História E Se Fosse Um Clichê? - Capítulo 1


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Categorias Naruto
Personagens Personagens Originais, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Hentai, Naruto, Personagens Originais, Romance, Sasusaku
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Palavras 5.068
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Festa, Hentai, Literatura Feminina, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Esse é só um capítulo que eu escrevi sobre o meu casal favorito depois de Sasusaku (Nada é Clichê). Um dia, quem sabe, pode se tornar em algo a mais hihihiihih por enquanto, é só esse único capítulo mesmo. Espero que gostem.

Capítulo 1 - E Se Fosse Um Clichê?


Eu olho para o casal de pombinhos recém-casados e sorrio. É inevitável. Por um momento, eu quero muito isso. O olhar apaixonado, o sorriso bobo, a forma como Sasuke parece que nunca mais vai tirar suas mãos da cintura da minha melhor amiga. Parece uma daquelas histórias clichês onde o cara mais improvável se apaixona pela garota mais improvável.

Para entender, só depois, que foram feitos um para o outro.

Entretanto, é nesses momentos de delírios que eu me lembro que da última vez que tentei encontrar algo desse tipo, o cara me deu um murro e uma série de pesadelos que não tinham fim e então eu murcho como uma flor no Inverno. Todo meu corpo congela e depois se arrepia com a ideia. E Sakura não sabia dessa parte e, Deus, nunca poderia saber. Eu estragaria sua Lua de Mel e ela não precisa disso.

Não agora que está sorrindo como eu provavelmente nunca sorriria.

Eu me resigno, segurando minha taça de champanhe enquanto os observo de longe. Tenho inveja, é claro, mas amo que eles sejam uma placa constate e berrante de que o amor existe sim. Eu ainda acredito no amor, é claro, só não acredito que ele seja para mim.

Meu dedo podre para homens era como um imã constante em mim. Eu era sugada para esse tipo de coisa e, definitivamente, não seria mais.

— Obrigada por tudo, Mel.

Eu pisco, percebendo só então Sakura na minha frente. Eu olho para a mesa onde ela estava, sentada com o amor da sua vida, mas agora Sasuke está conversando com Mebuki e Kizashi, embora seu olhar desvie para Sakura uma vez e outra, só no pequeno período que eu o olho.

— Eu não fiz nada, sua doida. — eu solto uma risada fraca, tentando disfarçar a minha inveja e culpa. — Vocês é que fizeram tudo quando se apaixonaram. Sério, esse foi o melhor casamento da minha vida.

Ela solta uma risada quase gentil e calorosa, o que diz muito sobre essa Sakura pós-amor. Ela parece que está emanando luz constantemente e, de repente, estou sendo contagiada por isso. Uau, o amor é realmente incrível. Eu quero isso.

Não! Eu me recrimino, rapidamente. Você não quer ser traída, largada e surrada. Você não quer isso, Melanie.

— Você fez sim. Só de estar aqui, me apoiando... Eu te amo, por isso. — droga, ela sabe. Claro, Sakura me conhece muito bem, e nem o amor a cegaria para os problemas dos amigos. — Eu acredito que você terá isso também. Você é especial demais para não ter.

Se fosse em outro momento da minha vida, tipo uns cinco meses atrás, eu estaria bem perto de deixar várias lágrimas caírem e de abraça-la para chorar em seu ombro. Mas não agora, não hoje. Isso prova que eu mudei um pouco também. Depois de três decepções amorosas, graças a Deus, eu estou tomando jeito.

— É, talvez seja verdade. Mas eu não sei se quero mais isso. — eu sinto realmente que não estou mentindo e Sakura, quando seus olhos verdes e grandes me sondam, parece chegar a mesma conclusão. — Eu estive procurando por amor todo esse tempo e tudo o que encontrei foi decepção. Talvez seja a hora de eu parar de procurar.

Tenho certeza absoluta de que não era exatamente isso que Sakura queria ouvir, e me odeio por chateá-la no dia de seu casamento, mas preciso ser honesta com ela. É minha única amiga, não posso fingir que depois de tudo o que aconteceu com Joshua, e com os outros antes dele, que estou tranquilamente pronta para voltar a procurar o amor.

— Mas eu estou tão feliz por você. — eu mudo sorrateiramente de assunto, sorrindo como alguém plena e nada traumatizada. — Quais são os planos depois daqui?

— Nós vamos passar as férias de Verão na Austrália. Sasuke conseguiu um emprego em Nova York, e eu preciso terminar a faculdade, então não pense que não nos veremos. — ela me dá aquele olhar de Estou de olho em você, garota. Eu sorrio, quase aceitando. — Já que você não quer procurar um amor, talvez você devesse correr dele. Sei lá, aproveitar o seu status de solteira. Você nunca fez isso.

Esse conselho é bem típico Sakura Haruno — ops, Sakura Uchiha — e eu quase quero rir, porque o amor realmente não fez milagres aqui. Mas espera, ela tem razão. Suas palavras logo fazem bastante sentido para mim e não me parecem uma péssima ideia. Eu sempre pulei de um relacionamento para o outro e eu vivo em Nova York, estou prestes a estagiar numa grande empresa e sou uma universitária. Eu deveria saber mesmo aproveitar meu status de solteirona.

— Pois é, você tem razão.

Ela para de rir, então me olha com surpresa.

— Tenho, é?

Eu abro um sorriso complacente, e agradeço a Deus quando Sasuke se aproxima de nós para pegar de volta sua esposa.

— Posso roubar essa linda e insolente mulher? Nós não podemos perder o avião, senão vai ser uma noite de merda no aeroporto. — ele me encara, e eu dou risada quando Sakura lança um olhar feio, numa mistura atípica de apaixonado, na direção dele.

— Ela é toda sua.

— Não, espera. — ela fala, de repente, então olha ao redor. Quando parece encontrar o que está procurando, ela grita: — Ren!

Em menos de dez segundos, seu irmão mais velho, Ren, aparece ao nosso lado. Ele me dá uma olhada rápida, mas nada significativa.

— Não era para vocês estarem indo para o aeroporto? — pergunta, com os olhos sobre Sakura, que rola os seus como se fosse uma adolescente levando uma bronca dos pais.

— É, sim, claro... mas não antes de você me prometer que levará a Mel para casa.

Eu começo a entrar em pânico, e minha cabeça já está balançando em negativo desesperadamente quando ela continua:

— Senão prometer, eu não vou a lugar algum.

Sasuke me encara, com os lábios pendidos para baixo.

— Você sabe que ela está falando sério, Mel. Não fode comigo, por favor.

— Eu já programei meu Uber para me levar assim que vocês saírem. Sério, eu tô bem, não se preocupem com nada além da suas férias sexuais.

Ren faz uma careta, e Sasuke ri enquanto Sakura me encara sério.

— Cancele, agora. Senão eu juro, perdemos o voo e não haverá férias sexuais para ninguém.

— Argh, eu estou aqui, droga. — Ren resmunga, enquanto Sasuke me encara como se fosse um cachorro chutado bem no saco. — De verdade, Mel, não é nenhum incomodo para mim. Na verdade é caminho para o meu apartamento.

Não quero fazer uma viagem de quase três horas com o Ren, não depois do episódio que tivemos no dia em que Sakura e Sasuke foram presos. Mas eu sei que Sakura está falando sério sobre não viajar caso eu não vá com Ren, o que vai estragar a Lua de Mel deles, e também os pais deles estarão no carro, tal como fizeram para vir até o casamento. Isso é bom, perfeito na verdade.

Obviamente, não tenho muita escolha.

— Tá bom. — pego meu celular na minha bolsinha azul claro, então cancelo a minha viagem. — Satisfeita?

— Você sabe que sim. — ela cantarola, então coloca a mão no braço do marido, o encarando com um sorriso apaixonado. — Vamos?

O casal recém-casado se despede de todos, inclusive de mim e Ren, antes de pegar um carro para o aeroporto. Eu fico observando eles irem, feliz da vida, rumo ao seu felizes para sempre, enquanto Ren faz o mesmo ao meu lado.

— Pronta para ir? — Ren me pergunta, me olhando com seus olhos verdes gentis e um sorriso de convinhas.

Eu balanço a cabeça, porque não posso falar agora. Eu tenho total consciência de que ele é lindo de morrer, e algo em mim diz que ele sabe muito bem disso. Seu corte de cabelo rente deixa os fios loiro escuro caindo à frente da testa, e seu rosto é bem angulado, com um nariz reto. Seu corpo é... uau, é incrível. Ele tem pernas torneadas e, geralmente, eu odeio bermudas, mas essa aperta bem seu traseiro e é simplesmente tentador demais apertá-lo. Ele é alto, também. Provavelmente uns vinte centímetros mais alto que eu e eu não consigo não me atentar a isso, porque eu não sou baixa.

Quando chegamos ao seu Volvo XC60 cinza, eu suspiro, olhando ao redor quando percebo que somos apenas nós. Eu mantenho uma distância segura do seu corpo, quando ele aciona o alarme para entrar no carro.

— Espera um pouco. — eu o chamo, com a voz tremula e incerta. — Onde estão seus pais?

Ele não pensa muito para responder, inclinando a cabeça para um lado.

— Hã... eles vão passar a noite num hotel. Decidiram que querem aproveitar a praia um pouco. Seattle não tem muitos dias ensolarados. — ele explica, girando a chave no seu dedo médio. — Por quê?

— Eu achei que eles... eles estariam com a gente. — eu balanço a cabeça, sentindo que estou prestes a cair numa armadilha se voltar com Ren à Nova York agora. — Quer saber? Essa é uma péssima ideia. Eu vou pedir meu Uber, o que a Sakura pode fazer? Ela provavelmente já está no aeroporto.

— Tudo bem. — ele fala, como se estivesse mesmo resignado, mas encosta o quadril no seu carro e cruza os braços me olhando.

Isso me incomoda, de certa forma. Por que ele está me encarando assim? Como se pudesse ver tudo com esses olhos incríveis? Droga, não consigo me concentrar.

— Por que está me olhando assim?

Ele encolhe os ombros largos, e por um momento eu fico pensando em como seria empurrar a sua camisa para trás. Não, Mel, não vá por esse caminho...

— Só estou esperando você pedir o carro, doce de Mel. — aí está, aquele maldito apelido.

O apelido pelo qual ele me chamou quando flertamos no bar do Joe, quando eu quase, por muito pouco, não o beijei do lado de fora daquele bar, antes de receber uma ligação do Sai dizendo que eu deveria ajudar a Sakura a sair da cadeia. Quando Ren escutou o nome “Sai” e “Sakura” na mesma frase, achou que era coincidência demais que eu os conhecesse. E ele estava certo.

E então, tudo ficou estranho. E depois de um tempo, eu voltei de novo com Joshua e tudo tomou uma proporção maior ainda. E aqui estamos nós, de novo, juntos.

— Não me chame assim.

— Eu gosto de te chamar assim, doce de mel. — ele sorri, e aquelas covinhas quase me fazem derreter. Ele é muito lindo, deve ser de família.

Bendita seja a família Haruno.

— Sabe, você não precisa pedir um Uber, só porque tem medo de não resistir a mim. — ele fala, todo despretensioso, me fazendo encará-lo feio.

— Eu... o quê? Pelo amor de Deus, você se acha o quê? Um deus do sexo? Que ridículo. — eu balanço a cabeça, inconformada com o sorriso charmoso e diabólico em seus lábios.

Eu estava certa, ele sabe muito bem que é a pura tentação em pessoa.

— Só de raiva, eu vou com você agora. E você vai dirigir esse carro até a minha casa, vai ficar o caminho todo olhando para frente e não vai falar comigo.

— Você que manda. — ele levanta os braços, em sinal de redenção, mas ainda parece estar se divertindo com a situação.

Eu entro no carro e, de proposito, bato a porta com força.

— É, eu que mando sim. E não espere que eu te agradeça pela carona, seu prepotente idiota. — falo, irritada.

— Prepotente de merda, é mais forte, doce de Mel. — ele fala, quando entra no carro e bate a porta. Seus olhos verdes desviam para mim, como se fosse um imã sendo atraído. — Você nunca fala palavrão?

É claro que eu falo palavrão, só gosto de evitar, quando posso. Sem responder ele, eu coloco meu cinto de segurança e cruzo os braços, ouvindo uma risadinha baixa um pouco antes dele colocar a chave na ignição e girá-la.

Quando pegamos a estrada, Ren não faz nenhum sinal de falar comigo, o que é ótimo. Eu passo todo o tempo olhando pela janela, com uma mão na perna e a outra no cinto de segurança — de alguma forma, prefiro mantê-las bem longe de Ren. Na primeira hora, a noite finalmente cai, tornando o nosso ambiente escuro. Legal. Não preciso ver a perfeição que é seu rosto quando, porventura, olho para os lados. Quando o silêncio parece ser mais ensurdecedor do que libertador, eu ligo o rádio e deixo numa estação em que toca uma música do álbum novo da Taylor Swift.

 

E é nova a forma do seu corpo

É triste a sensação que eu tenho

E isso é ooh, uau, oh

É um verão cruel

Tá tudo bem, é o que eu digo a eles

Sem regras, paraíso inabalável

Mas ooh, uau, oh

É um verão cruel

Com você

 

Quando Ren faz menção de uma careta em seu rosto, eu abro um sorriso lento e diabólico.

— Você não gosta dessa música?

— Eu só acredito que exista algo melhor do que Taylor Swift. — ele toca o rádio, até trocar a estação para uma que toca algo como rock misturado com country. Quê? — Nickelback. Não disse?

— Ah, não, nada de música tristes hoje. — eu balanço a cabeça, voltando para a música da Taylor. — Essa música é perfeita.

— Eu não vou brincar de quem escolhe a música, Melanie. — ele diz, segurando o volante com as duas mãos. — Mas quero deixar claro meu descontentamento com essa música.

Eu sorrio de novo, então aumento o volume da musica e, de quebra, começo a cantar junto com a voz da Taylor. Minha voz é horrível, eu reconheço, mas se está irritando Ren, tudo bem. Claro, em vez de me encarar feio, ele me lança um sorriso torto e todo sedutor. Em seguida, abaixa o volume da música.

— Você canta muito mal, doce de Mel.

Eu rolo os olhos, e reprimo o ato de mostrar a língua para ele, virando meu rosto para a janela de novo, para ver a estrada vazia sendo deixada para trás. Mais trinta minutos e nada além de uma música que eu não conheço preenchendo o som. Eu pensei que estávamos indo até bem. E talvez eu pudesse dormir um pouco, para a hora passar mais rápido...

Quando meus olhos estão prestes a se fechar, ouço um barulho estranho, quase como uma pequena explosão.

— Merda. — Ren xinga, e o carro vai parando aos poucos no acostamento.

— O que houve? — pergunto, com a voz sonolenta, me virando em sua direção quando ele tira o cinto e abre a porta do carro.

Não sei se ele me ouviu, mas Ren não me responde. Ele sai do carro e levanta o capô, o que faz uma fumaça subir, e ela tem cheiro de queimado.

Merda, mesmo.

— O carro deu problema. — Ren fala, ao apoiar sua mão encima do carro e abaixar sua cabeça para me olhar. — Vou precisar chamar um reboque. E você, pode chamar um Uber para nos levar até Nova York, certo?

Eu aceno, pegando meu celular rapidamente. Eu aciono um motorista pelo aplicativo, e no primeiro minuto nada aparece. E então, no segundo, no terceiro e no quarto...

Quando meu celular apita numa notificação, eu sobressalto de empolgação e alivio. Mas quando a leio, quase me derreto em lágrimas.

Não há motoristas disponíveis para essa região.

— Só pode ser brincadeira.

— O que houve? — Ren pergunta, sentando-se no banco do motorista de novo. Eu não digo nada, apenas viro o celular em sua direção. — Merda.

Parece que é a quinta vez que ele fala essa palavra só na última hora.

— O reboque também não está disponível. Grande dia.

Poderia ser uma situação engraça, até. Duas pessoas que se sentiram atraídas um dia, tendo que viajar sozinhos por algumas horas. O carro dá problema e, então, nós... o quê? Transamos dentro do carro, como dois animais no cio? Quão estupidamente clichê é isso?

Não, nada de clichê. Ren e eu não somos uma história de amor prestes a se colidir. Esse pensamento estúpido é da antiga Melanie. A nova é mais racional.

— Tem um hotel aqui perto, eu o vi quando estava a caminho do casamento. — Ren fala, meio relutante porque ele sabe o que isso pode significar para mim. — Podemos passar a noite lá, nenhum reboque estará disponível agora.

Hotel, hm. Bem, pelo menos iremos estar em quartos separados.

— Não tem jeito mesmo.

Nós andamos um quilometro até a porcaria do hotel. No caminho, tenho vontade de xingar o mundo, por ser tão injusto. A última coisa que eu queria era ter que passar a noite num hotel e, mesmo que em quartos separados, justamente com o irmão gostosão da minha melhor amiga, cujo eu quase beijei uma vez.

Quando chegamos, eu quase choro. A porcaria do hotel mais parece uma kit-net. Se tiver quartos disponíveis, será realmente uma sorte.

— Dois pernoites, por favor. — Ren pede, para a recepcionista anciã que está do outro lado do balcão de madeira branca envelhecido pelo tempo.

Eu olho rapidamente ao redor, percebendo que tudo aqui parece ser de madeira, um ambiente mais rústico e com cara de abandonado. Essa senhora não leu Os Três Porquinhos, não? Tudo bem, sei que é preciso mais do que um sopro de um lobo para derrubar essa coisa, mas... parece tão frágil.

— Não temos.

Ela responde, simplesmente.

Ren e eu ficamos olhando para ela, sem entender, por um momento. Eu pisco, então Ren estreita os olhos na direção dela.

— Não tem quartos disponíveis?

— Não temos dois quartos disponíveis. Um quarto disponível, sim. — e ela não poderia ter dito “Só temos um quarto disponível” para inicio de conversa? Que senhora estranha.

Espera aí... um quarto, apenas?

— Um quarto? Mas isso aqui parece estar vazio. — eu comento, balançando a cabeça. — Não é possível. Tem certeza?

A velha senhora de óculos de tartaruga, com a expressão de quem parece estar parada no mesmo lugar há uma década, continua me encarando. Merda, merda, merda...

— Tá, tudo bem. — eu encaro Ren, sorrindo congelada. — Podemos dormir no carro, sem problemas.

— Com problemas, Melanie. É perigoso. — percebi que Ren sempre me chama pelo nome completo quando está falando sério, então não questiono se ele está mesmo falando sério. — E, de qualquer forma, se formos dormir no carro, dormiremos juntos, não?

Ele tem razão, mas não quero dar o braço a torcer. Porque mais do que nunca, isso aqui parece um clichê. Tiveram que dormir no mesmo quarto e... o quê? Não resistiram a atração quente entre eles, cedendo a carne, obviamente, para consumar um sexo quente e selvagem.

Quente e selvagem? Não, Ren tem cara de quem gosta de sexo prático, papai e mãe e essas coisas.

Deus, no que estou pensando? Não vai rolar!

— Ren, eu não gosto da ideia.

— Eu durmo no chão, se faz você se sentir melhor.

Não faz eu me sentir melhor, e eu penso que talvez ele possa dormir de um lado da cama e eu do outro, com muitos travesseiros entre a gente. Porque não tenho argumentos contra ele, então temos que pegar a porcaria do quarto.

Quando chegamos no quarto, quase desabo com as minhas lágrimas dramáticas, digna de um show. A porcaria do quarto é menor do que o meu banheiro e, para completar, a cama é de solteiro. Eu encaro Ren, como quem diz que ele vai ter mesmo que dormir no chão.

— Então... — ele olha ao redor, provavelmente procurando uma cômoda, ou um guarda-roupa, ou a droga de mais cobertores e mais travesseiros, algo que provavelmente estava bem longe dali, nos meus sonhos mais distantes. — Só tem uma coberta e um travesseiro.

— A gente ainda pode voltar para o carro. — eu aponto com o polegar para a porta fechada atrás de mim, tentando sorrir mesmo nessa situação de merda. — Sério, Ren, eu não dormir com você nessa cama minúscula.

— Então, eu fico no chão com a coberta e o travesseiro, enquanto você fica com a cama. — a ideia é bem justa, mas eu sou muito frienta, sinto frio em todos os lugares do meu corpo.

— Não quero ficar sem coberta. — eu choramingo, então Ren suspira, provavelmente porque sabe que isso não vai dar em nada.

— A gente precisa chegar a uma decisão, doce de Mel.

Eu resmungo, irritada com essa porcaria de situação. Se Ren pudesse ler meus pensamentos agora, ele nunca mais zombaria de mim sobre não falar palavrões, porque estou recitando vários deles agora.

No fim, nós dividimos a minúscula cama de solteiro, com a decisão de que não tiraríamos as roupas — embora eu esteja acostumada a dormir de calcinha, apenas. Ren não precisa saber disso, e o fato de eu estar com roupas agora não é tão incomodo como o fato de que estamos tão grudados que minhas mãos estão em seu peito e minhas pernas cruzadas com as dele.

Sua respiração, baixa e lenta, está soprando no meu rosto.

— Se dormíssemos de conchinha, talvez fosse menos incomodo. — ele fala, os olhos cravados em mim. Estou olhando para os dois botões de sua camisa aberta, mas sei que ele está me olhando.

— Não acho que é a melhor ideia. — só de imaginar tê-lo atrás de mim, minha respiração trava por um segundo.

Ele solta uma risada, que acaricia suavemente meu rosto.

— Não quero ficar atrás de você, Mel... — ele limpa a garganta, incomodado. — Você pode ficar atrás de mim, que tal?

A ideia não é das melhores, não quando minha cabeça está lotada de pensamentos impróprios, mas é melhor do que ficar frente a frente com ele. Nós trocamos de posição e eu encaro suas costas, minhas mãos caída entre nós. Não é a melhor posição, nem de longe. Meus dedos estão coçando para entrar por baixo da sua camisa e tocá-lo na barriga e é incrivelmente agonizante.

— E se a gente não precisasse salvar eles, naquele dia?

Eu prendo a respiração. O que ele está fazendo? Quer falar sobre isso, agora? Eu sei exatamente que dia ele está falando, mas pergunto inocentemente:

— Que dia?

— Você sabe, Melanie, sabe exatamente de que dia estou falando.

Claro, Ren não é idiota. Eu pondero entre aquele dia, e o balde de agua fria que recebemos, e a surpresa de pensar que ele também pensou sobre o que aconteceu aquele dia. Antes de voltar com Joshua, eu pensei em inúmeras possibilidades do que aconteceria entre mim e Ren e todas elas acabaram comigo na cama com ele.

Engraçado, no fim de tudo, foi exatamente onde acabou.

— Eu não tenho muita experiência em sexo casual, não como você. — ele não diz nada, mas nem precisa. Sou melhor amiga da irmã dele, eu sei sobre a vida de Don Ruan que Ren leva. — Mas, se não tivéssemos sido interrompidos, eu acho que... bem, você sabe.

— Não sei, Melanie. O quê?

— Isso não importa mais. — eu digo, me virando de costas para ele, pouco me importando se a posição é ruim. Estou irritado, porque ele resolveu trazer esse assunto justamente agora, que estamos sozinhos.

Se bem que antes, eu estive evitando ele o suficiente para que não houvesse perguntas. Eu achava que amava o Joshua, mas só percebi a minha ilusão após voltar para o Texas, para a casa do meu pai. Ainda estou digerindo isso, aos poucos.

Ren, que parece bem disposto a continuar a conversa, se vira e me abraça pela cintura docilmente. Eu percebo o cuidado que ele tem ao fazer isso, como se dissesse que eu posso afastá-lo se quiser, mas, num momento de delírio, eu simplesmente não quero. Eu gosto dele quando me abraça assim.

— E se eu disser que importa? — ele esfrega o nariz no meu pescoço, a voz baixa e sussurrada no meu ouvido. — Eu não sei o que aconteceria naquele dia, Mel. Mas eu sei o que eu quero que aconteça agora.

— Ren...

— Você quer, Melanie. Pelo menos admita.

Seus dedos apertam minha cintura e só isso é o bastante para eu fechar os olhos com força, sentindo meu corpo tremer. Caramba, sim, eu quero, mas o que acontecerá depois?

Talvez, não pensar no depois seja exatamente o que eu devo fazer.

Quando eu me viro abruptamente sentando-me sobre Ren, eu percebo, mesmo com o quarto sendo iluminado apenas pela luz da lua do lado de fora da janela, a surpresa no rosto de Ren. Gosto disso, de não ser a Melanie previsível e chorona.

— Eu quero, — arfo, com o peito estufado de determinação. — E aí, o que você vai fazer agora?

Ren ainda parece atordoado por alguns segundos, mas isso acaba pouco depois. Sua mão direita segura a parte de trás do meu cabelo já nem tão curto, e ele me puxa para baixo, em direção a sua boca. Nosso beijo é como um meteoro: certeiro, destruidor e quente. Ren me beija como se não houvesse amanhã, o que facilita o meu lado que quer muito pensar em como estarão as coisas amanhã.

Não agora. Não hoje.

Nós continuamos nosso beijo, parando apenas para respirar ou para que Ren beije meu pescoço. De maneira ousada, eu me estico toda para ele, jogando meus pequenos seios descaradamente em sua cara. Ele puxa meu vestido para baixo e eu percebo rápido que eu estava errada sobre Ren ser convencional e sem graça. A maneira como ele me vira, subitamente, de costas na cama não é nada além selvagem e sexy.

— Eu sonhei com isso, Mel. Você não tem noção. — ele diz, sua voz mais profunda e grava, como o rugido de um lobo.

Deus, eu adoro isso. Quando ele puxa meu vestido, sem medo de me quebrar, pouco se importando se isso não é nada romântico, eu simplesmente quero gritar. Não demora muito para que eu esteja usando apenas uma calcinha de renda azul bebê. Pelas covinhas profundas em seu rosto, ele gosta disso tanto quanto eu.

Eu me inclino para cima, então puxo seus botões e empurro a sua camisa, exatamente como pensei em fazer. Beijo seu peito, que está quente como o inferno, e ouço ele gemer baixinho. Quero que ele esteja quente para mim, por mim. Minhas mãos seguem até o cós da sua bermuda e, sem esperar, eu enfio minha mão direita por baixo dela e da cueca. Ren tomba a cabeça para trás.

— Caralho, Mel.

Porra, ele é grande. E está tão duro e molhado, que me faz gemer. Eu passo a língua pelos poucos fios abaixo de seu umbigo, que fazem um caminho perfeito até o V do paraíso em seu corpo. Quero chupá-lo e estou prestes a fazer isso, quando ele me empurra sem delicadeza para a cama.

— Se você fizer isso, eu não vou durar. — ele me puxa pelas pernas, abrindo-as totalmente conforme desliza pelo meu corpo, beijando e sugando um mamilo, depois deslizando a língua pela minha barriga até o umbigo.

Eu sei o que ele quer fazer. E eu não sou exatamente uma puritana, mas não gosto muito quando os homens fazem isso em mim. Eu odeio fingir que estou gostando de algo quando não estou, e na maior parte das vezes era só incomodo e maçante. Contudo, Ren não me dá a chance de fechar as pernas ou de pedir para que ele não faça isso. Ele puxa minha calcinha até os tornozelos e, então, me dá um beijo cruel acima dos meus pelos pubianos.

Eu jogo a cabeça para trás. Caralho, isso foi bom. Uma parte da minha mente pensa que esse é mais um estupido clichê, porque, claro, Ren tinha que ser bom na arte do sexo oral.

— Eu quero sentir o seu sabor. — ele fala, com um sorriso diabólico, que contradiz as covinhas gentis.

Esse homem é uma metamorfose.

Quando ele lambe toda a extensão lá embaixo, eu viro minha cabeça para o lado e solto um gemido vergonhoso. Ainda bem que ele não pede para eu abrir os olhos, porque não posso. Os movimentos que ele faz com a língua, bem no ponto certo, são incrivelmente sensuais e sonoros. Eu deveria estar com vergonha, mas meu corpo só está preocupado em investir contra sua boca.

— Ren...

— Eu estava certo, no fim. — ele fala, subindo pelo meu corpo de novo. — Você é realmente um doce de Mel.

Eu o beijo de novo, sentindo meu gosto na sua boca. Passo as pontas dos meus dedos em suas costas, em direção aos seus braços fortes. Ren morde minha orelha, enquanto eu termino de abrir seu shorts e puxá-lo para baixo com a cueca. Ele chuta a bermuda e a cueca e então me encara como se eu fosse a coisa mais preciosa que seus olhos já viram.

— Que tal de ladinho?

Oh, bom Deus! Eu me viro de lado, então ele faz o mesmo, espremendo seu peitoral em minhas costas. Sua mão segura um dos meus seios, enquanto a outra posiciona seu pênis na minha entrada. Sinto que estou me esquecendo de algo, mas quando ele entra completamente dentro de mim eu esqueço de tudo ao meu redor.

Essa posição é incrível e eu preciso mesmo retirar as minhas palavras sobre Ren. É engraçado como uma cama de solteiro pode ser inconveniente para um casal dormir, mas se tratando sobre fazer o melhor sexo da vida, é simplesmente perfeita. Somos uma bagunça de mãos, palavras sacanas, beijos e gemidos... Se isso fosse um filme clichê, eu voltaria essa cena centenas de vezes, só para sentir as mesmas sensações.

Mas quando eu atinjo todos os pontos altos da minha vida, os pontos baixos vem em seguida. Estou arfando, totalmente satisfeita, mas incrivelmente culpada.

Pelo quê? Eu sou uma mulher independente, solteira, gostosa e inteligente. Eu deveria saber o que é um sexo casual, mas a antiga Melanie já estaria imaginando um futuro brilhante ao lado de Ren. Um futuro amoroso.

Não posso nem pensar numa coisa assim, não depois de tudo o que aconteceu. Não depois de Joshua.

— Você está bem? — Ren pergunta, tirando meu cabelo molhado de suor da nuca, para deixar um casto beijo.

— Sim. — minto, agradecendo por tê-lo atrás mim, incapaz de ver meu rosto agora. — Só estou cansada.

— O eufemismo do ano. — ele ronrona, o que me diz que está cansado também. — Foi um dia longo, Mel, acho melhor dormimos.

— Também acho. — eu viro minha cabeça para trás e ele já está de olhos fechados. — Ren?

— Hmm? — ele geme, sonolento.

— Foi muito bom.

Ele abre um olho, ainda bem cansado, mas as covinhas aparecem quando ele sorri e me abraça mais forte, beijando rapidamente meu ombro. — Foi muito mais que bom, Melanie. Muito mais.

 


Notas Finais


Deixei algumas pontas soltas. Quem sabe, né? Agora não posso assumir nenhuma história, não até acabar as outras, mas fiquem com esse gostinho do nosso casal secundário favorito.


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