História E Se Você Ficasse? - Capítulo 2


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Categorias Boku no Hero Academia (My Hero Academia)
Personagens Eijirou Kirishima, Gran Torino, Hanta Sero, Hizashi Yamada (Present Mic), Izuku Midoriya (Deku), Katsuki Bakugou, Kyoka Jiro, Mina Ashido, Minoru Mineta, Momo Yaoyorozu, Shouta Aizawa (Eraserhead), Tenya Iida, Tetsutetsu, You Shindou, Yu Takeyama (Mount Lady)
Tags Bakudeku, Hurted, Realplisetsky
Visualizações 220
Palavras 4.122
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, gente bonita!

Foi foda. Ou não, pelo simples fato de que eu não atrasei e não postei no sábado, rs. Eu até pensei que isso aconteceria, porque eu tava SUPER bloqueada, mas com vontade de escrever (?). Vai entender, Hurt sempre inovando nas filha da putagem. Bem, o título por estar com aspas, tem duplo sentido. Vocês sabem que aqui não falamos de duas situações como era em Letters, certo? Aqui falamos apenas de UMA situação, e quando o nome do título tiver um duplo sentido, terá aspas. Quando vocês lerem, entenderão que o nome não foi inventado uhauhsuuash. Estou superando Letters! Estou me animando demais escrevendo sobre Bekudeku agora :D

Mal postei a fic e Sunsae já me apontou o revolver com essa capa com a fanart da russa que arrasa meu coração, Krisschan ♥ SUN, OBRIGADA POR PERDER TEMPO COMIGO, eeeee claro, aos leitores que estão novamente me acompanhando!

Desejo-lhes uma ótima e tranquilinha leitura!

Capítulo 2 - "O Primeiro Tapa É Sempre Inesquecível"


Cada grão daquela terra escura como pó de café sustentaria uma planta, uma flor. Postos com delicadeza em cada vaso de argila, as raízes se alimentariam do espaço quase que redondo de cada canto. Após acomodar a planta no meio de tanta terra, Katsuki apalpou o espaço envolta do caule para que ficasse apresentável às pessoas que veria na estante de alumínio da vitrine. Era um trabalho tão chato, mas tinha de admitir que fazer aquilo tirava todo estresse da semana que acumulou-se dentro de seu corpo como água. Como pequenas gotas de suor, porém as gotas entravam e não saíam. Sentado no chão, buscou o regador azul e derramou água para matar a sede muda das raízes agora soterradas. Apanhou o vaso e descansou na prateleira a sua frente para amanhã de manhã sua mãe colocar todas as plantas que arrumou para a loja.

Respirou fundo, ergueu-se do chão apoiando-se nos joelhos. Passou a mão nas pernas para retirar o excesso de terra que havia sujado o uniforme da floricultura; um macacão jeans azul médio escrito "Flores da Mitsuki", bordado em letras rosa claro no bolso do peito. Uma eterna babaquice. Bocejou e antes que voltasse para a loja, sentiu algo extremamente gelado se chocar com a pele descoberta de seu pescoço.

— Filho da mãe! — gritou afastando-se quase num pulo. Sabia que era Kirishima, e a gargalhada histérica do ruivo só lhe esclarecia mais. — Vem cá, você não tem amor pela vida?! — agarrou com raiva a lata de refrigerante do garoto que também usava o mesmo macacão que ele, lhe estendia. Antes de abrir, lançou aquele olhar diabólico para Eijiro.

— Até parece! Conheço você desde o primário, "amor à vida" não é nada! Se esse fosse o caso, eu já estaria morto há muito tempo. — riu e deu o último gole na bebida observando Katsuki virar uma terceira vez a latinha laranja combinando perfeitamente com o boné que usava com a aba para trás.

Mitsuki precisava de mais alguém para ajudar em sua loja, e apenas ela e o filho não estavam dando conta das tarefas e dos clientes. O marido era policial e sempre estava ocupado. Bakugo sabia que seu melhor amigo tinha a mãe doente e que estavam passando por dificuldades; Eijiro tinha de faltar aula algumas vezes para cuidar dela no hospital. Chagava a ficar fora da escola por duas semanas. E com sua mãe lhe alfinetando por não ter mais gente para trabalhar, o loiro indicou Kirishima que animadamente aceitou. O ruivo rapidamente aprendeu sua parte no trabalho e as coisas começaram ajeitar-se. Mas era curioso como o melhor amigo de seu filho era tão mais simpático do que ele. Bakugo sempre reclamava quando Mitsuki elogiava Eijiro.

Kirishima passou os olhos pela estufa e Bakugo havia terminado de preencher todos os cinquenta vasos que Mituski lhe mandou fazer, em duas horas. Não era um tempo tão absurdamente incrível, mas o cuidado que Bakugo tinha com as coisas delicadas era de se impressionar! O ruivo franziu a testa ao notar todos os vasos cor de barro enfileirados a sua volta e com todas as plantas e flores regadas.

— Já terminou a sua parte? — perguntou o loiro terminando o refrigerante, logo saindo da estufa sendo seguido por Kirishima.

— Antes mesmo de você! Só demorei porque saí comprar os refrigerantes. — seguiram para a loja onde teriam que fechar, pois no relógio atrás do balcão marcava 19:32. Katsuki virou a plaquinha mostrando que a floricultura estava fechada. — Ah! Eu quase esqueci! A que horas eu passo para irmos na festa da Ashido?

— Sei lá. Quando você ficar pronto, passe aqui. — apoiou-se no balcão logo colocando a latinha na lixeira ao lado. — Eu não demoro, você sabe. — disse fazendo um gesto com a mão direita como algo normal.

— Você vai levar a Utsushimi? — pôs as duas mãos no bolso e, do esquerdo, retirou o celular e checou a caixa de mensagens. Bakugo deu uma longa suspirada ao ouvir o nome daquela garota grudenta e dramática, o que fez Kirishima tirar os olhos do celular e dar um riso nasal.

— Não, graças à Deus...

— Mas Ashido convidou ela. — observou o loiro desencostar-se do balcão e esfregar as duas mãos no rosto como se não acreditasse no que Kirishima falou.

— Então por que você perguntou?! — disse puxando os cabelos em raiva. Eijiro curvava-se para frente de tanta dor que sentia ao gargalhar.

— Obviamente porque é engraçado demais ver você irritado! — confessou limpando as lágrimas nos cantos dos olhos. — A propósito, por que estão juntos se você não gosta dela?

Ouvir aquilo do melhor amigo dava a entender que Kirishima gostava de assistir o sofrimento alheio, uma mentira. Mas tinha de admitir para Bakugo que o drama que ele fazia sobre a namorada nunca perderia a graça! Katsuki tentava ao máximo fugir dela, mas Camie era o tipo de garota apaixonada por beleza e pelo namorado atleta. A única coisa errada era que Bakugo não era fascinado por esportes como nos filmes americanos. Bastava lhe comprar cigarros que as pessoas ganhavam o coração do loiro... Às vezes.

Katsuki pegou as chaves atrás do balcão e aproximou-se da porta destrancando-a. Abriu e lançou um olhar com sobrancelha arqueada para Eijiro que lhe olhava vermelho por conter as risadas.

— Camie namora comigo, mas eu não namoro com ela. Entendeu? — Kirishima ergueu as duas mãos como se não quisesse se intrometer em nada, apenas perguntou pelo óbvio incomodo que seu melhor amigo sentia na presença dela. Já na calçada, virou-se para o loiro.

— Você é cruel. — disse parecendo magoado, mas fazendo um chiado por estar segurando o riso há um bom tempo.

— Você é que é cruel por ter me contado aquilo! — apontou o dedo do meio como revolta para Eijiro. — Não me tire para otário essa noite! Não vou estar com saco! — bateu a porta de vidro ao fechar com certa velocidade.

-

As festas que seus amigos faziam, eram sem duvidas, uma das melhores coisas que Bakugo tinha na vida. Um R&B tocando a último volume, a fumaça dos cigarros misturada com a da maconha e muita cerveja. As paredes brilhavam como parte do céu estrelado conforme as luzes circulava pelo ambiente no meio da escuridão e nos corpos que dançavam e gargalhavam. Era como se o Universo inteiro estivesse naquela casa enorme, como se a imensidade de algo infinito coubesse ali, naquilo que Katsuki julgava como uma mansão. Os pais de Sero eram ricos e viajavam por não ter o que fazer com o dinheiro, dando total espaço para o filho único que não se importava em ceder o seu espaço para o aniversário de Ashido. 

No meio do círculo de pessoas, o poker chamava atenção pelos berros de seus amigos que estavam completamente malucos sob o efeito do álcool. Bakugo Katsuki sorriu. Aquilo era lindo, o modo como ninguém estava se importando com o amanhã e certamente com os problemas que tinham de resolver talvez naquele momento. Mas principalmente, como o espírito de todos estavam saindo para fora, como se a puberdade fosse embora depois dos 18.

— E você? — sentado no braço do sofá da sala observando a montanha de gente envolta do círculo, sentiu um cotovelo cutucar seu braço direito. Sero lhe estendia algo que não pôde definir graças à escuridão. — Tudo tranquilo, Bakugo? — ele lhe oferecia um baseado. Katsuki sorriu para o que lhe foi oferecido logo voltando a face para o amigo de voz arrastada.

— Eu estou bem. Se meu pai saber que fumei essa porra, ele me mata.

— Relaxa! O primeiro tapa é sempre inesquecível. O papai policial não vai ficar sabendo! — o moreno disse encostando-se na parede ao lado. As luzes azuis quase no tom roxo faziam sua pele branca se tornar da mesma cor.

— Dispenso. Além do mais, você está fedendo! — esbravejou o loiro levando a lata de cerveja pela metade até a boca.

— Amorzinho!  

“Ótimo!”, pensou. Mas não um "ótimo"  animado ou aliviado por ter interrompido seu diálogo com Hanta. Tudo era melhor do que uma figura loira usando uma mini saia preta colada. Ouviu Sero comentar algo sobre Camie enquanto ela ainda caminhava em sua direção, era difícil decidir quem matar: Camie ou Ashido. Havia repetido diversas vezes para Mina que não colocasse o nome da loira na lista do aniversário, pois Bakugo sabia que se teria de levar ela junto, não iria nem mesmo fumar em paz. Teria de bancar o namorado que ele sabia que não era.

— Como você está animadinha, loirinha! — disse Hanta mais chapado do que bêbado. Bakugo não se importava com outros caras dando em cima de sua “namorada”. Para falar a verdade, o loiro achava que ele não tinha nada a ver com o assunto.

— Estou? — gargalhou ela semelhante aos barulhos que um porquinho faz, Katsuki engasgou com a risada que não queria colocar para fora. — Foi muito legal de sua parte se oferecer para Ashido comemorar o aniversário aqui! Não é, amor?! — colocou-se entre as pernas de Bakugo que apenas deu um gole na cerveja e assentiu desanimado.

— Por que você não volta para as garotas? — Katsuki referiu-se às amigas que dançavam com ela, dando-o assim, liberdade para ele acabar com os dois maços de cigarros que comprou no caminho para a festa. Encarou Utsushimi fazer um biquinho, Bakugo virou o rosto para a esquerda revirando os olhos pela irritação.

— Dança comigo. — disse ela levando a mão esquerda livre do loiro para o quadril coberto pelo couro da saia. — Faz tempo que não nos divertimos.

— Me divirto olhando você dançar. — após descaradamente mentir, a garota agarrou no pescoço de Katsuki e lentamente aproximou-se com um enorme bico e sobrancelhas arqueadas. Uma aberração. Bakugo queria sair correndo ou então afundar um cigarro aceso naquele bico que obrigatoriamente teve de dar um selo para ela se afastar. Uma tremenda falha, já que Camie abriu os lábios para um beijo pouco mais intenso. — Eu ‘tô louco pra fumar. Então vá dançar que eu observo você de longe, okay? — disse tirando os braços dela de seu pescoço. Utsushimi lhe deu um olhar debochado e rapidamente alegre saindo correndo quase cambaleando.

Balançou a cabeça e bufou. Buscou pelo maço no bolço da calça jeans larga colocando o longo cigarro entre os lábios. Ascendeu com o isqueiro e caminhou até a cozinha em busca de mais cervejas, mas parecia que chegar até lá seria sofrido; as pessoas dançavam nos corredores o que só deixava complicado se movimentar para trocar de cômodo. Com alguns resmungos e quase deixando o cigarro cair no chão, chegou na cozinha encontrando o ruivo e duas caixas enormes de aperitivos. De costas para si, apenas abriu a geladeira e buscou uma nova lata, abriu e encostou-se na pia ao lado de Eijiro.

Observando ele arrumar as caixas para levar até a sala onde estava a mesa enorme e também com bebidas, roubou um doce fazendo Kirishima quase capturar de volta.

— Achei que fosse o Mineta... — disse o ruivo em alívio.

— Quê? Convidaram ele também?! A sorte é que essa casa é enorme e eu posso me esconder dos insuportáveis. — o loiro disse de boca cheia seguindo Kirishima enquanto roubava mais doces das caixas.

— Eu que o diga. — colocou as comidas nos pratos da mesa. —  Espero que eu não tenha que carregar você até em casa dessa vez! Vê se não suma tentando se esconder da Utsushimi e vomitando nos quartos! — Bakugo riu alto. — É claro que você ri! Não foi a sua casa! — Kirishima suspirou. — Se você ver os pratos quase vazios, pegue mais caixas que estão na cozinha.

— Quem você acha que eu sou? Eu vim para me distrair!

O melhor amigo apenas deu dois tapinhas no ombro de Katsuki e saiu como se não tivesse ouvido nada, o que causou ainda mais raiva naquele que imediatamente buscou pelo segundo cigarro. Tragou, levantou a cabeça e assoprou a fumaça para o alto observando desaparecer aos poucos no meio da corrente de ar e entre as luzes. Passou os olhos pelo grandioso número de pessoas no meio da sala dançando notando que não era somente ele que estava parado. Perto da televisão, Camie dançava com mais três meninas da mesma escola. Talvez elas fossem as garotas que ela sempre falava que acompanhava-a no shopping. Pelo menos ela estava entretida e não grudada em seu corpo. Resolveu caminhar pela casa até que encontrasse um lugar para fumar em paz e terminar a cerveja antes que ficasse quente. Acidentalmente, abriu a porta de um dos cômodos encontrando um casal quase nu e em outro mais uma galera fumando, bufou e desceu as escadas indo para um corredor que certamente o levaria para os fundos da casa, pois cada vez que se distanciava, a música ficava mais baixa. Mais a diante, encontrou uma varanda com as portas abertas. Pôs os pés para fora sentindo o vento fresco da noite e a Lua iluminando o chão. Sentou-se no único degrau que havia na pequena área para a grama e ao lado de uma churrasqueira americana. A sua frente havia uma mureta como a de sua casa, com alguns vasos pendurados e plantas que se enroscavam na parede.

Com uma pequena dificuldade, buscou mais um cigarro no bolso da calça e o isqueiro, ascendeu e fez o mesmo ritual. Uma longa tragada para logo expulsar a fumaça de si. Realmente, fazia uma noite muito agradável. Queria encher a cara, mas se fizesse talvez Eijiro o deixaria dormindo no chão da rua. Deu o último gole na cerveja descansando a lata no chão, ao seu lado esquerdo e, ao levantar a cabeça após soltar a lata, deu de cara com mais outro casal aos beijos no outro canto da varanda, sentados no mesmo e único degrau. Levou o cigarro que segurava entre o indicador e o dedo do meio, para a boca pela irritação que era não estar sozinho e estar sendo "acompanhado" por duas línguas nojentas. Tragou mais uma vez olhando o casal e havia algo de muito estranho, mas não sabia o que era.

Continuou fumando e de olhos semicerrados para a pessoa que estava de frente para ele, por conta do garoto que beijava de costas para Bakugo, era certamente uma garota a outra pessoa. Estava difícil ver quem era aquele ser com uma face tranquila enquanto mexia a cabeça cada vez que os lábios abriam para a língua ser acariciada pela oposta. O garoto que estava de costas, pôs a palma direita na coxa da "parceira" e apertou, Katsuki esperou que com aquele ato ela se afastasse para ele conseguir reconhecê-la. Ainda encarando e forçar a visão faria seu grau aumentar com certeza, finalmente reconheceu o rosto que agora afastou-se devagar para olhar aquele que o beijava. "Puta. Merda.", pensou Bakugo não notando que quando escancarou a boca ao ver Shindo beijando Midoriya, —o garoto do short vermelho— deixou o cigarro aceso cair na grama. Eles cochichavam algo, viu o baixinho sorriu e levar a palma pequena para o rosto de Yo que segurou-a.

Não havia bebido nem cinco latas de cerveja e já sentia-se com ânsia, e sabia exatamente que não era pelo álcool e sim por ter presenciado aquilo. Parecia que dentro de si moravam dois corações, um ocupava o peito que praticamente rachava a cada batida estrondosa e outro no estômago anunciando que estava completamente fora de si. Shindo era gay?! Pensou que o garoto implicava consigo porque sentia atração, fez uma cara de enjoo ao imaginar e logo passou para a outra e mais assustadoramente alternativa: o tal nerd do joelho ralado também era gay... E muito gay! Ainda olhando desacreditado e de boca aberta para os dois que voltaram a se beijar, lembrou-se das sensações que Midoriya lhe proporcionou, na escola. A bunda coberta pelo short vermelho empinado para si, as pernas perfeitamente salientadas com a cor do esfolado contrastando na pele branquinha e o roçar de quadril em seu baixo ventre. Aquilo não tinha nada de "gracinha"! Pôs a palma esquerda no rosto e fechou os olhos sentindo vontade de colocar os doces que comeu para fora. Esfregou a mão nos olhos e assim que as pálpebras foram abertas, o cigarro que sequer havia notado que derrubou no chão, colocou fogo na grama entre seus pés. Levantou-se em súbito e começou a pisotear a grama com raiva tanto do fogo quanto dos pensamentos que agora estavam fritando seu cérebro. Mesmo que tivesse apagado a chama, continuou a pisotear intensificando a raiva aos pensamentos duplicarem as imagens de Midoriya e Shindo na sua cabeça. Grunhia alto e se dando conta do alarde que fazia,  parou e começou arfar. Levantou o cenho franzido do chão para encarar o meio sorriso irônico de Yo e os olhos arregalados em susto de Izuku. Petrificou por uns segundos e logo pôs-se a quase sair correndo.

Desengonçado e de volta ao meio de tanta gente na sala, acendia o cigarro com dificuldade, mas assim que conseguiu, encontrou Kirishima falando com algumas pessoas que bebiam ao lado da escada. Aproximou-se e agarrou o pulso do ruivo o levando para um canto.

— Cara, que porra aconteceu com você? Por que essa cara de quem viu um fantasma? — Eijiro gargalhava daquela maneira que se não tivesse uma música altíssima, estouraria os tímpanos de Bakugo.

— Shindo é gay. — ao mesmo tempo que se pronunciou, a fumaça na garganta do loiro voou para o rosto próximo de Kirishima que tossiu e agitou a mão para expulsar a nuvem tóxica e insuportável.

— Quê? — perguntou tossindo e pigarreando logo em seguida. Bakugo bateu na própria testa com a mão que segurava o cigarro longo e mordeu os lábios sem paciência. — Quer que eu pegue uma cerveja pra você? — o melhor amigo perguntou preocupado, Katsuki tragou mais uma vez e assentiu recompondo-se. — Espere aqui.

A raiva misturada com aflição, nervosismo e enjoo fazia Bakugo Katsuki sentir-se sem ar como se o médio corredor que passou correndo fosse uma maratona. Encostou-se na parede e massageou as têmporas para quem sabe acalmar-se com a fumaça que saía de suas narinas. Kirishima estava demorando demais. Bateu freneticamente o pé direito no chão pela ansiedade. Da cozinha, Mineta aproximava-se com uma garrafa transparente de vodka. Quando o garoto baixinho estava quase ultrapassando-o, roubou a garrafa das duas mãos que segurava-a.

— Bakugo! Ei!

— Cale a boca e continue andando! — berrou fazendo Mineta contrair os lábios pelo horroroso cheiro que emanava da boca aberta de Katsuki.

Deu quatro longos goles na bebida incolor logo sentindo a mesma incendiar a garganta com a intensidade que seus pensamentos destroçavam cada neurônio. "Dane-se Kirishima se tiver de me carregar", pensou virando a garrafa de olhos fechados e bebendo até a metade. Afastou o vidro de sua boca e do outro lado da sala, a sua frente, Midoriya estava sentado na mesa ao lado de um quadro enorme da família de Sero. O garoto de cabelos verdes agora negros por conta da pouca luz, balançava os pés cruzados lentamente enquanto as mãos estavam apoiadas na beirada da madeira. Ele olhava para a direita de Bakugo, que era esquerda para ele. Estava com um sorriso no rosto, e Katsuki mais uma vez arriscava seu grau aumentar apenas para se certificar se ele estava mesmo sorrindo. Deu  mais um gole não tirando os olhos de Izuku e o verdinho logo encontrou Bakugo, no meio das luzes azuis ou roxas, ou como ele também imaginava o Universo infinitamente imenso naquele lugar. Desfez o sorriso e passou a encarar o loiro que alimentava os olhos verdes. Se Midoriya estava o olhando, então sabia quem Bakugo era. "Imbecil", pensou franzindo o cenho.

— Achei você, amorzinho! — algo havia se jogado contra seu corpo e circulado seu pescoço com braços. — Eu estava procurando por você! — a garota o fez cortar os olhares com Midoriya, o irritando ainda mais. — Me sinto quente, Katsuki... — disse colando-se ainda mais em seu corpo, beijou a ponta do queixo do loiro indo para o pescoço onde ele segurou firme na cintura desnuda de Camie e apertou forte. Izuku ainda estava o olhando sério, e por que estava sozinho?

— Você viu o Kirishima por aí? — perguntou ao pé do ouvido da loira que continuava com os beijos no pescoço. Shindo apareceu de algum lugar segurando dois copos transparentes estendendo um para Midoriya que sorriu ao ter Yo de volta ao seu campo de visão. Um sorriso muito alegre. — Ele foi buscar cerveja pra mim e não voltou até agora.

— Tomara que não apareça, senão você corre atrás dele como um cachorrinho. — disse manhosa mordendo o lábio inferior de Katsuki, que manteve os olhos fixos em Midoriya rindo de algo estúpido que Yo disse. O loiro rosnou contra os lábios de Utsushimi. Bakugo abriu os lábios e logo sentiu a língua de sua "namorada" adentrar e morder a sua.

Katsuki não beijava com a mesma vontade necessitada que a loira agarrava-se mais em seu pescoço e lábios, como se o corpo repleto de curvas de Camie não puxasse sua atenção como antigamente. A única coisa que era capaz de fazer aquilo era a raiva que sentia por estar beijando de olhos abertos e grudados naquele "pirralho" e em Shindo que estava bancando o engraçadinho. Fechou os olhos, mas manteve o cenho franzido para tentar concentrar-se nas mãos hábeis da loira que puxava os fios da nuca de Bakugo. Mas com as pálpebras fechadas era pior do que com os olhos abertos. Magicamente, Camie tornou-se Midoriya com o short vermelho e a regata branca, o lugar de repente ficou sem som e transformou-se na enfermaria da escola. Seu coração bombeava sangue como nunca havia bombeado em toda a sua vida, até aquele momento. Com a perna no meio das do verdinho, Midoriya roçava a intimidade com a mesma intensidade que puxava os lábios de Katsuki e logo sugava. O loiro, com as duas mãos, apertou com força as nádegas que ficavam tão bem desenhadas naquele tecido de cor quente... Quente como estava  algo desperto no meio de suas pernas. Izuku pôs-se na ponta dos pés para dar pequenas mordidinhas no pescoço de Bakugo que gemeu arrastado e beliscou o bumbum empinado do baixinho.

— Me foda como da última vez... — disse Midoriya deslizando a mão desde o peitoral de Bakugo até o pênis rijo, massageando por cima do jeans que ousava cair pela falta de um cinto.

— O quê...? — disse, mas seu timbre estranhamente parecia distante ao sair de sua boca.

Midoriya pausou o beijo, fazendo Bakugo resmungar e ouvir a música alta retornando para seus ouvidos sem proteção. As caixas de som pareciam estar ao seu lado. Abriu os olhos ainda em êxtase logo prendendo a respiração, Utsushimi o encarava com uma cara satisfeita, mas que pediria sempre por mais. Abriu e fechou diversas vezes a boca olhando para o chão com os olhos arregalados. Há quanto tempo estava alucinando? Quanto tempo se passou enquanto achava que estava beijando Midoriya? O enjoo que antes havia ido embora, agora voltava com brusquidão para o estômago sensível pelas bebidas e pelos pensamentos. Empurrou Camie para longe de si e vomitou a sua frente não interferindo as pessoas que envolta ainda dançavam. Com a boca suja, olhou por volta procurando Midoriya; mesmo que contra a vontade, a sua cabeça não obedecia os pensamentos... Ou sim, já que eram completamente sobre aquele pirralho de cabelos verdes.

— Katsuki! — chamou a loira, preocupada.

— Não fode! — gritou logo limpando o canto da boca com o punho.

— De onde você tirou vodka, Bakugo?! — Kirishima o puxou pelo braço levando-o para o banheiro. O ruivo abriu a porta com a mão esquerda e empurrou Katsuki para a privada que já lhe esperava com a tampa aberta. Mais alguns litros daquele líquido azedo iria ser colocado para fora com força. — Eu saí pra comprar mais cervejas porque a galera do poker acabou com todas. — descruzou os braços e agachou-se ao lado do melhor amigo que praticamente colocava a cabeça para dentro do vaso. — Que problema você quer esquecer agora? — a pergunta fez o loiro o encarar com carranca.

— Estou sóbrio, filho da mãe. — cruzou as pernas e rodeou o assento da privada com os braços.

— "Sóbrio"? — gargalhou Eijiro. — Você está morrendo e diz estar sóbrio. — ouviu Katsuki bufar. — Mas acho que confio no que você diz... Eu acabei de ver o Shindo beijando um cara.

Bakugo Katsuki não estava literalmente sozinho, mas num momento quem sabe tranquilo onde pudesse engavetar adequadamente seus pensamentos em ordem alfabética. E que porra aconteceu? Aquele sorriso que ele dava olhando para Shindo com certeza era falso, para Katsuki, ninguém conseguia ser tão insuportavelmente filho da puta como Yo. E ele não conseguia acreditar que Midoriya estava tendo alguma coisa com aquele idiota. Não sabia qual situação o deixava mais desacreditado.

Bakugo não sabia dizer, mas... Midoriya parecia ser muito bom.


Notas Finais


E então finalizamos o cap. com uma frase muito reflexiva de Sero Hanta, 2006.

'Tenderam agora? hehehehhehhehhehhe. Como uma droga, "a primeira vez" sobre qualquer coisa, nem que a primeira vez pensando em alguém, é inesquecível. E sim! Coloquei minha mulher gostosa (Camie) como —por enquanto— a namorada chata, dramática e grudenta do Bakugo. Clichê, né? Mas os parafusos que faltam na cabeça dela irão retornar futuramente ;)

É isso! Vejo vocês nos comentários para muitos surtos e fôlegos para essa "primeira vez", rs.

Beijinhos,
Hurt//RealPlisetsky.


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