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História É streamer que fala é? - Capítulo 5


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Notas do Autor


O Et Bilu tem uma mensagem para vocês:
"Apenas que... busquem paciência com a Clarice".

Nois trupica mais não cai, tô de volta

Boa leitura!!

Capítulo 5 - Lasanha I


 

 

Eu estava passeando com a Boo e tinha o Luiz no telefone, ele ligou com a desculpa de saber como eu estava, mas na verdade só queria me pedir para ficar mais sete dias com a Boo. Aparentemente um grupo de amigos ingleses (que ele fez na viagem) o chamou para conhecer Amsterdã - e ele não pensou duas vezes antes de aceitar. 

Eu aceitei por dois motivos básicos; eu adoro comer por aquilo que eu não estou pagando e eu amo ficar sozinha. Também falei com ele sobre o Rafael. Ele não gostou. 

"Eu não acredito que você deixou ele lavar minhas louças, Kelly"

- Ele não usou Bombril nas Tupperware, eu juro. 

"Eu espero que não mesmo! Mas eu me refiro à uma pessoa estranha manipulando minhas facas afiadíssimas." 

- Ah… - enrolei o fone no dedo enquanto pensava em como contra-argumentar e me lembrei do motivo da ligação. - Então talvez você não deva viajar com um grupo de pessoas desconhecidas para outro país - xeque-mate.

Ele ficou calado depois disso, só era audível os ruídos da ligação. Aproveitei para me abaixar e fazer carinho na Boo que brincava com uma folha seca.

"Tudo bem. Estou voltando para o Brasil…"

- Não! Luiz! - Me levantei gritando sozinha com os fones de ouvido e bati minhas costas contra alguém. - Meu Deus me desc… - ah, eu não vou pedir desculpa. 

"O que você fez?"

Luiz ria igual um imbecil do outro lado da linha.

- Cala a boca idiota.

Rafael estava parado na minha frente. Lobinho na guia se balançava todinho para "cumprimentar" a Boo, mas ela apenas olhou para ele e voltou a atenção para sua folha. 

"Eu estou assumindo os meus riscos aqui e você assume os seus aí. Porque eu vou conhecer Amsterdã sim e vou estar chapado demais para te salvar do menino do YouTube." 

- Eu vou avisar a Raquel quando receber visitas, se isso te deixa menos preocupado. - Pedi para o loiro na minha frente esperar segurando minha mão na frente do rosto. 

"Nem um pouco. Mas por favor, não deixe ele sujar as paredes do meu quarto se for te matar, aquele papel de parede era uma edição limitada."

- Você é inacreditável, Luiz - peguei o celular do bolso para desligar a chamada. - Te vejo nos jornais, tchau.

Desliguei a chamada, tirei os fones do ouvido e abaixei meu capuz.

- Oi - Rafael falou primeiro, acenando para mim. - Bom dia, ruivinha. 

- E ai. Bom dia - acenei de volta.

- Tenho uma notícia pra você. 

- Vai pagar minha lasanha?

- Em resumo sim. Agora eu tenho gás no apartamento! - Ele levantou as duas mãos como um mágico após fazer uma pomba sair voando da sua cartola.

- Parabéns - eu levantei minhas mãos mais alto ainda e o chamei para um abraço. - Mas podia ter me contado isso já com a minha lasanha - eu disse durante o abraço e senti as vibrações do seu riso no meu peito. 

- Você é realmente muito irritante né? - Ele disse desnecessariamente baixo perto do meu ouvido. Esperei a gente se separar para respondê-lo.

- Meu pai diz que isso é uma qualidade.

- Como? 

- Serve para filtrar as pessoas que realmente querem estar comigo.

- Até que faz sentido.

Eu estava tão distraída que esqueci que a Boo poderia sair correndo a qualquer momento e levar meu braço junto com ela e foi justamente o que aconteceu. Acabei me desequilibrando um pouco, mas logo tratei de acompanhar a pug antes que ela surtasse. Rafael nos acompanhou também, seu cachorro sempre saltitante atrás da minha protegida. 

- Faz sim. E isso só me trouxe ótimos relacionamentos. 

- Você nunca teve um namoro ruim? 

- Tudo bem, ótimos relacionamentos com meus amigos - eu ri de nervoso. 

- Foi o que eu pensei - e antes que eu pudesse perguntar o significado daquilo ele voltou a falar: - Não é nada sobre você. É só que, relacionamentos amorosos geralmente já começam com essa intenção, então as pessoas costumam passar por esses filtros aí só para conseguirem o que querem. 

- Eu acho que não…

- Então por que as pessoas mudam tanto quando já estão dentro de um relacionamento? 

- Então tá. - paramos na frente do nosso prédio, segurei firme a guia da Boo e pedi para ela sentar e esperar (surtada porém adestrada). - Seguinte, na sua primeira fala por exemplo, eu acho que você está falando de experiências pessoais. Se entregar a um relacionamento romântico com alguém não é só sobre conseguir o que quer, na minha cabeça você descreveu alguém que só quer comer outra pessoa e não alguém que quer uma relação duradoura. 

- Ou alguém que só quer ser comido - ele deu de ombros. 

-Tá vendo só? Eu disse que era experiência pessoal - empurrei seu ombro levemente. - O guri que é famoso na internet e não conhece o amor.

- Caralho! - Ele apontou para mim surpreso. - Eu ouvi exatamente a mesma coisa num podcast.

- Eu sei das coisas, loirinho. 

- 'Tô vendo - ele riu. - Mas você entendeu o meu ponto?

- Claro. O filtro não funciona pra todo mundo, mas isso já tem a ver com caráter. Eu não me permito agir diferente para conquistar alguém, mas se alguém está disposto a fingir que gosta de mim é por sua conta e risco. 

- O que você faz quando elas passam pelo seu filtro?

- A mesma coisa que fiz com meu último namorado: eu chuto suas bolas. 

Rafael levou as mãos à virilha em reflexo e me olhou falsamente assustado. 

- Você também é assustadora. 

Dei de ombros e mandei um sorriso maroto para ele. Guardei as mãos no bolso por um momento, olhei para ele, em seguida para a Boo e percebi que ela havia dormindo. Quando voltei o olhar para ele nós dois começamos a rir. 

- Lasanha? - Ele perguntou.

Peguei a cadela no colo te despertando do seu cochilo típico de pug e beijei sua cabeça. 

- Lasanha. 

 

>?<


 

[18/1 10:47 AM] Kelly Barbosa: Amiga, tô indo pra casa do seu crush de internet, cuida da Boo se eu morrer

[18/1 10:48 AM] Raquel Esposa de Mentirinha: SAFAAAADA

[18/1 10:49 AM] Kelly Barbosa: Ele vai pagar minha lasanha!!

[18/1 10:51 AM] Raquel Esposa de Mentirinha: seeeeei a lasanha que ele vai pagar

Revirei os olhos e resolvi ignorá-la, guardando o celular no bolso da calça. Eu já estava no apartamento do Rafael quando enviei as mensagens e a Boo já estav no apartamento dela. Rafael me mostrou a sala, a cozinha e me largou em algum lugar antes de correr para o quarto, dizendo que ia trocar de roupa. Eu não sei quem era o mais sem noção do perigo entre nós dois. 

Enquanto aguardava na sala fiquei caminhando pelo cômodo, tocando cada parte dele com os olhos. Era um ambiente limpo, as paredes brancas, o sofá também branco, alguns brinquedos estavam espalhados pelo chão e sofá, mas não significava que o cômodo estava bagunçado, apenas dava sinais de que havia um cachorro por lá. Inclusive, Lobinho (que eu descobri no elevador que na verdade se chama Eredin) não acompanhou o dono, ele ficou brincando com os meus pés enquanto e eu estava distraída com o telefone e depois com a sala e agora tentava ganhar minha atenção pulando no sofá.

- Tudo bem, tudo bem, a tia vai brincar com você agora - me sentei no sofá e ele pulou no meu colo, tentando alcançar minhas mãos. - Por que vocês são tão obcecados por mãos?

Obviamente Eredin não respondeu, apenas continuou a caça pelos meus membros superiores. Ele pulava alto e quase conseguia alcançar meu rosto, então fiz o que eu fazia com o meu cachorro Billy nessas situações: me deitei no sofá com as mãos na cabeça e o rosto escondido no estofado. Eredin enlouqueceu como eu previra, puxava meu cabelo como se minha cabeça fosse um buraco de terra que ele estava abrindo. Eu comecei a rir descontroladamente e me virei de costas, segurando o cachorro com as mãos, lhe dando o prazer que ele buscava; mordiscar meus dedos. 

Meu óculos já havia caído do meu rosto a um tempo e o que eu via era um borrão escuro tentando me devorar, mas ainda era extremamente fofinho e eu estava prestes a morrer de overdose de doguinho. Então alguém fez sombra sobre mim, interrompendo a brincadeira. Não imediatamente, afinal, eu ainda precisava acalmar a fera em cima de mim. Meu sentei novamente e segurei Lobinho com as duas mãos, Rafael estava com os braços apoiados no sofá, atrás do mesmo, eu não sabia a expressão que ele fazia porque estava fora do meu alcance de visão sem minhas lentes.

- Você vê o meu óculos? - perguntei olhando na sua direção com os olhos semicerrados, como uma verdadeira míope.  

Senti ele tatear o sofá e então pude ver sua mão vindo na minha direção com o óculos. Eu ia pegar o acessório, mas ele me driblou e levou o óculos diretamente para o meu rosto. Ficou meio torto na orelha esquerda, mas eu ajustei sem problemas e agora podia ver sua expressão neutra. 

- Sabe o que esse cachorro é? Um puta de um vendido -  ele tomou o Lobinho das minhas mãos e começou a beijar ele. - Você é muito vendido, Lobinho. Por que você é assim? - Ele falava com o cachorro enquanto beijava seu rosto e sua cabeça. 

- Eu devia estar constrangida assim? Porque uau… Eu quase diria pra você arrumar um quarto, pra mim, assim eu não teria que ver isso. 

- Você não tem cachorro? - Ele perguntou ainda distraído com o cachorro.

- Eu respeito o espaço do meu cachorro - menti descaradamente. 

Ele, então, finalmente soltou o Eredin e caminhou para o centro da sala. 

- Vamos? - Ele me estendeu uma mão. 

- Seu forno já devia estar pré-aquecendo - segurei sua mão e me levantei, soltando sua mão em seguida. 

- Me siga senhorita - ele fez uma reverência clássica de mordomos e partiu em direção a cozinha.

- Eu nunca estive tão hypada por uma lasanha - eu disse logo atrás dele. 

- Vai ser a melhor lasanha da sua vida. 

Estávamos novamente na cozinha e eu pude notar que algumas coisas já estavam no balcão, como um tabuleiro de alumínio, tomates e cebolas em cima da pia e um saco de macarrão de lasanha na bancada ao meu lado. Peguei este último na mão e mostrei para Rafael. 

- Há quanto tempo essas coisas estão aqui fora?

- Desde hoje de manhã, eu estava conferindo se eu tinha tudo que precisava -  ele me respondeu e foi procurar algo na geladeira. - Acontece que eu tinha, e agora - ele tinha um prato com carne moída crua na mão quando se virou de volta - prepare-se para ver o Talento Supremo na cozinha. 

- Eu já ouvi isso antes - acusei sabendo que era o título do Leon do canal Coisa de Nerd. 

- Shii - colocou um dedo na boca. - As pessoas não sabem que ele roubou o bordão de mim. Agora vem aqui. - ele pediu colocando o prato na bancada. 

Me aproximei da forma que eu achei suficiente, mas ele continuava me chamando com a mão, até que estivéssemos cara a cara. Esperei ele dizer alguma coisa, mas seus olhos estavam percorrendo meu rosto e cabelo. Ele estendeu uma mão até minha cabeça e segurou um cacho meu, sem olhar nos meus olhos. O que estava acontecendo? É agora que a gente se pega? Porque eu não reclamaria. 

- Raquel, o seu cabelo - ele falou baixo e se aproximou mais do meu ouvido. - Está ridículo. 

- Filho da pu...


Notas Finais


Só queria dizer que amo todo mundo que ta lendo isso, vocês são verdadeiros anjinhos.
Agora vão ouvir Potyguara Bardo e deixa a tia atualizar as fanfic dela

Nos vemos no próximo capítulo e byeee


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