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História Ecthelion da Fonte e Calaure - Capítulo 18


Escrita por: LomelindeCalaure

Notas do Autor


🎼Pale - Within Temptation🎼
https://youtu.be/Ywb3L5TA7lA
O mundo não parece o mesmo
Apesar de saber que nada mudou
Tudo isso é apenas meu estado mental
Eu não posso deixar tudo isso para trás
Tenho que me levantar para estar mais forte
Tenho que tentar
Me libertar dos pensamentos em minha mente
Usar o tempo que tenho, eu não posso dizer adeus
Tenho que fazer direito
Tenho que lutar
Porque eu sei que no fim valerá a pena
Que a dor que eu sinto devagar desaparecerá
E estará tudo bem
Eu sei que deveria perceber
O tempo é precioso, isto é o que vale
Apesar de como me sinto por dentro
Tenho que confiar que estará tudo bem
Tenho que me levantar para estar mais forte
Essa noite é tão longa
Não tenho forças para continuar
A dor acabou estou flutuando
Através da névoa vejo o rosto
De um anjo, que chama meu nome
Eu me lembro que você é a razão que eu tenho para ficar


‼️‼️O Legolas que aparece no capítulo é o de Gondolin ["Legolas Verdefolha: Um Elfo da Casa da Árvore em Gondolin, dotado de extraordinária visão noturna." A QUEDA DE GONDOLIN ].
‼️Nessa época só existiam 6 portões porque o sétimo só foi construído por Maeglin após a Nirnaeth Arnoediad em 472.
‼️Estamos no ano 126 da Primeira Era

🗺️Um mapinha😉
https://cdnb.artstation.com/p/assets/images/images/004/192/125/large/karolina-wegrzyn-beleriand-and-realms-of-the-north-by-sirielle-d6u0ecg.jpg?1511309280

Capítulo 18 - Nada mudou


Fanfic / Fanfiction Ecthelion da Fonte e Calaure - Capítulo 18 - Nada mudou

Calaurë, junto com os orcs, conseguiu chegar até Dor Daedeloth. Andavam lentamente e as escondidas, assim a elfa, mesmo com a perna machucada, conseguiu acompanhar o longo caminho. A sorte realmente estava com ela quando eles seguiram para o sul e não para o leste. Mas preferiram atravessar o Ladros a ter que ir em direção ao Sirion, onde tinha Minas Tirith governada por Orodreth e nada passava desapercebido por ali. Seguiram para Dorthonion após passarem o Rivil. Já fazia dois dias que tinham saído de Angband.

Quando estavam próximos da passagem de Anach, foram atacados por elfos com a heráldica de Aegnor e Angrod, que disparavam flechas contra os orcs. Calaurë, sendo vista como um orc, tentou desviar mas foi antigida na perna. Ela, cantando a melodia novamente, retira a flecha e consegue se soltar da armadura e da pele de orc, mas ainda estava irreconhecível, coberta de sangue negro. Todos os orcs se dispersaram e os elfos os perseguiam. Mancando, a elfa tomou o caminho para o sul, seguindo em direção ao rio Mindeb. Mas um dos inimigos, mesmo estando machucado, percebeu que ela não era um Orc e a seguiu, resetando seu arco. Calaurë corria o mais rápido que sua perna deixava. Sente que uma flecha a acertou no ombro, outra nas costas e uma no braço. A dor é horrível, queima, seu joelho sede e ela cai no chão. Olha para suas costas onde elas foram cravadas achando que estavam pegando fogo, mas não estavam. Se arrastando no chão, tenta retirar a que está na parte de trás do braço, mas sente que a flecha tinha a ponta farpada, sendo impossível tirar sem causar mais dano e fica enjoada com a piora da dor. Consegue ficar em pé após muito esforço, mas depois de dar dois passos, cai novamente, próximo a uma grande árvore. Ainda escutava sons de luta e pensa: "Não irei desistir agora! Não depois de ir tão longe! Senhores do oeste, me abençoe e a todos os elfos que aqui lutam contra o inimigo."

Ela ouve um grito de águia e uma densa névoa levanta do rio. Se sente mais forte, retira de suas vestes esfarrapadas a Lanterna Fëanoriana para enxergar o caminho. Se arrastando, vai até o rio e bebe de sua água, a queimação e as dores diminuem. Consegue se erguer e andar, atravessando Dimbar.

Passa próximo ao Vau de Brithiach e segue pela margem do Rio Seco, formada pelo espesso bosque de amieiros, a névoa que a dava forças e tirava as dores estava diminuindo a cada passo, mas isso não a abalou, estava determinada. Olhando para a costa íngreme do Vale, ela viu onde erguia um enorme paredão na qual crescia uma emaranhada moita de espinheiros, que desciam pelos lados da ravina. A elfa levou alguns arranhões enquanto cambaleava por aquele caminho repleto de espinhos e de teto baixo. Chegou finalmente até o sopé do penhasco e se lembrou da primeira vez que sentiu o poder daquele lugar: Turgon segurava sua mão direita e Ecthelion a esquerda para entrarem na grande porta de batentes inclinados...

A névoa foi completamente dissipada quando ela o atravessou e a consciência de como seu Hröa estava ferido a tomou, ficou ofegante como se tivesse levado um grande susto. Voltando a mancar dolorosamente, Calaurë avançava com dificuldade pelo caminho escuro, iluminado somente pela Lanterna Fëanoriana que ela segurava em sua mão trêmula e, com a outra, se agarrava na parede. Havia pedras soltas no chão e, após percorrer grande parte do caminho, ela tropeça e cai no chão. Não consegue mais se levantar, as flechas causavam uma queimação insuportável. Escuta ecos e barulhos e com medo de ter sido perseguida, continua o percurso rastejando o mais rápido que consegue. Sentindo sua pele se ferir nas rochas, segue em direção a uma luz distante. O chão se torna plano e ela continua. Ouve espadas sendo sacadas e alguém grita em Quenya:

— Você, fique onde está!

Ela precisa continuar avançando e não obedece a ordem. Alguns guardas vem até ela e a imobilizam de bruços, evitando as flechas. Ela delira com a dor, achando que está novamente nas masmorras em Angband, tentando soltar das mãos que a seguram no chão. Um deles diz em Sindarin:

— Fique parada! Você está na entrada de escape da cidade dos Sete Nomes e nós somos os guardiões dela. Aqui os que lutam contra Morgoth são bem vindos, mas você precisa se identificar e dizer como encontrou...

Ela continuava lutando, o capitão chega e coloca a espada próximo do pescoço da elfa e fala na língua dos Noldor:

— Já te avisamos, em duas línguas dos Eldar, pare de lutar e se apresente! Eu sou Elemmakil, o capitão da guarda. Você não parece Noldorin, mas encontrou a entrada e isso só seria possível se o próprio rei a mostrasse. Por favor, agora se acalme e diga: como sabe a localização de Ondolindë [Gondolin] ?

Ela se agita ainda mais após ouvir o nome da cidade, tentando liberar seus braços imobilizados e fazendo um pequeno corte em seu pescoço na espada com seus movimentos bruscos e o elfo a a afasta. Mesmo com a garganta seca e a dor dos ferimentos, ela grita as palavras em Quenya:

— Nunca direi... eu prometi.... a Turukáno [Turgon]... me solte... não direi nada... sobre a cidade... não contarei.... pelo amor a Itarillë[Idril]... e a Elenwë.... nunca direi... me solte... Gorthaur... — A elfa estava com calafrios e teve dificuldade em terminar a frase.

— Itarillë? Elenwë? — Pergunta Elemmakil, se agachando e afastando os cabelos imundos de Calaurë, a esse toque ela estremece e tenta se afastar. — Não pode ser! Chamem o Guardião Ecthelion e Glorfindel! Vou levá-la até o portão de Bronze, ela precisa de atendimento urgente. Vocês, me ajudem.

Calaurë assusta ao ouvir aqueles nomes, sentindo alegria e medo. Escuta sons de trompa, que são respondidos 6 vezes em cada portão, como em um eco de um código Morse. A elfa vê de relance alguém trazendo um cavalo baio e Elemmakil o montando. Os elfos a pegam no colo e ela tenta se desvencilhar enquanto a carregam e a colocam de bruços no cavalo, mas percebe que está ficando cada vez mais fraca. Ele cavalga o mais rápido possível e durante o percurso, Calaurë desmaia.

Acorda com fortes dores quando a tiravam do cavalo. Entraram em uma das três torres do portão de Bronze e a deitaram de bruços em uma cama, seus calafrios tinham aumentado, sua respiração ficando cada vez mais pesada. Elemmakil conversava com alguns elfos, a elfa não conseguia prestar atenção em tudo, sua consciência oscilando.

— Ela chegou e... é a Calaurë... acho que é veneno, por isso não retirei as flechas... Sim, e também corre o risco de hemorragia... Pedi para chamarem Glorfindel...

Calaurë delira, cega de dor e angústia, pensava: "O calor em mimhas costas, só pode ser um Balrog ou Gorthaur com seu ferrete em brasa." Elfos que não usavam armaduras se aproximam se sua cama, um deles tenta segurá-la enquanto ela diz, com voz fraca: "Me soltem, isso dói."

Ela escuta outros cavalos chegando, alguém com armadura se aproxima de Elemmakil, ela luta para manter os olhos abertos. Escuta a voz mais bela de todas, como queria acreditar que fosse real:

— Lorde da Casa da Fonte se apresentando ao chamado do capitão da...

Ele não conclui, olha para a elfa, corre até sua cama e cai de joelhos, afastando seus cabelos imundos que se desprendiam desgrenhados de uma única trança amarrada em um coque e limpando um pouco da lama e sangue de seu rosto. Ela se encolhe e geme com seu toque, esperando pela dor. Ele diz:

— Calaurë, é você! Eu sempre soube que você voltaria para mim. Minha Laurelin... me perdoe. Estou tão feliz ...

Ela diz com a voz baixa e triste:

— Ecthelion, meu Telperion, eu não voltei, mas sempre estarei com você! — Calaurë começa a chorar — Eu só... só queria que fosse real. Mas sei que não é! É mais um truque, se asfaste de mim! Não irei dizer. Faça isso parar, tire o fogo das minhas costas. Pare de me torturar. Não irei falar, não importa o que faça comigo, não contarei Gorthaur!

Ecthelion estava tão encantado em ter Calaurë de volta e em olhar para seu rosto que não tinha se atentado para as flechas e seus ferimentos.

— Calaurë, é real, sou eu, você está em... As flechas, isso é veneno? Laurefindelë [Glorfindel], me ajude aqui!

Glorfindel tinha acabado de chegar, foi rapidamente para o lado da cama da elfa, avaliou a situação e, sendo chefe dos curandeiros, deu as ordens para os elfos que já estavam preparando os materiais:

— Eu ouvi direito? É mesmo Calaurë, Ecthelion? Elemmakil, chame Galdor, é urgente! Peça para ele trazer tudo o que tiver. Vocês, temos que ser rápidos e usar o que temos aqui, não há tempo para chegar até às salas de cura e, infelizmente, para aguardar Galdor. Vou dar essa poção que vocês tem aqui, mas não podemos esperar fazer efeito.

Glorfindel toca nas flechas, o que a faz gritar de dor e o elfo diz: "Era o que eu temia, as flechas tem pontas farpadas". Ele pega o frasco com um dos curandeiros e quando se aproxima do rosto de Calaurë, ela geme e tenta se afastar, dizendo:

— Não, eu não quero, não faça isso comigo, vai doer.

— Calaurë, sou eu, Laurefindelë, essa poção vai tirar sua dor.

Ela parece não acreditar e continua tentando se afastar o máximo que sua posição de bruços deixa. O elfo olha rapidamente para Ecthelion com tristeza e faz ela beber a força o líquido. Continua falando com os curandeiros:

— Preciso limpar a pele que está próxima dos ferimentos, estão cheias de sangue negro. Vou fazer a incisão, vocês vão retirar as flechas e preciso limpar rapidamente o veneno que ficar e a pele afetada por ele. — Glorfindel suspira e continua — Ela parece estar delirando, não sabe onde está e não reconhece direito quem está próximo, o que torna tudo mais difícil. Ecthelion, segure os braços dela. Vocês, segurem as pernas.

— Laurefindelë, o braço dela, o direito.

Glorfindel larga o pano que tinha começado a limpar as feridas e pega o braço da elfa, ela grita. Ele conclui com uma careta:

— Fratura do antebraço. Segure mais para cima Ecthelion, tente fazer ela não mover esse braço.

Glorfindel continua os procedimentos, só a limpeza já causa dor e angústia na elfa. Devido a ponta farpada da flecha, havia necessidade de incisão. O veneno era denso, pegajoso e havia muita pele afetada por ele, o que a fez perder muito sangue. A dor é insuportável, Calaurë pensa:

"Ainda estou em Angamando [Angband]. Estão novamente me torturando. Isso queima, fogo, brasa? Eu estava buscando o caminho para Ondolindë [Gondolin]. Então foi tudo um sonho? Não posso mais pensar na cidade, se Gorthaur está aqui. Preciso fechar minha mente." Mas era difícil controlar seus pensamentos, a dor era muita, só conseguia murmurar:

— Gorthaur, faz isso parar, queima, dói, me solte. Não irei contar. Manwë e Varda, me dêem forças. Faça isso parar, por favor.

Ecthelion chorava de ver o seu sofrimento e delírios, segurando seus braços. Glorfindel trabalhava rapidamente, tentando disfarçar sua apreensão e o leve tremido de sua mão quando a elfa gemia e gritava ao seu toque. Ele e os curandeiros já tinham retirado duas flechas, limpado e feito o curativo. Calaurë começa a convulsionar. Galdor chega bem na hora, percorrendo o olhar na sala entende o que está acontecendo. Pega rapidamente uma das flechas no chão, faz uma careta e a joga de volta. Procura em uma de suas bolsas dois frascos e mistura um pouco do conteúdo deles em um cálice e se aproxima, dizendo:

— Consegui identificar 2 venenos. É justamente sobre isso que a carta do Rei Ñolofinwë [Fingolfin] dizia. Os inimigos estão usando uma mistura de venenos mortais nas flechas, que danificam os tecidos e podem levar... — Ele olha para o rosto da elfa — Esta é a Calaurë?

Ecthelion responde positivamente, sua expressão passando a alegria e a tensão do momento. Ele e Glorfindel seguravam a elfa e aos poucos suas convulsões diminuem e Galdor faz ela beber a mistura de antídotos, e continua dizendo:

— Foram 3 flechas? É admirável ela ainda estar viva com a quantidade de veneno.

Glorfindel acrescenta:

— E quem atirou devia estar ferido e longe, pois, por sorte, não atingiram regiões vitais.

Glorfindel e os curandeiros retiraram a última flecha, que tinha acertado as costelas e por pouco não causou grande dano no pulmão, Calaurë se contorcia, gritava e chorava.

— Laurefindelë, você deu a ela poção para dor?

O elfo da Casa da Flor Dourada mantinha uma expressão séria, mas sua voz ansiosa mostrava seu nervosismo e preocupação:

— Sim Galdor, dei um desses frascos que tínhamos aqui, mas acho que não foi suficiente, parece que não fez nenhum efeito. Não podia esperar mais.

Após terminar os procedimentos em suas costas, Glorfindel avalia sua perna e diz:

— Estranho, esse ferimento na coxa não foi feito por uma flecha orc. Infelizmente, a fíbula, também está fraturada. Vou fazer a sutura e o curativo na ferida que está sangrando, mas precisamos...

Calaurë sussura:

— Eu... eu não consigo... respirar...

— Laurefindelë!

Gritou Ecthelion desesperado quando percebeu que a elfa mal respirava. Glorfindel a virou para fazer a manobra. Mas Galdor, fez ela beber todo o conteúdo de um frasco. Após alguns segundos de apreensão, onde Ecthelion chamava pelo nome da elfa, Calaurë tossiu e engasgou, com lágrimas saindo dos olhos, voltou a respirar superficialmente. Ecthelion chorava, ajudando a virar ela novamente de bruços, dizia:

— Por favor, fique comigo Calaurë, já achei que tinha te perdido uma vez, não faça isso comigo novamente. Seja forte, vou te ajudar.

Galdor novamente pegou uma flecha e fez uma careta, vasculhando suas bolsas.

— Não consigo identificar os outros venenos, talvez Legolas consiga, precisamos de um antídoto completo.

Glorfindel disse tristemente:

— Eu fiz o melhor que pude com as feridas, mas mesmo assim o veneno espalhou. E também tem as fraturas. Vamos levá-la para as salas de cura, Ecthelion, eu te ajudo. Galdor, nos encontre lá, peça para alguém chamar Legolas, muito obrigada pela sua ajuda.

Ela se encolhe quando Glorfindel a pega no colo. Era noite, fora da torre ela viu um belo cavalo branco com a luz das lanternas e archotes, Ecthelion subiu nele e tocou uma sequência de notas em sua flauta, para que os portões fossem abertos com urgência e não encontrassem resistência. As armaduras do elfo e do cavalo reluziam, era exatamente como a elfa lembrava. Tinha mostrado essa lembrança para Gorthaur? Seria real? Ela não conseguia raciocinar. Glorfindel ajudou a colocar a elfa quase desacordada no cavalo e Ecthelion a abraçou com o braço esquerdo e segurou as rédeas com a mão direita para partir em disparada. Calaurë via de relance, com sua visão embaçada, a beleza daqueles portões. Viu o portão de ouro, que ela tinha ajudado na finalização. Após o longo e ingrime caminho pelo meio da Orfalch, chegaram a vasta planície de Tumladen. A elfa gemia com a dor que o galope do cavalo enviava pelo seu corpo. A Sol já estava nascendo quando finalmente chegaram até a cidade toda em mármore branco, a Torre do Rei se destacava em meio a belas edificações. Tarnin Austa também era visível, as árvores, as fontes... Ela fecha os olhos, Ecthelion a carrega, sua consciência oscilando, sua respiração ficando mais difícil... Está deitada de bruços em uma cama macia. A sala é ampla e tem vários outros leitos. Alguém passava a mão pelos seus cabelos, ela tenta se afastar, gemendo e Ecthelion diz:

— Calaurë, sou eu, Ecthelion. Não vou sair do seu lado, você vai ficar bem, fique comigo.

Galdor chega com Legolas e o último diz:

— Infelizmente não consegui descobrir especificamente qual é o veneno. Acho que deve ser de alguma das criaturas malignas de Morgoth, mas não temos antídotos.

— Preciso de uma poção para dor. Uma que seja mais forte, já que a anterior não fez efeito. — Diz Glorfindel.

Galdor pega um frasco e Ecthelion faz a elfa beber. Enquanto Glorfindel e os curandeiros reuniam os materiais para os procedimentos, Calaurë volta a convulsionar, vomitando o que tinha tomado. Eles viram ela de lado na cama e firmam sua cabeça. Galdor diz:

— A poção parece reagir com o veneno.

Glorfindel responde, ainda segurando Calaurë.

— Sim Galdor, você tem razão. Eu tinha dado uma poção para ela no terceiro portão, então por isso ela convulsionou. Mas preciso imobilizar a perna e o braço dela.

Glorfindel olhou angustiado para Ecthelion, que lentamente acenou com a cabeça com lágrimas escorrendo de seus olhos, a segurou novamente. Ela sussurrava:

— Me solta. Não vou contar. Me liberte Gorthaur.

— Calaurë, me escute, eu sei que dói, mas precisamos... Temos que fazer isso para você ficar melhor. Vai terminar logo, vai melhorar.

— Não, por favor, fique longe de mim, não confio em vocês. Me solte.

Ecthelion diz e sua voz, que sempre era forte, estava insegura:

— Laurefindelë, você acha que esses delírios são do veneno?

— O veneno piora a situação. Mas isso é um tormento em sua mente. Ela parece não saber onde está. Deve achar que ainda está em... Angband. Segure ela firme agora.

Glorfindel e os curandeiros começaram a imobilizar sua perna e ela gritava a plenos pulmões. Os gritos eram agonizantes, altos e desesperados, a mistura da dor do Hröa e a dor de seu Fëa. Em meio aos gritos, quando tinha ar dizia:

— Faz isso parar. Nunca contarei. Não suporto mais. Eu jurei. Me deixe sozinha, fique longe de mim.

Quando terminou os procedimentos em sua perna, Ecthelion começou a cantar e por um tempo ela pareceu acalmar. Mas quando começaram a fazer os procedimentos em seu braço, seus delírios pioraram.

Rei Turgon entra na sala com Elemmakil, todos reverênciaram o rei, os que estavam ocupados fizeram um curto aceno de cabeça. O Rei parou e ficou horrorizado com a cena, Glorfindel e os curandeiros terminavam de imobilizar o braço da elfa, que gritava e se agitava. Quando Glorfindel terminou, o rei se aproximou lentamente da cama da elfa, sentou ao lado de Ecthelion e disse, a beira das lágrimas:

— Calaurë. Você está viva, você aguentou...

Ela responde, a voz rouca após tantos gritos:

— Meu Rei Turukáno [Turgon]. Seu segredo está a salvo comigo, nunca direi a localização, não importa o que aconteça e o que façam comigo. Dê a Itarillë o amor e a proteção que não pude dar. Queria poder te dizer isso, queria que fosse real... Não direi nada para você, Gorthaur!

Turgon agora chorava, segurou a mão da elfa. Ela gritou, sentiu um sentimento que não era dela, se virou de lado e começou a arranhar o peito onde estava a marca brilhando em fogo, que só ela via.

— Tira isso de mim, está me queimando. Não me torture mais. Já disse que não vou contar. Nunca serei sua.

O rei tinha soltado Calaurë quando ela começou a gritar, se levantou tristemente e saiu da sala, falando que retornaria, ninguém o seguiu. Ecthelion e Glorfindel tentavam segurá-la, pois já tinha aberto sua pele com os arranhões, mas ela tentava se afastar de seus toques. A elfa só se acalmou um pouco quando Ecthelion voltou a cantar e ninguém mais a tocava. O veneno cada vez mais fazia efeito em seu corpo e após esse ataque, ela ficou muito fraca. Desligou sua mente e não reagia a nada.

A pedido de Ecthelion, os curandeiros trouxeram uma bacia de água morna e com um pano, começou a limpar o rosto de Calaurë. Ela não reagia a nada, se não fosse pela sua fraca respiração, podiam achar que ali não tinha mais um Fëa, seus olhos vidrados e inexpressivos. Mas Ecthelion mantinha toda a calma, escondia sua tristeza e dizia palavras para encoraja-la. As cicatrizes ficavam cada vez mais aparentes enquanto ele limpava o sangue de orc de sua pele. Ele disse no ouvido da elfa:

— Calaurë, meu amor, sabia que você iria voltar para mim, mas nunca imaginei que fosse em meio a tanto sofrimento. Mas vai ficar tudo bem. Estou com você. Vamos passar por isso juntos.

Os curandeiros faziam curativos nas feridas que apareciam em sua pele, algumas ainda de Angband, outras de sua fuga e algumas tiveram que ser suturadas. Glorfindel e os curandeiros saíram e Ecthelion tirou o que sobrou da roupa esfarrapada que a elfa usava e trocou por uma veste de seda. Não queria acreditar nas cicatrizes que via em seu corpo, tentava não prestar atenção nelas e chorava silenciosamente, pensando qual o nível de tortura que ela poderia ter suportado, estremeceu ao lembrar das histórias contadas sobre Maedhros e alguns elfos da Casa de Rog. O efeito do veneno causava calafrios em seu corpo, estava com muita dificuldade de respirar, mas não reagia. 

Quando eles voltaram, Ecthelion tinha desfeito a trança dos cabelos de Calaurë que estava presa em coque, que ela mesmo tinha feito em Angband, e o lavava na beirada da cama. Fez isso carinhosamente, cantando as músicas de Valinor, enquanto penteava os longos, e agora, dourados cabelos da elfa. 

— Laurefindelë, ela não reage, será que está sentindo dor? Estou preocupado com a respiração dela, está muito superficial.

— Ecthelion, acho que ela está sentindo tudo, mas sua mente está muito atormentada para reagir, não podemos dar mais nenhuma poção, pois seu organismo está rejeitando todas. Também estou preocupado com sua respiração e temo que esses calafrios piorem. Estou aguardando rei Turukáno, ele falou que voltaria quando saiu.

Ecthelion começa a cantar a música que tinham composto juntos, na época que as luzes das árvores ainda irradiavam: a Eldalielindotaurë [Floresta de elfos cantantes]. Calaurë lentamente pareceu despertar de seu topor, percebeu que estava deitada de lado com a cabeça apoiada no colo do elfo, virou a cabeça olhou para seus olhos, brilhavam prateados. O elfo tocou seu rosto, ela se encolheu e estremeceu ao toque, mas não gritou nem se agitou. 

— Calaurë, sou eu, que bom que você acordou. Estou aqui com você.

Glorfindel tenta dar água para Calaurë, mas ela vomita, gemendo com a dor que isso causa. 

— Ecthelion, eu... não sei mais o que fazer. O Hröa dela está muito debilitado, vi isso poucas vezes. Como ela sobreviveu ao veneno, não sei dizer, mas agora parece que ele está fazendo mais efeito, mesmo com os dois antídotos de Galdor. Não consegue beber nenhuma poção para dor e cada gemido dela me dói. Ela vai ficar desidratada porque nem água consigo dar a ela. E a forma que ela ficou agora a pouco... Senhores do Oeste, ajudem Calaurë, depois de tudo o que ela já passou...

Turgon, Idril e Aredhel entram na sala. O rei carregava um baú com vários objetos e diz:

— Eu sei como fazer ela ficar melhor.




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