1. Spirit Fanfics >
  2. É Tudo Pura Coincidência! >
  3. Um vendedor um tanto suspeito

História É Tudo Pura Coincidência! - Capítulo 1


Escrita por: e airolg


Notas do Autor


alô alô
essa fanfic não faz parte do ciclo de fim de ano, eu só quis escrever esse plot que eu tenho faz tempo pro projeto.
agradeço muito a @pyeonji pela capa lindinha que ela fez de última hora ♡ ficou lindona!
eu espero que vocês gostem e feliz ano novo! esse ano vamos ter bastante coisa no otsukare ♡ boa leitura!

Capítulo 1 - Um vendedor um tanto suspeito



20 de dezembro, 2019

Yoongi andava pelas ruas de seu bairro extremamente frustrado. Acabou de olhar em seu celular e parece ter finalmente dado conta de que estavam a poucos dias de acabar o ano. No momento, aquela música que diz "Então é natal, e o que você fez?" parecia ter sido escrita inspirada nele. 

Quando começou o ensino médio, assim como quase todo mundo que sai do ensino fundamental, esperava ter uma experiência incrível; ou ao menos fazer o — segundo sua tia — "básico que todo o jovem tem que fazer": beijar, tirar notas boas, fazer amigos e… beijar. O Min conseguiu com maestria falhar em todos.

Suas notas não eram uma maravilha, só eram o suficiente para garantir passar de ano e ainda ficou de recuperação em matemática no seu último ano escolar (sem nem contar para sua mãe); Era amigo somente das inspetoras, que lhe ofereciam um cafézinho quando fugia da aula de educação física e beijo se tornou uma palavra proibida no seu vocabulário.

Não que ele fosse da turma do "escolhi esperar" ou algo do tipo, na real, não sabia como eles tinham níveis de carência tão controlados; só lhe faltou coragem e reciprocidade mesmo. Mas o que mais dificultava era sua tia, que sempre ficava o lembrando de que só teria 17 uma vez na vida e contava suas histórias da juventude. Talvez tudo teria sido melhor se não tivesse se apaixonado ou tivesse algo para ocupar sua mente além disso. 

Teve um total de dez paixonites durante esse ano — sim, ele contou — algumas delas foram: Park Jimin,  presidente do grêmio estudantil que só ligava para os vestibulares; Jeon Jungkook, que estava ocupado demais cantando nos corredores da escola com seu violão; Kim Taehyung, que só queria ficar o dia inteiro nas aulas de arte e Kim Namjoon, que foi admitido em uma universidade estrangeira aos 15 anos por ser super dotado. A lista ainda conta com mais outros seis que não deram certo, mas Yoongi nem gostava de se lembrar. 

Um suspiro cansado saiu de sua boca pelo que parecia ser a centésima vez naquele dia. Tudo o que passava pela cabeça do menino era se pelo menos ano que vem conseguiria arranjar alguém para chamar de seu que suprisse suas carências diárias. 

— Frustrado romanticamente? — uma voz acordou Yoongi de seus pensamentos. 

A tal voz veio de uma barraca mal montada e simples, que estranhamente se localizava de frente com sua casa e passou despercebida pelo seu olhar. 

— O que é isso, Hoseok? — perguntou observando o cenário. 

— Estou vendendo roupas. — respondeu, mexendo nas suas mechas acerejais. 

— Na frente da minha casa? — a expressão do Min demonstrava completa confusão. Já é vizinho desse garoto há anos e nunca soube que ele era interessado em vendas.

— Claro! Sua casa fica na esquina, é melhor pro pessoal visualizar. — retrucou como se não fosse nada. — Eu pedi autorização, ok? Não me olha com essa cara. 

Yoongi deu de ombros para a presença do menino e se dirigiu a porta de entrada da sua casa, estava acostumado com as doideiras dele; mas não conseguiu nem ao menos dar um passo que sentiu a mão do garoto em seu braço, o impedindo de continuar o caminho. 

— Você não me respondeu. — disse Hoseok. — Está frustrado no amor? 

— Por que você quer saber? — já não bastava estar frustrado com sua vida, o Min ainda tinha que aguentar seu próprio vizinho o zombando.

— Porque eu tenho a solução. — fez uma expressão de convencido, como se fosse resolver os problemas do outro. 

— E qual seria, doutor do amor? — perguntou usando um tom irônico. É claro que não acreditava nas palavras do Jung, só queria saber para depois tirar boas risadas da situação. O vendedor riu, feliz com a resposta. 

 — Está vendo que há somente uma camisa sobrando na minha barraca? — questionou. Yoongi olhou bem e viu que o garoto estava certo, só havia uma camisa de cor vermelha sobrando sobre o tampão do local. 

— Sim. 

— Pois é, a maioria das pessoas quiseram roupas brancas porque elas trazem paz. — explicou. — Mas a maioria esquece que a vermelha traz amor…

— Hoseok — riu. —, é mais fácil você só me vender a camisa do que vir com esse papo de superstição. 

 — Mas eu não estou vendendo camisas por querer ganhar dinheiro, e sim para trazer boas coisas para às pessoas em 2020! — uma expressão carrancuda tomou conta de seu rosto, odiava pessoas que não acreditavam em nada como Yoongi. 

— Parece que você leva jeito pra vendas. — ironizou, apontando para a barraca quase vazia. — Continue assim! 

O loiro emburrado deu as costas para o Jung, pegando seu molho de chaves no seu bolso. Já sabia que esse seu vizinho tinha umas ideias meio doidas, não iria gastar 20 reais da sua mesada — que já era pequena — com ele. 

— Ano passado eu vendi pro Seokjin e hoje ele namora com a paixonite do ensino médio dele… — falou alto para que o outro que já estava indo embora ouvir. 

Por mais que não acreditasse, aquilo chamou a atenção de Yoongi, que parou de girar a maçaneta da porta. Todos da escola sabiam da grande quedinha que Seokjin teve pelo Sandeul na época em que estava estudando depois que ele resolveu  fazer a grande besteira de se declarar no pátio da escola e acabou sendo rejeitado. O mais estranho de tudo é que no ano seguinte os dois estavam namorando. 

Claro que o Min estava longe de acreditar que aquilo havia acontecido por causa de uma mera camiseta, sempre usava branco no final de ano, mas até agora não recebeu a paz mundial que lhe prometia. O que o garoto queria era que aquele trambolho de madeira saísse da frente de seu jardim que havia florido belas flores recentemente. 

— Me dê uma. — disse com o dinheiro na mão e o rosto afastado do de Hoseok, que com certeza estava rindo dele. 

— Você não vai se arrepender

[...]

O tempo passou e já se era véspera de ano novo. Dia muito emocionante para muitos, símbolo de um recomeço e uma esperança para um futuro melhor. Para Yoongi, só mais um dia onde ele mexia em seu celular enquanto comia e ouvia suas tias — todas vestidas de branco e com sementes de romã guardadas na carteira — conversarem sobre como se arrependem de ter casado. 

Não viu Hoseok mais aquela semana, assim como não ouviu nada sobre seu paradeiro, provavelmente estava viajando. Foi um alívio e tanto, não queria nem ver aquele toco de cabelo acerejado por um bom tempo, principalmente hoje, que usava a camiseta que comprou dele. 

Mas não pense que ele se rendeu a superstição! Muito pelo contrário, ainda estava plenamente convencido de que aquilo não daria em nada, até porque se esse tipo de coisa desse certo já teríamos a tão desejada paz mundial há um bom tempo. Do que adianta usar uma roupa se o cérebro de minhoca não muda? Só estava a usando porque seu estoque de roupas brancas estavam todas encardidas demais para serem usadas — puro relaxo dele.

— Eaí, Yoongi. — seu primo mais velho, um comediante na visão de suas tias, disse, forçando o garoto a soltar seu celular por um momento. — Usando vermelho pra achar um consagrado? 

— Eu comprei ela esses dias, nem sabia que significava isso. — respondeu. Tentava não se lembrar do Jung para não perder a paciência, no entanto sua resposta parecia ter quebrado todo o clima do seu primo, então continuou: — Mas se alguém aparecer, tamo aí! 

O clima que pareceu ter se perdido se achou na hora. Suas tias começaram a rir, uma delas até mesmo vociferou um "Esse ano vai, em!"; e seu priminho mais novo, que ainda não tinha noção de nada do mundo, junto ao outro, começou a rir também. 

— Você ouviu isso? — seu tio, que até pouco tempo estava só preocupado em encher o bucho vazio, apareceu na porta da cozinha, falando com sua mãe. — O Min disse que se alguém aparecer na vida dele ele tá disponível! 

Ah, pronto. Agora até sua mãe estava na sala rindo do que havia dito. Tinha certeza de que se eles fossem chamados para discutir algo sério, alguns faltariam, mas se fosse para zombar dele, todos, contando com sua avó que mora no interior, participariam da reunião sem falta. Era incrível. 

Ignorando — ou ao menos tentando — tudo aquilo, pegou o celular novamente, abrindo qualquer rede social para se distrair até às meia-noite. Não faltava muito, já havia comido até mais do que devia e o relógio marcava 23:30, mas aquele cenário parecia torturador para um adolescente em crise como Yoongi. 

Não conseguia parar de pensar na besteira que havia dito, ainda sentia a temperatura do seu rosto um tanto elevada e só torcia que suas bochechas não deixassem seu constrangimento óbvio. Com certeza aquilo seria lembrado por sua mãe até que ela esquecesse — ou seja, até que ela não estivesse mais aqui. 

Mal notou quando a tão esperada meia-noite chegou, só se ligou quando viu que todos na casa se abraçavam. Largou o aparelho e começou a fazer o mesmo, ainda tinha um amor pela família, embora todo o constrangimento que eles o faziam passar. Sempre buscou fazer isso rápido, pois o que sempre lhe animava na data estava lá fora, eram os fogos. 

Saiu correndo pela porta de casa e foi o primeiro a sair. No seu bairro, era comum que houvesse um certo exagero nos fogos, já que todos ali pareciam os amar assim como Yoongi fazia, então passar o ano novo em outro lugar nunca foi uma opção. 

Haviam de todas as cores — o preferido do garoto eram os dourados e vermelhos —, assim como haviam os mais baratos que nunca funcionavam — eles eram mais recorrentes na casa da sr. Park, que não gostava de gastar dinheiro com coisas supérfluas como aqueles estouros coloridos e momentâneos no céu (e ninguém ainda conseguiu convencer ela a comprar um diferente). 

Em meio toda aquela festa, com seus vizinhos se cumprimentando, barulho e muitos pontinhos brancos na rua, Yoongi sentiu uma cutucada leve em seu ombro, distraindo-o do espetáculo colorido que tomava conta do céu. E, se pudesse, não teria virado o rosto, pois se deu de cara com o que menos queria ver: aquele toco de cabelo vermelho. Bufou. Ele até que estava bem trajado, vestindo uma camiseta vermelha, jaqueta e calça jeans, acompanhado de um tênis feio que com certeza foi pago com uma boa quantia de grana. 

— Não era você que não acreditava em superstições? — O que ouvia as baboseiras virou os olhos. Felicidade, assim como falavam, durava pouco mesmo. 

— Não acredito mesmo — respondeu. —, só não tinha mais nada pra vestir. 

— Sei. — deu aquela cotovelada irritante de quem acha que sabe das coisas, demonstrando claramente um tom de ironia. Yoongi o ignorou, voltando a olhar para o céu. — Não precisa se sentir sozinho, eu também estou usando uma dessas pra ver se não sou correspondido esse ano. 

— E você já gosta de alguém? — a curiosidade tomou conta do loiro e a pergunta saiu sem nem mesmo cogitar se era uma boa se intrometer na vida dele assim.

— Claro, faz um bom tempo. — respondeu Hoseok. — Só que essa pessoa tá longe de gostar de mim. 

Pela expressão do garoto, o Min viu que não foi uma boa ideia perguntar sobre aquilo. Ele desabrochou na hora, parecia ser um tópico sensível. 

— Então é bom que você seguir o conselho que me deu. — Apontou para a camiseta vermelha do outro, brincando. — Talvez você consiga alguém também. 

Claro, nós com certeza vamos namorar esse ano.  

[...]

Aparentemente, hoje é o dia em que todos supostamente voltam às aulas — tirando aqueles que nunca vão no primeiro dia. Yoongi sabia disso pois já viu umas centenas de pessoas passando com suas mochilas e aquele material ruim que recebem da escola em mãos de lá pra cá, sentado na escadinha de sua casa. 

Os dias dele vem sendo assim, em casa, na escadinha, em casa e na escadinha… isso porque sua mãe lhe obrigava a ficar na escadinha pra pegar um sol e dar uma bronzeada naquela palidez que era sua pele, porque se fosse por ele ficaria dentro de casa o dia todo. Claro que gostaria de sair mais de casa, ver seus amigos, ir no shopping, em festas e todas essas coisas que adolescentes fazem, mas primeiro era necessário ter amigos e dinheiro, o que não tinha no momento.

Até mesmo mudou um pouco o visual, cortou o cabelo e pintou as madeixas de verde, que surpreendentemente combinou consigo. Acreditava que se começasse o ano com alguma mudança, isso o faria se sentir melhor, mas acabou se tornando um fardo quando Hoseok descobriu. 

— Nós estamos bem natalinos, não acha? — o Jung perguntou, sentando ao lado do outro sem ser convidado. — Eu tenho cabelo vermelho, a cor do Papai Noel, e você verde, cor da árvore. Saca? 

— Saquei. — não queria conversa, então foi breve. 

— Se estivesse nevando, seu cabelo ia ficar igualzinho um pinheiro comprado na loja. — riu, enquanto Yoongi fechava os olhos tentando ignorar suas falácias esquisitas. — Daí eu ia te encher de presente. 

— Hoseok. — chamou a atenção do risonho, que olhou para ele tentando não rir. — Você não tem nada pra fazer? 

— Não. — respondeu. — E você também não tem, não é? Tá aí algo em comum, não acha que nascemos um para o outro? 

Não o respondeu, tentando acabar com o assunto ali. Já não era a primeira vez que Hoseok vinha com esses papos flertantes. O pior deles foi quando se encontraram na padaria, onde o Jung lhe encheu de cantadas bem bregas e clichês, envolvendo pães, sonhos, até o padeiro, coitado, entrou nessa. 

Outro dia, descobriu que ele havia feito matrícula no mesmo curso que si, o que não podia ser uma mera coincidência, certo? Tinha certeza que ele estava tramando algo. Claro, tinha aquela pequena possibilidade de que o Jung só queria ser seu amigo — até porque acredita que  não passaria disso —, mas as conversas do garoto eram um tanto sugestivas demais. 

— Não acho. — respondeu Yoongi, vendo que o clima piorou ao não ter respondido.

Ouviu um suspiro vindo do outro, seguido de uma expressão frustrada. — Talvez tenha o chateado. — pensou o Min. Ou ele só está cansado? Não é como se ele quisesse se aproximar dele, certo? Aliás, quem quer tê-lo por perto? Não estava acostumado com aquele tipo de interação tão espontânea. Eram tantas perguntas na cabeça do garoto que ele se sentia sufocado, mas a pior de todas continuava circulando na sua mente.

"Será que ele gosta de mim?"

[...]

— Definitivamente, sim. — o rosto pálido de Yoongi se avermelhou por inteiro. Suas mãos foram em direção ao cabelo, os bagunçando em forma de desespero. Enquanto isso, Seokjin só o observava bebendo um gole do seu café. 

A cafeteria em que estavam não era das melhores — o Min não tinha lá muito dinheiro para marcar um encontro em um lugar melhor —, o que fazia o mais velho querer sair de lá o mais rápido possível, mas como negar a súplica vinda de Min Yoongi, o garoto que nunca havia soltado uma palavra na escola durante o ensino médio inteiro? 

— Pensa bem — o Kim se pronunciou e o outro levantou a cabeça. —, o Hoseok não era meu amigo no ensino médio, nunca foi. Aliás, nunca gostei dele. Essas falácias dele aí são todas mentiras! Eu nunca comprei uma camiseta com ele, nem sabia que esse patife fazia isso…

— Pois é, nem eu. — respondeu o Min. 

— Por isso mesmo, Min Yoongi! — aumentou o tom de sua voz. — Tá na cara que ele veio com essa historinha pra te conquistar. A barraca foi montada na sua rua, na frente da sua casa! Que vendedor escolheria esse lugar quando se tem o centro? 

A expressão do garoto só piorava, levando-o a grunhir, parecendo uma criança fazendo birra. 

 — E o que eu faço então? — choramingou, seus pés batiam no chão. — Nunca cheguei nessa parte da vida. 

— Ninguém nunca gostou de você? — a pergunta totalmente indiscreta (típico de Seokjin) acertou bem no peito do coitado. Ah, como o amor doí. 

— Não. 

— Tá tudo bem, levanta essa cara! — as mãos do mais velho foram em direção ao queixo do Yoongi, forçando ele a mostrar sua expressão carrancuda a todos da cafeteria. — O Sandeul é igualzinho você. Acredita que aquele palerma me fez esperar o ensino médio todo por ele por conta de timidez? Não foi nenhuma camiseta ou magia, ele já sentia tudo aquilo por mim, só me rejeitou porque havia colocado ele em uma situação desconfortável.

— Mas eu não gosto do Hoseok. — disse. Seokjin rapidamente tirou a mão do queixo do garoto e virou a cara. Não era possível haver alguém tão ingênuo assim no mundo.

— Então por que todo esse desespero? E por que me fez vir aqui sabendo que eu estava ocupado? — perguntou claramente bravo. — Desculpa, mas acho que a "magia da camiseta" claramente funcionou em você. 

— E o que eu faço? — usou a mesma pergunta de antes. — Tá tão óbvio assim?

— Está. — o Kim respondeu, levantando-se de seu assento. — Agora você se vira. 

Até tentou suplicar por uns minutinhos a mais com o garoto, mas Seokjin tem aquela ruindade que só ele sabe ter e, sabendo que o Min não tinha dinheiro nem pra pagar o café que estava tomando, cobrou 5 mil wons para cada minuto, então tudo que Yoongi conseguiu foi o ver passar pela porta da cafeteria distribuindo beijos. 

Já era costumeiro voltar para sua casa de cabeça baixa, a fim de não ter nenhum contato visual, mas hoje sua cabeça estava tão ocupada com seus pensamentos que decidiu não ligar para nada. Não é como se aquelas pessoas o vendo naquele estado fossem vê-lo de novo — até porque ele não é de sair muito. 

— Por que está com essa cara? — sua mãe o perguntou assim que chegou em casa. 

— Porra, até minha mãe? — pensou. A preocupação poderia até ser real, mas assim que contasse o que havia, com certeza seria zombado, e era que menos queria naquele momento. — Nada. — respondeu. 

— Até parece. — a outra retrucou. — Desde quando essa cara de choro não é nada? Eu te criei por 18 anos e você acha que não te conheço?

— É que… — a expressão da mãe logo mudou, sabia que o filho não deixaria de lhe contar. Yoongi sempre foi assim, desde criança. Dizia não querer contar nada, que não importava, mas era só insistir mais um pouquinho que ele desabava. — Eu acho que o Hoseok gosta de mim. 

O silêncio tomou conta da sala. O Min fechou os olhos, tentando evitar ver a expressão de sua mãe, não sabia ainda como ela lidaria com um homem gostando do seu filho. Na real, nunca nem havia conversado sobre isso. Iria tapar os ouvidos os ouvidos também, para poder fugir por completo de toda aquela situação, mas ao ouvir risadas exageradas, desistiu da ideia. 

— E agora que você percebeu? — perguntou. — Aquele menino te dava umas secadas que só por Deus! 

Yoongi estava incrédulo. Do jeito que sua mãe falava, deu a entender que o bairro todo já sabia que o Jung gostava de si e ele era o único tapado da história que nunca percebeu. 

— É que você não viu, mas fui eu que dei uma ajudinha pra ele ir falar contigo no ano novo! — deu uma daquelas cotoveladas que irritavam todo o ser do garoto. — Por que essa cara? Não era você que queria um amorzinho em 2020? Tá aí, besta!

A expressão do Min se reanimou num instante e começou a rir junto da mãe. Hoseok era tão idiota. Quem em sã consciência iria montar uma barraca de roupas para conseguir se declarar pra alguém? Porém, temos que concordar que o mais idiota da história toda é o próprio Yoongi, que foi idiota o suficiente pra comprar a camiseta e cair na ladainha do outro. 

Sentiu uma adrenalina ao se levantar rapidamente do sofá ao som dos gritos da sua mãe lhe desejando boa sorte. Abriu aquele típico sorriso gengival um tanto raro no seu dia a dia e foi em direção a porta, iria dar um jeito naquela história. 

Tudo só se encaixou ao seu favor mais ainda quando saiu pela porta e viu que estava nevando, tinha o flerte perfeito para o momento. 

Apoiou o braço no batente da porta, à la protagonista galã de mangá shoujo, verificou sua aparência no vidrinho da porta e garantiu que haviam alguns restos de neve nas suas madeixas verdes. Estava tudo pronto! Até mesmo suas inseguranças estavam prontamente disfarçadas e quem olhasse para o garoto não o reconheceria — até mesmo ele não se reconhecia, mas isso faz parte. 

Apertou a campainha, que soou dentro da casa dos Jung e os fez perguntar quem seria àquela hora da noite. Logo aquele toco de cabelo liso acerejado acompanhado de uma cara de que já estava prestes a ir dormir atendeu a porta. 

— O que você quer? — perguntou. Yoongi podia jurar que só pela expressão dele achava que Hoseok havia perdido todo aquele encanto e amor que tinha por ele. 

— Tá nevando. — disse, mantendo a cara de galã.

— E o que tem? — retrucou.

— Não quer me encher de presentes agora? — respondeu o Min. 

O Jung começou a rir assim que viu o estado do cabelo verdeal do garoto. Era igualzinho o que imaginou, como um pinheiro comprado no mercado mais próximo, daqueles mais baratos que tinham uma cor mais clara. 

— Agora você acredita em superstições? — perguntou Hoseok.

Talvez

A partir daí, Yoongi tinha certeza que o aumento da presença de Hoseok em sua vida não era pura coincidência e que talvez, mas bem talvez mesmo, acredite em superstições bestas. 


Notas Finais


é isso. feliz ano novo e espero que vocês tomem coragem igual o Yoongi pra conquistar o consagrado pq eu escrevi isso aí mas nunca tive coragem na vidakkkk!! :c


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...