História É recíproco (Malec) - Capítulo 15


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Categorias As Peças Infernais, Os Instrumentos Mortais
Personagens Alexander "Alec" Lightwood, Catarina Loss, Clary Fairchild (Clary Fray), Isabelle Lightwood, Jace Herondale (Jace Wayland), James "Jem" Carstairs, Magnus Bane
Tags Malec
Visualizações 187
Palavras 4.517
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Festa, Ficção, Hentai, Lemon, Romance e Novela, Slash, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Voltei bem rapidinho, mereço até um abraço 😁😌

Capítulo 15 - Bridget


Alec se remexeu talvez pela vigésima vez, havia despertado pouco depois das três da manhã. Pensou em tomar um copo d'água, talvez o ajudasse a dormir, talvez Magnus... balançou a cabeça para espantar os pensamentos. 

Ele seguiu silenciosamente pela escada de mármore até a cozinha, como na noite anterior, estava banhada em sombras. Caminhou até a geladeira e se serviu de água. Quando se virou percebeu que estava sozinho. 

Alec se sentou no mesmo banco alto que havia sentado noite passada e bebeu a água lentamente. Nenhum sinal de que alguém apareceria. 

Isso é ridículo.

Suspirou se levantando e despejando o resto da água na pia, depois de guardar o copo, voltou para o corredor que dava nas escadas. Após passar pelas amplas janelas de vidro que permitiam que a luz do luar adentrasse o cômodo, teve a impressão de ter visto uma sombra passar rapidamente do lado de fora. 

Sabia que podia estar vendo coisas ou talvez fosse apenas um galho de árvore, mas Alec abriu a porta o mais silenciosamente possível e saiu para a noite fria do jardim. 

Lá estava ele, não muito distante, encostado desleixadamente em uma árvore, parecia segurar alguma coisa na mão direita, Alec não conseguiu discernir o que era por causa da escuridão. Enquanto se aproximava, tentou se convencer de que o que o movia era a preocupação por Magnus não estar dormindo. 

  - Faz muito tempo? - Alec se aproximou e soprou as mãos. 

  - O quê? - Magnus parecia um pouco desorientado. 

  - Que você está aqui, faz muito tempo? 

  - Desde as duas da manhã. - Ele encostou a cabeça na árvore e levou o cigarro à boca. Pelo cheiro, era maconha. 

Magnus soprou a fumaça para cima e fechou os olhos. 

  - Por que está fumando? - Alec retirou o cigarro de sua mão, o que fez o outro entreabrir um dos olhos. 

  - Achei que me ajudaria a... - Magnus parou de falar ao perceber que Alexander tragava. - relaxar. 

  - Ajudou? - Alec soprou a fumaça em círculos perfeitos. 

Magnus ergueu uma sobrancelha, o que fez Alec dar de ombros e passar o cigarro de volta. 

  - Faculdade. 

Magnus sorriu e falou: 

  - Não muito. Apenas me trouxe lembranças.  

  - Da noivinha? - Alec praticamente tomou o cigarro de Magnus que riu, quase alto demais. 

  - Não somente dela, tenho ótimas lembranças de você, de nós dois. 

  - Nós... - Alec parou de falar apenas para soprar a fumaça para o alto. - Não vamos falar nisso. 

  - Eu preciso disso mais do que você. - Magnus pegou o cigarro de volta e tragou até não restar mais quase nada. - Não sente saudades de mim? Nem um pouco? - Falou depois de um tempo. 

Alec sabia que se não fosse pela maconha ele não estaria falando tão abertamente. Magnus costumava esconder seus verdadeiros sentimentos. 

  - Eu sinto, tanto que chega a doer, tanto que me faz sentir raiva. - Alec não sabia o motivo de estar sendo tão sincero, talvez por Magnus não estar em seu juízo perfeito. 

  - Então fica comigo! - Magnus exclamou. - Só comigo e mais ninguém. Eu não suporto a forma como Mark te olha, porque eu olho para você do mesmo jeito, te desejo do mesmo jeito, mais até. Eu sinto ciúmes até quando você sorri para ele porque... Eu não consigo te fazer sorrir assim. 

  - Magnus... - Alec engoliu em seco. 

Ele deu um passo para frente e Alec recuou, apenas por instinto. 

Isso foi como um tapa para Magnus. 

  - Eu não, eu não quis... desculpe. 

  - Eu também não. - Alec se aproximou. - Vem, eu vou te levar para dentro, aqui está muito frio. 

  - Eu não preciso da sua ajuda. - Magnus falou um tanto rude. 

Ele cambaleou enquanto tentava voltar para o interior da casa. 

  - Não precisa? - Alec debochou. 

  - Cala a boca e me ajuda. - Magnus abriu os braços como uma criança e Alec se colocou ao lado dele, o apoiando e evitando que ele caísse. 

Os dois caminharam com dificuldade até a casa, subir as escadas foi quase um trabalho hercúleo, Magnus era pesado e Alec quase não conseguia fazer com que ele subisse um degrau sem tropeçar. Também foi difícil fazer com que o mais velho parasse de rir escandalosamente. 

  - Magnus, vamos fazer assim, se você parar de rir eu deixo você me comer. - Alec sussurrou na metade da escada. - Na hora, no local e na posição que você quiser. 

Magnus o encarou estupefato. 

  - Está falando sério? - O ar risonho parecia ter evaporado apesar das palavras ainda saírem enroladas. 

  - Sim, eu estou. Agora vamos. - Alec o incentivou a continuar subindo. 

Espero mesmo que você não lembre. 

Eles finalmente chegaram no corredor e Alec praticamente arrastou Magnus para o quarto dele. Ele ainda estava com o pijama de seda de mais cedo então não precisou ajudá-lo a trocar de roupa. 

Graças ao Anjo, eu não sei o que faria se tivesse esse corpo nu em minhas mãos novamente.

Alec apenas tirou os chinelos de Magnus e o ajudou a deitar na cama, depois de cobri-lo, apagou a luz do abajur e ia se afastar, mas Magnus segurou em seu pulso. 

  - Fica. 

  - Eu não posso, você sabe. 

  - Só até eu dormir, por favor. - A voz dele estava arrastada, Magnus parecia tão cansado. 

  - Tudo bem, mas eu vou ficar sentado. - Alec sentou e se encostou na cabeceira da cama. 

Magnus assentiu e ainda deitado, abriu os olhos brevemente. 

  - Eu quero fazer isso dar certo, sabe, nós. - Magnus murmurou e Alec não teve certeza se estava respirando. 

  - O quê? - A pergunta não passou de um sussurro. 

  - Eu abro mão de um casamento, Alexander, de uma noiva, do respeito da minha mãe, de tudo por você. - Magnus parecia estar quase dormindo, sua voz ia diminuindo gradativamente. 

  - Não quero que abra mão de nada, não quero que perca o respeito da sua mãe, eu também não quero perder, sinto muito Magnus mas eu não posso aceitar. 

  - Tire um tempo para pensar antes de me dar uma resposta. - Magnus entrelaçou a mão na de Alec e o puxou para perto, *muito* perto. 

  - Magnus... 

  - Um beijo, Alexander, é tudo o que eu peço. - Magnus suplicou e Alec não conseguiu negar. 

O beijo foi lento, calmo, não havia aquela pressa característica, não havia a intenção de tirar a roupa, a intenção não era excitar, talvez consolar, era quase triste, como uma espécie de despedida. 

  - Eu estou muito chapado. - Magnus riu assim que Alec se afastou. 

  - Sim, você está. - Alec sorriu também. - Agora dorme. 

Com a mão ainda entrelaçada à de Alec, Magnus fechou os olhos e pouco tempo depois estava dormindo. 

  - Dorme com os anjos, meu amor. - Alec beijou a bochecha de Magnus e saiu do quarto pouco depois das quatro e meia da manhã.  

Quando Alec sentou, algumas horas depois, para tomar chá com Josephine, Magnus não estava presente. 

Será que ele ainda está dormindo? Ou será que foi trabalhar mais cedo?

Alec torcia fervorosamente para que Magnus ainda estivesse dormindo. 

Sua suspeita se confirmou assim que o moreno apareceu, alguns minutos depois, radiante. 

Magnus parecia bem mais disposto que no dia anterior. 

  - Mamãe. - Ele beijou a bochecha de Josephine que ergueu as sobrancelhas, surpresa. 

  - Não que eu não ache satisfatória a sua alegria mas, por quê? - Ela perguntou. 

  - Eu apenas tive uma ótima noite de sono. 

Alec percebeu que Magnus evitou olhá-lo. 

  - Fico feliz que não esteja parecendo um zumbi pela manhã. - Jo voltou a tomar seu chá e Alec, rindo discretamente, fez o mesmo. 

Magnus apenas fez uma careta e começou a se servir. 

Os três comeram em um silêncio agradável até que Magnus saísse. 

  - Então, tem alguma ideia do que quer fazer? - Alec comentou. 

  - Eu, por incrível que pareça, quero pintar, o livro que você me deu. 

Josephine estava quase se escondendo atrás da xícara de chá. 

Ela revirou os olhos diante a risada de Alec. 

  - Quer dizer que a senhorita gostou de colorir o livro? Mas não era infantil e bobo? 

  - Tanto que estou considerando jogá-lo na sua cabeça. - Ela retrucou. 

Alec gargalhou. 

  - Você pode pintar, depois que tomar seu remédio. 

  - Eu não sabia que tinha oito anos. - Josephine pegou um croissant.

  - Se tivesse cuidado da própria saúde não precisaria ser tratada assim. 

  - Você é um jovenzinho bastante petulante, não sei por que te aturo. - Ela não olhou para Alec. 

  - Porque você me ama. - Alec bateu os cílios dramaticamente. 

  - É a cruz que eu carrego, é tão difícil ser uma pessoa boa hoje em dia. - Josephine riu. 

  - Apesar de você parecer a Mary Poppins na menopausa, eu também te amo. - Alec falou docemente. 

Foi a vez de Josephine gargalhar.

.

.

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Felizmente para Magnus, ele não havia esquecido nada da noite anterior como frequentemente acontecia quando fumava maconha. O que havia rendido muita distração no trabalho, James havia o chamado mais de quatro vezes para lhe tirar de seus pensamentos. 

  - Eu desisto. - O secretário praticamente se jogou na cadeira à frente de Magnus. - É a quarta vez que eu falo o que está agendado para hoje mas o senhor parece não me escutar. - Jem suspirou. 

  - É que aconteceram algumas coisas noite passada... 

  - Eu sei que o senhor está próximo do senhor Lightwood mas isso não facilita em nada o meu trabalho. 

  - Às vezes eu esqueço que você é meu espião.- Magnus sorriu. - Quer que eu te conte o que aconteceu? 

  - Se isso for deixá-lo mais concentrado... 

  - Não vai, mas eu preciso falar disso com alguém e Sorrel está ocupada demais com as bruxas que se dizem irmãs dela. 

  - Eu acho o relacionamento de vocês tão estranho... - James comentou o mais informal que Magnus já havia o visto falar. 

  - Todo mundo acha. - Magnus dispensou o comentário com um aceno de mão. - A questão é que eu estou conseguindo me aproximar de Alexander, tenho até esperanças de que ele vá me perdoar. 

  -  Achei que o senhor só quisesse informações por ele ser o enfermeiro da sua mãe. 

  - Se você pensa assim então não é tão inteligente quanto parece. - Magnus sorriu com falsa inocência. 

  - Imaginei que fosse algo mais complicado, ninguém mantém esse tipo de interesse por tanto tempo se não for algo extremamente íntimo e pessoal.

  - Me sinto mais tranquilo por saber que fiz uma boa escolha contratando você. 

Jem revirou os intensos olhos cinza. 

  - O senhor mencionou "perdão", seria indiscrição perguntar o que aconteceu? 

  - Sim, seria - Magnus deu pequenas batidinhas com um lápis na mesa. - Mas eu vou contar assim mesmo. 

"Em um resumo breve, Alec descobriu que eu estava noivo, continuou comigo por um tempo, por insistência minha, decidiu que queria acabar com tudo de vez, mas eu continuei insistindo até que ele me deu um ultimato: ou ficava somente com ele e desistia de Sorrel, ou nunca mais o teria, você já deve imaginar o que eu escolhi..."

  - Pela forma como o senhor corre atrás dele feito um cachorrinho, eu imagino. 

  - Você  parece um inglês educado. - Magnus apontou o lápis para James e ele riu. 

  - O que pretende fazer agora? 

  - O que eu já deveria ter feito, desistir de tudo por ele. Deixei claro isso ontem mas ele não aceitou. - Magnus desviou os olhos para a imensa janela em sua sala. 

  - Sinto muito. - James parecia triste.

  - Eu mais ainda. - Magnus sorriu. - Mas dizem que você colhe o que planta, eu nunca me preocupei com o que ia colher porque nunca tive que plantar, havia pessoas que faziam isso por mim, então... talvez seja minha primeira grande lição na vida. 

  - Lamento por ter sido tão tarde mas, antes tarde do que nunca. - Jem sorriu e se levantou. - Estou aqui para o que precisar senhor Bane, e não falo só do trabalho. 

  - Eu sei James, eu sei. - Magnus também sorriu. 

  - O senhor ainda vai almoçar na casa da senhora Bane hoje? - Jem falou um pouco hesitante antes de sair. 

  - Sim, por quê? 

  - Posso lhe acompanhar? 

  - Por quê? - Magnus insistiu. 

  - Desejo visitar uma amiga. - Ele abaixou um pouco a cabeça. 

  - Eu já estava curioso para saber quem é a mulher misteriosa que vai ganhar aquele vestido. 

  - Não vai se decepcionar, garanto. - Jem levantou a cabeça e sorriu. 

  - Não duvido do seu bom gosto James, afinal, você trabalha para mim. - Magnus devolveu o sorriso mas com um toque de malícia. 

  - Os seus elogios fazem eu me sentir tão especial. - Jem se virou para sair. 

  - O que deu em você hoje? Está tão não James. - Magnus se recostou na cadeira e estreitou os olhos para o secretário. 

  - O senhor me mostrou uma parte sua hoje que eu não conhecia, estou retribuindo o favor. 

  - Então quer dizer que todo aquele tratamento formal era só fachada? Vai passar a me chamar de Magnus? 

  - Em parte e, não,  isso não vai mudar. - James se recostou na porta. 

  - Sai da minha sala James. - Magnus apontou o indicador para a porta. 

Rindo, Jem falou: 

  - Como quiser, senhor. 


  - Theresa Gray. - Magnus pronunciou as palavras lentamente, como se saboreasse cada sílaba. 

Tessa ergueu a cabeça de onde estava sentada almoçando. 

  - Deseja algo, senhor? - Ela perguntou. 

  - Se eu não fosse noivo desejaria, muitas coisas. - Rubor se espalhou pelo rosto da mulher mas ela continuou o encarando. - Há alguém lhe esperando lá fora. 

  - Peço licença. - Tessa se levantou ainda vermelha. 

  - Toda. - Magnus estalou a língua. 

Não muito distante Alec o observava com os olhos semicerrados. 

Ciúmes? Se eu tiver sorte...

Magnus apenas ofereceu um sorriso preguiçoso em resposta.

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Não muito tempo depois do almoço Alec procurou por Josephine. Ragnor estava na porta do quarto dela, como quase sempre. 

  - Você seria um perfeito vigia. - Alec comentou. 

  - Não gosto de deixar minha senhora sozinha, ela tem a saúde frágil, pode precisar de mim. 

  - Você é um bom amigo, Ragnor. - Alec bateu amistosamente no ombro do mordomo. 

  - Eu sei. - Ragnor resmungou, Alec revirou os olhos azuis antes de bater brevemente na porta do quarto e entrar depois da permissão de Jo. 

  - Vai a algum lugar? - Alec ergueu uma sobrancelha antes de sentar em uma das poltronas dispostas pelo quarto. 

  - Não, estou esperando alguém. - Josephine se olhou em um espelho tão grande quanto Alec. 

  - Seria um cavalheiro? - Um sorriso malicioso se formou na boca do enfermeiro. 

  - Não, seria uma dama. 

  - Ah. - O sorriso sumiu tão rápido quanto surgiu. 

  - Decepcionado? - Josephine se virou para Alec, ela estava deslumbrante em um vestido de veludo verde oliva. 

  - Um pouco. As coisas por aqui andam tão entediantes. - Alec fez um muxoxo. 

  - Não vai se divertir às minhas custas. - Jo resmungou. - Procure outra coisa que o mantenha distraído. 

  - Eu vou tentar. - Alec levantou e estendeu o braço para a patroa. - Me permite acompanhá-la até o andar debaixo? 

  - Posso apresentá-lo a minha amiga, creio que vai gostar dela. 

  - Seria uma honra. - Alec sorriu. 


  - Bridget! - Josephine abraçou entusiasticamente uma jovem de cabelos castanhos. - Fico feliz que sua mãe tenha lhe trazido.  

  - Eu precisei convencê-la. - A garota que parecia um pouco mais nova que Alec sussurrou para Jo. 

  - Não importa quanto tempo passe, Ravena nunca deixa de ser ranzinza. - Josephine retrucou e a aparente amiga torceu a boca, mas parecia estar se divertindo. 

  - Bom saber que você continua a mesma chata de sempre. - Ravena exclamou e abraçou Josephine logo depois da filha. 

  - Esse é meu enfermeiro, Alexander. - Jo o apresentou assim que se afastou da amiga. 

  - É um prazer conhecê-las. - Alec sorriu e estendeu a mão para a mais velha mas a mulher o puxou para um abraço, a filha foi mais contida. 

Eles se sentaram e começaram a beber o chá e comer biscoitos, rapidamente Alec percebeu que Ravena era divertida, entendeu porque ela e Josephine eram amigas, elas compartilhavam do mesmo humor e gostavam de praticamente as mesmas coisas.

Já Bridget parecia esperar o momento certo para sair dali sem que parecesse grosseria. 

  - Eu vou ao banheiro, volto logo. - A jovem pediu licença e rapidamente sumiu da varanda. 

Poucos segundos depois Alec também pediu licença alegando a mesma desculpa.

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Magnus se demorou um pouco mais na casa da mãe, James ainda estava com Tessa, aonde quer que fosse e sua agenda estava quase vazia na parte da tarde. 

Ele havia descido as escadas apenas para beber água quando alguém o puxou para um canto mais afastado do corredor. 

Torcia fervorosamente para que fosse Alec mas o toque não era firme como o dele, o perfume, desconhecido e as mãos, finas e delicadas. Camille lhe passou pela cabeça mas apesar dos olhos serem do mesmo tom de verde, os cabelos não eram loiros. 

  - Ah, é você. - Magnus suspirou. 

  - Sentiu saudades? 

  - O que faz aqui Bridget? 

  - Vim com a minha mãe, queria te ver. 

  - Quantas vezes eu... - Magnus se interrompeu ao pensar no que Clary havia lhe dito. 

Você não precisa corresponder, apenas não a afaste.

  - É mesmo? - Magnus completou a frase, apesar das palavras, seu rosto permanecia inexpressivo. 

  - Ainda sou louca por você, desde os meus dezessete anos. - A jovem se aproximou, o dedo indicador se prendeu ao passador da calça de Magnus. 

Ele olhou para baixo e sorriu. 

  - Você ainda é uma garota, devia procurar alguém da sua idade. 

  - Eu já tenho vinte agora, sou de maior. Nada impede de ficarmos juntos. - Seu tom era suplicante, ela puxou Magnus até que o corpo dele estivesse colado ao dela. 

  - Eu estou noivo e não trairia a minha noiva com você. - Ela fez um pequeno bico mas sorriu logo em seguida. 

  - Não vai se arrepender se o fizer. 

  - Agradeço a oferta, mas eu passo. - Magnus tentou se afastar mas ela colocou outro dedo no passador do lado oposto. 

  - Eu peço apenas uma... 

  - Ele já disse que não está interessado. - O tom cortante de Alec a interrompeu. 

A garota apenas o olhou com irritação. Os dedos dela ainda mantinham Magnus preso no lugar. 

  - Eu posso... - Alec os retirou da calça de Magnus bruscamente. - Falar com você? 

Ele olhou para Magnus que assentiu rapidamente. 

  - Claro. 

Então eles subiram as escadas deixando Bridget estupefata no corredor. 

Assim que entraram no quarto de Magnus, Alec disparou: 

  - Que porra você estava fazendo?! 

Magnus contraiu os lábios para evitar sorrir. 

  - Nada. 

  - Vai me dizer que o que eu vi não foi nada? Vocês estavam praticamente se esfregando!  - Alec se aproximou. 

  - Ela que veio atrás de mim! Eu não fiz nada. - Magnus levantou as mãos. 

  - Se eu não tivesse interrompido vocês, teria beijado ela? 

  - Não! Você mesmo ouviu quando eu a dispensei. 

  - Por que eu não acredito em você? - Alec se virou. 

  - Porque eu nunca dei motivos para que acreditasse. - Magnus se aproximou. 

  - De fato. 

  - Você está com ciúmes? - Magnus virou Alec de modo que ele o encarasse nos olhos. 

  - Não. - Ele desviou os olhos azuis dos verde-dourados. 

  - Por que não diz isso olhando nos meus olhos? 

  - Não posso. - Alec resmungou ainda olhando para o lado. 

  - Por quê? - Magnus sorriu. 

  - Porque estou com ciúmes. 

  - Eu sei. - Magnus o abraçou mas Alec não correspondeu. 

  - Então por que me obrigou a falar? 

  - Queria ouvir da sua boca. 

  - Canalha.

Magnus sorriu.

Segurou o rosto de Alec nas mãos e o beijou delicadamente mas ele logo se afastou.   

  - Você ainda está com o cheiro dela. - Alec franziu o nariz e cruzou os braços.

  - Tudo bem, eu posso resolver isso. - Magnus desabotoou a camisa e a atirou no chão. - Está melhor assim? 

Alec perdeu o fôlego.

  - Não, o perfume dela ainda deve estar na sua calça.

Magnus sorriu e só havia malícia naquele sorriso.

  - Não seja por isso. - A calça foi para o chão tão rápido quanto a camisa.

Os olhos azuis queimaram sobre o corpo moreno. Alec o olhou com volúpia, de cima a baixo, se demorando mais em algumas partes do que em outras. 

Magnus não esperou que ele falasse nada, apenas o beijou com urgência. Quando Alec entrelaçou as pernas na cintura de Magnus em busca de mais contato, ele perdeu o pouco autocontrole que tinha. 

  - Incrível como você faz meu corpo arder de desejo com apenas alguns toques. - Magnus deitou Alec na cama. 

  - Você faz a mesma coisa comigo. - Alec o olhou. 

  - Então por que você ainda está todo vestido? - Magnus sentou sobre uma parte bastante sensível de Alec. 

  - Porque eu... Ah Magnus. - Alec gemeu. - Eu tenho que voltar. 

  - Baby, você não pode me deixar assim. - Magnus roçou seu corpo no de Alec para que ele entendesse em que situação se encontrava. 

  - A Jo pode estranhar o meu sumiço Magnus. 

  - Apenas mais um beijo. 

Apesar do revirar de olhos, Alec cedeu. 

Magnus aproveitou o tempo que tinha para passar as mãos pelo corpo pálido, além de fazer Alec se contorcer com movimentos firmes do quadril. 

  - Promete que não vai mais ver aquela garota? - Alec falou assim que Magnus se afastou. 

  - Prometo. - Magnus sorriu. 

Depois que Alec saiu Magnus estava quase esperançoso.

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Quando Alec voltou Bridget estava sentada como se não tivesse tentado agarrar o filho de Josephine há poucos minutos atrás. 

Os dois trocaram um olhar atravessado mas Alec se forçou a prestar atenção na conversa e não muito tempo depois as duas foram embora. 

Agora os três jantavam em um completo silêncio, mas não um silêncio desconfortável. 

  - Gostou da minha amiga? - Jo quebrou o silêncio e se virou para Alec. 

  - Sim, Ravena é adorável. - Ele não estava mentindo. 

  - Achei que pudesse fazer amizade com Bridget, ela parece ser tão sozinha. - Jo continuou. 

Deve ser porque ela é uma vadiazinha atirada.

  - Eu tentei mas ela não pareceu gostar de mim. - Alec sorriu como se lamentasse. 

  - Estranho. - Jo o olhou. 

  - É. - Alec voltou a comer.

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Magnus se deitou para assistir um filme com Josephine mais tarde naquela noite. 

  - Foi ótimo o que você fez por Alexander noite passada mas não quero você de implicância com o meu enfermeiro. - Josephine se virou para Magnus.

  - Não vai mais acontecer. - Magnus também a olhou. 

  - Eu não admito que nenhum funcionário meu seja humilhado, com ou sem motivos. 

  - Eu já pedi desculpas mamãe, eu fui um idiota, nós conversamos e nos entendemos. 

  - Eu espero mesmo que você não tenha esquecido de tudo o que lhe ensinei até agora Magnus Bane. 

  - Alguma coisa deve ter ficado mamãe. 

  - Para o seu próprio bem, é bom que tenha. 

  - A senhora vai me dar sermão agora? 

  - Agora e por quanto tempo eu ainda viver e você não tem o direito de reclamar. 

  - Sim senhora. - Magnus permaneceu calado.

  - Apesar de tudo, todo mundo comete erros e você já se desculpou. Quer jantar comigo qualquer dia desses, só nós dois? 

  - Nada me faria mais feliz. 

  - Lembrei que preciso levar Alexander, você sabe, caso a morte queira me reivindicar.

  - Meu Deus, mamãe, a senhora pode ser menos mórbida? 

Josephine gargalhou. 

  - Não, não posso. - Ela abraçou o filho e ele retribuiu. 

  - Estou perdoado? 

  - Você sabe que sim. Quem é o meu bebê? 

  - Eu? - Magnus sorriu como uma criança. 

  - Exato.

.

.

.

Alexander acordou com olhos verde-dourados lhe encarando. Ele se assustou tanto que quase caiu da cama, se não fosse pela mão de Magnus em sua boca com toda a certeza teria acordado todos da casa. 

  - O que aconteceu hoje mais cedo, não vai se repetir. Se veio por isso, pode ir embora. 

  - Fala baixo. - Magnus sussurrou. - Apesar de desejar a todo momento seu corpo sob o meu, suando e gemendo, eu vim apenas para ter uma ótima noite de sono.

  - O quê? - Alec o olhou, confuso.

  - Eu percebi - Magnus sentou na cama. - Que depois que você ficou comigo, eu dormi mais do que venho dormindo há dias. 

  - Deve ter sido apenas coincidência, você estava chapado. - Alec passou a mão no rosto em um gesto impaciente. 

  - Vamos fazer assim: eu passo essa noite aqui e se não der certo eu não te procuro mais. 

  - Não podemos, se alguém entrar... 

  - Eu tranquei a porta do meu quarto e do seu. 

  - Há quanto tempo você está planejando isso? - Alec estreitou os olhos. 

  - Não faz muito tempo. - Magnus deitou. 

  - Só quero que saiba que nada mudou, não estamos juntos e nem vamos ficar. - A voz de Alec diminuiu até que não passasse de um murmúrio. 

  - Eu falei sério ontem. Quero ficar com você, só com você. - Magnus se virou de modo que pudesse observar Alec. 

  - E a minha resposta continua a mesma, não tinha percebido que estava sendo egoísta, não quero que perca sua mãe ou o respeito dela. 

  - Talvez ela entenda Alec, ela gosta tanto de você. 

  - Porque ela não sabe que eu me deitava com você mesmo sabendo que tinha uma noiva, que eu desejo seus beijos e abraços, que eu finjo que não te conheço mas tudo o que quero é estar com você. 

  - Eu vou falar com ela. 

  - Não, você não vai. Eu vou pedir demissão assim que tiver certeza que ela está bem. 

  - Você... o quê? - Se Alec tivesse estapeado Magnus ele não teria ficado tão surpreso. 

  - Eu não posso mais continuar aqui fingindo, mentindo para ela, eu não consigo suportar. 

  - Ela ama você Alexander, você tem noção do quanto vai magoá-la? 

  - Eu vou pensar em uma boa desculpa, eu a magoaria mais se ela descobrisse sobre nós. 

  - Mas e como eu fico? Não tenho o direito de escolher também? 

  - Você já escolheu Magnus, escolheu a Sorrel há muito tempo. Deve ter tido um bom motivo. 

  - Não parece mais tão importante agora. 

  - Agora é a minha vez de decidir. Boa noite. - Alec se virou de costas. 


Notas Finais


Eu amei a Bridget e vocês? 😆😆

P.S: desculpem pelos erros que devem ter passado.


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