História Eclipse - Capítulo 8


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Categorias Diabolik Lovers
Personagens Ayato Sakamaki, Azusa Mukami, Beatrix, Carla Tsukinami, Christa, Cordelia, Kanato Sakamaki, Kou Mukami, Laito Sakamaki, Personagens Originais, Reiji Sakamaki, Richter, Ruki Mukami, Seiji Komori, Shin Tsukinami, Shu Sakamaki, Subaru Sakamaki, Tougo Sakamaki "Karlheinz", Yui Komori, Yuma Mukami
Tags Ação, Amnésia, Anjos, Aventura, Borboletas Azuis, Bruxas, Colegial, Comedia, Demonios, Desaparecimento, Desejos, Diabolik Lovers, Drama, Eclipse, Eclipse Lunar, Esquizofrenia, Fadas, Festa, Ficção, Kino, Lua, Luta, Magia, Maldições, Misticismo, Monstros, Mukami, Nakano Aya, Nakano Ayumi, Poesias, Revelaçoes, Romance, Rosas, Sadomasoquismo, Saga, Sakamaki, Segredos, Sobrenatural, Sol, Sombras, Suspense, Terror, Tsukinami, Vampiros
Visualizações 171
Palavras 3.353
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishoujo, Bishounen, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fantasia, FemmeSlash, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Poesias, Policial, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hello, world!
(´ε` )♡ (´ε` )♡

Bom, eu estive focada esta semana inteira em Beautiful Disaster, mas, finalmente, agora que os resultados saíram, devo conseguir tempo para postar novamente em Eclipse.
Ninguém merece ler notas iniciais, então...

B
O
A

L
E
I
T
U
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A
S2
!

Capítulo 8 - Everybody have a Soul


Fanfic / Fanfiction Eclipse - Capítulo 8 - Everybody have a Soul

❝Nunca julgue um livro pela capa.❞

-Alguém

 

–––––––––––––––––––––––––––––

Everybody have a Soul

* Chapter VIII *

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Sala de Estar, Mansão Sakamaki
Pov's Narradora
[domingo, 1.º fim de semana, 05:07 A.M.]

 

– Ela não está na cozinha.

– Revirei o quarto e nada.

– Na minha dama de ferro panqueca não tá.

– Muito menos voltou para a sala de jogos.

– Parabéns, Reiji. Você é o melhor, hein?

Reiji bebe alguns goles de chá de sua xícara preferida.

– Sempre sou. E me surpreende vocês se preocuparem com aquela humana irritante. Desde que chegou aqui só me deu trabalho. Se ela desobedecer uma das três regras, melhor ainda: terei um motivo para matá-la.

– Você não pode tratar as pessoas como bem entender. Confesso que até senti pena de bitch-chan.

– Não é ela quem dizia que a mentira nunca faz bem? Então... Eu só lhe disse verdades.

– Você bem que poderia ter esperado o momento certa. - Subaru cruza os braços enquanto se encosta na parede da sala de estar. – Ela fez bem em te dar um tapa.

Reiji franze o cenho e se vira para o caçula.

– O que está insinuando, Subaru?

– Não estou insinuando nada. Estou dizendo que se fosse eu no lugar dela, tinha lhe dado um soco no meio da cara. Não me interessa a garota, me interessa é que você não nos ferre por causa de suas palavras irritantes, Reiji.

O moreno revira os olhos e volta a beber seu chá preto. Aquilo já estava irritando. Tudo bem, uma garota com amnésia é perfeita para noiva de sacrifício – não dá trabalho, não sabe ao certo quem é, pode ter seu caráter remodelado e tem mais chances de se adaptar a um novo estilo de vida –, mas uma garota com aquele rosto é problemático. Reiji não sabia ao certo como seu pai conseguira "apagar" de certa forma todas as memórias das pessoas de Kaminashi, aquela cidade abandonada e esquecida. Com certeza, comprou todos os moradores – dinheiro era uma coisa que não lhes faltava. Mas, mesmo assim, seu pai deveria ter tido a consciência dos escândalos da parte da própria garota quando voltasse a se lembrar das coisas.

E como ela seria se suas lembranças voltassem? Será que arruinaria o nome da família Sakamaki e faria com que fosse odiada mais ainda por todos? Ou será que iria entender que seu comportamento era errado e tomar juízo finalmente? Reiji definitivamente não queria arriscar – os resultados pareciam ser complexos demais para que conseguisse calculá-los com excelência.

– ... Você tem que buscá-la de volta.

Reiji se virou para Shuu, seu irmão mais velho com apenas um ano e irritante o suficiente para fazê-lo perder a paciência.

– Ela não faz falta nenhuma para mim.

– Mas aquele cara foi claro. Ele disse para tratarmo-la bem e não matá-la.

– Oe, Reiji. Eu não quero ser punido por uma baboseira que você fez. Sabe o que aconteceu com Yui... Panqueca pode nos ferrar mais ainda.

Era verdade. Yui. Aquele homem tinha pedido para que não matassem Yui também. Aconteceu alguns imprevistos... A garota não estava exatamente morta, ou estava? Se sim, seu corpo tinha sofrido algum tipo de magia peculiar. Mas a questão foi que eles foram repreendidos de tal forma como nunca. Até Reiji que nunca na vida tinha levado uma bronca de seu pai...

A verdade era que o pai dos meninos poderia ser muito rigoroso com eles, seus castigos eram uma boa prova disto. Por perder de ano, mandou Shuu para o Polo Norte. Por dormir com sua mãe, prendeu Laito por cinco anos numa cela fria e escura do castelo. Por quebrar uma estatua, jogou Subaru no meio do oceano.

– ... Não estou interessado em trazê-la de volta, bom-para-nada. - ele declarou, colocando sua xícara sobre a mesa, já vazia.

– Tsk, seu bastardo. Você quer mesmo nos ferrar, hm?!

– Já disse. Não vou procurar ela. Que se dane. Que morra de fome, onde quer que esteja. Que morra de frio, que morra de sede, que seja morta por algo ou alguém. Não vou me rebaixar a uma humana mimada que se acha melhor que todos e banca o teatrinho da garota com amnésia bondosa com o mundo todo.

– ARGH! Chega!

Subaru se desencosta da parede e pega a xícara favorita de Reiji, jogando-a no chão com toda a sua força. Reiji fica pasmo com sua atitude, assim como os outros. A porcelana se quebra em mil e um cacos pequenos sobre o tapete preto.

– Ouça bem, seu quatro olhos filhinho do papai. - o albino aponta para si. – Você vai agora procurar aquela garota estúpida e trazê-la de volta. Se não o fizer, faço o que fiz com essa xícara em toda a sua coleção de porcelanas. Não vou me ferrar de novo por um erro que vocês cometeram: é perca de tempo.

– Hm? Subaru-kun está preocupado com bitch-chan? Que surpreendente. - Laito faz um sorriso malicioso. – Por que será, huh?

– HAH?! Cale a sua boca, bastardo pervertido, antes que eu mesmo a costure! Você. - ele volta sua atenção ao segundo irmão. – Vá agora atrás daquela garota.

Subaru definitivamente não estava brincando. Reiji sabia que, mesmo sendo o irmão mais novo, era o mais forte entre os seis e não fazia ameaças em vão. Pelo menos, tinham um ponto em comum. Mas trazer Aya de volta seria a mesma coisa que pedir desculpas – e isto, definitivamente, Reiji nunca fazia. O vampiro ficou mais alguns segundos em silêncio, o olhar assassino de Subaru e Ayato sobre si, enquanto Laito e Kanato apenas queriam sua noiva de sacrifício de volta. Shuu estava, como sempre, dormindo – ou fingindo dormir, tanto faz.

Por fim, suspirou.

– Tudo bem. Eu vou. Mas se aquela garota me desafiar outra vez... - Reiji se levanta e ajeita os óculos, olhando diretamente para o caçula. – Não irei responder por mim. E que se danem as regras à partir do momento que ela voltar a pôr os pés nesta mansão. Na nossa mansão. - ele enfatizou cada sílaba das últimas três palavras.

 

~ † * † ~


Pátio de Entrada, Mansão Sakamaki
Pov's Nakano Aya
[05:23 A.M.]

 

Meus passos são pesados na grama seca da floresta. Sinto muita dor na minha mão graças ao machucado que recebi ao passa-la descuidadamente por um galho solto. Tive sorte que não cortou nenhuma veia ou estaria, literalmente, perdida.

Me permito ser guiada pelo próprio lago de volta a Mansão Sakamaki. Eu realmente espero que eles não tenham percebido minha falta – o que seria o mesmo que a palavra impossível no dicionário. Estou há boas horas longe daquelas quatro paredes desacordada. E aquela memória ainda insiste em me atormentar. Quem sou e quem fui ainda permanece um completo mistério.

O sol nascendo tinge o céu de uma coloração um tanto que incomum: uma mistura de azul com laranja e vermelho. O calor me envolve. Senti falta dos raios solares e minha pele agradece o momento exposta a eles. Me pergunto o que os rapazes vão achar disto, considerando o fato de que meu horário é das quatro e meia tarde, quando o sol começa a se pôr aqui em Kaminashi, até as cinco e meia da manhã, quando ele começa a nascer.

Meu coração acelera ao ver o familiar poste diante dos portões de aço com gárgulas enfeitando e a placa do endereço. Provavelmente a única nesta floresta que não parece ter fim. Abro o portão com cuidado, mas ele range por sua própria naturalidade. Quando finalmente adentro por completo na residência Sakamaki, um frio na barriga me alerta de que não estou sozinha no pátio de entrada. Me viro lentamente, meu coração ainda disparado, até encontrar a silhueta de Reiji me encarando atentamente.

– ...

– ...

Ele vai me matar. Está claro que ele VAI me matar. Seus olhos vermelhos claros me avisam isto. Se não fosse um vampiro, já teria me encontrado correndo para nunca mais voltar pela Floresta do Vampiro – alias, o nome combina perfeitamente com os moradores da mesma.

Estremeço quando o olhar de Reiji desce até minha mão ferida. Claro. Ele sentiu o cheiro do sangue vermelho que escorre pela minha pálida pele. Ele suspira e finalmente se pronuncia no silêncio que se instalou entre nós.

– Se aproxime.

O tom de voz que ele usa me intimida, mas trato de não deixar que isso fique em evidência. Me aproximo em passos trêmulos, já sentindo o hálito morno da morte na minha nuca. Arfo baixinho de surpresa ao vê-lo desaparecer diante de mim e voltar a aparecer no segundo seguinte.

– Estenda a mão. - obedeço. – Não, a outra, a ferida. Meu vampiro amado, você é uma completa idiota.

Os dedos gélidos de Reiji tocam finalmente minha pele. Ele a aproxima de sua boca e eu aperto os olhos com força ao sentir suas presas fincarem na minha mão, exatamente na ferida. Não vou demonstrar dor, não quero demonstrar nem sequer sentimentos. Quero aparentar ser como ele – uma completa insensível. A mágoa ainda machuca meu peito, suas palavras parecem brasa em minha mente. Seu sorriso arrogante me faz estremecer de raiva.

Só por diversão, ele faz doer mais. Está estampado em seu rosto. Sinto minha mão esquentar de tal forma que parece que está queimando. Dói, dói muito. Sinto a ameaça das lágrimas, mas as seguro com toda a minha força. Quando, porém, ele finalmente para de sugar meu sangue e eu abro os olhos novamente, tenho a certeza de que estão claramente marejados. Reiji esboça uma expressão de superioridade ao notar. Com raiva, tento afastar minha mão e entrar disparada na mansão, mas ele permanece a segurando com força.

– O que foi? - pergunto, a mágoa evidente em minha voz. – Já não bebeu meu sangue? Já não me machucou o suficiente? Deixe-me entrar. Se espera um pedido de desculpas, de fato, é melhor esperar sentado.

Reiji não responde nada. Ele apenas tira do bolso um rolo de bandagens brancas e começa a enfaixar com cuidado a ferida. Entreabro os lábios, claramente surpresa. Por isto, de fato, não esperava. O vampiro continua enfaixando e enfaixando, até ter certeza de que a ferida está coberta o suficiente.

– Minha saliva tem propriedades curativas. Dois dias enfaixada e esta ferida desaparece.

– ... Por que está fazendo isto? - indago confusa.

– Pelo simples motivo de meus irmãos serem um monte de desgraçados preguiçosos e insuportáveis. - ele responde secamente. – E porque seria irritante ver você sendo atacada dez vezes ao dia com esta ferida longe de se cicatrizar.

Permanecemos em silêncio e permito, como um cachorro surpreso e abandonado, que ele cuide do meu machucado. É então que a mágoa dá lugar a arrependimento. Talvez, só talvez, eu tenha os julgado errado. Alias, nem em todos os momentos os irmãos Sakamaki foram insensíveis. O primeiro foi Ayato. Ele sempre me morde e me trata mal, do jeito que ele trata todo mundo, mas ele foi o primeiro dos irmãos a fazer um tour comigo pela casa, mostrando todos os cômodos.

 

☾† Flashback ON †☽

– O térreo tem a sala de entrada, os quartos dos nossos familiares e a porta de aceso aos jardins. - o ruivo explicou enquanto subíamos as escadas da sala de entrada. – O primeiro andar tem a sala de estar, a cozinha, a sala de jogos, a sala de jantar, o escritório e a biblioteca. O segundo andar tem os quartos. - ele passou o braço em torno de meus ombros, sorrindo maliciosamente. – O meu é o primeiro do corredor. Fique a vontade para limpá-lo quando bem entender, panqueca.

– Nossa, muito obrigada. - sorri sarcasticamente. – Prometo que passarei lá para conferir o seu nível de organização. E o terceiro andar? Reiji tinha dito que eu estava proibida de subir lá... O que tem nele?

– ... ... O quarto do Laito é o quinto do corredor. Fique longe dele, pelo seu próprio bem, panqueca.

☾† Flashback OFF †☽

 

Subaru foi o segundo. Mesmo sempre estando de mal humor e evitando ao máximo ficar perto de mim, na primeira vez que ele me mordeu prometeu guardar segredo minha pequena fuga a igreja, mesmo bebendo meu sangue como "pagamento"...

 

☾† Flashback ON †☽

– A diversão fica para depois. - ele pôs as mãos no bolso do blazer preto do uniforme. – Você tem dez minutos para voltar ao colégio antes que meus irmãos bastardos percebam sua falta. Não me responsabilizo por sua morte, apenas fico de bico fechado.

Fiquei pasma, com uma dor insuportável no meu pescoço, observando-o se afastar em passos lentos da igreja. A luz da lua bateu contra meu rosto e segurei meu rosário com mais força.

☾† Flashback OFF †☽

 

Logo após veio Shuu. Quando eu não tinha dinheiro para comprar um lanche na escola após perder o horário do almoço, ele me deu, e por mais que tenha dito que ia cobrar depois, ele nunca mais falou no assunto, mesmo quando eu tentei devolver a pequena quantia.

 

☾† Flashback ON †☽

– Ehh? Mas... Você não vai precisar do dinheiro? - indaguei, confusa pela pequena quantia de ienes estendida.

– Não. Se eu precisar, é só usar o cartão de crédito. - ele se espreguiçou, obviamente pronto para mais um cochilo naquele banco.

– Oh... - sorri, agradecida. – Muito obrigada. Você é muito gentil, Shuu.

– ... ...Eu só estou emprestando. Quando voltarmos, irei cobrar o dinheiro de volta. E ainda com juros.

O sorriso desapareceu do meu rosto.

– Não posso elogiar vocês que já ficam mesquinhos, né?

– Ninguém disse que seria de graça. - ele sorriu enquanto fechava os olhos azuis.

☾† Flashback OFF †☽

 

Laito, por mais pervertido que seja e por mais que adore piadas de duplo sentido – e por mais que tenha o novo passatempo de me "punir" com qualquer coisa que eu faça –, ele foi sempre gentil e divertido, por mais que do jeito dele. Principalmente quando pedi instruções de onde ficava o clube de artes...

 

☾† Flashback ON †☽

– Bitch-chan! Oe, oe, oe!

Dei um pulo de susto ao ter um braço em volta do meu pescoço e encontrei de cara Laito. Ele esboçou um sorriso malicioso e deu um beijo em minha bochecha.

– De que inferno você veio, posso saber?! - perguntei um pouco corada.

– De um inferno chamado "sala de aula". Ahh, bitch-chan, que injustiça eu fazer parte da sala de aula B e você da C...

– VOCÊ É DA SALA B?! - quase berrei de surpresa.

– Huh-huh! Por que? Não acredita que essa delicia aqui não seja capaz de tal proeza?

– ... Você seduziu a diretora? - indaguei num tom de brincadeira.

– Fufu~ Nop, nop, nop. É diretor, só para saber, ok? E não tenho nenhum interesse no momento em homens de meia-idade. Sou muito jovem para isso!

Revirei os olhos. Só Laito mesmo.

– Hmm... Laito, pode me fazer um favor?

– O quê, bitch-chan? Te jogar no chão e tirar sua virgindade no meio do corredor?

– Claro que não, seu tarado. - senti minhas bochechas corarem de novo. – Se incomoda de me mostrar onde fica o clube de artes?

– VOCÊ DESENHA?! - daquela vez foi a vez dele de berrar de surpresa.

☾† Flashback OFF †☽

 

A bondade de Kanato ainda é um mistério...

Agora, Reiji... Por isto, eu realmente não esperava. Me sinto um pouco culpada. Acho que julguei errado todos eles.

– ... D-Desculpa. - minha voz saiu como um miado baixo e trêmulo.

Reiji parou de enfaixar a ferida e me encarou nos olhos.

– ... Desculpa por ter... Te chamado de insensível, Reiji. E-Eu... Sou realmente uma garota mimada.

Meus olhos marejam. Não pela dor, mas pela vergonha. Logo eu, Nakano Aya, a garota com amnésia, julgando quem quer que seja... Sendo que nem sabe quem foi antes de perder a memória.

– É tudo... Tão confuso... Todos os últimos acontecimentos... Vocês, minha tia, a perca de minhas lembranças... Eu estive tão focada em julgar vocês... Que nem sequer parei para pensar em que tipo de pessoa eu era antes... De tudo.

Respiro fundo e volto a encarar o vampiro.

– Desculpa. E-Eu... Fui injusta.

Reiji suspira e volta sua atenção ao minha ferida. O silêncio acompanhou todos os segundos em que permanecemos ali, eu e ele, sob o céu clareando-se em câmera lenta, os raios de sol tocando nossos corpos envoltos por camadas de roupa. É então que me toco de algo...

– ... R-Reiji... Vocês podem ficar sob a luz do sol?

– No máximo, cinco minutos.

– E quanto tempo esteve aqui fora até eu chegar?

– Vinte.

Fico boquiaberta.

– O-O que acontece se vocês ficam tanto tempo no sol?!

– Ficamos gravemente queimados. Ayato tem uma cicatriz de queimadura na nuca até hoje da vez em que ficou dez minutos exposto ao sol do mundo humano.

– E o que você está fazendo aqui fora?! J-Já está sentindo alguma dor? D-Devemos entrar imediatamente!

– ... Estive esperando você pedir desculpas para me tocar de algo. - ele cochicha baixo, completamente inaudível para mim.

– O que disse?

– Nada.

– Então vamos ent... OUCH!

Berro de dor ao ter o curativo de Reiji bem apertado. O moreno sorri e termina finalmente de enfaixar minha mão.

– E-Está doendo!

– Eu sei. Apertei de propósito. Pense nisto como uma punição por ter me chamado de insensível.

– Mas eu pedi desculpas!

– E eu estou começando a me sentir tonto... - ele fala com um ar e um sorriso sarcástico. – Acho que o tempo que perdi cuidando da sua ferida fez eu ter os efeitos colaterais do sol... Irei entrar e tomar um chá entes que eu desmaie. Com licença.

Reiji se vira de costas para mim e sobe os degraus de entrada da mansão. Eu olho para o curativo e depois, novamente, para Reiji.

– Você não planeja me deixar com esse curativo extremamente apertado, não é, Reiji?!

– É para o sangue estancar rápido. São só dois dias, você sobrevive.

– Reiji, eu não estou sentindo minha mão!! - a porta da mansão é fechada. – ARGH!! Seu... Oportunista sádico! Filho da mãe! Volta aqui!

Quando, porém, me aproximo da enorme porta de pinheiro escuro, um farfalhar de arbustos me faz parar. Me viro, surpresa, para o enorme portão de aço. Atrás dele, sou capaz de ver uma silhueta, mas incapaz de identificar o rosto.

– Oe, panqueca, onde esteve?

Ayato me chama enquanto abre a porta. Me viro para si, mas volto a encarar os arbustos atrás do portão de entrada da mansão.

Quem quer que fosse, já tinha desaparecido.

 

~ † * † ~


Cabana Abandonada, Floresta do Vampiro
Pov's Narradora
[05:30 A.M.]

 

Seus passos eram apressados. A pessoa corria em meio a arbustos e galhos, sempre lançando um olhar duvidoso atrás, para conferir se estava sendo seguida ou não.

Finalmente, avistou a pequena cabana abandonada, com as janelas de vidro quebradas e a porta arrombada. Ela afastou com cuidado a madeira da porta e finalmente entrou. Se apoiou em seus joelhos cobertos pela calça verde caqui, ofegante. Tratou de recuperar o ar de volta para seus pulmões.

Então era verdade. Aya estava viva. Uma pontada de calor invadiu o ser da garota, que sorriu, aliviada. Aquela jovem que vira na estação de trem, de fato, era ela e não uma ilusão de uma mente em pedaços. Realmente, Aya não tinha mudado nada. Continuava com o cabelo longo e castanho, os olhos verdes acinzentados e a pele extremamente pálida. Ela estava feliz, muito feliz.

O problema era, de fato, os "parentes" com que ela morava junto. Para ser precisa, os Sakamaki.

Como, no mundo, Aya tinha parado nas garras daqueles vampiros filhos da mãe?! O único nome que vinha em sua mente era Mahina. Claro. Mahina. Ela a tinha enviado para cá. Ela a tinha vendido, assim como seu pai planejava vendê-la, para os Sakamaki. Só assim poderia pagar suas dividas de jogo. Aquela bêbada, prostituta e viciada...

A garota finalmente recuperou o fôlego, assim como recuperou sua postura. Se aproximou do vidro quebrado e pegou um pente para pentear-se. Chutou o banco para diante de sua penteadeira improvisada e começou a passar a escova em suas madeixas castanhas onduladas enquanto cantava uma velha canção particular...

"Moi, je m'appelle Mademoiselle Noir... Et comme vous pouvez le voir, je ne souris, ni ris, ni vis.. Et c'est tout ce qu'elle a dit..."

 

~ † * † ~

 


Notas Finais


EEspero que tenham gostado! ヽ(*・ω・)ノ ヽ(*・ω・)ノ Se curtiu a fanfic, favorite, compartilhe e deixe um comentário! Irei apreciar muito saber a opinião de vocês!
Me sigam! ヽ(>∀<☆)ノヽ(>∀<☆)ノ

Se gostou de "Eclipse", pode vir a se interessar por minhas outras fanfics também <3


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MEU DEUS. Isso sim é final épico.
Sei que o capítulo ficou um pouco curto, mas vou tentar postar amanhã, domingo ou segunda outro.


{Mademoiselle Noir – música cantada por ??? (desconhecida) – A-D-O-R-O essa música *^*}
https://www.youtube.com/watch?v=KeUhCu2BzxE


Pessoas usam máscaras o tempo todo para esconder suas verdadeiras personalidades. Mas as vezes acabamos por julgar as pessoas por elas. Eu cometi esse erro, e estou pagando por ele até hoje.
Pena que nenhum desses vampiros possam impedir o que está para acontecer. Nós temos coisas pendentes que precisam ser resolvidas, vadia.

Continua...

~Kissu, kissu,
-A


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