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História Easy Prey (Malec) - Capítulo 13


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Capítulo 13 - Operar, tratar e amparar.


Estávamos em uma sala especial do hospital, onde os parentes do paciente que estava sendo operado esperavam a cirurgia terminar. Minha mãe parecia apreensiva, apertando minhas mãos com força entre suas mãos geladas. Eu também estava na mesma situação. O transplante de medula óssea era um procedimento rápido, de apenas duas horas de duração, mas parecia estar levando uma eternidade. Eu ainda estava internado no hospital, em observação, mas Magnus me permitiu acompanhar a cirurgia de Izzy.  

E então, após as duas horas se passarem, Magnus sai da sala. Nós nos levantamos e vamos de encontro até ele, cheios de expectativa. Magnus esboça um sorriso e eu sinto meu coração se desmanchar de alívio.  

-A cirurgia foi um sucesso. A Izzy é muito forte e encarou o transplante com muita coragem. Agora é só esperar para vermos como ela reage, mas creio que vai dar tudo certo. Ela precisa continuar no hospital por mais vinte e quatro horas para podermos monitorá-la. - Ele diz isso e minha mãe começa a chorar, mas dessa vez chora lágrimas de alegria. Depois de tanto tempo de luta e aflição, Izzy finalmente estava curada. Nem dava para acreditar.  

-Doutor. Será que eu posso te abraçar? Eu não queria ser invasiva, mas... Eu sinto que preciso te agradecer de alguma forma. - Minha mãe pergunta e Magnus sorri para ela.  

-Mas é claro que pode... - Ela se aproxima e envolve seu corpo com os braços. Ele corresponde o abraço com o mesmo carinho e com um sorriso no rosto, mas que logo se desmancha quando ele abre os olhos e me vê. Eu não ouso me aproximar mais do que alguns metros, sabendo que Magnus não gostaria de me ter por perto.  

-Você salvou a vida dos meus dois filhos! Esse médico aqui salvou a vida dos meus dois filhos! - Minha mãe diz para Magnus e para todos os enfermeiros e pacientes que estavam por perto ouvirem. Magnus apenas sorri timidamente e pede licença, voltando para a sala de cirurgia. 

-Esse rapaz é realmente um anjo! Serei eternamente grata a ele! Não é, filho? - Minha mãe pergunta e eu apenas concordo com a cabeça, tristemente. Se ela soubesse da verdade, jamais me perdoaria.  

 

 

Os dias foram se passando e eu e Izzy fomos nos recuperando no hospital, aos cuidados de Magnus e de toda a equipe. Izzy precisou ficar por mais três dias no hospital, por precaução, e nós acabamos sendo liberados juntos. O meu ferimento já estava bem melhor e eu poderia continuar tratando dele fora do hospital, trocando o curativo diariamente, mas Izzy precisava fazer um tratamento um pouco mais complicado, que exigia que ela visitasse o hospital com frequência. Como morávamos em outra cidade, isso dificultaria as coisas, mas o destino nos surpreenderia positivamente mais uma vez. Não eu que eu merecesse, é claro. Mas minha mãe e minha irmã sim.  

Eu estava sentado na cama de Izzy, no hospital, ajudando-a a se arrumar para irmos para o hotel. Um hotel não é o lugar ideal para um paciente em recuperação ficar hospedado, mas ela não podia continuar no hospital, porém também não podíamos voltar para casa. Teríamos que continuar assim, até o tratamento terminar. Era o único jeito. Penteio seu cabelo com delicadeza, que já tinha recuperado o brilho que possuía antes, mas que tinha se perdido por um tempo devido a doença. Minha mãe está ao lado, arrumando as malas. De repente a porta se abre e alguém entra no quarto.  

-Com licença... - Magnus entra, segurando uma bandeja na mão. - Eu não queria atrapalhar, mas... Trouxe o café da manhã.  - Izzy sorri instantaneamente para seu médico, que havia virado um verdadeiro amigo ao passar dos dias. Enquanto me tratava com frieza e indiferença, Magnus tratava Izzy com muito carinho e, apesar de tudo, eu era extremamente grato por ele não descontar a raiva que sentia de mim nela. Afinal, ela realmente não tinha culpa de nada.  

-Bom dia, Magnus! - Após depositar a bandeja em uma mesinha, Magnus cumprimenta Izzy e minha mãe com um abraço e apenas balança a cabeça para mim.  

-Parece que vocês já estão prontas para ir? - Ele observa, notando as malas já arrumadas em um canto do quarto.  

-Sim... Eu nunca pensei que fosse dizer algo assim, mas... Eu estou até meio triste por estar indo embora. Todos aqui me nos trataram tão bem, principalmente você. Eu me senti muito bem aqui, apesar de ser um hospital... - Izzy comenta e Magnus sorri.  

-Fico feliz por isso, Izzy, de verdade, mas eu quero que você saia daqui o mais rápido possível para poder curtir o mundo lá fora, pois agora você pode. - Magnus diz e minha irmã sorri, empolgada. - Eu não quero parecer intrometido, mas... Vocês têm algum lugar para ficar? Acredito que não seja viável que voltem para casa, devido à distância, pois a Izzy ainda precisar voltar para o hospital para continuar com o tratamento.  

-Na verdade... Nós estávamos pensando em ficar em algum hotel aqui na cidade. - Minha mãe responde e Magnus expressa um olhar de pesar.  

-Eu imaginei isso mesmo... - Ele se silencia por um momento, como se ainda estivesse se decidindo, mas logo determina. - Por isso, eu estava pensando se... Vocês gostariam de ficar na minha casa. Quer dizer, não é a minha casa, pois eu não moro mais lá, mas é a antiga casa do meu pai... Seria algo temporário, é claro, apenas até a Izzy se recuperar por completo. Até porque ficar em um hotel não seria muito confortável para ela. - Mamãe e Izzy ficam totalmente surpresas com a proposta e, primeiramente, pensam em recusar.  

-Doutor... Não, nós não podemos aceitar. Nós podemos muito bem ficar em um hotel por algumas semanas. Me desculpe, mas seria muito abuso... - Minha mãe estabelece, totalmente íntegra, mas Magnus ainda insiste: 

-Por favor, Maryse, não seria abuso nenhum. Fui eu quem propus fazer a cirurgia de Izzy aqui em Nova York, mesmo sabendo que vocês moravam em outra cidade e teriam problemas em se hospedar aqui na cidade. Não posso abandona-las agora. Além do mais, não seria problema nenhum para mim, pois como eu disse, a casa está vazia.  

Minha mãe pensa mais um pouco, mas logo se dá por vencida. Realmente não tínhamos para onde ir, não tínhamos outra escolha. Enquanto Magnus conversa animadamente com minha irmã, eu o observo de longe. A cada dia que passa ele me surpreende ainda mais com sua bondade e sua maturidade sem limites. E agora, ele estava oferecendo a sua própria casa- onde o assalto havia ocorrido, por sinal – para minha família poder ficar mais confortável. Eu não conseguia entender. Era essa forma que ele encontrou para se vingar de mim? Sendo extremamente gentil e fazendo eu me sentir culpado? Se fosse isso, estava dando certo... 

 

 

 

 

A casa estava praticamente igual, exceto por todos os objetos que haviam sido roubados, estava igual. Mamãe e Izzy se acomodaram em um dos quartos e eu, em outro. Você deve estar pensando que sou muito cara de pau por estar me acomodando naquela casa como se nada tivesse acontecido e talvez eu seja mesmo, mas eu não tinha para onde ir. Os meninos haviam virado fumaça desde o dia em que fui baleado, provavelmente por medo da polícia. Era isso ou ficar na rua. E, pensando melhor, eu merecia a rua. Mas Izzy e mamãe iriam desconfiar se eu tomasse essa atitude então, eu simplesmente fiquei na casa.  

Mary ainda trabalhava lá, apesar de Magnus não estar morando mais na mansão. Assim como Magnus, ela me tratava com desprezo, mas tratou minha mãe e Izzy com solicitude e respeito. Até o momento, as duas não pareceram notar o clima pesado entre nós, mas isso viria à tona logo, logo. Ao longo do tempo, Magnus visitava Izzy diariamente para examina-la e toda semana ela ia para o hospital dar continuidade ao tratamento. Quando Magnus aparecia, eu me escondia em um canto da casa, evitando-o.  

-Deve ser o Magnus! - Izzy diz e corre até a porta ao ouvir o som da campainha.  Magnus entra na casa e eu corro para o segundo andar imediatamente. Eu fazia de tudo para não ter que encontrá-lo, pelo simples fato de não conseguir olhar em seus olhos devido a imensa culpa e vergonha que carregava dentro de mim. 

 Minha mente me punia todos os dias, todas as horas e todos os minutos, fazendo-me relembrar dos momentos de carinho que compartilhamos, mas também me corroía com as memórias do assalto: o olhar de dor no rosto de Magnus ao se dar conta de que foi enganado; Azazel em cima dele, acertando golpes em sua face; nosso encontro no elevador e a mistura de medo e tristeza em seu olhar. Mas o pior era que, apesar de tudo, meu coração ainda pedia por ele. Meu corpo clamava por seu toque, mas eu precisava convencer a mim mesmo que isso nunca aconteceria: Eu havia o perdido para sempre.  

-Como você está se sentindo, minha querida? - Magnus pergunta a Izzy, sentando-se no sofá da sala. Ele está lindo como sempre, vestindo uma camiseta preta e uma calça jeans de lavagem clara. Suspiro baixinho, temendo ser visto. O meu esconderijo me dava uma visão ampla da sala, possibilitando que eu os visse e os escutasse. Eu sei que é errado, mas, se eu não podia tê-lo, eu me contentaria em apenas olhá-lo e admirá-lo. Era tudo o que eu teria dele.  

Os dois conversavam sobre diversos assuntos, desde o tratamento de Izzy até os assuntos mais banais.  Olhando assim, nem parecia que eles se conheciam apenas há algumas semanas, pois eles aparentavam ser amigos de longos anos.  

-Izzy, dá pra ver que você está se recuperando muito bem. Olha só, você está linda! -  Magnus elogia e Izzy ri, jogando os longos e sedosos cabelos negros para trás dos ombros. Minha irmã sempre fora muito vaidosa e sofreu muito com essa questão quando descobriu sua doença. Eu estava muito feliz por ela ter voltado a ser a Izzy de sempre.  

-Obrigada, Magnus, são seus olhos! - Ela responde ao elogio, piscando os olhos. - Mas você também não fica muito atrás, hein? Aposto que tem muitos pretendentes.  

Magnus ri timidamente e eu prendo a respiração por um momento. Seu rosto ganha uma cor avermelhada e ele olha para o chão, parecendo envergonhado. Isabelle solta gritinhos de animação e bate palmas.  

-Me conta, por favor! Quem é o sortudo? Ou a sortuda? - Ela pergunta com curiosidade e Magnus morde o lábio inferior, pensativo, mas logo abre o jogo. E nessa hora eu agradeço aos céus por estar sentado.  

-O nome dele é George. Ele é médico e trabalha comigo no hospital. Talvez você se lembre dele. 

-Aquele moreno alto e sorridente? Magnus, arrasou! - Isabelle diz e balança os ombros de Magnus de forma divertida. Magnus concorda com a cabeça e eu sinto como se tivesse levado outro tiro, mas dessa vez, muito mais doloroso. Essa notícia abriu um buraco em meu peito que não podia ser fechado por nenhum médico do mundo. Além de dor e tristeza, eu senti inveja e raiva. Invejava George por ter Magnus para si odiava a mim mesmo por ser tão estúpido.  

-Ah, Izzy, ele é tão bom para mim. Você precisa ver como ele me trata. Como se eu fosse especial, importante, precioso! - Magnus diz com brilho nos olhos. Eu engulo em seco.  

-É porque você é, Magnus! Você merece alguém que trate você com muito amor, respeito e carinho. Não aceite nada menos que isso... - Isabelle determina e Magnus sorri tristemente. Percebo pelo seu olhar que ele pensou em mim naquele momento, mesmo que rapidamente.  

Eu ainda estava meio aéreo quando e quando percebi, Magnus já havia se levantado e se encaminhava para a porta, pronto para ir embora. A tarde já estava chegando ao fim e as luzes do pôr-do-sol inundavam a sala. Izzy abraça Magnus fortemente e ele retribui.  

-Magnus... Tudo o que você fez e está fazendo por mim... Eu não sei como te agradecer. Poucas pessoas agiriam como você. - Minha irmã diz, segurando as mãos de Magnus entre as suas.  

-Não precisa me agradecer, Isabelle. Eu prometi a mim mesmo que daria tudo de mim para ajudar as pessoas ao meu redor e com você não seria diferente. Além do mais, você se tornou uma grande amiga. - Magnus revela e Izzy sorri grandemente.  

-Obrigada, Mags... Eu só me pergunto o porquê de você não morar mais aqui. Olha essa casa! É maravilhosa! - Magnus engole em seco e eu percebo seu corpo se tensionando de imediato.  

-Bom... Coisas aconteceram, mas... Isso é uma história para outro dia. Certo? - Os dois por fim se despedem e Magnus sai da casa. Corro para um dos quartos e pela janela, posso ver um rapaz alto e bonito, encostado em um carro e acenando para Magnus com um enorme sorriso no rosto. Quando eles se aproximam, o rapaz segura o rosto de Magnus com as duas mãos, beijando sua boca com paixão. 

O homem se afasta apenas para acariciar o rosto de Magnus e retirar alguns fios de cabelo de sua testa, com enorme carinho e devoção. Os dois entram no carro e dão partida, se afastando da casa até que o automóvel some de vista. Eu continuo ali por mais alguns minutos, mergulhado em uma mistura de sentimentos e sem saber o que pensar ou como agir. Pois bem, era o peso da culpa, juntamente com a amargor do arrependimento e a dor do ciúmes. Era pouco para mim.    

 

 

  


Notas Finais


poxa, a fila anda...


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