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História E se eles voltassem - Drarry - Capítulo 2


Escrita por: niclovegoodluna

Notas do Autor


Voltei
Espero que gostem dessa merda

Capítulo 2 - O grande erro de tia Guida


Fanfic / Fanfiction E se eles voltassem - Drarry - Capítulo 2 - O grande erro de tia Guida

Harry desceu para o café da manhã no dia seguinte e já encontrou os Dursley sentados na mesa. Estavam todos assistindo a televisão nova, um presente de boas-vindas para as férias-de-verão-em-casa de Duda, que andara se queixando, em vozes altas, sobre a grande distância entre a geladeira e a televisão da sala. Duda passara a maior parte do verão na cozinha, comia sem parar.

Harry sentou-se entre o tio e o primo; longe de desejarem a Harry um feliz aniversário, os Dursley não deram sinal de que repararam na sua chegada a cozinha, mas Harry estava acostumado demais para se importar. Serviu-se de uma fatia de torrada e em seguida olhou para o repórter na televisão, que já ia adiantando na transmissão de uma notícia sobre um fugitivo da prisão.

“... alertamos os nossos telespectadores de que Black está armado e é extremamente perigoso. Se alguém o avistar deverá ligar para o número do plantão de emergência imediatamente.”

– Nem precisa dizer quem ele é – riu-se Válter, espiando o prisioneiro que estava mostrando no jornal. – Olhem só o estado dele, a imundice do desleixado! Olhem o cabelo dele!

E ele lançou um olhar maldoso a Harry, cujos cabelos despenteados sempre tinham sido uma fonte de aborrecimento ao tio.

Porém, comparado com o homem da televisão, Harry se sentiu muito bem penteado.

O repórter reaparecera.

“O Ministério da Agricultura e da Pesca irá anunciar hoje...”

– Espere aí! – berrou Válter, olhando violentamente para o repórter. – Você não disse de onde esse maníaco fugiu! De que adiantou o alerta? O louco pode estar passando na minha rua neste exato momento!

Tia Petúnia virou-se depressa e espiou com atenção pela janela da cozinha. Harry sabia que a tia adoraria ligar para o telefone do plantão de emergência. Era a mulher mais bisbilhoteira do mundo e passava a maior parte da vida espiando os vizinhos.

– Quando é que eles vão aprender – exclamou Válter, batendo na mesa com um punho – que a força é a única solução para gente assim?

– É verdade – concordou Petúnia, que ainda procurava ver alguma coisa por entre a trepadeira do vizinho.

Válter terminou de beber a xícara de chá, deu uma rápida olhada no relógio de pulso.

– É melhor eu ir andando, Petúnia. – disse ele – O trem de Guida chega às dez.

Harry, cujos pensamentos andavam no andar de cima com o Estojo para manutenção de vassouras, foi trazido de volta à terra com um tranco desagradável.

– Tia Guida? – ele deixou escapar. – É... ela não está vindo para cá, está?

Guida era irmã de Válter. Mesmo não sendo parente de sangue de Harry (cuja mãe era irmã de Petúnia), ele sempre foi obrigado a chamá-la de “tia”. Guida morava no campo, em uma casa com um grande jardim, onde criava buldogues. Raramente visitava a rua dos Alfeneiros, porque não suportava a ideia de se separar de seus preciosos cachorros, mas cada visita permanecia horrivelmente nítida na cabeça de Harry.

No quinto aniversário de Duda, Guida tinha dado umas bengaladas nas canelas de Harry para impedi-lo de vencer o primo em uma brincadeira. Alguns anos depois do acontecido, ela apareceu no Natal trazendo um robô computadorizado para Duda e uma caixa de biscoitos de cachorro para Harry. Na última visita, um ano antes de Harry entrar para Hogwarts, ele pisara sem querer o rabo do cachorro favorito de Guida. Estripador perseguira Harry até o jardim e o acuara em cima de uma árvore, mas Guida se recusara a recolher o cachorro até depois da meia-noite. A lembrança desse incidente ainda produzia lágrimas de riso nos olhos de Duda.

– Guida vai passar uma semana aqui – rosnou Válter, sem paciência – e enquanto estamos nesse assunto – ele apontou um dedo ameaçador para Harry – precisamos acertar algumas coisas antes de eu sair para apanhá-la.

Duda deu uma risadinha leve e silenciosa, e se virou para Harry. Adorava assistir Harry ser maltratado pelo seu pai.

– Em primeiro lugar – rosnou Válter –, você vai falar com bons modos quando se dirigir a Guida.

– Tudo bem – disse Harry, seco –, se ela fizer o mesmo quando se dirigir a mim.

– Em segundo lugar – continuou Válter, fingindo não ter ouvido sua resposta –, como Guida não sabe nada da sua anormalidade, não quero nenhuma... nenhuma gracinha enquanto ela estiver aqui. Você vai se comportar, está me entendendo?

– Eu me comporto se ela se comportar – retrucou Harry entre dentes.

– E em terceiro lugar – disse ele, seus olhos miúdos cheios de maldade –, dissemos a Guida que você frequenta o Centro St. Brutus para Meninos Irrecuperáveis.

Quê? – berrou Harry.

– E você vai sustentar essa história, moleque, ou vai se dar mal – cuspiu Válter.

Harry ficou sentado ali, o rosto branco e furioso, virado para Válter, sem conseguir acreditar no que ouvia. Guida vinha fazer uma visita de uma semana – era o pior presente de aniversário que os Dursley já lhe tinham dado, incluindo nessa conta o par de meias velhas do tio.

– Bom, Petúnia – disse Válter, levantando-se –, vou indo para a estação, então. Quer me acompanhar para dar um passeio, Dudoca?

– Não – respondeu Duda, cuja atenção se voltara para a televisão agora que o pai acabara de ameaçar Harry.

– O Dudinha tem que ficar elegante para receber a titia – disse Petúnia, alisando os cabelos louros do filho. – Mamãe comprou para ele uma linda gravata-borboleta.

Válter deu uma palmadinha no ombrão de porco de Duda.

– Vejo vocês daqui a pouco, então – disse ele, e saiu em passos lentos e pesados da cozinha.

Harry teve uma ideia repentina. Abandonando a torrada, se levantou depressa e acompanhou Válter até a saída.

– Eu não vou levar você – rosnou ele ao se virar e ver Harry observando-o.

– Como se eu quisesse ir – disse Harry friamente. – Quero lhe perguntar uma coisa.

O tio mirou-o desconfiado.

– Os alunos do terceiro ano em Hog... na minha escola às vezes têm permissão para visitar o povoado próximo – disse ele.

– E daí? – retrucou Válter, tirando as chaves do carro de um gancho próximo à porta.

– Preciso que o senhor assine o formulário de autorização – disse Harry depressa.

– E por que eu iria fazer isso? – perguntou ele com desdém.

– Bom – respondeu Harry, escolhendo cuidadosamente as palavras –, vai ser duro fingir para tia Guida que eu frequento o Saint não sei das quantas...

– Centro St. Brutus para Meninos Irrecuperáveis! – berrou tio Válter, e Harry ficou satisfeito de ouvir uma inconfundível nota de pânico em sua voz.

– Exatamente – disse ele, encarando com toda a calma o rosto púrpura do tio. – É muita coisa para eu me lembrar. Tenho que parecer convincente, não é mesmo? E se eu, sem querer, deixar escapar alguma coisa?

– Vou fazer picadinho de você, não é mesmo? – rugiu Válter, avançando para Harry com o punho levantado. Mas Harry aguentou firme.

– Fazer picadinho de mim não vai ajudar tia Guida a esquecer o que eu poderia contar a ela – disse em tom de ameaça.

Válter parou, o punho ainda levantado, a cara de uma feia cor marrom-arroxeada.

– Mas se o senhor assinar o meu formulário de autorização – apressou Harry a acrescentar –, juro que vou me lembrar da escola que o senhor diz que frequento, e vou me comportar como um trou... como se fosse normal e todo o resto.

Harry percebeu que o tio estava considerando a proposta, mesmo que seus dentes estivessem arreganhados e uma veia latejasse em sua têmpora.

– Certo – disse por fim. – Vou vigiar o seu comportamento muito de perto durante a visita de Guida. Se, quando terminar, você tiver andado na linha e sustentado a história, eu assino a droga do formulário.

E, dando meia-volta, abriu a porta e bateu-a com tanta força que uma das vidraças no alto se soltou.

Harry não voltou à cozinha. Subiu as escadas e foi para o quarto. Se ia se comportar como um trouxa de verdade, era melhor começar já. Devagar e com tristeza, reuniu seus presentes e cartões de aniversário e escondeu-os debaixo da tábua solta do soalho com os deveres de casa. Depois, foi até a gaiola de Edwiges. Errol parecia ter-se recuperado; ele e Edwiges estavam dormindo, com a cabeça enfiada embaixo da asa. Harry suspirou e cutucou as corujas para acordá-las.

– Edwiges – disse deprimido –, você vai ter que dar o fora por uma semana. Vá com Errol. Ron cuidará de você. Vou escrever um bilhete para ele explicando. E não me olhe assim – os grandes olhos âmbar de Edwiges se encheram de censura –, não é minha culpa. É o único jeito que tenho de conseguir uma autorização para visitar Hogsmeade com Ron e Hermione.

Dez minutos depois, Errol e Edwiges (que levava um bilhete para Ron amarrado na perna) saíram voando pela janela e desapareceram de vista. Agora se sentindo totalmente infeliz, Harry guardou a gaiola em um armário.

Mas não teve muito tempo para se entristecer. Não demorou quase nada e Petúnia já estava gritando lá embaixo para Harry descer e se preparar para dar as boas-vindas à hóspede.

– Faça alguma coisa com o seu cabelo! – disse Petúnia quando Harry chegou embaixo.

Harry não via sentido em tentar fazer seu cabelo ficar penteado. Guida adorava criticá-lo, por isso, quanto mais desarrumado, mais satisfeita ela iria ficar.

Demasiado cedo, ouviu-se um ruído de pneu triturando areia quando o carro de Válter entrou de marcha a ré pelo caminho da garagem, depois, batidas de portas e passos no jardim.

– Atenda a porta! – sibilou Petúnia para Harry.

Com uma sensação de grande tristeza e depressão na boca do estômago, ele abriu a porta.

Na soleira encontrava-se Guida. Em uma das mãos ela trazia uma enorme mala, e, aninhado sob a outra, um buldogue velho e mal-humorado.

– Onde está o meu Dudoca? – bradou ela. – Onde está o meu sobrinho fofo?

Duda veio gingando em direção ao hall, os cabelos louros emplastrados na cabeça gorda, uma gravata-borboleta quase invisível sob a papada quíntupla. Guida largou a mala na barriga de Harry, deixando-o sem ar, agarrou Duda num abraço apertado com o braço livre e deixou-lhe uma beijoca na bochecha.

Harry sabia perfeitamente bem que Duda só aguentava os abraços da tia porque era bem pago para isso, e não deu outra, quando os dois se separaram, Duda levava uma nota novinha de vinte libras apertada na mão gorda.

– Petúnia! – exclamou Guida, passando por Harry como se ele fosse um enfeite. As duas se beijaram, ou melhor, Guida deu uma queixada na bochecha ossuda de Petúnia.

Válter entrou nesse momento, sorrindo jovialmente e fechou a porta.

– Chá, Guida? – ofereceu. – E o que é que o Estripador vai tomar?

– Estripador pode beber um pouco de chá no meu pires – respondeu Guida enquanto todos seguiam para a cozinha, deixando Harry sozinho no hall com a mala. O menino ficou contente de ter ficado sozinho, sem Guida, mas logo foi a sala de estar para deixar a grande mala.

No momento em que voltou à cozinha, Guida já fora servida de chá e bolo de frutas e Estripador lambia alguma coisa, fazendo muito barulho, a um canto. Harry viu Petúnia fazer uma careta ao ver gotas de chá e baba pontilharem o seu chão limpo. Sua tia detestava animais.

– Quem ficou cuidando dos outros cachorros, Guida? – perguntou Válter, fingindo estar curioso.

– Ah, deixei o coronel Fubster tratando deles – disse Guida. – Ele entrou para a reforma agora e é bom ter alguma coisa para fazer. Mas não pude deixar o coitado do Estripador, tão velho. Ele fica doente de tristeza quando viajo.

Estripador recomeçou a rosnar quando Harry sentou-se. Isto atraiu a atenção de Guida.

– Então! – vociferou Guida para o menino. – Ainda está por aqui?

– Estou – respondeu Harry, querendo parecer o menos rude o possível.

– Não diga “estou” nesse tom ingrato – rosnou Guida. – É uma grande bondade Válter e Petúnia acolherem você. Eu não teria feito o mesmo. Eu o teria mandado direto para um orfanato se alguém largasse você na minha porta.

Harry se esforçou para dar um sorriso constrangido.

– Não me venha com sorrisinhos! – rosnou ela. – Estou vendo que não melhorou nada desde a última vez que o vi. Tive esperanças que a escola lhe desse educação à força, se fosse preciso. – Ela tomou um grande gole de chá – Aonde mesmo que você o está mandando, Válter?

– St. Brutus – respondeu o ele prontamente. – É uma instituição de primeira classe para casos irrecuperáveis.

– Entendo. Eles usam a vara em St. Brutus? – vociferou Guida do lado oposto da mesa.

– Ah...

Válter fez um breve aceno de cabeça por trás de Guida.

– Usam – respondeu Harry. – o tempo todo.

– Ótimo – aprovou Guida. – Eu não aceito essa conversa fiada de não bater em gente que merece. Uma boa surra de vara resolve noventa e nove casos em cem. Você já apanhou muitas vezes?

– Ah, já – respondeu ele –, um monte de vezes.

– Não gosto do seu tom, moleque. – vociferou ela, com os olhos semicerrados – Se você consegue falar das surras que leva com esse tom displicente, obviamente não estão lhe batendo com a força que deviam. Petúnia, se eu fosse você escreveria à escola. Deixaria claro que os tios aprovavam o uso de força extrema no caso desse moleque.

Válter, ao perceber que Harry poderia esquecer o acordo, disse ramidamente:

– Ouviu o noticiário hoje de manhã, Guida? E aquele prisioneiro que fugiu, hein?

Enquanto Guida começava a se fazer em casa, Harry surpreendeu-se pensando quase com saudade na vida na rua dos Alfeneiros, no 4 sem ela.

Válter e Petúnia em geral encorajavam Harry a ficar fora do caminho deles, o que o menino fazia com a maior satisfação. Já tia Guida queria Harry sempre debaixo de seus olhos, para poder fazer sugestões rudes para melhorá-lo. Adorava comparar Harry a Duda, e tinha muito prazer de comprar presentes caros para Duda enquanto olhava feio para Harry. Além disso, ela não parava de soltar piadas de mau gosto sobre as razões de Harry ser uma pessoa tão deficiente.

– Você não deve se culpar pelo que os meninos são hoje, Válter – comentou ela durante o almoço do terceiro dia. – Se existe alguma coisa podre por dentro, não há nada que ninguém possa fazer.

O menino tentou se concentrar na comida, mas suas mãos tremiam e seu rosto começou a arder de raiva. Lembre-se do formulário, pensou Harry. Pense em Hogsmeade. Não diga nada. Não se levante...

Guida esticou a mão gorda para alcançar a taça de vinho.

– Isso é uma das regras básicas da criação – disse Guida. – A gente vê isso o tempo todo com os cachorros. Se tem alguma coisa errada com uma cadela, vai ter alguma coisa errada com o filhote...

Naquele momento, a taça de vinho que ela segurava explodiu em sua mão. Cacos de vidro voaram para todo lado e ela engrolou e piscou, a caraça vermelha pingando.

– Guida! – guinchou Petúnia. – Guida, você está bem?

– Não se preocupe – resmungou ela, enxugando o rosto com o guardanapo. – Devo ter segurado a taça com muita força. Fiz a mesma coisa na casa do coronel Fubster no outro dia. Não precisa se preocupar, Petúnia, tenho a mão pesada...

Mas Petúnia e Válter olharam desconfiados para Harry, mas ele resolveu apenas terminar a sobremesa rápido.

No corredor, apoiou-se na parede, respirou profundamente. Fazia muito tempo desde a última vez que se descontrolara e fizera uma coisa explodir. Não podia deixar que isso acontecesse de novo. O formulário de Hogsmeade não era a única coisa em jogo – se ele continuasse a agir assim, ia se encrencar com o Ministério da Magia.

Harry ainda era um bruxo menor de idade, portanto, pela lei dos bruxos, era proibido de fazer mágica fora da escola. Ainda no verão anterior recebera uma carta oficial em que o avisavam muito claramente que se o Ministério tomasse conhecimento de qualquer magia ocorrida na rua dos Alfeneiros, ele seria expulso de Hogwarts.

Ele ouviu os Dursley se levantarem da mesa e correu escada acima para sair do caminho.

Harry conseguiu sobreviver os três dias seguintes forçando-se a pensar no manual de Faça a manutenção da sua vassoura sempre que Guida implicava com ele. A coisa funcionou muito bem, embora seu olhar parecesse vidrado, porque Guida começou a ventilar a opinião de que ele era mentalmente deficiente.

Finalmente chegou a última noite da estada de Guida. Petúnia preparou um jantar caprichado e Válter abriu várias garrafas de vinho. Eles conseguiram terminar a sopa e o salmão sem mencionar os defeitos de Harry; quando comiam a tortamerengue de limão, Válter deu um cansaço em todo mundo com uma longa conversa sobre Grunnings, sua empresa de brocas; depois Petúnia preparou o café e ele apanhou uma garrafa de conhaque.

– Posso lhe oferecer essa tentação, Guida?

Guida já bebera muito vinho. Seu rosto enorme estava muito vermelho.

– Só um pouquinho, então – disse ela rindo. – Um pouquinho mais... mais... aí, perfeito.

Duda estava comendo o quarto pedaço de torta. Petúnia bebericava café com o dedo mindinho esticado. Harry queria desaparecer e ir para o quarto, mas deparou com os olhinhos zangados de Válter e viu que teria de aguentar até o fim.

– Aaah! – exclamou Guida, estalando os lábios e pousando o cálice de conhaque. – Um senhor jantar, Petúnia. Normalmente só como uma coisinha rápida à noite, com uma dúzia de cachorros para cuidar... – Ela soltou um arroto e deu umas palmadinhas na grande barriga coberta de tweed. – Me desculpem. Mas gosto de ver um menino de tamanho saudável – continuou ela, lançando uma piscadela à Duda. – Você vai ter tamanho de homem, Dudoca, como seu pai. Sim, senhor, acho que vou querer mais um pouquinho de conhaque, Válter...

“Agora esse outro aí...”

Disse ela virando a cabeça para indicar Harry. O manual, pensou depressa.

– Esse aí tem um jeito ruim e mirrado. A gente vê isso nos cachorros. Pedi ao coronel Fubster para afogar um no ano passado. Era um ratinho. Fraco. Subnutrido.

Harry tentou se lembrar da página doze do seu livro Feitiço para reverter feitiços persistentes.

– A coisa toda está ligada ao sangue, como eu ia dizendo ainda outro dia. O sangue ruim acaba aflorando. Mas, não estou dizendo nada contra a sua família, Petúnia, mas sua irmã não era flor que se cheirasse. Isso acontece nas melhores famílias. Depois, fugiu com aquele imprestável e aí está o resultado bem diante dos olhos da gente.

Harry olhava fixamente para seu prato, sentindo uma zoeira engraçada nos ouvidos. Segure sua vassoura pela cauda com firmeza, pensou. Mas não conseguiu se lembrar do que vinha depois. A voz de Guida parecia perfurá-lo como se fosse uma das brocas do Válter.

– Esse Potter – continuou Guida bem alto, agarrando a garrafa e derramando mais conhaque no copo –, você nunca me contou o que ele fazia.

Válter e Petúnia tinham uma expressão extremamente tensa. Duda levantara os olhos da torta para olhar os pais, boquiaberto.

– Ele... não trabalhava – disse Válter. – Desempregado.

– Era o que eu esperava – disse Guida. – Um parasita preguiçoso, imprestável, sem eira nem beira que...

– Não era, não – exclamou Harry inesperadamente. Todos à mesa ficaram muito quietos. Harry tremia da cabeça aos pés. Nunca sentira tanta raiva na vida.

– MAIS CONHAQUE! – bradou Válter, que empalidecera. Ele esvaziou a garrafa no cálice de Guida. – Você, moleque – rosnou para Harry. – Vá se deitar, ande...

– Não, Válter – soluçou Guida, erguendo a mão, os olhos fixos em Harry. – Continue, moleque, continue. Tem orgulho dos seus pais, é? Eles saem por aí e se matam num acidente de carro, imagino que bêbados...

– Eles não morreram num acidente de carro! – protestou Harry, que se levantara.

– Morreram num acidente de carro, sim, seu mentiroso infeliz, e jogaram você nos ombros de parentes decentes e trabalhadores! – gritou Guida. – Você é um ingrato, insolente e...

Mas repentinamente ela se calou. Por um instante pareceu que tinha lhe faltado palavras. Parecia estar inchando, engasgada de tanta raiva... mas não parou de inchar. Sua cara enorme e vermelha começou a crescer, os olhos miúdos saltaram das órbitas, e a boca se esticou tanto que a impedia de falar – no segundo seguinte vários botões simplesmente saltaram do seu paletó de tweed e ricochetearam nas paredes –, ela inflou como um balão monstruoso, a barriga transbordou o cós da saia, os dedos engrossaram como salames...

– GUIDA! – berraram Válter e Petúnia juntos quando o corpo dela começou a se erguer da cadeira em direção ao teto. Estava completamente redonda agora, como uma enorme boia com olhinhos porcinos, e as mãos e os pés se projetaram estranhamente do corpo que flutuava no ar, dando estalinhos apopléticos. Estripador entrou derrapando na sala, latindo enlouquecido.

– NÃÃÃÃÃÃO!

Válter agarrou Guida por um pé e tentou puxá-la para baixo, mas quase foi erguido do chão também. Um segundo depois, Estripador avançou, e de um salto abocanhou a perna de Válter.

Harry se precipitou para fora da sala de jantar antes que alguém pudesse impedi-lo, e correu para o armário sob a escada. A porta do armário se abriu magicamente quando ele se aproximou. Em segundos, o garoto tinha arrastado o seu malão para a porta da rua. Subiu aos saltos a escada e se atirou embaixo da cama, levantando a tábua solta do soalho, agarrou a fronha cheia de livros e presentes de aniversário. Arrastou-se para fora, passou a mão na gaiola vazia de Edwiges, correu de volta ao lugar em que deixara o malão, na hora em que Válter irrompia da sala de jantar, com a perna da calça em tiras ensanguentadas.

– VOLTE AQUI! – berrou. – VOLTE AQUI E FAÇA-A VOLTAR AO NORMAL!

Mas uma raiva que não media consequências se apoderara de Harry. Ele deu um chute no malão para abri-lo, puxou a varinha e apontou-a para Válter.

– Ela mereceu – disse ele ofegante. – Ela mereceu o que aconteceu. E o senhor fique longe de mim.

Depois, tateou às costas à procura do trinco da porta.

– Vou-me embora. Para mim já chega.

E no momento seguinte Harry estava na rua escura e silenciosa, puxando o malão pesado, a gaiola de Edwiges debaixo do braço.

↬⊳⊲↫

Nesse mesmo momento, o casal continuava se encarando, Lily Potter olhando com a sobrancelha arqueada, desconfiada.

– Como pode saber? – perguntou ela, em uma voz um pouco infantil.

– Eu só sei, não sei como saber como sei. – ele falou, parecendo confuso com a própria resposta.

Mas... você... você não... você não tem teorias? – perguntou.

Não.

Eles ficaram parados, cada um olhando para o outro. De repente, Lily passou rapidamente a mão pelo cabelo, ao sentir ele completamente bagunçado e sujo fez uma careta estranha. James fez a mesma coisa, mas continuou com a mesma expressão no rosto, seu cabelo sempre foi muito bagunçado, e seus cabelos eram tão negros que simplesmente não aparecia a sujeira que seu cabelo escondia.

Como iremos sair daqui?, pensou Lily.

Nôitibus Andante – respondeu, como se estivesse lendo os pensamentos da ruiva, porém ela não entendeu.

Nôitibus o quê? – perguntou Lily.

Nôitibus Andante – disse. – Nunca ouviu falar dele?

– Não.

– É tipo um ônibus para bruxos. – explicou ele, lembrando do dia em que Lily lhe explicou como funcionava ônibus.

– Aah – exclamou Lily – Mas como vamos acha-lo?

Lumus – murmurou James, estendendo as mãos em direção à rua.

Os dois ouviram um estampido ensurdecedor.

Um segundo depois, dois faróis altos e dois gigantescos pneus pararam, bem em frente ao casal. Para Lily, parecia um ônibus de três andares, roxo berrante, as letras douradas no para-brisa informavam: Nôitibus Andante. Até que um condutor de uniforme roxo saltou do ônibus para anunciar em vozes altas:

– Bem-vindos ao ônibus Nôitibus Andante...

Mas Lily não prestou atenção no que o condutor falava. E quando entrou, se lembrou de seu filho, Harry, será que ele estava bem? Onde ele estaria? Precisava saber. Como estava seu filho agora?


Notas Finais


Só isso
Tava com preguiça de fazer e veio essa merda


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