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História Eclipse - Os novos campeões - Caçadores de Trolls - Capítulo 5


Escrita por: e Escritor5000


Notas do Autor


Da saga Dreamworks, eu preciso de um emprego. TwT

Capítulo 5 - Não confie em ninguém


Ⓔⓒⓛⓘⓟⓢⓔ


O som dos ventos que balançavam as árvores e arrancavam suas folhas era a única coisa  que podia ser escutada no silêncio da noite. O pouco frio providenciado por eles era o bastante para fazer Bob enfiar uma das mãos no bolso.


Pedalamos rapidamente até a ponte e nos sentamos na beirada do canal, prontos para conversar, já que não poderia falar disso tão perto de Draal. Sabia que ele atacaria Luca sem pestanejar, e isso levantaria suspeitas.

Era algo que me incomodava. Eu não poderia mais fazer as coisas, agora normais, dentro da minha própria casa! Treinar, encontrar Blinky e AAARRRGGHH!!! ou mesmo lutar sem ser descoberto. Já havia falado com Draal, que concordara em não sair do porão caso houvesse alguém em casa, apenas se notasse algo suspeito.

Eu respirei fundo, tentando me apressar para contar o que pensava para eu amigo, que me observava atendo enquanto balançava os pés que pendiam para o canal.

_Bob, eu acho que Luca pode ser um mutante.


-***-



Enquanto tentava estudar, pude ouvir passos pesados pela casa. Fiquei muito preocupado, mas aquele não era meu lugar, então estive incerto sobre explorar. Talvez fosse o certo a fazer afinal. Podia ser um invasor.

Eu estava meio sonolento por conta dos remédios para alergia, e com a vista desfocada por conta da crise que tivera mais cedo. Meus olhos ainda lacrimejavam, mas tudo o que eu podia fazer era torcer para não espirrar e estragar tudo.

Mesmo assim eu saí do quarto. Surpreendentemente, por mais que meu corpo pendesse para baixo, eu não fazia quase nenhum barulho ao me arrastar pelo corredor.

Pude ver então um borrão azul enorme e parrudo, que mais se parecia com um guerreiro. Era intimidador, e até me lembrava da guerra maluca com a qual havia sonhado, embora as memórias já não fossem tão claras. Ele estava imóvel e respirando forte, mas sem pensar muito concluí que era um sonho, saindo da sala sem mais nem menos, pronto para me deitar.

Me joguei na cama por cima de livros. Tudo estava uma bagunça, mas minha mente também estava. E quando percebi que era tudo realidade era tarde demais. Eu não tive tempo para alcançar o meu caderno. Acabei por dormir assim que cheguei na cama.


-***-



Eram seis horas quando acordei, mas então me lembrei do fato de que as aulas só começavam às oito horas. Suspirei e observei o quarto, pensando em minhas opções para aquela manhã. Não conseguiria dormir novamente, então tomei um banho frio para acordar de vez e arrumei meus materiais de acordo com os meus horários, colocando alguns livros a mais para colocar no armário.

Jim estava na sala. Conversava com o que eu achava ter sido apenas um sonho na noite anterior. O borrão azul e gigante, que agora eu podia ver perfeitamente. Ele estava mesmo naquele sonho! Era um troll!

Peguei meu caderno e anotei algumas coisas, esperando o ser voltar ao porão.

_Não é possível! Eu devo estar ficando maluco. _ Esfreguei meus olhos e encarei as caixinhas espalhadas pelo chão, rindo brevemente enquanto as recolhia._ Foram os remédios... Por um momento eu achei que trolls existiam. Haha.

Jim entrou no quarto.

_Ah oi. _ Ele disse._ Me desculpa por ontem. Bob achou que você vinha da Rússia. Eu acho que ele tem alguma coisa contra a máfia russa._ Riu enquanto me ajudava a recolher minhas coisas. Algumas delas eu ia colocando na mochila.

_Não tem problema. Meus colegas no Brasil me diziam que era muito branco e faziam piadas. Eu ria com eles. Ninguém ficava livre de zuações.

Ele continuou a sorrir, me entregando um saco de papel de pão.

_Eu não sabia do que você gostava, então fiz omeletes.

Agradeci e fomos para frente da garagem, encontrando com Bob. Jim deu para ele o almoço e então fomos embora.

_Vamos pelo canal. Quero mostra-lo para você.

Apenas o segui enquanto pedalava. Passamos em alta velocidade por uma pequena descida e então fomos até um canal perto de uma ponte. Eu acreditava fielmente que não sobreviveria à queda para contar história.

_Jim você enlouqueceu!_ A bicicleta continuou. Eu apenas podia ouvir as risadas de Bob. Felizmente a velocidade que a bicicleta ganhou na descida foi o bastante para subir com segurança.

_Wow! Eu consegui!_ Gritei de cima enquanto Bob ainda estava lá em baixo. A bicicleta dele voltara.

_Parabéns!_ Ele gritou, subindo para nos encontrar.

_Foi demais._ Ofeguei._ Eu nunca faria isso sozinho. Você é maluco!_ Jim riu.

_Eu concordo com o Luke, mas de vez em quando é  divertido. Quando eu posso rir de uma terceira pessoa.

Enquanto a gente pedalava, discutíamos sobre o apelido que acabara de receber.

_Luke? Bob fala sério._ Disse Jim.

_Que foi? Eu sou ótimo em dar apelidos. Nem vem, Jimbo.

Eles riram, deixando as bicicletas na frente da escola e indo para suas respectivas classes. Eu, infelizmente, fiquei rodando pelos corredores. Não fazia ideia de onde era a classe.

Um homem alto passou por mim e parou no corredor. Eu estava inerte em dúvidas, e ele era tão familiar que eu fiquei ali, apenas olhando para ele.

_Você é o aluno de intercâmbio, não é? Desculpe-me por não ter conversado antes, estava um pouco ocupado. Eu sou seu diretor e seu professor de história. Me acompanhe se não quiser se atrasar._ Eu devo ter me esquecido do horário, então ele me acompanhou até a classe e deixou que me sentasse onde quisesse. _Depois das aulas quero conversar com você.

Ele falava sobre Napoleão e tudo mais, mas eu não conseguia prestar atenção exatamente. Sentia uma ansiedade inexplicável. Era como se eu o conhecesse. Conhecesse sua altura e, principalmente, sua voz. O mais importante, eu tinha a sensação de que esse conhecimento não era oriundo de cafés amigáveis, ou tardes na biblioteca. Essa sensação não era fruto de conversas quase amigáveis na diretoria. Eu sentia que ele emanava uma hostilidade, mas não era direcionada para mim.

 Eu sentia uma ansiedade estranha. Tal que me fazia forçar o meu cérebro a me mostrar onde ele estava guardado em minhas memórias, mas eu não conseguia e isso me deixava cada vez mais inquieto.

 Strickler suavemente bateu o indicador na carteira de madeira para chamar a minha atenção.

_Senhor Sanches? Está prestando atenção?

Sua abrupta aproximação me deixara alerta.

_Claro._ Eu respondi claramente nervoso.

_Já que está tão imerso na minha aula, não se incomodaria em compartilhar como você faria a relação entre Napoleão e Hitler, não é?_ Felizmente eu tinha conhecimento sobre aquela matéria, embora quisesse fingir não saber inglês para me safar.

_ Hitler se inspirou na carnificina causada por Napoleão quase um século depois, além de ter sido derrotado pela Rússia, assim como ele.

Strickler soltou um suspiro e me olhou com alívio.

_Pelo visto continua atento, ao menos nas aulas de história.

"O melhor possível." _ Lembrei, tentando prestar atenção. Precisava ir bem e não podia deixar a peteca cair.


-***-



_Eu vejo que está distraído, senhor Sanches. Mas pelo seu boletim no último ano, isso é incomum. O que está havendo? Saiba que eu estou aqui para ouvi-lo. Pode vir até a minha sala para conversar sempre que quiser.

_Eu não sou de reclamar._ Sorri sarcástico, me sentando à sua frente.

_Pais rígidos, não é? Não pode cair, ou é praticamente fuzilado. Eu entendo. Já estive no se lugar._ Strickler me fez perder o raciocínio por alguns segundos. Por um breve momento acreditei que fosse alguém confiável, mas algo ainda me dizia o contrário.

_Senhor Strickler, espero que eu não esteja aqui para falar sobre a minha família. Não estou disposto a discutir sobre isso.

_Eu entendo._ Ele cruzou os dedos a frente do tronco, deixando as mãos em repouso sobre a mesa. _ Estou aqui para conversar sobre como vão ser seus estudos a partir de agora. Eu só preciso te deixar à par das nossas normas._ Então Strickler começou a citar as normas que não eram tão óbvias, para que eu pudesse me adaptar. Por sorte no meu colégio as coisas eram mais restritas, embora ninguém respeitasse de verdade._ Sabe senhor Sanches? Eu vejo potencial em você. Vejo que não é como os outros. Espero que não se sobrecarregue. O que quero dizer é: Tome cuidado. Nem tudo é o que parece. Talvez você não dê conta do recado, embora eu espere o contrário de você. Lembre-se: Nem todo mundo é confiável.

Ele me olhou com um sorriso de canto que me fez pensar em Bob. Strickler sabia que eu estava suspeitando de alguém, e talvez soubesse quem fosse. Eu me perguntava se eu devia ouvi-lo.



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