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História Ecos do Coração - Capítulo 14


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Notas do Autor


Olá!

Eu não esperava postar um novo capítulo tão logo, mas em quarentena por razões de Coronavírus, decidi escrever um pouco e eis que surgiu um novo capítulo.

É um capítulo curto de explicações sobretudo, talvez seja necessário reler os últimos capítulos para compreender melhor.

Boa leitura.

Capítulo 14 - Lágrimas


Capítulo 13

Lágrimas

- Eu... – Julieta não sabia o que falar ou mesmo o que estava sentindo, mas a necessidade de fugir do olhar de Osório era tão real quanto a dor que a jovem de seu “sonho” sentira. – Eu preciso ir...

        E sem olhar para trás ela partiu sem rumo pela mesma porta que o homem tinha acabado de adentrar, ouvindo ao longe apenas uma voz chamando-a.

         Pegando a chave do carro e partindo para longe do mesmo ar que Osório respirava, Julieta deixou as lágrimas caírem, dirigiu pelo que pareceu ser horas e quando deu por si estava na porta da casa de Dona Ofélia, vagarosamente saiu do carro e no intuito de chamar a senhora bateu na porta.

- Vejo que algo mexeu com você, minha filha. – A voz alta e firme assustou Julieta, fazendo com que ela se voltasse para o local que o som vinha.

- Dona Ofélia? – Chamou a mulher seguindo em direção a voz. – Me desculpe aparecer assim do nada...

            A senhora a interrompeu de pronto.

- Sem problemas, eu sabia que viria. – Disse com convicção, a mulher estava sentada em uma cadeira de balanço e se levantou para receber a visita.

- Sabia? – Julieta perguntou desconfiada.

- Sim, ontem você demonstrou muito interesse na nossa conversa, imaginei que a curiosidade tenha vencido. - Comentou sorrindo.

- Não exatamente... Eu... – Julieta respirou fundo antes de falar. – Eu tive um sonho, um sonho tão real que parece que senti as dores físicas, os sentimentos, a angustia... E hoje cedo quando olhei para ele. – Julieta não conseguiu mais nada falar, a voz embargou e as lágrimas voltaram aos seus olhos.

- Não precisa me contar se não estiver pronta. – Ofélia segurou as mãos de Julieta e apertou levemente, depois a guiou para se sentar oferecendo um copo com água fresca.

- Obrigada. – Disse a mais jovem secando as lágrimas com a palma da mão. – Mas eu não entendo... Como ele pôde me fazer tão mal e hoje ser meu melhor amigo? Como eu posso ter odiado tanto ele e hoje eu o considero como um pai?  Eu não entendo.

- Você está falando do “sonho”? – Ofélia perguntou sem intenção de pressionar.

- Sim, eu tive um final de noite agitado. – Disse lembrando-se da conversa e do beijo de Aurélio que agora parecia tem distante. – E ao dormir passei a ver cenas de... De uma jovem, mas essa jovem era eu, tenho certeza que era eu, mas eu nunca estive naquele lugar, eu nunca passei pelo que ela passou e mesmo assim eu sinto que ela sou eu. Meu Deus, eu estou ficando louca. – Terminou o desabafo frustrada.

            Ofélia olhou para Julieta como quem lia um interessante livro, pacientemente tirou o copo de água de sua mão e sorrindo maternalmente disse.

- Julieta querida, eu não sei de tudo e eu não tenho todas as respostas. – Seu tom era muito baixo e diferente do que era habitualmente. – Eu te disse ontem que acredito em vidas passadas e futuras, que acredito em provas, expiações e acrescento agora o perdão. Você me disse que esse homem fez a jovem sofrer e que esse homem hoje é seu melhor amigo e protetor. Você o odeia?

- Eu não sei. – Respondeu sincera.

            Mas ela sabia que não o odiava. Não o odiava quando ela esteve de seu lado após a morte dos pais, quando cuidou dela e sempre esteve perto quando precisou.

- É confuso. – Concluiu.

            A senhora deu um rápido sorriso e disse:

- Sempre é. Venha comigo... – Ofélia se levantou e mostrou o caminho para Julieta.

            Julieta adorou entrar na casa dos Benedito, ali reinava um silencio acolhedor, o cheiro era de casa limpa e arejada, as cores claras das paredes fazia o lugar parecer um santuário.

- Reza a lenda que uma das Benedito doou todos os livros da família para a Livraria Municipal há muitos anos atrás... – Começou a mais velha.

- Aurélio me contou mesmo. Mas é lenda? – Perguntou curiosa quando entrava em um escritório.

            Ofélia sorriu ao ouvir o nome do homem.

- Não, é verdade... Algumas lendas surgem da verdade. – Ela apontou para um confortável sofá, indicando que Julieta sentasse, enquanto pegava um livro de uma das prateleiras. – Mas alguns ficaram para trás.

            Ofélia se sentou próxima a Julieta e entregou o livro para Julieta.

- Mas esse livro é de 2015! – Exclamou desconfiada.

- Bom, alguns ficaram e outros compramos. – Respondeu sorrindo. – Esse livro é o que chamamos de romance espirita.

            Julieta encarou o livro, o título era sugestivo: “Vencendo o Passado”.

- Quem é Lucius? – Perguntou.

- É o espirito que ditava as histórias para Zíbia. Eles escreveram inúmeros livros juntos. – Respondeu tranquilamente Ofélia. – Existem alguns tipos de mediunidade, algumas pessoas conseguem ouvir o que os espíritos falam, outros conseguem ver, outros conseguem incorporar, toda pessoa possui um tipo de mediunidade, Zíbia escreveu muitos livros, contou muitas histórias e colocou sua mediunidade a serviço da espiritualidade, é possível aprender muito com esses livros. Leia com calma e depois passaremos para livros mais didáticos. Acho que tenho um Livro dos Espíritos em algum lugar desse escritório, vou encontrar para você...

            A mulher se levantou novamente e passou a procurar o outro livro e puxou conversa.

- Esse “sonho” que teve... Ele te assustou? – Perguntou Ofélia enquanto olhava pelo canto dos olhos para uma Julieta curiosa com o livro.

            A Sampaio suspirou e respondeu.

- Sim. – Pensou mais um pouco e completou. – Na verdade foi um misto de sentimentos. Eu estava feliz correndo pelos campos e depois me desesperei com uma noticia e então... Então eu senti nojo, raiva, vontade de morrer, de matar, vontade de gritar e de chorar e por fim senti muito ódio. Senti que esse sentimento me consumia, corria por minhas veias e quando acordei estava chorando e coberta de suor.

            A senhora que parou de procurar e pareceu meditar sobre o sonho.

- Interessante... – Disse de forma enigmática.

- Interessante? Estou apavorada. – Replicou Julieta voltando a ficar nervosa. – Hoje cedo olhei para Osório e conscientemente sei que ele é um bom homem, que me ama como filha, que cuida de mim e que jamais faria nada de mal a mim ou a Camilo... Mas eu também sei que é ele. Tenho certeza que ele me causou toda aquela dor. Eu não sei o que pensar.

            Ofélia olhou para Julieta e novamente se sentou ao lado da mais nova, pegou uma mão e apertou firmemente.

- Lembra da nossa conversa de ontem? – Perguntou serenamente.

- Sim, eu lembro sim. – Julieta respondeu.

- Pois bem, vou lhe contar algo sério: Eu cometi um crime gravíssimo uns anos atrás. Eu... – A senhora parou para pensar e então continuou. – Eu, antes de me casar e ter minhas meninas cometi um crime terrível. Eu matei uma criança... Não foi intencional, mas ceifei uma vida inocente.

            Julieta puxou a mão que a senhora segurava e novas lágrimas formaram em seus olhos.

- Eu paguei pelo meu erro. Eu fiquei anos presa, sai e reconstruí minha vida. – A senhora continuou.

            Julieta se levantou e sentiu um aperto no peito, como pudera se confundir com aquela mulher?

- Julieta, olhe para mim, por favor. – Pediu Ofélia.

            Julieta demorou uns instantes antes de subir a vista para a senhora.

- Sabendo do meu passado, você consegue me olhar da mesma forma? – Perguntou com o mesmo tom anterior.

            Julieta engoliu em seco.

- Desculpa... Eu tenho que ir. – Ela se apressou a sair do escritório.

- Julieta, percebe porque esquecemos, porque não podemos lembrar o passado? – Ofélia disse de forma rápida, fazendo a mais jovem parar na porta.

- O que? – Julieta indagou antes de se virar.

- Minha querida, sente-se que explicarei com calma. – Ofélia sorriu. – Não sou uma ex presidiaria, nunca cometi tal ato contra quem quer que seja, foi apenas uma forma de lhe mostrar um ponto.

            Envergonhada de seu julgamento, Julieta tornou a se sentar.

- Me desculpa, eu não sei o que deu em mim. – Falou com sinceridade.

- É normal. Eu dei esse exemplo para lhe mostrar que nós julgamos nossos irmãos por seus erros e acertos. Muitas vezes trocamos de calçada quando sabemos que quem vem ao nosso encontro é uma pessoa que cometeu um grande erro, olhamos e julgamos, condenamos e executamos a condenação. – Explicou.

Percebendo que Julieta acompanhava o raciocínio continuou:

- Se isso vale para a sociedade que vivemos, se julgamos quem nem conhecemos, imagina como seriamos se lembrássemos das vidas passadas? Se eu lembrar que uma das minhas filhas em vidas passadas na verdade era minha inimiga, que outra me traiu, que outra me matou, que outra era minha própria mãe ou pai... Julieta, se eu tivesse essas informações, será que as amaria tanto? Sabendo das dores que elas me causaram? Será que elas se perdoariam por saber que me machucaram?

            Julieta não sabia o que responder, mas algumas peças estavam se encaixando finalmente em sua cabeça.

- Nós esquecemos para o nosso bem, para que possamos trabalhar o amor, o perdão... – Ofélia continuou a sua fala. – Mas não creia que sempre é um mar de rosas, nós carregamos o passado conosco, em um porão em nosso inconsciente... Que por alguma razão você teve acesso.

            Julieta parecia comer cada palavra dita e na tentativa de organizar os pensamentos disse:

- São tipos de resgastes? – Perguntou. – Quero dizer, quem fez mal no passado pode voltar com a pessoa que foi vitima?

- Em linhas gerais sim. – Concordou a mais velha. – Mas não existe vilão ou vítimas. Todos somos responsáveis por nossos caminhos e decisões. Mas sim, resgate é um termo que pode ser utilizado. Você tem problemas com esse senhor?

- Não. – Disse convicta. – Eu não tenho problema algum com ele. Às vezes Osório é super protetor demais, mas isso nunca me incomodou. Quem não gosta dele é o Camilo... Alias, nunca entendi esse ranço.

            Ofélia pareceu pensar sobre o assunto.

- Talvez... Observe bem a palavra “talvez”. – Salientou. – Talvez você já o tenha perdoado antes e esse resgaste é mais por parte dele, para que ele repare seus erros, ajudando e cuidando de vocês.

- Mas dói tanto... – Julieta falou baixo.

- Não posso dizer que entendo sua dor. – Ofélia respondeu. – Mas posso lhe dizer que você está nessa cidade, com essas pessoas não é atoa. Medite sobre tudo isso.

- Obrigado, Dona Ofélia. – Julieta sorriu e apertou a mão da senhora. – Me ajudou muito.

- Não por isso, minha querida Julietinha. – A senhora levantou e caminhou para porta chamando. – Venha, vamos tomar um café com bolo que acabei de assar. Saco vazio não para em pé.

            Antes de abrir a porta passou os olhos pela mesa de estudo e gritou em alto e bom som:

- O LIVRO!! – Correu e pegou o livro. – Leia esse também, mas leia aos poucos, doses homeopáticas. Qualquer dúvida pode me chamar que tento explicar.  – Completou com humildade.

            Julieta pegou o livro e juntou com o anterior.

- Não sei se saberei agradecer o suficiente. – Disse sincera.

- Tranquila, apenas pense no que lhe disse e vamos comer.

            Ambas partiram rumo a cozinha e Ofélia lhe contou a história da família com muitos outros detalhes que Aurélio não sabia.

 

            Julieta se despediu da senhora com o coração muito mais calmo e sereno, sabia que teria de encarar Osório e tentava buscar em suas memórias as boas lembranças que tinha com o advogado.

            Decidida a dar um tempo maior dirigiu rumo a cidade, estacionou próximo a praça e sentou-se em um dos bancos que ficava na sombra de uma árvore e respirando fundo passou a observar o movimento.

            Poucos carros passavam pela rua e o comércio já estava em funcionamento, o movimento não se comparava ao da cidade grande, mas era reconfortante ouvir o som de carros e conversas alheias.

- Pensando na morte da bezerra? – Uma conhecida voz.

            O coração de Julieta deu um salto de felicidade.

- Pensando em como eu poderia me adaptar a viver em uma cidade como essa. – Respondeu Julieta se afastando para dar espaço para o homem se sentar também. – O que acha Aurélio?


Notas Finais


FIQUEM EM CASA.
LAVEM AS MÃOS COM ÁGUA E SABÃO.
CUIDEM DE VOCÊS E DOS SEUS.

Comentários são sempre bem vindos.

Não sei quando voltarei... Mas espero voltar.

Paz e bem!


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