História Eclipse - Capítulo 10


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Categorias Diabolik Lovers
Personagens Ayato Sakamaki, Azusa Mukami, Beatrix, Carla Tsukinami, Christa, Cordelia, Kanato Sakamaki, Kou Mukami, Laito Sakamaki, Personagens Originais, Reiji Sakamaki, Richter, Ruki Mukami, Seiji Komori, Shin Tsukinami, Shu Sakamaki, Subaru Sakamaki, Tougo Sakamaki "Karlheinz", Yui Komori, Yuma Mukami
Tags Ação, Amnésia, Anjos, Aventura, Borboletas Azuis, Bruxas, Colegial, Comedia, Demonios, Desaparecimento, Desejos, Diabolik Lovers, Drama, Eclipse, Eclipse Lunar, Esquizofrenia, Fadas, Festa, Ficção, Kino, Lua, Luta, Magia, Maldições, Misticismo, Monstros, Mukami, Nakano Aya, Nakano Ayumi, Poesias, Revelaçoes, Romance, Rosas, Sadomasoquismo, Saga, Sakamaki, Segredos, Sobrenatural, Sol, Sombras, Suspense, Terror, Tsukinami, Vampiros
Visualizações 157
Palavras 4.739
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishoujo, Bishounen, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fantasia, FemmeSlash, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Poesias, Policial, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hello, world!
(´ε` )♡ (´ε` )♡

My God. Estou chorando até agora T_T
#R.I.P.Mahina!

Boa leitura <3

Capítulo 10 - Who killed Mahina?


Fanfic / Fanfiction Eclipse - Capítulo 10 - Who killed Mahina?

❝Quando você menos espera, uma pessoa que você ama morre. E o culpado... Bem, ele fica impune.❞

-Kurihara Mina

 

–––––––––––––––––––––––––––––

Who killed Mahina?

* Chapter X *

–––––––––––––––––––––––––––––

 


Pátio de Entrada/Limusine, Ryoutei Academy, Kaminashi
Pov's Narradora
[02:50 A.M.]

 

– Onde, no mundo, aquela peste se meteu? - Reiji pergunta enquanto ajeita os óculos.

– Hah? Panqueca ainda não chegou? - Ayato põe a cabeça para fora da limusine, onde o irmão com um ano mais velho se encontrava encostado. – Pensei que ela tivesse sido a primeira a vir.

– Ayato, para além de idiota, você agora é cego? Por acaso ela está aí dentro e nenhum de nós percebeu?

O ruivo bufa, logo inflando as bochechas.

– Ela disse que ia limpar a sala do Subaru. - ele coloca a cabeça para dentro novamente e encara o caçula. – Ela não esteve lá?

O albino nega com a cabeça.

– Estranho. Muito estranho. - ele faz beicinho. – Será que...

– Ela não seria tão burra para ousar fugir, Ayato. - Reiji revira os olhos, indignado com o irmão. – Aquela garota é tudo, menos burra.

– Humph. Estou com sede... - Kanato aperta seu ursinho de pelúcia, fazendo uma cara melosa e melancólica.

– Bitch-chan não costuma demorar tanto... Fufu~ Me pergunto qual vai ser o castigo que Reiji-kun vai dar... Posso puni-la também, hm?

– Cala a boca, bastardo. - Ayato lança um olhar mortal. – Panqueca é minha propriedade exclusiva.

Subaru afunda no banco, tentando não demonstrar nada. Shuu, porém, como se encontra ao seu lado percebe. Ele entreabre seus olhos azuis intensos e se afunda junto com o caçula.

– ...O que tá acontecendo? - sua franja loira caí por cima dos seus cílios enquanto sua voz saí baixa e preguiçosa. – Por que Aya ainda não chegou?

– ... Não sei do que você está falando. - ele rosna para o irmão mais velho. – Eu não sei de nada sobre aquela garota estúpida.

– Oh, mas é claro que você sabe. Desembucha logo. Aproveita que eles estão discutindo.

– Já disse que eu não sei de nada sobre aquela coisa irritante!! - seu tom de voz saiu alto o suficiente para ser ouvido por todos os presentes. – ARGH! Vai na merda, Shuu!

– Hm~? Subaru-kun sabe algo sobre bitch-chan e não quer nos dizer? Ohh... - ele esboça um sorriso safado. – Que maldoso, Subaru-kun...

Subaru pisa forte na limusine, fazendo-a tremer.

– Já disse que não sei de nada!! Que se dane aquela garota!

– ... Subaru, você é um péssimo mentiroso. - Reiji olha para o mesmo no canto dos olhos vermelhos claros.

– Ah, já sei. Vocês querem morrer, não é? - ele lança um olhar desafiador para todos seus irmãos. – Tudo bem. - ele cerrou o punho. – Não farão falta.

– Oh, que mentira. - Laito faz beicinho. – Todo mundo sente falta dessa delícia aqui!

– ... Pensando bem, pode matar o Laito. - Kanato murmura para o caçula. – Ele realmente não vai fazer falta. Não é, Teddy?

E assim uma discussão começou...

– Ei, ei! Você viu o que aconteceu no banheiro feminino do segundo ano?  - uma garota do colégio comentou com um outro rapaz.

Reiji se virou para o pequeno grupo formado ali.

– Histérica, vai se danar. - Ayato mostra a língua.

– Por que eu? Vai você. - Kanato fecha a cara. – Retardado.

– Será que dá para calar a boca?! - Reiji lança um olhar reprovador para seus irmãos. – Estou tentando ouvir uma conversa e vocês são irritantes ao ponto de me deixar surdo!

– Quatro olhos de penetra? Hah, pensei que Laito casava antes do que isso.

Laito faz beicinho e Reiji bate de leve no vidro da janela da limusine, silenciando assim todos.

– O que? Estive ocupado limpando a biblioteca...

– Ah! Eu também vi! - um outro rapaz se pronunciou. – Quem foi que fez aquela merda?

– Me conta, me conta! - uma menina começa a pular. – O que houve?

– Parece que alguém estava com raiva ou fez algum trote. A cabine com o toalete quebrado estava toda rabiscada de um líquido pegajoso e vermelho.

– Sangue?! - um rapaz arregalou seus olhos.

– Falso. Parece que foi alguém muito bem em ciências ou teatro.

– E o que tinha escrito lá?

– Bom, praticamente, uma declaração de ódio. Tinha "CORAÇÃO QUEBRADO", "CUIDADO COM O QUE DESEJA" e muitas outras coisas, inclusive a palavra "VADIA" estampada quase em toda a cabine.

– O mais assustador foi a frase final.

– Que frase?

– "Não se esqueça que nós duas só podemos guardas este segredo se uma de nós estiver morta".

Uma das garotas presentes fez o símbolo da cruz. Eles continuam a murmurar, mas Reiji já desfocou do grupo de estudantes, se virando para Subaru.

– Aya tem algo a haver com isso?

– Não pode ter sido tão grave assim... - ele rosna, baixinho.

– Oh, merda, foi sim. - Laito murmura enquanto acessa pelo seu celular o site do Jornal Escolar de Ryoutei Academy. – Está na primeira página do blog.

– Puta que pariu. - Ayato arregala os olhos quando vê a tela do celular de seu irmão. – Quem quer que tenha sido, é um mestre na arte do trote. Quase superou a Ore-sama, coisa que é bem difícil de acontecer!

Reiji não espera mais nada e se teletransporta para o corredor do segundo ano. Seus irmãos fazem o mesmo e todos os seis vão em direção ao banheiro feminino. Chegando perto, eles conseguem ouvir murmúrios e cochichos bem altos e escandalosos. Um pequeno grupo se reuniu em torno da porta.

– Saíam da frente, saíam da frente, ore-sama tá passando!

Todos os presentes meio que se assustaram e fizeram passagem para os seis irmãos. As garotas começam a ficarem eufóricas, enquanto os meninos apenas ficam encarando o chão, cochichando algo sobre "injustiça" pelos Sakamaki terem mais direitos e fama do que eles.

O banheiro estava uma lastima, completamente assustador. O vidro tinha se partido e vários cacos estavam pelo chão. Shuu pisou em cima deles e isto fez barulho. Reiji preferiu por afastá-los com cuidado com o pé.

Arisu estava dentro do banheiro, fazendo fotos e mais fotos.

– Namikawa-san, o que aconteceu de fato aqui? - Reiji pergunta ficando ao lado da garota.

A azulada retoma postura bruscamente e quase deixa a câmera cair pelo susto.

– R-Reiji. - ela se curvou rapidamente. – Sakamakis. B-Bom, eu ainda não sei ao certo, mas é o babado do ano. Parece que alguém fez um trote ou algo parecido aqui...

Ela continua a explicar enquanto Ayato chuta com o pé a porta da cabine do banheiro, revelando assim todo o líquido pegajoso e gosmento, o sangue falso, e todas as declarações de ódio. Laito, Kanato e Subaru se aproximam.

– Nada grave, huh? - o ruivo se vira para o caçula. – Bom, se panqueca foi a vítima desse trote, ela deve tá puta que pariu de assustada.

– Fala logo, o que você sabe sobre bitch-chan, Subaru-kun... Não é justo deixar nós, seus irmãos queridos, sem sabermos de nada!

– Teddy diz que você é um insensível.

– Argh. - ele fecha os olhos. – A única coisa que eu sei sobre aquela coisa estúpida é que eu a vi sair da escola correndo.

– E como ela estava? - Ayato se encosta em uma das cabines.

– ... Assustada, a-acho. - Subaru desvia o olhar. – Mas não sabemos se de fato ela esteve aqui.

– Bom, agora sabemos.

Todos se viram para Shuu que parece pegar algo do chão, no meio dos cacos de vidro. Até mesmo Arisu semicerrou os olhos para ver o que é.

– É uma foto? - Reiji indaga.

– Sim. - ele estende para os outros.

Uma linda garota de cabelos castanhos ondulados e olhos verdes intensos sorri para a câmera. Em seu pescoço, um pingente de ouro em formato de sol brilha sob a luz da sala de aula. A palavra "VADIA" está escrita em cima de sua cabeça, com a primeira letra A em destaque, enquanto seus olhos estão rabiscados com uma caneta vermelha.

Ela é idêntica a Aya.

 

~ † * † ~


Centro da Cidade, Kaminashi
Pov's Nakano Aya
[03:15 A.M.]

 

Corro em meio a multidão de pessoas que estão na rua. Esbarro em algumas e peço desculpas. Estou com muito medo para sequer olhar seus rostos.

Logo após aquele bilhete, saí disparada da escola, enfiando a rosa azul intensa de qualquer jeito no bolso do meu blazer preto. O vento frio e noturno bate contra meu rosto corado pelo esforço e choro. Definitivamente, fiquei traumatizada. Não volto nunca mais a entrar no banheiro da escola.

Entro na primeira cabine telefônica que vejo. Agarro o telefone com tanta força que parece que vai quebrar. Aos poucos, pingos de chuva começam a cair no asfalto. A chuva fica cada vez mais intensa, igual às minhas lágrimas. Pego do meu bolso a quantia para pagar por uma ligação e digito o número de minha tia com os dedos trêmulos. O som de inicio de chamada se ouve quando encosto a superfície gelada contra meu ouvido. Apoio meu braço no telefone enquanto minhas pernas insistem em fraquejar.

– Vai, atende... - minha voz saiu um miado assustado. – Por favor... Atende...

Mas a ligação terminou com número ocupado. Disquei novamente o número do celular de minha tia, angustiada. Eu tenho que voltar para Fukuoka. Não aguento nem mais um minuto presa nesta cidade assombrada, dividindo a casa com seis vampiros que vira e mexe estão bebendo meu sangue através de métodos nem um pouco agradáveis.

Novamente, número ocupado.

– ARGH! - grito de raiva, jogando o telefone com toda minha força contra o vidro da cabine a prova de balas. – Por que você não atende?! Por que você não me disse que meus parentes distantes era um bando de vampiros?! Por que você me abandonou?!

Minhas costas escorregam pelo vidro frio enquanto choro copiosamente. Quando chego ao chão, enfio meu rosto entre as pernas. A chuva torrencial inunda o asfalto e um pouco da água consegue molhar a barra da saia do meu uniforme escolar.

Tantas perguntas, nenhuma resposta. Meu cérebro parece estar em uma montanha russa, subindo e descendo em um ritmo enjoativo. Sinto toda a comida que comi nas últimas vinte e quatro horas voltar ao meu estômago e subir o caminho de minha garganta. Tudo está girando, não consigo distinguir absolutamente nada.

Alguém bate na porta da cabine telefônica e dou um pulo de susto. Meu coração acelera enquanto levanto a cabeça e tento enxergar quem é.

– Kanai-sensei? - indago enquanto me levanto.

Abro a porta e meu professor sorri. Ele está envolto em um casaco cinzento e tem em mãos uma maleta castanha e um guarda-chuva azulado.

– O que está fazendo aqui, Nakano-san? Por que não voltou para casa com seus primos?

– E-Ehhh... - tento inventar uma desculpa coerente.

Ele semicerra os olhos e vejo que todas as desculpas foram por água a baixo quando ele percebe meus olhos inchados e os caminhos de lágrimas não secas. Posso ver seu cenho formar um grande V preocupado.

– Esteve chorando?

– B-Bem... Talvez. - abaixo o olhar, minhas bochechas coradas pela vergonha.

– Algo com a escola? Alguém te tratou mal?

Gaguejo algumas palavras sem nexo, tentando formar uma frase que seja coerente. Por fim, digo a primeira coisa que me surge em mente.

– É o meu n-namorado.

Minhas bochechas coram de vergonha. Sério, Aya, namorado? Não tinha uma desculpa melhor não?

O professor Kanai arregala os olhos castanhos e suspira aliviado enquanto coça a nuca. Pelo menos ele parece ter acreditado. Não acho boa ideia envolver ninguém neste assunto de "A".

– Não sabia que tinha um. - ele diz, sorrindo. – É de Ryoutei Academy?

– N-Não... De Fukuoka.

– Oh, namoro à distância. Muito complicado, verdade?

Concordo em um gesto feito com a cabeça. Meu professor estende o guarda-chuva enquanto não desfaz o sorriso.

– Bom, posso te levar para a casa de seus primos, é só me guiar. Mas, se preferir, tem uma cafeteria muito boa aqui perto. Podemos conversar sobre a escola e, se quiser, pode se abrir comigo sobre seu namorado. Quando tinha sua idade, eu tive uma namorada à distância também. É muito confuso.

Não penso duas vezes enquanto forço um sorriso e faço positivo com a cabeça. Me enfio ao lado do meu professor, debaixo de seu guarda-chuva, e ele começa a me conduzir pela estrada, com a chuva ainda caindo sobre nós.

– É esta aqui. - ele diz após um tempo andando em silêncio, apontando para uma cafeteria. – Fica por minha conta, Nakano-san.

Abrimos a porta do estabelecimento e ouço o som de um sininho. Uma garçonete de uniforme em tons pretos e castanhos faz uma reverência rápida enquanto sorri e nos conduz para uma mesa. O lugar é quentinho, confortante, feito em paredes amareladas e chão de madeira castanha. As luzes, bem acesas, dão ao lugar um ar mais... Doce e aconchegante. Somos guiados a uma mesa mais reservada no fundo do lugar.

– Obrigada, professor. - digo enquanto puxo uma cadeira e tento conter a vontade de chorar.

– Não tem de quê. Quer comer alguma coisa? Fique a vontade.

Apenas por muita insistência de Kanai-sensei, peço para a garçonete um brioche de chocolate e um cappuccino, enquanto ele pede um café sem açúcar e torradas francesas. A mulher desaparece por trás do balcão e eu permaneço em silêncio enquanto meu professor coloca sua maleta castanha em baixo da cadeira.

– E então? - ele me encara, sorrindo. – Como está sua adaptação em Ryoutei Academy?

– A-Ah... Muito boa. Mina e Akemi são excelentes companhias. E também tem Arisu...

– A vice presidente do grêmio estudantil, certo? Percebi que vocês duas ficaram próximas em pouco tempo. Isto é bom, Namikawa-san é bem esforçada. Embora...

Professor Kanai para no meio do caminho de completar sua frase. Fico com uma pulga atrás da orelha.

– Embora...? - tento arrancar mais alguma coisa.

– Hm? Ah, eu queria me referir ao fato de sua personalidade ser bem... Ativa, se me entende.

– Oh, com certeza. - sorrio. – Ari-chan parece uma pulga, não para por nada. Sempre estou a vendo subindo e descendo escadas para publicar algo no jornal. Alias... Eu nunca vi o Jornal da Escola, Kanai-sensei. Onde se vende?

– O jornal escolar de Ryoutei Academy não é impresso, é um blog para ser mais exato. Os participantes do clube do jornal são responsáveis pelo mesmo. Normalmente, quem participa do clube do jornal consegue bastante contatos para a faculdade.

– Isso é legal. Um dia ainda acesso o blog.

– Na biblioteca da escola tem disponível para todos os alunos computadores. A primeira página aberta no Google é o próprio site. Por falar em clube... Nakano-san, já está em um?

– Ainda n-não... - o último episódio do clube de artes passa rapidamente pela cabeça. – Já pensei em entrar no clube de artes, mas não consegui tempo para falar com sua responsável.

– Artes é uma boa escolha. Quando eu era do colegial, fazia partes do clube de jardinagem e do de investigação. Era divertido.

– Tem um clube de investigação? - indago. – Não vi na lista em que a representante de turma me deu.

– É porque ele não existe mais. Quando eu estudei em Ryoutei Academy, foi há alguns bons anos atrás. Todos os participantes dele eram do terceiro ano. Quando nós nos formamos... Bem, deixou de existir. Mas era muito legal. Fazíamos pesquisas sobre as líderes de torcida e suas "associações secretas".

– O senhor estudou em Ryoutei Academy?

– Ah, foi há muito tempo. Mas também não tanto assim, só tenho trinta e dois anos. Inclusive, fiquei famoso por fazer uma pesquisa sobre a lenda da escola.

– Lenda? Aquela da filha do imperador Ryō?

– Então já conhece sobre os "podres" da fundação da escola. - ele dá um sorriso de lado. – Sim, exatamente. Meu trabalho até hoje está guardado em destaque na Sala de Arquivos de Turmas e Alunos Exemplares, se não me engano.

– Muito interessante. - forço um sorriso. – Mina e Akemi me disseram algo a respeito. Sobre o desejo de Yumita... E o trato que ela fez com a "Bruxa dos Desejos". - fico um pouco pensativa antes de uma ideia nascer em minha mente. – Gostaria de ver esta tal sala de arquivos. É possível?

Kanai-sensei fica branco como o papel.

– A-Acho que é necessária a permissão do diretor. Eu não possuo a chave. E seus primos, como estão? - ele muda rapidamente de assunto.

– B-Bem, acho. - respondo, um pouco confusa pela repentina mudança de assunto. – Ayato me disse que faz parte do clube de basquete. Já Laito, teatro e economia doméstica.

– Verdade.

– E os outros? Do que eles fazem parte?

– Shuu faz parte do clube de música. Reiji é presidente do grêmio estudantil e presidente do clube de disciplinas extracurriculares, que envolvem matemática, línguas estrangeiras, japonês, ciências, alquimia, etc. Kanato faz fabricação de bonecas e economia doméstica também. Subaru fazia parte do clube de jardinagem, mas ele saiu no ano passado.

– ... Subaru está no primeiro ano, certo? - franzo o cenho. – Como ele pode ter saído do ano passado se entrou em Ryoutei Academy apenas nesse ano?

Professor Kanai me encara por um tempo, surpreso por minha pergunta. Ele franze o cenho e coça a nuca. É então que seus olhos castanhos ficam estreitos e ele parece vasculhar cada lugar de sua mente... Para voltar a sorrir no próximo minuto.

– Subaru fazia parte do clube de jardinagem. - ele repete a frase. – Mas ele saiu no ano passado.

Fico boquiaberta. Ainda bem que a garçonete chega com os nossos pedidos ou então teria surtado.

Ele não consegue dizer como que os rapazes estão nos mesmos anos... Um tipo de encantamento? Será que...

 

– Diz a lenda que ela foi procurar uma bruxa capaz de realizar qualquer desejo, a famosa "Bruxa dos Desejos". Ela pediu para que matasse seu avô, o Imperador Taishō, para sua vingança. A bruxa aceitou, mas pediu algo em troca.

– Que abrisse o colégio para todo o tipo de criatura mística e sobrenatural existente. Eles se camuflariam de humanos normais. Yumita aceitou e fizeram assim um trato. No mesmo dia, no mesmo ano, o Imperador Taishō teve que dar a regência para seu filho, o Imperador Shōwa, em 1921, por problemas de saúde. Em 25 de dezembro de 1926, no mesmo dia que o colégio iria ser inaugurado e abriria matriculas para o próximo ano, ele morreu.

– Quando Ryō-san morreu... No mesmo dia, Kaminashi se tornou uma cidade noturna... E Yumita assumiu a diretoria da escola, abrindo suas portas para todo o tipo de demônio, vampiro, lobisomem, bruxas, fadas, entre outros.

 

O trato...

 

– Você deseja?

 

Engasgo com o cappuccino e Kanai-sensei levanta o olhar para mim, preocupado.

– Engasgou, Nakano-san? Está tudo bem?

– S-Sim! - forço novamente meu sorriso. Estou ficando muito experiente nisto. – F-Foi só um pensamento que me passou pela cabeça.

Ele sorri e volta sua atenção às suas torradas francesas. Eu continuo a comer, mas meus pensamentos vagam pela minha mente.

Uma borboleta azul... 

Será que... N-Não... Não é possível...

Mas talvez eu já tenha encontrado antes a Bruxa dos Desejos.

 

~ † * † ~


Pátio de Entrada, Ryoutei Academy
[03:50 A.M.
]

 

– Nossa, ainda estão aqui? - indago, surpresa e sarcasticamente, para os seis irmãos encostados na limusine. – Pensei que já tinha me livrado de vocês...

– Primeiro de tudo: onde esteve? - Reiji pergunta com seu olhar mortal. – Você não está autorizada a sair sem nossa companhia.

– E-Eu... - começo a gaguejar.

– Ah, Sakamaki Reiji-san! - Kanai-sensei sorri para os rapazes. – Desculpem se vos assustamos. Nakano-san estava comigo.

Suspiro, aliviada pela presença do professor. Por pouco e eu já estava, literalmente, morta por desobedecer a terceira regra imposta a mim.

– Bom, agora que seus primos estão com você, irei deixá-la. Foi muito boa nossa conversa, Nakano-san. Mande lembranças ao seu namorado.

Meu rosto cora enquanto meu professor se afasta para de volta a estrada. Ele foi gentil o suficiente para me acompanhar até a escola de volta, pelo fato de eu não ter pego nem minha mochila e nem mesmo meus pertences. Viro-me de volta para os Sakamaki.

– Pera, pera, pera. - Laito estende as mãos, como se quisesse parar o tempo. – Em que universo bitch-chan tem namorado?! E nossa relação?! Como fica?! Ohhh... Mas me diga, ele é gato?

– Panqueca? Namorando? - Ayato coça a nuca, incrédulo. – Oi? Estou no mundo certo?

– Não, você está em um outro mundo paralelo e, para voltar ao seu de origem, você tem que se matar. - Subaru sorri, antes de voltar sua atenção a mim e fechar a cara. – Isso foi quando?

– É daqui ou de Fukuoka? - Kanato pergunta enquanto aperta Teddy. – Argh.... Não gosto de dividir meus brinquedos com humanos sem valor.

– Você? - Shuu dá uma risada rouca para mim. – Namorando?

– Quem é o cretino que ousa tocar nas propriedades Sakamaki? - Reiji ajeita os óculos.

– E-Eu não tenho namorado!! - grito, apressada. – Foi apenas uma desculpa para o fato de Kanai-sensei me encontrar chorando...

Subaru faz uma expressão culpada, mas antes que qualquer um dos irmãos pudesse abrir a boca, alguém chama por mim.

– Nakano Aya? - uma voz grave se ouve.

Me viro e dou de cara com um homem de terno e um distintivo policial no peito. Confusa, confirmo com a cabeça e lanço um olhar apreensivo para os rapazes que se encontrão mais confusos que eu.

– Pois não, senhor? - Reiji se aproxima. – O que deseja?

– Tenho uma intimação para escoltar Nakano Aya até o necrotério principal da cidade.

– N-Necrotério?! - literalmente, berro, recuando para perto dos vampiros. – P-Por que?

– ... Por favor, mantenha a calma e entre na viatura de policia. Nada de grave envolve a senhorita. É apenas uma confirmação que precisamos ter sobre a identidade de uma mulher.

– Então está pedindo para a garota errada. - Ayato envolve um braço nos meus ombros. – Ela tem amnésia.

– Também tenho esta informação, mas uma fonte anônima me revelou que é capaz da senhorita saber identificar o rosto de quem estamos nos referindo.

– A-Anônima? - algo dentro de mim diz que isso tudo vai dar merda.

– Por favor, me acompanhe.

Sem opções, sou conduzida para uma viatura de policia. Lanço um olhar apreensivo para os rapazes, mas vejo que todos eles já entraram na limusine. Fico mais tranquila em saber que eles não vão me deixar sozinha. Neste sentido, suas possessões acerca de suas bolsas de sangue é muito útil.

Mas, logo em seguida, fico aterrorizada. O rosto de minha tia passa de raspão pela minha mente e meu corpo começa a tremer.

Alguém morreu e eles querem que eu identifique a pessoa.

 

~ † * † ~


Necrotério, Kaminashi
[04:24 A.M.]

 

O lugar é todo branco, inclusive o chão. O policial de terno não desgrudou de mim nenhum segundo. Os Sakamaki nos seguem logo atrás e fico grata em saber que, qualquer coisa que acontecer, eu não estou sozinha.

– Assine aqui, por favor. - o policial pede enquanto desliza uma folha de papel de comprovação de entrada no local por uma mesa metálica, junto com uma caneta. Obedeço. – Vocês todos não podem acompanhá-la. Apenas três.

Os garotos começa a olhar uns para a cara dos outros, até que Reiji dá o primeiro passo.

– Ela está sob a minha guarda, eu devo acompanhá-la.

– Hah? Se quatro olhos pode, eu também posso. - Ayato faz beicinho.

– Ayato, agora não é o momento para seus chiliques. - o moreno retruca. – Aconselho que escolha qualquer um, menos ele e Laito.

– Aaaah~? E por que bitch-chan não me escolheria? Eu sou o que mais conversa com ela! Não é, bitch-chan~? Fufu~

– R-Reiji tem razão. - digo logo. – Se alguém quiser me acompanhar, tem que entender que o momento é sério. - olho para os cinco restantes. – Eu escolho... Kanato e Subaru.

Ele não é louco de fazer um chilique aqui, ou é? O arroxeado sorri para Teddy e se aproxima.

– Adoro o cheiro da morte. Obrigada, Aya-chan~. - minhas bochechas coram quando ele deposita um beijo em minha bochecha. – Teddy também agradece... Não é, Teddy?

– Humph. - o albino dá de ombros, indiferente.

– Shuu... - me aproximo do loiro, segurando a manga de seu suéter bege. – Por favor, cuide desses pestes para que eles não deixem esse lugar de cabeça para o ar. - sussurro, ficando na ponta dos pés. – Se nenhum dano for causado, você será apropriadamente recompensado.

Ele me olha com seus olhos azuis celestes por alguns segundos, até que dá de ombros e esboça um sorriso malicioso.

– Vou cobrar.

Rio baixinho enquanto volto a me aproximar do policial. Duas enormes portas são abertas, desvendando assim uma enorme sala, ainda branca, com várias macas de metal e sacos pretos, daquele que põe os corpos mortos. Um calafrio percorre minha espinha e me encolho ao lado de Reiji.

– É este aqui. - o policial para na frente de um dos sacos sobre uma maca e se vira para uma enfermeira gorda. – Por favor, abra-o.

A mulher obedeceu. O zíper fez um barulho assustador enquanto abaixado. Minha boca subitamente fica seca.

– Reconhece-a? - o homem pergunta, se virando para mim.

Os três irmãos fazem o mesmo. Meu coração parece parar pelo impacto.

– ... É... Minha tia.

Tudo fica embaçado ao meu redor. Apenas seu rosto pálido e sem vida fica em foco. Seu cabelo, curto e castanho avermelhado está seco e bagunçado. Seus olhos, no mesmo tom, olham fixamente para o nada... Mortos. Seus lábios se encontram entreabertos e pesso ver um pouco de sangue seco no canto deles.

De repente, sinto que meu corpo é pesado demais para minhas pernas suportarem. Elas falham e quase caio no chão, se Subaru não fosse rápido o bastante para me segurar.

– Então confirma que ela é sua tia? - o policial insiste. – Nakano Mahina?

– Como isso aconteceu? - a voz de Reiji saí calma, tranquila.

– Ela foi atropelada aqui mesmo em Kaminashi. Tentamos ligar para seu namorado, mas dava caixa postal. Foi então que recebemos uma ligação anônima, informando sobre Nakano Aya, sua sobrinha.

Kanato se inclina sobre o rosto de Mahina sem viva e toca com seus dedos tão gélidos quanto sua pele o mesmo. Ele olha para mim e depois volta para olhar para a mesma.

– Por favor, jovem, fique longe do corpo por motivos de possíveis doenças. - o policial avisa.

– Que marca é essa aqui no pescoço dela? - Kanato pergunta, deixando totalmente o homem no vácuo.

Marca? Tia Mahina não tinha marcas no pescoço. Sei disso por que já fizemos várias fotos juntas e ela costuma deixar seu pescoço a mostra na maior parte do tempo. Consigo forças para me soltar de Subaru, por mais que o que eu queira é desmaiar mesmo.

– O-Onde? - minha voz saí fina, chorona pois já me encontro aos prantos pela segunda vez hoje.

– Aqui. - ele aponta para o pescoço branco dela.

E, de fato, tem algo em seu pescoço. Semicerro os olhos para enxergar melhor. Um terror toma conta de mim.

– O que é, Kanato? - Reiji pergunta.

– Um traço e uma letra. - ele responde.

-A

 

~ † * † ~

 

Já é a segunda vez que eu corro sem rumo pela cidade hoje. Ao menos não está mais chovendo.

Preciso correr para pôr os pensamentos no lugar, por mais que esta tarefa seja quase impossível. Meu rosto, novamente coberto por lágrimas, se encontra corado, batendo contra o vento frio de uma madrugada mais fria e assustadora ainda. Hoje, definitivamente, foi o PIOR dia da minha vida.

Deixei o necrotério para trás, junto com os Sakamaki. Saí correndo de lá após ver aquilo. Aquela letra que começou a me perseguir para onde quer que eu vá. Aquela letra que se tornou meu purgatório.

Entro em um beco qualquer, escuro e sem saída. Caio direto no chão, chorando e chorando, deixando lágrimas molharem-no ainda húmido pela recém chuva torrencial. E fico assim, por um bom tempo, sem saber o que fazer.

Minha tia está morta. Não pude me despedir, não pude dizer que, mesmo após pouco tempo e tantas revelações, a amava. Não pude segurar sua mão e dizer: parta em paz. Em vez disto, foi atropelada cruelmente por um desconhecido que fugiu sem deixar rastros: A.

Ouço um barulho de papel batendo contra algo e levanto o olhar. Vejo uma folha se debatendo em uma parede pela força do vento. Apenas para calar aquele barulho insuportável, peguei-a. Estava pronta para amassa-la, até ver seu conteúdo: um cartaz de desaparecimento. Pela milésima vez, arregalo meus olhos verdes apavorada.

 

Nakano Ayumi, dezessete anos.

Desaparecida desde 10 de junho de 2016.

 

...

E idêntica a mim.

 

~ † * † ~

 

"Eu prometo que para sempre serei sua amiga, Aya."

"Eu também... Ayumi."

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado! ヽ(*・ω・)ノ ヽ(*・ω・)ノ Se curtiu a fanfic, favorite, compartilhe e deixe um comentário! Irei apreciar muito saber a opinião de vocês!
Me sigam! ヽ(>∀<☆)ノヽ(>∀<☆)ノ

Se gostou de "Eclipse", pode vir a se interessar por minhas outras fanfics também <3


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Teorias? Teorias? O próximo capítulo já vai ser o último da Parte I – Haunted Dark Bridal: Dark. Se tudo der certo, o capítulo 12 será já o primeiro da Parte II – More Blood: Maniac.

–––––––––––––––––––––––––––

Quem será que matou Mahina dessa vez? Um assassino em série ou apenas um acidente?
Muitas mortes ainda vão acontecer nesse jogo sem fim. Acompanhe até o fim e talvez você seja capaz de resolver o mistério.

Continua...

~Kissu, kissu,
-A


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