Todorokis. Depois disso, apenas tinha mensagens vistas e não respondidas, ou até mesmo ignoradas, atrasamento nas reuniões familiares e xingamentos vindo dos dois lados.

— Ah, pelo jeito Shoto não irá vir. – Fuyumi, a filha mais velha de Enji, foi a primeira a se pronunciar. – Se quiserem, eu posso guardar o prato e a taça dele. - Enquanto olhava para o assento vazio, apenas ouviu um avassalador suspiro vindo do pai, que parecia, mais uma vez, decepcionado e rancoroso.

— Não há necessidade. – Começou o “chefe” da mansão. – Ele já está vindo, conhece seu irmão. Faz isso apenas para me irritar, tenho certeza. Se eu soubesse que aquele filho da puta seria desse jeito após a graduação, eu teria feito ele estudar em casa.

— Por favor, pai – Agora era o filho mais velho e o original herdeiro das empresas, Touya Todoroki, que se pronunciava. – Não o chame de filho da puta, estará xingando sua ex-esposa e nossa mãe.

— Cale a sua boca, Touya! Não foi chamado na conversa! – Respondeu o famoso Endeavor, já irritado com o filho. Touya apenas abaixou a cabeça, concordando levemente.

— Para que brigar, pessoal? É só um atraso básico, ele já deve estar chegando. Demora vir de trem e ônibus, então é compreensível. – Natsuo, o filho do meio, disse tentando acalmar o ambiente. 

— Não vai me dizer que não te irrita, Natsuo. Mamãe era tão próxima de você quanto era de mim... – Sussurrou Touya. 

— É claro que me irrito. 

— Então mostra isso, porra. As vezes parece que o Shoto é mais corajoso que você. – Touya apenas deu um pequeno sorriso ao ver Natsuo cerrar os punhos, tentando se controlar. – Na verdade aquele garoto é mais corajoso que todos. Menos do papai, óbvio...

— Gente, gente... não digam isso, todos nós temos... qualidades. – A irmã mas velha deu um sorrisinho. — Be... Bem, acredito que Natsuo esteja certo, nosso irmão já deve estar chegando. O trem ou o ônibus pode ter se atrasado, ou ele pode ter perdido o trem... – Fuyumi tomou um gole do líquido que havia dentro da taça após ter falado. O barulho da campainha indicava que alguém estava no portão; era alto o bastante para invadir o salão principal e a sala de jantar. – Ele já está aqui!

No exato momento, Shoto Todoroki apareceu no grande portão da mansão, tocando a campainha quantas vezes fosse necessária e, as vezes, até demais; sabia que o barulho chegava até a grande sala de jantar. Quanto mais cedo acabar, mais cedo saio dessa casa, pensou, segurando o cabo do guarda-chuva com mais força. Apesar de que não seria mal conversar um pouco com a Fuyumi e, talvez, visitar o túmulo da mãe. Um dos seguranças da mansão veio ao campo de visão de Todoroki, parecia ser novato.

— Com sua licença, quem é? – O garoto não tão alto quanto o que estava no lado de fora perguntou. Tinha cabelos loiros e um semblante preocupado. Realmente, Shoto nunca havia o visto, o que indicava a preocupação do segurança noviço em sua presença; não sabia quem era, então ficaria preocupado já que a roupa que Shoto usava não era amigável e muito menos sua expressão. 

— ... Shoto Todoroki. – Respondeu sem um mínimo esforço e preocupação. O garoto continuava confuso, porém apenas sorriu e o deixou entrar. Hm, parece ser tão novo e inexperiente ao ponto de abrir o portão a um estranho. Não o julgo, tenho características físicas do meu pai, então ficaria um pouco difícil de não dizer que sou filho dele.

Ele passou diante da porta das frentes, decorada com ouro e feito de madeira nobre, fechando seu guarda-chuva e o pendurando em qualquer lugar e passou por fotos que sua mãe havia pendurado na parede da entrada. Eram padronizadas e divididas por cores, desde o preto ao verde-claro. Não era dúvida de que naquela época o TOC dela estava agitado. Retirando o fato de algumas fotos estarem posicionadas na cor errada, nada havia mudado em 4 anos. 

Shoto continuou andando pela casa lentamente, cumprimentando os funcionários e olhando o papel de parede já desgastado. Ao chegar às portas da sala de jantar e a abri-las, sentiu um vento batendo em seu rosto. Não sabia se era pela pressão ou a aura assustadora que aquela sala transmitia.

— Uma hora e 23 minutos atrasado. – Disse o de cabelos brancos que nem a neve, dando um sorriso desaforado. — Papai ficou bravo. Digo, está bravo com você, aliás, quem não estaria? Uma hora e meia é coisa para caralho, não acha?

O mais novo nada respondeu, pelo contrário, seguiu seu caminho até seu lugar e se sentou calmamente. O ambiente havia ficado mais pesado e monótono, o que fez o Todoroki caçula se arrepender de ter pego dois trens e um ônibus para ir até lá. Mas não podia dizer que apenas veio para vê-los, isso estava longe de ser verdade; principalmente depois que descobriram seu segredo.

— Como herdeiro das empresas, deveria ser mais responsável sobre seus horários, Shoto. – Enji disse, enquanto olhava os funcionários colocarem comida no prato de Shoto; todos haviam comido, menos ele. Por isso, apenas agradeceu a comida que haviam trazido para ele e começou a comê-la.

— Estávamos com saudades, irmão. – Disse Fuyumi, que apenas recebeu um acento com a cabeça do bicolor. – Como está indo a faculdade? – Novamente, um acento.

Shoto! Responda sua irmã direito! – O chefe da empresa exclamou, batendo o punho na mesa. O mais novo apenas parou de comer, o olhou e voltou a comer como se anda tivesse acontecido. Enji suspirou fundo antes de continuar. – Não foi para isso que te chamei. Te chamei para te dizer que Natsuo concordou em herdar metade da empresa.

O bicolor, que já estava fardo de ouvir a mesma história de ser o herdeiro, congelou. Por que ele não herdou a porra da empresa toda de uma vez? Assim eu poderia ser um pouco mais livre nesse inferno. Não era a primeira vez que tocaram nesse assunto, mas ter ouvido a mesma coisa em todas as reuniões familiares, enchia o seu saco.

— Ah, que bom. – O herdeiro exclamou ironicamente. – Espero que consigamos trabalhar totalmente felizes, mesmo com o cu na mão já que nosso pai fodeu a empresa de quatro.

— Shoto... – Fuyumi chamou sua atenção, tendo seus olhos aos mínimos detalhes de seu pai, que estava ficando irritado.

— O que, irmã? Me dirá que não é verdade? Não vê como a empresa está? Caralho, ela tá muito fodida! O orçamento caiu, os clientes, as estrelas... Porra! Até a qualidade do café deve ter caído. E sabe o porquê? – Shoto continuava, ficando mais, e mais impulsivo e se atrapalhando nas palavras.

— Shoto... ! — Fuyumi tentou novamente.

— Porque o CEO da empresa é um pau no cu chamado Enji Todoroki, o segundo maior empresário do Japão, mas que seria considerado o pior pai de todo o mundo. – Shoto continuou seu ataque, não percebendo o tapa que recebeu de Enji no lado esquerdo do rosto. – ... – Após isso, um puxão de cabelo vindo do mesmo lado; então, seu pai havia sido de seu lugar silenciosamente e tinha ido para sua esquerda para lhe bater? Típico e esperado.

SHOUTO! Não diga coisas tão insignificantes! Não criei inúteis que nem você para isso. Tenho certeza que até mesmo o Touya é mais útil que você. – O caçula foi puxado pelos cabelos até o chão, e o barulho da cadeira caindo chamou mais a atenção da Fuyumi. Enji chutou a barriga de Shoto com toda a força que pode.

— Se ele é tão útil assim, por que não o coloca em meu lugar, ein? – O caçula tentou novamente, e, como sempre, recebeu mais um chute na barriga e na lateral do peito. – Pensei que fosse- fosse mais corajoso, pai. – e com isso, teve seus cabelos bicolor puxados mais uma vez, mas agora para cima, o deixando de pé. Endeavor deu uma série de tapas em seu rosto antes de sair, sendo seguido por Touya e Fuyumi. Agora, só havia os dois Todorokis mais novos na sala.

— ... Deveria tomar mais cuidado, Shoto. Conhece nosso pai, conhece o que ele faz. Então, para que responder? Sei que está com raiva, mas- – Antes de deixar Natsuo terminar, o bicolor deu um passo à frente até a porta, e saiu até o portão da frente com seu guarda-chuva. Eu sei, pensou ao ecoar a frase de seu irmão mais velho. Eu fui a porra de uma cobaia dele por 10, 12 anos. Eu sei o que ele faz, eu sei! Com isso, chutou o portão de entrada com toda a sua força, atraindo atenção do guarda de mais cedo.

— ... Frustrado? – Perguntou o de cabelos amarelados. – Reconheço a cara de alguém que não toca em um pornô a mais de uma semana de longe, hehe. – Deu uma pequena risada, porém parou ao perceber a seriedade do maior. – ... Sou novo aqui, mas dizem que o Senhor Endeavor é bem bruto com os filhos... – O menino deu uma olhada descarada ao rosto de Shoto; o mesmo estava com as bochechas vermelhas, mas com um olhar frio e perdido. – Sou Denki. Denki Kaminari, mas meus amigos me chamam de Pikachu. Digo, eles iriam se eu tivesse amigos.

O Todoroki nada respondeu, pelo o contrário, apenas olhou de relance para Denki e o ignorou completamente. Denki não tento resistir, pelo o contrário, apenas destrancou o portão e deixou o mais velho passar. Não sabia para onde ele estava indo, mas não poderia se intrometer já que era apenas um segurança azarado.

O jovem apoquentado andava passos largos, passando por famílias e casais felizes durante uma tarde chuvosa; talvez era aquilo que merecia, talvez ele só esteja pagando os seus erros. Pagando o que fez com ela. Ele era tão ignóbil assim? Tão apático? Era certo de que o dia não era fácil assim como as noites em branco que passou há quatro anos. Shoto fechou o guarda-chuva quando já estava longe de pessoas, e sentiu gostas de chuva cair perante seu rosto.

Seus pensamentos mergulhavam em uma pessoa: sua mãe. Como a comida dela era saborosa, como ela acariciava o seu cabelo nas noites ruins, como ela era forte mesmo com Endeavor a humilhando e a agredindo, como sua voz soava tão doce mesmo quando o amargo pousava em seu coração. Mesmo depois de ele ter ganhado a cicatriz, ela ainda se importava com ele; sua vida era uma balbúrdia inevitável. Ele odiava todos por conta disso, até mesmo sua querida mãe. Mas, o que ele poderia dizer? O que ele poderia fazer? O seu destino nunca esteve em mãos e sim em jogo, então como decidiria quem odiar e amar?

O bicolor chutou as pedras em seu caminho, pensando como era inútil ir a sua antiga mansão sendo que sempre era a mesma coisa: ele chegava e ficava alguns minutos antes de fazer ataques pessoais ao pai e ser espancado. Depois, apenas saia como se nada tivesse acontecido, isso tudo em menos de 10 minutos. Não era novo, na verdade já estava começando a ser patético.

Todoroki olhou para os lados, querendo atravessar a rua pouco movimentada e, quando conseguiu, foi até a entrada do cemitério, já procurando a lápide familiar. Quando ele a viu, apenas se aproximou firmemente, mas ao mesmo tempo tão gentilmente; não queria estragar nada do cemitério, já que estaria afetando a natureza e outras famílias. Shoto continuou de pé, olhando o nome de sua mãe ali. Mas seus olhos continuavam distantes e inexpressivos.

— ... Me desculpe por não ser o filho que você esperava, mãe. – Ele sussurrou baixinho, sentindo sua roupa já encharcada parar, de repente, de ser molhada pela chuva. O Todoroki olhou para cima, vendo sua ex-namorada segurando o guarda-chuva dela em cima de sua cabeça, aberto. — Yao... Yaoyorozu?

Momo, a ex, deu um pequeno sorriso empático, estando na ponta dos pés para alcançar Shoto. — Sabe, não é porque nos separamos que devemos fingir ser estranhos ou não tão próximos assim. Pode continue me chamando de Momo, oras. – ela apenas estendeu mais o guarda-chuva, esperando que Shoto a entendesse. – Não quero nada com você, não se preocupe!

— ... – Um breve silêncio foi estabelecido pelo maior. – Tudo bem, então. Você vai se molhar se continuar com o guarda-chuva a solto assim, Momo. 

— Hehe! – A menina deu um sorriso radiante, retirando o guarda-chuva da cabeça de Shoto e colocando para ela. O bicolor apenas abriu o próprio e seguiu seu caminho, com a Yaoyorozu o seguindo. – Está com o rosto ferrado, Shoto. Foi espancado?

— ... Mais ou menos. – Com uma resposta curta, ele retirou o casaco negro, ficando com sua camisa que estava se encharcando por conta da outra peça. – O que faz por aqui?

— Visitando uma amiga. Falando nisso, quer ir na casa dela? É bem perto, além de que precisa de uma troca de roupa. – Shouto deu uma olhada disfarçada para Momo, que aparentava estar animada.

— ...Você... tem roupas masculinas?

— Ah, um garoto de programa passou umas duas noites em casa e eu comprei algumas roupas para ele. Não fizemos nada, eu apenas estava dando abrigo já que o coitado perdeu tudo. – A garota respondeu, brincando com o seu próprio cabelo. 

— E... e onde ele está agora? – Era surpreendente, mas Todoroki se interessou na história; querendo ou não, Momo estava certa. Eles têm uma conexão e ouvir as histórias da ex-namorada nunca é de mais. 

— Com a minha mãe, ele vai ficar alguns meses lá até juntar dinheiro e se estabilizar; o menino está trabalhando para ela, de qualquer modo. – Respondeu, ajeitando o casaco vermelho. – Está bem frio hoje, não? Eu estava pensando se eu vinha com o casaco vermelho ou o marrom, optei por esse mesmo.

— Por que estava no cemitério? – O mais velho mudou de assunto, olhando diretamente reto.

— Na verdade não estava lá, é o caminho para o mercado, então passei e te vi lá. Não é a primeira vez que vejo você chorar as pitangas diante daquele túmulo. Ainda estávamos juntos 4 anos atrás.

— ... – Todoroki apenas continuou seguindo em frente. – Estou com sono.

— Ah, certo. Você pode descansar um pouco antes de ir para sua casa, se quiser. Minha amiga está trabalhando então não há ninguém para incomodar você. – Momo deu um sorriso delicado, andando pela calçada para ir a casa.

— Hm. – O maior apenas continuou centrado no nada, totalmente desconcentrado. – Quem é a sua amiga?

— Sabe a menina do concerto? – Momo deu uma leve pausa, vendo que seu companheiro havia esquecido do ocorrido. – Francamente... bem, quando você passou mal no concerto de 2013, eu fiquei conversando com a menina que nos acompanhava, o nome dela é Kyouka Jirou. Vim passar algumas semanas com ela apenas como visita.

Momo pegou as chaves de seu bolso após eles chegarem na casa e abriu a porta, retirando seus sapatos junto do seu companheiro e fechou a porta, entrando na casa. Eles andaram até a pequena sala de estar, que ficava perto da porta; era uma casa pequena e humilde, com um pequeno balcão ao entrar na sala que dividia ela é a cozinha.

— Bem-vindo a minha casa temporária! Vou pegar as roupas, pode esperar por aqui. – Momo se retirou da sala, murmurando coisas inaudíveis. Provavelmente estava bolando um plano de como iria explicar-se para a tal Jirou.

— Ok. – O Todoroki se sentou no sofá que ficava encostado no balcão, fechando seus olhos por alguns minutos. Ele relaxou o corpo e se mergulhou em pensamentos atordoados.

“— SHOTO! – Enji apareceu na sala, vendo o menino bicolor chorar nos braços da mãe. – NÃO SEJA TÃO COVARDE, VENHA AQUI! – Raivoso, o homem se aproximou do garotinho, o puxando pelos cabelos. Rei, a mãe, segurou o braço de Endeavor.

— Não! O solte, Enji! Ele só tem CINCO ANOS! – Rei retirou Shoto de seu colo, deixando-o atrás dela, em uma posição defensiva.

SAIA DA FRENTE, EU QUERO FALAR COM O SHOTO! – Com isso, um tapa foi ouvido. Rei deu um gemido doloroso e caiu no chão, recebendo um empurrão com o pé do de cabelos ruivos. Ela se agarrou aos seus pés. — SOLTE-ME, REI! – Novamente, Enji chutou a testa de Rei, a xingando de coisas inimagináveis ao garotinho que via tudo.

— Não! Não, você não irá machucar meu filho! Aghr...  – A mulher continuou tentando resistir as pancadas em sua cabeça e testa, porém não demorou muito até sua força diminuir e Enji ir caminhando até o garoto. – Enji... ENJI! O QUE ELE TE FEZ?!

— FO FRACO! – Shoto se encolheu, não conseguindo desviar o olhar aterrorizado do pai. O mesmo se aproximou, aproximou, aproximou... e puxou o garotinho pelos cabelos. — FRACO COMO O TOUYA! COMO A FUYUMI! COMO O NATSUO! – Ele puxava mais forte, enquanto o bicolor gritava e Rei tentava o impedir.

— PARA! PARA! NÃO O MACHUQUE, POR FAVOR! – A mulher de cabelos brancos já chorava desesperadamente ao ver Enji segurando seu filho daquele jeito. – EU POSSO PAGAR EM SEU LUGAR, EU FAÇO O QUE VOCÊ QUISER! PARA!! 

— Mamãe! – Shoto chutava para todas as direções; parecia que iria ter seus cabelos arrancados a qualquer momento, além de que a recém cicatriz que ganhou na sua parte esquerda ardia e o curativo estava saindo. – M-Me desculpe, papai! Me desculpe! E... Eu... Eu vou melhorar! Eu vou melhorar! Por favor, pare! – O garoto recebeu um tapa no rosto, sendo jogado contra a parede.

— CALADO! VOCÊ FALA DEMAIS, SHOTO! JÁ DEVERIA ESTAR NA HORA DE APRENDER A SE CALAR, SE NÃO VAI APANHAR MAIS!

— N-NÃO! ME... ME DESCULPE, ME DESCULPE, PAPAI! – Rei foi até seu filho, o abraçando cuidadosamente, deixando-o chorar baixinho e vendo o pai se afastando rigorosamente de ambos. – ‘P-puquê? ‘Pu-puquê? Eu- eu não fiz nada ao papai, eu juro... – Shoto se agarrou a mãe, esperneando o mais baixo que pode; seu corpo também estava dolorido pela batida brusca.

— Shhh... Está tudo bem, Shoto. Tem razão, você não fez nada errado.”

Nada errado.

Nada errado.

Nada errado.

— Shoto? – Momo tocou o ombro do maior, vendo que ele soava. O mesmo abriu os olhos bruscamente e virou o rosto assustado até Momo, acalmando a face. –  Peguei as roupas, se não se importa. Pode se trocar no banheiro, eu vou fazer a janta.

— Ah, obrigado. Mas não vou ficar para o jantar, irei para casa. – Shoto se levantou e foi até o banheiro, retirando sua camisa encharcada e se encarando no espelho. Talvez meu pai estivesse certo, pensou, talvez... eu sou inútil mesmo. Ele se vestiu e bagunçou seus cabelos molhados, saindo do cômodo e encarando a parede a sua frente. Talvez é uma palavra fraca. Eu sou inútil. E pelo jeito o meu “segredo” só o fez pensar mais merda. 

Tem certeza que não vai comer aqui? Ainda está cedo! – Momo apareceu no corredor em que Todoroki estava, com um avental amarrado. – Posso te apresentar a Jirou, também. Apesar de que ela irá chegar mais tarde por conta da banda, hm.

— ... Obrigado, Yao-... Momo, mas eu realmente preciso ir para casa. – O homem se aproximou de Momo, com o rosto monótono de sempre. – Talvez possa chover na minha cidade e eu tenho roupas no varal. 

Momo suspirou profundamente, claramente triste. — Tudo bem, eu entendo. Mas não diga “eu tenho roupas no varal”, você parece uma mãe de casa ou até pior. – A menor deu um riso baixo, voltando ao como que estava. – Eu já coloquei seu casaco em uma sacola, está na sala. Pode colocar sua roupa molhada lá. – Momo apontou para a sua direita, onde ficava a entrada da cozinha e o balcão que dívida ela da sala em que o Todoroki estava. 

O bicolor apenas concordou, indo até a sala e colocando suas roupas molhadas dentro da sacola. Ele fechou ela e se sentou no sofá, ligando a televisão. A programação não era uma das melhores, já que o horário era perfeito para crianças e os que não passavam programas infantis, falavam de casos já familiares. Mas um canal em particular chamou sua atenção; falava sobre as empresas Todoroki, dando um arrepio em Shoto.

— ... Pai ficou realmente famoso. – O herdeiro sussurrou para si próprio, vendo o documentário de seu pai passando. Ele rapidamente desligou e fechou os olhos, suspirando fundo e se levantando. – Momo? Pode abrir a porta? Eu já vou indo.

— Aaaah! Que pena... – Momo apareceu e destrancou a porta, batendo as mãos em seu avental. – Bem, foi bom vê-lo novamente, Shoto. Espero que venha com mais frequência a cidade, assim poderemos nos ver! 

— Hm. – O homem apenas concordou com a cabeça e saiu andando pela calçada. Era estranho, porém a quantidade de pensamentos negativos que invadiram sua mente ao pensar no documentário de mais cedo era enorme. Era engraçado, o nível de raiva dentro de seu pai era enorme, tanto que o afetou, como se fosse algo seu; mas não era, era tudo de seu pai. Desde a dor que sentia até os demônios e ferimentos que o perseguia. 

Não era dúvida de que o guarda-chuva preto que segurava era, no mínimo, discreto. Ser o filho herdeiro nunca foi fácil, principalmente com as emoções abaladas de Shoto; por isso, seu melhor jeito era ser discreto. Sumir, não ser visto. Ele continuou assim até as pessoas esquecerem sobre ele. Digo, nunca souberam como o “temido filho de Enji Todoroki” era, então por que se importariam agora? 

Talvez seria bom conversar com sua irmã mais velha sobre. Talvez seria bom contratar um terapeuta. Mas não sabia o que fazer e isso o incomodava para caralho. O fato de ser filho de Endeavor já o incomodava, então, o que não iria? Shoto parou no meio do caminho, vendo que a chuva não cessava. Decidiu ir até a pequena loja que Fuyumi e Natsuo tinham; sabia que depois da “reunião”, eles estariam trabalhando normalmente.

O caminho não foi longo. Em menos de 15 minutos, o caçula se encontrava na frente da loja, relutante sobre entrar ou não. Ele fechou seu guarda-chuva e entrou pela porta de madeira, simples. Fuyumi, quem está a no caixa, o olhou pronto para cumprimentá-lo, mas ao perceber que era apenas seu irmão, sorriu.

— Shoto, o que deseja? – Fuyumi se aproximou dele. – Já estávamos pensando em fechar por conta do tempo. O que houve?

— ... Nada. Só estava perto e decidi dar uma olhada. – Mentiu, olhando ao redor. Estava, mesmo que não quisesse admitir, um pouco curioso sobre onde seu irmão mais flecho estava. – E, sobre a reunião...

— Eu entendo, até eu ficaria brava em sua situação, Shoto. Apenas achei um pouco impulsivo. – Ela disse enquanto arrumava algumas coisas encima das prateleiras. – Apesar de que... papai ficou até um pouco amargurado.

— ... Não. – Respondeu Shoto, já sabendo o que sua irmã insinuava. – Não vou falar com ele.

Fuyumi deu um pequeno sorriso. — Ah, então você descobriu o que quis dizer, haha. Mas, realmente- seria bom para vocês dois, apenas sentar e conversar. 

— A última vez que fizemos isso foi na minha formatura, e ele praticamente me deixou sem andar por alguns dias.

— Ah, Shoto! – Fuyumi chamou a atenção de seu irmão mais novo, segurando o riso. – Não exagere, você ficou apenas algumas horas. Papai pegou pesado, mesmo.

— Mas, nem que me ameacem, irei falar com nosso pai. Sabe da minha relação sensível com ele, irmã. 

— Eu sei. Mas não podemos resolver tudo na base da violência. Sua- não, nossa vida foi repleta de abusos vindo dele, não seria inteligente retribuirmos. Perderíamos toda a razão. – Um silêncio foi estabelecido e Fuyumi voltou para o caixa. 

— Irmã... por que ele não deixou você, nem o seu irmão mais velho serem herdeiros? Digo, eu sou a porra do caçula e vai demorar até eu ter uma consciência sobre... aquela merda. – O bicolor abaixou o olhar.

— Bem... eu me perguntava a mesma coisa, e o Touya também. É estranho, para ser verdade; tanto que enfrentamos nosso pai sobre e ele nos disse o porquê.

— E... qual era?

A mulher respirou fundo. — Ele disse que Touya era muito imbecil e fodido e eu era uma mulher, então meu trabalho não era exatamente nessa área. Naquela hora, acho que foi uma das vezes em que eu me senti rancorosa. Digo, o que meu gênero tem haver com trabalho? Eu continuo sendo capaz.

— ... As vezes temo a sanidade dele. – O homem suspirou fundo.

— Não deveria temer. – Fuyumi deu algumas batidas no balcão, sorrindo. – Temer não vai ajudar, temer nunca ajudou. Você temia o papai e agora que esvaiu-se, não sobrou nada além de raiva. E, se um dia você parar de temer o temperamento dele, irá explodir. Vamos... respeitar.

— ... Respeitar? Minha irmã, me desculpe... mas respeitar aquele homem não é possível. – O caçula bagunçou seus próprios cabelos, olhando para sua irmã. – Eu não consigo respeitá-lo. Ele nunca fez isso comigo, então por que eu deveria? 

— Exatamente porque ele não fez. 

Um pequeno silêncio foi estabelecido, e Shoto cerrou os punhos. A chuva não cessou, mesmo que já estivesse um pouco mais escassa. O homem saiu pela porta, correndo. Realmente não deveria ter vindo, realmente deveria ter ficado em sua casa. Talvez, na próxima, iria gastar seu dinheiro que foi depositado nos trens e ônibus com comida.

O bicolor continuou andando pela calçada, tentando ao máximo não molhar a roupa que Momo o deu. Pegou o dinheiro certo ao chegar na estação de ônibus e se sentou nos bancos que haviam ali, esperando impacientemente. Ao seu lado, havia um homem, com cabelos esverdeados e sardas pelo rosto; junto dele, uma pequena criança que não se parecia muito com ele além dos cabelos afofados; o suposto pai brincava animadamente com o menino e, realmente, foi uma cena maravilhosa. 

O garotinho desviou seu olhar ao Todoroki, e com isso, o menino se escondeu nos braços do seu suposto pai, com lagrimas em seus olhos. O homem se desesperou um pouco e olhou o maior; Shoto fez o mesmo, e os olhos reluzentes verde o cativou, e fez com que o bicolor sentisse uma agradável aura em volta de si. Mas, não adiantava, seus olhos continuavam frios diante de todos e logo o nome se afastou para entrar no ônibus. 

Ele os seguiu, já que pegaria o mesmo ônibus. Mas não estava interessado neles, e sim em seus pensamentos. Os pensamentos de que realmente ele era detestável. Se todos falavam que ele era o tal rei da apatia, o príncipe do gelo, ou que seus olhos eram gélidos demais para ser herdeiro do “fogo”, por que descordaria?

Estava certo, todos estavam; ele é realmente apático, inútil e incompreensível. Não parecia ser herdeiro das empresas pois seu pai era que nem o fogo, e seus olhos gelados não pareciam compreender o porquê. O porquê de existir, ou talvez o porquê de querer continuar. 

 


Notas Finais


Bem, foi isso. Acho que consegui atingir o que eu estava procurando, então conseguirei dormir tranquila hoje, haha! Brincadeiras a parte, obrigado por terem lido até aqui, espero ver vocês no capítulo dois, que focará nos nosso dois bebês. Provavelmente vai demorar um pouco já que estou com alguns problemas pessoais.

Além disso, quero estragar a reputação do Endeavor (a que ele nunca teve, só um pouco depois de certos acontecimentos), o deixando mais agressivo e abusivo hihi — a fanfic irá retratar certos assuntos pesados, então, por que não? Aliás, o Shoto virou rei da apatia {-}.

A Momo é um pouco difícil de se escrever, pois ao mesmo tempo que ela me lembra um pouco a Ochako e eu acabo errando certas partes, ela é mais delicada e isso me confunde na hora da escrita. Mas a nossa deusa continua divando como sempre! Só espero que ela não esteja tão parecida com a Uraraka, quem vai aparecer mais para frente e será um ponto importante para certas pessoas.

Se você está com problemas internos, ligue pro 188 e nunca se esqueça de se cuidar. até a próxima :)

- hollyyyO


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