História East Storm - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Abo, Amém Yoonseok, Bottom!hoseok, Hope, Hopekook, Hoseok, Hoseporn, Sope, Suga, Taekook, Vkook, Yoongi, Yoonseok
Visualizações 813
Palavras 4.284
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Ficção, Fluffy, Lemon, Luta, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa noite, amores <3
Esse capítulo é mais ou menos uma introdução da introdução (q), era pra ser menor, mas resolvi colocar mais detalhes neles pra que algumas coisas ficassem esclarecidas de uma vez :)
Eu nem tô nervosa por escrever uma coisa diferente do que eu tô acostumada, mas tudo tem sua primeira vez, né não? Hjushsjssss


Boa leitura <3

Capítulo 1 - Lobinho do Leste


Fanfic / Fanfiction East Storm - Capítulo 1 - Lobinho do Leste

Impaciente ao ponto de nem nos esperar para a reunião, mandona ao ponto de pensar que é dona no território e irritante ao ponto de nos fazer perder a paciência.

— Não imaginava que Yangmi pudesse passar tanto dos limites.

“— Você não, mas eu já, você sabe bem disso. Nunca te escondi nada, Yoongi. ”

— Eu sei que não.

“— E por isso vivo dizendo que já deveria ter me deixado colocá-la no lugar dela.

— Ela lutaria.

“ — Ela procura por isso, deixe que encontre.

Dei um longo suspiro com meus olhos fechados. Eu precisava esfriar a cabeça. Yangmi, minha irmã do meio, conseguia me irritar, me tirar do sério tão facilmente que eu mesmo chegava a me questionar se tinha o autocontrole suficiente para aguentar todas as coisas que ela fazia sem meu consentimento.

Yangmi é uma das alfas mais fortes que conheço, mas apesar de suas várias qualidades, Yangmi também têm seus defeitos, ela não pensa nas consequências de seus atos, faz tudo por impulso e rebeldia, e eu, como seu irmão mais velho e alfa da nossa alcateia, era o responsável por tentar colocá-la na linha.

Já tinha problemas demais e Yangmi parecia não ver isso quando tentava fazer o que era minha responsabilidade. Eu até entendia seu lado, ela queria estar no meu lugar, queria ser a filha mais velha do alfa mais poderoso do Sul, uma lúpus, a líder, mas ela não era, eu sim ocupava esse lugar.

“— Invejosa.

Meu lobo resmungou. E, bem, eu não poderia contrariá-lo, ele estava, em partes, certo.

O vento da tarde estava forte, as folhas das árvores balançavam para lá e para cá com velocidade. Os animais corriam livres, caçavam livres, e eu estava ali justamente para isso. Todo o barulho me agradava, eu sempre adorei o som da natureza, puro, suave. Tudo isso sempre agradou a mim e a meu lobo, eu me sentia uma fusão com a natureza quando corria sem preocupações por toda a floresta, todo o campo.

A alcateia estava me dando problemas demais nos últimos meses. Nós estávamos em um processo que eu gosto de chamar de "período de adaptação", coisa que acontece quando uma alcateia troca o seu líder. Eu estava liderando desde que meu pai resolveu se aposentar e viver o resto de sua vida à toa. E como ninguém lidera da mesma forma, nossa família precisava se adaptar comigo no comando. Eu havia assumido a liderança há cinco anos, e, desde então, tínhamos reuniões onde discutíamos sobre o presente e o futuro. As reuniões serviam para a minha aproximação, agora como líder, do meu pessoal, e isso leva tempo. Mas Yangmi, como a boa intrometida que sempre foi, queria apressar aquilo de alguma forma, mesmo que não fosse possível.

Nada nunca me deu tanta dor de cabeça como minha irmã, e isso, ao mesmo tempo que me intrigava, me deixava absurdamente irritado. Se eu não fosse o alfa controlado que sou, já teria mandado ela para a casa do meu pai, e lá receberia toda a tenção que queria.

“— Posso sentir a ironia.

— Você sou eu, claro que sentiria — gargalhei ao ouvi-lo bufar. Meu lobo sempre foi duas vezes mais do que eu, humano, normalmente era: duas vezes mais impaciente, duas vezes mais responsável, persistente, irônico, violento e duas vezes mais preguiçoso. Era duas vezes melhor nas qualidades e duas vezes pior nos defeitos.

Respirei fundo e olhei ao meu redor, estava longe o suficiente de casa, mas ainda no nosso território. Tirei minha mochila das costas e a pendurei em um dos galhos de uma árvore. Segurei na barra da minha camisa com as duas mãos e a retirei do meu corpo, fazendo o mesmo com todas as peças que me cobriam. Estando enfim nu, guardei toda a roupa na mochila e me afastei da árvore e de seus galhos pontudos, ficando com meus pés cobertos pelo mato, eu adorava a sensação gélida sobre a minha pele.

Meus olhos já não possuíam mais a cor natural, ele estava vindo, com pressa, com vontade de correr e esquecer dos problemas com a alcateia, com minha irmã e todos os nossos compromissos, deveres, afazeres e tudo mais.

Para os seres humanos normais, como costumamos chamá-los, essa nossa... Como posso dizer? Capacidade, sim, capacidade, era uma coisa monstruosa. Mas, sinceramente? Nenhum de nós ligava. Mesmo podendo liberar e ficar na forma mais pura do nosso lobo não machucamos ninguém, raramente alguns de nós agem com agressividade ou são monstros assassinos como algumas pessoas nos veem e insistem em dizer que somos. Ainda possuímos a capacidade de pensar, como se estivéssemos em nossa forma humana.

Eu sempre adorei a sensação de estar em um corpo completamente diferente do outro. Sempre me senti privilegiado de ter nascido em um meio onde as pessoas aprendem desde bem pequeninos a liberar o seu segundo ser.

E como já é uma coisa normal dos seres humanos, tudo aquilo que é diferente é deixado de lado, é tratado com indiferença, e conosco nunca foi diferente. Mesmo após milênios, continuávamos sendo tratados como monstros. Pessoas como nós, que ficam das duas formas, são proibidas de viver nas cidades, porém, podemos passear por lá, andar, frequentar os estabelecimentos e coisas do tipo, contanto que não arrumássemos confusões ou agíssemos agressivamente.

Eu, particularmente, não me interessava muito a andar pela cidade, sempre fui mais por necessidade, quando precisava fazer compras, por exemplo, eu demorava o tempo suficiente, nada mais que isso. Meu lobo falava demais na minha cabeça quando íamos à cidade, e eu quase perdia a paciência quando o imbecil reclamava a todo segundo sobre como preferia estar em casa.

“— Imbecil é você, idiota.

Ri alto mais uma vez e aproveitei para fechar os olhos, ele não perdeu mais tempo e iniciou a transformação com a minha deixa. Todos os cabelinhos do meu corpo se arrepiavam quando a presença dele ficava mais forte, não era de se admirar, eu tenho o lobo mais forte de todo o Sul — atrás apenas de meu pai —, mais alto, e, como ele adora que eu fale: poderoso.

Abri os olhos quando senti que minha forma lupina estava preparada. Enxerguei o chão, o mato verde, alto, que cobria minhas patas. Era gostoso demais sentir a floresta abaixo de mim, ao meu lado, sobre mim. Olhei para frente e era quase a mesma coisa que olhar no estado humano, já que como um lobo eu ficava em uma altura considerável. Ok, eu era enorme, gigante perto dos lobos naturais — daqueles que nascem lobos, que não pensam e muito menos possuem uma parte humana —, bem alto para um outro humano em forma lupina e aterrorizante para um humano sem essa capacidade.

Não estou me gabando, é apenas a mais pura verdade. São fatos.

Meu lobo não perdeu tempo e começou a caminhar pela floresta. Eu sentia que era nosso dia de sorte, poderíamos voltar para casa com uma boa caça, ou degustar dela sozinho por ali mesmo. Quando eu decidia caçar sozinho — ou esfriar a cabeça, as duas coisas estavam certas —, eu me permitia pensar apenas em mim, sem me lembrar que eu tinha centenas de pessoas para cuidar, proteger e liderar.

Era somente eu e a floresta.

 E a pobre caça, claro.

Corri até sair de perto das árvores, logo já estava correndo da maneira que eu gostava pelo campo, seguindo em direção de uma rocha, ela era mediana, fácil para um ser como eu subir. Tomei impulso com minhas patas traseiras ao chegar mais perto dela e subi, ficando em seu topo. Olhei ao redor, a floresta, o campo, tudo era lindo, incrivelmente belo. 

Levantei a cabeça e uivei com os olhos bem abertos, encarando o céu que logo passaria do azul levemente claro para o escuro.

Eu preferia caçar pela noite, no escuro, pois minha pelugem preta se fundia com a escuridão, servindo como uma camuflagem. E mesmo que estivesse muito escuro, eu não teria problema algum, minha visão é perfeita, meus sentidos apuradíssimos, eu sou um alfa, um alfa lúpus líder para completar.

Absurdamente foda.

Saltei da rocha e continuei a correr. Ali no campo eu não conseguiria nada demais, talvez uma lebre perdida, uma galinha, ou um animal menor, mas eu não os queria, queria algo maior, algo que pudesse matar a minha fome.

Eu já estava um pouco longe da minha floresta, meu território, e com mais um pouco saía do campo e entrava na outra parte da floresta, parte essa que não era de ninguém. Ela era como uma estrada que ligava todas as alcateias, a do Leste, Oeste, Norte e a minha, o Sul. Nela qualquer lobo caçava, corria e fazia o que bem entendia. Ela era maior que qualquer outra floresta pertencente às quatro maiores alcateias da região. Eu gostava bastante de lá, meu lobo também, apesar de preferirmos a nossa.

Uivei mais uma vez quando entrei. Avistei um cervo logo de cara, realmente meu dia de sorte.

Meu lobo rosnou excitado com tudo aquilo e correu atrás do animal, não me preocupando em me esconder e aproximar mais dele, queríamos correr, gastar nossas energias, que não eram poucas, aproveitando do meu instinto animal. Meu lobo adorava, ficava animado com a sensação de ter os pelos negros como a escuridão bagunçados pelo vento ao correr e saltar em direção ao animal. Ele gostava de jogar, poderia ter pegado o cervo mais rápido, mas ele queria mais adrenalina, por isso corria na velocidade do animal, vendo-o tentar fugir ao que desviava a cada minuto para um lado.

“— Sente o mesmo que eu, Yoongi?

Ele perguntou, mesmo já sabendo que sim, eu me sentia da mesma forma que ele: aliviado. Eu havia deixado os problemas guardados na mochila junto com minhas roupas lá na minha floresta, ali eles não me atormentavam.

Meu lobo resolveu se adiantar e pegar de vez o cervo, aproveitou a curta distância do animal e saltou sobre ele, fincando as garras nas costas do mesmo e as presas enormes em sua nuca, o animal caiu e meu lobo aproveitou para torcer seu pescoço. O puxamos até uma árvore com o tronco torto, caçaríamos mais e para isso teríamos que deixá-lo ali até a hora de voltarmos para casa. Deixamos o animal sem vida embaixo de um galho, o lobo esfregou a pata direita em seu rosto colocando ali um pouco da fragrância do nosso cheiro, para que nenhum outro animal espertinho pegasse o que era nosso. Nos afastamos e continuamos a caminhar floresta adentro, ela era enorme e isso aumentava ainda mais nossa vontade de caçar.

Os animais corriam quando sentiam nossa presença. Meu lobo rosnava animado, selvagem, ele era selvagem, dono do território, não daquele, mas não importava. Ele estava feliz e eu também, e mesmo se eu falasse para ele baixar a bola porque não era dono daquele lugar, ele me ignoraria.

“— Você me conhece tão bem.  Rimos e aceleramos nossa corrida.

O céu ficava cada vez mais escuro, sinal de que não demoraria muito para que a escuridão tomasse o ambiente. E para isso a lua estava lá, parada no céu, me observando. Parei e uivei para ela, mostrando toda a minha animação e admiração.

Pude escutar o som de outros animais mais adiante, patas pesadas, eram outros lobos. Não era de se admirar, como já disse, a floresta é de todos. Deixando de correr e passando a caminhar, deixei nosso cheiro menos evidente, menos detectável, para que não pudessem nos sentir ali, eu não queria companhia, queria ficar sozinho e estava decidido a continuar assim. Mas duvidava de que já não tinham nos descoberto, não que isso fosse um problema, na verdade, eu não sabia se era ou não um, já que não fazia ideia de onde eles eram.

Continuamos caminhando com certa calma, preparados para qualquer possível ataque. Poderiam ser lobos de outras alcateias, mas também poderiam ser os andarilhos, e esses, bem, são os que mais causam problemas para as alcateias. Sentíamos o cheiro de um lobo, e andávamos em sua direção, com todo cuidado possível. Minhas patas colidiam com o chão da forma mais suave que meu conseguia para não fazer muito barulho, para que não nos ouvissem.

Paramos atrás de uma árvore, seus galhos caídos em direção ao chão podiam nos esconder do outro lobo que farejava o ar na nossa procura. Ele era grande, menor que eu, mas ainda assim grande. Sua pelugem era em um marrom claro, bem mais claro do que os lobos do meu pessoal. Ele era da alcateia do Leste, lá os lobos costumavam ser mais claros e tão grandes quanto os meus. Mas apesar de grandes, eram mais pacíficos que qualquer lobo de outra região, e era exatamente por isso que aquele que eu encarava antes e agora andava em sua direção, não mostrava qualquer tipo de reação com a minha presença.

Rosnei e ele me encarou surpreso, provavelmente por não me ouvir chegar ou sentir o meu cheiro, que agora eu já não o escondia mais. Eu podia sentir o cheiro fraco dos outros que estavam com eles, só não conseguia afirmar se estavam perto ou longe, talvez estivessem deixando o cheiro menos evidente para me confundirem. O lobo se virou ficando de frente para nós, àquela altura já sabia bem quem nós éramos e de onde vinhamos. Meu lobo balançou a cabeça em um cumprimento e o outro fez o mesmo, poucos segundos depois apareceram mais três do mesmo tamanho saindo de trás de algumas árvores. Pacíficos, mas espertos.

Os outros lobos me cumprimentaram, já sabendo que eu não era um risco para eles, eu pensava da mesma forma. Todos os quatro se olharam antes de continuarem sua caça, ou o que quer que estivessem fazendo. Eu fiz o mesmo.

O vento batia em meus pelos negros, bagunçando-os da forma que meu lobo gostava. Farejamos um animal, não era grande, mas ainda assim valia a corrida. Parei por uns instantes para farejá-lo melhor, estava à nossa esquerda, não se movimentava. Viramos na direção correspondente e corremos sem muita velocidade, ele não estava longe.

Era um esquilo, meio grandinho e gordo, serviria apenas para sentir o gosto da carne e de seu sangue, mas meu lobo não dispensava nada no momento, nem um simples passarinho. Ele estava parado, com uma fruta pequena na sua frente, seu rabo peludo balançava para lá e para cá, não havia percebido minha presença ainda.

“— Não faz ideia do perigo.

Meu lobo murmurou, como se temesse ser ouvido pelo animal na nossa frente, coisa que era impossível. E, apesar de saber disso, ele não ligava. O lobo estava enrolando, parado, observando o animal. Isso estava me deixando impaciente, e ele podia sentir isso, mas não fazia nada apenas para me irritar.

O esquilo levantou a cabeça rapidamente, deixando a fruta na sua frente de lado, ele sentiu o perigo de alguma forma e tanto eu quanto o meu lobo sabíamos que ele correria a qualquer momento. Saltei de entre os galhos para cima do animal, não querendo que ele corresse e sumisse no meio daquela floresta enorme.

Mas tudo aconteceu tão rápido que meu lobo se assustou, pego de surpresa pelo baque de outro animal no nosso lado direito. Tombamos para o lado, saindo da direção do esquilo, que com tudo o que aconteceu, pôde correr mata adentro.

Endireitamos nossa postura e nos viramos, encarando a causa da perca da nossa presa. A surpresa tomou conta do meu ser ao ver um lobo absurdamente branco se levantar com pressa de cima das folhas, atordoado da mesma forma que eu e meu lobo. Ele rosnou irritado e olhou em minha direção, mas sua expressão irritada se transformou em uma curiosa e surpresa ao nos encarar. Era óbvio que ele sabia quem nós éramos, pois, normalmente, todos sabem reconhecer um alfa líder, tamanha a sua presença. 

Meu lobo, mas não somente ele, estava admirado com a cor daquele lobo, era tão branquinho que me lembrava a neve. Ele cheirava a ômega, um ômega. Seus olhos, que não desviavam dos meus, eram claros, azuis claríssimos e, bem, detestamos admitir, mas aquele lobo era simplesmente lindo.

“— Não vou admitir que ele é mais bonito que a gente, Yoongi." 

Não precisava.

O lobo branco desviou seus olhos dos meus, procurando por algo ali no chão, obviamente o esquilo, mas, àquela altura, o animal já estaria bem longe.

O lobinho rosnou com raiva novamente e nos encarou, estava irritado por perder sua caça? Mas ela era minha, humpf!

Ele continuava da mesma forma, nos encarando como se a culpa da fuga do esquilo fosse toda minha e de meu lobo, mas não era, era dele também. Nenhum de nós dois havia escutado, sentido ou visto o outro, e isso fez com que pulássemos no mesmo animal. Mas, se querem saber, mesmo que eu o tivesse visto, não desistiria da minha caça, ele que arrumasse outra.

O seu olhar acusador sobre mim já estava deixando meu lobo irritado, ele detestava ser desrespeitado, e tudo piorava quando aquele na nossa frente cheirava a Leste, não pertencia à nossa alcateia, e também não estava no nosso território, mas, se ele fosse inteligente, não daria aquele tipo de olhar para um líder.

Meu lobo queria mostrar para ele quem era o mais forte, eu sentia isso. Já havia certo tempo de que não fazíamos outro lobo sentir nosso poder, e, conhecendo bem meu lobo, eu sabia que ele sentia falta disso. Mas não poderíamos fazer com aquele lobo, ele não estava fazendo algo muito desrespeitoso, e eu até entendia a sua frustração comigo.

Estávamos nos encarando há um tempo considerável, ele não desviava seu olhar irritadiço do meu, assim como o meu lobo não deixava de encará-lo na mesma intensidade. Se fosse por mim, já teríamos voltado à nossa caça, mas ele queria ficar e deixar com que o outro lobo desviasse o olhar. O que não demorou muito para acontecer, já que decidi impor mais de minha presença, fazendo assim o outro bufar e virar a cabeça para o lado.

Ri mentalmente junto com meu lobo. Eu queria voltar ao que fazíamos antes desse acontecimento, porém, o meu lobo não sentia a mesma vontade de antes, ele estava curioso, intrigado, e eu sabia que o motivo disso estava ali, ao nosso lado. Aquele lobo era branco demais, não era como os outros, como os que moravam no Norte por exemplo, alguns eram cinzas, tanto escuros quanto claros, bem claros, mas não brancos. Lobos brancos eram raríssimos, existia uma explicação para a cor branquinha, mas eu não me lembrava, havia se passado muito tempo desde que meu avô me explicou sobre, não me lembrava mais.

Meu lobo me surpreendeu quando começou a correr, deixando o outro para trás. Passei a focar nos cheiros que nos rondavam, para ajudá-lo a encontrar nossa próxima caça. Eu sentia que ele não estava mais naquela animação toda, mas também não havia desanimado da nossa corrida. E também sabia que ele lutava para não começar a falar, porque não possuía freios quando estava intrigado com algo, e eu, às vezes, desejava bater a cabeça na parede para tentar fazê-lo se calar.

 “— Espero que não seja outra coisa com que teremos que nos preocupar.

Ele resmungou com a voz mais baixa do que o costume, revirei os olhos ao entender do que falava. Meu lobo se prendia em certas coisas com muita facilidade, e isso me irritava.

“— Você se irrita com qualquer coisa, Yoongi, tsc.

Ignorei seu deboche e foquei nas coisas ao redor. Paramos e ele farejou, havia outro animal por perto, era bem maior que um esquilo, talvez um javali ou outro cervo, não tínhamos certeza. Estava no nosso lado direito e se movimentava, podíamos escutar o som de suas patas pisando sobre as pedras e amassando o mato abaixo de si. Seguimos rapidamente em sua direção, meu cheiro não estava tão evidente, não quis escondê-lo tanto, meu lobo estava com certa preguiça para isso, mesmo que não gastasse muito esforço.

Era mesmo um cervo, não muito grande, não havia atingido a idade adulta ainda, era jovem. Nos abaixamos e o lobo bufou, seguindo para frente em silêncio, um mínimo barulho e ele correria.

“— Isso só pode ser brincadeira!

O cervo, que até segundos atrás seria parte do nosso jantar, estava agora com o pescoço preso por presas, sendo carregado por aquele filho da mãe abusado!

“ — Ele seguiu a gente, Yoongi, como pôde? Eu não o senti. Mas que merda! Merda!

Sem ao menos ligar para a expressão nem um pouco amigável de meu animal, o lobo branco nos encarou e rosnou como se estivesse rindo, eu não duvidava disso, sua expressão o denunciava.

Meu lobo estava irritado, isso era óbvio, mas também surpreso com as atitudes nada inteligentes daquele outro.

O branco andou até nós ainda sem parar de nos encarar, parou ao nosso lado e nos olhou das patas à cabeça, como se nos analisasse. Eu sentia o seu deboche como se ele batesse na minha cara, e isso só nos deixava mais irritados. Bufou mais uma vez e voltou a andar, batendo o rabo peludo no nosso rosto.

Certo, ele nos culpava por ter perdido o esquilo e agora roubava nossa caça? Sua forma de pensar não era a mais correta, mas eu até aceitava. Mas meu lobo não, por isso correu e parou na frente daquele lobinho abusado. 

Meu lobo era maior e por isso o outro precisava levantar a cabeça e nos encarar. Olhamos para o veado, dizendo que aquele animal era nosso, e eu não deixaríamos que o levasse.

Mas nada disso mudou o que o outro fazia, ele desviou e continuou andando, carregando o animal que tentava se soltar de suas presas.

“— Perdendo a paciência... Eu ‘tô perdendo a merda da paciência, Yoongi! ” 

Não me contive e acabei rindo da irritação do meu lobo. Ele estava irritado por uma coisa boba, ao meu ver, já que estávamos na floresta e existia mais outros animais para caçarmos, mas ele era orgulhoso e queria aquele cervo, não desistiria de sua caça.

Voltamos para a frente do branquinho, meu lobo bufou irritado quando o outro revirou os olhos azuis e respirou fundo. Havia me lembrado de Yangmi, ela me fazia agir daquela forma quando teimava comigo.

O ômega soltou o cervo e colocou a pata direita sobre o pescoço, me encarou e rosnou, fiz o mesmo, se ele pensava que eu e meu lobo, logo nós dois, desistiríamos daquele animal, ele estava absurdamente enganado. Me aproximamos mais e rosnamos alto, sentindo quando o branco pareceu se abalar com a presença que aplicávamos no momento, mas mesmo assim não me entregou o animal. Ameacei morder em seu focinho quando abocanhei o ar na sua frente, ele afastou a cabeça para trás por puro instinto de proteção, meu lobo riu de forma maliciosa, satisfeito com o mínimo resultado.

O lobo do Leste se irritou, tirou a pata de cima do cervo e se aproximou, rosnando, com as presas à mostra. Meu lobo deu um passo para trás apenas pela surpresa de sua ação, mas logo deu duas passadas para frente, fazendo o branco andar para trás, mas sem parar de rosnar e tentar nos ameaçar de alguma forma.

Eu e meu lobo estávamos tão concentrados em fazer aquele lobo baixar a bola para cima de nós que não nos demos conta de que o cervo poderia fugir, já que no momento, ele estava sem qualquer tipo de coisa que o impedisse. E como qualquer outro animal faria, ele fugiu, correu pela floresta e sumiu de nossas vistas.

Encarei o lobo mais baixo e ele estava tão surpreso quanto nós, também tinha esquecido de que aquilo poderia acontecer. Ele nos encarou, não estava irritado, tinha uma expressão tediosa, bufou e passou por meu corpo lupino, trombando nele propositalmente.

Ao ver o lobo se afastar com passadas bruscas no chão da floresta, visivelmente frustrado por ter pedido mais um animal por nossa causa, meu animal não se conteve em levantar a cabeça e uivar, em uma óbvia provocação ao lobinho branco. Nós não sairíamos dali com aquele cervo, mas o outro também não.

Ele nos encarou sobre os ombros, a mesma expressão de tédio de antes. O encarávamos também, nosso olhar se conectava. Ele não parecia nem um pouco abalado com nossa presença de alfa líder, o que nos deixava, para falar a verdade deixava o meu lobo, intrigado. Aquele lobo branco era um ômega diferente e não era apenas por ser raro, tinha algo a mais e nós estávamos sedentos por aquele mar cristalino que nos encarava.

Ele abaixou e levantou a cabeça devagar, e eu posso jurar que ele sorriu antes de se virar e nos dar as costas, correndo pelo mesmo caminho que eu havia passado.

Continuamos parados e encarando as árvores na nossa frente, meu lobo precisava entender tudo o que havia acontecido ali, e eu também, para ser sincero.  Alguns minutos se passaram até resolvermos terminar o que tínhamos que fazer ali. Ele queria ir atrás do outro lobo, mas isso não era o melhor a se fazer, não naquele momento. Voltamos a correr, agora em direção à saída da floresta, para podermos voltar para casa.

“— Tsc, tsc, eu ainda dou uma lição naquele lobinho...

Meu lobo não parava de resmungar, estava irritado, frustrado e curioso. Mas não era uma irritação que nos preocupava, mas sim que nos deixava, de uma forma estranha, mais leves.  Mas reclamão do jeito que sempre foi, ele não pararia tão cedo de resmungar.


Notas Finais


Jung Hoseok não é o lobinho branco, juro kjlmopqrs
Ai, Deus, nervosíssima porém feliz
O que acharam? Eu tô me cagando disso estar cansativo de ler, digam-me o que acharam :)

Beijos, tô atrasada pra escola rs, xoxo ~


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