História E de repente, amor. - Norminah G!P - Capítulo 42


Escrita por: ~

Postado
Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Dinah Jane Hansen, Normani Hamilton
Tags Norminah
Visualizações 851
Palavras 4.546
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Orange, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Estupro, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi mores, tem alguém aí? 👀
Gente, à fic chegou a 200 favs, eu fiquei muito feliz quando vi, obrigada sério! 😩 Vamos ao capítulo, espero que gostem! Aproveitem. 💙

Capítulo 42 - Capítulo 42.


Fanfic / Fanfiction E de repente, amor. - Norminah G!P - Capítulo 42 - Capítulo 42.

DINAH'S POV.

— Bom dia...Dinah Jane Hansen. – Ele completou, olhando para a ficha em suas mãos. O obstetra – Dr. Richard – era um homem surpreendentemente bonito. Devia ter aproximadamente trinta anos, e era não só alto como musculoso. Um tipo que poderia lembrar tudo, menos um médico.

Normani, provavelmente sendo alertada por seu orgulho ligeiramente ferido e um instinto estranho, me segurou pela cintura e me trouxe mais para perto de si enquanto entrávamos.

— Bom dia, doutor. – Ela respondeu por mim, puxando uma das cadeiras para que eu me sentasse e fazendo o mesmo em seguida.

— Bom dia. – Ele respondeu, sorrindo de forma educada, enquanto nos encarava e entrelaçava os dedos em cima da mesa. — Então...a Ally já me informou da sua condição Normani.

Ele era uma pessoa agradável. Sorria o tempo todo e tentava fazer com que o clima fosse mais leve possível. Normani embora visivelmente enciumada – simplesmente porque o médico era atraente – sabia que não havia motivos para ser desagradável ou mal educada com ele. Mas isso não queria dizer que ela faria algum esforço para ser agradável também.

Nossa consulta começou com perguntas subjetivas.

— A gravidez foi planejada? – Ele começou.

— Não. – Respondi. — Foi acidental...

— Entendi. E como estão lidando com ela?

— Muito bem. – Normani respondeu, já animada. — Está tudo ótimo.

— Que bom. – O médico falou, abrindo um lindo sorriso. Normani aproximou sua cadeira da minha inconscientemente.

— Há quanto tempo vocês estão casadas?

— Bom...– Comecei, tirando minha mão esquerda com a aliança de cima da mesa. — Não somos casadas...

— Ainda. – Normani se apressou em falar, e então olhei para ela assustada. Não exatamente assustada. Surpresa.

Ela havia me dito, muitas vezes, que queria passar o resto da vida comigo, então era um pouco óbvio que isso poderia significar casamento em algum momento das nossas vidas, mesmo que distante. Ainda assim, vê-la insinuar isso era algo pelo qual eu não esperava. Não ainda.

Continuei encarando-a como uma perfeita idiota. Ela me olhou inocentemente, como se não tivesse dito nada demais. Talvez não tivesse mesmo, mas eu estava surpresa, sentindo uma pequena chama de alegria, muito discreta, inflamar meu peito.

— Certo. – O dr. Richard respondeu ainda sorrindo, de forma muito natural. — É bom saber que o clima entre o casal está tranquilo à chegada do mais novo membro da família. Mas então, Dinah Jane...

— Dinah. – Corrigi-o de costume, e como sempre acontecia, Normani bufou ao meu lado.

— Dinah. – Ele se corrigiu. — É sua primeira gravidez?

— Sim.

— E como vocês descobriram?

Contei toda a história para ele – dessa vez detalhada porque eu sabia dos detalhes. Expliquei o método anticoncepcional usado e meu ciclo menstrual mascarado pelas pílulas. Também citei meus sintomas e todas as coisas que havia sentido até então. Quando perguntada, afirmei não ter nenhuma doença genética, como diabetes ou pressão alta, o que poderiam comprometer a saúde do bebê.

— Alguma doença sexualmente transmissível?

— Não. – Respondi.

— Já fez exames?

— Já. – Dessa vez quem respondeu foi Normani, e me pegando de surpresa outra vez, tirou de sua bolsa alguns papéis dobrados, o que identifiquei, alguns segundos depois, como os papéis dos meus últimos exames. Eu sequer a tinha visto pegar aquilo.

O doutor examinou as folhas com cuidado por um bom tempo. Normani me encarou como se me pedisse desculpas pela invasão

— Por que não me falou? – Falei em  um sussurro para ela, sem realmente estar chateada.

— Achei que você não ia querer trazer. – Ela respondeu arrependida, beijando minha mão delicadamente.

— Bom...– O dr. Richard nos interrompeu educadamente. — Esses exames são relativamente recentes. Você manteve relações com uma pessoa só depois de fazê-los?

— Sim. – Respondi com firmeza.

— Entendo. – Ele pausou, me olhando com um pouco de curiosidade, mas ainda assim sendo muito discreto. — Parece que você andou preocupada com isso. Não é todo mundo que faz tantos exames assim...

Me mexi na cadeira, um pouco incomodada. Ele havia notado que algo estava estranho, e talvez esse fosse o motivo pelo qual Normani achasse que eu não iria querer mostrar os exames. Seria quase um atestado de “culpa”. Algo como “ Olhe como eu não tenho ideia de quantas doenças posso ter!”

— Dinah, nós temos que cuidar muito bem da saúde do seu bebê. – Ela parou, olhando para Normani. — Do bebê de vocês. Qualquer informação que possam me dar que pudesse vir a afetar o bebê de alguma forma...Bom, seria muito valiosa.

Normani me encarou, com uma expressão calma. Encarei-a de volta, agora bastante incomodada. Notei que, além de calma, sua expressão parecia querer me pedir permissão para alguma coisa. E eu já imaginava que coisa era essa. De qualquer forma, dei a ela a permissão que queria.

— Doutor...– Ela começou, chamando a atenção do médico toda para si. — Dinah já esteve com muitos homens.

Abaixei a cabeça instantaneamente, olhando para as minhas mãos em meu colo. Não por querer me fazer de vítima de alguma forma, mas sim porque ouvir aquilo me fazia sentir algo contra o qual eu ainda lutava. Algo que eu estava conseguindo deixar de lado, embora nunca esquecesse completamente.

Senti vergonha. Não precisei levantar a cabeça para notar que o dr. Richard havia entendido perfeitamente o que Normani quis dizer com aquilo. Qualquer um entenderia. Qualquer um interpretaria como “ex prostituta”. E outra vez, senti aquelas lembranças me invadir. Eu estava envergonhada.

Era difícil confessar aquilo para alguém que ainda não sabia, derrubando meu falso muro de segurança que eu vinha tentando construir pacientemente, tijolo por tijolo. Encarar algo do meu passado que devia nunca ter acontecido era constrangedor. Era doloroso. Senti uma vontade angustiante de chorar.

— Entendo. – A voz do médico soou, senti um murro no estômago.

Eu sabia que devia confiar nele aquele segredo, porque afinal de contas, ele cuidaria do meu filho. E nada era mais importante do que o meu bebê. Mas isso não evitaria que eu me sentisse horrível.

— Acredito que ela não tenha nada. – Normani continuou. — Mas esses exames...

— Sim. – dr. Richard a interrompeu. — São muito vagos. Não são específicos. Vamos ter que fazer novos exames, mais precisos. Embora eu ache que ela não tenha nada. Normalmente esses exames gerais já acusam alguma coisa, quando a mulher tem alguma doença. Alguma substância alterada no sangue ou algo assim. O dela parece perfeito, mas vamos ter certeza.

Ele parou de falar, e a sala ficou em silêncio. Continuei encarando minhas mãos. Sem coragem de desviar o olhar.

— Eu imagino o quanto deve ser difícil confessar isso. — Ele começou, e senti que aquele discurso era para mim, especificamente. — Mas queria dizer a você, Dinah, que há mais casos como o seu, do que você possa imaginar.

Escutei atentamente, embora eu ainda estivesse muito sensível, lutando contra as lágrimas. Ele continuou.

— Já tive casos iguais aqui. Não fique assim, você não é a única. E, sinceramente, devo dizer que não acho que você deva se sentir envergonhada. Nem antes, e nem agora, quando você optou pela escolha que eu tenho certeza que foi a certa para você. Pelo contrário: Acho que você deve se sentir orgulhosa de si mesma. Mostra que a vida que você levava antes não era pra você.

Normani segurou minha mão outra vez, apertando-a com firmeza. Levantei a cabeça apenas para encarar o dr. Richard, que também me olhava. Relaxei um pouco ao notar que seu olhar, de fato, não trazia nenhum pré-julgamento.

— Tudo bem. – Consegui dizer, enquanto me forçava a sustentar o olhar. Como resposta, ele apenas sorriu. Normani apertou minha mão com mais força. Mas eu sabia que não havia sido proposital.

— Então.. – Ele começou. — Vamos fazer alguns exames.

— Que tipo de exames? – Normani perguntou.

— São vários. Hemograma completo, grupo sanguíneo, Glicemia, Rubéola, Hepatite B, Sífilis, HIV...Mas isso são exames normais para todas as grávidas. – Ele se apressou em deixar claro, vendo o meu desconforto. — Todas as grávidas precisam fazer esses exames. Mas, de fato, vou passar alguns mais específicos pra você.

Eu pensava estar livre desse tipo de doença. Mas, agora depois dessa consulta, nem disso eu poderia ter certeza.

— E se acusar alguma coisa? – Perguntei, deixando o desconforto de lado e fazendo a pergunta em voz alta, agora genuinamente preocupada.

— Se acusar alguma coisa, nós vamos tratar. – Ele sorriu de maneira simples e contagiante, o que, de alguma forma, fez com que eu me sentisse melhor. — É pra isso que eu estou aqui, não é?

Sorri em resposta, sem nem notar.

— E o sexo do bebê? Ela vai fazer uma ultrassonografia? – Normani perguntou, um pouco mais alto do que o tom habitual de sua voz.

— Ah, sim. Com um pouco mais de três meses, poderemos ter mais certeza do sexo através da ultrassonografia.

— Mas ela está com quase três meses. – Sua voz saiu como se ela fosse uma criança cujo os sonhos tivessem todos sido roubados em uma única vez.

— Bom...Existem métodos em que é possível determinar o sexo antes desse período. Mas são todos muito caros...

— Quais são? – Normani perguntou, já cortando qualquer tipo de pergunta sobre o valor, que possivelmente eu faria.

O dr. Richard, explicou detalhadamente sobre todos os métodos possíveis.

— E quais são as chances de erros? - Ela perguntou, realmente muito interessada.

— Muito baixas. – Ele pontuou.

— Ótimo. Pode pedir junto com os outros exames então. – Normani finalizou a questão, com o seu mais novo ar de mãe e “chefe da família”.

O médico consentiu, anotando tudo em vários papéis.

— Bom, Dinah. Queria fazer alguns exames simples com você agora. Pode tirar suas roupas e colocar o roupão no banheir...

— Como? – Normani interveio, e eu podia jurar que estava a ponto de surtar caso ela não parasse com aquele ciúme exagerado e desnecessário. O dr. Richard parecia confuso.

— Eu tenho que fazer alguns exames... – Ele começou.

— Hum...E ela precisa tirar a roupa pra isso? – Normani perguntou, mas pelo menos seu tom de voz não era rude. Ela era educada, mesmo irritada e enciumada.

— Bom, eu tenho que checar se há algum módulo...

— Entendi. Mas ela precisa mesmo tirar a roupa? – Ela repetiu.

— Normani? – Chamei-a, um pouco inquisitória.

— Está tudo bem. – O dr. Richard riu e olhou para Normani, como se estivesse pedindo permissão para fazer alguma coisa. — Mas gostaria de pelo menos checar os lugares mais importantes. Ela pode manter a roupa. Tudo bem?

Como ele iria tocar em mim, e isso não tinha nada a ver com nenhum outro corpo, me achei no direito de responder.

— Tudo bem. – Respondi, já levantando e caminhando para a outra sala, onde ficava a cama para exames e equipamentos específicos. O dr. Richard surgiu logo atrás de mim, me ajudando a subir até a cama alta e me deitando lá.

Naturalmente, Normani já estava ali, assistindo tudo com os braços cruzados afastada de nós, ainda na porta. O médico apalpou o meu pescoço com cuidado, à procura de nódulos, e simplesmente foi fazendo isso em muitas articulações e quase todas as juntas do meu corpo. Se prolongando em alguns lugares específicos, como nos seios, debaixo do braço e na área da virilha. Por vezes, eu olhava para Normani, que parecia em cólicas, mas ainda assim acompanhava o movimento das mãos dele no meu corpo com um traço de preocupação, como se estivesse atenta a qualquer reação estranha do médico.

— Está tudo bem. – Ele finalmente falou, me ajudando a levantar. — Você parece ótima. Mas quero que o seu ginecologista faça um exame apurado em você. Vamos acompanhar isso direito.

— Claro. – Concordei, ficando de pé e seguindo outra vez para o escritório, com Normani e o médico atrás de mim. O resto da consulta foi preenchido com explicações relacionadas à minha alimentação, dando ênfase nos alimentos que eu deveria evitar. Além disso, fui informada do que poderia ou não fazer, além da frequência com a qual eu deveria manter as visitas ao obstetra.

— Conforme os meses, eu vou ficando mais chato com a gravidez, ok? – Ele disse sorrindo.

Não sei por que demorei tanto para me lembrar de um pequeno detalhe, até então completamente ignorado não só por mim, como também por Normani e até por Ally.

— Nós vamos viajar. – Falei, sem me preocupar se aquela informação parecia repentina ou fora do contexto. — Vamos nos mudar...Para Londres.

Encarei Normani, perguntando-a silenciosamente porque ela não havia lembrado daquilo. Ela me olhou distraída no início, mas quando se deu conta de que eu estava certa, suspirou audivelmente e se recostou na cadeira.

— Vamos ter que encontrar outro obstetra. – Ela falou, quase não contendo o sorriso no canto dos lábios.

— Ah, que pena. — O dr. Richard falou, genuinamente sentido, e Normani o encarou com uma cara um pouco estranha. — Mas tudo bem. Conheço ótimos obstetras espalhados por Londres. Posso dar a vocês os contatos.

— Eles são da sua idade? – Normani perguntou, e embora fosse perceptível que ela não quisesse soar rude, eu quis matá-la. Encarei-a um pouco irritada, mas ela me olhou como uma criança inocente.

— Desculpe, doutor. – Falei, me voltando para o médico e dando algum tipo de desculpas esdrúxulas pela falta de modos. — Normani tem andado estranha desde que soube da gravidez.

— Sei que posso parecer novo. – Ele começou, encarando Normani e pronunciando as palavras de forma muito educada. — Mas, posso lhe garantir que levo a minha profissão muito à sério. Jamais deixaria sua futura esposa e mãe do seu filho carente de atenções médica. Unicamente atenções médicas.

Eu poderia achar que ele não havia entendido errado a hostilidade de Normani, mas sua atitude deixou claro, que sim ele havia entendido – e muito bem – o motivo daquelas pequenas atitudes de ciúmes. No momento seguinte, o médico levou a mão esquerda ao queixo, deixando-a lá propositalmente em evidência a aliança fina e muito discreta no anelar. Além de ser um profissional ético, o dr. Richard era casado. E aquelas verdades com certeza fizeram com que Normani se sentisse uma idiota.

— Eu...sei. – Ela falou, abaixando a cabeça muito sem graça.

— E então... – Me voltei para o médico. — Eu gostaria sim dos contatos, doutor. Se puder me passar...

Normani não falou mais nada durante a consulta. As outras dúvidas que eu tinha – algumas bem bobas – foram respondidas sem que ela falasse nada, sequer para opinar.

— Mas alguma pergunta? – O médico falou, tentando puxar Normani novamente para a conversa.

— Não. – Respondi, sem esperar por ela, que me seguiu na resposta logo depois.

— Não.

— Então, como é muito provável que vocês não estejam mais aqui no próximo mês da gravidez, desejo a você – ele falou, apontando para mim. — Uma ótima gestação. Tudo vai dar certo, não se preocupe.

— Certo. – Comecei, já me levantando, e fazendo com que Normani se levantasse também. — Muito obrigada, doutor. E...Desculpe qualquer coisa.

— Está tudo bem. – Ele sorriu, e se virou para Normani, estendendo a mão. — Parabéns pela nova família.

— Obrigada. – Ela disse aceitando a mão, e sua vergonha era evidente. Achei bem feito.

O caminho até o carro foi silencioso, com ela me seguindo, tentando caminhar na mesma velocidade que eu. Normani não disse uma palavra, o que achei ótimo, porque eu não estava afim de discutir sobre a repentina crise esquisita dela. A viagem até em casa também foi silenciosa, embora, vez ou outra, eu notasse que ela me encarava quase inocentemente.

— Não vai mais falar comigo? – Ela perguntou de repente, mas não me assustei. Me mantive calada, olhando para a janela, fazendo questão de não esboçar nenhuma reação. Ela não insistiu, voltando a deixar a ida pra casa silenciosa, então aquilo havia sido a única forma de interação durante todo o percurso. Quando chegamos no prédio, saí do carro sem dar a ela tempo de voltar e abrir a minha porta, como eu sabia que ela faria. Caminhei teatralmente até o elevador, com Normani me seguindo de perto, provavelmente em pânico que eu tropeçasse ou algo assim.

— Por que você não está falando comigo? – Ela insistiu assim que entramos no apartamento. Encarei-a com uma cara nada boa.

— Você foi uma idiota. Deus, Normani, por que agiu daquela forma infantil? – Perguntei, querendo que ela desse alguma desculpa que fizesse com que meu desgosto passasse. Ela fechou ainda mais a cara ao me responder:

— Não posso ter ciúmes? Só você?

— Não, não pode. Por que eu nunca te dei motivos para isso. Não foi o seu caso.

Me senti debilmente vitoriosa por deixá-la sem argumentos. Ela me encarou, claramente tentando pensar em uma boa resposta, mas tudo que se limitou a fazer, depois de alguns segundos em silêncio, foi fechar a cara.

— Não preciso de motivos para sentir ciúmes de você, Dinah. – Ela começou, mas eu a interrompi:

— Mas precisa de motivos pra agir daquela forma. Nunca mais faça isso, foi vergonhoso. – Pontuei, dando as costas para ela e indo para o quarto me deitar.

Ela não me seguiu. Depois de muitos minutos ali, sozinha, comecei a me criticar pela bronca exagerada. A crise idiota de ciúmes de Normani havia, de fato, sido não só desnecessária como embaraçosa. Mas talvez eu não precisasse ser tão dura com ela. Ela só se sentiu ameaçada. O problema foi não saber como lidar com a insegurança.

Fui tirada de meus devaneios quando, momentos depois, Normani surgiu no colchão ao meu lado, me abraçando, pedindo desculpas por ter exagerado com o seu ciúmes, se lamentando por ter me deixado irritada. Como era de se imaginar, não consegui ficar irritada com ela por muito tempo, e segundos depois eu já estava deitada contra o seu peito, como uma boba apaixonada que era.

Deixei que o clima da nossa pequena reconciliação me deixasse mole como gelatina em seus braços, não me importando com mais nada. E então, quando eu já estava aceitando o fato de querer ser agarrada por ela, Normani me cortou mais uma vez.

— Vou preparar algo para o almoço. – Ela disse, dando um beijo na minha testa, exatamente como antes.

— Mas...– Comecei, querendo entender por que ela havia jogado um balde de água fria no nosso possível momento íntimo.

— Pode ficar deitada, quando estiver tudo pronto eu te chamo.

E assim, sem mais nem menos, me deixando naquele estado deplorável, saiu do quarto. Suspirei, querendo xingá-la.

[...]

Meu terceiro mês de gravidez estava começando, e enquanto eu me preocupava unicamente com a minha barriga – que finalmente começava a dar sinais de crescimento – Normani se preocupava com absolutamente tudo: A empresa, a mudança e a gravidez.

Sua preocupação era exagerada, como eu imaginava que seria. Mas foi só na segunda-feira depois da notícia que notei que seu comportamento super protetor me daria mais dor de cabeça do que imaginava.

— O que está fazendo? – Ela perguntou, entrando pelo banheiro sem em momento algum pensar que talvez pudesse estar invadindo minha privacidade.

— Escovando os dentes? – Respondi, levantando até a altura de seus olhos a escova de dentes que eu segurava.

— Por que acordou tão cedo?

— Acordei na hora que sempre acordo...

— Exatamente. Acho que você deveria começar a acordar mais tarde, D...

Olhei-a totalmente confusa.

— Que eu saiba, o meu horário de trabalho não mudou...

— Quê? Você não pode ir trabalhar. – Ela falou um pouco desesperada, como se eu tivesse acabado de anunciar que estava indo praticar bungee jumping.

— E por que não, Manz?

Mas era claro que eu já sabia a resposta. Era a resposta-padrão, motivo de tudo a partir da sexta feira que Normani soube da notícia.

— Porque você está grávida, Dinah!

— Sim, eu sei. Mas? – Provoquei.

— “Mas”...você não pode trabalhar grávida.

— Você lembra que eu já trabalhei grávida durante dois meses, não é?

— Porque não sabíamos! Agora que sabemos, temos que fazer a coisa certa. Você e o bebê podem correr riscos.

— Me explique como é que eu posso correr algum risco arrumando livros em ordem alfabética?

— Tem escadas naquele lugar.

Bem, era óbvio que ela estava certa quanto a esse ponto. Mas eu não era idiota.

— É claro que eu não vou subir as escadas. Vou fazer trabalhos mais leves.

— Dinah, para de ser teimosa. Você vai ficar em casa.

— Eu vou trabalhar, já está decidido. Para de mandar em mim!

— Não estou mandando! Estou pedindo!

Sua voz saía esganiçada o que seria muito engraçado se não fosse assustador.

— Normani, pelo amor de Deus. É só no final da gravidez que o trabalho deve ser interrompido. E se isso não for o suficiente pra você, saiba que eu jamais colocaria o nosso filho em risco.

Ela parou, um pouco ofegante até, olhando de forma maníaca para a minha barriga.

Cheguei atrasada no trabalho aquela manhã, por diversos motivos. Primeiro, Normani insistiu para que eu levasse dois casacos, alegando que o tempo ainda estava muito frio, mesmo que já estávamos nos aproximando da primavera. Segundo, porque me fez tomar um café da manhã redobrado, dizendo que minhas energias deveriam estar a postos para o dia de trabalho. Terceiro, porque ficou insistindo em me fazer prometer, por todas as almas sagradas do universo, que eu tomaria cuidado.

Quando finalmente me deixou na biblioteca – porque, mesmo tendo que ir pelo caminho inverso ao que ela fazia todos os dias para ir ao trabalho, Normani se recusou a me deixar ir caminhando ou de táxi – ela parecia temerosa.

— Amor, vou te ligar algumas vezes durante o dia, tudo bem?

— Claro, contanto que “algumas vezes”, não seja um número anormal. – Provoquei sorrindo.

— Por favor, me atenda. Senão eu venho aqui ver o por que você não atendeu.

Eu prometi que o faria, mas minha intuição não havia falhado quando imaginei que aquilo não seria o suficiente. Por isso, antes da minha hora de ir embora, Normani simplesmente se materializou ao meu lado, sem se importar de poderia ou não estar em uma área restrita apenas para funcionário da biblioteca.

Sem cerimônias, ela foi atrás do sr. Blake, apenas para explicá-lo, teatralmente, que “ havia uma vida dentro de mim, e que por tudo, que fosse mais sagrado, eu não poderia correr risco.” O sr. Blake obviamente tentou explicá-la que o meu trabalho era tão monótono que nada poderia acontecer, mas Normani parecia estar ficando louca. Fiz uma careta atrás dela apenas para informar ao sr. Blake que não adiantava discutir com a maluca teimosa.

Seus exageros não melhoravam nem quando estávamos em casa. Agora que uma pequena barriga saliente começava a marcar as minhas roupas mais justas, Normani parecia fazer alguma associação bizarras disso com a minha alimentação, dizendo que agora eu deveria comer também em dobro. Para não ouvir reclamações, comecei a adotar o hábito de jantar pequenas porções. Era claro que ela queria que eu comesse um “elefante” no jantar, mas depois de convencê-la (aos berros, quando a minha paciência se esgotou) de quê tudo aquilo seria impossível, ela pareceu aceitar.

E dessa forma, Normani passou a ser uma verdadeira perseguidora na minha vida. Todos os dias eu recebia, pelo menos, cinco ligações suas, me perguntando se havia algo de errado ou o que eu estava fazendo no momento. Quando ficava exausta daquela perseguição, desligava o celular. Mas não adiantava, porque ela também tinha o número da biblioteca. E quando eu pedia para o sr. Blake dar qualquer desculpa para que eu não tivesse que falar ao telefone, ela simplesmente aparecia do nada, minutos depois, esbaforida pela porta principal, fazendo um drama shakespeariano.

Sua preocupação e ansiedade aumentaram ainda mais quando fomos fazer os exames passados pelo obstetra – tanto os de praxe quanto o que indicava o sexo do bebê – mesmo sabendo que os resultados só sairiam uma semana e meia depois. Eu já me sentia um pouco sufocada. Aliás, seria muito bom se Normani me sufocasse em determinados momentos.

— Humm.. – Suspirei, agarrada a ela na cama. Passava das onze da noite.

— Que foi? Quer alguma coisa? – Ela Perguntou, desviando os olhos da tv e, me encarando preocupada. Ultimamente, ela sempre me encarava daquele jeito, e aquilo estava começando a me irritar.

— Não foi nada, Normani. – Falei já meio irritada. — Só estou te abraçando.

— Ah. Mas você est...

— Eu estou ótima. Não estou enjoada. Nem com fome, nem com sede, nem com dores. Nem frio ou calor e, muito menos com sono.

— Tudo bem. – Ela falou, só para ter algo para dizer. Me agarrei a ela outra vez, encaixando meu rosto na curvatura do seu pescoço e respirando de uma forma propositalmente intensa ali. Senti-a se arrepiar de leve.

— Manz, não ficamos juntas já faz há algum tempo. – Falei, tentando recordá-la, de forma sutil, que aquele era um período sem sexo relativamente longo, e, no estado em que eu me encontrava, desesperadamente longo.

— Amor...Você sabe. – Ela começou, alisando o meu braço. — Eu ando muito atarefada com a empresa. E o tempo livre que tenho uso para arrumar aos poucos a nossa mudança, e tomar conta de você e do bebê.

— Eu sei. – Falei dando beijos suaves pela extensão do seu pescoço. — Mas não é como se você não tivesse nenhum tempo livre. Como agora...

— Hum... – Ela começou, se afastando um pouco de mim. — Eu estou um pouco cansada...Sabe, hoje foi um dia difícil.

Continuei abraçada a ela, remoendo um sentimento crescente de rejeição. Mas ao invés de ficar triste ou deprimida, me senti incrivelmente irritada.

— Você está dizendo que está cansada e que não podemos curtir um pouco o momento? – Perguntei, controlando a minha fúria.

— Estou morrendo de sono, D. – Ela falou, bocejando audivelmente. Eu tinha certeza que era falso.

Continuei encarando-a, planejando quantas formas eu poderia torturá-la. Mas depois de algum tempo, tudo que fiz foi engolir em seco e me desvencilhar dela, virando de costas e puxando o edredom todo para mim. Algum tempo depois, ouvi a tv sendo desligada e seus braços envolverem a minha cintura, sua mão tocando como sempre a minha barriga.

— Não encosta em mim. Isso provavelmente exigirá de você muita energia.

Ela pareceu não ligar para o comentário, e se aproximou ainda mais, espalmando sua mão na minha barriga. Aquele pequeno contato, mesmo que inocente, estava me incendiando. Tudo porque Normani havia decidido bancar a freira, e provavelmente estava se divertindo às custas do meu desespero sexual. Mesmo gostando de sentir sua pele, segurei sua mão com firmeza e retirei-a da minha barriga.

— D... – Ela começou, mas a interrompi.

— Estou falando sério. Se você não tem tempo ou disposição, não sou eu que vou ser o estorvo que vai te manter acordada. Bons sonhos, amor.

Pronunciei a última palavra em um tom de deboche. Ainda assim, ela não respondeu nada, apenas aceitando com um suspiro de desgosto a distância que eu havia estabelecido entre nós. Mas não adiantava.

Na manhã seguinte, seus braços estariam em volta da minha cintura e sua mão sempre estaria espalmada na minha barriga outra vez.

CONTINUA....


Notas Finais


Bom, como podem ver a Normani está surtada, e eu dou várias risadas escrevendo esses capítulos. E sim, eu dividi o capítulo em duas partes, então no caso esse capítulo tem a segunda parte, e sinceramente não sei quando eu volto, eu tô desanimada com as fanfics, mas podem ficar tranquilas que com toda a certeza eu vou finalizar essa. Mais uma vez obrigada por todos os comentários ao longo da fic, e os 200 favs, isso significa muito pra mim! Espero que continuem comentando etc como sempre peço, enfim; Erros de digitação eu corrijo depois. Até qualquer dia, carinhas. 💙


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