História Efeito Borboleta - Capítulo 22


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Categorias Jogos Vorazes (The Hunger Games)
Personagens Annie Cresta, Cashmere, Cato, Clove, Coriolanus Snow, Delly Cartwright, Effie Trinket, Enobaria, Finnick Odair, Gale Hawthorne, Glimmer, Haymitch Abernathy, Johanna Mason, Katniss Everdeen, Madge Undersee, Marvel, Peeta Mellark, Personagens Originais, Primrose Everdeen, Rue, Seneca Crane
Tags Amizade, Drama, Everllark, Ficção, Life Is Strange, Mistério, Peetniss, Romance
Visualizações 35
Palavras 4.739
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Luta, Mistério, Policial, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Volteiiiiiiii =D
Espero que gostem, beijos!

Capítulo 22 - Duas Luas.


Fanfic / Fanfiction Efeito Borboleta - Capítulo 22 - Duas Luas.

Morte. A palavra, por si só, já carrega um grande peso. É a única certeza que temos na vida, a de que morreremos algum dia. Mas é difícil se preparar para perder alguém. A dor, a raiva, a angústia, a tristeza, a amargura, a agonia, a culpa, a revolta... Muita revolta. Ninguém está preparado para enfrentar tragédias, para aceitar perdas, para aceitar o fato de a vida ser tão frágil. Isso fica na cabeça, no coração, na alma. Algumas almas elevadas conseguem lidar bem com as perdas, mas acredito que a grande maioria das pessoas – incluindo a mim – não está pronta para ver arrancado de sua vida alguém que ama. A gente sente uma saudade diferente. É uma saudade amarrada pela certeza de que nunca vai passar. É uma saudade que vai ser eterna. Um vazio que parece invadir nosso peito. Uma sensação de que você não está vivendo aquilo. Uma vontade de que seja tudo um sonho. Um desespero que não conseguimos explicar. Mas quando o descontrole inicial passa, você cai na real; a pessoa já não está mais em sua vida, não daquele jeito que você estava acostumado. Então a gente apenas se acostuma a conviver com a ausência, mas não esquecemos, não deixamos de sentir falta. As memórias permanecem, o peito aperta em cada lembrança, e só o tempo mesmo para acalmar o coração.

Katniss já havia chorado, já havia gritado, já havia posto para fora toda a dor causada pelas novas feridas feitas em sua alma, e agora tudo o que lhe restava era o vazio no peito. Todos nós vínhamos com cicatrizes, mas as tantas outras que adquiríamos ao longo de nossas vidas nos tornavam ainda mais frágeis e quebradiços. Vê-la tão machucada daquele jeito era tão ou mais doloroso do que ter um punhal cravado em meu coração, mas independente de o quão irremediável e angustiante fosse aquela situação, ainda sim, Katniss permanecia ali, de pé, pronta para enfrentar o responsável pela morte de sua melhor amiga. Por mais que sua dor fosse grande, sua coragem e determinação eram muito mais. E eu a admirava profundamente por isso.

— Espero que o Gale aproveite a última festa dele. — a voz da morena soa gélida e arrastada, sobressaindo-se perante a música alta que emanava do ginásio da Blackwell.

— Katniss, nós podemos ir até a polícia. Temos provas incriminadoras o suficiente. — argumento, pelo que parecia ser a milionésima vez. Já fazia alguns minutos que estávamos parados ali no estacionamento da Blackwell, discutindo sobre o fato de a morena querer enfiar uma bala na testa de Gale.

— Foda-se a polícia! — esbraveja; os olhos faiscando de raiva e o maxilar rígido — Johanna queria que a encontrássemos para conseguir a verdadeira justiça e vingança. Os Hawthorne merecem isso a centenas de anos e ninguém ficará no meu caminho. — ela aperta o volante com certa força e acabo suspirando audivelmente. Eu sabia exatamente o que ela estava fazendo, e por mais que não concordasse, não pretendia fazer nada para impedi-la. Cada um tinha seu modo de reagir perante a perda de um ente querido, e Katniss estava convertendo toda a sua dor e angústia em fúria e revolta — Você vai me ajudar, não vai? — pergunta meio temerosa e sorrio-lhe ternamente, em uma tentativa de passar-lhe conforto.

— Estou com você até o fim, Marrentinha. Você sabe disso. — levo uma de minhas mãos até seus cabelos para afastar algumas mexas da frente de seu rosto, e como resposta, ela apenas assente, inclinando-se alguns centímetros para capturar meus lábios em um selinho longo.

Depois de a morena conferir se o revolver estava carregado com todas as balas, saímos de sua caminhonete, sendo prontamente abraçados pelo vento gélido da noite. A música que vinha do Clube Vortex, onde estava acontecendo a “Festa do Fim do Mundo”, se tornava cada vez mais audível conforme subíamos as escadas para o campus, assim como a voz de alguns alunos que ali fora residiam com suas cervejas e cigarros.

— Mas que porra é essa?!

— Droga! Isso é igual aquele eclipse.

— Sim. Olhe para o contorno...

Essas eram só algumas das frases que se sobressaiam por entre os murmúrios do grupo de alunos a nossa esquerda. Confuso e curioso, segui com o olhar para onde eles estavam apontando e me deparei com algo completamente insano. Acima de nossas cabeças estava o céu repleto de estrelas, acompanhado de duas luas cheias. Uma, entretanto, encontrava-se levemente destorcida, como se fosse uma miragem, porém vivida o bastante para me fazer temer o que estava por vir. Seria aquela mais uma consequência da minha viagem temporal?

— Mas o que diabos é isso? — questiono assustado — Katniss, olhe para o céu! — peço e assim ela o faz, porém seu maxilar permanece rígido, assim como sua expressão impassível.

— Lindo, mas estou pouco me fodendo para o fim do mundo. — fala com indiferença, como se aquilo não fosse nada, e então volta a seguir seu caminho em direção à entrada da Blackwell.

— Droga, Katniss! Será que você não percebe que algo maior está acontecendo? — inquiro um tanto indignado, após uma rápida corrida para alcançá-la.

— Sim, percebo. Mas nada neste momento é mais importante do que o fato de Gale Hawthorne ainda estar vivo! — rebate rispidamente, fuzilando-me com o olhar, e apenas ergo minhas mãos em sinal de rendição, suspirando pesadamente segundos depois.

— Bem-vindos ao fim do mundo, pessoal. — uma Delly um tanto alterada e cambaleante aparece em nossa frente, bloqueando a nossa passagem para o ginásio — Fico feliz por vocês estarem aqui...

— Delly, você andou bebendo? — questiono ao segurá-la pelos ombros, evitando assim uma possível queda após ela tropeçar nos próprios pés.

— Bem, se meia cerveja é considerado “beber”... — responde meio risonha enquanto tenta manter-se equilibrada em cima dos soltos, recebendo um revirar de olhos da parte de Katniss.

— Peeta, vamos. Não podemos perder tempo. — chama completamente impaciente, e quando faço menção de segui-la, Delly segura em minha mão, impedindo-me de dar o próximo passo.

— Eu sei que é uma hora ruim, mas... posso tirar uma foto com você? — pede com a voz arrastada — Sinto como se fosse mesmo o fim do mundo, então... Eu só queria ter algo para a posteridade. — não vendo mal algum no pedido da loira, apenas assinto, e pelo canto do olho vejo Katniss cruzar os braços enquanto bufa; nitidamente irritada.

Delly aproxima-se um pouco mais de mim e rapidamente retira o celular do bolso, quase caindo novamente ao se desequilibrar, e então me abraça desajeitadamente pelos ombros, enfim tirando a sua tão desejada fotografia.

— Não temos tempo para essa merda. Vamos logo, Peeta! — Katniss puxa-me pela mão de modo meio brusco, fazendo o corpo de Delly afastar-se rapidamente do meu. Se eu não conhecesse a morena de olhos tempestuosos, poderia afirmar com todas as letras que ela estava com ciúmes.

— Desculpem... Eu só... Eu só queria me sentir uma aluna normal depois da loucura que foi essa semana. — a loira murmura constrangida e um tanto apavorada diante o olhar assassino que Katniss a estava lançando.

— Está tudo bem, Delly... — sorrio minimamente para tranquilizá-la — Agora vá para seu quarto e tente descansar um pouco, está bem? Chega de cervejas por hoje. — ela assente freneticamente e dou-lhe as costas para acompanhar os passos apressados de uma certa morena impaciente.

Quando enfim conseguimos adentrar o ginásio, a música estava tão alta que tivemos que tapar nossos ouvidos por alguns segundos até acostumar-nos com a barulheira. Aquilo estava uma completa loucura. Luzes coloridas piscando por todos os lados, adolescentes dançando, bebendo, se beijando, pulando na piscina, enquanto uns tantos outros se encontravam completamente apagados de tão bêbados que já estavam. O cenário perfeito para se sequestrar garotas inocentes sem que ninguém desse falta.

— Acho melhor a gente se separar, Peeta... Assim será mais fácil encontrar aquele riquinho filho da puta. — a voz de Katniss ressoa próxima ao meu ouvido, sobressaindo-se em meio a toda aquela barulheira, e rapidamente direciono minha atenção para ela, completamente alarmado.

— O quê? Não, Katniss! De jeito nenhum! — nego prontamente.

— Peeta, com tanta gente nessa maldita festa, será quase impossível achá-lo! Se nos separarmos, pouparemos um tempo muito precioso. — tenta convencer-me, mas as imagens de seu corpo completamente sem vida caído sobre o piso do banheiro invadem minha mente, fazendo meu coração ser comprimido dentro do peito.

— Não, Katniss. Eu não vou deixar você ir atrás do Gale sozinha. De jeito nenhum. — nego novamente e ela segura meu roto por entre suas mãos, olhando-me tão profundamente que me sinto inteiramente a mercê de suas vontades.

Amor... Eu prometo que não farei nada, ok? Se eu o encontrar, lhe mandarei uma mensagem e nós resolveremos isso juntos, está bem? — propõe, fazendo-me ponderar por alguns instantes.

— Você promete? Promete que não irá fazer nada a menos que eu esteja com você? — repouso minha testa na sua, sentindo minha respiração torna-se descompassada devido à possibilidade de algo acontecer a ela.

— Eu prometo. — ela abre um pequeno e singelo sorriso, porém o mesmo não chega aos seus olhos, que se encontravam carregados de melancolia — Sempre.

Sempre. — repito baixinho antes de tomar seus lábios nos meus em um beijo lento e cheio de carinho. Eu precisava daquilo para ter certeza de que ela ficaria bem.

Após o beijo ser finalizado, fui obrigado a observá-la se afastar apressadamente por um dos lados da piscina, e quando sua silhueta já não estava mais ao alcance dos meus olhos, segui pelo lado oposto ao seu, esbarrando em um ou outro adolescente embriagado enquanto tentava chegar à área vip da festa que, por sinal, estava dez vezes mais desagradável do que a área externa. Como alguém poderia se divertir em meio aquele cenário de insensatez e leviandade? Aquilo possuía uma atmosfera tão carregada de sexo e drogas que chegava a me dar ânsia de vômito.

Depois de quase vinte minutos perguntando a cada um que esbarrava em mim sobre o paradeiro de Gale, avistei Glimmer dançando com seus amigos, próximo ao palco onde seria anunciado o grande vencedor da competição Heróis do Cotidiano. E se havia uma pessoa no meio de toda aquela agitação que poderia me informar com precisão o paradeiro de Gale, essa pessoa era Glimmer, sua melhor amiga.

— Glimmer, será que eu posso falar com você por um instante? — peço ao tocar de leve em seu ombro, fazendo a mesma parar de dançar no mesmo instante para poder me encarar.

— Foi mal, Mellark, mas não falo com perdedores. E aqui só é permitido membros do Clube Vortex. — despeja com menosprezo e prepotência.

— Bom, sinto muito em lhe informar, mas... estou na lista de convidados. — sorrio com escárnio e a expressão da loira rapidamente se transforma.

— Não sei quem foi o imbecil que te colocou na lista, mas farei questão de tirar você daqui, agora! — rosna ao aproximar o rosto do meu com o intuito de me intimidar, mas como resposta, apenas reviro os olhos, completamente impaciente para as ceninhas ridículas de vadia rica e mimada que ela era acostumada a fazer.

— A minha vontade agora é de mandar você ir tirar uma selfie na casa do caralho, Glimmer. Mas infelizmente não tenho tempo para essa merda. — respiro profundamente, tentando de algum modo acalmar meus nervos que estavam quase que em seu limite. Glimmer conseguia tirar qualquer um do sério, até a pessoa mais calma da face da terra — Você ao menos faz ideia do que está acontecendo na Blackwell? A Madge tentou se matar na nossa frente... na frente de todos aqui!

— Isso não é culpa minha, Mellark. Nem tente me culpar! — rebate secamente, fuzilando-me com o olhar.

— Eu não estou te culpando, Glimmer, mas você sabia que a Mad tinha um grupo da igreja e que não ia às festas. Então porque você publicou a porcaria daquele vídeo? — questiono um tanto indignado, e vejo sua expressão ir de irritada para pesarosa.

— E-Eu... Eu não... — ela suspira pesadamente antes puxar-me pela mão para um lado mais afastado e menos barulhento da festa — Eu juro que nós não íamos fazer isso. Mas acabamos exagerando nas doses de vinhos e agimos como idiotas...

— Mais do que idiotas. — interrompo-a — Foi cruel, detestável. A Mad nunca fez nada a vocês. E para piorar, isso não os impediu de fazer mais um vídeo dela, agora no telhado. — cruzo os braços, completamente desacreditado com o quanto as pessoas poderiam ser tão desumanas.

— Eu excluí aquilo do meu celular. Juro que excluí. — revela quase que em desespero — Talvez eu não seja amiga da Madge, mas a tentativa de suicídio dela foi algo sério e que mexeu comigo. Não sou nenhum monstro, Peeta. — seus olhos adquirem um brilho diferente devido às lágrimas, demonstrando-me o quão arrependida ela estava.

— Eu acredito em você, Glimmer. Mas sinceramente não te entendo.

— Digo o mesmo, Peeta. Eu sempre sinto como se tivesse que compensar excessivamente... Só não sei exatamente o quê. — confessa e seu olhar se torna distante por alguns instantes — Bom, de qualquer forma, só estou aqui para ser uma fotografa, não presidente.

— Você possui muito talento, Glimmer. — reconheço — Mas está sempre cometendo o pecado de empurrar as pessoas para fora do seu caminho quando, na verdade, não a necessidade disso.

— Você não entende. — ela ri sem humor — Meus pais são donos de uma galeria. Eu sei como esse jogo de arte deve ser jogado... É brutal.

— Não, Glimmer. A arte não se trata de um jogo, mas sim de uma auto-expressão lutando para ser absoluta. Ela é tudo aquilo que não conseguimos por em palavras... É o lugar da liberdade perfeita. — abro um pequeno sorriso ao ver o quão transparente ela estava naquele momento — Você tem um dom... incrível. Não o desperdice com a finalidade de desmerecer as pessoas. — aconselho.

— Obrigada, Peeta. De verdade. — ela sorri, e pela primeira vez vejo que é um sorriso verdadeiro, sem qualquer resquício de prepotência ou deboche — Droga! Estou emotiva demais hoje. — resmunga meio risonha quando uma lágrima solitária lhe escapa — Mas e então, o que você queria falar comigo antes dessa nossa pequena sessão de terapia?

O sorriso que desenhava meus lábios rapidamente se desfez e a seriedade tomou conta de minha face. Ao ver minha mudança súbita de humor, a loira a minha frente franziu levemente o cenho e passou a me direcionar um olhar inquisitivo.

— Você por um acaso viu... o Gale? — pergunto um tanto apreensivo.

— Não. Eu não o vi, mas já era para ele estar aqui. — ela pondera, franzindo ainda mais o cenho antes de estreitar os olhos em minha direção — Por quê? — questiona intrigada.

— Bom, eu não sei nem como te falar isso, mas... você está correndo perigo, Glimmer. — solto de uma vez e os olhos da loira se arregalam em espanto — Eu sei que o Gale é seu amigo, mas ele é completamente instável e perigoso. Ele drogou a Madge naquela maldita festa para que pudesse levá-la para um lugar afastado da cidade, um lugar sombrio e totalmente macabro. — revelo sem rodeios.

— O quê?! Acho que você está enlouquecendo, Mellark. — ela solta uma risada nervosa enquanto balança a cabeça negativamente — Isso é... uma maluquice. Porque ele faria isso?

— Eu não sei, Glimmer. Mas foi o suficiente para fazer a Mad querer morrer... — solto com pesar, sentindo um gosto amargo subir por minha garganta — E eu acho que você é a próxima.

— Peeta, isso é loucura! — nega veementemente ao dar alguns paços para trás, parecendo um tanto desnorteada — Gale é um dos meus melhores amigos. Sim, ele toma remédios fortes, mas não é culpa dele. A família Hawthorne o trata como se fosse uma grande aberração só porque ele tem as suas pequenas crises. — ela tenta soar firme, mas posso sentir certa fragilidade em suas palavras.

— Não são mais pequenas. São mortais. — rebato, passando as mãos nervosamente por meus cabelos — Não importa se você me odeia, mas você tem que acreditar em mim, Glimmer... Por favor. — suplico, segurando-a pelos ombros enquanto olho diretamente em seus olhos, de modo profundo e até mesmo desesperado.

— Peeta, eu não odeio você... Talvez eu tenha inveja pelo fato de você não dar a mínima para o que os outros acham, muito diferente de mim. Mas, definitivamente, não é ódio. — confessa em tom baixo, como se aquilo fosse um segredo que jamais devesse ser revelado — Entretanto... devo reconhecer que o Gale tem andado muito assustador nesses últimos dias e, sinceramente, isso tem me assustado. Tem me assustado muito. — seus olhos me encaram um tanto amedrontados — Eu não sei o que está acontecendo e por mais que eu já tenha perguntado, ele não me fala absolutamente nada. Será que ele está metido em algum problema barra pesada? — questiona, enquanto seu peito sobe e desces de modo frenético em consequência de sua respiração descompassada.

— Eu não sei, Glimmer. Mas por via das duvidas, apenas certifique-se de ficar longe dele esta noite, está bem? — peço um tanto apreensivo e ela rapidamente assente.

— Pode deixar... E obrigada, por tudo. Sei que não sou uma pessoa fácil de lidar, mas ainda sim, você veio até aqui para me alertar e isso foi muito gentil de sua parte. — seus olhos fitam-me com simpatia e até mesmo certa admiração, enquanto me limito a um breve aceno — Bom... e se tudo o que você acabou de me contar for mesmo verdade, então é melhor tomar cuidado também.

— Não se preocupe, eu tenho a minha própria proteção. — sorrio genuinamente.

— Certo... Hmm... Mande-me uma mensagem caso precise de algo, ok? — pede um tanto retraída.

— Pode deixar... Agora eu tenho que ir. Boa sorte com a competição. — desejo com sinceridade, já começando a dar alguns paços para trás.

— Sorte é para principiantes, Mellark. Mas mesmo assim obrigada. — o sorriso prepotente volta a desenhar seus lábios e apenas balanço a cabeça negativamente antes de dar-lhe as costas, deixando que um riso baixo me escape.

Uma vez Glimmer, sempre Glimmer.

Após afastar-me por completo da loira, guio meus passos por entre os diversos adolescentes no auge de sua “animação” alcoólica, a procura de Katniss. Porém a morena parecia não estar em lugar algum, e quando o desespero de que algo ruim pudesse ter acontecido a ela me abateu, finalmente a encontrei próxima a entrada da área vip.

— Aí está você! — exclama assim que paro a sua frente, deixando levemente de lado a expressão emburrada, que até então dominava os traços delicados de sua face — Você conseguiu algo? Porque ninguém para quem eu perguntei sabe daquele maldito infeliz!

— Ao que parece, ele não está aqui. — respondo ao soltar um suspiro frustrado.

— E definitivamente não está lá em cima, muito menos nos armários. — completa ao cruzar os braços.

— Merda! — praguejo, fechando os olhos por alguns segundos com o intuito de pensar com mais clareza, até que um lampejo de memória daquela manhã surge em minha mente — O dormitório! Ele pode estar escondido no dormitório.

— Então vamos nessa! Gale não pode mais se esconder. — as luzes acabam entrando em contraste com os olhos da morena, e tudo o que vejo antes de a mesma sair me arrastando pela mão em direção a saída, são suas pupilas dilatadas e flamejantes devido a constante de emoções. No entanto, antes mesmo de termos a chance de chegar até a saída, Seneca aparece sorridente a nossa frente.

— Peeta, Katniss! Vocês realmente vieram. — ele ajeita os óculos em sua face, fazendo Katniss praguejar baixinho ao meu lado pela interrupção.

— Ah, sim, não poderíamos perder essa... grande festa. — minha voz sai exasperada e acabo me praguejando mentalmente por isso.

— Hm... Vocês estão bem? Parece até que estão em uma missão... — observa meio risonho.

— Só estávamos procurando o Gale. — Katniss solta um tanto rude e a olho de um modo repreensor. Eu sabia perfeitamente que a morena estava impaciente, irritada e principalmente nervosa, mas ela não poderia perder o controle, não ali, não naquele momento.

— Ah... Eu não sabia que vocês eram amigos dele. Eu não o vi desde hoje à tarde. — fala um pouco mais alto para que sua voz possa se sobressair em meio à música — Ele me parecia bem furioso. Acho que ainda está chateado com toda a situação da Madge.

— É, deve ser isso. — assinto, mesmo sabendo que aquele definitivamente não era o motivo pelo qual Gale estava tão descontrolado e revoltado.

— Bom, vamos deixar para conversar depois. Agora tenho que anunciar o vencedor da competição... Queria que você tivesse participado, Peeta. — seus olhos me encaram com certo lamento — Mas não irei pressioná-lo, todo artista tem o seu tempo e respeito isso. Entretanto, você sabe que tem que fazer o seu currículo e portfólio, certo?

— Sim... E eu irei fazer. Não se preocupe. — sorrio forçadamente para meu professor.

— Ótimo, então eu vou indo. Até daqui a pouco. — ele nos lança um pequeno sorriso antes de sumir por entre as pessoas.

— Até que enfim... — Katniss joga as mãos para o alto, completamente impaciente — Vem, vamos dar o fora daqui, Peeta.

A morena entrelaça nossos dedos e novamente me puxa em direção à saída, contudo, acabo estancando no lugar quando a música é pausada para Seneca anunciar o grande vencedor da competição. Katniss até tenta puxar-me novamente, porém a impeço de tal ato. Eu sabia que ela estava ficando cada vez mais impaciente e que, naquele momento, poderia ser facilmente comparada a uma granada prestes a explodir. No entanto, eu necessitava saber quem seria o vencedor que teria sua fotografia exposta em uma das galerias mais renomadas de São Francisco, e quem dirá até mesmo do mundo.

Seneca deu início a um pequeno discurso onde agradecia a todos os alunos que haviam enviado suas fotografias, e até mesmo aqueles que haviam somente pensado em enviar. Para complementar, ele ressaltou também o quanto aquele momento significaria para a Academia Blackwell, assim como também significaria para a carreira do – até então desconhecido – vencedor, que como principal etapa de sua carreira artística, teria seu trabalho compartilhado com o mundo, permitindo a todas as almas mais sensíveis sentirem tudo aquilo que você sentiu ao capturar uma imagem em uma fotografia. Porque fotografar era muito mais do que somente congelar momentos para que estes nunca fossem esquecidos por nós. Fotografar era também colocar na mesma linha a cabeça, o olho e o coração. Era fazer uma pessoa sorrir e ao mesmo tempo chorar. Era deixar exposto todos os seus temores, e também todos os seus amores.

—... Todos vocês simbolizam o que a Academia Blackwell é. E até onde sei; todos aqui são Heróis do Cotidiano! — Seneca sorri ao concluir seu prévio discurso, logo recebendo uma onda de aplausos como resposta — Bom, agora o envelope, por favor. — pede a um de seus assistentes e todo o ginásio se põe em silêncio a espera do resultado — E o vencedor é... Glimmer Rambin! — o ginásio vai à loucura com a vitória da loira, que não perde tempo e logo sobe ao palco, ocupando o lugar de Seneca.

— Oh, meu deus! Muitíssimo obrigada, Sr. Crane... Foi a sua incrível fotografia que me trouxe à Blackwell e espero que eu possa chegar à altura de seu nome e da sua fama. — ela lançar um sorriso um tanto sagaz para nosso professor, antes de voltar sua total atenção para a plateia, adquirindo uma postura séria e até mesmo... melancólica? — Também quero agradecer a todos os alunos por se dedicarem. E eu gostaria de dedicar este premio à Madge Undersee... Ela sim é a verdadeira heroína do cotidiano e eu mal posso esperar para que ela volte. — encolhe levemente os ombros e sorri sem jeito — Bom... Isso e tudo, pessoal. Obrigada. — a loira deixa o palco sobre mais uma onde de aplausos e assovios.

— É. Eu já devia imaginar que Glimmer ganharia. — solto um suspiro decepcionado enquanto balanço a cabeça negativamente — Não acredito que ela chantageou o Crane.

— Bem... Eu acredito. — Katniss descruza os braços e vira-se de frente para mim — Mas quem se importa? A Johanna está morta e eu só quero o maldito do Gale... Agora! — praticamente rosna e só então noto o quão escuros, agitados e revoltos seus olhos estavam naquele instante. Uma perfeita tempestade.

— Eu também, Marrentinha. — sorrio minimamente para tentar amenizar o clima tenso e pesado que pairava sobre nossas cabeças desde a descoberta sobre Johanna — Bom, então vamos. O quanto antes o acharmos melhor.

Desta vez sou eu quem entrelaça nossos dedos e saio guiando nossos passos para fora do Clube Vortex. O barulho enlouquecedor da música eletrônica logo ficou para trás, deixando que apenas o silêncio reinasse sobre nós, enquanto seguíamos em direção ao dormitório masculino. Entretanto, antes mesmo de termos a chance de atravessar o campus, Katniss recebeu uma mensagem de Gale, onde o mesmo ameaçava, dizendo que não sobrariam provas sobre a morte de Johanna depois que ele terminasse seu trabalho no ferro-velho. A morena prontamente entrou em pânico com aquela possibilidade, e como um piscar de olhos, logo sua caminhonete estava sendo estacionada de qualquer jeito por entre os entulhos do ferro-velho.

Com a lanterna de nossos celulares iluminando a pequena trilha por entre os objetos enferrujados, seguíamos em passos apreçados, porém silenciosos, até o local onde havíamos encontrado o corpo sem vida de Johanna. O frio da noite abraçava nossos corpos enquanto ambas as nossas respirações encontravam-se descompassadas. Eu estava com medo, apavorado na verdade. A situação era tensa e só piorava conforme um pressentimento ruim e sufocante ia se apossando cada vez mais de meu interior, deixando meu coração apertado, comprimido dentro do peito. Gale era completamente louco, e a aquela altura do campeonato, eu já não duvidava mais de suas ações.

— Céus! Ainda bem! Olhe, Peeta... ela ainda está ali. — Katniss fala em meio a um suspiro profundo e aliviado, usando uma de suas mãos para apontar em direção ao corpo de Johanna que permanecia no mesmo local. No entanto, ao invés de me sentir igualmente aliviado, o sentimento que preencheu meu interior naquele momento foi o de preocupação.

Se as evidencias estavam ali, onde estaria Gale?

Antes mesmo de minha mente conseguir formular alguma teoria sobre aquela constatação, senti uma fisgada na lateral esquerda de meu pescoço e, quase que de modo instantâneo, minha cabeça começou a girar e meu corpo perdeu suas forças, indo de encontro ao chão. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas sem sombra de duvidas, não era nada bom. Com muito esforço consegui erguer uma de minhas mãos, no intuito de usar meus poderes para evitar qualquer que fosse a possível tragédia, no entanto, era como se minha cabeça estivesse pesada demais, meus pensamentos nublados demais para que eu conseguisse tal ação. E foi então que, naquele momento, pude sentir cada mínima célula de meu corpo vibrar em completo pavor quando cheguei à conclusão de que haviam me drogado. Sim. Haviam me drogado, e tudo o que eu mais temia estava prestes a acontecer.

— K-Katniss... Cuidado... — minha voz não passa de um sussurro entrecortado, mas por sorte, ele sai alto o suficiente para que a morena possa ouvir.

— Mas que porra é essa? — suas palavras saem arrastas e no mesmo instante ela se põe de pé, sacando apressadamente sua arma da cintura, no entanto, já era tarde demais.

Um disparo. Um único e miserável disparo. E tudo o que vi nos próximos milésimos de segundos fora o corpo da morena, da minha Marrentinha, ser jogado com força para trás devido ao impacto do tiro. Dor, raiva, desespero, impotência... Esses sentimentos eram somente uma pequena parcela comparado a tudo o que eu estava sentindo naquele momento ao ver, quase que em câmera lenta, o corpo da pessoa que eu mais amava cair imóvel e completamente sem vida sobre o de Johanna Mason.

Katniss... Seu nome, como um grito de completa agonia e tortura ficou preso em minha garganta, enquanto minha visão, mesmo que embaçada pelos efeitos da droga, capturou a imagem de sua face tão bela e angelical ser manchada pelo sangue que escorria do ferimento em sua testa. Eu queria poder gritar, queria poder chorar, mas nem forças eu encontrava mais para isso. Sim. Eu a havia a perdido, mais uma vez.

A dor que eu sentia no mais profundo de minha alma era excruciante, apavorante, desesperadora, mas graças aos efeitos daquela maldita droga que havia sido injetada em minhas veias, eu podia sentir meu corpo relaxar gradativamente conforme ia perdendo a consciência. E tudo o que os meus olhos capturaram antes de eu ser levado pela completa escuridão, fora o sorriso doentio estampado nos lábios da pessoa que eu menos esperava encontrar ali. E essa pessoa era; nada mais, nada menos que o meu tão idolatrado professor de fotografia... Seneca Crane


Notas Finais


E então, o que acharam? Tenso, não?
Peeta se viu perdendo a Kat novamente, e agora as coisas ficarão ainda mais complicadas... Se preparem para os próximos capítulos rsrsrs
Beijos, nos vemos em breve ;-)


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