História Eclipse da Lua Azul - Adaptação Lutteo - Capítulo 2


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Categorias Sou Luna
Tags Lutteo, Soy Luna
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Palavras 2.052
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ação, Ficção, Luta, Magia, Sobrenatural
Avisos: Heterossexualidade, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Me desculpem por ter sumido! Espero que gostem!

Capítulo 2 - Rio de Janeiro, novo caminho.


Os primeiros raios do sol despontavam no horizonte e iluminavam o tapete de nuvens brancas que impediam Luna de ver a paisagem através da janela do avião. Ela apertou os olhinhos e enxugou as lágrimas com as costas das mãos. Luna esperava um dia voltar ao Brasil, só não imaginava que seria desse jeito. 

Dear, você está acordada? - perguntou o pai de Luna, levando o cabelo dela para trás.

- Hum, hum.

Luna encostou a testa na janela e fingiu estar sonolenta.

- Estamos sobrevoando o Rio de Janeiro - disse o pai, olhando por cima do ombro dela - É uma pena que as nuvens não nos deixem ver a beleza dessa cidade maravilhosa.

Luna se virou para o pai e apontou o mapa no visor da tela em frente ao assento.

- É aqui dad, que você vai me abandonar?

Por alguns segundos, em silêncio, o pai fitou a filha, como se aborrecido por voltar a falar no assunto.

- Esta é a Amazônia... - o pai pegou a mão de Luna e deslizou os dedinhos dela sob o visor - e nós estamos aqui.

- Pensei que eu fosse morar na Amazônia - Luna levantou o queixo e cruzou os braços. - Não foi lá que você conheceu os amigos de mom.

- Eles são mais do que amigos. Você pode chamá-los de tia Ana e tio Ricardo.

- Esses mesmos - Luna torceu o nariz e se ajeitou na poltrona, esticando várias vezes a ponta do seu vestido azul xadrez até os joelhos.

Dear, a amizade é um bem precioso. Sua mãe e Ana se amavam como irmãs - o pai pegou a mãozinha de Luna e, tamborilando os dedinhos dela no apoio de braço da poltrona, sorriu. - Mônica gostaria que você crescesse próxima a Ana e à filha dela, Nina. Quem sabe você e Nina também se tornam grandes amigas?

- Não preciso de amiga, preciso de você - respondeu Luna, sem olhar para ele.

- Você sempre viveu em um lar repleto de amor e não seria justo ser diferente a partir de agora. Sei que é difícil, mas entenderá quando crescer. - ele ajeitou a franja da filha.

- Pensei que sem a mom por perto, você não viajaria mais... - ela cravou os olhos cheios da água no pai, que endireitava os óculos e parecia se esforçar para continuar a conversa.

Dear, na minha profissão de arqueólogo, as viagens são necessárias. E você sabe que não posso levá-la comigo.

- Mas dad, já tenho 8 anos.

A voz da comissária de bordo anunciou que o avião passaria por uma forte turbulência. Pela janela, Luna olhou a nuvem cinzenta que cobria a visão. O sinal de apertar o cinto acendeu e o avião começou a balançar. Ela se virou e segurou a mão do pai.

- Não se preocupe - o pai levou a outra mão ao pingente pendurado no colar no seu pescoço.

Algum tempo depois, a turbulência parou. Aquele pingente deveria significar muito, pois o pai nunca o tirava do pescoço. Assim como as ausências constantes do pai, o pingente sempre fora um mistério para Luna. Quando o pai viajava a trabalho, a mãe dizia que ele procurava por algo muito importante. Mas o que poderia ser mais importante do que a família?

"E agora mom? O que vou fazer sem você?"

Luna ainda tinha a esperança de que seu pai mudasse de ideia.

- Você vai gostar de morar no Brasil, dear.

Ela desejou responder, mas calou-se. Suspirando, Luna soltou a mão do seu pai.

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Ao empinar  o corpo no banco de trás do carro, Luna observou pela janela que as casas e os prédios construídos entre as montanhas contornavam o mar. Rio de Janeiro, onde Mônica, a mãe de Luna, nascera.

- Então filha, o Rio não é mais lindo do que nas fotos?

- É, mas nunca vou poder fazer boneco de neve aqui - Luna respondeu, embora preferisse o verão.

O pai riu e balançou a cabeça.

Durante o caminho à beira da praia, eles passaram por um longo calçadão de pedras pretas e brancas desenhadas como se fossem ondas no mar. Nele, as pessoas transitavam a pé e de bicicleta.

Dear, esse é o famoso calçadão de Copacabana - o pai apontou para a praia.

- Hum, hum.

Seguiram por uma via, até encontrarem uma placa indicando o bairro São Conrado. Ao entrarem na rua de calçadas largas e arborizadas, ela notou que as casas eram separadas por muros e grades.

"Puxa! Que diferença da nossa casa em Londres". Pensou Luna, enquanto o pai estacionava em frente a uma casa branca de dois andares e janelas azuis.

Dear, chegamos.

O pai saiu do carro e abriu a porta traseira para pegar a mala de bolhinhas cor-de-rosa.

De mãos dadas, eles atravessaram o passeio. Próximo ao portão branco, Luna apertou a mão do pai e desacelerou os passos até parar.

Dear, o que foi?

Dad, estou com medo.

O pai colocou a mala no chão e agachou para segurar as mãos da filha.

- Você sempre foi uma menina corajosa.

Luna olhou para ele e fez beicinho.

Dear, não dificulte as coisas. Preciso que você me ajude. Sua mãe está no céu. Agora somos só você e eu - ele tocou a ponta do nariz da filha e sorriu. Então levantou, abriu o portão, pegou a mala e fez sinal para que Luna passasse.

Ela olhou para os lados onde rosas enfeitavam a cerca de madeira. Elas pareciam as flores violeta e pink do muro de sua antiga casa. Luna queria fugir, mas para onde? Não tinha escolha, a não ser acatar a decisão do pai. Ela fechou os olhinhos e, ao respirar profundamente, sentiu o cheiro das flores que lembrava o perfume usado por mom. Ao abrir os olhos, Luna resolveu atravessar o portão e parou ao lado do pai em frente à porta.

Dear, que tal você tocar a campainha? - ele mexeu as sobrancelhas, como sempre fazia quando queria alegrar a filha. 

Luna cedeu um sorriso forçado, ficou na ponta dos pés e apertou o botão abaixo da placa de azulejo de número vinte e dois. Eles aguardaram por uns instantes até que a porta se abriu e uma mulher de cabelos vermelhos médios os recebeu com um sorriso no lábios.

- Olá Miguel - a mulher deu um abraço nele e depois se abaixou em frente a Luna. - Sou tia Ana e você deve ser a pequena Luna.

- Pequena não - Luna se empinou.

- Você tem razão, já é uma mocinha.

Um homem alto de roupa branca e bigode engraçado aproximou-se por trás de tia Ana. Ao lado dela, sorriu e estendeu a mão para Luna.

- Olá querida, sou tio Ricardo.

- Hum... hum - Luna balançou a cabeça e tentou abrir um sorriso também. Até que eles pareciam legais.

- Há quanto tempo Miguel Valente - tio Ricardo fez sinal para que eles entrassem na casa - Sejam bem-vindos.

Tio Ricardo pegou a mala de bolinhas e levou-a para sala. O pai de Luna colocou a mão nas costas dela e a incentivou com um empurrãozinho. Luna travou os pezinhos no chão em uma última tentativa, sem sucesso.

- Querida. Venha conhecer Maiara - tia Ana estendeu a mão para Luna.

Luna não imaginou que as coisas mudariam tanto depois da morte da mãe. Agora ela seria obrigada a passar um tempo na casa daqueles tios, enquanto o pai retornava ao trabalho. Para Luna não parecia justo ficar sem a família.

- Vai filha.

Luna olhou para o pai e suspirou.

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Cabisbaixa, ela acompanhou tia Ana enquanto o pai e tio Ricardo sentavam no sofá. Elas passaram pela sala de jantar e Luna notou o cheiro adocicado que parecia vir da travessa de frutas sobre a mesa de vidro. Ao lado, em um móvel antigo, Luna observou as fotos da família expostas em porta-retratos. Ela parou em frente a um que chamou sua atenção. Nele uma menina de ongos cabelos castanhos fazia carinho em um golfinho.

- Essa foi a primeira viagem de Nina a Amazônia. Ela foi conhecer um projeto onde as comunidades locais protegem os últimos golfinhos, conhecidos como boto cor-de-rosa - tia Ana disse. - Sabia que Nina nasceu na Amazônia?

Luna fez que não enquanto passava os dedos pelas delicadas flores de biscuit que decoravam o porta- retratos. Legal! Nina também gostava de animais.

- E vocês moravam lá? 

- Não querida - tia Ana falou. - Um dia contarei a história de Nina.

- Ok - Luna se virou e a seguiu.

Tia Ana abriu a porta de vidro que dava para o quintal atrás da casa. Nele, uma menina de vestido floral molhava um canteiro de flores, segurando um regador amarelo.

- Filha! Venha conhecer sua nova amiga.

Nina sorriu, ao correr na direção delas.

- Hi!

- Oi. Você quer me ajudar a cuidar das plantas? - Nina perguntou e, sem esperar a resposta, foi até uam treliça ramada por pequenas flores brancas.

- Meninas! Vou até a cozinha verificar o almoço e já volto - tia Ana deu uma piscadela e saiu.

Luna olhou para os lados, sem saber o que fazer.

- Ei, venha molhar o jasmim estrela comigo - Nina indicou o outro regador, próximo a Luna. - O dia está quente e elas precisam de água.

- Nunca vi essa flor onde moro - Luna pegou o regador para molhar as flores. - Quer dizer, onde eu morava.

Nina deu um pulinho para trás e arregalou os olhinhos pretos.

- Então como são as flores de lá?

- Ah, elas são muito bonitas. Lá também existe uma flor em forma de estrela chamada Clematis.

- Clematis, que nome estranho...

- Elas têm várias cores... branco, lilás, rosa...

- Devem ser lindas! - Nina exclamou e abriu um sorriso no canto dos lábios. - Quero contar um segredo - cochichou no ouvido de Luna.

- Um segredo?

- Eu sabia que você chegaria antes da minha mãe me contar.

- Como?

- Às vezes, uma moça muito bonita aparece em meu sonho. Ela tem o cabelo longo e preto sempre enfeitado por uma pena branca. Foi ela que me contou que você chegaria e seria minha amiga.

- Incrível! - exclamou Luna.

- Você não vai rir de mim?

- Por que eu faria isso?

- Minhas amigas da escola riem quando conto para elas sobre os meus sonhos.

Luna colocou o regador no chão e cruzou os braços.

- Então elas não são suas amigas.

- Não?

- Claro que não. Amiga de verdade nunca ri do segredo de outra amiga.

A conversa foi interrompida no momento em que tia Ana retornou. Nina olhou para Luna e levantou o dedo em frente à boca como se pedisse segredo.

- Já vi que vocês se entenderam - tia Ana colocou a bandeja em cima de uma mesa branca de sombreiro.

O pai de Luna e tio Ricardo apareceram no quintal e foram ao encontro delas.

Dear, amo muito você - o pai de Luna pegou-a no colo e deu-lhe um forte abraço.

- Também amo você, dad - a voz de Luna soou chorosa.

Ela deitou o rosto no ombro do pai e deslizou os dedinhos pelo pingente em forma de infinito preso ao pescoço dele.

- Você já vai?

- Sinto muito sair assim tão rápido. Mas preciso que você fique aqui alguns dias até eu organizar a nossa mudança - ele colocou Luna no chão, pôs as mãos nos joelhos e falou baixinho - Prometo que voltarei logo.

Luna alisou a barba do seu pai, que retribuiu com um beijo em sua testa. Por alguns minutos, ela observou ele se despedir dos tios e de Nina. Luna queria gritar, mas isso não impediria o pai de deixá-la ali.

"Preciso ser forte. Preciso ser forte", ela pensava.

- Venha - Nina chamou. - Vamos brincar.

Luna deu a mão a Nina e, juntas, correram pelo jardim até deitarem lado a lado na grama macia. Talvez essa mudança não fosse tão ruim quanto imaginara. O coração de Luna batia forte e ela voltou a ter esperança.


Notas Finais


Espero que tenham gostado!
Amanhã tem mais!
Amo vcs!1
Bjs!! <3


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