História Eclipse - Capítulo 9


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Categorias Diabolik Lovers
Personagens Ayato Sakamaki, Azusa Mukami, Beatrix, Carla Tsukinami, Christa, Cordelia, Kanato Sakamaki, Kou Mukami, Laito Sakamaki, Personagens Originais, Reiji Sakamaki, Richter, Ruki Mukami, Seiji Komori, Shin Tsukinami, Shu Sakamaki, Subaru Sakamaki, Tougo Sakamaki "Karlheinz", Yui Komori, Yuma Mukami
Tags Ação, Amnésia, Anjos, Aventura, Borboletas Azuis, Bruxas, Colegial, Comedia, Demonios, Desaparecimento, Desejos, Diabolik Lovers, Drama, Eclipse, Eclipse Lunar, Esquizofrenia, Fadas, Festa, Ficção, Kino, Lua, Luta, Magia, Maldições, Misticismo, Monstros, Mukami, Nakano Aya, Nakano Ayumi, Poesias, Revelaçoes, Romance, Rosas, Sadomasoquismo, Saga, Sakamaki, Segredos, Sobrenatural, Sol, Sombras, Suspense, Terror, Tsukinami, Vampiros
Visualizações 118
Palavras 7.218
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishoujo, Bishounen, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Fantasia, FemmeSlash, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Poesias, Policial, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hello, world!
(´ε` )♡ (´ε` )♡

MEU DEUS! Muito obrigada, de coração pelos 61 favoritos! :D Eu ainda não estou acreditando!
O capítulo hoje saiu bem longo e um pouco assustador. Boa leitura <3

Capítulo 9 - Someone is in the Bathroom


Fanfic / Fanfiction Eclipse - Capítulo 9 - Someone is in the Bathroom

❝Segredos de outras pessoas são como armas poderosas. Você pode tentar escondê-los também, mas sempre vem um momento no qual vai precisar deles.❞

-Sakamaki Reiji

 

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Someone is in the Bathroom

* Chapter IX *

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Sala de Aula 2-C, Ryoutei Academy
Pov's Nakano Aya
[18:48 P.M.]

 

– Kanai-sensei me odeia.

Levanto meu olhar e encontro Akemi debruçada sobre minha carteira. Arrumo minha mochila na lateral e me sento, apoiando minha cabeça sobre minha mão.

– Por que diz isto? Eu acho Kanai-sensei um ótimo professor pelo tempo que esteve aqui.

– Talvez com você. Mas comigo, a história a outra. - a garota bufa enquanto estende um papel para eu ver.

– O que é isso?

– É a escala de limpeza do segundo ano C. Fiquei responsável dos banheiros graças ao seu "ótimo professor".

Pego o papel é começo a avaliar os nomes dos alunos de minha turma e suas responsabilidades. Como costume, nas escolas japonesas são escalados um número de alunos para limparem as salas – de aula, de música, de ciências, de economia doméstica, etc –, o ginásio, a biblioteca, vestiários, banheiros e salas de clubes – sendo que na última, os próprios participantes devem limpar. Finalmente encontro meu nome escrito nas tabelas da limpeza da sala de aula 2-C e 1-D.

– Nós limpamos salas de aulas de outras turmas, Akemi?

– Huh-huh. Se bem que, pensando por este lado, eu não tenho do que reclamar... Arisu é a vice presidente do grêmio estudantil, por isto deve limpar a sala de aula dela, a sala de auditório, a secretária, a sala do grêmio estudantil, nossa sala de aula e a sala do clube do jornal da escola...

– Wow. Não é muita coisa?

– Nah, ela já está acostumada. Mas se fosse eu, teria dado um berro.

Nós duas rimos baixinho enquanto volto a analisar a ficha. Engasgo com minha própria saliva ao ver um nome bastante familiar designado a limpar a nossa sala de aula também.

– O que foi? - Akemi fica alerta. – Quem mais vai limpar o banheiro? Me diz que é a vadia da Ryamerisu-san, ela bem que tá merecendo uns socos...

– N-Não... É o...

A porta da sala de aula é aberta com brutalidade e todos se viram para ver Ayato entrar com má vontade e as mãos nos bolsos. Sua gravata cor vinho mal arrumada parece dar um destaque incomum a parte do seu peito branco a mostra pelos botões desfeitos. Seus cabelos ruivos avermelhados parecem seguir cada passo que dá, seus olhos verdes lembram um predador enquanto se aproxima de sua carteira.

– Me dá um minuto, Akemi?

A garota dá de ombros enquanto me levanto com a folha dos alunos escalados a limpeza e me aproximo de Ayato. O mesmo se joga de qualquer jeito em sua cadeira e apoia a cabeça sobre seu braço. Esboço um sorriso vitorioso ao encontrá-lo.

– Ah? Por que você tá sorrindo, panqueca? Por acaso é a minha presença? - ele esboça um sorriso arrogante. – Eu sei que ore-sama é o homem mais bonito do mundo.

– Pode até ser... - cantarolo as palavras enquanto dou uns pulos e me debruço sobre sua carteira do fundo da sala. – Mas eu espero que use luvas e mascara para não estragar esse visual de boy descolado.

– Hah? Do que panqueca tá falando?

– Da limpeza da escola, oras! - estendo o papel bem diante de seu rosto. – Vê? Sakamaki Ayato. Você vai limpar nossa sala de aula hoje junto comigo e mais três alunos.

– Impossível. - ele arregala os olhos verdes enquanto pega o papel bruscamente. – Ore-sama não se sujeita a limpar porra nenhuma!

– Ah, eu sei. Você queria me fazer de empregada para limpar o seu quarto, lembra?

– Isso foi uma desculpa para eu beber meu sangue quando você viesse de boa vontade, caindo como um peixe numa rede de pescar. - ele estrala a língua. – Tsk. Mas que merda é essa... Quem foi que colocou meu nome nessa porcaria, huh?!

– Kanai-sensei. E, a não ser que você queira problemas com a diretora, você vai limpar a sala de aula... - faço meu sorriso mais inocente possível. – Não é, Ayato-kun?

– Eu não vou limpar isto. Tenho atividade de clube hoje. - ele faz bico.

– Hoje é segunda! Ninguém faz atividade de clube às segundas! Ou seja...

– Hah. Tenta dizer isto para o treinador, panqueca. - Ayato dá um sorriso confiante. – Aposto quinhentos ienes que eu me safo dessa merda de limpeza.

– Hmmm... - coloco o dedo sobre meu queixo, pensativa. – Quinhentos ienes é muito pouco. No mínimo, setecentos. E, se você conseguir se safar, eu deixo você beber o meu sangue quanto quiser, na hora que eu quiser. Claro, eu não devo morrer de hemorragia, né.

– E o que você ganha se eu perder, coisa que não vai acontecer?

– ... Você vai fazer o seu dever de casa por uma semana e estudar, no mínimo, em três matérias diferentes.

– Hah? E com o que isso tudo favorece panqueca? - ele pergunta, confuso.

– Bom, se você estudar só por cinco minutos, vai enlouquecer e gritar com o Reiji. Se você gritar com o Reiji, o Reiji vai te matar. E então, estarei livre do ore-sama! Plano perfeito, não?

– ... - ele me encara como se eu fosse uma retardada. – Isso nunca vai acontecer, panqueca.

– Apostado? - arqueio uma sobrancelha e estendo a mão sorridente.

Ayato fica mais alguns minutos me encarando até finalmente voltar esboçar um sorriso arrogante e estender a mão.

– Apostado. Você vai perder, se prepare, panqueca.

Trocamos um aperto rápido e ele apoia suas pernas em sua carteira castanha. Eu aproveito e me sento em cima da mesma.

– Ótimo. Não cante sua vitória antes da hora, Ayato. Que eu saiba, ninguém nunca ganhou uma aposta de mim.

– E como você sabe, hm? - ele arqueia a sobrancelha, até que, lentamente, sua expressão fica um pouco séria. – Você... Se lembrou de algo?

– Nop. Mas... Digamos que é a sorte particular das "filhas da igreja".

Começo a balançar as pernas ainda em cima da carteira do ruivo que continua a me encarar com um sorriso arrogante. Ficamos assim sem palavras, até uma pergunta surgir dentro da minha cabeça.

– Ayato... Posso te perguntar uma coisa?

– Hmmm... O que eu recebo em troca? - ele faz uma expressão maliciosa.

– Sério que você não pode responder nem uma pergunta sem pensar em beber meu sangue ou tirar proveito de mim? - suspiro. – Você e Laito são iguaizinhos.

– Tá bem. - ele revira os olhos. – Vamos. Pergunte de uma vez.

– ... Me prometa que será sincero. E que não vai me enganar.

– Hah? Está chamando ore-sama de mentiroso e trapaceiro?

– Não, mas se a carapuça caiu...

– Tsk. - ele estrala a língua. – Desembucha ou eu te ataco aqui e agora.

– Não se atreveria... - semicerro os olhos, encarando todos os outros alunos. – Faltam só cinco minutos para o inicio das aulas.

– Haaaaah. - ele suspira. – Quer apostar de novo, panqueca? Ou prefere perguntar logo antes que o meu bom humor desapareça?

– Tá, tá, tá. - faço uma pausa antes de continuar. – Ontem, na sala de jogos... Reiji disse algo sobre eu ter sido uma... Você sabe o quê. Aqui em Ryoutei Academy. Isso, muito antes de perder a memória. Vocês... Por acaso... Já me conheciam?

Ayato para de se balançar com a cadeira bruscamente, fazendo assim um estrondo terrível que se ouviu por toda sala de aula. Os alunos, um a um, se viraram para nós dois, procurando entender o que estava acontecendo. Um ponto de interrogação se forma em meu rosto.

– Aya... to. - pronuncio seu nome lentamente, tentando encontrar seus olhos verdes intensos por baixo da franja ruiva.

O ruivo se levanta bruscamente, arrastando a cadeira, atraindo ainda mais atenção para nós. Pisco algumas vezes. Quando ele finalmente me olha, seus olhos estão sombrios.

– Aquele quatro olhos diz muita besteira, panqueca. Ele só estava irritado com você ontem. Não acredite em todos os nomes que as pessoas te xingam.

– Mas...

– Tô de saída. - ele diz enquanto começa a andar em direção da porta. – Volto quando tiver a resposta do treinador de basquete. Já vá se preparando, panqueca. A aposta já está ganha por mim.

– Ehh? Mas a aula vai começar daqui há alguns segundos...

– Não é óbvio? Vou faltar.

– Você não pode fazer isto. - arregalo os olhos. – Kanai-sensei vai ficar uma fera... Assim como a diretora. Vai atrair problemas para você, Ayato. Nem ao menos você se preocupa em fazer sua lição de casa... Não sei como planeja passar de ano.

Ayato para bruscamente e me olha no canto dos olhos.

– Se importa?

A pergunta fica no ar enquanto ele saí pela porta. Eu fico ali, sentada sobre sua carteira, procurando entender o que tinha acabado de acontecer. Besteira? Não... Aquilo não era besteira. Eu pude ver nos olhos de Reiji. Ele... Ele não estava mentindo.

Reiji nunca xinga em vão.

A porta só volta a se abrir após o toque de inicio das aulas, revelando assim Kanai-sensei com seu jaleco branco de professor e seu eterno par de óculos que consegue, com precisão, fazer a luz refletir sobre si e esconder de certa forma seus olhos castanhos.

– Boa noite, turma. Sentem-se e abram seus manuais de geografia na página vinte e cinco.

Acabo suspirando e levantando-me da carteira de Ayato, indo em direção à minha que fica exatamente ao lado da janela. Tomo lugar, assim como os outros alunos. Mina sorri para mim enquanto faz o mesmo e abre seu manual de geografia na página pedida pelo professor. Eu retribuo o sorriso e pego também o meu próprio manual. Sua capa com uma ilustração do mapa mundial reflete sob a luz da sala de aula. Quando o abro, porém, uma pequena folha de papel dobrada caí sobre minha carteira. No exato momento, meu coração acelera.

Não é possível. Eu estive atenta durante todo os momentos em que minha mochila esteve sobre a minha carteira. Ninguém mexeu, ninguém tocou. Isso... Já está começando a me perturbar de uma forma... Assustadora.

Com dedos trêmulos, abro o pequeno bilhete. A impecável letra novamente é encontrada. A letra principal e assustadora novamente está escrita em vermelho sangue, assinada na parte inferior do papel.

 

"Garotos são difíceis de se lidar. Pensei que já soubesse disto, "panqueca".

Lembra do aluno transferido dos Estados Unidos do terceiro ano da primária? Eu lembro.

 

E, cá entre nós, eu prefiro muito mais o apelido que te dei: vadia.

Você não?"

-A

 

De repente, uma forte dor de cabeça se alastrou em mim. Devo ter gemido um pouco alto porque Kanai-sensei se vira para mim com o cenho franzido.

– Nakano-san? Está tudo bem?

Todo mundo se vira para mim. Mina coloca sua mão sobre meu ombro enquanto eu coloco as minhas sobre minha cabeça. Rapidamente, amaço o bilhete para que ninguém mais veja.

– E-Eu... Estou com muita dor de cabeça, professor. - sussurro sofrida.

– Hmmm... Sei. Deve ser alguma desculpa para faltar aula, Kanai-sensei. - uma garota da primeira fila murmura em voz alta para o professor.

– Típico. - um rapaz revira os olhos.

– N-Não... Realmente... Está d-doendo muito...

– Professor, é melhor eu levar Aya para a enfermaria. - Mina se oferece. – Ela está ficando pálida.

Kanai-sensei se aproxima de mim e põe sua mão quente sobre minhas costas.

– Não está mentindo, não é, Aya?

Nego com a cabeça e posso ver sua expressão preocupada comido.

– Também me ofereço para ajudá-la, professor. - posso ouvir a voz de Akemi do outro lado da sala.

– Não, Kurihara-san é a representante de turma, ela pode conduzir Nakano-san para a enfermaria. - ele se vira para Mina. – Pode fazer este favor por mim, por favor, representante?

– Claro, professor. - ela sorri. – Venha, Aya, eu te ajudo.

Mina coloca seu braço envolta das minhas costas e me ajuda a levantar da minha carteira. Meus passos são pesados e tudo em mim dói. É como se, de repente, uma pequena chave tivesse rodado em uma parte trancada de minha mente. Ainda com as mãos sobre minha cabeça e com a cortina castanha que meu cabelo se tornou sobre meu rosto, saio da sala de aula.

– É por aqui. - ela me conduziu para as escadas. – Cuidado com os degraus... Pronto, já estamos no corredor do primeiro ano. Agora é só vir por aqui e chegamos...

Tento me fazer presente, tento me manter acordada, mas é muito esforço. Aos poucos, perco o controle de minhas pernas, o controle de meu corpo. Tudo escurece e posso ouvir um grito apavorado de Mina antes de uma pontada suprema e final – a pior de todas até o momento – de dor de cabeça termine tudo.

É então que, diante das trevas, uma pequena luz surge...

E um vislumbre de meu passado aparece.

 

~ † * † ~

20 de maio, 9 anos atrás.

 

– Por favor, crianças, não se esqueçam que, caso não venham a se lembrar de alguma fala da peça, é só se virarem para eu ou a professora de estudos sociais do quinto ano, tudo bem?

Todos nós concordamos com as cabeças enquanto a professora dava os últimos ajustes na fantasia de uma garota ruiva. Me virei de costas para todos os meus colegas da minha turma, sendo esta na época o terceiro ano do ensino primário, e comecei a arrumar a fantasia que usava para o festival de cultura da nossa escola. Nossa turma ficou encarregada de fazer um teatro naquele ano, por isto, a peça escolhida tinha sido "Alice no País das Maravilhas". Infelizmente, não tinha sido tão sortuda a ponto de receber o papel principal, mas estava feliz com o meu. Iria interpretar a duquesa em meus plenos oito anos. Que criança não ficaria feliz?

Eu sorri para meu reflexo. De fato, minha aparência nunca foi uma das melhores. Eu sempre fui um pouco mais pálida do que as outras crianças, assim como meus olhos eram um pouco mais sem vida do que os da maioria. Não era por falta de felicidade, muito pelo contrário. Eu podia me considerar uma criança de oito anos bastante feliz e contente com minha vida: tinha dois pais amorosos, três irmãos fantástico e uma enorme mansão a minha disposição – com direito a piscina e tudo.

– Ah, Nakano Aya-san, está pronta? - uma professora perguntou enquanto se aproximava de mim. – Nossa. Você ficou muito bonita neste figurino. Sabe suas falas de cor?

– Huh-huh. - sorri, animadíssima. Estava me preparando para aquela peça havia um mês. – Obrigada.

Minha voz infantil saiu carregada de amor e doçura. A professora sorriu enquanto colocou uma mexa do meu cabelo castanho atrás da minha orelha.

– Ótimo. - ela murmurou. – Vamos subir no palco em dez minutos. Fique perto dos seus colegas e não se perca, ok?

Confirmei com a cabeça e vi a professora se afastar, claramente já se preocupando com o figurino de outro aluno. Aquele era meu terceiro ano na Escola Primária Particular Gurinami. Meus pais tinham me inscrevido nela quando ainda tinha seis anos, assim como todos os meus irmãos. Minha irmã com cinco anos mais velha já se encontra no Ensino Médio do Japão, em outra escola particular. Apenas mais alguns anos e completaria dezesseis, logo, seria encaminhada para uma escola de ensino secundário, onde ficaria até se formar com dezoito. E eu, claramente, estaria ao seu lado, apoiando-a, assim como papai me ensinara que devia fazer com meus irmãos.

– Aí, cuidado! - reclamei ao ser empurrada contra o chão.

O garoto que tinha feito aquilo era Noah Campbell, um recém transferido dos Estados Unidos para cá. Parecia que seu pai era um famoso cantor de sucesso e sua mãe decidira tentar a sorte no nosso país. Seu cabelo era loiro, diferente de muitas crianças presentes, assim como seus olhos eram de um negro assustador. Mas estas não eram as únicas características que se destacavam em si. Noah sempre tirava péssimas notas e era levado a diretoria com frequência pelo seu mal comportamento. A verdade era que ele era um mimado, cuja seus pais nunca tiveram a ousadia necessária para educá-lo apropriadamente. Acabou que essa falha deles prejudicava e muito o desempenho do garoto em diversas áreas da vida.

– Hah, preste atenção onde anda, pirralha. - ele murmurou.

Era um ano mais velho que eu, repetente de um ano por te mordido um professor quando tinha sete.

– Não me chame de pirralha. - franzi o cenho enquanto me levantava com cuidado.

– Então a pirralhinha cabelo de palha e olhos de grama seca quer encarar? Vai procurar um médico, garota. Você parece ser uma morta-viva. Vai assustar todos os pais de alunos que assistirem a esta porcaria de peça.

Noah estava vestido de Rei de Copas, obviamente, o papel lhe caía bem. Pena que a Rainha de Copas já tinha sido designada como uma garota da nossa turma, ou então, todos os holofotes se voltariam naquele dia para si.

Meus olhos marejaram. Não estava acostumada a receber aquele tipo de critica. Meu pai sempre me dizia que meu cabelo era lindo como os troncos das arvores e meus olhos lembravam suas folhas prontas para a vinda do outono, enquanto minha pele era igual a da Branca de Neve, a bela princesa que acabou sendo vítima do ódio da madrasta e salva por um beijo de amor verdadeiro de um príncipe encantado. Isto sem incluir os sete anões e a maçã envenenada. Sempre que podia, pedia para os empregados passarem de novo o CD Blu-ray da Disney.

– Oh... A pirralha vai chorar? Coitadinha...

– Pelo menos eu tenho sentimentos. - retruquei, já com o rosto coberto de lágrimas. – Você é um grosso!

– Talvez você tenha razão. - ele fechou a cara. – Olha só o que esse grosso vai fazer com o seu vestido.

Antes que eu tivesse chances de correr, Noah já tinha pegado a barra do meu vestido e rasgado ele no meio. Arregalei meus olhos, assustada, e comecei a gritar. Ninguém nunca tinha sido tão violento assim comigo durante todos os meus oito anos de vida.

Não demorou muito e, ouvindo meus gritos, as professoras vieram correndo. Noah apenas levou uma advertência e foi, novamente, ao encontro do diretor – mas isto só após a peça.

Já a Duquesa não teve um final feliz. O vestido, muito pouco. Acabou que eu fiquei durante toda a peça chorando nos bastidores, sozinha.

Assim como durante a semana inteira.

 

~ † * † ~


Enfermaria, Ryoutei Academy
[19:40 P.M.]

 

– Ela vai ficar bem, Reinhart-sensei? - uma voz feminina perguntou.

– Não creio que tenha algo de errado com Nakano-san. - uma voz firme, porém calma e amigável se pronunciou. – Claro, ela deve acordar primeiro antes de tirarmos estas conclusões. Caso ela vá se queixar muito, devemos encaminha-la para o hospital mais próximo.

– Ah, muito obrigada, Sakamaki-kun. Se não fosse por você... Eu teria desmaiado junto com Aya pelo susto.

– Por falar em você, Sakamaki-kun, percebi que Aya está anêmica. Saberia me dizer o porque?

Sakamaki, Sakamaki, Sakamaki. O nome martela em minha cabeça enquanto minha consciência volta aos poucos. Não sinto mais dor de cabeça, porém me dói o coração em ter que me separar de uma lembrança.

Eu me lembrei sobre minha família. Dois pais, três irmãos. Seus rostos ainda continuam um mistério, mas não tanto quanto a versão que minha tia Mahina me deu. Será que... Ela se aproveitou de minha condição e implantou mentiras em mim? Uma vida pintada ao contrário... Mas então, porque ninguém veio me buscar no hospital, menos ela? Porque ninguém sentiu minha falta? Porque... Porque...

– Hmmm... - gemo baixo, um protesto contra o abandono da memória. Infelizmente, ela já se foi tão rápido quanto veio. 

– Oh, Nakano-san, acordou?

Abro os olhos e algumas silhuetas embaçadas surgem diante de mim. Capto algumas coisas: um par de óculos, um jaleco branco, uma cabelereira preta e olhos vermelhos. Fecho os meus com força e quando os abro novamente, a neblina se dissipa e os rostos se formam com mais clareza.

– Está sentindo alguma coisa, Aya?

Reinhart-sensei, o médico escolar, se encontra inclinado diante de mim, com a mão fria sobre meu rosto. Seus cabelos loiros caem pelo seu jaleco branco e seus olhos alaranjados brilham por trás dos óculos. Ao seu lado, Mina, a representante de turma da minha sala e uma das minhas novas amigas aqui em Ryoutei Academy, segura minha mão com delicadeza, como se fosse uma boneca que a qualquer momento pudesse quebrar. Por partes, realmente sou.

– O-Onde estou? - minha voz saiu rouca.

– Na enfermaria. - o médico tira do bolso do jaleco uma pequena luz que acende sobre meus olhos. Os semicerro, despreparada para um exame médico.

– O que aconteceu?

– Você desmaiou. - desta vez foi Mina quem explica. – Lembra? Você... Estava com uma dor terrível de cabeça no inicio das aulas. Então Kanai-sensei permitiu que eu te conduzisse para cá... Porém você desmaiou no meio do caminho. - ela sorri. – Sorte sua que seu primo estava passando por perto. Sakamaki Subaru-kun te carregou até aqui.

Pisco algumas vezes para os dois rostos pálidos e então me toco de uma terceira pessoa presente na sala de aula. Subaru, o mais pálido entre todos – claro, estamos nos referindo a um vampiro, oras –, se encontra encostado em uma das paredes brancas da enfermaria, com seu cabelo esbranquiçado caindo sobre o olho direito vermelho, ocultando-o. O outro, no mesmo tom, me encara fixamente.

– Está sentindo alguma dor? - Reinhart-sensei pergunta enquanto me ajuda a sentar na cama.

– B-Bem... Acho que agora já estou... - antes de poder terminar a frase, uma pontada violenta surge em minha cabeça. Gemo de dor. – A dor voltou.

– Onde?

– Na cabeça.... - toco a mesma, fazendo com que alguns fios castanhos caíssem na lateral do meu corpo. É então que eu me toco que estou sem o colete, o blazer, os laços e os sapatos do uniforme. – Onde estão minhas coisas?

– Eu as guardei sobre aquela cadeira ali. - Mina aponta para uma das cadeiras de metal ao lado da mesa, onde todos os meus pertences se encontram organizados.

– Obrigada. - sorrio. – Quanto tempo estive desacordada?

– Mais de meia hora. - o médico responde enquanto abre um armário de vidro repleto de frascos. – Irei lhe dar um analgésico. Prefere chá de limão ou menta?

– Tem de outra coisa mais doce não? - faço uma careta. – Detesto coisas azedas.

– Hmmm... Eu tinha chá de morango também... Ah, Naomi-sensei levou a caixinha. Se importa de esperar um pouco? Preciso mesmo ter uma palavrinha com ela sobre os "empréstimos" nunca devolvidos. Kurihara-san. - ele se vira para Mina. – Já pode voltar para sua sala de aula e explicar a situação ao professor. Creio que Nakano-san agora só precisa de alguns exames médicos práticos e descanso. Não devo demorar muito para enviar uma justificação das aulas perdidas.

– Você vai ficar bem? - a garota se vira para mim e aperta minha mão. – Eu realmente fiquei com medo... Você desmaiou tão bruscamente que poderia ter batido a cabeça muito forte.

– Eu bati sim, mas prometo que já estou melhor. - sorrio novamente. – Pode ir. Aproveita e anota as aulas para eu não me perder quando as provas vierem. Tenho certeza que antes mesmo da limpeza da escola eu já estarei de volta.

Mina me encara um pouco antes de suspirar e se juntar a Reinhart-sensei para sair da enfermaria. Antes, porém, ela se vira para Subaru.

– Sakamaki-kun, poderia, por favor, cuidar de Aya até Reinhart-sensei voltar? Como representante de turma, eu tenho que me assegurar da segurança de todos os alunos da minha turma.

– Hah? - ele franze o cenho. – Por que eu?

– Hmm? Eu pensei que tudo bem já que fossem primos.

– Tenho certeza que Sakamaki-kun não vai se importar de esperar mais um pouco, se isso te tranquiliza, Kurihara-san. - o médico escolar sorri. – Ele não teria ficado aqui até agora se não estivesse preocupado com a prima.

– Ehh?! Eu não estou preocupado com ninguém!

– Mas você não iria fazer uma desfeita dessas diante de um pedido tão educado de uma garota esforçada como Kurihara Mina-san, certo, Sakamaki-kun? - ele põe uma mão sobre o ombro de Mina. – Prometo que não demoro.

Nem Subaru e muito menos eu temos tempo de contestar. Antes de ser possível, Reinhart já saiu junto com Mina da enfermaria.

O albino bufa e pragueja enquanto empurra uma cadeira de rodinhas com o pé, fazendo-a assim chegar ao outro lado da sala. Eu engulo seco e aproximo meus joelhos do meu peito. Se Mina quisesse, realmente, manter-me em segurança, era melhor eu ficar sozinha do que com ele. Mas todos pensam que somos primos, então para eles não deve ser nada demais. Oh, se todos soubessem que os famosos "Príncipes Sakamaki" são, na verdade, seis vampiros sanguinários... Iriam repensar tudo o que conheciam até o atual momento.

– Ehhh... Obrigada. Por ter me carregado até aqui. - digo, sorrindo. – Sei que deve ter sido um peso enorme para você, já que se trata de mim.

– ... Não precisa me agradecer.

– Claro que sim. Você não sabe como minha cabeça estava doendo naquela hora... Eu, literalmente, desabei no chão. Não sei o que teria acontecido de mim se você não tivesse me ajudado.

– ... Humph. - ele desvia o olhar. – Não foi nada. Eu só estava passando por ali e então aquela garota me viu. Ela foi correndo me pedir ajuda. Se não fosse pela insistência dela, eu não teria te ajudado.

– Mas... Se é assim, por que Reinhart-sensei disse aquilo?

– Ah, aquele médico velho deve ter batido a cabeça! - Subaru rosna. – Eu nunca me preocuparia com você. Por mim, pode morrer.

Abaixo o olhar e aperto o lençol branco da cama hospitalar. Noah Campbell... Minhas memórias estão voltando. Eu deveria ficar feliz por isto, mas então eu me lembro das mensagens... Tem alguém que conhece mais sobre mim mesma do que eu. E é esta pessoa que eu devo recorrer... Tirando os Sakamaki, é claro. A reação de Ayato à minha pergunta não saí de minha cabeça.

– ... O que foi?

– Hm?

– Você se retraiu de repente. - ele murmura me encarando.

– Ah, e-eu estou só com dor mesmo. Não se preocupe. Se não quiser ficar aqui, pode ir, Subaru.

O albino me encara enquanto eu volto a me deitar na cama e encaro o teto. Ouço sons de passos e uma cadeira se arrastando. Levanto a cabeça só para ver Subaru se sentando na frente da escrivaninha de Reinhart-sensei e cruzando os braços.

– ... Eu faço o que eu quiser. - ele diz quando percebe que estou o encarando. – Não é uma garotinha estúpida e sem graça como você quem vai me dar ordens.

– Eu não estou te dando ordens...

– Cale a boca. - ele diz agressivamente.

Eu apenas obedeço e apoio minha cabeça no travesseiro. Fecho os olhos, mas o sono não existe. Fico assim, fingindo que estou dormindo, só para o tempo passar mais rápido. A cadeira novamente se arrasta e ouço passos se aproximando. Sinto que alguém está me encarando e ouço um suspiro vindo da parte de Subaru. Por fim, os últimos sons que ele faz é do abrir e fechar da porta.

 

~ † * † ~


Corredores 2.º ano, Ryoutei Academy
[20:35 P.M.]

 

– Aya-chan! - alguém chamou por mim. – Ouvi dizer que se sentiu mal! O que aconteceu?

Me viro exatamente para encontrar Arisu se aproximando apressada de mim. Seu cabelo azulado em suas duas marias-chiquinhas repete os mesmos movimentos que seu corpo faz. Ela sorri quando finalmente me alcança.

– Oi. - retribuo o sorriso. – Sim, foi só um mal estar rápido. Como você está?

– Ah, uma bagunça interior! Tenho que terminar de editar uma matéria do jornal da escola para publicar ainda quarta e um monte de coisas para limpar após as aulas. - ela envolve seu braço direito no meu esquerdo. – Você não tem noção do que é ser vice presidente do grêmio estudantil. Cruz credo.

– Isso me faz perguntar... Quem é o presidente do grêmio?

– Hmm? Pensei que já soubesse, como se trata de um de seus primos. Sakamaki Reiji-kun.

Fico boquiaberta com a revelação. De todas as pessoas que eu esperava, realmente não pensava em Reiji. Sim, tudo bem que ele é incrível em tudo que faz, cozinha excelente e tem notas exemplares. Inclusive, ele esta na turma A do terceiro ano. Seria de se esperar, mas eu não esperava, juro.

– Estou surpresa. - confesso. – Não sabia que Reiji "liderava" a escola.

– Ah, mas ele é muito bom nisto. Sério mesmo! - ela sorri. – Bom, é o esperado de Reiji-kun. Por pouco que não ficamos em salas iguais. Meu teste de diagnóstico no inicio do ano me deixou na B, com a avaliação de 90,49.

– Por falar nisto, quais são as pontuações necessárias para entrar nas turmas?

– Bom... - ela começa. – Para a turma A, é preciso ter, no mínimo, 93,00. Para entrar na turma B, 85,00. Para entrar na turma C que é a sua, 75,00. Para entrar na D, 65,00. Na E é preciso 59,00 e na F, 50,00.

– Então, quem tem abaixo de 50,00...

– Não é aceito em Ryoutei Academy. Por ser uma escola extremamente rígida e prestigiada, é preciso uma boa pontuação, mesmo que 50,00 não seja uma das melhores. Também se consegue através de ótimos contatos uma vaga aqui. Você, por exemplo, só foi aceita no meio do primeiro período por causa dos "Príncipes Sakamaki".

– ... Poderia, por favor, parar de chamá-los assim? - franzo o cenho. – Mano, isso tá começando a me irritar.

– Ah, mas é a mais pura verdade! - ela dá alguns pulinhos. – Eles são L-I-N-D-O-S! E Akemi-chan concorda.

Ambas rimos da cara uma da outra.

– Nós, garotas, somos muito irritantes e insistentes. - reviro os olhos. – Eles dizem que não me suportam.

– Na verdade, eu fiquei bem confusa quando te vi pela primeira vez.

Fico alerta. Me viro para Arisu que continua sorrindo e olhando para frente.

– O q-quer dizer com isso, A-Arisu?

– Bem... Você não é o tipo de garota que costuma andar com os Sakamaki. Eles são bem seletivos quanto a esse assunto. Normalmente, só as mais populares conseguem tal proeza. E as mais bonitas também.

Suspiro, um pouco desapontada com a resposta. Não pelos garotos. Por um instante, pensei que...

– Ah, me lembrei que preciso ir! Aya, mil perdões, mas tenho que falar com o diretor sobre o desentendimento do clube de inglês com o clube de teatro. Parece que vai dar um babado incrível e eu preciso estar a par de todos os detalhes! Kissu, kissu!

Sigo com o olhar, surpresa, Arisu desaparecer tão rápido quanto surgiu. Rio para mim mesma e olho para um dos relógios de parede do corredor. Ainda tenho alguns bons minutos até a próxima aula, irei aproveitar para explorar os arredores da escola.

E é aí que você pergunta: Mas e seus planos de fugir?

Bom, eles vão ter que ficar para outra hora.

 

~ † * † ~


Sala de Música, Ryoutei Academy
[20:40 P.M.]

 

– Com licença...

Como o esperado, não tem absolutamente ninguém aqui. A sala de música é pintada em tons castanhos e brancos, mas o chão permanece de madeira, possuindo duas enormes janelas com vista para o pátio da escola. Muitas carteiras duplas são distribuídas uniforme pela sala, enquanto um enorme quadro negro é encontrado diante delas. Posso contar inúmeros instrumentos musicais – desde um enorme piano preto até violinos e guitarras.

Ando pela sala, procurando por algo interessante, mas está escuro o suficiente para eu não ver nada. Até que, de repente, uma nota de piano se ouve.

Tudo tranquilo, um piano tocando em uma sala vazia...

Outra nota.

... Espera um pouco. A SALA ESTÁ VAZIA E O PIANO TÁ AMALDIÇOADO?!?!

Respiro fundo, aliviada ao perceber que, de fato, alguém estava o tempo todo aqui, só eu que tinha sido ignorante ao ponto de chegar a esta conclusão com as luzes apagadas. Me aproximo da pessoa e fico surpresa com quem encontro.

– ... Hmm...

Subaru se encontra debruçado no piano, com a cabeça apoiada entre seus braços e os olhos fechados. Sua franja esbranquiçada caí pelo seu rosto perfeito como o enfeite ideal para uma bela paisagem.

... Pera. Que merda eu estou pensando?

Esboço um pequeno sorriso enquanto me inclino para ter uma visão melhor. Eu já tinha pensando nisto antes, mas quando Subaru está adormecido, ele não dá mais tanto medo assim. Inclusive, como Arisu tinha comentado antes e assim como todos os seus irmãos, ele é muito bonito. É claro que garotas como a vice presidente do grêmio estudantil ou Akemi o considerariam como uma "beldade". Alias, ele é um vampiro. Sua aparência deve ter certa ligação com isto, não é? Até hoje não vi vampiros feios... Na verdade, até hoje não conheci outros vampiros que não sejam os Sakamaki – Graças a Deus! Obrigada, Pai! ALELUIA!

... Se ele tivesse uma atitude um pouco mais gentil e amável, poderia facilmente conversar com os outros sem assustar tanto.

– ... Ugh.

Espera um pouco... Ele franziu o cenho? Por tudo que é mais sagrado, não me diga que ele vai acordar aqui e agora, comigo dando uma de stalker!! Se ele o fizer... Vai voltar a ser o Subaru assustador , certo?!

– Hmm... - ele se mexe um pouco.

E-Eu não estou preparada o suficiente para o que está por vir! PELO AMOR DE DEUS, NÃO ACORDAAAA!!!

Em um ato de desespero, começo a gaguejar e retomo minha postura bruscamente, me fazendo assim bater contra algumas folhas de partitura. Elas se misturam entre si no ar e acabam caindo no chão, em uma repleta bagunça. Desesperada, me abaixo e começo a arrumá-las o mais rápido possível. Mas um som de uma tecla profunda e grave do piano me faz estremecer.

– ... Você.

Me viro lentamente, dando de cara com ele me encarando, ainda debruçado sobre as teclas.

– S-Subaru! - esboço meu sorriso mais idiota possível. – V-Você acordou?

– O que demônios você está fazendo aqui? - ele sussurra perigosamente, enfatizando cada palavra em um ritmo lento.

– E-E-E-Eu... B-Bem... Estava passando e... Acabei que entrei na sala de música... Desculpe por atrapalhar seu sono, já estou de saída!

Me levanto rapidamente e arrumo as partituras novamente sobre o piano. Me viro de costas e começo a andar, quase correndo.

– Não ouse se mexer.

Congelo. Literalmente. Já teve impressão de que fez a pior cagada na sua vida? Bom, estou tendo ela agora. Anotado: nunca acorde um vampiro que sempre está de mal humor em uma sala vazia e a prova de som. Principalmente quando ele pode te quebrar no meio – e quando ele tem a vontade de o fazer, claro – em menos de um segundo. Por que eu sou tão burra e idiota?!?!

Me viro lentamente, pela segunda vez no dia. Subaru se levanta do piano e se aproxima de mim, mais lento ainda. Engulo seco enquanto tento o encarar nos olhos, mas não paço do queixo. Meu Deus, como esses vampiros conseguem me intimidar tanto assim?

– Você me acordou. Sabe que merda isso significa? Um grave erro. - ele se inclina na minha frente, ficando a poucos centímetros diante de mim, igual naquele episódio da igreja. Sinto sua respiração bater em minhas bochechas. – O quão idiota você pode ser para o cometer, huh?

– E-Eu...

– Cale a boca.

Okay, mensagem captada. Fecho a boca mais rápido do que a abri.

– Me explica, como que uma garota como você chegou a esse ponto? Amnésia... Noiva de sacrifício... Não ficaria surpreso se, no final das contas, você fosse um cachorro que tomou a o corpo de uma garota tão feia quanto Nakano Aya.

Ei... Não sou tão feia assim. Faço beicinho e parece que o vampiro é capaz de "ler" minha mente através dos meus olhos.

– Ah, mas você é sim. - ele fecha a cara de novo. – Tão feia que eu poderia facilmente envolver minhas mãos na sua garganta... E apertá-la assim...

Antes que pudesse gritar, suas mãos gélidas e fortes envolvem minha garganta, apertando de leve. Sinto o ar começar a desaparecer aos poucos e arregalo meus olhos. Subaru não está me machucando, mas está me assustando.

– ... Até se partir no meio...

– ... P-Por favor, pare... - peço, encarando seus olhos vermelhos. – E-Eu...

– Você está com medo? Oras... Mas eu ainda nem estou te machucando de verdade.

De repente, meu corpo começa a tremer e tenho algumas imagens passando de raspão diante de meus olhos. Eu, no chão, em cima da cintura de uma garota, apertando sua garganta com toda a minha força. Não consigo ver o rosto dela, mas sei que ela está se debatendo, tentando se livrar de minhas mãos. Não devo ter mais de nove anos.

Subaru arregala os olhos, como se tivesse visto o mesmo que eu. Já os meus, marejam. As imagens desaparecem mais rápido do que vieram.

– ... Você... - ele franze o cenho, ainda pasmo.

 

– Nakano Aya, paciente n.º 18993, esquizofrenia paranoide. Seu quarto é o 112, segundo andar da clínica. O que pensa que está fazendo aqui nessa hora da noite, huh?

 

A voz da enfermeira daquela lembrança volta aos meus pensamentos. Não é possível... Será que...

 

– Se nós somos isso, pelo menos não somos uma garota mimada que a vida inteira teve tudo o que quis, quando quis, e que era a pior vadia de Ryoutei Academy!

– Vadia... Vadia... VADIA!

– Se importa?

– Esquizofrenia paranoide. Tem cura, mas requer uma série de tratamentos.

– Você deseja?

– Aya! Aya, onde você está, minha querida?

– Na verdade, eu fiquei bem confusa quando te vi pela primeira vez.

– Socorro! Ela quer me matar! Papai, mamãe, Aya quer me matar!

 

Ficamos em silêncio, enquanto outras vozes inundam minha mente. Até eu deixar uma lágrima escorrer pelo meu rosto e escapar o mais rápido possível das mãos frias de Subaru. Saí disparada pelo corredor, o toque de inicio de aula se ouvindo pela escola.

E, de repente, eu me senti exatamente como Reiji havia me chamado.

Uma vadia.

 

~ † * † ~


Sala de Aula 2-C, Ryoutei Academy
[02:29 A.M.]

 

– Argh, que maldição. - Ayato bufa.

– Eu disse que ia ganhar a aposta. - sorrio.

Começamos a limpar a sala de aula da nossa turma. Começo por passar um spray pelas janelas para deixá-las brilhantes. Ayato ficou encarregado de varrer a sala. Ele pega a vassoura e fica encarando-a com uma careta no rosto.

– O que foi? Não vai me dizer que não sabe varrer, "Ayato-sama"?

– É claro que sei. - ele infla as bochechas. – Ore-sama sabe tudo!

Reviro os olhos enquanto termino de limpar minha parte. Ao me virar novamente para o ruivo, ele não varreu nem um terço da sala. Suspiro enquanto pego o cabo da vassoura e faço uma demonstração.

– Vai. Se fizer direito, não vai ter que fazer pela segunda vez.

– Humph. Ore-sama não deveria fazer esse tipo de serviço.

– E não se esqueça de que agora terá que estudar três matérias diferentes, fazer o dever de casa por uma semana e me dar 700 ienes! - sorrio, animada. – Já fiz minha parte. Estou de saída.

– HAH?! E deixar ore-sama aqui, sozinho?!

– Huh-huh! Depois é só fazer o mesmo com a esfregona, Ayato! Kissu, kissu! - imito Arisu enquanto saio pela porta.

Ainda tenho que limpar a sala de aula do primeiro ano D, mas antes irei passar no banheiro para ver como Akemi está. Prometi a ela que a ia esperar para ajudar nem que fosse um pouquinho.

Abro a porta do mesmo, revelando assim um local de azulejos brancos, várias pias uniformes e cabines de toaletes.

– Akemi? - pergunto enquanto avanço.

Não encontro absolutamente nada, nem ninguém. Muito menos os materiais de limpeza. Dou de ombros e viro as costas, mas um som me faz parar. É algo semelhante e um titilar um pouco alto e metálico. Novamente me viro para o fim do enorme banheiro feminino.

– ... Olá? Akemi, você está aí?

O tintilar continua, vindo do fim da última cabine. Me aproximo, com passos lentos, a única coisa ouvindo sendo minha respiração. Finalmente, chego na frente da última cabine.

– ... Tem alguém aí?

Estendo a mão para a cabine que parece estar aberta, mas a porta da mesma se abre sozinha, lentamente. Meu coração acelera e, finalmente, vejo um caminho de algum tipo de líquido meloso e vermelho se estender pelo chão e subir até o vaso sanitário, onde uma folha de papel avisa na parede "Quebrado". Porém, alguém escreveu em cima com o mesmo líquido a palavra "Coração", formando assim a frase "Coração Quebrado".

Não... Isso não pode ser o que eu estou pensando ser... S-Sangue?

De repente, percebo que as paredes da cabine estão escritas com letras engarrafadas e assustadoras, no mesmo líquido.

 

ASSASSINA

FILHA DA PUTA

DESGRAÇADA

MONSTRO

DESTRUIDORA DE LARES

CUIDADO COM O QUE DESEJA

FEIA

VADIA

VADIA

VADIA

VADIA

VADIA

VADIA

VADIA

ME DEVOLVA O QUE ROUBOU, SUA LADRA MALDITA

NÃO SE ESQUEÇA DE QUE NÓS DUAS SÓ PODEMOS GUARDAR ESTE SEGREDO SE UMA DE NÓS ESTIVER MORTA.

 

 

-A

 

No mesmo segundo em que leio tudo isto, o vidro do banheiro se parte no meio, fazendo cacos se caírem no chão. Meu grito é automático e me protejo dos possíveis cortes com o coração a mil. Berro ainda mais alto quando a luz do banheiro falha e se apaga, voltando só a se acender após um minuto. Ouço uma risada vindo de algum lugar e não consigo mais segurar as lágrimas. Corro em direção a porta e grito, mas ela se encontra trancada. Bato nela, sentindo o medo esmagar meu ser.

– SOCORRO! SOCORRO! AKEMI! MINA! ARISU! SHUU! REIJI!AYATO, LAITO, KANATO, SUBARU! ALGUÉM! SOCORRO!!!

Novamente as luzes apagam e um grito que não foi meu se ouve. Mais risadas... Até que, finalmente, eu vejo alguém no fim do corredor, bem ao lado da cabine do banheiro. Se é menino ou menina, não sei. A pessoa usa uma roupa que cobre todas as partes de seu corpo preta, desde as luvas até a mascara facial. Eu realmente me pergunto como ela ou ele consegue ver algo. Mas, o mais assustador, é o que segura na mão: uma faca ensanguentada.

Vadia... - sua voz saiu rouca e forçada, irreconhecível. – Você vai pagar caro. O jogo... Só começou de verdade hoje.

A pessoa vem correndo em minha direção, estendendo a faca rumo ao meu peito, mas a porta do banheiro de repente se abre e eu caio de costas no chão frio do corredor. As luzes se apagam e a pessoa desaparece ao reacender delas.

Eu não perco mais tempo e saio correndo dali. Meu destino é indefinido. Eu não aguento mais, não aguento mais! CHEGA!

– ... O que...

Subaru começa a perguntar algo enquanto eu passo por ele, o rosto cheio de lágrima e pálido enquanto meu corpo inteiro permanece tremendo.

Tinha alguém... Alguém que queria me matar ali naquele banheiro. "A".

Só paro de correr quando chego no pátio da escola e isso porque tropecei em uma pedra. Caio direto de quatro no chão, chorando aterrorizada.

– Eu... Não aguento mais...

O medo está em minhas veias como eletricidade.

Levanto meu olhar rapidamente e me viro para a pedra onde caí. Uma folha de papel que não estava ali antes aguarda em silêncio, com uma rosa azul intensa sobre ela. Tenho medo, mas mesmo assim a pego e leio seu conteúdo.

 

Não desista. Você não está sozinha.
Seja forte. Seja uma Nakano.
Por toda nossa família.
Por nós duas.

 

~ † * † ~

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado! ヽ(*・ω・)ノ ヽ(*・ω・)ノ Se curtiu a fanfic, favorite, compartilhe e deixe um comentário! Irei apreciar muito saber a opinião de vocês!
Me sigam! ヽ(>∀<☆)ノヽ(>∀<☆)ノ

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– † – † – † – † – † – † – † – † – † –


Ainda tô com medo >.<
~Kisses ヽ(*・ω・)ノヽ(*・ω・)ノ


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