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História Eat you alive - Capítulo 4


Escrita por:


Notas do Autor


Só quero agradecer de coração por todo amor que essa fic tá recebendo.
Vocês são os melhores 😭💜😭💜
Boa leitura!

Capítulo 4 - Entrada


    No dia seguinte, pela manhã, Corazón voltou para casa. Law não estava muito satisfeito com a perspectiva de deixá-lo sozinho depois de serem alvejados em pleno entardecer por uma dupla de malucos, voltar para a civilização seria melhor para ele do que permanecer no trailer. O lugar era suspeito e, em breve, a culpa pelo caso que Zoro investigava provavelmente seria atirada em Luffy. O ferro-velho não seria um lugar seguro por muito tempo.

    — Além disso, você é o alvo. — Corazón disse com firmeza.

    — Eles podem te pegar para me chantagear. — Law resmungou.

    — Podem tentar, mas não vão conseguir. — Corazón sorriu. Abraçou Law, sempre estranhando profundamente o quão alto o garotinho mirrado havia ficado depois de adulto, e saiu aos tropeços em direção ao Uber que o aguardava do lado de fora do ferro-velho.

    Law o seguiu com o olhar, achando um imenso milagre que Corazón não caísse em meio aos entulhos que atrapalhavam seu caminho. Seu coração apertou, mas ele sabia que era o melhor a ser feito. Além disso, Corazón certamente comunicaria a polícia, e foi com esse pensamento que Law conseguiu permanecer tranquilo pelo resto do dia.

    À noite, Corazón apareceu com uma muda de roupas para Law, e por não estar usando a maquiagem habitual, Law considerou que ele já estava tomando medidas de auto preservação. A visita não durou muito, mas foi o bastante para Law ter seus batimentos cardíacos elevados exponencialmente, porque Corazón e Luffy estavam simplesmente ignorando sua presença ali enquanto conversavam.

    — Mas o que acontece se você come carne de vaca? Você explode? — Corazón perguntou e Luffy sorriu.

    — Eu fico intoxicado, vomitando as tripas por toda parte. Já tentei fazer isso com todas as carnes que consegui encontrar.

    — Até de coelho?

    — Até de coelho.

    E Law, que mastigava as almôndegas da marmita trazida por Corazón, desejou morrer só um pouquinho. Naquela noite, Luffy se empolgou tanto com a conversa com Corazón que ficou até tarde falando com Law. Pegou no sono ao se recostar no sofá, e Law o colocou no colchão disposto na outra extremidade do trailer, ao lado da cama de campanha de Nami. Sonolento, Luffy sorriu e o abraçou.

    — Valeu, Tral.

    Law juraria pela própria sanidade que um clima estranho estava instalado entre eles – e notava isso até mesmo por conta do interesse de Corazón em Luffy –, mas optou por ignorar aquele detalhe, já que Luffy estava adormecido em seus braços naquele momento e poderia ser simplesmente uma má interpretação de sua parte.

    O estado de negação durou só até o dia seguinte. Na hora do almoço, Corazón havia pedido um marmitex em seu nome sem avisar – e Law achou mesmo que o motoboy havia se enganado quanto ao endereço. Estava almoçando o prato já relativamente frio enquanto observava discretamente Luffy encarar o teto como se fosse o passatempo mais divertido do mundo.

    Ele estava deitado no sofá e Law comia sentado à mesa improvisada com tábuas, saciando a fome que sentia desde a noite anterior, até perceber sem esforço que Luffy não havia se alimentado em momento algum. Nami, àquela hora, não estava no trailer, e podia muito bem estar comendo em algum lugar. Luffy, por outro lado, não saiu de perto dele durante todo o tempo desde que chegaram, e Law se perguntou se Luffy estava se privando da comida por causa de sua permanência no local.

    — Se você quiser comer, eu posso sair, Mugiwara-ya.

    — Não temos nada para comer, Tral.

    — Vocês não conseguiam se alimentar usando a internet? — Law franziu o cenho.

    — Faz dias que não aparece nada. — Luffy resmungou, apertando o estômago e virando de lado no sofá para encarar Law.

    Dias. Ele estava há dias sem comer e, ainda assim, se mantinha em pé, cheio daquela determinação da qual Law não compartilhava, e que era grande o bastante para levá-lo até a casa de Law e salvá-lo de ser morto dentro de sua própria residência. Law gostaria de saber de que, afinal, Luffy era feito, porque sua matéria-prima não se parecia muito com a de uma pessoa comum.

    — Eu posso conseguir algo para você.

    — Não vamos matar ninguém. — Luffy reclamou, emburrado.

    — Você pode tirar um pedaço da minha perna. — Law disse com seriedade e Luffy sorriu.

    — Você não tá falando sério.

    — Claro que é sério.

    — Eu te comeria inteiro, Tral, não só a sua perna. — Luffy fez questão de deixar no ar a frase de duplo sentido e Law desviou o olhar. — Além disso, você não deve se preocupar. Isso acontece sempre.

    — Não parece muito normal para mim. — Dessa vez foi Law quem se emburrou.

    — Eu como gente e você tá falando de ser normal. — Luffy riu. — Vem aqui.

    Ele estendeu os braços e Law se aproximou desconfiado. Luffy o puxou para mais perto e o abraçou com força, fazendo com que se deitasse parcialmente ao seu lado no sofá estreito e rasgado. Law pode sentir o estômago de Luffy se revirar quando seu braço foi pressionado contra o tronco desnudo e engoliu em seco.

    — Vamos procurar alguma coisa para você. Se você morrer de fome, eu vou perder a minha melhor chance de descobrir o que está acontecendo. — Acrescentou depressa, julgando muito necessário, porque estava começando a se incomodar com o sofrimento de Luffy e aquilo era um péssimo sinal.

    Luffy ainda se esfregava nele, sorrindo como se nada acontecesse, e Law notou que seu corpo estava começando a responder aos estímulos. Tentou se endireitar no sofá e apanhou a garrafa de suco sobre a mesa, tomando tudo em três goles longos e cheios de expectativa. Expectativa de que a distração com a garrafa fizesse seus hormônios se acalmarem, mas tudo desceu ladeira abaixo quando Luffy rolou para cima dele e, com um sorriso, lambeu de leve o lóbulo de sua orelha.

    — Mugiwara-ya... — Law sussurrou e Luffy esperou que ele continuasse a frase, mas como não foi o que aconteceu, Luffy entendeu como uma permissão e subiu de vez em cima de Law. Notou que Law também estava excitado e mordeu o lábio inferior antes de beijá-lo.

    Naquela ocasião, não houve o fator surpresa e Law correspondeu imediatamente, puxando-o para mais perto. Luffy coordenava o ritmo do beijo, assim como o roçar dos corpos, e Law se viu muito grato pelo fato de Luffy estar sem a camiseta. Deslizou as mãos pelas costas dele, parando nos quadris por cima da bermuda, apertando de leve. Law não tinha ideia do que estava acontecendo entre eles, e a única certeza naquele momento era que aquilo era realmente muito bom.

    — Luffy, comida!

    A voz animada da mulher que abria a porta não pertencia a Nami. Law sentiu cada fibra de seus músculos se retesarem e ele compreendeu que ainda havia muito que descobrir sobre os estranhos eventos que criaram uma geração de estranhos habitantes para aquela cidade. Luffy, por outro lado, sequer se deu o trabalho de sair de cima de Law, sorrindo para a visita na mais pura paz de espírito.

    — Jura mesmo, Robin?!

    Robin sorriu, sem deixar transparecer nenhuma segunda intenção, e colocou uma enorme sacola sobre a tábua que fora a mesa de Law por alguns minutos naquele dia.

    — Você não precisa sair se não se incomodar, Tral. — Luffy disse radiante, saindo finalmente de cima dele e abrindo a sacola.

    — Não me incomodo.

    — Ótimo!

    Luffy abriu o pacote e começou a comer uma parte de um corpo que Law tinha certeza de que era um braço. No entanto, se pegou sorrindo ante a cena macabra, porque Luffy parecia completamente feliz naquele momento.

    — Vejo que está tudo certo entre vocês, sem mal entendidos.

    — Eu falei pra Nami que Tral era gente boa. — Luffy argumentou. — Ela que ficou com medo à toa.

    — Não imaginei que se conhecessem. — Law comentou por alto, sem demonstrar o quão chocado estava em perceber que Robin, sua pessimista colega de trabalho, era amigo de seu ex-stalker –  e de sabe-se lá o que ele e Luffy eram naquele momento.

    — Robin é nossa amiga faz muitos anos! — Luffy explicou. — Mas não é como a gente.

    Antes que Law tivesse tempo para processar a informação, Robin se adiantou:

    — Agora vou procurar Nami. Bom apetite. — Sorriu e saiu, acenando brevemente.

    Ela com certeza sabia que Law não era o tipo de pessoa que a encheria de perguntas, então deveria estar falando a verdade. O que não mudava o fato de ser absolutamente perturbador que Robin conhecesse Luffy, soubesse de sua condição e agisse normalmente sem pertencer àquele grupo de pessoas peculiares, considerando que ela era uma civil comum.

    Se realmente fosse.

    Tinha algo faltando e Law não queria nem imaginar o que era.

    — Eu te ofereceria um pedaço se você gostasse. — Luffy disse de boca cheia e Law sorriu.

    — Pare de mentir e coma.

 

    [...]

 

    Cinco dias depois, Corazón voltou ao trailer, explicando que havia acionado a polícia – porque, segundo ele, Smoker era muitas coisas, mas não era corrupto – e contado sobre a tentativa de homicídio sofrida por Law.

    — Smoker quer tomar seu depoimento. — Disse por fim.

    Não lhe parecia boa ideia ir até a delegacia tendo pessoas armadas em seu encalço dispostas a matá-lo, só que Law sabia que estava abusando da sorte e da paciência de Smoker. Estava pensando em uma solução quando Nami interviu:

    — Eu vou falar com ele. Ele deve saber sobre Bellamy.

    — Vai falar que Bellamy ia ser nosso almoço?! — Luffy arregalou os olhos.

    — Claro que não, idiota. Vou explicar que Bellamy estava tentando nos jogar contra o Tral. Tenho aqui o histórico das conversas. — Indicou o celular. — Pode me acompanhar até lá?

    Nami estava sorrindo tranquilamente e isso fez com que Corazón concordasse. Àquela altura, qualquer ajuda seria válida. Ela se arrumou rapidamente e saíram logo que o Uber despontou na esquina do ferro-velho.

    Por fim, Law se viu sozinho com Luffy e se sentiu ridículo por estar tão nervoso. A relação que tinham avançava a cada dia e Law não conseguia mais manter uma contenção no que estava acontecendo. Não que não quisesse aquele contato, o problema era justamente o oposto. Estava começando a gostar um pouco demais de Luffy e aquilo era terrivelmente problemático. Já se sentia desconfortável pela possibilidade de Corazón ser alguém que pudessem usar para atingi-lo. Não precisava de mais pessoas com que se preocupar tanto.

    — Vamos investigar hoje? — Luffy perguntou animado. Estava tomando café, a única bebida que conseguia ingerir sem se sentir profundamente nauseado e Law percebeu que estava de olhos fechados, apreciando o aroma da bebida que se desprendia ao redor de Luffy.

    Estava muito fodido.

    — O que você quer investigar, Mugiwara-ya?

    Luffy não via o jornal, nem lia os periódicos. Mas Nami o fazia sempre e sempre os mantinha informados, então não foi surpresa quando Luffy respondeu:

    — O laboratório.

    — É perigoso...

    — A gente dá conta!

    Law suspirou. Estava mesmo querendo ir até o local para tentar encontrar alguma resposta, alguma pista que fosse. Só que não queria se arriscar em levar um tiro gratuitamente. Suspirou.

    — Nós vamos. Mas antes, vamos nos camuflar.

 

    [...]

 

    Nami havia acabado de chegar à delegacia dava um último aceno de agradecimento a Corazón pela companhia, quando um pequeno tumulto começou próximo à recepção. Lá, um homem de chapéu, alto e aparentemente irritado, discutia polidamente com o atendente no balcão, até que uma policial saiu das dependências internas da delegacia para conversar com ele.

    — Smoker-san vai falar com você.

    — Ei, espere! — Nami chamou alarmada. Não podia demorar muito tempo ali. — Eu preciso conversar com Smoker agora!

    A atitude de Nami chamou a atenção do homem de chapéu e ele se virou. Imediatamente, ela cobriu a boca com as mãos, como se visse um fantasma.

    — Podemos entrar juntos. — Ele disse com um sorriso.

    Nami prendeu a respiração e concordou. Ela seguiu para dentro da sala de interrogatório logo atrás do homem, e notou que sua reação à presença dele não foi tão diversa à reação de Smoker. O policial mordeu a ponta do charuto com força, aparentando uma incredulidade que não lhe era usual. O choque de Smoker foi tamanho que ele sequer pensou em expulsar Nami dali, uma vez que ainda não a conhecia e não tinha ideia da ligação que Nami tinha com o caso de Bellamy.

    — O que está acontecendo aqui? — Foi o que Smoker conseguiu perguntar.

    — Em primeiro lugar, acontece que estou vivo. — Ele sorriu e se sentou de frente para Smoker.

    Nami fechou a porta atrás de si, parando próxima ao falso espelho na parede, o mais longe possível da fumaça habitual que orbitava Smoker. Ligeiramente incomodada com o calor, mas preocupada demais com o que estava acontecendo para se importar de fato com o clima abafado e o mau cheiro da sala. Ela respirou fundo. Havia semanas que voltava ao trailer somente para dormir, determinada a atingir seu objetivo antes de ser presa acusada pelo sumiço dos corpos. E, quando estava quase sem esperanças, a pista mais importante possível estava caminhando pela delegacia justamente quando ela estava lá.

    — Ace-san... — Ela chamou em voz baixa, as palavras soando estranhas em sua boca.

    — Você e Luffy estão bem? — Ace sorriu.

    — Estamos... Como...?

    — Como estou vivo? — Ele se levantou. — É sobre isso que vim falar com vocês. Aparentemente, a gripe não é o que vocês imaginavam.

    Confiante, ele fechou um punho e deu um soco na parede. O concreto cedeu imediatamente e o bloco sólido formou um côncavo profundo, do exato tamanho da mão de Ace. Basicamente, a parede da sala de interrogatório acabava de ser depredada por uma pessoa com força completamente anormal.

    — Eu quero proteção, Smoker. Eles vão vir atrás de mim porque fugi. — Ace foi direto.

    — Eles quem?

    A pergunta foi Nami quem fez, e Ace soube que era apenas uma tentativa de confirmar uma suspeita já consolidada. Ainda assim, respondeu com todas as letras para que Smoker pudesse seguir a linha de raciocínio da conversa:

    — Os policiais que estão fazendo a segurança do nosso cativeiro.

    Nosso.

    Nami estremeceu. Queria perguntar, queria ter a coragem necessária, mas o medo de uma resposta negativa era tão imenso que as palavras simplesmente não saiam. Só que Ace estava feliz por estar ali e, aparentemente, queria passar aquele sentimento adiante, porque era provavelmente a única coisa que podia fazer no momento além de deixar todo mundo muito assustado:

    — Vivi não vê a hora de encontrar você.

    Foi o que bastou para que as lágrimas escorressem.

    Nami estava decidida a encontrar os restos mortais da amiga, dada como morta após ficar de quarentena por uma semana por conta da gripe. Vivi não merecia a morte tão prematura e Nami desejava, ao menos, dar-lhe um funeral digno. Sentia-se totalmente impotente. De acordo com o que fora comunicado à população, a quarentena era formada por um grupo pequeno de pessoas e precisava ser movida da cidade para a capital mais próxima, a fim de obter uma cura. Quando Nami soube da morte de Vivi, foi imediatamente solicitar a transferência do corpo.

    — Eles me disseram que Vivi nunca esteve naquele hospital e eu entrei em pânico. — Nami sussurrou mais para si mesma. — Uma parte de mim acreditava que ela podia estar viva, mas a outra parte não queria viver em ilusão.

    — Ela só não está mais forte do que eu, mas continua bem. — Ace sorriu. — Aliás, o que você veio fazer aqui?

    — É uma ótima pergunta. — Smoker disse, cansado. Não estava conseguindo processar que Ace estava vivo e quebrando paredes com socos como se fossem de brinquedo. Precisava de férias.

    — É sobre Bellamy. — Nami disse com voz firme após se recompor. — Law não teve nada a ver com a morte dele.

    — Como sabe? — Smoker franziu o cenho.

    — Leia. — E entregou o celular para Smoker.

    Atento, Smoker leu a conversa, jogando para o espaço toda a ética profissional que consistiria em pedir a Ace que se retirasse da sala para preservar o sigilo. Naquele momento, Smoker só queria um norte para suas ações e sabia que isso era culpa da convivência com Tashigi.

    — Ele estava incentivando você e seu amigo a matar Law? — Smoker arqueou a sobrancelha.

    — Exatamente.

    — E como sabe que Law não descobriu isso antes de vocês e o matou primeiro?

    — Luffy vem seguindo Law há um tempo. — Nami revelou por fim. — Queríamos entender os motivos de Bellamy. Quando Bellamy foi morto, Law estava em casa.

    — Luffy?! Seguindo pessoas?! — Ace estranhou.

    — Eu pedi a ele.

    — Ah, tá explicado. Tome o depoimento oficial dela, Smoker. Vou esperar ali fora para acertarmos a minha proteção.

    Ace se precipitou a sair e notaram, enfim, que a policial que os guiou até Smoker estava parada à porta.

    — Eu tomo o depoimento dela, Smoker-san. — Ela disse com firmeza. Entrou na sala, trazendo uma garrafa térmica cheia consigo e dois copos. A expressão de Smoker se suavizou. No fim das contas, Tashigi era uma boa influência, ainda que Smoker se visse confuso na maior parte do tempo por estar sendo afetado pelo modus operandi dela.

    Ao menos estariam fazendo a coisa certa.


Notas Finais


Law plenissimo vendo Luffy comer gente no melhor estilo Joel Hammond auhauhauahau
Obrigada a quem está acompanhando e até logo!
😊💖


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