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História E se? - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Essa "história" foi para um trabalho realizado pelo meu professor na faculdade e ele deixou a forma livre, então, cá estamos.
Faz dois anos que ja escrevi essa história e nunca arranjei coragem para postar ou mostrar para alguém (além de pessoas muito proximas).
Não permito cópia parcial ou integral dela. Plágio é crime, meus amores.
Capa é a foto de Desh Kapur e se chama "Beggar in the street"

Capítulo 1 - Capítulo Único


Se ele pudesse contar sua vida em um piscar de olhos?

Pisca lentamente, sente a ponta de seus dedos adormecida devido ao frio e olha para aquele trapo de cobertor que compartilha com Rafael - ou talvez seja esse seu nome -, seu companheiro de “quarto”, se um pequeno colchão, em estado deplorável e tão fino quanto aquele cobertor, tivesse a capacidade de ser chamado assim. Seu companheiro já tinha partido, não afirma com certeza se ele voltaria esta noite depois de um dia todo em busca de algum trocado por aí. E se fosse um dia tão bom que ele passaria a noite em claro apreciando alguma droga em um beco qualquer?

Pisca novamente, afastado de seu confortável lar e com altas chances de não estar lá quando voltasse, é necessário para o início de seu dia. Sua rua é perto dali, uma das vantagens de ser um morador de rua há tanto tempo é ter seu próprio ponto, seus conhecidos tinham preferência (por cada um pelo seu) e sabiam que ali é o seu lugar. Em frente a uma pequena loja, agora fechada, perto de um sinaleiro e longe o suficiente dos restaurantes para não ser enxotado, ali é perfeito. E se recebesse aquela esmola tão sonhada para comprar alguma comida boa ou até repor seu tão misero estoque de cigarro, quase ao fim?

Pisca, xinga-se mentalmente por ter esquecido seu cobertor com seu colchão, sente suas mãos tremendo com a leve chuva que tomara. O sinaleiro fechado em horário de pico é sua salvação do dia, todavia esse frio e a chuva deixam os motoristas impacientes, um dia certamente ruim. Sua roupa está levemente molhada, aquele casaco doado para si por um gentil transeunte é sua maior fonte de calor no momento e envolve seus braços ao redor do seu corpo, buscando um calor naquela roupa fria pela chuva. E se frio fosse apenas psicológico?

Pisca incrédulo, um pequeno menino parado a sua frente e o observando, certamente não é acostumado com atenção voltada a si. Pergunta a si mesmo se é por causa do seu cheiro, nada agradável para pessoas de vidas serenas e banhos regulares. Talvez suas vestes? Tirando aquele casaco até consideravelmente novo em comparação ao resto, este resto está nos limites do tecido e de sua existência. Jamais saberia a resposta de suas dúvidas devido à presença de um possível parente daquela criança, arrastando-o para longe de todo seu ser. Se vivesse serenamente e rodeado de parentes, teria feito o mesmo nessa situação?

Pisca tentando desembaçar sua vista, aquele livro em suas mãos, desgastado pelo uso e o tempo, talvez seja seu único amigo. Incapaz de compreender todas palavras contidas nele e diversos desenhos para o ajudar em sua falha em alfabetização, o pouco que sabia ler é o resquício de seu ensino fundamental até a quarta série e foi há muitos anos atrás, deixando sequelas em sua leitura. Mas aquele livro é simples e cheio de figuras, sabia de cor cada palavra escrita nele por ser sua única leitura de anos, pois jornal continha fotos até interessantes, mas as palavras ficam confusas e logo desistia, voltando para seu pequeno livro, simples e a seu gosto. Somente ele e este livro esperando pelo fim de uma chuva para voltar para casa. E se a imaginação de sua mente concretizasse uma de suas vontades, nem que a mais simples?

Pisca, desconcertado devido a toda a situação, seu estômago reclama de fome diante daquele restaurante de cheiros tão deliciosos e desconhecidos. Pergunta-se quais seriam as comidas a serem servidas ali e quais gostaria de provar só pelo nome... Talvez filé à parmegiana ou até uma polenta, qualquer coisa aceitaria depois de um dia como esse. E tão desconcertado, recebe as sobras de um casal de clientes desse restaurante, um pouco de arroz e uma asinha de frango. É muito mais do que o suficiente. E se as suas escolhas no passado tivessem sido melhores para que esse momento se tornasse mais comum?

Pisca lentamente mais uma vez este dia, deitado encolhido no colchão com sua coberta, a tão quente coberta, agradecendo por estar seca e não ter sido roubada na sua ausência. O dia certamente não fora um de seus melhores, apesar daquela pequena refeição dada pelo casal, teme pelo que comer no dia seguinte, assim como nos futuros. Olha para dentro da caixa de cigarro, o ultimo do maço e num suspiro pesado, acende-o, olhando para todos a sua volta, deitados para dormir numa noite fria como essa. E se...

Talvez não tenha um “e se” para ele, talvez tenha apenas a realidade.


Notas Finais


Tchauzinho.


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