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História É seu meu coração - Capítulo 1


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Notas do Autor


Primeira fic, precisei escrever para superar aquela Live.
Espero que gostem

Capítulo 1 - É seu meu coração


Fanfic / Fanfiction É seu meu coração - Capítulo 1 - É seu meu coração

– Vamos, Julinho! – Denis chamava pelo o que deveria ser a quarta vez, Júlio César mal o ouvia – Vamos, Júlio, a chuva está forte e já estou todo encharcado de novo.

Já sem paciência para o personal, o loiro respondeu, de um jeito mais ríspido do que planejara:

– Vai andando, ô Denis. Pega aqui a chave da sua casa e da minha e dorme onde você quiser. Mais tarde eu apareço lá.

E voltou sua atenção para o que realmente estava deixando sua mente fervendo. Ver o Maurílio daquele jeito, na chuva, tremendo, fazia com que o mundo parecesse ter parado de girar, a hora com certeza não estava passando mais. Julinho não sabia ao certo o que fazer, as coisas entre ele e o moreno não estavam bem fazia tempo, mas poxa, a situação era diferente. Maurílio acreditava que ia morrer, perdeu o violão do avô e agora Rogerinho estava trancado em sua Kombi (o que significava que ele não tinha onde dormir mais). Como poderia deixar seu palestrinha sozinho dessa forma?

O pensamento de chama-lo de "seu" fez seu estômago revirar. Ele tomou coragem para se aproximar, meio vacilante.

– Mamau... Sai dessa chuva.

Maurílio estava esgotado. Essa era a palavra. Tudo que tentou na vida sempre acabou em fracasso. Nunca recebeu apoio de ninguém, há meses morava precariamente na sua Kombi, desde que entrou para o programa era ridicularizado pelos seus colegas e seu relacionamento com Julinho parecia uma roda gigante protagonizada por duas crianças de 12 anos. O que aconteceu hoje foi a gota d'água, ele não aguentava mais se manter positivo. Iria morrer por causa de R$200,00, sem o violão de seu avô (que apesar de doer muito vender, Renan teve a audácia de quebrar sem considerar o quanto isso ofenderia o colega), estava molhado, sujo, com frio, e a mão amiga – amiga? – que ele esperava que se estendesse para ele estava indo embora de moto com um maldito personal.

Quando ouviu a voz de Júlio César chamando por ele, usando aquele apelido que sempre o fez derreter, sentiu raiva. Raiva por sua vida sempre estar de ponta cabeça, raiva pelo loiro nunca o entender e sempre achar que tudo vai se resolver apenas esperando o tempo passar. Não respondeu, não queria olhar para Julinho, na verdade não sentia vontade de sair do lugar, de se mexer.

Julinho foi até a Kombi tentar convencer Rogerinho a ir para casa porque ali no terreno haviam muitas cobras – e possíveis gnomos – que atrapalhariam seu sono e tornariam a estadia bem perigosa. Com muita discussões e aos berros de que "Eu to saindo porque eu quero, ninguém me convence a mudar de lugar não", ele conseguiu fazer com que o piloto da Sprinter vermelha e azul resolvesse ir para casa, onde é mais seguro, e ele poderia ouvir um street dance para se acalmar depois da briga com Renan.

Júlio tateava por entre livros e várias bagunças que agora compunham o cenário de dentro da Kombi, até encontrar uma toalha seca. Se dirigiu a Maurílio outra vez.

– Dodói, vem cá se secar.

– ...

– Para de graça, ô Maurílio. Me responde, rapá. 

A fúria começou a tomar conta das entranhas de Maurílio. Como ele pode ser tão frio? Tão indiferente a tudo que aconteceu hoje?

O moreno acabou explodindo:

– Responder? Você quer que eu te responda ô poderoso Júlio César? – zombou Maurílio com um riso beirando o doentio – Eu lhe respondo. Eu não quero me enxugar. Eu não ligo para uma merda de roupa molhada!! Eu vou morrer, Júlio César!!! Vou morrer e o máximo de afeto que recebi na vida foi de um psicopata preocupado comigo chorando, um maluco me arrumando uma toalha e jogando em mim ainda debaixo de chuva e um burro me pedindo para sair da chuva, depois de ter destruído a única coisa boa que eu já achei que tivesse acontecido na minha vida! Eu não ligo para mais nada! Eu nem sei porque eu insisto em continuar tentando…

Maurílio parecia vomitar aquelas palavras, tamanha a rapidez com que dizia. Seu peito arfava, era como se precisasse por tudo aquilo para fora para conseguir respirar. Julinho nunca o vira assim, descontrolado, como se todos os nervos do corpo falassem, e pela primeira vez, entendeu que ficar de joguinhos com Mamau era crueldade demais. Ele já havia passado por coisas pelas quais Julinho nem imaginava, fora a falta de afeto familiar, que ele achava tão inimaginável... O que seu moreno precisava agora não era entender que ele o amava através de ciúmes ou brincadeirinhas, ele precisava sentir que existia alguém para quem voltar toda noite, e apenas isso.

Enquanto ele ainda esbravejava, Júlio foi se aproximando bem devagar e colocou a toalha sobre seus ombros. Percebendo que não teve reações negativas, ajeitou o objeto e abraçou Maurílio.

– Vem, Palestrinha, bora sair desse temporal.

Depois de por tudo para fora, a única força que restava a Maurilio era pra chorar. Dessa forma deixou que Júlio César se aproximasse e lhe envolvesse em um abraço caloroso, que fez seu corpo inteiro arrepiar.

Júlio o levou para dentro da Kombi, tirou aquela roupa molhada, colocou um pijama bem quentinho. Ligou um secador de cabelo através de um extensão que entrava pela janela lateral da Kombi, pediu Maurílio para se sentar entra as pernas dele e começou a secar seus cabelos e sua barba, lentamente, com um cuidado como se o Palestrinha fosse de porcelana. Maurílio, que até então permaneceu mudo e até mesmo apático durante todo o ritual, disse num tom quase inaudível:

– Você não entende, não é, Júlio César?

Aquele jeito sem emoção de chamá-lo pelo nome parecia um tiro no peito de Julinho. Poucas vezes o moreno chamara ele pelo nome, geralmente em brigas repleto de raiva e com emoções explodindo, dessa vez não. O tom era suave, mas sem ondulações. Era como se Julinho estivesse lendo aquelas palavras em um papel.

– Minha vida não tem muito sentindo. E eu to cansado de tentar por sentindo nela. Para mim chega, esgotei minhas forças. 

Aquilo machucava o loiro mais do que qualquer ofensa ou golpe que já levou em qualquer briga. Ele era um idiota. A dificuldade de Maurílio em demonstrar o que sentia, suas escapadas tangenciais de assuntos mais pessoais não eram jogos ou "tipinho", eram cicatrizes, eram o retrato de não saber o que era ser alguém em algum lugar do mundo. Ele virou o moreno para si, levantou sua cabeça levemente pelo queixo para olhar em seus olhos.

– Ô dodói, me desculpa. Eu sei que sou meio largado e faço besteira. Eu fico todo atrapalhado e acabo fazendo merda e espero o tempo passar e pronto, tudo resolvido na maciota. Mas, Mamau, não desiste de nada não. Você é incrível, inteligente, e lindo! Eu te amo, palestrinha!

Se aproximou meio sem jeito e deu um beijo de leve nos lábios do moreno. Que retribuiu, com mais intensidade do que o loiro esperava. Quando se afastaram, Maurílio tinha lágrimas nos olhos outra vez.

– Ju, você me empresta os R$200,00?

– Te empresto, dodói – Julinho respondeu com uma risada largada – Agora deita aqui que você precisa descansar.

Aninhou seu moreno em seus braços, que deitou como se fosse uma criança que havia caído e ralado o joelho.

Maurílio nesse momento sentia uma certa paz, estava mais leve de ter colocado tudo para fora e se sentia feliz por Julinho finalmente entender a bagunça que acontecia na sua mente e no seu coração. Agora iria dormir, quentinho e se sentindo bem, com o Tony nas mãos e no peito de seu amor digno de filme ganhador de Oscar.

– Eu também te amo, Ju.

– Dorme logo Mamau, que eu to exausto também.



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