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História Eclipse - Os novos campeões - Caçadores de Trolls - Capítulo 4


Escrita por: e Escritor5000


Notas do Autor


Essa edição é meu orgulho, mas tem a marca d'água da conta na wattpad kkkkk

Capítulo 4 - Trabalho demais mata a alma


Fanfic / Fanfiction Eclipse - Os novos campeões - Caçadores de Trolls - Capítulo 4 - Trabalho demais mata a alma

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A vida é um labirinto. Te encurrala com conforto e te confunde com milhares de opções de caminhos completamente diferentes. O destino é um presente. Presente esse que não pode  ser devolvido ou trocado. O medo é o precursor da coragem. Mas o incômodo é mais. Ele move e muda pessoas.


O incômodo de viver naquele lugar era insuportável. Tudo o que pude fazer foi aceitar ir para onde minha mãe queria. Arcadia Oaks.


-***-


Eu acordei confuso naquela manhã. O sol brilhava com vigor e invadia a janela do quarto, mas ainda era cedo. Cedo demais para que estivesse de pé.

Eu ofegava. Sentia que havia apanhado - e muito- de um desconhecido. Na verdade, eu sentia que tinha passado por mais do que uma noite louca. Era como se algo tivesse simplesmente sugado toda a minha energia.

_Onde... Quem? Eu tive... Um sonho muito louco. De novo..._ Soltei uma risada nervosa. Eu nunca tinha visto nada parecido. Seres com pele de pedra que pareciam tão reais quanto a luz do dia.

Balancei a cabeça para espantar aqueles pensamentos. Não poderia ficar fantasiando enquanto o sol me chamava.

Levantei-me zonzo, derrubando as várias coisas que havia na escrivaninha no processo. Meus braços se recusavam a levantar, minha coluna não se endireitava e meus olhos não podiam ser mantidos abertos. Meu corpo lutava contra mim mesmo, se recusando a funcionar propriamente. Eu havia praticamente virado a noite, e um pesadelo sobre uma guerra em uma floresta estranha não me ajudara a relaxar no pouco tempo de sono que tive.

Eu me coloquei em frente ao espelho, tentando manter os olhos atentos para ao menos checar a minha aparência. Que desastre. Cabelos bagunçados para todos os lados, a pele pálida de sempre e, principalmente, olheiras profundas e terríveis. Não posso citar o olhar morto que carregava por aí, ele era rotineiro.

"Trabalho demais mata a alma." _Uma conclusão que tirei depois de anos sob pressão.

Eu esfreguei os olhos algumas vezes. Talvez se meu olhar focasse um pouco minha aparência melhorasse. Eu errei. Só ficava pior.

Também não podia reclamar sobre a pele pálida. Seria algo atraente se o resto de mim não parecesse tão pouco vívido. Eu não tomava muito sol. Não gostava muito de praias. Não faziam o meu estilo.

Bocejei derrotado. Eram seis da manhã e tudo o que eu mais desejava era a minha cama, então me joguei sobre ela. Macia e quentinha. Um refúgio para me ajudar a escapar um pouco daquele inverno maluco que o Brasil estava enfrentando. Não se engane eu amo o inverno. Posso ficar quente sem sentir calor demais e posso tomar bebidas quentes sem me preocupar, mas sinceramente aquele clima tão gélido enfrentado pelo país não o pertencia.

Finalmente o sono me domou por completo. Ele venceu o incômodo que o sol matinal trazia e fez meus olhos se fecharem enquanto minha mente vagava para longe, para além do meu controle. Foi quando eu ouvi o barulho da porta se abrindo.

_Filho? Está acordado? Precisamos conversar._ Minha mãe invadiu o quarto sem sequer bater._ Que bagunça Luca! O que foi que deu em você?_ Ela se assustou com tantas coisas jogadas no chão, mas eu apenas resmunguei em resposta, revirando os olhos e lutando contra o sono para poder ouvi-la com atenção. _Passou a noite acordado de novo? Tem pilhas de livros no chão! Você devia administrar melhor os seus horários! Se continuar assim vai ficar sem o seu celular.

Um sermão pela manhã. Naquela casa as coisas funcionavam assim mesmo. Não era a preocupação com a saúde ou o bem estar que movia uma mãe ou um pai, era o desejo de ver sucesso e de se orgulhar por cima disso. De toda forma, eu não era exatamente o tipo de pessoa que reclamava.

_Você vai limpar isso, e só aí vamos conversar._ Ela bateu a porta do quarto com força, fazendo alguns livros caírem da prateleira. Eu levantei a cabeça apenas para olhar, gemendo ainda zonzo e dormindo logo em seguida.

Só acordei quando raios de sol passaram a iluminar todo o cômodo com ainda mais vigor. Aquele era o momento em que eu me levantaria para arrumar tudo, como minha mãe havia pedido.

Recolhi os livros e tudo o que pude, guardando em seus devidos lugares e abrindo a porta do quarto para ir tomar meu café. Ou invés disso, meu caderno de rabiscos me chamou a atenção, me distraindo.

Ele ainda estava perdido no assoalho, junto de um lápis com uma borracha da ponta. Era algo que nunca usara por medo. Medo de falhar em alguma página ou de gastar folhar à toa. Nele só havia duas páginas desenhadas, mas então eu pensei que talvez devesse apenas anotar um pouco sobre o sonho que tive na noite anterior. Não falharia naquilo.


-***-


Minha mãe andava para lá e para cá falando sobre responsabilidade enquanto citava exemplos de conhecidos e chegados que haviam se dado ao luxo de se meter em confusão em intercâmbios. Ela falava sobre como era importante me manter na linha e ter notas acima da média, já que era velho o suficiente para entender que não deveria andar com as pessoas erradas ou coisa assim, e principalmente, tinha idade suficiente para compreender a importância de ser "o melhor", embora não entendesse realmente.


_Nós mesmos escolhemos uma boa escola para você, na Califórnia._ Era um estado com custo de vida alto, então meus pais presumiram que quem pisasse naquelas terras encontraria a chave para o sucesso absoluto, ou seja, a chave para os lucros. Era uma pena que esse não fosse o meu caso. Eu podia ter notas boas, mas nunca seria um médico como eles e nunca me renderia a buscar apenas pelo sucesso. Eles não sabiam cair, portanto, não saberiam se levantar, e isso me enjoava. _ Você está me ouvindo, Luca?_ Seu tom era grosso, alto e claro. Autoritário.

_Sim senhora._ Respondi desanimado enquanto ela continuava a falar sobre como eu deveria me empenhar dez vezes mais no colégio e tudo mais.

Eu ia ficando irritado. Sua galhardia e soberba a cegavam e seu jargão já não era convincente. Aquela era apenas mais uma conversa repetitiva e frívola.

_Tudo bem. Vou ficar na linha. Vou tentar não ser atropelado e ser o melhor da minha turma.

_Você ao menos sabe o nome da cidade onde vai ficar?_ Meu pai debochou, entrando na sala com uma pasta na mão e sua postura impecável. Fazia questão de me olhar de cima, abaixando apenas o olhar, nunca a cabeça.

Eu desviei o olhar, mas ele me forçou a responder.

_Ah... Não.


-***-


Eu pedalava por aquelas ruas um tanto quanto perdido. Fui instruído a ir até a escola assim que entregasse meus pertences para Bárbara Lake, que havia sido muito atenciosa comigo, mas já eram quase oito horas e eu não fazia ideia de onde eu estava.

_A vida é complicada, mas vai dar tudo certo. Eu vou achar!_ Disse para mim mesmo, até que uma garota encostou sua mão ao meu ombro e deu um sorriso, me fazendo parar a bicicleta.

_Você é novo né? Está procurando a escola?

_Estou._ Sorri sem jeito.

_Vem comigo ou vai se atrasar.

Eu desci da bicicleta para caminhar ao seu lado. Seu nome era Maria e ela pareceu tímida no início , mas era divertida e falava pra caramba. Ela contava piadas que eu não entendia muito bem, mas eram engraçadas. Eu me sentia bem. Ao menos não estava sozinho.

Caminhando pelo corredor senti o olhar de dois garotos cair sobre mim e pude ouvir um deles comentar algo sobre eu ser russo ou coisa assim. Eu sorri pronto para confundi-lo.

Passei por eles e desejei um bom dia, em russo claro, rindo um pouco e indo até a classe. Eu estava gostando da professora, que parecia ter uma aura poética, de um jeito teatral.

Aos poucos eu ia descobrindo onde estava. Não geograficamente. Eu ia descobrindo como eram as pessoas a minha volta.

Pouco a pouco eu sabia mais. Estava em Arcadia Oaks, onde cada uma das pessoas era estranha de uma maneira interessante.



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