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História Eclipse - Moonsun - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, meus beberes!

Essa é a primeira fic que eu posto que não é do Red Velvet, mas também é de um grupo que eu amo, de um shipp que eu amo e espero que os senhores também amem. Amém? Kakak

Até as notas finais! ❤️❤️

Capítulo 1 - Sol e Lua


Sentada em meu sofá observo a movimentação nas ruas que cortavam a grande e incansável Nova Iorque; era madrugada, o choro entalado em meu peito porfiava manifestar-se, o vento frio bagunçando as cortinas que embalava meus pensamentos infelizes. 

O silêncio é estrondoso, manifesto em meu pequeno apartamento, exibindo minha desgostosa solidão.

Nas ruas, onde minha vista alcançava, a felicidade alheia se tornava desagradável para mim. O céu tomara uma cor acinzentada e aos poucos a tímida luz do sol tomava seu lugar, dando início a mais um dia, este, mais nublado que os demais. Levantei-me findando mais uma das madrugadas, onde meu sono cedia lugar aos meus temores. 

Permaneci tanto tempo imersa em meu caos que nem mesmo ousei voltar a deitar para tentar dormir um pouco, aquele estava bem longe de ser um dia bom. Forrei-me de roupas confortáveis, preparei uma xícara de chocolate quente e então parti rumo ao meu escritório. Eu deveria estar acostumada a essa rotina, mas a ansiedade desagradável que me consumia diariamente não deixava. As cores que na infância eram vívidas, hoje estavam apagadas. Minhas cores favoritas eram qualquer uma entre o preto e o cinza. 

O embalo da solidão balançava meu barco levando-me até as corredeiras da depressão, julgando necessário quaisquer movimentos mais bruscos. Temi estar morta. Temi estar viva. O que eu tinha já não se chamava vida, era algo bem longe disso, era frio, néscio e consternado; eu existia no vácuo entre a vida e a morte, entre a paz e a lamúria. Entre o caos e a sanidade.

Eu respirava, mas minha alma não vivia, pelo menos não até quando, pela porta da minha triste sala, entrou a figura mais deslumbrante e encantadora que tive o prazer de ver. Arrebatada pela beleza daquele ser, deixei que meu tolo coração agitasse meu peito. Minha angústia se calou no momento em que seu sorriso tímido e belo saltou aos meus olhos que, atentos, reparavam cada detalhe daquela mulher; seu rosto donzel e seus lábios delineados dançavam em união ao perfume suavemente agradável que ocupou minha sala, e pela primeira vez em muitos anos, me senti viva ou algo próximo a isso.

— Bom dia, senhorita Moon. Sua secretária disse que eu podia entrar!

Senti meu corpo estremecer ao ouvir o som de sua voz, era firme e ardente, soava como orquestra, era agradável. Minha alma se perdeu em um lugar desconhecido, era confortável ali; não quis voltar e mesmo sendo estranho, era bom. 

Certa eletricidade desconhecida chocou-se ao meu coração causando um ardor em meu estômago, agitando meu âmago lúgubre.

— Claro! Sente-se, por favor.

O amarelo de seu vestido parecia mais intenso do que antes, sua pele ganhou um tom mais rosado, seus cabelos tomaram uma tonalidade mais brilhosa, era possível as cores mudarem assim? Naquele momento, tudo o que eu conhecia e jurava saber perdeu o sentido, ao passo que o ganhou completamente, minha alma escura se alinhou ao Sol como em um eclipse.

Conversei com a moça durante os melhores 45 minutos da minha vida, entendi seu caso, ela me procurou para ajudá-la com uma questão bem comum onde o patrão não pagou o que devia ao demiti-la. Dei um rápido conselho a ela e, gentilmente, dei um desconto no valor do meu trabalho, um bem generoso. Não o fiz apenas por ela não estar financeiramente bem, mas por todo o conjunto de coisas boas que me atingiram quando a vi. Seu sorriso, sua voz, sua educação, seu nome, esse que soara tão agradável. 

"Yongsun!" Repeti mentalmente várias vezes temendo perdê-lo dentro de mim, anotei em um pedaço de papel meu telefone pessoal e o entreguei a ela, pedi que me contactasse sempre que precisasse de algo. 

Voltei para o meu lugar de solidão, mas algo não estava no lugar, meu peito não estava apertado como de costume, minhas costas pareciam livres de algo, um riso teimoso até insistiu em sair de meus lábios quando o porteiro me cumprimentou, havia algo estranho em mim. Meu corpo parecia leve enquanto que em minha mente Yongsun reverberava como um pesadelo, ou como um sonho bom, não saberia dizer. Meu coração tão leve deixou-me confusa ao ver que minha solidão era tão enjoativa e minha confusão, lamentável. Naquela noite, no entanto, dormi bem mesmo após horas em claro pensando na minha cliente, dormi após praguejar-me diversas vezes por estar tão fissurada em Yongsun. Mas fazer o quê? Soava perfeito.

Dei início ao processo, era relativamente fácil de resolver, então não seria algo demorado. Esperei o contato dela nas semanas seguintes, mas nada veio. Pensei que, talvez, Yongsun tivesse sido um fantasma criado por mim, estava presa nesse pensamento, arrumando minhas coisas para voltar para casa, já era tarde, quando a porta da minha sala foi aberta. Olhei para vê-la molhada da cabeça aos pés, o corpo tremia de frio, a maquiagem estava um pouco borrada, mas nada tirava a beleza daquela mulher. 

— Senhorita Moon, desculpa aparecer assim e nesse horário. É que eu perdi meu celular e arranjei um emprego novo, fiquei sem tempo e sem um jeito de falar com você. Hoje saí correndo do trabalho para chegar antes de você sair, eu literalmente corri, perdi o ônibus e vim na chuva, mas tô aqui agora, podemos resolver as coisas do processo se não for incomodo? Eu sei que você já está de saída, mas eu não consegui chegar mais ced… 

Yongsun falava rápido e ofegante, respirava fundo para tentar recuperar o fôlego que perdera correndo. Interrompi sua fala ao me aproximar e depositar sobre seus ombros uma toalha reserva que mantinha em meu escritório, preparei uma xícara de café quente e entreguei a ela, aumentei um pouco mais o aquecimento da sala e voltei a sentar na minha cadeira. Fiz tudo em silêncio e Yongsun não ousou quebrá-lo, ela parecia faminta, tomou o café em questão de segundos. Peguei meu celular e pedi algo para jantar, não a deixaria com fome. 

Começamos a conversar sobre o processo, Yongsun parecia confiante, ela tinha fé em mim. Minutos depois o jantar chegou, fui até a porta recebê-lo e voltei para a minha sala. Yongsun não quis aceitar, mas a fome falou mais alto e, então, jantamos juntas. 

A chuva continuava a cair fortemente molhando os telhados das casas e dos prédios, lavando os carros e as ruas, levando as sujeiras dos muros enquanto eu tentava manter meus pedaços no lugar. Tínhamos resolvido as questões do trabalho e agora uma conversa casual se iniciava. Yongsun me perguntou se eu era casada, me assustei com a pergunta, não imaginei que ela se interessaria por algo tão particular assim. Mantive a compostura e respondi com sinceridade. 

— Imaginei que não fosse casada, caso fosse, não estaria dividindo seu jantar com uma cliente. 

Respondeu ela entre sorrisos bobos. Eu estava pensando errado, ou Yongsun queria saber mais sobre mim? Eu estava desabando aos poucos. A luz que emanava dela era tão forte, sua aura tão boa e clara, estranhamente, Yongsun me transmitia paz. Paz essa a qual eu não estava acostumada. Meu coração batia descompassado, pela primeira vez meu caos gritava o silêncio. Meu ser parecia porcelana e estava rachando. 

Naquela noite, deixei Yongsun em casa, ela tentou negar a carona, mas a chuva estava forte e as ruas escuras demais para voltar sozinha, ela se despediu me dando um beijo no rosto, fiquei paralisada por um tempo até conseguir recobrar a consciência. Dirigi de volta para casa lembrando da textura de seus lábios em meu rosto, minha bochecha pareceu ficar dormente, seja lá qual era o mistério que envolvia Yongsun, eu queria descobrir mais. Descobri o motivo de sua presença me acalmar tanto e entender o porquê de sua voz falar tão alto dentro de mim, queria saber que tipo de mágica ela fazia para me prender em si, talvez ela fosse uma sereia, uma daquelas que canta para enfeitiçar o marujo e o levar para o fundo do mar. Talvez eu quisesse que ela fosse minha sereia. 

Dia após dia se passava e eu ficava ainda mais curiosa sobre Yongsun. Ela era um mistério lindo e excitante, eu sentia que meu ser chamava por ela, era estranho e louco, mas minha vida já não tinha sentido algum, pelo menos ela me fazia querer sentir algo. Semanas após a noite que ela apareceu toda molhada em meu escritório se passaram, dei início ao processo e, como normalmente funciona, precisaríamos ir ao tribunal. Consegui avisá-la por e-mail já que ela ainda estava sem celular, marcamos a hora e então fomos ao tribunal.

Depois de muito debate e aquela famosa briga entre advogados, conseguimos resolver. Yongsun seria paga por todos os meses que trabalhou e ainda ganharia mais indenização por ter sido demitida e todas as coisas que tinha direito. Eu estava feliz. Ela estava feliz. Fiz questão de deixá-la em casa e pedir algo para comer, eu precisava passar mais tempo ao lado dela já que depois de ganhar o processo, não tínhamos motivos para manter contato. Entrei em seu apartamento ansiosa por ver como eram suas coisas, sua mobília, as cores da parede, quais eram os seus gostos, eu precisava gravar mais de Yongsun em minha mente. 

A cozinha e a sala eram juntas, duas portas à direita da sala eram passagem para o banheiro e para o quarto dela, uma pequena varanda perto da cozinha parecia ser seu refúgio. O apartamento era pequeno demais, bem menor que o meu, era arrumado e cheiroso, bem mais que o meu, tinha muito de Yongsun; pouca coisa, muito significado, coisas pessoais demais e lindas, me senti perdida ali. O mundo que eu estava naquele momento tinha sentido, tinha cor e tinha cheiro. O amarelo dominava o ambiente, alguns detalhes em cinza e preto davam elegância ao apartamento, o cheiro bom que inebriava minhas narinas era algo próximo ao cheiro do mar. Esse era o cheiro dela: Liberdade. Yongsun era livre e passava isso através das roupas que vestia, dos sorrisos simples e do modo como observava a chuva. Naquele mesmo dia onde seus lábios encontraram meu rosto, permiti que meus olhos cínicos fitassem seu rosto angelical enquanto observava as gotas de chuva escorrendo pela janela da minha sala, parecia interessada naquilo, mas, enquanto observava mais de seu apartamento, percebi que Yongsun não gostava da chuva. De fato, não existia um amor pela chuva nela, Yongsun amava o sentimento que essa trazia, Yongsun amava a bagagem da chuva, o som, a friagem, ela amava e enxergava muito além das gotas. 

Yongsun me fez rir durante o jantar, me deu vinho e me mostrou sua varanda; era linda, a varanda e sua dona. O clima estava frio e propenso a amores, eu quis acreditar que meu amor morava ali. Mas quem ama o caos? Fechei-me quando um pedaço da minha casca de porcelana partiu. Algo de errado estava acontecendo, Yongsun me quebrou por completo e eu, sem saber, deixei que sua beleza e sua deliciosa imperfeição me atingisse. Me despedi às pressas, eu precisava sair dali e ir para longe de quem me matava. Dirigi por horas até encontrar uma praça escura e vazia, deitei em um dos brinquedos e ali adormeci, entorpecida por uma dor desconhecida e agradável. 



O Sol e a Lua brilharam durante 43 dias. Meu peito ainda doía e um eco insistia em perdurar em meu subconsciente. Yongsun me prendeu em uma armadilha perigosíssima, achei que me livraria a tempo, mas era tarde demais. Eu fugi tarde demais. 

Meu escritório estava vazio naquele dia, estava chato e tedioso, Wheein, minha secretária, conversava ao telefone com sua namorada, uma aspirante a cantora, Ahn Hyejin. Eu revisava alguns processos e organizava alguns papéis quando Yongsun veio à minha mente. Ela me quebrou fazendo aflorar em mim algo totalmente novo, algo que me amedrontava, não que fosse ruim, na verdade eu estava desacostumada a sentir o que quer que fosse além de medo e solidão. O novo me amedrontava. Eu estava tão absorta em pensamentos que não ouvi as batidas na minha porta, então, a vi parada ali, bem na minha frente. 

O mundo ao meu redor parou, em contra partida meu coração parecia dançar um ritmo animado. Ela estava tão bela em um vestido florido, seus cabelos antes longos agora curtos permaneciam brilhantes, seu sorriso teimoso insistia em dar as caras. Meus olhos banhados pela noite encontraram os dela, seu olhar era intenso, pareciam cantar jazz, pareciam recitar Shakespeare, quase consegui ouvi-los cantar alguma canção romântica. Era lindo. 

— Eu precisava ver se você estava bem. 

Sua voz soou linda e ardente, quase conseguia me queimar, era calorosa ao ponto de aquecer meu interior gélido e escuro. 

— E-eu… estou bem. 

Minha voz falhou, quase não conseguia falar. Vê-la me deixou com uma pergunta horrenda: O que ela queria de mim? 

— Você saiu quase correndo naquele dia, fiquei preocupada. 

Yongsun começou a dar passos em minha direção e eu, obviamente, recuei. Era perigoso estar perto dela, Yongsun era inflamável e eu infelizmente tinha medo de me queimar. Queria, apesar de temer, ser queimada por ela, mas era perigoso e eu não estava acostumada. 

— Aconteceu alguma coisa em casa? Por que sair correndo daquele jeito? 

A cada passo que Yongsun dava, mais pressionada eu me sentia. Sua confusão era genuína, eu não sabia o que responder. O que eu deveria responder? 

Seu corpo estava a uma distância perigosa, seus olhos diziam o tamanho de sua preocupação, mas o perigo morava em seus lábios incrivelmente atrativos que, como um ímã, atraiu meu olhar para si. Meu interior se agitou. Meu peito gritou por sanidade, eu deveria me importar com as rachaduras que ela fez em mim, deveria me afastar e impedir que ela me quebrasse ainda mais, já não restava muito de mim. 

— Senhorita Moon, você está bem? 

Provavelmente eu estava vermelha, não por vergonha, na verdade eu estava em guerra. Impulsos insistiam em aparecer, eu queria beijá-la, mas não deveria, eu sequer sabia se meus lábios seriam bem recebidos pelos dela, não sabia sua posição quanto a beijar outra mulher. Eu estava colapsando. Senti sua mão pousar em meu braço tentando me acalmar, Yongsun sabia que eu estava a um passo de cair em um precipício e eu só tinha duas saídas: cair de vez no desconhecido, ou me segurar em algo e continuar minha vida. Minha lamentosa vida. 

Escolhi o desconhecido. 

Agarrei a cintura de Yongsun e a puxei para perto, deixei meu medo de lado e, sem receios, a beijei. Ao contrário do que eu pensei que seria, meus lábios foram muito bem aceitos. Melhor do que sua voz era o gosto de seus lábios cheios e rosados, era doce e maravilhosamente terno, acolhedor. Nosso prazeroso contato ganhava forma e aos poucos nos ajustavamos uma à outra. Mantive minhas mãos firmes em sua cintura temendo perdê-la, senti meu pescoço ser acolhido por suas mãos quentes e macias, ousadamente colei seu corpo ao meu, eu não a deixaria partir. Não depois de ter escolhido seu precipício. Minha camada de porcelana se quebrou em milhões de pedaços, eu estava completamente destruída. 

Finalmente respirei aliviada. 

O peso da solidão e do medo me deixaram, senti meu corpo ser meu novamente, a linha tênue entre o viver e o existir me puxou para a realidade e só então eu percebi que Yongsun era como o Sol, quente, brilhante e atrativo e eu como a Lua, fria, encantadora e magnífica. Meu caos se tornou pequeno e só então me permitiu sentir o que e há muito eu evitava: o amor. 

Yongsun tornou-se o sol de minha lua, tornou-se meu amor e minha dor, tornou-se a corda que me puxou da solidão e quando decidi me jogar em seu penhasco, surpreendentemente voei, criei asas e pairei sobre o oceano. Cedi espaço a felicidade que encontrei acidentalmente em Yongsun e desde então minha vida passou a ter sentido novamente, as cores ficaram mais vívidas, a comida passou a ter um gosto melhor, tudo graças ao encontro entre a Lua e o Sol, Yongsun e Moonbyul, nosso encontro. 



Nosso eclipse. 













Notas Finais


Se você chegou até aqui, muito obrigada por ler. Espero ter te agradado. ❤️

Vamos a alguns agradecimentos:

Primeiro: a betagem maravilhosa da deusa das fanfics @TheRedDiamond

E segundo: a capista @keopigelado que fez essa obra de arte

Até à próxima, beberes! (◍•ᴗ•◍)❤


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