História Eclipse - SaTzu - Capítulo 3


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Blackpink, TWICE
Personagens Chaeyoung, Dahyun, Jeon Jungkook (Jungkook), Jeon So-mi, Jeongyeon, Jihyo, Kim Taehyung (V), Lisa, Mina, Momo, Nayeon, Park Jimin (Jimin), Personagens Originais, Sana, Tzuyu
Tags 2yeon, Chou Tzuyu, Dahmo, Eclipse, Hirai Momo, Im Nayeon, Jeon Jungkook, Jeon Somi, Jikook, Kim Dahyun, Lalisa Manoban, Michaeng, Minatozaki Sana, Moonsun, Myoui Mina, Park Jihyo, Park Jimin, Satzu, Sohyo, Son Chaeyoung, Yoo Jeongyeon
Visualizações 32
Palavras 7.978
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, LGBT, Luta, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Aloooow personas! Turo pom? Eu espero que sim :) bom gente, agora é só um cap por dia mesmo, pq tá complicado editar eles, chega bate aquela preguiça, sério ksksks.

Em relação ao cap, eu não tenho muito o que comentar, então leiam, e se divirtam :3

Boa leitura pra vcs, é noiz!

Capítulo 3 - 2. Evasão


Fanfic / Fanfiction Eclipse - SaTzu - Capítulo 3 - 2. Evasão

Eu me senti estranhamente contente enquanto caminhava da aula de Espanhol em direção ao refeitório, e não era só porque eu estava de mãos dadas com a pessoa mais perfeita do planeta, apesar de que essa era certamente parte da razão.

Talvez fosse o conhecimento de que a minha sentença estava acabada e eu era uma mulher livre novamente.

Ou talvez não tivesse nada a ver comigo especificamente. Talvez fosse a atmosfera de liberdade que pairava sobre o campus inteiro. As aulas estavam acabando e, especialmente para a classe do último ano, havia uma alegria perceptível no ar.

A liberdade estava tão próxima que era tocável, degustável. Os sinais dela estavam em todo lugar. Posters se amontoavam nas paredes do refeitório, e as latas de lixo usavam uma vestimenta colorida amontoada de panfletos: lembretes pra comprarmos os livros do ano, anéis de classes, e anúncios; prazos para as roupas da formatura, chapéus e borlas; panfletos de vendas cor de néon – a campanha dos alunos calouros para a coordenação da sala; anúncios mau-agourentos,decorados com rosas, sobre o baile desse ano. O grande baile era no próximo fim de semana, mas eu tinha uma promessa inquebrável de Tzuyu de que eu não seria submetida aquilo de novo.

Afinal de contas, eu já havia passado por aquela experiência humana.

Não, devia ser a minha liberdade pessoal que me iluminava hoje. O fim do calendário escolar não me trouxe o mesmo prazer que parecia trazer aos outros alunos. Na verdade, eu me sentia nervosa a ponto de sentir náuseas toda vez que pensava nisso. Eu tentava não pensar nisso.

- Você já enviou seus convites? - Momo perguntou quando Tzuyu e eu nos sentamos em nossa mesa. Ela tinha o cabelo castanho claro preso para trás em um rabo-de-cavalo em vez de seu lizo natural, e havia um olhar ligeiramente frenético em seus olhos.

Mina e Dahyun já estavam lá também, cada um em um lado de Momo. Dahyun estava atenta a um Gibi, seus óculos escorregando pelo seu nariz fino. Mina estava examinando meu Jeans-e-camiseta sem graça de um jeito que me deixou constrangida. Provavelmente planejando outro look. Eu suspirei. Minha atitude indiferente em relação à moda aborrecia Mina. Se eu deixasse, ela amaria me vestir todo dia – talvez várias vezes ao dia – como alguma boneca de papel tridimensional extra-grande.

- Não - eu respondi a Momo. - Não faz sentido, de verdade. Solar sabe quando eu me formo. Quem mais há?

- E você, Mina?

Mina sorriu.

- Tudo feito.

- Sorte sua. - Momo suspirou. - Minha mãe tem uns mil primos e espera que eu escreva o endereço para todo mundo. Vou ficar com dor no pulso. Eu não posso adiar muito isso e estou meio assustada.

- Eu posso ajudá-la - Eu me ofereci. - Se você não se importar com a minha letra horrível.

Eric gostaria disso. Pelo canto do olho, vi Tzuyu sorrir. Ela devia gostar daquilo também - de mim cumprindo as condições de Eric sem envolver lobisomens.

Momo pareceu aliviada. - Que legal da sua parte. Eu virei a qualquer hora que você quiser.

- Na verdade, eu prefiro ir à sua casa se estiver tudo bem, Estou cansada da minha. Eric me liberou noite passada. - Eu sorri enquanto contava as boas notícias.

- Sério? - Momo perguntou, um suave excitamento iluminou seus olhos castanhos sempre gentis - Pensei que você tinha dito que estava de castigo pelo resto da vida.

- Estou mais surpresa que você. Eu tinha certeza que iria pelo menos ter terminado o ensino médio antes de ele me deixar livre.

- Bem, isso é ótimo, Sana! Nós temos que sair para comemorar! Você tem idéia de como isso é bom?

- O que deveríamos fazer? - Mina meditou, sua face se iluminando com as possibilidades. As idéias de Mina geralmente eram um pouco grandiosas para mim, e eu podia ver isso em seus olhos agora – a tendência de fazer coisas longe demais virando ação.

- O que quer que você esteja pensando, Mina, eu duvido que esteja livre para isso.

- Livre é livre, certo? - ela insistiu.

- Tenho certeza que eu ainda tenho limites, como o continente sul-coreano, por exemplo.

Momo e Dahyun riram, mas Mina fez uma careta de verdadeiro desapontamento.

- Então o que nós vamos fazer hoje à noite? - ela persistiu.

- Nada. Olhe, vamos dar uns dois dias para ter certeza de que ele não estava brincando. É uma noite de escola, de qualquer forma.

- Nós vamos comemorar esse final de semana, então. - O entusiasmo de Mina era impossível de reprimir.

- Claro – eu disse, esperando aplacá-la. Eu sabia que não estava indo fazer nada longe demais; seria mais seguro ir devagar com Eric. Dar a ele a chance de avaliar quão merecedora de confiança e madura eu era antes de pedir qualquer favor.

Momo e Mina começaram a falar sobre opções; Dahyun se juntou à conversa, colocando seu Gibi de lado. Minha atenção se desviou. Eu estava surpresa por descobrir que o assunto da minha liberdade de repente não era tão agradável quanto há apenas um momento trás. Enquanto elas discutiam coisas para fazer em Busan ou talvez em Jeju, eu comecei a me sentir decepcionada.

Não demorei muito para determinar de onde veio minha impaciência.

Desde quando eu disse adeus para Kim Lalisa na floresta além da minha casa, eu tinha sido infeccionada por uma persistente e desconfortável invasão de uma figura mental específica.

Ela entrava nos meus pensamentos em intervalos regulares como algum incômodo despertador programado para tocar a cada meia hora, enchendo minha cabeça com a imagem do rosto de Lisa contorcido de dor. Esta era a última memória que eu tinha dela.

Conforme a perturbadora visão me atingia novamente, eu sabia exatamente por que eu estava insatisfeita com a minha liberdade. Porque era incompleta.

Claro, eu estava livre para ir a qualquer lugar que eu quisesse – exceto La Push; livre para fazer qualquer coisa que eu quisesse – exceto ver Lisa. Olhei a mesa com desagrado. Tinha que haver algum tipo de território intermediário.

- Mina? Mina!

A voz de Momo me arrancou do meu devaneio. Ela estava agitando sua mão para frente e para trás diante do rosto pálido de Mina, olhando-a fixamente. A expressão de Mina era algo que eu reconhecia – uma expressão que produziu um automático choque de pânico dentro do meu corpo. O olhar vago em seus olhos me disse que ela estava vendo alguma coisa muito diferente da cena do refeitório mudando que nos cercava, mas algo de que cada pedaço era tão verdadeiro do seu próprio modo. Alguma coisa estava vindo, alguma coisa que aconteceria logo. Eu senti o sangue sumir do meu rosto.

Então Tzuyu riu, um som muito natural, tranqüilo. Momo e Dahyun olharam em direção a ela, mas meus olhos estavam presos em Mina. Ela pulou de repente, como se alguém a tivesse chutado por debaixo da mesa.

- Já é hora de dormir, Mina? - Tzuyu provocou.

Mina voltou a si novamente.

- Desculpem, eu estava sonhando acordada, acho.

- Sonhar acordada é melhor do que encarar mais duas horas de aula. - Dahyun disse, com uma expressão de desapontamento.

Mina voltou à conversa com mais animação que antes – só um pouquinho demais. Uma vez eu vi seus olhos se prenderem aos de Tzuyu, só por um momento, e então ela olhou de volta para Momo antes que alguém mais notasse. Tzuyu estava quieta, brincando inconscientemente com um fio do meu cabelo.

Eu esperei ansiosamente por uma chance de perguntar a Tzuyu o que Mina tinha visto em sua visão, mas a tarde se passou sem que pudéssemos ficar um minuto do tempo a sós.Isso parecia estranho para mim, quase proposital. Depois do almoço, Tzuyu reduziu a velocidade do seu passo para acompanhar Dahyun, conversando sobre alguma tarefa que eu sabia que ela já tinha terminado. Então havia sempre alguém mais lá entre as aulas, embora nós geralmente tivéssemos uns poucos minutos para nós mesmas. Quando o último sinal tocou, Tzuyu iniciou uma conversa com Yoo Jeongyeon de todas as pessoas, diminuindo o passo ao lado dela enquanto Jeongyeon se direcionava para o estacionamento. Eu me arrastava atrás, deixando Tzuyu me rebocar adiante. Eu ouvia, confusa, enquanto Jeongyeon respondia às incomuns perguntas amigáveis de Tzuyu. Parecia que Jeongyeon estava tendo problemas com o carro.

-... mas eu só repus a bateria. - Jeongyeon estava dizendo. Seu olhar lançava-se para frente e então de volta para Tzuyu cautelosamente. Mistificado, assim como eu estava.

- Talvez sejam os cabos - Tzuyu sugeriu.

- Talvez. Eu realmente não sei nada sobre carros. - Jeongyeon admitiu. - Eu preciso que alguém dê uma olhada, mas eu não posso deixar isso para Seunghyun.

Eu abri minha boca para sugerir minha amiga mecânica, e então a fechei de novo. Minha amiga mecânica estava ocupada esses dias – ocupada correndo por aí como um lobo gigante.

- Eu sei algumas coisas, eu posso dar uma olhada, se você quiser. - Tzuyu ofereceu. - Só me permita deixar Mina e Sana em casa.

Jeongyeon e eu encaramos Tzuyu juntos de bocas abertas.

- Hã... obrigado. - Jeongyeon murmurou quando ela se recuperou. - Mas eu tenho que ir trabalhar. Talvez uma outra hora.

- Absolutamente.

- Até mais. - Jeongyeon entrou em seu carro, sacudindo a cabeça em incredulidade.

O Volvo de Tzuyu, com Mina já dentro, estava só dois carros à distância.

- O que foi aquilo? - eu murmurei enquanto Tzuyu segurava a porta do passageiro para mim.

- Só sendo prestativo. - Tzuyu respondeu.

E então Mina, esperando no banco de trás, estava tagarelando na maior velocidade.

- Você realmente não é tão bom mecânico, Tzuyu. Talvez você devesse fazer Jimin dar uma olhada nisso esta noite, apenas de modo que você pareça boa se Jeongyeon decidir deixar você ajudar, sabe. Não que não fosse ser divertido ver a cara dela se Jimin descobrisse como ajudar. Mas desde que supõe-se que Jimin esteja do outro lado do país fazendo faculdade, eu acho que essa não é a melhor idéia. Ruim demais. Embora eu suponha que, para o carro do Jeongyeon, você sirva. Só dentro dos tunings mais finos de um bom carro esportivo italiano você está fora do seu departamento. E falando da Itália e de carros esportivos que eu roubei lá, você ainda me deve um Porshe amarelo. Eu não sei se eu quero esperar pelo Natal... (N/A: Turo pom Mina?)

Eu parei de ouvir depois de um minuto, deixando sua voz rápida se tornar só um zumbido ao fundo enquanto eu me concentrava no meu modo paciente.

Para mim, parecia que Tzuyu estava tentando evitar minhas perguntas. Legal. Ela teria que ficar sozinha comigo breve o bastante. Era só uma questão de tempo.

Tzuyu pareceu entender isso também. Ela deixou Mina na boca da garagem dos Jeon como o habitual, embora a esse ponto eu meio que esperava que ela a levasse à porta e a encaminhasse para dentro.

Enquanto ela saía, Mina lançou um olhar penetrante para o rosto da irmã. Tzuyu parecia completamente tranqüila.

- Vejo você depois. - ela disse. E então, muito levemente, ela acenou com a cabeça.

Mina virou para desaparecer nas árvores.

Ela estava calada enquanto virava o carro em volta e conduzia de volta a Seul. Eu esperei, imaginando se ela iria começar. Ela não começou, e isso me deixou tensa. O que Mina tinha visto hoje no almoço? Algo que ela não queria me dizer, e eu tentei pensar numa razão pela qual ela iria guardar segredos. Talvez fosse melhor me preparar antes de perguntar. Eu não queria ficar fora de mim e deixá-la pensar que eu não podia lidar com isso, o que quer que fosse.

Então nós duas ficamos em silêncio até voltarmos à casa de Eric.

- A carga de dever de casa pode esperar por esta noite.

- Mmm - eu concordei.

- Você acha que eu possa entrar de novo?

- Eric não se alterou quando você me buscou na escola.

Mas eu tinha certeza que Eric iria ficar rapidamente zangado quando ele chegasse em casa e encontrasse Tzuyu aqui. Talvez eu devesse fazer algo extra-especial para o jantar.

Lá dentro, eu subi as escadas e Tzuyu me seguiu. Ela espreguiçou-se na minha cama e olhou fixamente para a janela, parecendo esquecer-se do meu nervosismo.

Eu arrumei minha mochila e liguei o computador. Havia um e-mail não respondido da minha mãe para eu me preocupar, e ela entrava em pânico quando eu demorava muito. Eu tamborilei meus dedos enquanto esperava pelo meu computador muito idoso acordar ruidosamente; eles batiam contra a mesa, rápidos e ansiosos.

E então os dedos dela estavam nos meus, segurando-os tranquilos.

- Nós estamos um pouco impacientes hoje? - ela murmurou.

Eu olhei para cima, tencionando fazer uma observação sarcástica, mas o rosto dela estava mais próximo do que eu esperava. Seus olhos dourados estavam queimando, afastados apenas centímetros, e sua respiração estava fria contra meus lábios abertos. Eu podia sentir o gosto do seu cheiro na minha língua.

Eu não consegui lembrar da resposta mordaz que eu quase tinha feito. Eu não conseguia lembrar do meu nome.

Ela não me deu a chance de me recuperar, selando rapidamente os lábios frios nos meus.

Se as coisas fossem do meu jeito, eu passaria a maior parte do meu tempo beijando Tzuyu. Não havia nada que eu tivesse experimentado na minha vida que se comparasse à sensação dos lábios dela, frios e duros como mármore, mas sempre tão gentis, se movendo com os meus.

As coisas geralmente não eram do meu jeito.

Então me surpreendi um pouco quando seus dedos se entrelaçaram no meu cabelo, segurando meu rosto com eles. Meus braços se prenderam ao seu pescoço, e eu desejei que fosse mais forte – forte o bastante para mantê-la prisioneira aqui, como ela me disse uma vez.

Uma mão escorregou para as minhas costas, me pressionando mais apertado contra seu peito de pedra. Mesmo sob seu suéter azul escuro, a pele dela estava fria o bastante para me fazer tremer – era um tremor de satisfação, de felicidade, mas suas mãos começaram a afrouxar em resposta.

Eu sabia que eu tinha mais ou menos três segundos antes de ela suspirar e me empurrar para longe com jeito, dizendo alguma coisa sobre como nós tínhamos arriscado minha vida o suficiente por uma tarde. Aproveitando-me ao máximo dos meus últimos segundos, me pressionei mais para perto, moldando-me à forma dela. A ponta da minha língua traçou a curva do seu lábio inferior; era tão perfeitamente macio como se tivesse sido envernizado, e o gosto...

Ela colocou meu rosto longe do dela, quebrando meu abraço com facilidade – ela provavelmente não tinha nem percebido que eu estava usando toda a minha força.

Ela soltou um risinho uma vez, um som baixo, gutural. Seus olhos estavam resplacedentes com a excitação que ela tão rigidamente controlava.

- Ah, Sana. - Ela suspirou. - Eu diria que sinto muito, mas eu não sinto.

- E eu deveria sentir muito por você não sentir muito, mas eu não sinto. Talvez eu devesse sentar na cama.

Exalei um pouco vertiginosamente.

- Se você acha que isso é... necessário.

Ela deu um sorriso torto e se soltou.

Balancei a cabeça algumas vezes, tentando clareá-la, e voltei ao computador. Estava tudo animado e cantarolando. Bem, não cantarolando tanto quanto suspirando.

- Diz a Solar que eu estou mandando um oi.

- Com certeza.

Olhei atenciosamente o e-mail de Solar, sacudindo minha cabeça de vez em quando por conta de algumas maluquices que ela havia feito. Eu estava tão horrorizada e entretida quanto na primeira vez em que havia lido isto. Ela se esqueceu de como tinha medo de alturas até estar presa num pára-quedas e ter pulado com o instrutor. Me senti um pouco desapontada com Moonbyul, esposa dela há quase dois anos, por permitir isso. Eu teria cuidado dela melhor. A conhecia melhor.

Tenho que finalmente deixá-las seguirem o próprio caminho, lembrei a mim. Tenho que deixá-las terem a própria vida...

Eu havia passado a maior parte de minha vida cuidando de Solar, afastando-a de suas loucuras o mais gentilmente possível. Sempre fui boa para minha mãe, me divertia com ela, até mesmo eu era um pouco condescendente a ela. Eu via a cornucópia de erros dela e ria comigo mesma. Solar avoada.

Eu era uma pessoa muito diferente de minha mãe. Alguém pensativa e cautelosa. A responsável, a adulta. Assim é como eu me via. Essa era pessoa que eu conhecia.

Com o sangue ainda palpitando em minha cabeça por conta do beijo de Tzuyu, eu nem podia contar a maioria de erros que mudaram a vida de minha mãe. Tonta e romântica, havia se casado com um homem que ela apenas conhecia sem ter terminado o terceiro grau, me tendo um ano depois. Ela sempre me jurou que não tinha nenhum arrependimento, que eu era o melhor presente que vida já havia lhe dado. E ela vivia me repetindo - pessoas inteligentes levam o matrimônio a serio. Pessoas ajuizadas vão para a faculdade e começam carreiras antes que de se aprofundem em um relacionamento. Ela sabia que eu nunca seria tão imprudente, estúpida e provinciana.

Trinquei meus dentes e tentei me concentrar enquanto respondia a carta dela.

Aí eu ví a primeira linha dela e me lembrei do porque de eu haver negligenciado escrever pra ela mais cedo.

Você não diz nada sobre Lisa há muito tempo, ela tinha escrito. O que está acontecendo nesses dias?

Eric estava influenciando ela, eu tinha certeza.

Eu suspirei e teclei rapidamente, respondendo à pergunta dela entre dois parágrafos menos sensíveis.

Lisa está bem, eu acho. Eu não a vejo muito; ela passa a maior parte do tempo com o seu bando de amigos lá em La Push ultimamente.

Sorrindo bobamente para mim mesma, eu acrescentei a saudação de Tzuyu e apertei "enviar".

Eu não me dei conta de que Tzuyu estava silenciosamente de pé atrás de mim até que eu desliguei o computador e me afastei da mesa. Eu estava prestes a passar um sermão nela por estar lendo por cima do meu ombro quando eu me dei conta de que ela não estava prestando atenção em mim. Ela estava examinando uma caixa achatada com fios encaracolados desordenadamente longe do quadrado principal de uma maneira que não parecia saudável pra o que quer que fosse. Depois de um segundo, reconhecí o som para carros que JungKook, Jimin e Chaeyoung haviam me dado pelo meu último aniversário. Eu havia esquecido dos presentes que estavam escondidos embaixo de uma pilha crescente de poeira no chão do meu closet.

- Porque você fez isso? - ela perguntou com uma voz horrorizada.

- Ele não queria sair do painél.

- E você sentiu necessidade de torturá-lo?

- Você sabe como eu sou com ferramentas. Nenhuma dor foi inflingida intencionalmente.

Ela balançou a cabeça, o rosto dela era uma máscara falsa de tragédia. - Você o matou.

Eu levantei os ombros. - Oh, bem.

- Magoaria os sentimentos deles se eles vissem isso - ela disse. - Eu acho que foi bom você ter ficado confinada em casa. Eu vou ter que colocar outro no lugar antes que eles reparem.

- Obrigada, mas eu não preciso de um som chique.

- Não é para o seu bem que eu vou repô-lo.

Eu suspirei.

- Você não fez muito bom uso dos seus presentes de aniversário do ano passado - ela disse com uma voz estranha. De repente, ela estava se abanando com um retângulo rígido de papel. Eu não respondí, com medo de que a minha voz fosse falhar. O meu desastroso aniversário de dezoito anos - com todas as suas consequências a longo prazo - não era uma coisa que eu fazia questão de lembrar, e eu estava surpresa por ela tê-lo mencionado. Ela era ainda mais sensível em relação a isso do que eu.

- Você se dá conta de que elas estão prestes a expirar? - ela perguntou, segurando o papel pra mim. Era outro presente, os vales para passagens de avião que Jihyo e Somi haviam me dado pra que eu pudesse visitar Solar no Japão.

Eu respirei fundo e respondí com uma voz vazia.

- Não. Eu havia esquecido de todos eles, na verdade.

A expressão dela estava cautelosamente luminosa e positiva; não havia nenhum traço de emoção mais profundo quando ela continuou.

- Bem, nós ainda temos um pouco de tempo. Você foi liberada... e nós não temos planos para esse fim de semana, já que você se recusa a ir ao baile comigo. - Ela sorriu. - Porque não celebrar a sua liberdade desse jeito?

Eu ofeguei.

- Indo para o Japão?

- Você disse alguma coisa sobre o E.U continental ser permitido.

Eu encarei ela, suspeitosamente, tentando entender de onde isso tinha vindo.

- Bem - ela quis saber. - Nós vamos ver Solar ou não?

- Eric nunca vai permitir.

- Eric não pode te impedir de visitar a sua mãe. Ela ainda tem a sua custódia primária.

- Ninguém tem minha custódia. Eu sou uma adulta.

Ela deu um sorriso brilhante. - Exatamente.

Eu pensei nisso por um breve minuto antes de decidir que a briga não valia a pena. Eric ia ficar furioso - não porque eu ia visitar Solar, mas porque Tzuyu ia vir comigo. Eric não falaria comigo por meses, e eu provavelmente acabaria de castigo de novo. Eu definitivamente era esperta o suficiente pra nem sequer tocar no assunto. Talvez daqui a algumas semanas, como um favor pela formatura, ou alguma coisa assim.

Mas a idéia de ver minha mãe agora, e não semanas mais tarde, era difícil de resistir. Já fazia tanto tempo desde que eu ví Solar. E ainda mais tempo desde que eu a ví em circunstâncias prazeirosas. A última vez em que eu estive com ela em Osaka, eu passei o tempo inteiro em uma cama de hospital. Da última vez que ela havia vindo aqui, eu estive mais ou menos catatônica.

Não era exatamente a melhor memória pra deixar com ela.

E talvez, se ela visse o quanto eu estava feliz com Tzuyu, ela podia dizer pra Eric relaxar.

Tzuyu observou o meu rosto enquanto eu considerava.

Eu suspirei. - Esse fim de semana não.

- Porque não?

- Eu não quero brigar com Eric. Não tão pouco tempo depois de ele ter me perdoado.

As sobrancelhas dela se uniram. - Eu acho que esse fim de semana é perfeito - ela murmurou.

Eu balancei minha cabeça. - Outra hora.

- Você não é a única que esteve presa nessa casa, sabe? - Ela fez uma careta pra mim.

A suspeita retornou. Esse tipo de comportamento não era natural dela. Ela era tão impossivelmente altruísta; eu sabia que isso estava me deixando mimada.

- Você pode ir onde você quiser - eu apontei.

- O mundo exterior não possui nenhum interesse pra mim sem você.

Eu rolei os meus olhos à hipérbole.

- Eu estou falando sério - ela disse.

- Vamos ver o mundo exterior lentamente, tá certo? Por exemplo, nós podíamos começar com um filme em Busan...

Ela rosnou. - Esqueça. Nós falaremos sobre isso mais tarde.

- Não há mais nada para falar.

El ergueu os ombros.

- Ok, então, novo assunto - eu disse. Eu quase havia me esquecido sobre as minhas preocupações dessa tarde, será que essa era a intenção? - O que Mina viu durante o almoço?

Os meus olhos estavam no rosto dela enquanto ela falava, medindo a sua reação.

A expressão dela estava composta; só havia uma leve dureza em seus olhos de topázio.

- Ela viu Chaeyoung em um lugar estranho, algum lugar ao sul, ela acha, perto da sua antiga... família. Mas Chaeyoung não tem nenhuma intenção consciente de ir embora. - Ela suspirou. - Isso a deixou preocupada.

- Oh. - Isso não era nada próximo do que eu estivera esperando. Mas é claro que fazia sentido que Mina estivesse olhando para o futuro de Chaeyoung. Ela era a alma gêmea de Mina, a sua verdadeira outra metade, elas não eram tão externais com o seu relacionamento quanto Jimin e JungKook, mas era lindo, de alguma forma. - Porque você não me disse?

- Eu não me dei conta de que você havia percebido - ela disse. - Em qualquer caso, provavelmente não é nada importante.

A minha imaginação estava tristemente fora de controle. Eu havia pego uma tarde perfeitamente normal e havia distorcido tudo até que parecesse que Tzuyu estava tentando esconder coisas de mim. Eu precisava de terapia.

Nós fomos lá pra baixo para fazer o nosso dever de casa, no caso de Eric chegar mais cedo. Tzuyu acabou em minutos; eu lutei laborosamente com os meus cálculos até que eu decidi que estava na hora de fazer o jantar de Eric. Tzuyu ajudou fazendo caretas de vez emquando para os ingredientes crus - comida humana era praticamente repulsiva para ela. Eu fiz strogonoff com a receita da vovó Minatozaki, porque eu estava sem idéias.

Eric já parecia estar de bom humor quando chegou em casa. Ele nem começou com a sua maneira rude de tratar Tzuyu. Ela se desculpou por não comer conosco, como sempre.

O som do noticiario noturno vinha da sala da frente, mas eu duvidava que Tzuyu realmente estivesse assistindo.

Depois de repetir três vezes, Eric colocou os pés pra cima da cadeira reserva e cruzou as mãos contentemente em cima do seu estômago inchado.

- Isso estava ótimo, Sannie.

- Eu estou feliz que você gostou. Como foi o trabalho? - Ele estava comendo com muita concentração antes para eu conseguir puxar conversa antes.

- Meio lento. Bem, mortalmente lento, na verdade. Mark e eu jogamos carta em boa parteda tarde - ele admitiu com um sorriso. - Eu vencí, dezenove mãos para sete. E depois eu fiquei no telefone com Taehyung durante algum tempo.

Eu tentei manter minha expressão igual.

- Como ele está?

- Bem, bem. As juntas dele estão o incomodando um pouco.

- Oh. Isso é uma pena.

- É. Ele nos convidou para uma visita esse final de semana. Ele estava pensando em chamar a família de Jennie e a de Sojung também. Uma espécie de festinha...

- Huh - foi a minha resposta genial. Mas o que eu ia dizer? Eu sabia que não teria permissãopara comparecer a uma festa de lobisomens, mesmo com supervisão do meu pai. Eu me perguntei se Tzuyu teria um problema com Eric andando por La Push. Ou será que ele iria supor que já que Eric passaria mais tempo com Taehyung, que era apenas humano, o meu pai não estaria em perigo?

Eu me levantei e empilhei os pratos sem olhar para Eric. Eu os coloquei na pia e liguei a água. Tzuyu apareceu silenciosamente e pegou uma toalha de pratos.

Eric suspirou e desistiu por um momento, apesar de eu imaginar que ele revisitaria o assunto assim que estivéssemos juntos de novo. Ele se pôs de pé e seguiu para a sala de TV, exatamente como na outra noite.

- Eric - Tzuyu disse num tom conversional.

Eric parou no meio da sua pequena cozinha. - Sim?

- Sana te contou que Somi e Jihyo deram passagens de avião pra ela em seu último aniversário, pra que ela pudesse visitar Renée?

Eu deixei cair o prato que eu estava esfregando. Ele resvalou no balcão e caiu no chão fazendo barulho. Ele não quebrou, mas melou a cozinha, e nós três, com água ensaboada. Eric nem pareceu reparar.

- Sana? - Ele perguntou numa voz espantada.

Eu mantive os olhos no prato enquanto o pegava de volta. - É, eles me deram.

Eric engoliu altamente, e então os olhos dele se estreitaram quando ele olhou de volta para Tzuyu. - Não, ela nunca mencionou isso.

- Hmm - Tzuyu murmurou.

- Há uma razão pra você ter tocado no assunto? - Eric perguntou com um voz dura.

Tzuyu ergueu os ombros. - Elas estão quase expirando. Eu acho que isso pode machucar os sentimentos de Jihyo se Sana não usar o presente dela. Não que ela fosse dizer alguma coisa.

Eu encarei Tzuyu sem acreditar.

Eric pensou por um minuto. - Provavelmente é uma boa idéia você ir visitar a sua mãe, Sana. Ela ia adorar. No entanto, eu estou surpreso que você não tenha falado nada sobre isso.

- Eu esquecí - eu admití.

Ele fez uma careta. - Você esqueceu que alguém te deu passagens da avião?

- Mmm - eu murmurei vagamente, e me virei de volta para a pia.

- Eu percebí que você disse que elas estavam prestes e expirar, Tzuyu - Eric continuou. - Quantas passagens Jihyo e Somi deram pra ela?

- Só uma pra ela... e uma pra mim.

O prato que eu derrubei dessa vez caiu na pia, então ele não fez muito barulho. Eu podia ouvir claramente o bufo afiado do meu pai enquanto ele exalava. O sangue correu para o meu rosto, cheio de irritação e vergonha. Porque Tzuyu estava fazendo isso? Eu olhei para as bolhas na pia, entrando em pânico.

- Isso está fora de questão! - Eric estava abruptamente enraivecido, gritando as palavras.

- Porque? - Tzuyu perguntou, sua voz saturada com uma surpresa inocente. - Você disse que era uma boa idéia ela ver a mãe.

Charlie ignorou ela. - Você não vai a lugar algum com ela, mocinha! - ele gritou.

Eu me virei quando ele estava apontando um dedo para mim.

A raiva pulsou em mim automaticamente, uma reação instintiva ao tom dele.

- Eu não sou uma criança, pai. E eu não estou mais de castigo, lembra?

- Oh sim, está sim. Começando agora.

- Por quê?!

- Porque eu disse que sim.

- Eu preciso te lembrar de que sou legalmente adulta, Eric?

- Essa é a minha casa, você segue as minhas regras!

O meu olhar ficou frio. - Se é isso que você quer. Você quer que eu me mude essa noite? Ou eu posso ter alguns dias para fazer as malas?

O rosto de Eric ficou vermelho brilhante. Eu instantaneamente me sentí horrivel por usara tática de me mudar.

Eu respirei fundo e tentei fazer o meu tom ficar mais razoável. - Eu vou ficar de castigo sem reclamar quando eu tiver feito alguma coisa, pai, mas eu não vou pagar pelos seus preconceitos.

Ele gaguejou, mas conseguiu se manter coerente.

- Agora, eu sei que você sabe que eu tenho todos os direitos de ver a mamãe nos fins de semana. Você não pode me dizer honestamente que estaria contra o plano se eu estivesse indo com Mina ou Momo.

- Garotas - ele rosnou, com um movimento de cabeça.

- Você se incomodaria se eu levasse Lisa?

Eu só havia escolhido o nome porque eu sabia da preferência do meu pai por Lisa, mas eu rapidamente desejei não o ter feito; os dentes de Tzuyy se trincaram com um estalo audível.

O meu pai lutou pra se recompor antes de responder. - Sim - ele disse com uma voz quenão convencia. - Isso me incomodaria.

- Você é um péssimo mentiroso, pai.

- Sana...

- Não é como se eu estivesse fugindo pra Las Vegas pra ser uma garota de show ou algo assim. Eu vou ver a mamãe. - eu o lembrei. - Ela tem tanta autoridade paterna sobre mim quanto você.

Ele me passou um olhar contestador.

- Você está implicando alguma coisa sobre a capacidade de mamãe de cuidar de mim?

Eric enrijeceu com a ameaça implicita na minha pergunta.

- É melhor você esperar que eu não mencione isso pra ela - eu disse.

- É melhor você não mencionar - ele avisou. - Eu não estou feliz com isso, Sana.

- Não ha nenhum motivo pra você ficar chateado.

Ele revirou os olhos, mas eu podia sentir que a tempestade estava acabada.

Eu me virei pra tirar o ralo da pia. - Então o meu dever de casa está feito, o seu jantar está pronto, os pratos estão lavados, e eu não estou de castigo. Eu vou sair. Eu vou estar de volta antes das dez e meia.

- Onde você vai? - O rosto dele, quase de volta ao normal, ficou vermelho de novo.

- Eu não tenho certeza - eu admití. - No entanto, eu me manterei num raio de dez milhas. Tudo bem?

Ele rosnou alguma coisa que não soou como uma aprovação, e marchou pra fora da sala.

Naturalmente, assim que terminei de vencer a briga, eu comecei a me sentir culpada.

- Nós vamos sair? - Tzuyu perguntou, a voz dela estava baixa mas entusiamada.

Eu me virei para encará-la. - Sim. Eu acho que gostaria de falar com você a sós.

Ela não pareceu tão apreensiva quanto eu achei que ela deveria estar.

Eu esperei pra começar quando estávamos seguramente no carro dela.

- O que foi aquilo, Jeon Tzuyu?! - Eu quis saber.

- Eu sei que você quer ver a sua mãe, Sana, Você estava falando sobre ela no sono. Preocupada na verdade.

- Tenho?

Ela balançou a cabeça. - Mas claramente você era covarde demais pra lidar com Eric, então eu intercedí em seu nome.

- Intercedeu? Você me atirou para os tubarões!

Ela rolou os olhos. - Eu não acho que você estava em perigo.

- Eu te disse que não queria brigar com Eric.

- Ninguém disse que você precisava.

Eu encarei ela. - Eu não consigo me segurar quando ele fica mandão daquele jeito, os meus instintos naturais de adolescente me dominam.

Ela gargalhou. - Bem, isso não é culpa minha.

Eu olhei pra ela, especulando. Ela não pareceu notar. O rosto dela estava sereno enquanto ela olhava para o para-brisa. Algo estava estranho, mas eu não conseguia identificar o que. Ou talvez fosse só a minha imaginação de novo, correndo selvagem como tinha feito essa tarde.

- Essa urgência de ir para o Japão tem alguma coisa a ver com a festa na casa de Taehyung?

A mandíbula dela flexionou. - Absolutamente nada. Não importaria se você estivesse aqui oudo outro lado do mundo, você ainda não iria.

Era como havia sido com Eric antes - sendo tratada como uma criança mal comportada.

Eu apertei os meus dentes pra não começar a gritar. Eu não queria brigar com Tzuyu também.

Tzuyu suspirou, e quando ela falou a voz dele era cálida e macia novamente.

- Então o que você quer fazer essa noite? - ela perguntou.

- Podemos ir à sua casa? Já faz tanto tempo que eu não vejo Jihyo.

Ela sorriu. - Ela vai gostar disso. Especialmente quando ela ouvir o que vamos fazer esse fimde semana.

Eu rosnei em defesa.

{...}

Nós não ficamos fora até tarde, assim como eu prometí. Eu não fiquei surpresa de ver as luzes ainda acesas quando nós paramos na frente da casa - eu sabia que Eric estaria esperando pra gritar um pouco mais comigo.

- É melhor você não entrar - eu disse. - Isso só vai piorar as coisas.

- Os pensamentos dele estão relativamente calmos - Tzuyu zombou. A expressão dela me fez imaginar se havia alguma piada que eu estava perdendo. Os cantos dos lábios dela se contorciam, lutando com um sorriso.

- Eu te vejo mais tarde - eu murmurei mal humorada.

Ela riu e beijou o topo da minha cabeça. - Eu vou voltar quando Eric estiver roncando.

A TV estava alta quando eu entrei. Eu considerei brevemente tentar me arrastar pra passar por ele.

- Você pode vir aqui, Sana? - Eric chamou, estragando o plano.

Os meus pés se arrastavam enquanto eu dava os cinco passos necessários.

- O que foi, pai?

- Você se divertiu essa noite? - ele perguntou. Ele parecia doente de tranquilidade. Eu procurei pelos significados nas palavras dele antes de responder.

- Sim - eu disse hesitantemente.

- O que você fez?

Eu levantei os ombros. - Saí com Mina e Chaeyoung. Tzuyu venceu Mina no xadrez, e depois eu joguei com Chaeyoung. Ela me enterrou.

Eu sorrí. Tzuyu e Mina jogando xadrez era a coisa mais engraçada que eu já tinha visto.

Elas sentavam lá praticamente imóveis, olhando para o tabuleiro, enquanto Mina previa os movimentos que Tzuyu faria e ela escolhia fazer os movimentos que Mina escolhia em retorno na mente dela. Elas jogavam a maior parte do jogo nas mentes delas; eu acho que elas haviam mexido duas peças quando Mina de repente jogou o rei dela e se rendeu. Tudo isso levou três minutos.

Eric apertou o botão de "mudo" - uma ação estranha.

- Olha, tem uma coisa que eu preciso dizer - Ele fez uma careta, parecendo muito desconfortável.

Eu sentei ereta, esperando. Ele encontrou meu olhar por um segundo antes de passar osolhos dele para o chão. Ele não disse mais nada.

- O que é, pai?

Ele supirou. - Eu não sou bom com esse tipo de coisa. Eu não sei como começar...

Eu esperei de novo.

- Ok, Sana. O negócio é o seguinte. - Ele se levantou do sofá e começou a andar pra frente epra trás pela sala, olhando pro pés dele o tempo inteiro.

- Você e Tzuyu parecem ser bastante sérias, e existem coisas com as quais você precisa ter cuidado... Eu sei que você é uma adulta agora, mas você ainda é jovem, Sana, e existe um monte de coisas importantes que você precisa saber quando você... bem, quando você se involver fisicamente com...

- Oh, por favor, por favor não! - eu implorei, ficando de pé. - Por favor me diga que você não está tentando ter uma conversa sobre sexo comigo, Eric!

Ele olhou para o chão. - Eu sou o seu pai. Eu tenho responsabilidades. Lembre-se, eu estou tão envergonhado quanto você.

- Eu não acho que isso seja humanamente possível. De qualquer forma, a mamãe já se encarregou disso a cerca de dez anos atrás. Você está atrasado.

- Você não tinha um namorado a dez anos atrás - ele murmurou sem querer. Eu podia reparar que ele estava batalhando com a sua vontade de esquecer o assunto. Nós dois estávamos de pé, olhando para o chão, e desviando o olhar um do outro.

- Eu não acho que as coisas essenciais tenham mudado tanto assim - eu murmurei, e o meu rosto tinha que estar tão vermelho quanto o dele estava. Isso estava além do sétimo círculo de Hades; pior ainda era me dar conta de que Tzuyu sabia que isso ia acontecer. Não é de adimirar que ela estivesse se divertindo no carro.

- Só me diga que você duas estão sendo responsáveis - Tzuyu implorou, obviamente desejando que um buraco se abrisse no chão pra que ele caísse nele.

- Não se preocupe, pai, não é assim.

- Não que eu não confie em você, Sana, mas eu sei que você não quer me contar nada sobre isso, e você sabe que eu realmente não quero ouvir. No entanto, eu tentarei ser mente aberta. Eu sei que os tempos mudaram.

Eu rí estranhamente. - Talvez os tempos tenham, mas Tzuyu é muito antiquada. Você não tem nada com o que se preocupar.

Eric suspirou. - É claro que ela é - ele murmurou.

- Ugh! - eu rugí. - Eu realmente queria que você não estivesse me forçando a dizer isso, pai. Realmente. Mas... eu sou... virgem, e eu não tenho planos imediatos para mudar esse status.

Nós dois enrijecemos, mas ai o rosto de Eric ficou suave. Ele pareceu acreditar em mim.

- Posso ir a para a cama agora? Por favor?

- Em um minuto - ele disse.

- Aw, por favor, pai? Eu estou implorando.

- A parte embaraçosa já passou, eu prometo - ele me assegurou.

Eu olhei para ele, e fiquei feliz por ele parecer mais relaxado, que o rosto dele estava de volta a cor regular. Ele afundou no sofá, suspirando de alívio por ele ter passado pelo seu discurso sobre sexo.

- O que é agora?

- Eu só queria saber como anda aquela coisa de equilíbrio.

- Oh. Bem, eu acho. Eu fiz planos com Momo hoje. Eu vou ajudar ela com os anúncios da formatura. Só nós duas.

- Isso é bom. E quanto a Liz?

Eu suspirei. - Eu ainda não arranjei isso, pai.

- Continue tentando, Sana. Eu sei que você fará a coisa certa. Você é uma pessoa boa.

Isso foi golpe baixo.

- Claro, claro - eu concordei. A resposta automática quase me fez sorrir, isso foi uma coisa que eu aprendi com Lisa. Eu até usei o mesmo tom padronizado que ela usava com o pai.

Eric deu um sorriso e religou o som. Ele afundou mais nas almofadas, satisfeito com o seu trabalho dessa noite. Eu podia notar que ele ficaria acompanhando esse jogo por um bom tempo.

- Boa noite, Sannie.

- Te vejo de manhã! - Eu corrí pelas escadas.

Tzuyu já tinha ido embora a muito tempo e não voltaria até Eric estar dormindo, ela provavelmente estava lá fora caçando ou fazendo qualquer coisa para passar o tempo, então eu não tive pressa de tirar a roupa para ir pra cama. Eu não estava com humor pra ficar sozinha, mas eu certamente não ia descer e ficar com o meu pai, só no caso de ainda haver algum tópico no assunto sexo que ele ainda não tenha tocado antes; eu tremí.

Então, graças a Eric, eu estava ferida e ansiosa. O meu dever de casa estava pronto e eu não estava melodramática o suficiente pra ler ou ouvir música.

Eu considerei ligar para Solar com as notícias da minha visita, mas aí eu me dei conta de que eram três horas a mais no Japão, e ela devia estar dormindo.

Eu podia ligar pra Momo, eu achei.

Mas de repente eu me dei conta de que não era com Momo que eu queria falar.

Que eu precisava falar.

Eu olhei para a janela negra vazia, mordendo o meu lábio. Eu não sei quanto tempo eu fiquei lá pesando os prós e os contras - fazer a coisa certa em relação a Lisa, ver a minha amiga mais próxima de novo, ser uma boa pessoa, versus fazer Tzuyu ficar furiosa comigo. Dez minutos talvez. Tempo suficiente pra decidir que os prós eram válidos e que os contras não eram. Tzuyu só estava preocupada com a minha segurança, e eu sabia que não havia realmente um problema nesse sentido.

O telefone não ajudava em nada; Lisa se recusava a atender os meus telefonemas desde que Tzuyu retornou.

Além do mais, eu precisava vê-la - ver ela sorrindo do jeito que ela costumava fazer. Eu precisava repor aquela terrível última memória do rosto dela condoído e se contorcendo de dor se um dia eu quisesse voltar a ter paz de espírito.

Eu provavelmente tinha uma hora. Eu podia ir correndo até La Push e estar de volta antes que Tzuyu se desse conta que eu havia saído. Já passava do meu toque de recolher, mas será que Eric realmente se preocuparia com isso quando Tzuyu não estava envolvida? Havia um jeito de descobrir.

Eu agarrei o meu casaco e passei os meus braços pelas mangas e corrí pelas escadas.

Eric olhou pra cima do jogo, instantaneamente suspeito.

- Você se importa se eu for ver Liz essa noite? - eu perguntei sem fôlego. - Eu não vou demorar.

Assim que eu disse o nome de Liz, a expressão de Eric relaxou em um sorriso bobo. Ele não parecia surpreso pelo discurso dele fazer efeito tão rapidamente.

- Claro, filha. Sem problema. Pode ficar fora o quanto quiser.

- Obrigada, pai - eu disse enquanto saia pela porta.

Como qualquer fugitiva, eu não pude deixar de olhar por cima do ombro algumas vezes enquanto corria para a minha picape, mas a noite estava tão escura que na verdade não havia sentido nisso. Eu tive que sentir o caminho na lateral da picape até encontrar a maçaneta.

Os meus olhos estavam apenas começando a se ajustar enquanto eu colocava as chaves na ignição. Eu girei elas com força para a esquerda, mas ao invés de ligar rosnando alto, o motor só fez um clique. Eu tentei de novo com os mesmo resultados.

E aí um pequeno movimento na minha visão periférica me fez pular.

- Gah! - eu ofeguei de choque quando me dei conta de que não estava sozinha na cabine.

Tzuyu estava sentada muito rígida, um fraco ponto brilhante na escuridão, só as mãos dela se moviam enquanto ela girava um misterioso objeto preto pra lá e pra cá. Ela olhava para o objeto enquanto falava.

- Mina ligou - ela murmurou.

Mina! Droga. Eu tinha me esquecido de levá-la em conta nos meus planos. Ela devia ter pedido pra irmã ficar me vigiando.

- Ela ficou nervosa quando o seu futuro desapareceu abruptamente há cinco minutos atrás.

Meus olhos, já arregalados de surpresa, abriram ainda mais.

- Porque ela não consegue ver os lobisomens, sabe - ela explicou com o mesmo murmúrio baixo. - Você tinha esquecido disso? Quando você resolve juntar o seu destino ao deles, você desaparece também. Você não podia saber dessa parte, eu me dou conta disso. Mas será que você pode entender que isso pode me deixar um pouco... ansiosa? Mina te viu desaparecer, e ela nem podia me dizer se você voltaria pra casa ou não. O seu futuro ficou perdido, assim como o deles. Nós não temos certeza de porque isso acontece. Alguma defesa natural com a qual eles nasceram? - Ela falava como se estivesse falando sozinha agora, ainda olhando para o pedaço do motor da minha picape enquanto ela o girava nas mãos. - Isso não parece ser inteiramente provável, já que eu não tive nenhum problema em ler a mente deles. Da Kim, pelo menos. A teoria de Somi é de que a vida deles é muito governada pela transformação. É mais uma reação involuntária do que uma decisão. É altamente imprevisível, e isso muda tudo neles. Naquele instante quando eles se transformam de um para outro, eles nem sequer existem. O futuro não pode mantê-los...

Eu escutei os pensamentos dela em silêncio de pedra.

- Eu vou reconcertar o seu carro a tempo para a escola amanhã, no caso de você querer ir sozinha - ela me assegurou depois de um minuto. Com os meus lábios grudados um no outro, eu retirei as minhas chaves rapidamente e saí da cabine rigidamente.

- Feche a janela se você quiser que eu fique longe essa noite. Eu vou entender - ela sussurou bem antes de eu bater a porta.

Eu entrei em casa, batendo a porta também.

- Qual é o problema? - Eric quis saber do sofá.

- A picape não quer ligar - eu rosnei.

- Quer que eu dê uma olhada?

- Não. Eu vou tentar de manhã.

- Quer usar o meu carro?

Eu não devia dirigir a viatura policial dele. Eric devia estar muito desesperado pra eu ir à La Push. Quase tão desesperado quanto eu estava.

- Não. Lisa já deve estar dormindo, e eu estou cansada - eu murmurei. - Boa noite.

Eu subí as escadas me arrastando, e fui direto para a minha janela. Eu puxei e estrutura de metal com força - ela bateu quando fechou e o vidro tremeu.

Eu olhei para o vidro negro tremendo por um longo momento, até que ele parou. Aí eu suspirei e abrí a janela o máximo que ela podia abrir. 

 


Notas Finais


Boooom gente, esse foi o cap de hj, em questão da relação da Sana com a Lisa, não vai demorar muito, porém vai ser dramático, eu fiquei até com vergonha alheia quando li, sério ksksks.

Até a próxima e One Kiss For Yours Personas <3


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