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História Edênico - Capítulo 1


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Notas do Autor


Edênico: relativo ou pertencente ao Éden.

Capítulo 1 - Capítulo único


Fanfic / Fanfiction Edênico - Capítulo 1 - Capítulo único

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Não suportava os olhares que recebia, os suspiros femininos. Não deveria ter se acostumado às declarações inesperadas e aos convites inconvenientes? Esqueceram que ele outrora havia sido considerado um nukenin? Nem mesmo o melhor amigo, antes ignorado por toda a vila, agora escapava das chuvas de presentes.

"Vocês são heróis de guerra, é normal receberem tamanha admiração", comentou Kakashi após ouvir uma de suas reclamações.

Pecados são facilmente esquecidos assim?

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Cansado de receber broncas de sua melhor amiga por tamanha insensibilidade em lidar com as "fãs" - como Sakura havia apelidado as insistentes jovens que tentavam a todo custo conquistar sua atenção -, decidiu observar como o melhor amigo lidava com a situação. A primeira cobaia, por assim dizer, era a jovem Hyuuga. Buscou na mente alguma lembrança dela, esperando resgatar o primeiro nome, mas foi em vão. Mal via a garota e, quando colocava os olhos nela, estava escondida atrás do primo.

Aparentemente, havia algo de errado com ela. O rosto extremamente avermelhado não parecia normal. Naruto até mesmo se inclinou na intenção de tocar-lhe a testa, mas a jovem apenas empurrou um pequeno embrulho para o rapaz e correu para um estabelecimento de letreiro envelhecido. Certamente o trabalho de campo¹ havia sido um fracasso, pois a única conclusão que conseguira foi a de que o seu melhor amigo possuía menos tato que ele próprio.

Então outro pensamento surgiu: aquela livraria sempre esteve ali?

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Extremamente entediado, entrou no lugar que havia descoberto dias atrás. Era um sebo modesto, apesar das diversas estantes onde os livros se abarrotavam. Passeava buscando por algo que lhe chamasse a atenção. Quem sabe algo despertasse o seu interesse como o de Kakashi? Uma breve risada anasalada lhe escapou com o pensamento.

- Boa tarde, Sasuke-kun. - a voz tímida atrás de si o surpreendeu.

 Apenas se virou e acenou brevemente com a cabeça ao reconhecer a Hyuuga - se não fosse pelos olhos característicos, talvez nem mesmo isto seria capaz de saber dela.

- Não acreditava que outra pessoa além de mim conhecesse este lugar. - comentou com bom humor, iniciando uma conversa casual que Sasuke desejava logo terminar.

- Descobri recentemente.

- Procurando algum livro em específico?

O rapaz apenas negou com a cabeça. Em seguida, ela perguntou pelo gênero que ele buscava apenas para receber outra resposta seca.

- Qualquer história intrigante serve.

A Hyuuga colocou o indicador no queixo como se o gesto a ajudasse a pensar. Após um breve momento, passou os dedos finos pela estante mais ao fundo da loja até retirar um livro e entregar ao rapaz. Aceitando a indicação, comprou a sugestão e até mesmo tentou espiar a capa do livro que a jovem ao seu lado levaria para si. 

- Depois me conta o que você achou, está bem? - ela anunciou ao se despedirem, curvando-se diante do rapaz antes de lhe dar as costas e sumir pelas ruas de Konoha.

"Menina esquisita".

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O retorno ao sebo foi inevitável, uma vez que o livro sugerido pela Hyuuga era o primeiro de uma série de cinco volumes. Buscando pela continuação onde a vaga lembrança dos dedos femininos haviam pousado. Mas, ao olhar para um outro corredor formado pela estante, notou as costas da garota de cabelos negros azulados.

Não conseguindo encontrar pelo o que buscava, o rapaz pigarreou, atraindo a atenção da jovem.

- Oh, Sasuke-kun, boa tarde! - ela exclamou realmente surpresa em vê-lo e levemente admirada. - Já terminou o livro?

- Sim. - respondeu seco, como o de costume. - Mas não encontro a continuação.

Largando os livros que havia selecionado sobre uma mesa disposta a quem quisesse folhear algo, a Hyuuga se prontificou a ajudá-lo a procurar pelos demais volumes. No entanto, o quarto livro não foi encontrado. A jovem até se aproximou da senhorinha no balcão e questionou sobre o paradeiro do objeto, recebendo como resposta que estava em falta - e provavelmente não seria reposto.

Antes que desistisse de saber sobre a continuação da aventura que lia, a jovem sorriu para Sasuke.

- Eu posso te emprestar, se quiser.

Agradecendo a proposta, o rapaz pagou pelos demais livros e, antes que pudesse sair, a Hyuuga quis saber a opinião do Uchiha sobre o início da série.

Respondeu de forma ampla, sem vontade de alongar a conversa, apesar de ser grato pela gentileza da ninja. Porém, a empolgação de ter como tema algo que ela tanto gostava tornou impossível um breve diálogo e quando deu por si, estavam os dois sentados no banco da praça em frente ao sebo. As palavras simplesmente saiam de sua boca, que outrora só respondia a Hyuuga e a ideia de chegar em casa o mais rápido possível, uma vaga lembrança.

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Em poucos dias, já quase finalizava o terceiro livro. Embora ainda não terminado, parte de suas tardes era dedicada às visitas ao sebo, pois a Hyuuga insistia em acompanhar o avanço do rapaz. A esta altura, Sasuke já se encontrava em um beco sem saída: ela era apenas uma das poucas pessoas - um grupo seleto, composto pelo antigo time - com quem conversava por horas e sequer era capaz de lembrar o nome da jovem.

- A história, em geral, demora muito para mostrar os objetivos sendo alcançados, mas, por outro lado, os personagens são bem descritos. Apesar das qualidades serem enfatizadas, os defeitos também são destacados, tirando aquela aura de seres totalmente bons. - comentou segurando o terceiro cujo marcador estava no capítulo final. - O protagonista, por exemplo, é bem intencionado, mas é impulsivo e, por não pensar antes de agir, gera muitos problemas ao grupo. Parece o dobe...

Ao ouvir a comparação, o Uchiha não deixou de notar o rosto da garota se avermelhar enquanto ela cruzava os dedos das mãos pousadas sobre o colo.

- Eu também acho o que o protagonista se parece com o Naruto-kun. - ela respondeu, transformando o nome mencionado em um suspiro. Ajeitando-se no banco de madeira, a jovem logo tentou desviar o assunto. - Mas... acho que você não percebeu que o foco da história não é a conquista em si, Sasuke-kun. É a jornada.

O rapaz apenas observava o maneirismo que ela usou para se recompor após citar o loiro. E Sasuke se lembrou do dia em que descobrira o seco. "Ah, então é isto", concluiu.

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Sasuke notou que quando a conversa desviava da ficção e focava em assuntos comuns cotidianos, o nome do melhor amigo de alguma forma rolava pelos lábios da Hyuuga. O carinho que aquela palavra tinha para a jovem o fez se questionar se o loiro nunca havia percebido.

Até mesmo questionou o amigo em um dia em que treinavam, quando a Hyuuga não pode comparecer ao encontro no sebo por causa de uma reunião do clã.

- Ahn? A Hinata? Ela é só uma amiga. - ah, sim! Agora finalmente havia se lembrado do nome e agradeceu secretamente ao amigo por essa conversa. - Mas mudando de assunto... adivinha só, teme... a Sakura aceitou sair comigo!

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Os assuntos do clã Hyuuga se estenderam por mais dois dias e Sasuke já estava impaciente. Queria encontrar com a Hinata para questionar sobre o desenvolvimento do último capítulo e cobrar o empréstimo prometido. Mesmo sem encontrá-la, permaneceu dedicando parte de suas tardes ao sebo, vasculhando por algo que pudesse ser o novo tópico das conversas.

- Este lugar fica vazio sem ela, não é mesmo? - comentou a senhorinha que ajeitava alguns livros.

Sem responder, o rapaz apenas deu as costas e foi embora.

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Três dias e apenas um capítulo. Mesmo assim, parecia que o rapaz queria compensar o tempo em que ficara em silêncio e a conversa durou muito mais que o esperado. 

Com o quarto livro em mãos, o local do debate não era mais o banco de madeira e sim o caminho de um restaurante de gyouza. Mas ao passarem por Naruto, a feição animada de Hinata desapareceu quando o olhar pousou nos dedos entrelaçados aos de Sakura. Cumprimentaram-se brevemente e seguram o caminho.

Na entrada do estabelecimento, a Hyuuga fincou os pés no chão e, de cabeça baixa, anunciou:

- Desculpe, Sasuke-kun, eu perdi a fome. Estou indo para casa.

E o Uchiha apenas observou a jovem praticamente correr e sumir ao dobrar a esquina.

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Quando se encontraram novamente, Sasuke preferiu não dizer coisa alguma sobre a vermelhidão em volta dos olhos da Hyuuga, mas a constante expressão de quem estava lutando bastante para não verter mais nenhuma lágrima o incomodava.

Focou a atenção na estante de livros a sua frente.

- O Naruto-kun e a Sakura-chan parecem bem felizes... - comentou mais para si mesma do que para o rapaz.

Sasuke, quem havia ouvido o amigo comentar com todos os detalhes o beijo que recebido de Sakura - e só assim entendeu a cobrança para ter mais sensibilidade com as declarações que recebia -, olhou para a jovem ao seu lado que sequer havia erguido a cabeça em algum momento naquela tarde.

- Sim. - concordou.

Em seguida, o rapaz puxou da estante um livro de, aparentemente, 600 páginas e estendeu para a Hyuuga.

- Leia este. - ordenou. - É o meu favorito.

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Naruto já não o incomodava mais por não treinarem juntos com tanta frequência e sentiu que deveria agradecer à Sakura pessoalmente algum dia desses. Deste modo, poderia se dedicar mais às leituras e discuti-las com Hinata. Tal pensamento provocava uma inquietação no rapaz. Já nem lembrava mais do tédio que a ausência de missões há muitas semanas atrás havia provocado.

Assim como descobriu novos livros, Sasuke descobriu que a Hyuuga tinha uma grande paixão para doces, romances e cachorros - principalmente o Akamaru. Ouvia com uma espécie de devoção tudo o que a jovem lhe contava, seja sobre suas missões ou sobre Mirai, a filha de sua sensei. E, de alguma forma, o nome do melhor amigo sempre encontrava uma brecha para escapar dos lábios dela, como quem saboreava a palavras. Mas era na boca de Sasuke que ficava um sabor amargo.

Ajudando a jovem a carregar alguns livros para escambo no sebo, o Uchiha sugeriu um suspense para ser o novo tópico de conversa.

- Desculpe, Sasuke-kun. Eu não poderei o ler tão cedo. - anunciou ela. - Estarei em missão pelos próximos seis dias.

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Já não sabia mais o que fazer com tanto tempo livre e, estranhamente, ler mais livros já não parecia mais tão interessante.

- São tempos de paz, Sasuke. Tenho dificuldade até para dar missões para gennins - resmungou Kakashi por baixo da máscara. - Além do mais, você ainda está proibido de sair da vila. A não ser que algo extremamente grave precise da sua colaboração. - e, antes que o rapaz respondesse. - Não abuse da sorte.

Observando o perfil do ex-aluno, o hokage desviou sua atenção para os papéis em sua mesa.

- Abriu um novo restaurante no centro. - o mais velho comentou.

- E daí?

- E daí que pode ser bom lugar para você levar a Hinata-chan, já que têm passado muito tempo juntos. - rebateu ainda olhando as burocracias impressas, mas ao erguer os olhos diante da falta de resposta, notou que o Uchiha havia saído furioso, considerando o som dos passos pesados gradativamente diminuindo pelo corredor. - Toquei num ponto sensível, hun?

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No dia em que Hinata anunciou que retornaria, Sasuke sentiu uma enorme agitação. Ansiava tanto em vê-la e até mesmo pensou em fazer compras em um mercado próximo aos portões da vila onde quem chegasse, passaria em frente de qualquer forma - mesmo que nunca frequentasse este lugar em específico. Mas ao refletir sobre tamanha inquietação, a resposta o atingiu como um raio.

Mesmo com a sensação de peso em seu estômago, não conteve o desejo de fazer compras.

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Com o retorno de Hinata, veio o retorno da rotina.

Seus pés o levavam pelo caminho já conhecido, num ritmo automático. Ocuparia seu tempo com outras coisas -não deveria, afinal? Reconstruir o antigo distrito onde morava, sua redenção, até mesmo o aperfeiçoamento de suas técnicas ninjas. Mas ela o esperava.

Durante o caminho, pensava no infortúnio da recém descoberta sobre o motivo da sua ansiedade. A vila poderia até ignorar os seus crimes, mas os deuses -"se realmente houver alguma divindade que rege o destino", considerou - eram implacáveis. Não o deixariam impune enquanto os demais o perdoaram, ao menos este ponto em seu coração não teria paz. Então por que insistir se o coração dela já estava tomado? 

Mas seu passo não cessava, "Ela está me esperando".

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Konoha estava agitada ultimamente. O festival de primavera se aproximava e, com isto, os casais já se mostravam ansiosos. Apesar de celebrarem a época das flores - em especial, o desabrochar das cerejeiras -, a data foi atribuída ao romance.

"Deveria chamar alguém para o festival", a sugestão da Sakura ecoou em sua mente enquanto esperava Hinata em uma aconchegante lanchonete próxima ao sebo. Mas assim que a Hyuuga entrou no local e colocou o par de pérolas sobre ele, o rapaz se acovardou - e talvez seja por isso que nunca mais a havia convidado para o restaurante de gyouza, pois tinha a impressão de que ela fugiria novamente.

"Assim já está bom", consolou-se. Se apenas pudesse manter as coisas como estão...

- Sasuke-kun... - ela o chamou num suspiro, parecido como quando havia falado de Naruto para ele pela primeira vez.

Ao encarar as enormes pérolas, sentiu o coração tão rebelde que parecia fora do lugar.

- Gostaria de ir ao festival da primavera comigo?


Notas Finais


¹ Trabalho de campo: constitui parte de um experimento científico, onde os pesquisadores, em questão, deslocam-se até o local onde um grupo/evento será estudado. É um termo que tomei emprestados dos meus amigos graduandos em antropologia para fingir que sou um pouco culta, hahaha.

Capa da fic é uma arte do ilustrador Ilya Kuvshinov e a do capítulo foi retirada do perfil @xchxara, no Pinterest.

Perdão pelas fics que eu deixei incompletas, há muito estudo que preciso fazer antes de terminá-las, além de uma necessária revisão para corrigir problemáticas (além de creditar os artistas de quem tomei emprestadas as fanarts, claro). Mas senti uma súbita vontade de experimentar histórias curtas, um desejo impulsionado pelas minhas últimas leituras, confesso. Desculpem pelos erros ortográficos, apenas fiquei impaciente e escrevi tudo nessa página e em vez de preparar um documento no word.
Enfim, espero que gostem. Comentários, além de estimulantes, são uma forma de me aproximar de quem dedica um tempinho para ler o que escrevo. Obrigada a todos os leitores.


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