História Efeito colateral - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 2.112
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Festa, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Suspense, Terror e Horror
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Espero que gostem da história, boa leitura ❤

Capítulo 1 - Acidente


1

O relógio redondo pendurado ao lado da porta amadeirada, marcava exatamente 01:00 AM, mais da metade dos convidados - e descarados penetras -, já haviam saído da festa quando, Brad Carter, capitão do time de futebol do colégio, propôs que jogássemos um jogo tosco baseado em apenas desafios. Vítimas do tédio, não demorou muito para que todos nós aceitássemos fazer parte de algo que com certeza resultaria em uma grande merda.

Uma garrafa de cerveja barata no centro do piso envernizado da sala, decidia quem desafiava e quem seria o felizardo que iria ter de cumprir tal provocação. Estava na vez de Brad, o mesmo havia cumprido o desafio de virar três copos seguidos de whisky alguns minutos antes, ele segurou firme o gargalo do recipiente e girou o mesmo com precisão, uma, duas, três voltas que fizeram-me arregalar os olhos  com pena da pessoa que fora escolhida. Brad levava as brincadeiras à sério, isso todos nós já sabíamos, mas que ele não teria pena de um iniciando do primeiro ano, também não era nenhuma novidade.

- Pois bem ... - O moreno alto sorriu, estava achando graça do desespero aparente, do magro com óculos redondo, que o encarava. - Meu desafio é o seguinte: você vai ficar na frente de um alvo, enquanto eu atiro. - Ele sorria, deixando suas covinhas à mostra. 

- Mas que porra de desafio é este, Brad? - indaguei. Todos começaram a sussurrar algumas coisas que eu não tive paciência o suficiente para ouvir. - Por acaso, o whisky começou a fazer efeito?

- Fica quietinha ai, Becky. - Brad, esbravejou em resposta. - O desafio não foi pra você, foi? - Ele gesticulava enquanto falava, seu dedo indicador apontava diretamente para mim, mantendo a atenção de todos que estavam presentes na sala apenas em nós dois.

- Idiota. - Retruquei.

Jeff era apenas um moleque do primeiro ano, era caçoado pelos veteranos por usar óculos fundo de garrafa no formato redondo, haviam boatos de que sua mãe preparava seu almoço para que o mesmo levasse para escola, o que explicava ele não comer o que entregavam na cantina, mas ainda assim não eram motivos suficientes para tal crueldade vinda de, Brad. Infelizmente, não poderíamos fazer nada para salvar a pele do coitado, eram as regras, se ele aceitou participar teria de ir até o fim com isto.

Havia uma sala no final do corredor, o pai de Brad usava para praticar "tiro ao alvo" de vez em quando, algo super normal para uma pessoa que tem um filho como ele. A casa estava silenciosa e o único barulho eram os sussurros das pessoas duvidando se Jeff Moore seria capaz de cumprir o que lhe foi mandado fazer.

Levantamos do chão frio, caminhando logo em seguida na direção do cômodo, a porta era um pouco cinzenta denunciando a urgência em que precisava ser envernizada, as paredes brancas esbanjavam prateleiras com armas e balas, enquanto outras possuíam alvos que transpareciam imagens de pessoas.

- Ele vai ficar bem. - Ouvi Cole, sussurrar em meu ouvido, sorri para o mesmo tentando demonstrar uma expressão tranquila.

O loiro, me encarava através dos seus olhos tão azuis quanto o céu em dias ensolarados, sua companhia me transmitia calma e fazia eu me sentir segura em meio a essa maré de problemas.

- Espero que sim. - respondi baixo, Cole ouviria perfeitamente por estarmos próximos demais.

Jeff se posicionou em frente ao alvo, parecia tenso, nervoso e com medo. Por ser baixo, sua cabeça chegava apenas na altura dos ombros da mira em suas costas, suas mãos estavam trêmulas e uma gota de suor escorria descaradamente no topo de sua cabeça. 

Por um segundo, o ruivo olhou para mim e pude perceber que o mesmo esbanjava um sorriso meio torto. Alguns minutos se passaram e Brad avisara que a arma que ele usaria já havia sido engatilhada. Segurei as mãos de Cole com um aperto sutil sentindo o mesmo retribuir o toque, ele me mantinha calma. 

- Espera! - Gritei em um pequeno momento de desespero, chamando a atenção de quem estava presente.

- O que foi dessa vez? - Brad revirou os olhos com tédio.

- E se você errar? - Percebi Jeff arregalar os olhos, será que ele seria capaz de errar?

- Prefere fazer isso, você? - Ele sorria com deboche. - Vamos, vá em frente. - Ele estendeu a arma um tanto quanto pesada em minha direção.

- N-não. - Respondi com desânimo.

- Então não me atrapalhe. - Seu tom de voz era baixo e ameaçador.

Encolhe-me na parede ao lado de uma mesa marrom detalhada com tons suaves que  intercalavam entre vermelho e cor escarlate, contendo alguns papéis e documentos por cima.

O olhar de Carter pousou sobre Jeff mirando uns dois centímetros acima de sua cabeça, ele usava as duas mãos de uma maneira um pouco desajeitada para segurar a arma, seu dedo indicador parecia relaxado em cima do gatilho.

 

Contei mentalmente dez segundos e soltei todo o ar que eu segurava nos pulmões, apertei os olhos ao escutar um desparo e ouvi risadas baixas e abafadas ao meu redor.

Moore havia urinado nas próprias roupas, com os olhos lacrimejados ele encarava as pessoas, perplexo.

- Errei. - Disse Brad com um sorriso entre-dentes, como eu queria usar aquela arma contra ele agora.

O tiro havia atingindo a parede ao lado esquerdo da cabeça de Jeff, não havia alcançado nem ao menos o alvo.

- Você pode fazer melhor que isto, Brad. - Josh disse enquanto gargalhava alto.

- Tem razão. - Ele concordou com o amigo, enquanto Jeff se mantinha imóvel onde estava.

- Brad, para! Não acha que já foi o suficiente? - Cole gritou chamando a atenção do maior.

- Não.

- Cara, é melhor parar, você está bêbado. - O forte cheiro de álcool predominava na sala, mas estava distraída demais com a cena para prestar atenção nos odores. - Para logo com essa palhaçada!

- Colezinho, você não é meu pai pra me dizer o que devo ou não fazer. - Brad gesticulava ainda com a arma na mão, balançando bruscamente algumas vezes.

A discussão durou alguns minutos, após gritos e mais gritos Cole avançou em Brad o surpreendendo com um soco bem dado em seu lábio superior, por um descuido Brad levou o dedo ao gatilho colocando pressão no mesmo, ouvimos um barulho estridente e um corpo caiu no chão. Levei a mão direita de encontro a cabeça, isso definitivamente não deveria ter acontecido. Escutei gritos e algum deles possivelmente pertencera a mim, saindo do fundo da minha garganta me fazendo sentir uma queimação momentânea.

Jeff estava caído e sangrando, a bala havia atingido seu peito, ele se mexia freneticamente no chão, provavelmente sentia dor, agachei-me próxima a ele e segurei sua mão, seus olhos pareciam pesados, sorri de lado tentando reconfortar-lo.

- Eu vou morrer? - Sua voz estava trêmula, apertei um pouco mais a palma da sua mão, estava gélida.

- E-eu não sei. - Sussurrei na tentativa de esconder uma lágrima teimosa que insistia em cair. - CHAMEM UMA AMBULÂNCIA, PELO AMOR DE DEUS! 

O ruivo piscava os olhos agitadamente, queria dizer a ele que não podia dormir, que tudo ia ficar bem, mas me sentia impossibilitada de pronunciar qualquer palavra por mais mínima que fosse, senti uma mão tocar meus ombros e quando percebi Jeff não estava mais respirando.

- Porque ele não respira, Cole? - Eu sabia exatamente o motivo, mas a ficha aparentava não ter caído completamente. 

- Becky ... Vai ficar tudo bem ... - Foi tudo que eu consegui ouvir antes de correr pra fora da sala com os olhos marejados.

Encontrei Brad na cozinha com um saco pequeno de gelo sobre os lábios, não pensei duas vezes antes de surpreende-lo com um tapa do lado direito do rosto, minha mão doía e estava vermelha graças ao ato mas não dei muita importância.

- Você ficou maluca garota?! - Esbravejou.

- Eu fiquei maluca? EU?! - Gritei. - Brad, Tem um corpo ali dentro! Um cadáver! - Apontei  para sala no final do corredor. - Mas que merda, Brad!

Ele apenas deu de ombros, a forma que ele agia durantes certas situações era realmente impressionante, respirei fundo algumas vezes antes de começar a xinga-lo de todas a formas existentes.

- E agora, o que vamos fazer? -  Indaguei.

- Eu não faço a menor ideia

2

- Becky, acorda. - Cole sacudia meus ombros em uma tentativa falha de me despertar. - A aula já acabou.

- Me deixa em paz, Cole. - Falei. O loiro me puxou em direção a porta enquanto alguns alunos arrumavam suas mochilas, estava tudo muito tranquilo.

- Brad ... Quer falar com a gente. -   O garoto sussurrava, mantendo seus olhos fixados nos meus. - Sobre, você sabe o que.

- Está bem, está bem. - Balancei a cabeça negativamente. - Me espera no corredor. - Ele apenas concordou com a cabeça, saindo da sala logo em seguida.

Uma semana e meia já havia se passado desde a morte de Jeff, mas ainda era difícil controlar os pesadelos que eu tinha durante algumas noites. Quase todos os corredores da instituição, acolhiam um cartaz escrito "desaparecido" com uma foto do ruivo e algumas informações caso fosse encontrado. Se ao menos os pais dele soubessem o que havia acontecido naquela noite, poupariam tempo e dinheiro com algo que nunca iria acontecer. Suspirei e guardei alguns dos meus pertences que se encontravam em cima da carteira marrom que eu estava sentada alguns minutos atrás.

Ao cruzar o corredor que dava vista para o jardim, encontrei algumas pessoas que não me pareciam estranhas. Mona e Erick, eram os pais de Jeff, estavam na companhia do diretor Peter, um senhor de meia idade e estatura baixa de cabelos ralos e grisalhos, Erick abraçava a esposa como forma de ampara-la ao mesmo tempo em que ela enxugava os olhos com um lenço pequeno e de cor clara - suponho, que seja bege - enquanto ouviam o que um oficial vos contava sobre as novidades das buscas - provavelmente do filho perdido - Jeff, com certeza herdara o sentimentalismo frágil da mãe, mas o cabelo ruivo acompanhado de delicadas sardas, proviam do pai. Uma imagem do garoto me veio a mente o que fez-me lembrar que algumas pessoas estavam a minha espera em alguma parte deste maldito Colégio.

Continuei meu caminho de cabeça baixa tentando não chamar a atenção, desci as escadas no final do corredor e senti alguém me segurar fortemente pelo braço, me puxando para uma sala na direção contrária em que eu estava.

- Você ficou maluco? Quase me matou de susto! - exclamei.

- Fala mais baixo, Becky. Quer mesmo que descubram onde estamos? - Bradou Ellie, a morena me fitava com um olhar de reprovação.

- Por mim tanto faz. - Dei de ombros, emburrada.

A antiga sala dos professores não era uma das melhores, mas era a única na qual ninguém se lembrava de visitar de vez em quando. Era aqui que Brad marcava nossas reuniões, desde o ocorrido na semana passada. O forte cheiro de tabaco que traziam algumas vezes para suas diversões particulares fazia-me ficar zonza, e as paredes pintadas de laranja um pouco encardido, presenteavam-me com fracas dores de cabeça.

Essa patética reunião não servia para muita coisa, sempre resultava em alguma briga ou em planos não muito eficazes. Ontem, por exemplo, sugeriram que jogássemos o cadáver no rio e esperassémos que alcançasse a margem para que os oficiais encontrassem, mas certo dia jeff havia dito que não sabia nadar e seus pais certamente eram cientes disso, então o que diabos ele faria em um rio numa madrugada de sábado?

Algumas das pessoas que estiveram na festa foram embora antes do ocorrido, quando Brad propôs o jogo de desafios estávamos em um grupo de sete pessoas, mas apenas seis estão presentes aqui agora.

- pobre Jeff ... - sussurrei soltando todo o ar que eu nem percebera que prendia nos pulmões.

- o que você disse? - Brad me questionou.

- Nada, nada. - Respondi rápido enquanto o moreno em minha frente continuava sua palestra sobre como deveríamos agir em frente aos conhecidos que tínhamos em comum com Jeff, de agora em diante.

- Eles trouxeram um Oficial hoje, um Policial está aqui! Isso está saindo do controle. - Brad parecia desesperado.

 

- Relaxa. - Ouvi Josh, um dos jogadores do time se pronunciar pela primeira vez no dia.

- Relaxa? Relaxa!? - O moreno esbravejou. - Por acaso, você está se escutando, Josh?

- É cara, relaxa! - Ele se levantou, afrontando o capitão do time.

- Parem vocês dois! - Bradei. - Isso está afetando todo mundo, se não perceberam. - Os olhares de todos se voltaram para mim, talvez eu devesse ficar calada, mas observar essas desavenças constantemente, estava se tornando cansativo. - Vamos logo ao que interessa ... Onde você escondeu o corpo, Brad?


Notas Finais


Se encontrarem algum erro de ortografia ou algo do tipo, podem me avisar aqui nos comentários, até o próximo capítulo ❤


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