História Earned It - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Johnny
Tags Crush, Hentai, Johnny, Johnny Seo, Nct, Nct 127, Romance, Youngho
Visualizações 103
Palavras 4.478
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


E aí pessoal? Cá estou eu, com mais uma fanfic do meus amores vulgo NCT (eu viciada? imagine só), mas dessa vez, com o homão da porra da nação, garoto top boyfriend material vindo de Chicago, ele mesmo, Johnny Seo <3 essa fanfic foi um surto de inspiração vindo de um sonho + a trilha sonora de 50 tons de cinza (pq, vamos combinar, a trilha sonora do filme é boa d+), e deu nisso.

Enfim, sem mais delongas, boa leitura <3

Capítulo 1 - Um, Fetish


Fanfic / Fanfiction Earned It - Capítulo 1 - Um, Fetish


 

"(...)You're my fetish, I'm so with it
All these rumors bein' spreaded
Might as well go 'head and whip it
'Cause they sayin' we already did it.(...)"

 

Charlie pedalava sozinha pela estrada asfaltada. Suas mãos suavam enquanto agarrava o guidão da velha bicicleta azul. O tempo estava ensolarado, mesmo que o céu já se tornasse um dégradé de azul, laranja e amarelo, as cores se misturando como uma tela meticulosamente preenchida com tinta a óleo.

Um carro passou por si, e ela tossiu por causa da poeira, mas isso não lhe desviou de seu objetivo. Tinha pedalado com sua irmã, Meredith, na tarde anterior, e as duas tinham ido bem longe, entrando no terreno onde ficava a bela mansão da família Seo. Eles costumavam dirigir carros sofisticados pela estrada, causando burburinho nos moradores da cidade. Agora, o senhor e a senhora Seo tinham ido morar em uma casa maior em Chicago, deixando aquele palacete para que o único filho dos dois, John, passasse as férias da faculdade. Se lembrava dele na época do colégio, sempre parecendo muito educado. Havia muita especulação ao redor da tal família Seo, e a partir do segundo ano do Ensino Médio, surgiram boatos de que John era um libertino, depravado, entre outras acusações. Meredith dizia que a maioria era bobagem, mas sempre falava para Charlie ficar longe dele.

 E era justamente o que ela não estava fazendo.

A casa surgiu em sua visão, e ela pedalou com mais força, a fim de chegar logo em seu destino. Queria entender todas aquelas lendas ao redor de John, já que a lembrança que tinha dele não se assemelhava em nada ao que as pessoas falavam. As rodas deslizaram no gramado, e ela deixou a bicicleta perto de um pequeno muro, caminhando em passos cautelosos até estar mais próxima a alguma das majestosas paredes de vidro. Ali, escondida atrás de uma árvore, sentiu-se uma menina de quatorze anos ao invés de uma moça de vinte e um. O nervosismo foi se espalhando por cada célula de seu corpo, assim como a curiosidade aflorada o rapaz que morava ali. Seria ele como a temida Fera do conto de fadas? Mordeu o lábio inferior, espiando para ver se acontecia algo, mas apesar das cortinas abertas, tudo continuava quieto, e Charlie tomou a que, talvez, fosse sua melhor decisão: Virar as costas e ir embora, como se nada tivesse acontecido. Chegou a sacudir a cabeça e rir de sua tolice, e quando se preparava para voltar, um som cortou o silêncio, fazendo que o rubor subisse para as bochechas de Charlie.

Era um gemido, seguido do som de uma risada.

Arregalou os olhos, se agachando e espiando por trás do tronco da árvore qualquer pequeno detalhe que pudesse escapar através das paredes transparentes. No fundo, ela acreditava que se estivessem transando, as cortinas jamais estariam abertas, pois isso atrapalharia a intimidade do casal. Era desse jeito que as coisas funcionavam, não é? Mas nesse dia, as certezas de Charlie estavam sendo abaladas. Uma bela garota morena surgiu na sala, usando somente uma calcinha de renda branca. Os longos cabelos escuros estavam soltos pelas costas, e ela ria alegre. E então, uma figura alta e masculina surgiu, encostando-a contra a parede. Os dois trocaram um beijo, e ele a ergueu com apenas uma mão, segurando-a com uma firmeza que deixou Charlie sem ar. Separaram os lábios, e ele beijou o pescoço da mulher, que agarrava seus cabelos como se a vida dependesse disso. Queria sair dali e pedalar para sua casa, tentando esquecer aquela cena, mas não conseguia se mover ou desviar a atenção. Sua garganta estava seca, e ela mordia os lábios insistentemente. Os dois agora estavam no sofá, e ele deslizou a calcinha pelas pernas dela, acariciando-a com os dedos e com a língua. Charlie arfou ao ver a garota com os olhos fechados, sorrindo enquanto mordia o lábio inferior. Logo, era ele que estava sentado no sofá, com um sorrisinho nos lábios, vendo a garota puxar sua calça o suficiente para liberar seu membro. E logo, a bela morena se acomodou no colo dele, inserindo-o dentro de si, os quadris se movendo lentamente, enquanto as mãos dele seguravam sua cintura com possessividade.

Por que ela não conseguia tirar os olhos daquela cena?

Sentia as bochechas ardendo, mas o clima tão erótico e dominante entre os dois lhe hipnotizava. Cada toque dele parecia levá-la a outra dimensão, e eles eram incrivelmente atraentes. Ela era linda, de uma forma que Charlotte só via em livros ou quadros. E ele estava no mesmo nível: o rosto masculino era repleto de traços bonitos, estando ainda mais bonito do que na época do colégio. Sentiu seu estômago desconfortável, mas a sensação de pânico se alastrou por seu corpo quando os olhos escuros caíram sobre sua figura. As pálpebras estavam semicerradas, lhe dando um ar lânguido. Um arrepio se espalhou por sua coluna, e ela arregalou os olhos quando ele sorriu.

Isso mesmo, o filho da puta deu um sorrisinho quase pornográfico.

Aquilo pareceu despertar Charlie, que se ergueu em um pulo, correndo desajeitada até onde tinha largado sua bicicleta, ajeitando a mesma e montando nela, pedalando para longe o mais rápido que pôde. Suas pernas pareciam gelatina, e as palmas de sua mão suavam. Sua curiosidade tinha lhe apunhalado pelas costas, fazendo que tivesse presenciado aquela cena.

“Eu nunca mais vou conseguir ver John Seo do mesmo jeito”, pensou, sacudindo a cabeça.

***

O céu já estava escuro, e Charlie estava deitada na cama, fitando o teto.

Se fechasse os olhos, conseguia ver mais uma vez aquele sorriso convencido, lânguido demais para seu próprio bem. John sempre foi atraente — pelo menos em sua opinião —, mas não se lembrava de ser ele bonito e sexy daquele jeito. Ele sempre foi muito simpático, e já tinham trocado algumas palavras, normalmente em aulas que tinham em comum, mas parava por aí. Agora, aquele garoto do colegial mandava sorrisinhos depravados enquanto transava com outra garota. Charlie tinha plena consciência de que estava errada, mas não podia evitar se sentir constrangida com toda a situação.

Aquilo era complicado demais.

Ouviu batidas na porta do quarto e murmurou um “entre”, vendo Meredith adentrar o cômodo usando a camisa do time da faculdade e calças de moletom. A garota alta se sentou na cama, e Charlie dedicou algum tempo para encarar a figura da irmã mais velha. Esguia e com longos cabelos escuros, ela era o tipo de garota que costumava chamar a atenção por ser bela e perigosa, tudo ao mesmo tempo. Havia uma ferocidade naqueles olhos castanhos que deixava as pessoas tontas, mas Meredith não estava interessada em se prender. Ela lhe encarou com uma das sobrancelhas erguidas, em claro sinal de desconfiança.

— Você tá estranha desde que voltou do seu passeio de bicicleta. Não voltou naquela mansão, não é? — Charlie crispou os lábios, e sua irmã explodiu, sabendo o que aquele gesto significava. — Porra Charlotte, o que eu te falei?!

— Tá Meredith, eu já sei. — revirou os olhos, se sentando na cama. — Eu ouvi uns barulhos estranhos e fui embora, estou viva, tudo sob controle, tá legal? Isso tudo é implicância com o John? Meu Deus, o que diabos ele fez?

A mais velha se levantou, bufando irritada. Charlie sabia que sua irmã era extremamente protetora, mas às vezes, aquilo lhe tirava do sério. Antes que ela saísse do quarto, se virou com uma expressão fechada.

— A mamãe pediu pra você escolher um vestido. Nós vamos para o jantar que a senhora Blackwood vai dar para os novos vizinhos. Seja rápida. — e bateu a porta.

Charlie bufou, se levantando da cama e indo até o guarda roupa. A última coisa que precisava era uma reunião, mas sua mãe e seu padrasto se davam muito bem com a vizinhança, então era impossível escapar das convenções sociais. Optou por um de tecido leve, em um tom rosa chá, com mangas curtas e decote em forma de v. Escolheu os sapatos, e depois de separar as roupas, foi até o banheiro do corredor, agradecendo por ele estar vazio. Se banhou rapidamente, se livrando do suor por conta de suas pedaladas e se enrolou na toalha, correndo de volta para o quarto. Secou os cabelos e os modelou, se vestindo e se maquiando. Sua irmã entrou no quarto de supetão, atrás do delineador da Charlie, e a encarou com um sorrisinho.

— O que houve? O vestido tá estranho? — questionou, se encarando no espelho.

— Não, é só que é incomum te ver assim. Mas você tá fofa. – a tranquilizou, se sentando na cadeira que ela ocupava antes. — Você já acabou?

Charlie assentiu positivamente, e Meredith se concentrou em traçar uma linha fina em sua pálpebra, sendo encarada pela irmã. Depois de terminar, virou-se para ela, mordendo os lábios pintados de vermelho em um gesto nervoso.

— Desculpa por ter sido grossa. É que... Você é minha irmãzinha. Tenho medo que... Sei lá, alguém seja babaca com você. Não é nada pessoal contra o John, é só que... — suspirou, e sacudiu a cabeça. — Me desculpa.

A mais nova apenas assentiu, tocando o ombro da morena. Sabia que Meredith tinha essa mania de ser muito protetora, explodindo em algumas ocasiões. Já estava acostumada, mesmo que se enfurecesse quando era tratada como uma boneca de porcelana. Era uma mulher com pensamentos e vontades, não precisava ser protegida. Bateram na porta, e logo viu sua mãe surgir no cômodo, quase como uma versão mais bonita das duas garotas. Elas tinham herdado muito da mulher, mas a mais velha ainda parecia majestosa de uma maneira irreal, com sua postura impecável e simpatia contagiante. Encarou as duas com um sorriso, tombando a cabeça para o lado.

— Ah, minhas menininhas cresceram tão rápido. — se aproximou, beijando a testa de Charlie e de Meredith. — Já estão prontas? Benjamin está nos esperando.

Ambas assentiram —Charlie ainda desejava ficar em casa, mas sempre acabava cedendo às vontades da mãe —, arrumando a maquiagem na gaveta da mais nova, saindo do quarto e desligando as luzes. Desceram as escadas, e logo, estavam acomodadas no carro, seguindo até a tal reunião.

Charlie não esperava a virada que sua vida daria.

***

O lugar era impecável, e tinha o tipo de decoração que sugeria “não me toque com seus dedos imundos”, e cada detalhe merecia ser percebido. As paredes eram brancas, e as mobílias de madeira escura e vernizada, formando um contraste sofisticado.

O jantar tinha sido um completo pesadelo. Estava sentada à mesa, ao lado de sua irmã, usando sua máscara de “jovem simpática”: Respondia quando perguntada e fingia atenção quando alguém lhe dizia algo, mesmo que sua vontade fosse dizer um “eu não me importo”. Estava preparada para encarnar tal papel a noite inteira, mas quando um dos últimos convidados tocou a campainha e foi conduzido para a sala de jantar, Charlie sentiu o ar faltar em seus pulmões, e rezou para não estar corada — mesmo que o calor que sentisse nas bochechas afirmasse o oposto. A sala inteira estava dividida entre reprovação e admiração diante da figura de John Seo. Ele usava calça social escura, e uma blusa social da mesma cor, com as mangas enroladas até os cotovelos, e seu cabelo preto era liso e brilhoso, como o pelo de um gato. Não pôde deixar de imaginar como a garota se sentiu ao deslizar os dedos pelos fios aparentemente macios, descontando as sensações que ele lhe causava. Abaixou o olhar, umedecendo seus lábios em um gesto nervoso.

Era difícil agir como se nada tivesse acontecido.

A senhora Blackwood pareceu empolgada ao vê-lo, abraçando-o carinhosamente e perguntando como os pais dele estavam, fazendo o mesmo em relação à uma moça chamada Astoria — Charlie imaginou que esta fosse a garota que viu durante a tarde. John sorriu, e depois de falar brevemente dos pais, contou que tinha terminado seu relacionamento com a tal Astoria, e que ela tinha ido buscar algumas coisas em sua casa. Ah, eu posso imaginar perfeitamente o que ela foi pegar, pensou, mas se repreendeu em seguida. Ao contrário dela, o casal não tinha feito nada de errado pela tarde. Uma onda de constrangimento lhe atingiu mais uma vez, e por isso, quase não notou quando John ocupou a cadeira vaga ao seu lado. O rapaz cumprimentou sua mãe, seu padrasto, Meredith e por fim, ela, fazendo questão de dar um sorrisinho e murmurar algo como “quanto tempo, não é?”. Se ignorasse o incidente, essa seria a primeira que via John em cinco anos, e não sabia verbalizar o quanto ele tinha mudado. Ficaram se encarando por muito tempo, e o contato só foi quebrado porque Tyene – a governanta da casa – anunciou o jantar.

E essa era a história.

Agora, estava no jardim de inverno da mansão, bebericando sua taça de champanhe e respirando ar puro. Depois de terminarem o jantar, a senhora Blackwood sugeriu que brindassem na sala de estar. Os Penhallow — os homenageados do jantar — pareciam um pouco constrangidos com toda a atenção, apesar de conseguirem conversar naturalmente com seus novos vizinhos, deixando a anfitriã feliz por conseguir atingir seu objetivo.  Depois de brindarem, o som de conversas preencheu a sala, e aquilo estava causando dores de cabeça em Charlie – parte destas também sendo causadas pela bebida. Pediu licença, se afastando, e agora estava ali, aproveitando o silêncio e a quietude. Deu mais um gole no líquido claro, fechando os olhos e se permitindo um momento de irritação por ter causado aquele constrangimento para si mesma.

— Charlotte.

A voz lhe sobressaltou, e ela se virou apenas para ver John com uma das mãos enfiadas em um dos bolsos da calça, e a outra segurava uma taça de champanhe, o dedo indicador fazendo gestos repetitivos na borda no copo. Engoliu em seco, mas tentou fingir que aquilo não lhe abalava, erguendo o queixo para encará-lo. O rapaz pareceu achar o gesto divertido, os lábios carnudos formando um sorrisinho de canto, se aproximando da jovem em passos calmos, como um predador. Charlie deu um passo para trás, se sentindo um pouco intimidada diante dele. A diferença de altura entre os dois era notável, mas a garota mantinha uma postura inabalável, e ele tinha gostado daquilo. Lembrava-se dela no colégio, andando pelos corredores como uma bonequinha brava, tendo sua irmã como guarda costas — algo que não tinha mudado muito.

Mas, no momento do famigerado flagrante, houve algo no olhar envergonhado dela que lhe acendeu.

Não resistiu em mandar um sorrisinho na direção dela, intensificando o aperto na cintura de Astoria, ouvindo um gemido satisfeito saindo dos lábios da mulher em seus braços. Pôde ver Charlie correndo para longe, e voltou a encarar a morena que se movimentava em seu colo. Ela era linda de muitas formas, e John não conseguia acreditar que aquela deusa estava lhe deixando. A relação dos dois não tinha tanto apelo sentimental, mas apreciavam a companhia alheia. Agora, ela estava indo embora, e para o Seo, só restariam os problemas de sua vida, e lidar com o fato de sua garota impossível — que estava bem em sua frente — ter lhe visto transando com outra. Não era uma perspectiva animadora.

— Eu já sei o que você vai dizer, tá legal? — ela disparou, dando as costas para ele. — Eu não queria ter visto o que eu vi. Só que... Não tem explicação, eu só sinto muito por ter invadido sua privacidade.

— Você só viu o que não deveria Charlotte. — a risada dele era baixa e rouca, o que trouxe arrepios à garota. — Nem sei se devo classificar desse jeito, já que você parecia bem concentrada...

— É claro! Nunca tinha visto uma coisa daquelas! — se virou na direção dele com a voz alterada e as bochechas começando a corar pela irritação. — As pessoas dizem coisas sobre você, e eu nunca acreditei, porque não era o Johnny que eu conheci, sabe? Mas depois de hoje, eu... Eu não sei mais.

— Acha que sou um depravado, Charlotte? — questionou, se aproximando da garota, o cheiro dos cabelos dela lhe inebriando. — Que sou um libertino que gosta de orgias ou coisas do tipo? Porque se disser que acha isso, vou ter certeza de que não me conhece.

Aquela conversa estava ficando muito íntima para duas pessoas que não eram tão próximas. Ao menos não o quanto gostariam.

John era educado, tinha um sorriso bonito e era ligeiramente tímido. Não ia mentir, tinha se interessado por ele, mesmo quando sua mente — ainda infantil demais na época — não sabia processar muito bem aqueles sentimentos. Os dois só conversavam ocasionalmente, mas aquele simples contato fazia borboletas surgirem em seu estômago. Conforme o tempo foi passando, John se tornava mais atraente, fazendo Charlie reprimir seus sentimentos cada vez mais. A ideia de ser apaixonada pelo gostosão do colégio não era o clichê que desejava para si, e ela tratou de esquecê-lo, se focando em outras coisas: Se formou, foi para uma faculdade em outra cidade e aprendeu que a vida longe de casa era mais complicada do que imaginava. O filho bonito dos Seo tinha sido empurrado para o canto mais obscuro de sua mente, até aquela maldita tarde, e por Deus, ela se lembrava de cada detalhe. Mordeu o lábio inferior em um gesto involuntário, a lembrança das mãos grandes agarrando a cintura da garota, ajudando-a em seus movimentos se apossando de si. Jamais admitiria em voz alta, mas desejou aquele aperto em sua pele.

— No que está pensando, Charlotte? — a respiração quente contra seu ouvido lhe fez perceber tardiamente que ele já estava perto demais. — Que eu sou um homem terrível? Ou está revendo aquela cena e se imaginando em meus braços? — uma das mãos dele tocou sua cintura, o toque praticamente lhe queimando através do vestido.

O toque dele lhe excitou, e Charlie ofegou perturbada, tocando o peito dele para afastá-lo. Aquela proximidade pareceu invasiva, e até mesmo um pouco assustadora. John recuou, mesmo que a imagem dela ofegante naquele vestido estivesse lhe tirando do sério. Estava ultrapassando as barreiras, e a última coisa que queria era assustá-la. Tinha esperado sua vida toda para estar com ela, e não ia estragar tudo por causa de atos impulsivos.

— Eu não vou te tocar sem sua permissão. Você é uma boa garota, e não quero te machucar ou assustar. — ele disse, finalizando o champanhe em sua taça com apenas um gole, voltando a fitar a garota. — Só vou tocar em você quando permitir. Vou esperar por você Charlotte.

E com essa última fala, desapareceu, deixando a garota com as pernas bambas. Charlie achou que nunca mais teria que lidar com aqueles sentimentos esquisitos, mas com apenas um toque, ela teve vontade de enrolar as pernas ao redor da cintura de John e implorar que ele lhe tomasse — segundo os livros que Meredith lia, fodesse — da mesma maneira que ela tinha visto mais cedo. Os quadris se chocando com os seus de maneira urgente, lhe trazendo sensações arrebatadoras.

Merda, estava fantasiando com ele.

***

Já fazia uma semana.

John invadiu seus sonhos diversas vezes, deixando Charlotte frustrada e até mesmo irritada. Sua curiosidade tinha demolido furiosamente todas as barreiras que ela tinha construído ao seu redor. Não pensava mais nele desde o Ensino Médio — e na época, só pensava em segurar a mão dele, sentarem juntos no almoço e tirarem fotos bregas para o baile de formatura —, e agora, a coisa tinha piorado rápido demais. Não conseguia conversar com sua irmã, e menos ainda com sua mãe. Mesmo que a tentação de bater na porta dele fosse grande, Charlie não se sentia bem em ter apenas “uma noite”, sabendo que seus sentimentos entrariam no caminho, causando uma desgraça iminente.

Tudo estava fora de seu controle, e aquilo lhe deixava louca.

Deu um gole no chocolate quente, esfregando a bochecha em um gesto de nervosismo. Devia ter escutado os conselhos de sua irmã mais velha, mas agora era tarde demais. Meredith não implicava com ninguém à toa, e ela encarava John de cara feia desde sempre. Não gostava quando a irmã fazia isso, e sempre reprimia uma risadinha quando ele lhe cumprimentava de qualquer jeito, ignorando a carranca da mais velha. Balançou a cabeça, espantando aqueles pensamentos. O melhor a se fazer naquele momento era fingir que o Seo não existia, e dessa forma, manter a sensação longe de sua mente.

Infelizmente, estava difícil.

— Wes vai dar uma festa no fim de semana, aproveitando que o pessoal tá de férias da faculdade. — Meredith avisou, olhando o telefone celular. — Nós vamos, né?

— Não gosto muito de festas, você sabe disso. — advertiu, tomando um gole generoso de seu chocolate. — E eu nem me dava tão bem assim com as pessoas durante o Ensino Médio.

Meredith revirou os olhos, e Charlie se limitou a suspirar, recolhendo sua caneca vazia e deixando a mesa. Descartou a louça suja na cozinha, e subiu as escadas, voltando para seu quarto. Ela e sua irmã eram bem diferentes, e às vezes, era difícil para a mais velha entender que Charlie não era tão sociável e fã de festas como ela. Bem que a mais nova queria, se sentindo mal por não conseguir dançar e aproveitar todo o ambiente, travada em algum canto. Festas eram sinônimo de tortura, e nem a faculdade tinha conseguido mudar sua visão. Até porque, suas amigas eram bem parecidas com ela, então não havia muita divergência de opinião.

Fechou os olhos, voltando a se aconchegar nas cobertas. A preguiça lhe dominava, e ela queria aproveitar ao máximo seu tempo longe de provas e trabalhos, podendo dormir despreocupadamente. A porta de seu quarto foi aberta, e logo alguém deitou atrás de si, abraçando sua cintura. Não precisou nem mesmo se virar para saber quem era.

— Eu não vou te obrigar a nada. – Meredith murmurou, penteando seus cabelos com os dedos. — Só queria que você fosse, e mostrasse para as pessoas que você ficou um mulherão da porra.

Riu baixo, se virando na direção da irmã. A mais velha tinha seus defeitos, mas isso era comum em todas as pessoas do mundo. O mais importante era que Charlie a amava, e não fazia ideia de como seria sua vida sem as loucuras de Meredith. Apoiou o rosto no ombro dela, e as duas fitaram o teto, como costumavam fazer quando eram mais novas. Palavras não eram necessárias, ambas podiam se comunicar através de simples gestos e olhares. Por isso, não era difícil saber o que sentiam, e quando Meredith se virou em sua direção, apoiando a cabeça em um dos braços, lançando um olhar capaz de decifrar seus pensamentos, engoliu em seco.

— Charlie... – ela começou, mordendo o lábio inferior. — O que aconteceu naquela tarde que você foi até a casa do Johnny? Você disse que não aconteceu nada, mas... Sei lá, você voltou estranha.

Manteve os olhos no teto, querendo fingir que aquele assunto não tinha vindo à tona. Ela tinha visto John transando com uma mulher, e ele tinha lhe enviado um sorrisinho de “você é a próxima”. Além disso, tinha aquele encontro no jardim de inverno, embalado por taças de champanhe e provocações que lhe deixaram ansiosa por mais. Suas bochechas coravam só de pensar sobre, nem imaginaria seu rosto se conseguisse verbalizar algo. Meredith bufou impaciente, e Charlie mordeu o lábio inferior, fitando a irmã com uma expressão culpada.

— Charlotte. Agora. — ok, aquele era o olhar da ameaça.

— Eu... B-bem... Eu o vi fazendo coisas com uma moça. E ele meio que me viu espiando... – murmurou, abaixando o olhar. — Mas ele não ficou bravo. S-só me lançou um sorrisinho.

Ok, não tinha sido tão difícil quanto ela esperava.

A mais velha tinha uma expressão chocada e confusa, que oscilou para raiva e indignação, e ela esfregou o rosto, se sentando no colchão. Charlie repetiu o gesto, tocando as costas dela cautelosamente, com medo de que ela pudesse explodir em um acesso descontrolado de raiva e fosse pedalando até a mansão Seo só para socar a cara de John. Ela lhe encarou através da cortina de fios escuros, o rosto ainda sustentando uma expressão surpresa.

— Você viu John fucking Seo trepando e não me disse nada?! E ainda recebeu um sorrisinho?! — Meredith pôs a mão no peito em um gesto de falsa surpresa. — Por isso que vocês estavam naquele clima estranho no jantar. Se bem que... Bom, não é de hoje que ele quer te dar uns pegas ou coisa parecida. Você não via o jeito que ele te olhava nos corredores do colégio? Era como se ele fosse te agarrar e beijar sua boca até vocês dois treparem no meio do corredor.

— Meu Deus Meredith! Você é ridícula, nojenta e completamente maluca. — empurrou a irmã mais velha de lado, sacudindo a cabeça e voltando a se deitar na cama. — Talvez ele seja, sei lá, um fuckboy e toda essa ideia de “hey, você me viu trepando, quer experimentar” pareça divertida pra ele. Vai saber. — deu de ombros, desinteressada.

— Ou você só está fugindo da parte mais empolgante dessa conversa. — cantarolou, voltando a se deitar ao lado da irmã. — Fala sério Charlie, você nunca viu o jeito que ele te olhava? Partiu o coração do guri.

— Eu não parti coisa nenhuma. — resmungou com o cenho franzido em irritação. — Eu era apaixonada por ele, ok? Mas acabei me afastando por... Ah, vamos esquecer essa história, ok?

Meredith deu um sorrisinho surpreso, parecendo muito interessada na fala de sua irmã. Charlie bufou, virando para o outro lado, mas acabou sendo atacada pelas mãos da irmã, que lhe faziam cócegas e exigiam mais detalhes daquela revelação bombástica. Se dando por vencida, ela sentou na cama, contando sobre seus sentimentos por John. Tinha sido engraçado ver a expressão de surpresa da morena, mas ao mesmo tempo, era estranho verbalizar algo que tinha estado em sua mente por tanto tempo.

— Irmãzinha, eu vou te falar uma coisa. — Meredith declarou, depois de ouvir minuciosamente cada palavrinha dita por sua irmã. — Você perdeu uma tremenda chance de ter um clichê com direito a fodinha no baile de formatura. Mas, pelo menos agora eu já tô mais acostumada com a cara do John. Sinceramente, me deixava doente a ideia daquele meme ambulante com a minha irmã.

— Eu desisto de você. — revirou os olhos, mas logo uma risadinha nasceu em seus lábios. – E pode me chamar de cega, mas eu sempre o achei bonitinho. Além de tudo, ele sempre foi legal comigo.

“Eu não vou te tocar sem a sua permissão. Você é uma boa garota, e não quero te assustar ou machucar.”

Ah, se ele soubesse o quanto ela ansiava pelos toques dele. Mesmo que a nuvem de dúvida ainda pairasse sobre sua cabeça, a lembrança da mão quente em sua cintura lhe arrepiava por inteiro. Havia algo em John que lhe atraia, algo que ia muito além de sua aparência.

E aquela era a confirmação de que ainda o queria. Talvez até mais do que antes.



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