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História Efeito Park Chanyeol - Capítulo 1


Escrita por: e Sadgirl_2


Notas do Autor


Olá, gente! Estou aqui trazendo a minha fanfic do segundo ciclo. Eu estou muito empolgada com ela, pois nunca escrevi algo com essa temática. Juro a vocês que me empolguei tanto com esses temas que escrevi essa fanfic em três dias. Sim, três dias! Mas eu gostei do resultado, então estou trazendo para vocês. ❤❤❤
Efeito Park Chanyeol é uma história sobre primeiro amor, amadurecimento, reencontro e família, espero que gostem tanto quanto eu. Acho que eu já disse tudo. Sem mais delongas... Boa leitura! ❤❤❤

Capítulo 1 - O amor verdadeiro.


Efeito Park Chanyeol

O amor verdadeiro.

 

Amor
 Eu disse, amor verdadeiro
 É como não sentir medo
 Quando você está de frente com o perigo
 Porque você simplesmente quer muito aquilo

– Cherry

 

2020

Atualmente

 

As manhãs de domingo costumavam ser acalentadoras para o seu coração, assim como um remédio natural para seu mau humor. Contudo, naquele domingo em específico, aquela não era a realidade. Estava um caco, cheio de olheiras e com o cabelo oleoso apontando para todos os lados. Não havia dormido direito, mesmo que seu filho, Byun Chano, de quatro aninhos, tivesse dormido que nem um anjinho ao seu lado a noite toda. Não conseguiu dormir, por mais que tentasse, por isso, quando viu o sol nascer do lado de fora da janela do quarto, levantou-se e foi tomar o café da manhã mais cedo. 

Repassou o cronograma do dia em sua mente, ciente de que, com toda certeza, morreria de dor de cabeça pelo restante do dia. A questão para todo seu mau humor era o fato de que, indiscutivelmente, odiava fazer coisas que não queria. Teria que pegar um ônibus lotado para deixar o filho na casa dos seus pais, assim como teria que ir à casa de sua amiga, a qual era do outro lado da cidade. Não queria, mas estava sendo obrigado. Sua amiga conseguia ser muito insistente quando queria algo.

Olhou as mensagens no Line, especificamente as do grupo ao qual haviam lhe adicionado há duas semanas.

“Reencontro do melhor ano de nossas vidas.”

Uma piada, só podia ser. Uma piada de muito de mau gosto, inclusive. 2015, o ano em questão, era um ano proibido em seu mapa mental, tapado com milhões de arrependimentos e decepções. Apenas não saiu daquele grupo porque sua melhor amiga não permitiu, uma vez que aquela havia sido a sua vontade assim que lhe adicionaram.

— Ele não vai estar lá, Baekhyun, tenho certeza. Nem no grupo ele está — disse a amiga, quando jurou de pés juntos na frente dela que não queria vê-lo outra vez. 

Mas estava enganado, assim como sobre quase todas as coisas das quais pensava ter controle.

Terminou de tomar seu café da manhã, indo tomar um banho demorado enquanto o filho ainda dormia. Até a forma com  que a água quente caía em seu corpo relembrava a forma como se sentiu quente naquela época, antes de tudo. Lembrou-se, principalmente, do quanto amou e se sentiu amado. Suspirou quando saiu do banho, pondo a roupa mais bonitinha que tinha e acordando o filho depois de estar devidamente pronto. Deu café da manhã pra ele, organizou a mochila com roupas e brinquedos dos quais sabia que ele gostava e o vestiu com roupas quentinhas.

Estava tudo certo para saírem, o que estava lhe incomodando era o fato de que, em sua mente, ainda pairava aquele nome proibido, nome este que jurava de pés juntos aos seus amigos que havia esquecido. Mas como poderia esquecê-lo quando, infelizmente ou não, o seu filho parecia tanto com o outro pai? Até mesmo o nome era uma homenagem para o pai do indivíduo que jurou esquecer, há alguns anos.

Continuou se martirizando, o coração acelerado por inúmeros motivos dentro do peito, tanto que saiu de casa não querendo sair. Nem mesmo as conversas divertidas com seu filho, sobre céu, estrelas e cores, lhe distraiu, pois, indiscutivelmente, até mesmo a forma que o filho lhe olhava lembrava o olhar que não saía de seus sonhos por cinco anos.

Aquele sentimento de nostalgia perdurou por muito tempo, mesmo quando deixou seu bebê na casa da mãe, com muito pesar, e foi até a casa de sua amiga.

Aquele era o efeito que Park Chanyeol ainda tinha sobre si.

 

 

2015

 

Gostava da forma como as mãos de Chanyeol adentravam na sua blusa. As mãos dele sempre estavam geladas, nunca entendia o porquê daquilo. Contudo, a sensação da sua pele quente em contato com os dígitos gelados lhe causava milhões de reações. Arrepiava, atiçava e aquecia as suas entranhas. Parecia possuir um sistema especial em seu corpo, e só Park Chanyeol sabia como ligá-lo. Ele havia sido o primeiro a lhe tocar daquela maneira, assim como o único. Não sabia se era por isso que reagia daquela maneira, tão entregue por apenas alguns beijinhos no pescoço e alguns apertos na cintura.

Esse era o efeito que Chanyeol tinha sobre si, sempre lhe deixando à beira de um precipício de sensações.

Mas gostava, gostava de não ter controle do próprio corpo. Gostava do modo como ele parecia tão experiente enquanto lhe beijava, enquanto mordia seus lábios e chupava sua língua.

Estavam atrás da arquibancada do ginásio do colégio em que estudavam, matando aula. As costas de Baekhyun estavam grudadas na parede pichada com spray colorido, o corpo sendo imprensado pelo corpo grande do namorado enquanto ele o tocava de todas as formas possíveis.

Desde que engataram naquele relacionamento, Baekhyun passou a fazer muitas coisas que nunca fez — matar aula para dar uns beijos no namorado era só uma delas.  A mentira, portanto, foi sua maior aliada na mudança de comportamento. Começou a mentir para os progenitores o tempo todo, principalmente para sair com o namorado. O motivo? Seus pais odiavam Park Chanyeol.

Na verdade, todos os pais de seus amigos e de seus colegas de classe também. Sabia das razões deles, afinal, Park Chanyeol, não possuía uma boa fama na cidadezinha onde moravam.

Além do visual nada convencional de um lunático — como dizia seu pai —, composto por cabelos vermelhos, brincos até a cartilagem nas duas orelhas e uma tatuagem de um lobo no pulso, ele quase sempre se envolvia em brigas de rua. Mas, mesmo sabendo de tudo aquilo, mesmo que seus amigos o tivessem alertado para manter distância, não conseguiu. Estava apaixonado, aquela era a justificativa para explicar o porquê de suas ações serem exclusivamente direcionadas a Park Chanyeol e aos desejos dele.

Estudaram em salas separadas durante o primeiro e segundo ano do ensino médio, contudo, no último ano, por conta do pequeno número de alunos na sala do badboy, as turmas foram unidas. Não se apaixonou por ele à primeira vista, longe disso, apenas o achou bonito. Já estava ciente de que gostava de meninos além de meninas, então não se condenou por se sentir atraído pelo jeito do Park. Mas era só aquilo, nada demais, como a sensação de ver uma roupa na vitrine do shopping e a achar bonita, mesmo sabendo que não iria comprar.

Não contava, contudo, que a turma que se juntou a sua possuía uma banda, a qual divulgou, logo na terceira semana de aula, que faria um show beneficente para arrecadar fundos para a formatura.

Park Chanyeol fazia parte dessa banda.

Mesmo que seus amigos não gostassem do Park, acabaram cedendo à ideia de ajudarem a turma recém-agrupada a montar o show na praça da cidadezinha em que moravam. Óbvio que Baekhyun foi junto no embalo. Não queria ser o único excluído, por isso nem hesitou quando Kang Seulgi e Oh Sehun, seus amigos, se inscreveram para a organização. Basicamente, tinham que ir atrás de patrocinadores, divulgação para o show e de tendas. 

As tendas seriam para vender comida durante o evento, assim como, caso chovesse no dia, para proteger o palco onde ficaria a banda e seus instrumentos. Até aí tudo bem, Baekhyun se empolgou por estar fazendo algo diferente, além de estudar durante a tarde toda em casa, sua mãe e seu pai até haviam o liberado para participar da organização. O que não esperava era que, entre uma atividade organizativa e outra, teria que conversar com o garoto problema — como Park Chanyeol era conhecido.

— Licença — chamou. Quando aqueles olhos negros focaram em seu rosto, tão curiosos, achou que tinha se afogado neles.

Tudo que envolvia Chanyeol era daquela maneira, cheio de mistério e curiosidade. Só quando percebeu que o havia chamado e não falou nada que se lembrou do que estava fazendo ali.

— Chanyeol, certo? — Recompôs-se, entrelaçando as mãos na frente do próprio corpo.

— Sim, eu. — O Park estava com um violão no colo, sentado no chão do corredor do primeiro andar do colégio, onde ficava sala deles.

— Eu faço parte da organização do show. Meus amigos me mandaram perguntar a duração do repertório das músicas — disse meio acanhado.

A verdade é que, quase sempre, era muito tímido. Seus amigos o repreendiam por aquilo, pois, com eles, Baekhyun não era dessa maneira. Segundo Seulgi, essa característica do Byun era como uma forma de protegê-lo de algum medo invisível, um medo inexistente. Era natural, infelizmente. Não conseguia evitar.

Chanyeol pareceu perceber aquilo, sorrindo todo galante perante o garoto tímido e bonitinho de cabelos castanhos. Uma gracinha. 

— Posso saber o porquê disso? Aliás, qual o seu nome mesmo? — Apontou para o Baekhyun com a palheta que usava entre os dedos.

— Baekhyun, meu sobrenome é Byun.

— Então, Byun — frisou o sobrenome do garoto, gostando de como soava. — Por que quer saber a duração do repertório? — Quis saber, a curiosidade estampada em seus orbes negros. 

— Temos que saber a duração do repertório por causa do horário de entrega das tendas. Se conseguirmos um show de duração de sessenta minutos, as tendas serão de graça, o que seria um gasto a menos para a nossa turma, que só precisaria divulgar o fornecedor — explicou, gesticulando com as mãos.

Chanyeol percebeu que era uma mania dele, com certeza manifestada quando o mesmo estava nervoso. O Byun sempre fazia aquilo quando apresentava trabalhos durante a semana na frente da turma.

— Entendi... Vou falar com os caras da banda. 

Baekhyun sorriu, timidamente, feliz por ter conseguido explicar direito a situação.

— Porém, antes de falar com eles, posso de perguntar uma coisa? — inquiriu o Park.

— Pode sim — assentiu, mesmo que achasse que Chanyeol não teria nada de interessante para lhe perguntar.

— Se por um acaso eu convencer os caras a diminuir o repertório, o que eu ganho com isso? — sorriu arteiro. O sorriso em seus lábios só aumentou ao ver a expressão confusa do garoto à sua frente.

— Como assim?

— Você me entendeu, Byun. Quero uma recompensa.

— Que tipo de recompensa? O que você quer? — Arqueou a sobrancelha direita. Sentiu as mãos entrelaçadas suarem e arregalou os olhos quando Chanyeol apontou para si. — Eu? Como assim? — Apontou para si, ainda sem entender o rumo daquela conversa.

— Eu quero um beijo, Byun. Mas não agora, porque não seria justo.

— Quem disse que eu concordei com isso? 

— Você mesmo disse, eu ouvi você comentar com a sua amiga loirinha. Você disse que me acha bonito e que ficaria comigo, caso tivesse oportunidade.

— Mentiroso! Eu nunca disse isso em voz alta! — retrucou muito indignado, a voz subindo alguns tons. Quando ouviu as próprias palavras, tampou a boca instintivamente. Era mesmo um tapado.

— Viu? Eu não estava mentindo.

— Chanyeol, esse evento é algo sério, se não vai ajudar, eu vou falar com outro integrante da banda — disse firme, a chateação visível em sua voz.

— Nossa, a ideia de me beijar é tão ruim assim? — Fingiu estar ofendido. A forma como o teatro dele era péssimo fez Baekhyun suspirar e rir.

— Você é um idiota — comentou risonho.

— E você fica uma gracinha rindo desse jeito — deu uma piscadela, acompanhando a risada baixinha do garoto.

— Okay, mas só um beijo. — Rendeu-se. — Só porque eu quero. E você ainda tem que convencer a sua banda a diminuir o repertório, caso não, nada feito.

— Seu desejo é uma ordem, Byun Baekhyun — soou galante, do jeitinho que sabia que deixava o castanho com vergonha. Queria muito que o dia do show chegasse para dar uns beijos nele.

 

2020

 

— Você está atrasado, Baekhyun! — A garota, Kang Seulgi, o repreendeu.

— Eu dependo de ônibus, Kang. — Revirou os olhos. — Não sou como você, que tem carro.

A amiga, desde que se conheceram, tinha esse jeito de ignorar alguns fatores cruciais como a sua vida financeira deteriorada. Não era por mal, era só o jeito dela, desatento a detalhes como esse.

— Tá, tá, você venceu. Agora vamos, já estava roendo as unhas de tanto te esperar. — Pegou as chaves do carro e de casa que estavam jogadas no sofá, desligando a luz da sala e calçando os sapatos que estavam na entrada de casa.

Baekhyun riu do exagero da amiga, vendo que as unhas dela estavam grandes e bonitas demais para alguém que estava “roendo” há pouco tempo atrás. Ficou aguardando-a calçar os sapatos e trancar a porta de casa com uma visível cara de tédio, mas, no fundo, estava analisando a própria aparência enquanto percebia que a amiga estava bastante arrumada e bonita. 

Não tinha roupas de marca e estilosas como as da amiga, porém, naquele dia específico, até poderia dizer que estava bonitinho. Não possuía confiança na própria aparência, até porque nem mesmo tinha tempo para exercitar o amor próprio perante a rotina desgastante dele e do filho, mas não se considerava feio. De toda forma, o sorriso do filho era mais importante do que seus caprichos.

Não necessitava de nada além do filho, disso tinha certeza. Só tinham um ao outro, estava bem assim. Baekhyun trabalhava para pagar contas, escola, plano de saúde e alimentação sozinho, com um salário mínimo. Era complicado, até porque os pais não ajudavam muito — não que exigisse algo deles. Acabava negligenciando suas vontades por causa disso, mas não se arrependia.

Era nesses momentos, quando percebia seu descaso não proposital a suas vontades, que se arrependia um pouquinho por não ter contado a Chanyeol sobre seu filho na época que descobriu estar grávido.

Não o odiava mais, isso era um fato, apenas sentia um rastro de mágoa dentro do peito, pois não conversaram absolutamente nada desde que tudo aconteceu, há cinco anos. Contudo, perguntava-se qual seria a reação dele se soubesse que tinham um filho juntos. Lembrava-se, vagamente, que ele amava crianças, sempre comentando consigo o sonho de ser pai. Mas nunca mais o viu, ou ouviu falar dele. Não o procurou também. Intimamente, pensava que, se fosse para ele o achar e descobrir, que fizesse por conta própria.

Não iria dar o primeiro passo.

— Pensando no passado? — Seulgi lhe perguntou. Estavam no caminho do barzinho onde aconteceria o reencontro da turma deles, dentro do carro confortável e com cheiro de cereja.

Cereja.

Até o cheiro de cereja do carro o estava deixando nostálgico naquele dia.

— Não enche, Seulgi — suspirou. Sabia o que a amiga estava insinuando.

— Pela sua reação, eu estou certa, não estou? — Não respondeu, mas não precisava. A amiga sabia a sua resposta. — Baek, se por acaso ele estiver lá, o que eu acho que não vai acontecer, você já pensou na possibilidade de contar a ele?

Óbvio que pensou, mas, em todas as cenas em sua mente, nunca conseguia falar nada. A imagem de Park Chanyeol, o garoto problema — como era conhecido na época que se conheceram — o deixava tímido e sem palavras. Sentia que era o mesmo garoto de cinco anos atrás quando pensava na possibilidade de reencontrá-lo. Sentia-se um adolescente idiota. Odiava ser tão fraco à menção do Park.

— Okay, eu vou entender seu silêncio como um sim. — Suspirou outra vez. Seu amigo era bastante cabeça dura quando queria. — Só quero que você entenda que ele merece saber, mesmo que tenha te machucado muito, ele continua sendo pai, assim como você.

— Eu sei, Seulgi. Eu só... Eu só não consigo formular uma forma de contar se a hora chegar, entende? A imagem dele me trava.

— Baekhyun, certamente ele não é mais o mesmo. Você mudou, eu mudei, Sehun mudou... por que você ainda o associa a uma imagem adolescente quando ele já é um adulto?

— Na minha cabeça, ele sempre será um adolescente idiota, desculpa.

— Okay, okay, por ora você venceu. — Girou o volante para o lado direito, com o intuito de estacionar o carro no estacionamento pequeno do bar.

Quando o carro ficou perfeitamente estacionado na vaga e tiraram os cintos, a Kang olhou seriamente para o melhor amigo e disse:

— O assunto não terminou, está bem? Eu e Sehun iremos nos sentar com você pra conversar sobre isso.

— Resolvam os problemas de vocês antes de resolver os meus, Kang — disse mal humorado.

Seulgi ficou vermelha de raiva.

— Você é um idiota, Baekhyun! — praguejou e saiu do carro, batendo a porta com uma força considerável, imaginando ser a cabeça de Baekhyun ali. Odiava quando Baekhyun metia seu relacionamento conturbado no meio das conversas deles.

— Nossa, imagina se essa porta fosse eu — falou risonho. — Mas sério, cadê o Sehun?

— Ele disse que vai vir com os amigos dele, os idiotas da banda do seu ex-namorado.

— Kyungsoo e Jongin vão vir? Pensava que eles tinham ido estudar fora do país.

— Eles estão de férias, algo assim. Pelo visto, todo mundo vai vir hoje, menos o pai do seu filho.

— Seulgi, sabe que não gosto quando você o menciona desse jeito.

— Eu estou mentindo, Byun? Eu hein. — Saiu, pisando com força no chão do estacionamento.

Ela estava chateada, Baekhyun sabia que teria que se desculpar com ela. Mas não podia evitar ficar na defensiva, não é como se estivesse bem com o assunto. Cada vez que falava de Chanyeol, contra sua vontade ou não, parecia que estava falando de um fantasma. Sentia-se patético pela forma com a qual sua mente agia para se defender, criando irracionalidades para superar sua maior — e única — decepção amorosa.

Decidiu entrar logo no barzinho, pois sua amiga já havia ido, sem lhe esperar. Ela realmente estava chateada. Adentrou no local, agradecendo pelo interior do estabelecimento estar quentinho.

Aquele bar, naquele horário, servia como um restaurante, por isso seus colegas haviam escolhido ele. Além disso, durante o colégio, haviam visitado aquele lugar algumas vezes. Contudo, ao mirar todo o conjunto do estabelecimento, percebeu que o tempo havia passado. A decoração estava diferente, assim como os funcionários. Parecia outro lugar, mesmo que ainda permanecesse da mesma maneira em suas lembranças mais remotas, principalmente o pequeno palco perto do balcão de bebidas.

Avistou sua amiga de longe, sentada em uma mesa rodeada de pessoas conversando animadamente. Eram seus colegas de turma. Mas nem se atentou a eles, sentou-se ao lado de Seulgi e sussurrou um pedido de desculpas no ouvido dela, percebendo que, como sempre, aquilo havia sido suficiente para ela tirar o bico dos lábios e sorrir de novo. Mesmo com vinte quatro anos, a amiga ainda parecia ter dezoito.

— Baekhyun, quanto tempo! 

— Olá, Dae! — cumprimentou Jongdae, um de seus colegas de classe. Ele parecia o mesmo, a única coisa que havia mudado nele, depois de sua avaliação minuciosa, era o fato de que não usava mais aparelho. — Não usa mais o aparelho, pelo visto. Tirou há muito tempo?

— Sim, cara, há dois anos. Agradeço a Deus todos os dias por isso — disse dramático.

Baekhyun riu, assim como Seulgi.

— Você e a Kang ainda são amigos, que legal! Eu me afastei de todo mundo depois do colégio, infelizmente.

— Nossa, que pena. Podemos trocar números se quiser sair com a gente, tenho certeza que Sehun também adoraria.

— Sim, ele fala de você, às vezes — Seulgi comentou.

— O Oh também ainda fala com vocês dois? Poxa, amizade linda a de vocês. Tenho saudade do Minseok, nos falamos apenas por mensagem de vez em quando, mas não é a mesma coisa que falar pessoalmente — desabafou. Desde sempre, Kim Jongdae era bastante comunicativo, o que, muitas vezes, lhe rendeu muitas advertências na sala de aula. Ele era um cara legal, todo mundo achava isso. — Ele vem hoje, o Oh? 

— Vem sim, daqui a pouco chega com o Kyungsoo e o Jongin.

— O casal da banda? Será que eles ainda são melosos como eram antigamente? Eu sentia muita inveja deles por causa disso.

— São, e muito. Eu os sigo no Instagram, quer ver? — A Kang desbloqueou o celular, já pronta para mostrar o que queria.

Baekhyun ficou observando, enquanto a amiga mostrava a Jongdae o perfil de Jongin e Kyungsoo, as pessoas que estavam sentadas ao redor daquela mesa. Não havia trocado nem uma dúzia de palavras com a maioria das pessoas dali, muito diferente de seus amigos. Sempre preferiu se retrair muito por um medo inexistente, se reprimindo por nada.

Arrependia-se disso, poderia ter cultivado amizades maravilhosas. Não que não gostasse das suas, mas ter amigos nunca é demais. A única pessoa que conseguiu fazer com que se abrisse na época do colégio, além de seus amigos, havia sido Park Chanyeol. Havia mostrado suas inseguranças, seus medos, seus sonhos...  não foi o suficiente.

Foi perdido nesses pensamentos nostálgicos que percebeu que todos começaram a acenar para a entrada do bar, até mesmo Seulgi e Jongdae. Por isso virou-se também, pronto para acenar como todo mundo, até ver uma figura conhecida atrás de Sehun e paralisar.

Park Chanyeol.

 

2015

 

Era sexta-feira à noite, daquelas sextas que Baekhyun só queria chegar até em casa, jogar a mochila no chão do quarto e dormir até o outro dia. Por isso, decidiu passar na loja de conveniência antes de ir para casa, pois, se comesse ali, quando chegasse à sua casa, tomaria apenas um banho e dormiria. Ao chegar à loja de conveniência, contudo, deparou-se com uma cabeleira vermelha conhecida.

O Park estava com a cabeça deitada sobre uma das mesas da frente do estabelecimento, parecendo dormir profundamente. Todavia, o que mais se destacava, além dos cabelos vermelhos, era os machucados pelo rosto dele quase da mesma cor de suas madeixas. Pareciam recentes, pois algumas partes do rosto dele ainda estavam inchadas — com certeza ficariam arroxeadas depois de algumas horas.

Estava tão atento aos detalhes e machucados do rosto alheio, guardando cada característica em sua mente, que quase deu um pulo assustado no lugar que estava ao perceber que as íris negras lhe encaravam. Profundamente, assim como cada camada de coragem que começou a se esvair de seu corpo a ser fitado tão fixamente.

Tentou falar algo, mas sua garganta parecia impedir as palavras de sair. Chanyeol pareceu perceber seu estado caótico de timidez, pois sorriu. E, mais uma vez, o efeito Park Chanyeol estava ali, acelerando seu coração.

— Olá, Byun — o cumprimentou, como sempre frisando o sobrenome do garoto. Ergueu a cabeça da mesa, sentando-se ereto na cadeira de plástico.

— Olá, Chanyeol. O que faz aqui? 

— Tirando um cochilo antes de ir pra casa.

— Ah, entendi. — Continuou olhando para os machucados dele, a língua coçando para perguntar o que havia acontecido.

O Park, então, se levantou, pondo a cadeira pra dentro da mesa e entrando na loja de conveniência. Baekhyun o seguiu, afinal, antes de encontrá-lo, estava indo comprar seu jantar.

Baekhyun foi para a sessão de macarrão instantâneo, pegando um de sabor picante com legumes. Ficou tentando ver, por cima das prateleiras, o que Chanyeol estava fazendo. Por ser um pouco baixinho, contudo, não conseguia ver nada. Por isso, só pegou um leite fermentado, junto do macarrão, e foi pagar.

Quando pagou por tudo, estava pronto para ir pegar a água quente para o seu macarrão, mas Chanyeol vinha em sua direção com um pote de macarrão na mão esquerda — já com água dentro — e um copo de água quente na mão direita.

— Vamos, já peguei a água quente do seu macarrão. — Passou por si, saindo da loja de conveniência e sentando-se à mesa que estava dormindo anteriormente. Baekhyun o acompanhou, sentando-se ao lado dele e pondo o macarrão e o leite fermentado sobre a mesa.

Despejou a água dentro do macarrão e o fechou, esperando o tempo de cozimento enquanto tentava se distrair com qualquer coisa que não fosse a vontade de mirar o rosto do outro.

Não conseguiu.

— Posso perguntar o que aconteceu com o seu rosto? — O encarou, rendendo-se a sua própria curiosidade.

— Ah, esses machucados? — Apontou para o próprio rosto. — Defendi um amigo meu de uns babacas que estavam cobrando dinheiro dele. Acredite ou não, os babacas apanharam mais do que eu.

— Já desinfetou os cortes? Pode ficar com uma cicatriz, se não cuidar direito.

— Não, não desinfetei. Até pensei em desinfetar, mas usei o dinheiro que eu ia comprar a pomada pra jantar esse macarrão. — Deu de ombros, enquanto tirava os hashis da embalagem, começando a comer.

Baekhyun fez o mesmo, furando o leite fermentado com o canudinho e dando uma sugada considerável na bebida doce.

Ficou olhando os machucados do rosto dele, pensando que, com toda certeza, ele iria ficar com cicatrizes e com manchas arroxeadas por dias. Suspirou, com medo de se arrepender do que iria sugerir ao garoto machucado.

— Se quiser, pode ir comigo até a minha casa, posso desinfetar pra você — sugeriu, desviando o olhar do rosto alheio para o macarrão preso em seu hashi. Ainda sentia a timidez agir em seu corpo, as mãos suando e a boca seca, mas, por algum motivo, sentia-se minimamente confiante perto do garoto problema.

— Eu adoraria — disse sorridente, o tom ameno passando confiança ao garoto ao seu lado.

O Byun sorriu também ao fitar o sorriso do Park, o sorriso perdurando até terminar seu macarrão e leite fermentado. Chanyeol estava do mesmo jeito, o sorriso bobo em seu rosto não condizendo com os machucados em seu rosto e seu visual inabalável.

Depois de jogarem as embalagens no lixo, começaram a andar em silêncio, um ao lado do outro, em direção à casa do Byun. Demorou cerca de dez minutos, não dando tempo para o silêncio ficar desconfortável entre eles.

A casa estava vazia naquela noite de sexta-feira, pois os progenitores de Baekhyun haviam ido para a casa de um amigo. Isso não diminuiu os sintomas de timidez do Byun, apenas pareceu intensificá-los.

— Você e seus pais moram aqui desde que você era criança? — O Park perguntou. Ele estava sentado no sofá da sala, fitando Baekhyun procurar a caixinha de remédios e curativos no armário da cozinha.

— Sim, desde que nasci. Esse ano meu pai quer fazer uma reforma, as paredes já estão desbotando de tão velhas — disse ao passo que tentava alcançar a caixinha de madeira com os remédios em uma das prateleiras altas do armário.

Ficou algum tempo tentando alcançar, até que foi surpreendido por braços compridos ao redor de seu corpo, alcançando a caixinha sem maiores problemas.

Nem mesmo havia percebido que Park Chanyeol havia se aproximado, por isso ficou ali, os olhos levemente arregalados, a respiração acelerada, com Chanyeol ainda parado atrás de si. Agora, com Chanyeol tão perto, notou que ele tinha um cheiro leve de cereja. Talvez fosse um perfume, um desodorante ou uma bala na boca dele. Não sabia, só ficou inebriado com o cheiro gostoso e a quentura que o corpo dele transmitia, tanto que sentiu falta da sensação quando ele se afastou. Então se virou, ainda afetado, deparando-se com um beijo certeiro em seus lábios meio entreabertos.

Os olhos de Chanyeol estavam abertos, fitando os seus como se lhe desafiasse a corresponder o beijo. E foi o que fez, correspondeu. Pateticamente fechou os olhos, seu rosto ardendo pela vergonha de estar cedendo tão rápido à investida do Park. Mas só se deixou levar, recebendo de bom grado a língua dele para dentro de sua boca.

Já havia beijado antes, óbvio, não era tão inocente assim, mas, naquele momento, sentia que estava totalmente em fase de aprendizado. Era surreal a forma que ele contornava a língua na sua, chupava e mordia seus lábios na hora certa. Nenhum menino e menina que ficou conseguiu transmitir tanta volúpia e, ao mesmo tempo, tanto carinho em um simples beijo.

Nem mesmo raciocinou direito quando ele adentrou a mão por dentro da sua camisa social da escola, apertando levemente sua cintura e arranhando sua barriga com as unhas curtas.

Foi com um gemido seu, entre o beijo, que se separaram. As próprias bochechas ainda estavam rubras, os olhos fechados e a camisa levantada quase na metade de sua barriga. Só quando ouviu uma risadinha abriu os olhos, percebendo que Chanyeol lhe observava com uma admiração explícita nos olhos escuros. Sentiu-se desejado ao ser fitado daquela forma tão íntima.

— Acho que adiantei nosso acordo, desculpa — disse bem próximo de seu rosto, o hálito quente batendo em seu rosto. Só conseguiu ficar encarando a boca dele enquanto ele falava, querendo mais do beijo dele.

— Não tem problema, eu meio que quis também. — Baekhyun estava hipnotizado, os olhos ainda presos nos lábios avermelhados pelo beijo que trocaram.

— Então eu posso beijar você de novo? — inquiriu, um sorriso malicioso em seus lábios, sorriso este que aumentou ao constatar que Baekhyun olhava para seus lábios.

— Sim, por favor — soou desesperado, arrancando uma risadinha de Chanyeol.

E se beijaram, mas dessa vez mais lentamente, sem toda a afobação de antes.

Passaram a noite daquele jeito, entre beijos e mãos bobas no sofá da sala. Foi quando Chanyeol pôs a mão dentro da sua calça, o tocando de uma forma totalmente nova, que Baekhyun percebeu estar mergulhando de cabeça em todas aquelas sensações. Estava perdido na nuvem de desejo que estava sentindo naquela noite, gemendo baixinho no ouvido do garoto de madeixas vermelhas que lhe tocava com tanta maestria.

Quando gozou, tremendo da cabeça aos pés e melando a mão do Park, o mesmo lhe olhou profundamente nos olhos, parecendo querer olhar no íntimo de sua alma enquanto esperava que seus pulmões recuperassem o ritmo de sua respiração.

— Baekhyun, quer namorar comigo?

Óbvio que Baekhyun aceitou.

 

2020

 

Chanyeol estava ali, sentado em sua frente. Ele lhe encarava de forma fixa, o que tornava a tarefa de manter o contato visual com ele difícil. Seulgi segurava a sua mão por baixo da mesa, talvez porque, intimamente, soubesse o quanto Baekhyun estava se sentindo afetado. Realmente estava, e muito. Park Chanyeol estava ali, lhe olhando nos olhos, como se nada tivesse mudado entre eles. Contudo, somente o olhar dele parecia o mesmo, pois o homem que lhe fitava estava muito distante do garoto problema que era há cinco anos.

O cabelo dele não era mais vermelho com franja, mas sim preto e liso — dividido ao meio. As orelhas dele não estavam mais furadas até a cartilagem por brincos, havia apenas um brinco em cada uma das orelhas. A camisa que ele usava não era de uma banda de rock alternativo, nem mesmo a calça que ele vestia era rasgada. O homem à sua frente parecia mais um modelo de capa de revista do que o garoto problema que conhecia, trajando uma camisa branca lisa e uma calça de alfaiataria cinza de cintura alta. Nem o par de coturnos característico ele usava mais, mas sim tênis brancos e bem limpos.

Era uma pessoa diferente, com toda a certeza. Mas, como dito antes, o olhar dele era o mesmo, tão profundo que Baekhyun levantou-se, encabulado, e foi em direção ao banheiro, atraindo a atenção da metade da mesa pela maneira brusca que se moveu. Sabiam da história deles. Alguns curiosos até mesmo conheciam o fato de Baekhyun ser pai solteiro. Contudo, desconheciam do fato de que Chanyeol também não sabia; apenas Seulgi e Sehun tinham conhecimento disso.

Lavou o rosto umas cinco vezes, o coração acelerado pelo efeito que o olhar de Park Chanyeol ainda causava em si. Essa era a resposta, a resposta da dúvida de anos sobre ter superado ou não o homem de cabelos — agora — pretos.

Saiu do banheiro decidido a fingir para todos que tinha uma emergência, assim como decidido a pegar as suas coisas e ir embora para ficar com seu filho. Encontraria refúgio no seu menino, sabia disso. Sempre que se sentia triste, perdido e desamparado, só o abraço do filho conseguia acalentar seu coração. Antes de tudo, há cinco anos, seu refúgio era em certo garoto problema, que agora era um homem de vinte quatro anos aparentemente estável e responsável.

Quando voltou, o cabelo castanho levemente molhado na testa, apenas sussurrou no ouvido da amiga que não estava sentindo-se bem, que iria buscar Chano na casa dos pais e iria para casa. O olhar preocupado da amiga foi o suficiente para entender que ela entendia, ela entendia perfeitamente que estava fugindo porque não estava pronto para aquilo.

— Você quer que eu te leve? — perguntou, preocupada.

Baekhyun sabia que era observado por metade das pessoas daquela mesa, principalmente pelos olhos negros que lhe deixaram naquele estado de pânico. Por isso, sorriu forçadamente, tentando parecer bem.

— Não, não se preocupe, eu pego um táxi aqui na frente.

— Okay, qualquer coisa me liga. Quando terminar aqui, se você quiser, eu passo na sua casa, está bem? — Apertou a mão do amigo, pois tinha uma mínima ideia de como ele estava se sentindo.

— Okay, amiga — sorriu minimamente. Depois, olhou para todo mundo que lhe encarava, sorrindo da mesma maneira. — Surgiu uma emergência, gente, desculpa ter que ir embora mais cedo.

— Tudo bem, Baek, a gente entende — foi Jongdae quem respondeu primeiro. Depois, todos falaram o mesmo, acenando e desejando que ele ficasse bem.

Baekhyun, então, olhou para cada pessoa dali, acenando, até mesmo acenou para Chanyeol, que estava com o cenho franzido enquanto Jongin falava algo em seu ouvido. Tinha uma breve ideia do que era, por isso virou-se e finalmente decidiu ir embora, sem conseguir evitar os olhos marejando.

Ficou parado na entrada do local, esperando um táxi. Passou-se cerca de três minutos quando avistou um. Estava pronto para fazer um sinal e chamá-lo, quando seu braço foi segurado abruptamente. Olhou assustado para o lado. O susto permaneceu quando fixou os olhos nos olhos de quem segurava seu braço.

Park Chanyeol.

Ele lhe olhava com o cenho franzido, do mesmo jeito que lhe olhou dentro do barzinho, há alguns minutos.

— Vamos, eu te dou uma carona no meu carro. — Tentou puxar o braço da mão do outro, mas o Park parecia tão decidido em lhe puxar até o carro dele que só deixou ser levado, o coração acelerado e as mãos suando, assim como se sentia toda vez que Chanyeol chegava perto de si, há cinco anos.

Quando Chanyeol destravou a porta para que entrasse, soltando o seu braço, Baekhyun apenas o fez, de cabeça baixa. Os olhos ainda estavam embaçados, assim como a sua timidez, sua forma de defesa invisível, agindo em todo o seu corpo. Por isso, encostou a cabeça no banco estofado do carro, fechando os olhos quando ouviu a porta do motorista abrindo e o som do carro ligando.

— Por que veio atrás de mim, Chanyeol? — perguntou com os olhos ainda fechados. Sentia-se esgotado.

— Quero conversar com você, só isso. Você fugiu, então eu tive que vir atrás de você — respondeu, saindo do estacionamento e entrando na pista. — Toma, coloca aqui no GPS o endereço de onde você quer que eu te leve. — Tirou o celular de dentro do bolso, estendendo o telefone na direção de Baekhyun.

— Não preciso pôr endereço nenhum em GPS, Park Chanyeol. — Abriu os olhos, virando a cabeça deitada na direção do Park. Olhando-o daquele ângulo, concentrado na pista, o cenho franzido em uma leve irritação, percebeu o quanto o rosto dele havia amadurecido. Até mais alto ele aparentava estar, mesmo que não tivesse o observado direito no estacionamento, pois evitou olhá-lo a todo custo.

Chanyeol suspirou, sem saber como agir com Baekhyun. Encostou o carro ao lado da pista, pois não podia continuar dirigindo daquela forma, sem destino certo.

— Coloca logo o endereço, Byun — frisou o sobrenome do homem ao seu lado, da mesma maneira que fazia quando eram mais novos.

Aquilo fez Baekhyun arregalar os olhos levemente, a voz grave invadindo suas lembranças mais bonitas.

— Eu não vou colocar endereço nenhum aí porque você sabe onde é, Park. — Fez o mesmo que o homem ao seu lado, da forma que fazia quando estava irritado com ele no passado.

Ficaram um tempo daquela maneira, encarando os olhos um do outro como se esse contato ocular pudesse responder todas as dúvidas que possuíam sobre o outro, mas sabiam que só esse contato não era suficiente. Afinal, apenas eles mesmos poderiam responder as dúvidas que tinham. Contudo, o orgulho, a mágoa e o arrependimento pareciam enormes perto da vontade de conversar apropriadamente, como precisavam fazer.

Chanyeol pareceu entender a sua resposta, pois, depois de rapidamente fechar e abrir os olhos, desviou o olhar de seus orbes castanhos e deu partida no carro, voltando a dirigir.

Baekhyun não sabia se era piada do destino ou algum carma, mas, naquele dia, parecia que os sinais de trânsito estavam todos contra ele. Toda vez que chegavam a um sinal vermelho, ironicamente, o sinal demorava cerca de três minutos para ficar verde outra vez. Foi depois do terceiro sinal que ouviu Park Chanyeol suspirar ao seu lado, virando o corpo levemente para o lado e fitando seu rosto.

— Baekhyun, a gente precisa mesmo conversar, você sabe muito bem disso.

— Eu discordo, já conversamos tudo há cinco anos — retrucou com uma mágoa quase palpável em seu tom de voz. Seus braços estavam cruzados rente ao seu peito, os olhos fixos no sinal vermelho, que parecia não querer cooperar com a sua situação.

— Você conversou sozinho, isso sim. Eu nunca pude me explicar de verdade, você só me expulsou da sua vida sem mais nem menos.

— Sem mais nem menos, Park?! — Virou-se, a indignação preenchendo suas veias. Só podia ser piada.

— Sim, Byun, sem mais nem menos. Eu sei que vacilei, mas você nem me deu uma chance de explicar todo o contexto do que aconteceu de verdade.

— Eu já te perdoei Chanyeol, não ligo mais pra isso, até porque já é passado.... — respirou fundo, desejando que toda a calma existente no mundo entrasse em seu corpo. — Mas se você continuar falando sobre isso, eu prometo a você que te excluo de vez dos meus pensamentos.

— Então quer dizer que você ainda pensa em mim? — perguntou, sem nenhum sarcasmo, mas sim com uma pitada de esperança.

Assim como anos atrás, Baekhyun condenou as palavras que ouviu saírem de sua boca, a vergonha se apossando dos seus órgãos.

— Baekhyun, eu quero muito que a gente se acerte — confessou. — Você foi uma pessoa muito importante pra mim, até hoje é. Você foi meu primeiro amor, tem ideia da carga emocional que eu ainda sinto quando olho pra você? — Pôs a mão direita sobre as mãos de Baekhyun, estas que estavam em seu colo. O homem ao seu lado lhe encarou, lábios entreabertos e olhos levemente arregalados. Sabia que ele sentia o mesmo, podia sentir nas mãos suadas que tocava.

Baekhyun suspirou, cansado de manter as aparências. Precisava conversar com Chanyeol, ouvir o que ele tinha a dizer e, quem sabe, contar a ele o segredo que escondeu por cinco anos. O segredo de que, Byun Chano, seu filho de quatro anos, também era filho dele.

— Okay, podemos conversar.

Chanyeol sorriu de orelha a orelha, sentindo-se contente por Baekhyun ter dado a chance de conversarem.

— Obrigado por isso, Baekhyun.

O sinal ficou verde, o que fez Chanyeol voltar a dirigir. A mão direita de Chanyeol ainda ficou lá, pousada sobre as mãos suadas de Baekhyun, como um aviso prévio de que ainda estavam ligados um ao outro de várias formas, não apenas por causa do filho tinham. Ainda possuíam sentimentos um pelo outro, tantos que, nem mesmo o medo no coração de Baekhyun pôde ocultar o sorriso mínimo que adornou seus próprios lábios ao observar as mãos deles juntas em seu colo.

 

2015

 

Gemia baixinho, mordendo o braço do seu namorado para seus sons de prazer não soarem fora das quatro paredes do seu quarto. Estava de quatro, sendo fodido de forma tão intensa que os olhos estavam lacrimejando e revirando por trás das pálpebras. Sempre era assim quando faziam sexo, amor, tão intenso que o corpo todo parecia querer liberar formas de mostrar o seu prazer. Os olhos lacrimejavam, a boca salivava, o suor escorria de seus poros, o pau entre as próprias pernas pingava e os seus gemidos, tão agudos e sempre reprimidos, ecoavam de seus lábios. Tudo só piorava quando percebia que Chanyeol ficava da mesma maneira, principalmente quando ele gemia rouco e arrastado em seu ouvido.

Estremeceu quando Chanyeol puxou o seu cabelo, desprendendo seus dentes da pele do braço dele. Então gemeu um pouco alto, em um fio de voz, se praguejando internamente por isso, mas logo esquecendo quando, quase impossivelmente, o namorado juntou mais ainda seus corpos e foi mais fundo e certeiro no ponto que fazia todo o seu corpo se contorcer. Então, gozou forte, tão intensamente que sua cintura foi segurada para não desabar entre os lençóis azuis de sua cama. Ficou ali, sentindo as sensações do orgasmo, quando, em uma estocada funda, sentiu o namorado gozar dentro de si, a porra dele escorrendo entre suas coxas.

Mesmo que não devessem fazer aquilo sem proteção, acabavam fazendo. Era errado, muito, Chanyeol até afirmava aquilo de pés juntos, mas o próprio Baekhyun dizia que não havia problema se tomasse a pílula do dia seguinte. Chanyeol cedia, mesmo com sua postura rebelde, afinal, não conseguia negar nada que fizesse Baekhyun se sentir bem. Todavia, aquela seria a última vez. A partir daquele dia, ele só faria aquilo quando devidamente protegido.

— Você sonha com isso, digo, ter filhos? — Baekhyun indagou com a cabeça deitada no peito desnudo do namorado.

Estavam deitados em sua cama, a porta trancada e as luzes apagadas. Para os seus pais, Baekhyun estava dormindo, afinal era madrugada. Os dois só transavam naquela hora, pois, infelizmente, os pais do Byun não concordavam com o relacionamento dos dois. Baekhyun estava apaixonado e, por isso, não se importava com a opinião dos pais. Nem mesmo ligou para a opinião dos amigos, mesmo sabendo, no fundo, que eles não aceitavam.

— É claro que sim, Baek! Já pensou ter uma pessoa que é parte de mim e parece comigo? Deve ser incrível, não acha? — respondeu animado, abraçando mais ainda o corpo nu do namorado em seus braços.

— Sim, deve ser incrível — concordou com a fala do outro, sorrindo com os lábios perto do peito desnudo dele. — E o nome, qual seria? 

— Hm... acho que colocaria o nome do meu pai, Chano, como homenagem. Ele sempre quis um neto, pena que não vai estar aqui quando acontecer.

— Sinto muito, Chan. — Abraçou mais o tronco do namorado, sentindo-se triste por ele. O pai de Chanyeol havia morrido quando ele ainda era bem pequeno.

— E se fosse menina, qual nome você daria, Byun? — Cheirou os cabelos com cheiro de lavanda do seu garoto, fechando os olhos pelo aroma que tanto gostava.

— Acho que Byeol, pois, além de lembrar nossos nomes, significa estrela.

— Eu ia zoar quando ouvi, mas, parando pra pensar, é realmente um ótimo nome.

— Nada que faz lembrar nós dois é ruim, Chanyeol, por isso. — Beijou os lábios do namorado tão carinhosamente que foi impossível não sorrirem entre o ósculo.

Depois dali, dormiram, um nos braços do outro, como se nada no mundo pudesse separá-los, nem mesmo as inseguranças que cresciam em seus corações.

Infelizmente estavam enganados.

 

[...]

 

Estavam brigados há cinco dias, tudo porque Park Chanyeol era cabeça dura demais para conversar sobre o que estava errado com ele e Baekhyun, por sua vez, orgulhoso demais para ir atrás dele. Então, estavam ignorando um ao outro, como se não existissem. Seulgi e Sehun, mesmo não gostando do Park, pediram para Baekhyun que se acertassem, pois o clima na sala de aula e na organização estava péssimo. Contudo, infelizmente, Baekhyun não queria ceder.

Veja bem, discutiram há dois dias, quando Baekhyun estava chateado por estar sendo ignorado por Chanyeol. Estava tão triste por estar sendo ignorado que decidiu acompanhar os amigos em um barzinho perto da casa de Seulgi. Já eram maiores de idade, então não haveria problema — até seus pais haviam deixado que fosse. Por isso, se vestiu com uma de suas melhores roupas e saiu ao seu destino, achando o local bastante aconchegante quando chegaram.

Era um bar normal, com mesas espalhadas e um balcão de bebidas. Porém, o diferencial era o palco ao lado do balcão de madeira. O palco era pequeno, com pisca-piscas na parede atrás dele. A surpresa maior naquela noite, contudo, foi encontrar seu namorado ali, tocando como se Baekhyun não estivesse enchendo caixa de mensagens dele há horas atrás para saber onde ele estava. Sentiu o sangue ferver, mas não queria fazer uma cena, por isso ficou ali, sentado, esperando a hora que ele terminasse de tocar para falar com ele.

Toda vez que Chanyeol tocava, era uma sensação diferente, sempre transmitindo a ousadia dele ou seus sentimentos explosivos, porém, naquele momento, Baekhyun não conseguia sentir nada vindo dele além de tristeza. Principalmente por causa da letra daquela música, música esta que, mesmo que tivesse a ouvido muitas vezes, a carga emocional aparentava ser muito maior por causa da forma como Chanyeol tocava e cantava.

 

I want you to notice  

(Eu quero que você perceba) 
 When I'm not around  

(Quando eu não estiver por perto) 
 You're so fucking special  

(Que você é especial pra caralho) 
 I wish I was special 

(Eu queria ser especial) 
   

But I'm a creep

(Mas eu sou uma aberração) 
 I'm a weirdo  

(Eu sou um esquisitão)
 What the hell am I doing here?

(Que diabos estou fazendo aqui?)  
 I don't belong here

(Eu não pertenço a este lugar)

 

Quando ele terminou de tocar e foi aplaudido, Baekhyun disse aos amigos que iria falar com o namorado, pois estava cansado de ser ignorado. Seulgi e Sehun concordaram com sua decisão, por isso levantou-se e foi atrás de Chanyeol, vendo que ele estava indo para os fundos do bar. Saiu pela entrada do estabelecimento, esperando o encontrar na viela escura ao lado bar, onde ficava a entrada de serviço. E o encontrou, porém ele não estava sozinho.

Ficou parado ali, na escuridão da viela, observando seu namorado com uma cara nada boa. Ele parecia irritado, falando coisas que não entendia para uma garota. Mas, cruelmente ou não, entendeu algumas palavras que ouviu saindo da boca dele.

— Eu nem levo ele a sério de verdade, Yoora — disse mal humorado. — Pode dizer pra minha mãe que eu já terminei com ele, agora me deixa ir embora. — Afastou a garota da sua frente, decidido a ir embora.

— Você sabe que não é assim, Chanyeol! Para de ser cabeça dura! — Segurou o braço dele, decidida a não o deixar ir. — Se você ama o Baekhyun, tem que lutar por ele!

— Eu estou cansado de lutar por todo mundo, Yoora! Eu já terminei com ele, agora vou seguir minha vida.

A essa altura Baekhyun já estava chorando, as lágrimas caindo como cascatas de seus olhos castanhos. Não queria ouvir mais nada, nem mesmo queria olhar na cara de Chanyeol novamente. Contudo, assim como o destino parecia encarregado de tornar a situação mais angustiante ainda, acabou chutando uma garrafa de vidro que não percebeu estar jogada no chão. O som repercutiu na viela, atraindo a atenção das suas pessoas que estavam ali além de si.

Seus olhos marejados foram captados por Chanyeol e a garota que não conhecia, mas os de Chanyeol pareciam assustados, quase desesperados. Então correu, correu dali e dos seus sentimentos, ignorando seu coração despedaçado e a forma como Chanyeol gritava o seu nome desesperadamente.

Apenas queria esquecer que um dia deixou os efeitos de Park Chanyeol mexerem com o seu coração.

 

2020

 

Estavam sentados de frente para o outro, em uma cafeteria, com xícaras de café sobre a mesa, longe do frio que fazia do lado de fora. Era engraçado o modo que se olhavam por cima da borda da xícara sempre que bebericavam a bebida forte, admirando os traços um do outro. Mesmo com os cinco anos separados, o hábito de se olharem ainda continuava íntimo e agradável. No entanto, tinham que conversar antes de deixar os sentimentos de saudade escaparem de seus lábios. Por esta razão, Chanyeol decidiu ser o primeiro a falar.

— Na época, eu estava inseguro sobre nosso relacionamento, por isso comecei a te ignorar, sem mais nem menos — começou sua fala, os olhos fixos nas próprias mãos segurando a xícara de porcelana. — Ninguém parecia aceitar nosso relacionamento, sem contar que eu odiava quando te julgavam por estar comigo. Era horrível, sabe? Eu me sentia muito errado por estar com você. Eu me sentia errado, principalmente, por ser eu mesmo.

— Não havia nada de errado em você, Chanyeol. Você era incrível — retrucou, indignado pelo que estava ouvindo. Todas as versões de Chanyeol eram incríveis, desde o garoto problema até o homem que estava sentado à sua frente.

— Não, eu era um babaca de primeira, Baekhyun. Eu era inconsequente e pensava que era dono do meu próprio nariz. Nunca ouvi minha mãe e minha irmã mais velha, eu era um idiota. Mas aí eu conheci você, comecei a ver que estava errado. Foi uma pane na minha cabeça. Eu te amava tanto, mas tanto, eu queria mudar por você.

— Eu nunca pedi que você mudasse, eu te amava pelo que você era.

— Eu sei disso, por isso me afastei. Eu queria mudar pra merecer ficar ao seu lado. Infelizmente, minha mãe soube sobre o nosso namoro e me proibiu de namorar você. Não por você ser um garoto, até porque ela não era tão mente fechada em questão a isso, mas sim porque eu não servia pra você. Você não deve saber disso, mas nossas mães eram muito amigas na época, foi assim que minha mãe soube do nosso namoro.

— Eu não sabia... não fazia ideia, na verdade. — Realmente não sabia, a possibilidade de ambas serem amigas parecia irreal até mesmo no presente.

— Então eu surtei, imagina só, a minha própria mãe falando isso de mim. Por isso Yoora, minha irmã, foi naquele dia no bar falar comigo. Ela não queria que eu desistisse de você por causa da minha mãe ou da opinião de alguém.

– Aquela era a sua irmã?  

— Sim, era. Ela veio conversar comigo sobre eu mudar, parar com as brigas que eu me envolvia e me afastar das amizades erradas que eu tinha — mordeu o próprio lábio, a agonia das lembranças doendo em forma de arrependimento. — Mas aí eu falei um monte de besteira com raiva, e você ouviu... Deu tudo errado. Você terminou comigo, não foi ao show… Eu apenas aceitei a sua decisão, afinal, eu não merecia você.

— Eu... Eu tive uma visão totalmente distorcida do que aconteceu. Eu não sabia das coisas dessa maneira. — Era como se uma venda fosse tirada de seus olhos, a mágoa em seu peito sumindo a cada palavra que ouvia.

— Eu sei, desculpa não ter lutado por você, por nós. Eu me arrependo todos os dias da minha vida. Parece que eu ainda estou lá, em nossos momentos de 2015. Por isso, eu mudei, Baekhyun. Eu fui pra faculdade de música, me formei... Hoje sou produtor musical de artistas independentes. Eu quis ser alguém que minha mãe ou qualquer pessoa que estivesse ao meu lado sentisse orgulho.

— Que incrível, Chanyeol! Fico muito feliz por você! — sorriu de forma verdadeira, o coração quente ao saber que Chanyeol não era mais o garoto problema que conheceu, mas sim um homem adulto, com uma vida estável. Ele merecia, merecia cada felicidade existente nesse mundo. Ele merecia ser admirado por todos, assim como sempre o admirou.

— Eu segui minha vida, mas nunca por completo — respirou fundo, tocando na mão alheia que descansava por cima da mesa. — Por isso estou aqui, abrindo meu coração a você. Quero muito que você me dê uma chance para recomeçarmos, como dois adultos.

Então, a verdade passou pelos seus pensamentos, a venda que caiu de seus olhos lhe fazendo entender todo o contexto da situação. O errado nunca havia sido Chanyeol, mas sim ele mesmo. Nunca deixou Chanyeol se explicar, pois estava magoado com ele. Não obstante, escondeu e privou, graças a sua mágoa, o Park de conhecer o próprio filho. O filho que tinha o nome do avô, do pai de Chanyeol. Começou a chorar, as lágrimas caindo de seus olhos com toda a força de seu arrependimento.

— Baekhyun, por que está chorando? — indagou sem entender o choro repentino do outro. Então, apertou as mãos dele entre as suas, como uma forma de fazê-lo entender que estava ali por ele.

— Me perdoa Chanyeol... me perdoa, por favor — suplicou, sentindo dor em todos os lugares sentimentalmente possíveis.

— O que aconteceu? Por que está me pedindo perdão? — Franziu o cenho, não entendendo as súplicas que ouvia.

— Eu te privei de conhecer uma pessoa incrível, de realizar um sonho seu, um sonho nosso. — Fungou, tentando engolir o bolo em sua garganta.

Chanyeol ainda apertava as mãos de Baekhyun, sem entender onde ele queria chegar com tudo o que dizia.

— Eu tive uma visão diferente do que aconteceu, eu pensei que você tinha me usado, entende? Então eu te odiei e me condenei por te amar... Me condenei por tudo que vivemos. Por isso, eu escondi o Chano de você, eu não queria ter ao meu lado alguém que me usou... eu não queria que meu filho tivesse um pai que usou o pai dele. Me perdoa, por favor.

— Espera... Chano? — Soltou as mãos que segurava, seus sentidos sendo afetados pela menção do nome de seu pai. — Você está dizendo que... espera. — Fechou os olhos, as informações começando a fazer sentido na sua cabeça. — Eu ouvi direito? Você escondeu, por cinco anos, que eu tinha um filho com você? Escondeu isso por uma mágoa? — inquiriu decepcionado. Estava sentindo decepção, raiva, enganação, tudo junto. Será que havia sido isso que Baekhyun sentiu no passado? Realmente merecia sentir tudo aquilo por causa de uma mágoa?

— Me perdoa, Chanyeol. Eu juro que, todos esses anos, tentei encontrar uma forma de contar, mas nunca consegui nem mesmo pensar em uma forma de te contar na minha própria cabeça. Mas, se você quiser, eu quero mudar isso, eu quero que você retome o tempo perdido com ele, que o conheça e seja o pai que você sempre quis ser.

Chanyeol olhou para sua imagem decadente e arrependida, os olhos quase transbordando em lágrimas. Ele estava com raiva, sentia isso, mas não tirava a razão do Byun. Nem mesmo soube como reagir quando ele levantou da mesa, lhe deixando ali, chorando e com um frio tórrido dentro do peito.

Mas aceitou, assim como aceitou que ainda o amava perdidamente.

 

[...]

 

Saiu do táxi um caco, o nariz entupido e os olhos ardendo pelo tanto que chorou naquele café. Sentia-se arrependido, o peso da sua mentira de cinco anos pesava em seus ombros, como um enorme fardo. Queria tanto que tudo tivesse sido diferente, que tivesse tido aquela conversa há cinco anos. Talvez estivessem juntos agora, como uma família feliz. Talvez não tivesse chorado como chorou de tristeza, de saudade e por amor. Talvez nunca tivesse passado dificuldade financeira ou beijado bocas que nunca quis para esquecer o amor da sua vida, que achou que havia lhe usado e nunca voltaria.

Mas aquelas só eram suposições de uma mente arrependida, pois, lá no fundo, sabia que tudo estava programado pra ser dessa maneira desde o início. Isso era o que chamavam de destino.

Estava a ponto de bater na porta dos pais quando ela foi aberta abruptamente, a figura de Park Chanyeol saindo dela. Ele estava com o rosto como o seu, mas um pouco melhor. Até daquela maneira, com os olhos inchados e o nariz vermelho, ele parecia mais lindo do que tudo. Nunca iria superá-lo, já estava convencido disso.

— Papai! — O grito infantil lhe despertou de seu martírio, fazendo com que focasse os olhos na figura pequena que amava mais que tudo no mundo. Ele correu em sua direção com braços abertos, o sorriso de janelinhas aquecendo o seu peito.

— Meu amor, que saudade! — Recebeu o menino em seus braços, pondo-o em seu colo. Agora com Chanyeol ali, perto do seu filho, percebeu o quanto eles eram parecidos. Mais uma vez, percebeu que nunca o superaria, pois, todos os dias, lembrar-se-ia dele ao amar o filho.

Amar o filho significava, de um modo lindo e triste, que um dia o amou também.

— Por que demorou tanto? E por que está com os olhos cor de tomate? — Fez um biquinho, o coração infantil doendo por ver seu papai triste.

— Não foi nada, é porque está frio meu amor — mentiu para o filho, mesmo que não gostasse de fazer isso.

Então, sua mãe saiu, ficando ao lado de Chanyeol. Ela deu um sorriso compreensivo ao seu ex-namorado, como se estivesse pedindo perdão por muitas coisas. Baekhyun não entendeu.

— Mãe? Por que está aqui fora? Está frio, melhor você entrar — disse, olhando preocupado para a sua progenitora.

— Chano já sabe sobre o Chanyeol, Baekhyun. Eu e seu pai também pedimos desculpas a ele, está tudo certo entre nós.

Assim, entendeu tudo. Chanyeol havia corrido do café para ver Chano. Talvez a emoção de saber sobre o filho tivesse feito com que ele ansiasse muito vê-lo. Seus pais também se arrependiam por não terem aceitado Chanyeol no passado, o que sempre esperou que eles fizessem.

— Eu tô tão feliz de ter dois papais! — O menino de quatro aninhos exclamou com os dois bracinhos levantados no ar. — Agora posso dizer aos coleguinhas que eu tenho duas casas!

Chanyeol chorou vendo o sorriso do filho, sentindo sensações que nunca sentiu. Era uma parte sua ali, parecida consigo, assim como havia sonhado. Ele também parecia com Baekhyun, o que fez com que seu coração se sentisse em casa mais ainda.

— Duas não, meu filho, uma. — Corrigiu Chanyeol.

— Uma? Por que uma? — O garotinho quis saber.

— Porque vamos ficar todos juntos, eu, você e o papai Baekhyun.

Baekhyun arregalou os olhos, a felicidade inundando seu peito. Olhou para o sorriso do filho, assim como o da sua mãe, como uma confirmação que não havia escutado errado. Chanyeol os citou como uma família, não estava ficando louco. Virou-se para Chanyeol, percebendo que ele lhe olhava com carinho, da forma mais íntima que alguém já olhou para si, assim como há cinco anos. Sorriu de volta, aceitando o abraço protetor que ele lhe deu.

Foi ali, com o filho em seu colo e sendo abraçado por Chanyeol, que Baekhyun sentiu-se feliz, feliz ao ponto de rir de felicidade enquanto sentia o cheiro de cereja que nunca deixou de amar um dia sequer nesses cinco anos. O filho riu também, por causa do seu riso, assim como Chanyeol, que estava com as duas pessoas que mais amava no mundo.

O Park pensava que não poderia amar mais Baekhyun, mas estava errado. Afinal, quando se separaram e selou os lábios dele, entendeu que podia sim amá-lo mais do que o limite que pensava que existia. E amaria sem limites, todos os dias de sua vida, tanto ele quanto seu filho Chano, porque o que sentia não era apenas amor...

O que sentia era amor verdadeiro.

 

Eu te prometo, quando este momento passar
 E nos vermos novamente, nesse dia,
 Eu vou deixar tudo para trás e ficar ao seu lado
 Para que possamos trilhar o caminho que resta para nós

– Fate


Notas Finais


E fim. Ai, estou emocional... Espero que tenham gostado de Efeito Park Chanyeol! Quero agradecer à @kenobyn por essa capa linda, atingiu todas as minhas expectativas! Também quero agradecer à @keiperolim pela betagem, simplesmente incrível! ❤❤❤
Aprendi escrevendo EPC que nunca devemos tirar conclusões precipitadas sobre nada, afinal, a gente querendo ou não, há sempre mais de uma versão de uma história. No fim deu tudo certo, amém.Essa música no final é Fate, da cantora Lee Sunhee (sim, a cantora que o Chanyeol fez feat há alguns dias). Achei que combinou muito com eles, então coloquei - escrevi esse final ouvindo ela, aliás. A música do início é Cherry, da Lana Del Rey - é um hino, só pra deixar claro. Escutem ambas, não vão se arrepender! Acho que é só isso, já falei demais kkkk Beijinhos, se cuidem e, se tudo der certo, até o próximo ciclo! ❤❤❤


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